BRASÍLIA - O presidente da CPI dos Grampos, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), reagiu ontem às declarações do corregedor-geral do CNJ, ministro Gilson Dipp, que ao divulgar números de interceptações telefônicas com autorização judicial disse que os dados divergiam dos levantados pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). "A declaração do ministro Dipp me parece imprópria. Não se pode comparar banana com laranja", afirmou Itagiba.
Segundo dados do CNJ, há 11.846 telefones monitorados com autorização judicial. Já para a CPI, com base em números repassados pelas operadoras de telefonia, em 2007 foram detectados 409 mil grampos. "Os nossos números foram apenas os repassados pelas operadoras, já que fomos cerceados pelo Judiciário em relação aos dados", criticou o presidente da Comissão.
Itagiba antecipou que vai apresentar um requerimento solicitando que as operadoras passem novas informações à CPI, desta vez referente a 2008. Irritado, Itagiba endureceu o discurso contra o Judiciário e disse que o Supremo Tribunal Federal (STF), "de forma indevida, cerceou o trabalho da CPI" e que agora está criando mecanismos para controle dos grampos no País.
"Se o número fornecido pelo CNJ for verdadeiro, essa CPI está atingindo seus objetivos. Estamos colocando o dedo na ferida e quem está abrindo essa caixa preta somos nós". O presidente da CPI protocolou requerimento para a convocação do presidente da associação dos servidores da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Nery Kluwe.
Segundo o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, Jorge Félix, Kluwe seria o autor do vazamento do grampo telefônico a qual teria sido vítima o presidente do STF, Ministro Gilmar Mendes. A afirmação de Félix teria sido feita em reunião. O ministro nega tal declaração. Itagiba também pretende que a CPI convoque novamente o general. Ontem, a CPI ouviu Márcio Derenne, ex-sub-secretário de Segurança Pública do Rio. Hoje, estão previstos os depoimentos do delegado da PF Amaro Vieira Ferreira e do procurador Roberto Dassie.
Fonte: Tribuna da Imprensa
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