Helga Cirino, do A Tarde
Arestides Baptista/Agência A Tarde
Odair Conceição: "A empresa tem que procurar a PF"
O envolvimento de seguranças clandestinos em dois homicídios nos últimos dias reacendeu a discussão sobre os riscos da contratação dos serviços ilegais. Na quarta-feira, 26, enquanto um deles apresentava-se na 7ª CP (Delegacia do Rio Vermelho), o outro era procurado e preso por policiais da 9ª CP (Boca do Rio).
Os acusados de homicídios são apenas dois dos 162 mil seguranças clandestinos que trabalham nas ruas da Bahia, de acordo com dados do Sindicato das Empresas de Segurança Privada do Estado da Bahia (Sindesp-BA).
O número é pelo menos cinco vezes maior que o de profissionais legalizados (30 mil homens). Isso sem falar que o Estado deixa de arrecadar R$ 300 milhões em impostos federais, estaduais e municipais com os trabalhadores ilegais. O vigilante ilegal Vancleisson Rosário dos Santos, 20 anos, acusado de assassinar o adolescente Rafael Félix da Penha, 14, brincando com um revólver calibre 38, na última quinta-feira, prestava depoimento na 7ª CP, no momento em que policiais da 9ª CP identificaram, localizaram e prenderam o segurança clandestino Marcelo Bernardo da Silva Santos, 31. Santos está sendo apontado como o responsável pelo ataque a tiros de pistola 9 milímetros que culminou na morte do comerciante Josuel Silva Santos, 21, e ferimento à bala em outros dois, no domingo, no posto de combustível Gabriela, no Imbuí. Marcelo foi preso no final da manhã. Vancleisson, em depoimento, contou ter tido a arma tomada pelo adolescente que teria sido baleado “acidentalmente”. Ele se diz segurança “autônomo”, apesar de moradores alegarem que ele trabalhava para um policial militar não identificado. De acordo com o presidente do Sindesp-BA, Odair Conceição, mesmo sem atuar em empresa clandestina, o trabalho realizado por um segurança não legalizado “constitui crime”. Em quase toda esquina de ruas residenciais e comerciais da capital baiana há um desses trabalhadores. A maioria tem conhecimento da ilegalidade da função e prefere falar somente com a condição de ser preservado o anonimato. No bairro da Federação, uma das empresas clandestinas faz a fiscalização de residências na Rua Pedro Gama. De acordo com o próprio clandestino, que pediu que o nome fosse mantido em sigilo pela reportagem, a empresa é mantida por dois policiais militares, que passam as ordens aos “funcionários” não credenciados para exercer a função de policiamento ostensivo. “Nós não trabalhamos armados, mas todos os cinco vigilantes de uma outra empresa daqui da Federação trabalha”, avisou o vigilante ilegal. Tiroteio – No bairro do Rio Vermelho, a ação de um segurança clandestino por pouco não matou os próprios moradores da localidade que lhe pagavam para obter proteção. Na primeira semana do mês de outubro, por volta das 21 horas, na Rua Arquibaldo Baleeiro, o segurança clandestino de um curso de preparação para estudantes de direito e advogados atirou contra dois assaltantes que tentavam roubar o veículo de uma aluna. De acordo com testemunhas, os bandidos reagiram à abordagem abrindo fogo contra o clandestino. Estudantes do cursinho e de uma academia vizinha se desesperaram e se refugiaram atrás de automóveis. Ninguém ficou ferido. “O segurança deste curso é um policial militar. Com esta brincadeira, ele poderia ter matado alguém”, reclamou uma moradora da rua. Fiscalização – Responsável pela fiscalização do serviço ilegal, a Polícia Federal, por meio de nota enviada pela assessoria de comunicação, informou que a última operação realizada pela instituição para reprimir o serviço de segurança clandestino na Bahia ocorreu entre 7 e 14 de junho deste ano. Denominada Operação Varredura VI, levada a cabo pela Delegacia de Controle de Segurança Privada (Delesp), a ação teve como alvos condomínios, lojas, supermercados, shoppings, postos de gasolina, centro comerciais, clínicas, bares, fábricas, boates, dentre outros estabelecimentos. Segundo a PF, 38 empresas ilegais tiveram os serviços interrompidos com a operação. Sete firmas legalizadas foram autuadas por cometer infrações no exercício da atividade, três delas por porte ilegal de arma, duas delas em Feira de Santana e uma em Salvador. Na mesma ação, oito empresas de vigilância ilegal foram fechadas em Ilhéus. Também foram fechadas empresas em Porto Seguro e Juazeiro.
Fonte: A Tarde
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