BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ameaçou brigar com o PT se companheiros de partido teimarem em mexer na Constituição para encaixar a proposta de terceiro mandato em 2010. Em reunião realizada ontem com quatro senadores do PDT no Palácio do Planalto, Lula foi além: não escondeu a contrariedade com petistas que defendem a proposta e autorizou a base aliada a bombardeá-la. "Se o PT insistir nessa história de terceiro mandato, eu rompo com o PT", esbravejou Lula, segundo relato do senador Cristovam Buarque (PDT-DF).
Ex-ministro da Educação do governo Lula, Cristovam disse que o presidente mostrou aborrecimento com o retorno do tema à cena política. "Nós avisamos a ele que iríamos bater porque consideramos isso um golpe, mesmo se for com o apoio das massas", descreveu o senador, um ex-petista que foi demitido por Lula, em 2004, pelo telefone.
"Ele respondeu: 'Façam isso porque também sou radicalmente contra'". Na conversa, o líder do PDT, senador Jefferson Péres (AM), confessou a preocupação com a iniciativa do deputado Devanir Ribeiro (PT-SP), que inicia hoje a coleta de assinaturas no Congresso para apresentar Proposta de emenda Constitucional (PEC) que abre caminho para o terceiro mandato.
Com o mesmo argumento, Cristovam ponderou que a base aliada pode comprar a idéia quando perceber que não terá condições de vencer a oposição. "Eu não aceito isso", reiterou Lula, de acordo com os senadores que participaram do encontro. O PT não tem candidato natural forte à sucessão do presidente, daqui a dois anos e meio.
Mais: a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, nome preferido de Lula para herdar seu espólio, terá de sair da vitrine eleitoral, ao menos até a temperatura da CPI dos Cartões Corporativos baixar.
Cafezinho
Do outro lado do Planalto, no Salão Verde da Câmara, o deputado Devanir abriu um sorriso quando soube da reação à sua proposta. Amigo do presidente desde os tempos de sindicalismo, disse que não arredará pé de sua empreitada. "Se o Lula ligar para mim, eu o convido para tomar um café", divertiu-se. "Ele está bravo, mas eu estou muito calmo porque estou do lado do povo".
Devanir acredita que arregimentará o apoio de 175 colegas - número de assinaturas necessárias para a apresentação de uma proposta de emenda constitucional - com muita facilidade. Desde que teve a idéia de levantar a bandeira do terceiro mandato, no ano passado, já levou repreensão de Lula uma vez e mudou o texto outras tantas.
Agora, o projeto embute uma manobra: não menciona explicitamente a possibilidade de mais um mandato. Em vez disso, oferece um pacote de cinco anos no cargo ao presidente, acompanhado do fim da reeleição. "Ao mudar a Constituição, abrimos uma brecha para Lula pensar lá na frente se quer disputar e governar mais cinco anos", admitiu Devanir.
O deputado garantiu que sepultou a idéia de um plebiscito, junto com as eleições de outubro, para consultar a população sobre a conveniência de alterar a Constituição. "Não vai dar tempo para isso", argumentou. A voz de Devanir reforça o coro da temporada, também integrado pelo vice-presidente José Alencar e pelo prefeito de Recife, João Paulo Lima e Silva (PT), que nos últimos dias pregaram mais tempo para Lula no Planalto.
Lula, segundo Dias, falou também do quadro eleitoral deste ano e, dirigindo-se ao senador paranaense, perguntou se ele apoiaria a candidatura petista à prefeitura de Curitiba. O senador deixou claro que já tem compromisso com o PSDB, que o apoiou na eleição para governador, enquanto o presidente esteve na capital paranaense para reforçar a campanha do governador Roberto Requião, que foi reeleito por escassa margem de votos. Osmar Dias disse que, para prefeito de Curitiba, apoiará o tucano Beto Richa, que disputa a reeleição.
O próprio Lula, ainda de acordo com o relato de Dias, tomou a iniciativa da conversa sobre eleições municipais, dizendo à senadora Patrícia Saboya (PDT-CE) que ficasse tranqüila, pois não subirá nos palanques eleitorais onde haverá disputa entre os partidos aliados ao governo. Patrícia é candidata à prefeitura de Fortaleza e terá como principal adversária a prefeita petista Luizianne Lins (PT), que concorrerá a um segundo mandato.
Fonte: Tribuna da Imprensa
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