quarta-feira, setembro 09, 2026

Julgamento sobre diretor da PF expõe divisão do STF entre Moraes e Mendonça


Gilmar interrompeu análise e busca tempo para solução

Mariana Muniz
O Globo

O julgamento da decisão de André Mendonça que afastou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, começou a revelar no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) a formação de uma ala alinhada ao ministro em meio à crise que divide a Corte. Ao mesmo tempo, o pedido de vista de Gilmar Mendes interrompeu a análise e deu mais tempo para que os ministros busquem uma solução para o impasse nos bastidores.

Mesmo com a suspensão, Mendonça conseguiu formar maioria para manter sua decisão, com os votos antecipados de Kassio Nunes Marques e Luiz Fux, dois ministros que vinham sendo contabilizados entre os possíveis apoios ao magistrado nas discussões internas provocadas pelo caso Master. Dias Toffoli, por sua vez, não votou. Apesar da interrupção do julgamento, a liminar de Mendonça continua em vigor.

APOIO A MENDONÇA – Desde que a crise entre Mendonça e Alexandre de Moraes se agravou, ministros passaram a mapear apoios diante da perspectiva de que diferentes aspectos do embate fossem submetidos ao plenário. Fux já era considerado o apoio mais seguro de Mendonça, enquanto Kassio aparecia entre os ministros que poderiam funcionar como fiéis da balança.

O pedido de vista de Gilmar, porém, interrompeu a conclusão do julgamento e abriu uma janela adicional para as articulações internas. Decano do Supremo e ministro com maior trânsito político dentro e fora da Corte, Gilmar tem atuado nas discussões para tentar construir uma saída para a crise institucional. O pedido de mais tempo ocorre justamente quando o placar deixa mais clara a correlação de forças dentro do tribunal. Na semana passada, com as turbulências já em andamento, Gilmar teve um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A suspensão não derruba, por si só, a decisão de Mendonça. Enquanto o julgamento não for concluído ou não houver uma nova deliberação do Supremo sobre o tema, a liminar permanece produzindo efeitos.

CONTABILIDADE – A composição dos votos também chama atenção diante das contas que vinham sendo feitas internamente desde o início da crise. Pessoas próximas a Moraes contabilizam Cristiano Zanin, Flávio Dino e o próprio Gilmar como integrantes de uma ala mais próxima ao ministro. Do outro lado, Mendonça tinha Fux como apoio considerado mais seguro e buscava conquistar novas adesões, entre elas a de Nunes Marques. Cármen Lúcia e o presidente do STF, Edson Fachin, também eram vistos como possíveis fiéis da balança.

A votação desta terça revela o primeiro retrato concreto de como parte dessas articulações pode se traduzir no plenário. Ela não significa, porém, que a mesma maioria será automaticamente reproduzida em todas as discussões decorrentes da crise.

Ministros ouvidos nos últimos dias têm ressaltado que a composição de cada grupo pode variar de acordo com o objeto submetido ao colegiado, se a legalidade dos procedimentos adotados nas investigações, o conteúdo dos relatórios da Polícia Federal ou eventuais apurações sobre a conduta de integrantes da Corte.

DIVULGAÇÃO DE RELATÓRIOS – A crise se agravou após a divulgação de relatórios produzidos pela área de inteligência da Polícia Federal. Mendonça afirma que foi submetido a “monitoramento sistemático” pela corporação e que houve “monitoramento e coleta dirigida” de informações sobre ele e sobre o advogado-geral da União, Jorge Messias. A decisão destaca que seis relatórios foram produzidos entre 3 e 31 de agosto.

Na decisão, Mendonça classificou a produção desse material como ilegal e afirmou que os relatórios também faziam análises sobre sua atuação como magistrado. O ministro sustenta ainda que Moraes tinha conhecimento prévio da existência dos documentos e registra que o material foi encaminhado por Andrei em 1º de setembro.


Gilmar faz esforço enorme para evitar que Moraes provoque derrota de Lula

Publicado em 8 de setembro de 2026 por Tribuna da Internet

BLOG DO VINÍCIUS ASSUMPÇÃO: CHARGE: O DESPREZO DE GILMAR MENDES

Charge do Paixão (Gazeta do Povo)

Felipe de Paula, Fausto Macedo, Aguirre Talento e Carolina Brígido
Estadão

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou a decisão de André Mendonça que afastou, nesta terça-feira, 8, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Gilmar afirmou que decisões “tendentes a promover o desequilíbrio da disputa político-eleitoral” devem ser submetidas ao Plenário da Corte, e não a uma das Turmas. O ministro pediu vista apenas 11 segundos após a liberação, no plenário virtual, da votação sobre o referendo do afastamento de Andrei.

A Segunda Turma do Supremo, apesar do pedido de vista de Gilmar, formou maioria para referendar a decisão de Mendonça cerca de 10 minutos após a abertura da votação. Acompanharam o relator da Operação Compliance Zero os ministros Nunes Marques e Luiz Fux. Falta o voto de Dias Toffoli.

TRÊS PONTOS – As razões do pedido de vista feito por Gilmar após 11 segundos de votação se sustentam em três pilares, segundo o ministro. O primeiro é o pouco tempo para analisar o caso. Gilmar afirmou que o processo “foi incluído em pauta no próprio dia do julgamento, menos de uma hora antes do início da sessão virtual”, o que “impediu o exame da integralidade dos autos e da decisão submetida a referendo”.

O segundo ponto questiona o fato de o afastamento ter sido determinado por Mendonça “a partir de solicitação formulada por partido político (Novo)”, em “aparente contrariedade” ao Código de Processo Penal e ao Regimento Interno do STF.

Por fim, o decano criticou ainda o envio de “incidentes conexos, oriundos de uma mesma apuração” para colegiados diferentes.

PLANO DE GILMAR – Aliado de primeira hora do ministro Alexandre de Moraes, Gilmar sustenta que “a decisão de afastamento cautelar registra elementos que sugerem que o relatório de inteligência teria sido produzido pelo Diretor-Geral da Polícia Federal por provocação de membro da Primeira Turma desta Corte”.

Para Gilmar, se essa premissa for considerada, “a competência para exame dos atos imputados a integrante do Tribunal é do Plenário, e não da Segunda Turma”.

No terceiro pilar, Gilmar citou entendimento do Plenário que, com base na “paridade de armas” e no “dever de neutralidade do Estado em relação aos partidos políticos e candidatos”, considerou inconstitucionais decisões “tendentes a promover o desequilíbrio da disputa político-eleitoral”.

AFASTAMENTO Na manhã desta terça, Mendonça determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada da Costa. Mendonça ordenou que a PF, por meio de sua Corregedoria, abra procedimentos investigatórios de natureza penal e administrativo-disciplinar para apurar os “graves fatos identificados” na produção de relatórios de inteligência.

Andrei Rodrigues entregou na semana passada ao ministro Alexandre de Moraes um relatório de inteligência após ter recebido uma ordem do ministro.

Como mostrou o Estadão, o documento diz que não possui valor probatório, e não pode servir como elemento de acusação, mas Moraes usou o material no inquérito das Fake News para acusar André Mendonça de abuso de autoridade, depois que o ministro solicitou a confecção de um relatório da PF contendo conversas entre Moraes e Daniel Vorcaro, nas quais o banqueiro chega a pedir orientação se deveria fugir do país diante das investigações.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Gilmar Mendes está exercitando sua maior especialidade, o “jus embromandi”. Recentemente, fez uma harmonização que melhorou seu visual, mas o caráter continua o mesmo e ele saiu em defesa do diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, que está envolvido no caso Master junto com a namorada, a jornalista e lobista Renata Varandas. Mas as iniciativas de Gilmar Mendes têm um encontro marcado com o fracasso, porque Luiz Fux e Nunes Marques apoiaram Mendonça e o diretor da PF foi mesmo afastado. Agora, Moraes, Toffoli e Andrei têm chance zero de escaparem incólumes desse escândalo. Não há embromação que dê jeito. (C.N.)


Barroso e Lewandowski ficam fora do manifesto dos ministros e fazem papel constrangedor


Folha diz que Fachin pode tirar de Mendonça os casos Master e INSS, mas é conversa fiada

Publicado em 9 de setembro de 2026 por Tribuna da Internet


STF vira tema central da eleição ao Senado, e até aliados de Lula cobram mudanças

Publicado em 9 de setembro de 2026 por Tribuna da Internet

Tema, antes restrito à direita, ganhou novo impulso eleitoral

Luísa Marzullo
O Globo

O acirramento da crise no Supremo Tribunal Federal (STF) levou candidatos da base governista e de partidos de centro a adotarem críticas à Corte e a defesa de mudanças no Judiciário como bandeiras das campanhas ao Senado. O tema, antes restrito à direita, ganhou novo impulso eleitoral após a revelação de mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes, seguida da reação de Moraes com acusações ao colega André Mendonça.

A Casa presidida por Davi Alcolumbre (União-AP) é responsável por votar indicações ao Supremo, papel que ganhou contornos inéditos com a rejeição do ministro Jorge Messias (Advocacia-Geral da União), a primeira em 132 anos, e por afastar integrantes da Corte via impeachment, mecanismo que a Casa jamais usou até hoje.

POLARIZAÇÃO – Com duas vagas em disputa em cada estado e uma crise sem precedentes no STF, candidatos de esquerda e de centro se movimentaram para evitar que os concorrentes de direita aproveitassem sozinhos a crise de imagem do Supremo. Como mostrou O Globo, na semana passada, as primeiras pesquisas nos estados apontam para uma tendência de aumento de polarização na Casa, com redução de espaço do Centrão, mas com esquerda e bolsonarismo ainda longe de ter uma maioria sólida.

As soluções propostas são distintas. Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro reforçam o mote de eleger uma maioria capaz de afastar ministros do STF. Já os nomes de centro e os mais próximos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seguem distantes da pauta do impeachment, mas houve uma inflexão no discurso: cobranças por investigação da conduta de magistrados e defesa de mudanças nas regras do Judiciário, com propostas como códigos de conduta, passaram a ganhar força.

Em São Paulo, a ex-ministra do Planejamento Simone Tebet (PSB), candidata ao Senado e aliada de Lula, defendeu a abertura de investigação sobre Moraes, mas marcou distância da ofensiva bolsonarista ao cobrar que a apuração alcance também as relações de Flávio Bolsonaro (PL) com Vorcaro.

“PERPLEXA” – Ela disse estar “perplexa” e “indignada” com as novas revelações e afirmou que o episódio precisa ser esclarecido porque “ninguém está acima da lei e não é possível ter dois pesos e duas medidas”. Tom semelhante veio da ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede), também aliada de Lula e postulante ao Senado. Para ela, Moraes precisa se explicar “com toda transparência que a gravidade dos fatos exige”, mas é preciso impedir que o caso seja usado por quem deseja “deslegitimar” o STF.

Do lado bolsonarista, o deputado Guilherme Derrite (PP) falou em “abusos do Poder Judiciário” e disse que votará a favor do impeachment de ministros caso eleito. Já o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, André do Prado (PL), outro postulante ao Senado, afirmou que Moraes não tem mais “condições” de ocupar o cargo.

NOVAS NORMAS – A saída de um ministro do STF, porém, está fora da agenda de candidatos do campo governista, que concentram o discurso na necessidade de investigações e reformas. Em Minas Gerais, a ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT), candidata ao Senado, defendeu a apuração e a adoção de novas normas de conduta para magistrados.

“Reforma é necessária. Precisamos de um código de ética e de mais transparência. Isso fortalece o Judiciário. Onde houver indício de crime, tem que haver investigação. Não importa o cargo, partido ou quem seja. O que não pode é a investigação virar instrumento de perseguição política nem a toga virar escudo contra a lei”, disse.

O avanço do tema para além do bolsonarismo ocorre no momento em que a própria campanha de Lula tenta formular uma resposta ao desgaste do Supremo sem aderir à ofensiva pelo impeachment de Moraes. Na sexta-feira, o presidente disse em evento no Planalto que “ninguém pode usar o cargo em benefício pessoal”. Um dia antes, já havia divulgado vídeo sobre a crise defendendo “reformas profundas” no Judiciário e no “sistema político”, além de investigações sem blindagem.

DEBATE AMPLO – Líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE) endossou a defesa de Lula por mudanças no sistema de Justiça, mas ponderou que uma eventual reforma não deve ser desenhada apenas como reação à atual crise. Ela está em meio de mandato e não concorre neste ano: “Seria um debate amplo e não apenas focado na crise”, afirmou.

No Mato Grosso do Sul, dois nomes ligados ao campo de Lula também passaram a defender apurações. O deputado Vander Loubet (PT), candidato ao Senado, classificou as denúncias como graves e afirmou que o partido não pretende blindar Moraes caso sejam comprovadas irregularidades. Soraya Thronicke (PSB) foi na mesma linha e disse que “preservar as instituições não significa blindar pessoas, assim como cobrar respostas não autoriza julgamentos antecipados”.

Fora do campo governista, candidatos de centro também passaram a apresentar a eleição para o Senado como caminho para mudar o Supremo. No Paraná, Alexandre Curi (Republicanos), aliado do governador Ratinho Jr. (PSD), classificou os fatos envolvendo Moraes e Vorcaro como “gravíssimos”, defendeu o afastamento do ministro e disse que votaria pelo impeachment caso seja eleito e o processo chegue à Casa. Em Minas, Carlos Viana (PSD), que disputa a reeleição, também defendeu o afastamento de Moraes, argumentando que a medida serviria para preservar o próprio Judiciário.

POSTURA DE ALCOLUMBRE – A crise também deu novo fôlego à estratégia que o PL já vinha montando antes das revelações do caso Master: transformar a eleição das 54 vagas do Senado também numa disputa sobre a relação entre Congresso e Supremo, apostando no crescimento da bancada para aumentar a pressão por processos de impeachment de ministros. Um procedimento do tipo só avança com aval do presidente do Senado.

Alcolumbre, que deve tentar concorrer no ano que vem novamente ao comando da Casa, mantém boa relação com Moraes e já indicou a aliados que não deve dar aval.


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