CENSURA É CENSURA: A Omissão da Mídia Hegemônica Diante dos Golpes contra a Liberdade de Imprensa
Por José Montalvão
Concordo plenamente com a lúcida e corajosa análise feita pelo jornalista Paulo Motoryn, veiculada no portal ICL Notícias. Em um momento crítico para o jornalismo e para a própria democracia brasileira, a imprensa dita hegemônica precisa abandonar os eufemismos acovardados e ter a hombridade de chamar a censura pelo seu verdadeiro nome.
Quando um magistrado, muitas vezes de forma monocrática, apressada ou até arbitrária, exara uma decisão ordenando a remoção de uma reportagem, a derrubada de uma matéria ou o bloqueio de um site, blog, jornal ou revista, o nome técnico e real desse ato é CENSURA. Tratar episódios tão graves como mera "retirada do ar" ou "decisão de readequação de conteúdo" é dar um duto de escape para o autoritarismo e dourar a pílula do cerceamento da informação.
Censurar a Imprensa É Calar a Voz do Povo
A Constituição Federal de 1988 é taxativa no seu artigo 220 ao vedar qualquer tipo de censura de natureza política, ideológica e artística. A razão para essa proteção pétrea é simples: o jornalista não escreve para si, escreve para a sociedade. A imprensa livre atua como os olhos e os ouvidos do cidadão comum — o vigia que expõe os desmandos, as fraudes, as improbidades e as injustiças praticadas por quem detém o poder.
Portanto, quando a caneta pesada de um juiz amordaça um veículo de imprensa, quem está sendo censurado, em última análise, é o próprio povo. Suprime-se o direito sagrado da população de saber a verdade, de formar sua opinião crítica e de cobrar transparência das instituições públicas e privadas.
A Falta de Solidariedade da Mídia Tradicional
O alerta do jornalista Paulo Motoryn ganha contornos ainda mais dramáticos ao expor a tibieza da grande mídia diante do avanço da censura judicial contra veículos independentes, como ocorreu de forma contundente contra o próprio ICL Notícias.
Observa-se um comportamento vergonhoso por parte dos grandes conglomerados de comunicação:
Omissão Estratégica: Quando a arbitrariedade atinge um portal independente ou um blog regional, os grandes jornais silenciam ou noticiam o fato de forma fria, como se o problema não lhes dissesse respeito;
Falta de Corporativismo Democrático: Esquece-se de que a censura é um monstro insaciável. O precedente jurídico aberto hoje para calar um veículo independente servirá, amanhã, para trancar as portas e calar as redações da própria imprensa tradicional;
Normalização do Absurdo: Ao evitar a palavra "censura", a grande mídia colabora para a naturalização do cerceamento da liberdade de expressão no país.
Conclusão: Sem Imprensa Livre Não Há Democracia
O jornalismo de combate e a imprensa de opinião não podem recuar diante das mordaças judiciais. Nós, comunicadores que honramos o registro profissional e o compromisso com a verdade, não nos curvaremos aos eufemismos da conveniência.
A remoção forçada de reportagens investigativas é, sim, censura prévia e violência institucional. Que a grande imprensa tenha a coragem que a história exige para denunciar os abusos sem olhar a quem atingem. Calar o jornalista é tentar apagar a luz da República — e o povo brasileiro não aceitará viver no escuro!
José Montalvão
Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da Associação Brasileira de Imprensa (ABI - Registro C-002025).
Blog de Dede Montalvão: Defendendo a liberdade de expressão irrestrita, rechaçando a mordaça judicial e garantindo o direito do cidadão à informação verdadeira!