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A ATUALIDADE DE RUI BARBOSA E O DUELO DE TITÃS NO STF: A Crise Moral que Assombra a República
Por José Montalvão
Em 14 de dezembro de 1914, do alto da tribuna do Senado Federal, o jurista e patrono da imprensa brasileira Rui Barbosa imortalizou um dos diagnósticos mais dolorosos e lúcidos sobre a fragilidade ética do Estado brasileiro. Disse ele:
“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a
rir-se da honra, a ter vergonha de s er honesto.”
Decorridos mais de um século, a profecia de Rui Barbosa ressoa com uma atualidade estarrecedora. O espetáculo oferecido hoje pelas cúpulas dos Três Poderes da República reflete esse mesmo ambiente de degradação institucional, no qual a busca pelo interesse público cede espaço a guerras corporativas, vaidades pessoais e manobras de gabinete.
A Arena do Supremo: O Inédito Confronto Interno
O ápice dessa crise institucional ganha contornos dramáticos no seio do Supremo Tribunal Federal (STF), a corte encarregada de guardar a Constituição Federal. O encaminhamento feito pelo ministro Alexandre de Moraes ao presidente da corte, ministro Edson Fachin — remetendo documentos da Polícia Federal que apontam "fortes indícios" de irregularidades na atuação do ministro André Mendonça à frente de investigações —, expõe uma ferida aberta no coração do Judiciário.
Ao solicitar formalmente que um par seja investigado, a Suprema Corte abandona a liturgia do silêncio técnico e entra em uma arena aberta de disputa. O chamado "duelo de titãs" não é apenas uma divergência jurídica ou doutrinária entre magistrados; é o entrechocar de métodos, influências e narrativas em pleno horário nobre da política nacional.
A Ruína do Exemplarismo Institucional
Em qualquer democracia consolidada, o Poder Judiciário — e especialmente a sua cúpula — funciona como o ancoradouro moral da sociedade. Quando os próprios julgadores passam a figurar como alvos de suspeitas, denúncias de atuações heterodoxas e pedidos cruzados de investigação, a confiança do cidadão comum desmorona.
Como exigir que o agricultor do sertão, o comerciante de bairro ou o trabalhador assalariado respeitem a lei e as decisões judiciais quando as instâncias superiores transparecem estar imersas em um jogo de forças onde a regra parece mudar conforme o jogador?
O risco real apontado por Rui Barbosa é o contágio do desalento: quando o cidadão de bem passa a sentir "vergonha de ser honesto" ao constatar que a máquina pública serve de palco para acertos e disputas de poder longe do olhar da sociedade.
Conclusão: A Luz do Devido Processo Legal como Única Saída
O Brasil não suporta mais o desmonte de suas instituições por vaidades ou guerras de facções políticas. A crise instalada no STF exige o único remédio capaz de estancar a sangria da credibilidade pública: transparência absoluta e apuração rigorosa na forma da lei.
Se há indícios contra quem quer que seja, que se investigue com ampla defesa e contraditório, sem blindagens corporativas e sem caça às bruxas. O Supremo Tribunal Federal pertence ao povo brasileiro e à Constituição, não às biografias de seus membros. Restabelecer a ordem, a imparcialidade e a virtude é a única forma de provar que a profecia de Rui Barbosa ainda pode ser superada pela força do Estado Democrático de Direito!
José Montalvão
Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da Associação Brasileira de Imprensa (ABI - Registro C-002025).
Blog de Dede Montalvão: Analisando a política nacional com independência, defendendo o respeito às instituições e combatendo a desmoralização do serviço público!
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