quarta-feira, setembro 02, 2026

Lula fala com Fachin sobre crise no STF, se distancia de Moraes e define discurso do 'ninguém acima da lei'

 

Lula fala com Fachin sobre crise no STF, se distancia de Moraes e define discurso do 'ninguém acima da lei'

Petista foi próximo do ministro nos últimos anos, mas tenta evitar que escândalo contamine sua campanha

Por Catia Seabra/Caio Spechoto/Mariana Brasil/Folhapress

02/09/2026 às 20:15

Atualizado em 02/09/2026 às 20:18

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Arquivo

Imagem de Lula fala com Fachin sobre crise no STF, se distancia de Moraes e define discurso do 'ninguém acima da lei'

O presidente Lula e o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin

O presidente Lula (PT) conversou com o chefe do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, na terça-feira (1º), sobre o escândalo que atingiu o Supremo após as revelações da troca de mensagens entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro da corte Alexandre de Moraes.

O petista e seu grupo político buscam demarcar distância de Moraes, de quem foram próximos nos últimos anos, para tentar evitar que o caso contamine a campanha de reeleição do petista. Na terça foram divulgadas mensagens mostrando proximidade entre o ministro e o dono do antigo Banco Master, deixando o tribunal sob pressão da opinião pública.

No mesmo dia, o petista também foi procurado pelo ministro Gilmar Mendes, decano da corte, que buscou alertar o presidente para o que tem chamado de falta de apoio à cúpula da Polícia Federal por parte das instituições de governo.

O recado de Gilmar ocorreu em meio a uma queda de braço entre o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o ministro André Mendonça, do STF, sobre a condução das investigações do Banco Master. Mendonça foi o responsável por determinar a elaboração pela PF de um relatório que expôs as trocas de mensagens entre Moraes e Vorcaro.

Lula discutiu o assunto com aliados políticos na manhã desta quarta-feira (2). Ficou definido que as manifestações do grupo sobre o assunto serão na linha de que ninguém está acima da lei –ideia já expressada pelo presidente do PT e coordenador da campanha de Lula, Edinho Silva. O próprio presidente deverá falar sobre o assunto, mas só quando perguntado em entrevistas. É provável que ele use um tom mais brando que o de Edinho.

O presidente do PT, que havia participado da reunião com Lula horas antes, divulgou nas redes sociais um vídeo em que afirma que "o sistema apodreceu", entre outras afirmações.

"Ninguém está acima da lei, seja um cidadão comum, um governante, um parlamentar ou até um integrante do Poder Judiciário. O povo brasileiro não suporta mais para viver nesse sistema de corrupção e privilégios", afirmou Edinho.

O petista não cita nomes: "A campanha do presidente Lula defende que é urgente mudar o sistema político e judicial do Brasil, que vive uma profunda crise, que protege poderosos, perpetua privilégios e a corrupção".

No mesmo vídeo, Edinho defende a criação de um código de ética para o Judiciário e o Ministério Público, além de acabar com os supersalários e com a "promiscuidade entre interesses públicos e privados".

Petistas próximos a Lula citam, em conversas reservadas, que o presidente pediu publicamente explicações do próprio filho –Fábio Luís, conhecido nacionalmente como Lulinha, que é alvo de três inquéritos e de suspeitas de tráfico de influência.

Por esse raciocínio, seria natural adotar linha semelhante com Moraes. Lula não deve, porém, tomar a iniciativa de falar sobre o assunto sem ser perguntado. A avaliação no entorno do petista é que esse não é um tema do governo, e que não deve ser levantado voluntariamente pelo presidente da República.

Ainda, esses aliados lembram que o petista chegou a dizer publicamente que o magistrado deveria se declarar impedido de votações no caso do Banco Master.

"Vou dizer a vocês o que eu disse para ele: 'você construiu uma biografia histórica com o julgamento do 8 de Janeiro; não permita que esse caso do Vorcaro jogue fora sua biografia'", declarou Lula em entrevista em abril, ao falar sobre Moraes.

O presidente e o ministro tiveram um período de afastamento depois dessa declaração de Lula, mas voltaram a se reaproximar nos meses seguintes.

Na terça, foi revelado que Vorcaro, dois dias antes de ser preso prestes a viajar para o exterior, perguntou a Moraes se deveria fugir do país. Além disso, o ministro editou um contrato de R$ 131 milhões entre o escritório de advocacia de sua mulher, Viviane Barci de Moraes, e o Master.

As notícias mobilizaram o grupo político do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho de Jair Bolsonaro (PL), candidato a presidente e principal adversário de Lula na eleição. Os bolsonaristas reforçaram a pressão do impeachment de Moraes, uma medida que defendem há anos. O ministro foi o principal responsável pelo processo que culminou na prisão de Jair Bolsonaro.

Desde o final do ano passado aliados de Lula avaliam que o desgaste da Suprema Corte causado pelo escândalo do Master interfere na popularidade do presidente. Lula teve no STF um ponto de apoio ao longo de seu atual governo, o que aproximou as imagens do petista e de ministros do tribunal.

Moraes era um dos mais próximos. No início de agosto, por exemplo, o ministro participou de um dos principais movimentos políticos de Lula. A reunião em que o chefe do governo e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) retomaram contato depois de meses rompidos foi na casa de Moraes, por exemplo.

Nesta quarta, pesquisa Quaest mostrou que Lula tem 42% das intenções de voto para o segundo turno contra 41% de Flávio Bolsonaro. Trata-se de um empate técnico, por causa da margem de erro de dois pontos percentuais. Os últimos levantamentos mostram o petista com tendência de baixa, e o adversário com tendência de alta.

Politica Livre

Em destaque

Ex-dono da Reag fecha acordo de delação premiada com a PGR com foco em Vorcaro

  Ex-dono da Reag fecha acordo de delação premiada com a PGR com foco em Vorcaro Colaboração de João Carlos Mansur, que não teve a participa...

Mais visitadas