quinta-feira, setembro 03, 2026

Mendonça decide deixar sociedade em instituto privado que virou alvo de questionamentos

 

Mendonça decide deixar sociedade em instituto privado que virou alvo de questionamentos

Por Mônica Bergamo/Folhapress

03/09/2026 às 09:53

Foto: Gustavo Moreno/Arquivo/PR

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André Mendonça

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça decidiu deixar a sociedade do Instituto Iter, que fundou há dois anos para oferecer cursos jurídicos e de aperfeiçoamento profissional.

A instituição vai se transformar em uma entidade sem fins lucrativos.

O magistrado vai ceder a totalidade de suas cotas aos outros sócios, com a condição de que eventuais valores a elas relativos permaneçam integralmente destinados a fins sociais e educacionais. A mulher dele, Janei Mendonça, também se retirou do instituto.

O magistrado afirmou a interlocutores que tomou a decisão para "evitar ruídos".

Depois que a coluna publicou a informação, a assessoria de Mendonça divulgou nota confirmando a informação e afirmando que, "nessas condições, o ministro permanecerá prestando serviços exclusivamente acadêmicos, na qualidade de professor" ao instituto [leia a íntegra da nota abaixo].

O Iter já havia virado alvo de questionamentos depois da revelação de que faturou R$ 4,8 milhões em contratos públicos em 2025, um ano depois de entrar em funcionamento.

Nesta quinta (3), a revista Fórum publicou que esse faturamento ultrapassou os R$ 10,8 milhões.

A instituição, que tem contratos com governos, prefeituras e empresas privadas, virou alvo de opositores de Mendonça, que apontam conflito de interesses e possível favorecimento da organização em contratos públicos sem licitação.

Entre os contratantes do Iter estão o governo de SP, comandado por Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e a administração de Ricardo Nunes (MDB-SP) na Prefeitura de São Paulo.

Mendonça contesta os números para interlocutores e disse também que nunca teve lucro com o instituto, que teria tido prejuízo em seu primeiro ano de funcionamento e pequeno lucro, de cerca de R$ 200 mil, no ano passado.

A assessoria do Iter afirma que a empresa nunca distribuiu lucros.

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) já havia anunciado no ano passado, em vídeo publicado nas suas redes sociais, que parte dos lucros da empresa da qual sua família é sócia, o Instituto Iter, irá para o dízimo da igreja. O restante será destinado para obras sociais.

O instituto comercializa cursos do ministro e é especializado em conteúdos jurídicos. O jornal O Estado de S. Paulo noticiou em 2025 que a empresa faturou R$ 4,8 milhões em contratos públicos em pouco mais de um ano.

"Eu, a minha esposa, sob as bênçãos dos meus filhos, decidimos que a nossa parte do Instituto Iter será para a consagração de um altar a Deus. Tudo o que vier, possivelmente, a dar de lucro e resultado, eu vou separar 10% para o dízimo e os 90% restantes serão investidos em obras sociais e educação", afirmou Mendonça, em vídeo publicado na quarta-feira passada (11).

A Folha revelou em janeiro que o Ministério da Educação do governo Lula (PT) autorizou o Instituto Iter a oferecer curso de pós-graduação lato sensu (especialização).

A medida, inédita, foi vista com surpresa por pessoas do setor, integrantes do MEC e conselheiros e ex-conselheiros de educação pela rapidez, a despeito de centenas de pedidos similares na fila.

Leia a íntegra da nota:

"O ministro André Mendonça decidiu deixar a sociedade do Instituto Iter, cedendo a totalidade de suas cotas e de sua esposa, sem qualquer contrapartida financeira.

As cotas, e eventuais valores a elas correspondentes, permanecerão integralmente destinados a fins sociais e educacionais, conforme o ministro já havia decidido e anunciado no início deste ano.

Criado em 2024, o Instituto Iter será transformado em entidade sem fins lucrativos, reforçando sua vocação exclusivamente educacional e social. O ministro jamais auferiu lucro do instituto.

A decisão foi tomada em 2 de setembro de 2026, quando o ministro, em conversa com o presidente do Instituto, Victor Godoy, orientou que se tomassem as providências necessárias nos termos aqui descritos.

Nessas condições, o ministro permanecerá prestando serviços exclusivamente acadêmicos, na qualidade de professor."

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