Publicado em 5 de setembro de 2026 por Tribuna da Internet
Charge do Fabiano Silva (Arquivo do Google)
Dora Kramer
Folha
Daniel Vorcaro está preso, seu banco liquidado e a vida que previra construir arruinada. Seria apenas o destino de um transgressor se na trajetória dos ilícitos não tivesse arrastado consigo ministros do Supremo Tribunal Federal, um procurador da República, parlamentares da cúpula do Congresso e quem mais ainda esteja por aparecer envolvido nessa macabra teia de cooptações e traficância de influências.
Ao que já se sabe, foram-se os anéis. Resta agora aos verdadeiros defensores do Estado de Direito impedir que se percam os dedos, na metáfora representados pelas instituições pilares da República.
MODO PASSIVO – Aos comandantes dos três Poderes cabe sair do modo passivo para se colocarem à disposição do imperativo de preservar a lisura e a confiabilidade da Presidência, do Supremo e do Parlamento. Por ora, os presidentes da República, do STF e do Congresso Nacional não têm se mostrado à altura do desafio.
Luiz Inácio da Silva busca consultoria de magistrados para se desviar dos estilhaços, Edson Fachin adia “medidas cabíveis” para tempo indeterminado e Davi Alcolumbre diz que não tem de “achar nada” sobre o andamento dos pedidos de impeachment.
Os citados Alexandre de Moraes e Paulo Gonet sentaram-se à mesa da primeira sessão do tribunal depois da explosão da bomba numa simulação de normalidade levada ao extremo no intervalo, quando Moraes, Fachin, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin são fotografados aos risos em roda de colegas.
MANTO DA IMPUNIDADE – Estão todos —porque são todos responsáveis pela higidez da legalidade—, mas principalmente a Corte Suprema, diante de uma escolha: expor, examinar e julgar os fatos com transparência ou mais uma vez estender o manto da impunidade sobre a sujeira que se avoluma e não desaparece.
A primeira hipótese expõe as chagas, mas pode conter a infecção. A segunda produz outro esqueleto no armário onde o colegiado já havia depositado o Tayayá de Dias Toffoli e que, pelo clima do dia seguinte, parece julgar ainda haver espaço para acomodar mais um.