sábado, setembro 05, 2026

Defesa de Vorcaro racha sobre depoimento secreto contra PF e ala vê 'atitude suicida'

Defesa de Vorcaro racha sobre depoimento secreto contra PF e ala vê 'atitude suicida'

Por Mônica Bergamo/Folhapress

05/09/2026 às 13:47

Foto: Divulgação/Arquivo/PF

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Daniel Vorcaro sendo transferido

A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro rachou em relação ao depoimento secreto que ele prestou no dia 27 de agosto em que acusou agentes da PF de maus tratos e tortura psicológica.

Advogados que fazem parte da equipe do dono do Banco Master procuraram ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) para afirmar que não tinham nada a ver com o assunto e que consideravam a iniciativa "irresponsável e suicida".

De acordo com o relato deles, a ideia de pedir que Vorcaro prestasse depoimento foi de apenas um advogado, Daniel Bialski, que se incorporou à defesa recentemente e tem bom trânsito no gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso.

O advogado, segundo os mesmos relatos, sequer teria comunicado a medida aos colegas.

Ele apresentou um pedido de depoimento diretamente ao gabinete do ministro Mendonça afirmando que o ex-banqueiro queria relatar "graves intimidações" que teria sofrido na prisão. O magistrado autorizou que ele fosse ouvido sem a presença da PF.

No meio do depoimento, prestado a um juiz auxiliar do gabinete de Mendonça na presença de um procurador, Vorcaro afirmou que a PF não aceitava suas propostas de delação premiada porque queria blindar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

"Me sinto desconfortável de propor uma colaboração, em que a gente tem um diretor-geral da Polícia Federal com quem eu tinha uma relação. Que frequentou eventos, que participou de todo esse crescimento do banco […] Ele esteve presente em diversas outras situações que eu gostaria de narrar. Não tem a menor chance disso se viabilizar e dar certo", disse o ex-banqueiro.

Apesar dos apelos de Vorcaro, as declarações acabaram vindo a público na semana passada, causando nova crise entre a cúpula da PF e o gabinete de André Mendonça.

Os advogados de Vorcaro contrários ao depoimento disseram acreditar que o ex-banqueiro foi induzido a citar Andrei Rodrigues, que é desafeto de André Mendonça, apenas para agradar o magistrado. E para abrir as portas para uma nova tentativa de delação sem a participação da PF.

Haveria a expectativa também de que André Mendonça pudesse transformar a prisão do pai dele, Henrique Vorcaro, em domiciliar —o que não aconteceu.

Segundo eles, o ex-banqueiro nunca fez relatos sobre o diretor-geral da PF em suas tratativas de delação.

Os defensores repetiram diversas vezes que a atitude foi isolada e sem a concordância dos outros advogados, que só foram avisados em cima da hora que o depoimento aconteceria.

A prova disso seria o fato de um dos advogados, Sergio Leonardo, estar presente a uma audiência marcada para a mesma hora com a PF, em que Vorcaro deveria estar presente e não apareceu. Ela foi remarcada e acabou acontecendo na sexta (28).

Disseram ainda aos magistrados que a divergência entre os advogados criou um mal estar profundo e pode ser insuperável.

Procurado, o advogado Daniel Bialski faz uma cronologia dos fatos e afirma que avisou, sim, os colegas e que agora é ele que recebe recados de que pode sofrer represálias.

"Na semana passada, quando estive com Daniel Vorcaro, ele me relatou os maus tratos que passou desde que preso e as ameaças recebidas no curso e disse que queria poder falar. Eu indago se contou isso para alguma autoridade. Ele diz que ninguém queria ouvir e que isso tinha que ser contado", diz Bialski.

Ele teria então perguntado ao cliente se gostaria que fizesse uma petição ao ministro André Mendonça, e Vorcaro concordou.

"Ele não me disse de pessoas, eu não pedi para colocar ou tirar o nome de ninguém, até porque [Vorcaro] não me deu detalhes do que falaria. Jamais faria isso. Como interlocutor do cliente, eu apenas fiz o pedido, sendo intimado na noite daquele dia da audiência designada no dia seguinte", segue o advogado.

"E muito do que ele relatou foi surpresa para todos. E diferente do que foi dito, avisei sim [aos colegas advogados que o depoimento seria dado]", diz.

"Essa audiência [que colheu o depoimento] foi realizada mais cedo do que a que tinha sido designada pela PF, que acabou sendo adiada e ocorrendo no dia seguinte. Eu não era o único advogado presente e havia procurador da república junto no ato. O grande problema é que o próprio Daniel Vorcaro disse no depoimento que seus advogados anteriores haviam sido ameaçados. E falo agora em meu nome: recebi recados de que sofrerei represálias. Que vão me perseguir, fuçar todos os casos em que advogo e arrumar subterfúgios para me prejudicar", finaliza.

Os magistrados que ouviram os relatos se disseram surpresos, inclusive pelo fato de as denúncias de maus tratos a Vorcaro já serem de conhecimento do STF.

Na sessão da Segunda Turma do STF em que se analisou a manutenção da prisão do pai de Vorcaro, por exemplo, o ministro Gilmar Mendes, que defendia a libertação do réu, citou relatos de que o ex-banqueiro havia ficado em uma cela com a luz acesa por três dias como exemplo de tortura psicológica.

Os magistrados mantiveram a prisão de Henrique Vorcaro por 3 votos a um.

Politica Livre 

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