Gonet pede apuração de interferência de Mendonça em inquérito que atinge Moraes
Em parecer enviado ao presidente do STF, procurador-geral diz que André Mendonça ocultou decisão que pedia elaboração de relatório pela PF
Por Gustavo Côrtes/Aguirre Talento/Estadão
04/09/2026 às 21:15
Foto: Gustavo Moreno/STF
O procurador-geral da República, Paulo Gonet
A Procuradoria-Geral da República (PGR) enviou ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, ofício informando que pediu abertura de apuração sobre a suspeita de interferência indevida do ministro André Mendonça na Polícia Federal.
O chefe do órgão, Paulo Gonet, afirma que magistrado determinou a elaboração de relatório sobre mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e autoridades sem dar conhecimento ao Ministério Público. Entre as autoridades alvos da investigação conduzida por André Mendonça estão o ministro Alexandre de Moraes, o próprio procurador-geral Paulo Gonet e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
“A decisão proferida nos autos da Petição n. 15.556/DF foi ocultada do Ministério Público, que foi assim impedido de realizar o necessário controle externo da atividade policial, etapa essencial a qualquer investigação”, diz a manifestação de Gonet.
Fachin havia pedido que PGR, Mendonça, Moraes e PF se manifestassem no prazo de cinco dias. Na informação que prestou ao presidente do STF, Gonet explicou o que quer que seja apurado a partir de agora: “a possível ocorrência de ordem ou interferência externa em sua elaboração, que tenha maculado seu conteúdo”. O ofício do procurador-geral não cita nominalmente o ministro André Mendonça, mas é uma referência à conduta do magistrado.
Relatório de 218 páginas, produzido pela PF e enviado a Mendonça, contém citações a Gonet, que teve suas conversas com Vorcaro expostas. Nos diálogos, realizados por meio de um intermediário, o procurador diz estar com saudade do banqueiro acusado de fraudes de R$ 12 bilhões contra o sistema financeiro nacional.
Também aceita o convite para uma degustação de uísque e charutos em Londres paga por Vorcaro e na qual também estavam presentes os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.