terça-feira, setembro 08, 2026

STF não pode servir de escudo para desvios individuais, diz Celso de Mello

 

STF não pode servir de escudo para desvios individuais, diz Celso de Mello

Por Mônica Bergamo e Jullia Gouveia/Folhapress

08/09/2026 às 12:11

Foto: Carlos Humberto/Arquivo/SCO/STF

Imagem de STF não pode servir de escudo para desvios individuais, diz Celso de Mello

Celso de Mello

O ministro aposentado Celso de Mello, ex-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), enviou nesta terça (8) uma nota à coluna em que diz que a Corte é maior do que todos e cada um de seus ministros e não pode servir de "escudo protetor de desvios individuais".

"Nenhuma autoridade está acima da lei, nem pode invocar a dignidade do cargo para subtrair-se ao escrutínio público. Quem compromete a própria integridade fere também a confiança pública depositada na instituição", afirma.

Mello também defende o julgamento público dos casos "que têm provocado perda da confiança social na integridade, imparcialidade e independência dos juízes do STF", sem apontar episódio específico.

"A publicidade dos julgamentos, de outro lado, constitui garantia essencial da República e instrumento indispensável de controle democrático do poder. Quando estão em causa o interesse da sociedade, a moralidade pública e a própria integridade das instituições, não há espaço para sombras, opacidade ou subtração de decisões ao escrutínio dos cidadãos", diz o ex-ministro.

Segundo ele, "o segredo injustificado alimenta a desconfiança, fragiliza a legitimidade das decisões e compromete a credibilidade do Poder Judiciário."

"A luz da publicidade não constrange a magistratura: protege-a, dignifica-a e recorda-lhe que, em uma democracia, nenhum poder é absoluto nem pode furtar-se à prestação pública de contas", afirma Mello.

A manifestação complementa a nota divulgada na noite da segunda (7) por um grupo de 13 ministros aposentados que pede a ação do presidente da corte, Edson Fachin, para o que chamaram de "mais aguda crise" na cúpula do Judiciário do país.

No documento, os ex-ministros pedem que Fachin faça uma sessão pública para que o plenário do STF determine "imediata e rigorosa apuração, sob o devido processo legal, dos gravíssimos fatos cuja divulgação vem comprometendo o prestígio e a autoridade desse tribunal, a confiança do povo e até a estabilidade das instituições democráticas".

Além de Mello, assinam o documento Rosa Weber, Néri da Silveira, Francisco Rezek, Sydney Sanches, Carlos Velloso, Ilmar Galvão, Nelson Jobim, Ellen Gracie, Cezar Peluso, Ayres Britto, Joaquim Barbosa e Eros Grau.

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