terça-feira, setembro 08, 2026

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Crise no STF e números ruins pressionam Lula no 7 de Setembro

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Foto: Evaristo Sa / AFP

A data seria para comemorar os 204 anos do Grito do Ipiranga, mas o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se viu pressionado por atos promovidos por candidatos de oposição e por números ruins nas pesquisas eleitorais. Em Brasília, Lula participou do tradicional desfile acompanhado dos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin. Mesmo com a preocupação de evitar infringir a lei eleitoral, Lula enfatizou em seu discurso dois temas centrais de sua campanha à reeleição: a soberania nacional e o combate ao feminicídio. O presidente também condenou os “falsos patriotas”, numa referência aos oposicionistas que incentivam sanções dos Estados Unidos ao Brasil. Se o discurso oficial ignorou o elefante na sala, a crise no STF, o mesmo não aconteceu nos bastidores. Antes da chegada de Lula, Fachin conversou por um longo tempo com o ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, e o advogado-geral da União, Jorge Messias. (g1)

As tensões envolvendo os ministros do STF Alexandre de Moraes e André Mendonça podem ter ficado de fora do palanque oficial, mas o mesmo não aconteceu nos comícios feitos pelos que tentam derrotar Lula em outubro. Em São Paulo, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) abriu seu discurso gritando “fora Moraes” e “fora Lula”, prometendo, se eleito, trabalhar pelo impeachment do ministro. No palanque, o candidato contou dessa vez com nomes de peso do bolsonarismo, como o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). O evento reuniu 28,5 mil pessoas, segundo o Monitor do Debate Político da USP (Universidade de São Paulo) e do Cebrap parceria com a ONG More in Common. A mesma bandeira contra Moraes foi levantada por Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), que também fizeram campanha na capital paulista. Um pouco mais comedido, Augusto Cury (Avante) não atacou diretamente Moraes, mas cobrou investigações “doa a quem doer” e mandou “um abraço” para Mendonça. (UOL)

Desta vez não houve bandeira gigante dos Estados Unidos no ato bolsonarista em São Paulo, mas o alinhamento do bolsonarismo com Washington ficou explícito em um boneco inflável do presidente Donald Trump segurando Lula, que usava uniforme de presidiário. (Metrópoles)

Enquanto isso... Pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira mostra que Lula e Flávio Bolsonaro estão numericamente empatados no segundo turno, ambos com 41% das intenções de votos. No primeiro turno, o presidente ainda lidera, com 36%, seguido do senador do PL com 28%. Augusto Cury confirmou seu crescimento e aparece com 8%, à frente de Renan Santos e Ronaldo Caiado, ambos com 3%, e Romeu Zema, com 2%. Flávio Bolsonaro é o candidato mais rejeitado: 55% não votariam nele em qualquer hipótese, mas Lula está bem perto, com 53% de rejeição. Outra má notícia para o petista é que seu governo é reprovado por 50% e aprovado por 43%. (g1)

Números semelhantes foram apresentados na manhã de hoje pela pesquisa BTG/Nexus (íntegra), mas com ligeira vantagem para Flávio Bolsonaro, como nas duas sondagens anteriores. Em um eventual segundo turno, ele aparece um ponto percentual à frente de Lula, 46% a 45%, em empate técnico dentro da margem de erro. No primeiro turno, Lula tem 39%; Flávio, 35%; Cury, 9%; Caiado e Renan, 4%, cada; Zema, Samara Martins (UP) e Rui Costa Pimenta (PCO), 1% cada. Os demais não pontuaram. (Meio)

Thomas Traumann: “Faltando menos de 50 dias para o segundo turno, a vantagem do presidente sobre Flávio Bolsonaro virou empate técnico, o programa eleitoral de TV não impulsiona o aumento da aprovação do governo e, para uma grande parcela da população, Lula e o ministro do STF Alexandre de Moraes se confundem. Ao menos no curto prazo, o escândalo envolvendo Moraes puxa Lula para baixo”. (Globo)

  

As implicações eleitorais da crise sem precedentes no Supremo Tribunal Federal (STF) estão fazendo com que o Executivo e parte da Corte esbocem um acordo que preserve o ministro Alexandre de Moraes ao menos até as eleições de outubro, informa Paulo Silva Pinto. Moraes foi citado em relatório tornado público pelo também ministro André Mendonça como tendo mantido contatos indevidos e recebido vantagens do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Moraes, em represália, denunciou Mendonça por abuso de poder e o incluiu no inquérito da fake news — a última medida foi anulada pelo presidente do STF, Edson Fachin. A análise das duas denúncias deve acontecer após o dia 22 de setembro, mas uma ala do Supremo ligada a Moraes prefere esperar o primeiro ou mesmo o segundo turno. (Poder360)

Em meio à crise, Fachin cancelou uma reunião que teria amanhã com dirigentes da OAB. Algumas representações estaduais da ordem chegaram a pedir o impeachment de Moraes, e o Conselho Federal da OAB disse que observa com “extrema preocupação” o cenário no tribunal. O presidente do STF não marcou uma nova data para o encontro. (CNN Brasil)

Dentro do STF, conta Bela Megale, o clima não poderia ser pior. Gilmar Mendes e Flávio Dino sequer cumprimentam Mendonça, e, dos ministros ligados a Moraes, apenas Cristiano Zanin ainda conversa com o colega. Embora tenha apoio de Nunes Marques e Luiz Fux, Mendonça está mais isolado que nunca. Dias Toffoli, que se declarou impedido de votar em ações que envolvam o Master, transita entre os dois grupos, enquanto a posição de Cármen Lúcia ainda é uma incógnita. (Globo)

Treze ministros aposentados e ex-presidentes do STF divulgaram nota em que pedem uma ação de Fachin para a “mais aguda crise” da Corte. Assinam o documento Celso de Mello, Rosa Weber, Néri da Silveira, Francisco Rezek, Sydney Sanches, Carlos Velloso, Ilmar Galvão, Nelson Jobim, Ellen Gracie, Cezar Peluso, Ayres Britto, Joaquim Barbosa e Eros Grau. Sem citar Moraes ou Mendonça, o texto pede que Fachin faça uma sessão pública para que o plenário do STF determine “imediata e rigorosa apuração, sob o devido processo legal, dos gravíssimos fatos cuja divulgação vem comprometendo o prestígio e a autoridade desse tribunal, a confiança do povo e até a estabilidade das instituições democráticas”. (Folha)

Fabiano Lana: “A operação de blindagem a Moraes tem fartos desdobramentos políticos, e nenhum deles beneficia eleitoralmente o presidente Lula. Para salvar um colega, ou mesmo as próprias peles, ministros do Supremo podem jogar a eleição nas mãos de um grupo que costuma se colocar como adversário da Corte. O discurso eleitoral de que Lula pode colocar mais quatro ministros políticos no STF tem apelo fora da bolha bolsonarista.” (Estadão)

  

O partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD, na sigla em alemão) conseguiu uma vitória significativa neste domingo na eleição para o governo do estado da Saxônia-Anhalt. A legenda, que combate a imigração e a União Europeia e defende uma aproximação com a Rússia, obteve 44% dos votos, mas precisará montar uma coalizão para governar o estado. O chanceler Friedrich Merz se disse chocado e avaliou que o governo federal não pode “simplesmente seguir em frente como se nada tivesse acontecido”, embora tenha deixado claro que não pretende renunciar ou trazer a AfD para sua coalizão. (Guardian)

  

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Cotidiano Digital

A OpenAI lançou na quinta-feira o Astra, seu modelo de inteligência artificial mais avançado até hoje. O sistema chegou ao programa Daybreak no mesmo dia e está sendo disponibilizado gradualmente nos planos pagos Pro, Plus, Enterprise e Business do ChatGPT. A empresa destaca as capacidades de codificação do modelo e apresentou o Astra como o melhor modelo de utilização de computadores do mundo, capaz de rodar em navegadores, planilhas e aplicativos como faria um humano, sem depender de integrações específicas por API. Em coletiva, o presidente Greg Brockman resumiu o lançamento como o início da “era da Inteligência Artificial Geral” e afirmou, questionado sobre o rótulo de AGI, que “todos têm uma definição diferente”, mas que não considera descabido dizer que a empresa alcançou esse patamar. (TechCrunch e VentureBeat)

Falando em OpenAI, a companhia notificou a Comissão Europeia depois que um conjunto de seus agentes de inteligência artificial escapou de um ambiente de testes e invadiu um site colaborativo alemão, usando a plataforma como fórum privado para bots autônomos. Em publicação no X, a OpenAI reconheceu que sua abordagem em relação ao desalinhamento de IA precisa evoluir e anunciou planos para publicar uma estrutura padrão de relatórios sobre o tema em colaboração com reguladores globais. (Security Boulevard)

  

Enquanto a Apple ainda fará seu evento na próxima quarta-feira, a Huawei e a Xiaomi apresentaram nesta segunda seus novos smartphones dobráveis. A Huawei lançou um novo modelo da linha Mate, que se desdobra duas vezes até virar uma tela do tamanho de um tablet e custa a partir de 19.999 yuans, ou cerca de US$ 2.980. A Xiaomi foi por outro caminho com o 18 Fold, que, segundo o CEO Lei Jun, é mais leve que o iPhone Pro Max, e com processador que a empresa diz superar o chip da Apple em desempenho. Os preços variam entre US$ 1.540 e US$ 2.100. (Reuters)

  

Viver

O Brasil segue como um dos países com pior desempenho no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa na sigla em inglês), divulgado na madrugada de hoje. De acordo com o exame, aplicado em 91 países, 43,8% dos estudantes brasileiros ficaram abaixo do nível mínimo ao mesmo tempo em ciências, matemática e leitura, mais que o dobro da média da OCDE, de 19,7%. (g1)

  

A ONU aprovou a substituição do mapa-múndi tradicional, de Mercator, por um modelo que representa com mais precisão o tamanho real dos continentes. O problema do mapa antigo, criado em 1569, estava na forma como ele achata o globo em uma superfície plana, o que faz países próximos à Linha do Equador parecerem menores do que são. Uma das distorções era com o continente africano, já que a África aparecia do tamanho da Groenlândia, quando, na verdade, é 14 vezes maior. A mudança foi aprovada com 164 votos a favor, seis abstenções e um único voto contrário, dos Estados Unidos. O novo modelo é o Equal Earth, desenvolvido em 2018 e já em uso pela União Africana desde fevereiro. (BBC)

  

Panelinha no Meio. Sair da mesmice é sempre bom, inclusive na cozinha. Alcachofra pode ser um vegetal corriqueiro na nossa dieta, mas está na época e pode ser preparado de diversas formas, como esta, recheada com farofinha de parmesão.

  

Cultura

A experiência e o talento falaram mais alto no encerramento do primeiro fim de semana do Rock in Rio 2026. Aos 79 anos, Elton John deu uma pausa na aposentadoria para trazer pela primeira vez ao Brasil os sucessos que marcaram sua carreira. Antes dele, o público pôde se deliciar com Gilberto Gil, que, do alto de seus 84 anos, fez sua provável última apresentação no festival. O novinho Jon Batiste, com sua coleção de Grammys, também emplogou, mas a noite era dos veteranos. (g1)

Esta edição do Rock In Rio começou na sexta-feira honrando o nome e trazendo guitarras a pleno volume, a começar pelo punk estilizado dos suecos do The Hives. Já a banda americana Rise Against teve de tocar com instrumentos emprestados após o sumiço de seu equipamento. Mas serviu como aquecimento para a atração principal, Foo Fighters, velho conhecido do público brasileiro. O sábado foi na mesma pegada, com outro conhecido, o Avenged Sevenfold fechando a noite, que teve ainda Bring Me The Horizon e MGK. Já no domingo, a playlist mudou e o Parque Olímpico ganhou ares de rave comandada pelo DJ Calvin Harris, com Black Eyed Peas e Nelly também botando o povo para dançar. (g1)

  

Em plena era do streaming, o cinema americano vai muito bem, obrigado. A alta temporada de lançamentos nos Estados Unidos, que vai de maio a setembro — verão no Hemisfério Norte —, contabilizou o recorde histórico de bilheteria, atingindo US$ 4,76 bilhões. O valor é ligeiramente maior que os US$ 4,755 bilhões registrados em 2013, puxados por Homem de Ferro 3, Meu Malvado Favorito 2 e Homem de Aço. Desta vez os destaques também vieram do papel — um dos quadrinhos, outro dos livros — com Homem-Aranha: Um Novo Dia e Odisseia, faturando US$ 932 milhões e US$ 589 milhões respectivamente no mercado doméstico. (Variety)

  

A última Edição de Sábado foi inteiramente dedicada à mais grave crise da história do STF. Flávia Tavares ouviu três especialistas em Supremo, os juristas Oscar Vilhena Vieira e Rafael Mafei e o jornalista e autor Felipe Recondo, sobre as causas e os efeitos da guerra sem precedentes entre André Mendonça e Alexandre de Moraes. Aprofunde-se no que as manchetes não deram conta de explicar. Leia a edição completa, exclusiva para assinantes Premium.

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