André Mendonça recebe mais críticas que apoio nas redes pela primeira vez na crise, mostra monitoramento
Por Mônica Bergamo/Folhapress
09/09/2026 às 09:43
Foto: Antonio Augusto/Arquivo/STF
André Mendonça
Relatório da Ativaweb DataLab mostra que o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça passou a receber, pela primeira vez, mais críticas do que elogios nas redes sociais desde o começo da disputa dele com Alexandre de Moraes, que mergulhou a Corte em uma crise interna sem precedentes.
O monitoramento do ambiente digital na terça (8) identificou 3,6 milhões de novos registros e mostra que Mendonça "passou a concentrar maioria crítica" nas interações que o citam, com 52,8% de manifestações negativas contra 33,5% de apoio e 13,7% de interações neutras.
A Ativaweb considera que esse foi o "dado mais relevante do dia" por mostrar uma inédita "mudança de comportamento" em relação ao magistrado.
As reações negativas se intensificaram depois que ele afastou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, do cargo. Mendonça diz que sofreu arapongagem por parte do policial.
O ambiente digital, no entanto, "não substituiu um alvo por outro": o ministro Alexandre de Moraes segue aparecendo como o campeão da rejeição, com 88,4% de postagens críticas a ele em ambientes como Facebook, Instagram, X, TikTok e Youtube.
Segundo a empresa, as redes ampliaram "o número de personagens submetidos a desgaste".
O debate nas redes, antes concentrado nas mensagens trocadas entre Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, agora foi ampliado _e os atos de Mendonça passaram a ser também mais questionados.
O cientista de dados Alek Maracajá, que analisa as postagens, afirma que, "do ponto de vista científico e estratégico, o 8 de setembro marca uma transição importante: a conversa deixou de girar apenas em torno de escândalo, mensagens e personagens e passou a incorporar de forma crescente termos relacionados a poder, competência, autonomia, investigação, plenário, PF, PGR, AGU e Presidência do STF".
Segundo ele, "a presença simultânea de ministros atuais e aposentados, Lula, Andrei Rodrigues, Jorge Messias [advogado-geral da União], Paulo Gonet [procurador-geral da República], Daniel Vorcaro, Marco Aurélio de Carvalho [advogado e coordenador da campanha de Lula em SP] e outros atores mostra que a crise ganhou densidade institucional e capilaridade narrativa".
"No começo, a nuvem de palavras tinha personagens. Hoje ela tem instituições inteiras. A crise começou falando de dinheiro; agora fala de poder", afirma o executivo da Ativaweb DataLab.
No acumulado, já são mais de 66 milhões de menções desde que a crise se intensificou, com citações ao STF, Banco Master, Daniel Vorcaro, Alexandre de Moraes, André Mendonça, PF, PGR (Procuradoria-Geral da República) e Executivo.