quinta-feira, agosto 20, 2026

Na política do poder, centrão, Lula e Supremo já se preparam para 2027

Patrimônio da família Bolsonaro varia de R$ 187 mil a R$ 8,18 milhões nestas eleições

Flávio tem o maior patrimônio declarado do clã Bolsonaro

Marina Pinhoni
Folha

Michelle Bolsonaro (PL) foi a última dos integrantes da família Bolsonaro que concorrerão às eleições deste ano a registrar sua candidatura no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), neste sábado (15), último dia do prazo. O patrimônio do clã informado à Justiça Eleitoral varia de R$ 8,18 milhões a R$ 187,3 mil.

A ex-primeira-dama, que vai disputar uma vaga no Senado pelo Distrito Federal em sua primeira eleição, declarou um patrimônio total de R$ 4,5 milhões. A maior fatia dos bens vem de uma aplicação financeira de R$ 4,2 milhões. Ela também declarou R$ 301,7 mil em fundos de investimentos e um carro Volkswagen Fusca no valor de R$ 30 mil.

MAIOR PATRIMÔNIO – Flávio Bolsonaro (PL) –que conseguiu na quinta-feira (13) retomar sua legenda e protocolar o registro de candidatura à Presidência após ter sido filiado, sem seu aval, ao Missão, partido do MBL (Movimento Brasil Livre)– declarou ter R$ 8,18 milhões em bens.

O filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) teve aumento de 211% em relação à última eleição em que concorreu, em 2018, quando listou R$ 2,63 milhões em bens, em valores já corrigidos pela inflação.

O aumento de patrimônio se deve sobretudo à compra de uma casa em um bairro de luxo, em Brasília, no valor de R$ 6,2 milhões. Segundo informado à coluna Painel pela campanha, Flávio quitou o imóvel com seu salário de senador e a atividade de advocacia. Além disso, a família conta com a renda da mulher dele, que tem um consultório odontológico na capital federal.

OUTROS RECURSOS – A declaração ainda aponta R$ 1 milhão em investimento em fundos, aplicações em CDBs e poupança, saldo em contas bancárias, um veículo e participações societárias em empresas.

A autodeclaração de bens é uma exigência para o registro da candidatura. O objetivo da prestação não é fiscal, como no Imposto de Renda, por exemplo. A finalidade é dar transparência para que os eleitores possam comparar os valores informados à Justiça Eleitoral.

CARLUXO – Carlos Bolsonaro (PL), que concorre ao Senado por Santa Catarina, declarou patrimônio de R$ 2,78 milhões. O valor é 28% a mais que os R$ 2,17 milhões declarados nas eleições de 2024, em valores também corrigidos pela inflação. A maior parte do patrimônio de Carlos é composta por R$ 1,9 milhão em investimentos não especificados, além de depósito bancário, quatro veículos e duas participações societárias.

O vereador Jair Renan (PL), filho mais novo do ex-presidente, que disputa o cargo de deputado federal por Santa Catarina, tem o menor patrimônio entre os irmãos. Ele informou ter o total de R$ 187 mil em contas bancárias e em um carro. O aumento em relação aos R$ 46 mil declarados nas eleições de 2024 foi de 305%, também em valores corrigidos.

NA DISPUTA – O irmão de Jair Bolsonaro, Renato Bolsonaro (PL), não se elegeu em 2024 como prefeito de Registro, cidade na região do Vale do Ribeira, em São Paulo. Agora, tenta uma vaga como deputado federal por São Paulo. Ele declarou R$ 269 mil em bens, em contas correntes e aplicação em CDB.

Em 2024, no entanto, o patrimônio informado era de R$ 3,6 milhões em valores corrigidos, o que representa queda de 93%. A principal diferença entre as declarações vem de um terreno de R$ 2,3 milhões, um prédio comercial e seis veículos.

A primeira esposa e mãe de três dos cinco filhos de Jair, Rogéria Bolsonaro (PL), também vai disputar uma vaga como deputada federal no Rio de Janeiro. Ela declarou R$ 790 mil em dois apartamentos, uma casa e um carro. Em 2020, foram R$ 334 mil em valores corrigidos pela inflação.


Plano de Flávio Bolsonaro para o STF contrasta com estratégia usada nas rachadinhas

Publicado em 19 de agosto de 2026 por Tribuna da Internet

Charge do Cospe Fogo (Arquivo do Google)

Rafael Moraes Moura
O Globo

O plano de governo do candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (RJ), bate de frente com a estratégia jurídica adotada pelo senador para implodir as investigações do esquema de rachadinha no seu antigo gabinete da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), quando era deputado estadual. Se antes o Supremo foi a principal trincheira jurídica de Flávio para derrubar a apuração, agora o filho 01 de Jair Bolsonaro defende o esvaziamento das competências da Corte.

Entre as propostas de campanha de Flávio está uma reforma do Judiciário, com o fim das chamadas “competências criminais originárias” do Supremo, o que permitiria que parlamentares fossem julgados por instâncias inferiores, como o Superior Tribunal de Justiça (STJ) ou os Tribunais Regionais Federais (TRFs).

PRERROGATIVAS – A campanha de Flávio não divulgou detalhes sobre como pretende viabilizar isso, mas defende a medida para que os políticos “exerçam seus mandatos com mais altivez, sem que isso represente qualquer contrapartida de impunidade”. Atualmente, deputados federais e senadores possuem prerrogativa de foro perante o STF.

O discurso de Flávio de reduzir a atuação do Supremo e mandar as investigações de parlamentares para instâncias inferiores destoa da ofensiva jurídica do senador no caso das rachadinhas, no qual Flávio foi investigado – e denunciado – por suspeitas de que funcionários de seu gabinete na Alerj eram obrigados a devolver parte de seus salários. Após uma longa batalha jurídica, as provas acabaram anuladas, e o caso foi arquivado.

Na época, Flávio apostou no Supremo como o principal pilar da estratégia jurídica de derrubar provas coletadas pelos investigadores e decisões do juiz de primeira instância Flávio Itabaiana, da 27.ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, conhecido pela fama de linha-dura.

CONFRONTO – Se em 2021, Itabaiana era considerado algoz do clã Bolsonaro, agora a militância bolsonarista se volta contra o Supremo, e em particular o ministro Alexandre de Moraes, relator das principais investigações que fecharam o cerco contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e sua família.

Flávio chegou a ser denunciado pelo Ministério Público do Rio pelos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa, mas uma série de decisões judiciais – no STJ e especialmente no Supremo – anularam provas como quebras de sigilo e relatórios de inteligência do Coaf que subsidiaram as investigações, sob a alegação de que se tratou de devassa e perseguição política, sem autorização da Justiça.

DECISÕES MONOCRÁTICAS –  Em um dos pontos de seu plano de governo, Flávio defende a “limitação das decisões monocráticas do STF, privilegiando as decisões colegiadas”. Mas enquanto tentava se livrar das investigações no Rio, o senador conseguiu liminares do Supremo que atenderam aos seus interesses.

Uma delas veio em 2019, quando Luiz Fux na presidência interina da Corte, suspendeu as investigações em andamento no Ministério Público do Rio sobre movimentações financeiras atípicas de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio.

À época, a defesa de Flávio alegou que, mesmo depois de sua eleição para o cargo de senador, em 2018, o Ministério Público pediu ao Coaf informações sobre dados do parlamentar, o que representaria uma usurpação da competência do STF. “O reclamante foi diplomado no cargo de senador da República, o qual lhe confere prerrogativa de foro perante o Supremo Tribunal Federal, nos termos da Constituição”, escreveu Fux na decisão, assinada durante o recesso da Corte.

LIMINAR DERRUBADA – A liminar de Fux, no entanto, acabou derrubada pelo relator, Marco Aurélio Mello, assim que as atividades do tribunal foram retomadas com o fim do recesso. Marco Aurélio concluiu que o caso não deveria ficar com o Supremo, já que os crimes investigados diziam respeito ao mandato anterior de Flávio, como deputado estadual, e não ao atual de senador.

Flávio era senador quando as investigações do esquema de rachadinha da época de deputado estadual vieram à tona, o que abriu uma controvérsia jurídica se ele tinha perdido o foro por conta da troca de cargo.

INVESTIGAÇÕES SUSPENSAS – Em julho de 2019, outra vitória de Flávio. O então presidente do STF, Dias Toffoli, decidiu suspender todas as investigações em curso no país que tenham sido embasadas em dados sigilosos obtidos pelo Coaf e pela Receita Federal sem prévia autorização da Justiça, o que atingiu o caso das rachadinhas.

Três meses depois, o senador conseguiu outra decisão monocrática reivindicada pela sua defesa. O ministro Gilmar Mendes determinou a suspensão de procedimentos e processos instaurados no Rio contra o parlamentar, até uma decisão colegiada do STF sobre o compartilhamento de dados com o Coaf.

FORO PRIVILEGIADO –  A questão do foro ressurgiu em novembro de 2021, quando a Segunda Turma do Supremo reconheceu a prerrogativa de Flávio perante o Tribunal de Justiça do Rio, mesmo ele tendo deixado de ser deputado estadual.

Isso porque em 2018 o STF decidiu reduzir o alcance do foro privilegiado para os crimes cometidos no exercício do cargo e em função do mandato – e o esquema das rachadinhas teria ocorrido durante o mandato anterior de Flávio, como deputado estadual. No caso de Flávio, prevaleceu a tese dos “mandatos cruzados”, com o entendimento de que o parlamentar mantém o foro, mesmo trocando de cargo.

Por 3 a 1, a Segunda Turma do Supremo acolheu o argumento da defesa do senador e concluiu que o juiz de primeira instância, Flávio Itabaiana, era incompetente para cuidar do caso.

VOLUME DE FUNÇÕES –  Se o Supremo foi um dos pilares da estratégia de Flávio para se livrar do caso das rachadinhas, agora o candidato do PL diz que a Corte acumulou, ao longo dos anos, um “volume de funções que não tem paralelo nas Cortes Constitucionais de outras nações”.

“Esse acúmulo gera insegurança jurídica, instabilidade democrática e um desequilíbrio entre a vontade dos representantes eleitos pelo povo e a revisão dessa vontade, muitas vezes ancorada em interpretações subjetivas da Constituição”, afirma o plano de governo de Flávio. “Devolver o Supremo ao seu papel de Corte Constitucional é restabelecer o equilíbrio entre os poderes.”

Durante os quatro anos em que ocupou a Presidência da República, o pai de Flávio não dispensou ataques à Corte, xingou ministros e ameaçou não cumprir decisões judiciais, promovendo insegurança e instabilidade democrática. Aliados do senador o têm aconselhado a não repetir aquilo que consideram o maior erro de Jair.

Gilmar Mendes diz não temer propostas de impeachment de ministros do STF nas eleições

Publicado em 19 de agosto de 2026 por Tribuna da Internet

Gilmar vê ‘equívoco compreensível’ em propostas

Thaís Barcellos
O Globo

O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta quarta-feira que não teme propostas de candidatos a cargos federais na eleição deste ano sobre o impeachment de magistrados da corte.

Segundo o ministro, essa plataforma de campanha é um “equívoco compreensível”, porque chama votos, mas teria dificuldade de se tornar realidade, porque todas as instituições tendem a caminhar no sentido contrário.

PROMESSAS DE CAMPANHA – “Certamente se alguém com essa bandeira se tornar senador, terá imensas dificuldades de implementá-la. Por quê? Porque o todo institucional caminhará talvez num outro sentido”, disse Gilmar após participação no evento Fórum Saúde, organizado pelo Esfera Brasil e EMS. “Eu sou um enfermeiro que já viu sangue. Então não me impressionam essas promessas de campanha”, completou.

Questionado se uma eventual eleição de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto aumentaria o risco de propostas como essa se tornarem realidade, o ministro respondeu que não, mas que não iria trabalhar em cima de cenários.

INTERFERÊNCIA ESTRANGEIRA – Sobre se há risco de interferência estrangeira, particularmente dos EUA, nas eleições deste ano, Gilmar afirmou esperar que não e destacou que o Brasil tem uma democracia sólida, cujo um dos pilares de confiança é o sistema eletrônico de votação. Quanto à chance de novas sanções americanas contra ministros do Supremo, ele disse que o país tem instituições fortes, que têm dado “respostas adequadas”.

“Nós temos sabido lidar com a defesa das nossas posições e o país tem instituições fortes que sabem dar respostas adequadas. Agora, recentemente, voltou-se a questão do tarifaço e o país começa a responder também com as chamadas medidas de reciprocidade”, afirmou.

BUSCA E APREENSÃO – Gilmar também comentou sobre a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que autorizou busca e apreensão contra informantes do jornalista Luís Pablo, do Maranhão, e que foi considerada um precedente perigoso sobre a garantia constitucional do sigilo da fonte jornalística.

“É um fato complexo que envolve uma série de crimes e demais práticas, daí a necessidade do combate. Todas as prerrogativas que se dão em relação às mais diversas profissões, caso, por exemplo, do advogado, a toda hora vocês noticiam busca e apreensão em escritórios de advocacia. Isso acaba por restringir a liberdade profissional, o sigilo profissional. Isso pode ocorrer quando há elementos fortes indicando práticas de crime”, disse.

PENDURICALHOS  – Em relação aos penduricalhos no salário de servidores públicos, Gilmar afirmou que a situação já melhorou de maneira significativa depois que o Supremo começou a se posicionar contra os rendimentos superiores ao teto do funcionalismo.

“Estamos em um bom caminho. Desde o ano passado, nós começamos a nos posicionar e acredito que chegamos a um bom termo e agora o ministro Mauro (Campbell), no CNJ, conseguiu ter uma plataforma e está conseguindo fazer um controle e só autorizar os pagamentos depois de feita a verificação. Acredito que já mudamos esse quadro de maneira bastante significativa”, finalizou.

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