quinta-feira, agosto 20, 2026

PGR pede a André Mendonça que caso de Lulinha saia do STF e seja julgado na primeira instância

 

PGR pede a André Mendonça que caso de Lulinha saia do STF e seja julgado na primeira instância

Por Mônica Bergamo/Folhapress

20/08/2026 às 10:14

Atualizado em 20/08/2026 às 09:03

Foto: Alejandro Zambrana/Arquivo/TSE

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André Mendonça

A PGR (Procuradoria-Geral da República) pediu ao STF (Supremo Tribunal Federal) que o inquérito que investiga a participação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, em uma ação de lobby no governo seja enviado à primeira instância da Justiça.

O órgão alega que não há autoridades com foro privilegiado envolvidas no caso, e por isso não há justificativa para sua permanência no Supremo.

A decisão final será do ministro do STF André Mendonça, que é relator de dois inquéritos que tramitam na Corte envolvendo Lulinha.

O filho do presidente da República está sendo acusado de envolvimento com a lobista Roberta Luchsinger, que fez gestões para vender um projeto de canabidiol ao Ministério da Saúde. Ambos seriam sócios de Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS", no projeto.

Em conversas com interlocutores analisadas pela PF, a empresária cita pessoas com foro, o que manteve até agora o caso no Supremo.

Luchsinger, que é amiga pessoal de Lulinha, fez ao menos 40 visitas a ministérios e à Presidência entre 2023 e 2024. Dessas, apenas uma está registrada oficialmente nas agendas públicas de autoridades, apesar da obrigação legal.

Ela também se aproximou do ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana, o Marcola, para quem comprou jóias e fez pagamentos que chegam a R$ 249 mil. Depois do início das investigações, ele afirma que devolveu o dinheiro a ela.

A lobista se reuniu com autoridades do Ministério da Saúde para vender o projeto de canabidiol.

Diálogos analisados pela Polícia Federal apontam que ela dizia falar em nome de Fábio Luís, e queria obter 20% de remuneração no projeto de Cannabis medicinal que tentava vender ao governo Lula (PT).

Em um dos diálogos acessados pela PF, Roberta disse falar em nome do filho do presidente, utilizando a expressão "Eu sou o Fábio".

O negócio não foi fechado, e diálogos mostram que ela e Lulinha estavam insatisfeitos com a evolução das conversas no governo.

O teor da mensagem, revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo, foi confirmado pela Folha, que obteve trechos de outras conversas nas quais Roberta cita a possibilidade de ganho de 20% e a atuação de Otto Medeiros, advogado influente em Brasília.

Nos diálogos em posse da PF, Roberta diz em 2024 a um ex-assessor parlamentar que tentaria atuar no contrato de Cannabis medicinal com Otto.

Ela cita também que ele seria "sócio do Cassio (sic)", em referência ao ministro Kassio Nunes Marques, do STF (Supremo Tribunal Federal), embora sem indicar nessas conversas atuação do próprio magistrado.

Kassio disse em nota que "não é e nunca foi sócio do senhor Otto Medeiros em qualquer empreendimento". "Os dois mantêm uma relação de amizade, porém o ministro se declara impedido nos processos em que o advogado atua no STF."

As defesas de Luchsinger e Lulinha negam irregularidades.

Em seu perfil no Instagram, a empresária diz que "não tem sido fácil viver sob ataques diários. Ver meu nome e também pessoas queridas sendo atingidas por acusações, julgamentos e narrativas que desconsideram os fatos é profundamente doloroso".

Afirma ainda que "criminalizar relações de amizade é algo que afronta os princípios mais elementares do Estado Democrático de Direito. Nenhuma democracia se fortalece quando vínculos pessoais passam a ser tratados como motivo para suspeitas ou narrativas que desconsideram os fatos".

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