
JN tratou Lula como patrocinador, em vez de candidato…
Afanasio Jazadji
De onde nada se espera de bom é que nada vem. A serviçal Globo, como há quadro anos, propiciou ao candidato presidencial Lula todo o tempo de que dispunha para sem contestação afirmar para todo o País que seu filho Lulinha até agora não aprontou nada que justificasse seu indiciamento como traficante de influência e abridor de portas junto aos órgãos federais para que criminosos se locupletassem à vontade às custas do erário público.
Se Lula estivesse, na ocasião, submetido a um detetor de mentira, por certo, a campainha estaria disparando até agora no Jardim Botânico, nos Estúdios da Globo.
LOROTAS EM SÉRIE – O orgulhoso pai disse que Lulinha garantiu-lhe ter agido até agora dentro das quatro linhas, em nada comprometendo o seu governo. Quanto à relação dele com a atraente e eficiente lobista Roberta, que, sem segundas intenções, até estaria honrando suas despesas mensais e nada insignificantes, na Espanha e Brasil, como já divulgado, “sem contrapartida alguma”, isso também passou batido, não foi contraditado.
Os entrevistadores Tralli e Renata Vasconcelos, extasiados ou amedrontados, silenciaram e quando intervieram, foram atropelados pelo interminável palavrório do eterno postulante presidencial. Lula aprendeu o método Maluf de falar sem parar, transformando jornalistas em espectadores e não questionadores isentos e independentes.
Os proprietários da organização de comunicação que pagam centenas de milhares de reais para seus mais destacados jornalistas devem ter se incomodado com a complacência da equipe de entrevistadores e dos redatores das perguntas ingênuas e nada convincentes. Ou eles estariam cumprindo ordens, como em 1989, quando favoreceram acintosamente o candidato Fernando Collor em debate contra o então metalúrgico Lula?
DOIS OMISSOS – César Petraglia e Renata Vasconcellos se omitiram e deixaram de defender a imprensa e a própria Globo quando Lula, à vontade, ressaltou que foi o político mais perseguido durante a operação Lava Jato.
Fez referência ao “power point” divulgado insistentemente pela emissora, ao longo de quatro anos, com imagens diárias do propinoduto por onde bilhões de reais escorreram para empresários da construção civil, políticos e controladores da Petrobrás, governos estrangeiros como Venezuela, Bolívia, Peru etc.
Lula também defendeu entusiasticamente seu chefe de gabinete, apelidado de Marcola e que selecionava quem ia ou não ser recebido por ele. “Foi um ingênuo. Deveria ter pedido dinheiro emprestado para mim e não para a Roberta”, que apoiada por seu chefe de gabinete, transitava garbosamente pela Praça dos Três Poderes com portas escancaradas.
E O MARCOLA? – Ao longo de sete anos, Marcola sempre esteve ao lado de Lula e seu descontrole financeiro nunca foi percebido pelo alto escalão governamental. Coitado, veja a que desnível chegou a República Federativa do Brasil, vendida por míseros R$ 250 mil. Enfim, como diz o presidente, “quem cometeu crime tem que pagar”, exceto os que lhe são próximos e nos quais ele confia até prova em contrário, como o corruptíssimo Jaques Wagner, da Bahia.
Para encerrar, por que administrativamente, o chefe do Executivo Federal não determinou a abertura de sindicância para apurar possíveis outras ilegalidade e imoralidades que poderiam ter sido cometidas na sua antessala, debaixo de sua barba, como aconteceu na época do “mensalão”, quando toda a culpa recaiu sobre seu fiel escudeiro José Dirceu?
PAÍS À DERIVA – Coitadas das gerações presentes e futuras do nosso País. Desde 2003, estão sendo governadas por um operário que diz não ler jornais e que não se assusta com dívidas de trilhões, pois o que gera desenvolvimento é o consumo descontrolado e em havendo consumo haverá crescimento, mesmo que seja às custas de endividamento de 215 milhões de pessoas.
Nesta quinta-feira, você não assistiu a um programa de entrevistas, mas ao favorecido e antecipado horário eleitoral iniciado hoje, como dispõe a lei.
Hoje à noite, a Globo pode cumprir seu código de ética e de compliance, triturando a candidatura de Flávio Bolsonaro e antecipando a vitória de Lula que não teve a coragem de processá-la quando foi diariamente constrangido, humilhado pelo JN e o que pode ter contribuído até para o passamento de seus entes mais queridos. A Globo é o quarto Poder e não a Imprensa de modo geral.