Foto Divulgação - Audiência pública discute mudança de território de identidade em Jeremoabo
JEREMOABO EM TRANSIÇÃO: Os Impactos da Mudança para o Território de Identidade Itaparica
Por José Montalvão
A proposta de integração do município de Jeremoabo ao Território de Identidade Itaparica — deixando a sua composição histórica no Semiárido Nordeste II — entrou definitivamente no centro do debate político e econômico regional. Embora a alteração reflita a dinâmica do cotidiano da população jeremoabense, a efetivação dessa mudança depende do cumprimento de trâmites burocráticos rigorosos e da avaliação do Conselho Estadual de Desenvolvimento Territorial (CEDERER), órgão estadual responsável pela validação final das diretrizes territoriais na Bahia.
A discussão ganha relevância por impactar diretamente o planejamento orçamentário, a captação de recursos e a inclusão do município em consórcios públicos. Para compreender o que está em jogo, é preciso analisar os prós e contras dessa transição.
As Vantagens para o Município de Jeremoabo
A migração para o Território de Itaparica apresenta justificativas técnicas e econômicas sólidas, alinhadas à rotina prática dos moradores de Jeremoabo:
Alinhamento Socioeconômico com Paulo Afonso: Paulo Afonso atua como o grande polo regional de comércio, serviços, saúde e ensino superior para Jeremoabo. A inserção no mesmo território formaliza essa integração geográfica e logística já existente;
Fortalecimento em Consórcios de Saúde: Facilita a pactuação e o acesso a exames, leitos e especialidades médicas de média e alta complexidade concentrados na bacia do São Francisco, otimizando o atendimento da população;
Inserção no Circuito Turístico do São Francisco: Jeremoabo passa a articular políticas públicas de fomento ao turismo integradas aos Cânions do São Francisco e ao circuito hidrelétrico, ampliando o potencial de atração de investimentos na área;
Políticas Estruturantes para o Semiárido: O Território de Itaparica possui câmaras técnicas consolidadas no combate à desertificação, preservação da Caatinga e projetos de convivência com a seca junto ao Rio São Francisco.
Os Riscos e Desvantagens da Mudança
Apesar dos benefícios, a transição envolve desafios administrativos e políticos que não podem ser ignorados pelos gestores públicos:
Disputa por Recursos com Centros Maiores: Dentro do Território de Itaparica, Jeremoabo passará a disputar verbas, emendas e investimentos estaduais diretamente com Paulo Afonso, um município de maior porte populacional e apelo político;
Ruptura de Laços no Semiárido Nordeste II: O município perde o histórico de articulação conjunta com cidades vizinhas da região de Ribeira do Pombal e Euclides da Cunha, com as quais compartilha projetos consolidados de incentivo à agricultura familiar;
Ajustes Burocráticos e Transição Institucional: A readequação exige mudanças no Plano Plurianual (PPA) do Estado, além da reestruturação de conselhos municipais e comissões regionais, o que pode gerar atrasos temporários na liberação de convênios em andamento.
Conclusão: Um Passo Positivo para o Futuro de Jeremoabo
Analisando o cenário sob a ótica da gestão pública e do desenvolvimento regional, a integração ao Território de Itaparica mostra-se vantajosa a longo prazo. A mudança aproxima a burocracia governamental da realidade dos fatos: o cidadão jeremoabense já busca em Paulo Afonso a maioria dos serviços essenciais de saúde, transporte e comércio.
Se aprovada pelo CEDERER, a migração permitirá que Jeremoabo planeje seu futuro de forma integrada ao eixo do São Francisco, otimizando a captação de recursos e fortalecendo sua posição estratégica no mapa da Bahia.
José Montalvão
Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da Associação Brasileira de Imprensa (ABI - Registro C-002025).
Blog de Dede Montalvão: Acompanhando os debates territoriais, analisando os impactos da gestão pública e defendendo o desenvolvimento de Jeremoabo!
