
Debatefoi o pior das eleições presidenciais desde 1989
Bernardo Mello Franco
O Globo
Esvaziado pelos ausentes e avacalhado pelos presentes, o debate da Band foi possivelmente o pior encontro de presidenciáveis já transmitido pela TV brasileira. À frente nas pesquisas, Lula e Flávio Bolsonaro já haviam informado que não compareceriam. No domingo, Romeu Zema surpreendeu ao se juntar ao boicote.
Dos seis convidados, restaram três, que por pouco não se reduziram a dois. O psiquiatra Augusto Cury já estava na portaria da Band quando deixou repórteres perplexos ao avisar que daria meia-volta para casa. “Vocês não percebem a minha mágoa?”, perguntou.
CRÍTICAS – Minutos depois, ele desistiu da desistência e se juntou a Ronaldo Caiado e Renan Santos no estúdio. Eles se acomodaram num cenário melancólico, com três púlpitos vazios. Apesar do esforço da emissora, não havia muito o que extrair dali. Os nanicos pareciam mais interessados em criticar os favoritos do que em apresentar propostas para justificar suas candidaturas.
Renan Santos mostrou a que veio ao exibir duas fraldas com os nomes de Lula e Flávio. Ao longo do debate, despejou falas misóginas e xingou eleitores dos adversários. Chegou a ser repreendido por Cury, que se disse espantado com sua agressividade.
CHAVÕES – Também estreante em eleições, o psiquiatra se mostrou uma metralhadora de chavões de autoajuda embrulhada num exótico terno verde. Faltou explicar o que faz na corrida presidencial.
Ronaldo Caiado não soube aproveitar o fato de ser o único presente com experiência política. Gastou a maior parte do tempo descrevendo Goiás como um paraíso nos trópicos. A imagem do vice cochilando enquanto ele falava resume sua participação no debate. Difícil criticar Gilberto Kassab pela soneca. Quem resistiu uma hora e meia diante da TV é que merecia uma medalha.
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