segunda-feira, agosto 31, 2026

TSE manda suspender propaganda de Lula contra Flávio Bolsonaro sobre “currículo” do candidato

 

TSE manda suspender propaganda de Lula contra Flávio Bolsonaro sobre “currículo” do candidato

Por Política Livre

31/08/2026 às 13:44

Foto: Reprodução/Arquivo

Imagem de TSE manda suspender propaganda de Lula contra Flávio Bolsonaro sobre “currículo” do candidato

A propaganda, intitulada "Currículo de Flávio Bolsonaro" afirmava que o candidato teria sido "funcionário fantasma"

A ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou, em decisão liminar, a suspensão de uma inserção da propaganda eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que fazia críticas ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). A decisão atende a um pedido de direito de resposta apresentado pelo senador e vale até o julgamento do mérito da ação. 

A propaganda, intitulada "Currículo de Flávio Bolsonaro", afirmava que o candidato teria sido "funcionário fantasma", "denunciado por lavagem de dinheiro e organização criminosa no escândalo da rachadinha", homenageado um líder de grupo de extermínio no Rio de Janeiro e sido "flagrado pela Polícia Federal pedindo R$ 134 milhões no escândalo do Banco Master". 

A peça chegou a ser divulgada pelo secretário nacional de Comunicação do PT, Éden Valadares, ex-presidente do partido na Bahia, e foi apagada da rede social X com base na sentença. "A nosso ver, não é questão de atribuir culpa antecipada ou divulgar informações falsas, mas sim de dar o devido nome aos fatos: tratar denunciados e investigados de acordo com sua real condição jurídica é um compromisso com a transparência", declarou o dirigente. 

Na decisão, a ministra entendeu que, em uma análise preliminar, a peça publicitária extrapola os limites da crítica política ao construir uma narrativa que associa o candidato a organizações criminosas por meio de informações consideradas descontextualizadas e sem o devido respaldo fático apresentado na propaganda. Segundo ela, embora fatos da vida pública possam ser utilizados em campanhas eleitorais, a forma como foram exibidos tem potencial para induzir o eleitor a erro.

Estela Aranha destacou ainda que a propaganda utilizava a imagem de um suposto currículo profissional de Flávio Bolsonaro, conferindo aparência documental às acusações. Para a relatora, a combinação entre texto, imagens e narração reforça o potencial lesivo da peça ao transmitir ao eleitorado uma percepção incompatível com a situação jurídica atual do candidato.

A magistrada também ressaltou que a denúncia relacionada ao caso da chamada "rachadinha" foi posteriormente arquivada, razão pela qual a propaganda poderia levar o eleitor a acreditar que Flávio Bolsonaro ainda responde atualmente às acusações. A decisão observa que a Justiça Eleitoral não pretende impedir críticas políticas, mas considera irregular a utilização de informações falsas, imprecisas ou gravemente descontextualizadas para influenciar a vontade do eleitor.

Com a decisão, a propaganda fica suspensa imediatamente, e a coligação "Brasil Pronto Pra Mais" e o presidente Lula ficam proibidos de realizar novas exibições da inserção até o julgamento definitivo do pedido de direito de resposta. A ministra determinou ainda a comunicação imediata ao pool de emissoras de televisão para o cumprimento da medida.

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