DAS PIADAS ELEITORAIS À REALIDADE DO POVO: A Entrevista de Sábado Que Desnudou a Incompetência e a Demagogia Política
Por José Montalvão
Na condição de analista da gestão pública e observador atento da política nacional, vejo-me no dever moral de comentar a entrevista concedida por um candidato à Presidência da República neste último sábado. O espetáculo de propostas desconectadas da vida real foi tamanho que mais parecia um repertório de piadas de mau gosto apresentadas ao eleitor.
Das mirabolantes soluções tecnológicas ao desrespeito à inteligência do cidadão comum, a sabatina serviu ao menos a um propósito fundamental: desmascarar a imprensa parcial, expor os mentirosos de plantão e desnudar, sem pudores, a profunda incompetência de quem pretende governar um país com a complexidade do Brasil.
Para demonstrar a gravidade do que foi dito, obrigo-me a analisar três tópicos absurdos propostos pelo candidato:
1. A Telemedicina e a Ilusão Tecnológica para a Saúde Pública
Propor a telemedicina como a fórmula mágica para resolver o caos da saúde pública brasileira seria uma excelente ideia — se o Brasil fosse composto apenas por elites em grandes centros urbanos. Para o cidadão comum, especialmente aquele que reside na zona rural, a proposta beira o deboche.
Imaginemos a cena: o agricultor ou o morador do interior, mesmo que consiga acesso a computador, celular e internet, realiza a sua consulta virtual com o médico. E depois? Como esse cidadão fará os exames complementares essenciais — como ultrassonografia, tomografia e exames laboratoriais — se o município ou o estado não garantirem a vaga na rede física? Como ele terá acesso aos medicamentos receitados se as farmácias básicas estão desabastecidas?
A telemedicina não colhe sangue, não realiza biópsia e não entrega o remédio na mão de quem precisa. Prometer consultas na tela sem estruturar a rede de exames e atendimento presencial é vender fumaça para quem sente dor na vida real.
2. Robôs e Inteligência Artificial no INSS: A Trava na Vida do Trabalhador
O segundo ponto cômico — se não fosse trágico — é a proposta de colocar robôs e Inteligência Artificial para gerir as aposentadorias, auxílios e demandas dos servidores e segurados do INSS.
Quem lida com a previdência pública sabe que a automação desenfreada já é, hoje, um dos maiores pesadelos do trabalhador. Os robôs e algoritmos são programados em linhas de código rígidas e padronizadas. Eles não analisam nuances, não leem entrelinhas de prontuários complexos, não compreendem a especificidade do trabalho rural e não resolvem os pormenores administrativos.
O resultado dessa lógica é a rejeição em massa de pedidos legítimos. O trabalhador que dedicou a vida inteira ao país precisa de atendimento humano, técnico e sensível para analisar o seu direito, e não de um sistema computadorizado travado que o deixa desamparado na hora em que mais necessita da sua aposentadoria ou benefício incapacitante.
3. Drones Contra a Violência Doméstica: O Ápice do Absurdo
O terceiro item dispensaria qualquer comentário sério, pois lembra a célebre demagogia de promessas mirabolantes como o "PIX Saúde". Sugerir o uso de drones como ferramenta central para combater a violência contra a mulher nas cidades e no campo é ignorar por completo a dinâmica do crime e a realidade da segurança pública.
Como um drone vai impedir uma agressão iminente dentro de uma residência? Como uma aeronave remota substitui a presença ostensiva da polícia, as redes de acolhimento social, as Patrulhas Maria da Penha, o fortalecimento das delegacias especializadas e a punição severa ao agressor? Trata-se de uma "solução" ornamental que serve apenas para tirar fotos e produzir vídeos de propaganda eleitoral.
Conclusão: O Brasil É Maior do Que a Demagogia
A entrevista de sábado teve a virtude de separar o joio do trigo. Ficou claro para o eleitor de todo o país quem possui preparo técnico e estofo de estadista e quem se apoia em slogans superficiais para enganar a população.
O Brasil é uma nação grandiosa, com desafios complexos de economia, geopolítica, saúde, educação e segurança. Não há espaço para improvisos, testes laboratoriais com a vida do povo ou teorias mirabolantes de gabinete. A nossa pátria necessita e exige um presidente probo, experiente, capacitado e comprometido com a realidade nua e crua do povo brasileiro!
José Montalvão
Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da Associação Brasileira de Imprensa (ABI - Registro C-002025).
Blog de Dede Montalvão: Analisando as propostas eleitorais com rigor técnico, combatendo a demagogia e defendendo o respeito ao eleitor e à verdade!