terça-feira, novembro 04, 2025

O que está em jogo na gincana política da segurança pública

 

Poder. Política. Sua plataforma. Direto do Planalto

QUEM GANHA?

O que está em jogo na gincana política da segurança pública | A megaoperação da semana passada nos complexos de favelas do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, serviu para antecipar um debate que inevitavelmente já daria o tom da campanha eleitoral do ano que vem – especialmente na corrida presidencial. Não por acaso, os movimentos dos principais personagens relacionados ao tema, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao governador Cláudio Castro (PL), têm sido meticulosamente calculados. No governo federal, a ordem é para que os passos seguintes à operação sejam dados com o máximo cuidado. Há o temor óbvio de a crise respingar na imagem de Lula, que vinha experimentando uma melhora em sua popularidade nos últimos meses. Do outro lado, a oposição viu uma oportunidade de unificar o discurso em torno de uma pauta com grande apelo popular. LEIA+

DEPOIS DA MEGAOPERAÇÃO

CPI do Crime Organizado estreia como novo palco para disputa entre governo e oposição | Marcada para ser instalada no Senado nesta terça-feira, 4, a CPI do Crime Organizado nascerá sob forte tensão política, com governo e oposição disputando cada cargo da cúpula do colegiado. O embate pela indicação do presidente e do relator mostra que, desde o início, a comissão será um campo de batalha política. O embate também acontece em torno da definição das prioridades da comissão. A oposição indicou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para a presidência. Para o mesmo cargo, o governo defende a escolha do senador Fabiano Contarato (PT-ES). A relatoria deve ficar com Alessandro Vieira (MDB-SE), autor do requerimento da CPI. Ele é visto como figura-chave para assegurar que a comissão mantenha um perfil técnico e investigativo, equilibrando a disputa entre governo e oposição. LEIA+

PAPEL DO STF

Moraes vai verificar ‘constitucionalidade’ de ação letal no Rio defendida por Castro | O ministro do STF Alexandre de Moraes retornou a Brasília depois de visitar a sede do governo do Rio de Janeiro e o quartel-general da cúpula da segurança pública do estado, ao lado do governador, Cláudio Castro (PL), nesta segunda-feira, 3. O objetivo da viagem foi obter informações sobre a operação policial contra o Comando Vermelho, na semana passada, quer terminou com 121 pessoas mortas, entre elas quatro policiais. LEIA+

FORÇA LETAL

Comissão pauta derrubada de decreto do Ministério da Justiça sobre uso da força | A Comissão de Segurança Pública da Câmara pautou para esta terça-feira, 4, a votação do Projeto de Decreto Legislativo (PDL) que busca derrubar um decreto do Ministério da Justiça que regulamenta o uso da força policial. A votação acontecerá uma semana após a megaoperação do governo do Rio de Janeiro que resultou em um massacre com 121 mortos, o maior da história do país. LEIA+

MESMO CONTEÚDO

Isenção de IR: relator no Senado mantém texto aprovado na Câmara | O senador Renan Calheiros (MDB-AL) apresentou na noite desta segunda-feira, 3, o relatório sobre o projeto de lei que isenta de IR (Imposto de Renda) quem ganha até R$ 5 mil. Ele não fez alterações de conteúdo em relação ao texto aprovado na Câmara. A previsão é de que o texto seja aprovado pela manhã na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) e, à tarde, no plenário do Senado. Se não sofrer alterações, seguirá para sanção presidencial. LEIA+

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Lula injeta R$ 116 milhões na Secom e mira engajamento para reeleição


Ampliação coloca a pasta em uma posição privilegiada

Mateus Vargas
Folha

O governo Lula (PT) ampliou a verba de comunicação da Presidência em mais de R$ 116 milhões durante o ano, levando esse orçamento para cerca de R$ 876 milhões em 2025. O valor destinado à comunicação do governo, às vésperas do ano eleitoral, supera os cerca de R$ 600 milhões reservados em 2024 —cifra que era a maior aplicada nos contratos da Secom (Secretaria de Comunicação) desde 2017.

A ampliação coloca a pasta em uma posição privilegiada dentro do governo. Houve cortes de verba, e diversos órgãos precisam de recursos até para operações de rotina. A Polícia Federal, por exemplo, busca R$ 97,5 milhões para emitir passaportes, enquanto o Ministério da Educação ainda não tem dinheiro para a compra completa de materiais didáticos.

CAMPANHAS PUBLICITÁRIAS – A rubrica do Orçamento reservada para a ação de “comunicação institucional” banca principalmente as campanhas publicitárias do governo federal, além de contratos menores, como de assessoria de imprensa e pesquisa de opinião.

Só a conta de publicidade da Secom é de R$ 562 milhões anuais, executada por quatro agências. Algumas das principais destinações dessa verba foram R$ 85 milhões para a campanha com o mote “Brasil soberano”, além de R$ 30 milhões para promover o programa Gás do Povo.

O governo Lula mudou sua estratégia de comunicação desde que Sidônio Palmeira assumiu a Secom, em janeiro. A pasta ampliou a verba para anúncios na internet e passou a apostar na contratação de influenciadores, além da produção de modelos de vídeos virais.

CANDIDATURA – A movimentação se encaixa na busca do petista pela reeleição. O presidente afirmou de forma categórica na última quarta-feira (22) que disputará as eleições de 2026 para buscar um quarto mandato.

Uma publicação feita no fim de setembro nas redes “gov.br” ilustra o novo formato adotado pelo governo. No vídeo, o apresentador João Kléber transporta o seu “teste de fidelidade” —quadro que visava provocar e “flagrar” eventuais adúlteros— para a disputa entre os governos Lula e Donald Trump.

Em nota, a Secom afirmou que a legislação prevê ações de comunicação para promover políticas públicas e direitos. Disse ainda que parte do seu orçamento foi bloqueada e que, por isso, não houve alteração substancial na verba total com os aportes.

NOVO CONTRATO – O governo deve destinar mais R$ 100 milhões por ano para um novo contrato de comunicação digital —a licitação para escolha das agências que vão executar a verba está em fase final. O serviço envolve produção de vídeos, textos, podcasts e outros conteúdos voltados às redes sociais.

Os documentos da licitação mostram que o governo deseja produzir cerca de 3.000 vídeos por ano, em diversos formatos. Apenas os 576 vídeos “com apresentador” devem custar R$ 21,4 mil cada, ou R$ 12,3 milhões no ano. O novo contrato ainda deve incluir a criação de podcasts e videocasts, entre outros produtos.

Na disputa, as agências tiveram de apresentar uma proposta de “estratégia criativa e eficaz de comunicação” para aumentar o engajamento e alcance das mensagens do governo nas redes sociais com a produção de posts em temas como Pé-de-Meia, Bolsa Família e Minha Casa, Minha Vida.

APORTE – O mais recente aporte de verba para a comunicação da Presidência, de R$ 90 milhões, foi definido no último dia 17. A decisão foi tomada após discussões entre o Planalto e a equipe econômica, que incluíram a ideia de turbinar a comunicação digital.

O governo citou a necessidade de realizar campanhas “com maior cobertura temática, ampliação do alcance populacional, adoção de novos formatos digitais e reforço das ações de comunicação regionalizadas”.

Na portaria em que ampliou a verba para propaganda, o governo fez movimentações de cerca de R$ 2,4 bilhões em diversos ministérios. Esse valor foi cancelado de algumas ações orçamentárias e acrescentado a outras, medida que é exigida para cumprir as regras fiscais. Alguns órgãos saíram perdendo nessa mexida do Orçamento, como o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), que teve corte de R$ 190 milhões. O órgão já afirmou ao governo que a tesourada pode impactar serviços essenciais, como o processamento da folha de pagamento de benefícios previdenciários.

ACESSO DA POPULAÇÃO –  Em nota, a Secom disse que tem ampliado ações de comunicação institucional no ano em que lançou novos programas e políticas públicas, como o Gás do Povo, o Agora Tem Especialistas e a proposta de ampliação da isenção do Imposto de Renda, “para garantir o acesso da população beneficiada a esses serviços”.

A Secom ainda disse que pediu o crédito de R$ 90 milhões para garantir a realização de ações prioritárias, depois de ter R$ 91 milhões bloqueados. A pasta afirmou que a única suplementação que recebeu foi um crédito de R$ 27 milhões do Itamaraty, para a realização da Cúpula dos Brics.

“Portanto, não houve alteração substancial no orçamento da secretaria, com relação à dotação prevista na LOA (Lei Orçamentária Anual) de 2025.” A secretaria ainda disse que a legislação determina a ela “dar amplo conhecimento à sociedade das políticas e programas do Poder Executivo federal”, além de divulgar direitos dos cidadãos, entre outros serviços.

China derrota Trump no tarifaço e Brasil fica entre duas frentes


Donald Trump: a relação de 'amor e ódio' entre futuro presidente americano  e Xi Jinping - BBC News Brasil

Xi Jinping deu um show de diplomacia em Donald Trump

William Waack
CNN

Donald Trump adotou uma postura dura em relação à China, impondo tarifas tão elevadas que praticamente equivaleram a um embargo comercial. Além disso, restringiu o acesso do país asiático a tecnologias ocidentais, partindo para uma verdadeira guerra econômica com o conhecido ar de autoconfiança que o caracteriza.

No entanto, a China reagiu. Retaliou os Estados Unidos ao suspender a venda de terras raras e interromper a compra de soja de produtores americanos — justamente parte do eleitorado de Trump.

TUDO COMO ANTES – Após meses de hostilidades mútuas, Donald Trump e Xi Jinping anunciaram uma trégua de um ano, pela qual tudo voltaria ao que estava antes.

À primeira vista, poderia parecer que toda essa disputa resultou apenas em um retorno ao ponto de partida. Contudo, na realidade, a situação ficou um pouco pior: os Estados Unidos saíram mais enfraquecidos e a China, mais fortalecida, pois demonstrou na prática que Trump foi o primeiro a recuar.

Atualmente, Estados Unidos e China continuam dialogando, mas cada um mantém uma “pistola de grosso calibre” sobre a mesa, prometendo apenas não apontá-la para o outro nos próximos 12 meses.

SEM DEPENDÊNCIA – O que ambos deixaram claro é o desejo de reduzir gradualmente a dependência mútua. Esse processo de desacoplamento econômico, porém, é considerado arriscado, complexo e potencialmente disruptivo para a economia mundial.

Os pontos centrais que alimentam o confronto entre as duas potências — por ora restrito ao campo comercial e econômico — permanecem inalterados.

Para o Brasil, o cenário também se mantém delicado e perigoso, já que, nessa guerra entre gigantes, nossas principais exportações têm como destino a China, enquanto grande parte dos insumos que sustentam o agronegócio brasileiro vem dos Estados Unidos. Assim, o país tenta, com dificuldade, evitar ter de escolher um lado.

Mortos em operação no Rio são homens de 14 a 55 anos; 1/3 não tem registro do pai

 

Mortos em operação no Rio são homens de 14 a 55 anos; 1/3 não tem registro do pai

A idade média dos mortos é de 28 anos

Por Marcela Canavarro, Bruna Fantti e Paula Soprana/Folhapress

04/11/2025 às 06:35

Foto: Eusébio Gomes/Arquivo/TV Brasil

Imagem de Mortos em operação no Rio são homens de 14 a 55 anos; 1/3 não tem registro do pai

Mortos no Rio de Janeiro durane operação

Todos os civis mortos durante o confronto com a polícia nos complexos da Penha e do Alemão e já identificados são homens e 44 deles (38%) nascidos no estado do Rio de Janeiro. A média e mediana de idade é de 28 anos e 1/3 deles não tem registro do nome do pai. A metade possuía ao menos um mandado de prisão ou, no caso de um menor de idade, de busca e apreensão.

Quase uma semana após a megaoperação que deixou 121 mortos nos complexos do Alemão e da Penha, a Polícia Civil do Rio divulgou uma lista com 115 perfis —que não inclui os quatro agentes de segurança que perderam a vida na ação. Em outros dois casos, as perícias foram inconclusivas.

O documento traz registros oficiais como RG e CPF, fotos, perfis de redes sociais, histórico criminal e informações sobre mandados de prisão.

Da lista, 36 homens só tinham a mãe na filiação. Não é possível aferir a raça dos homens porque, no Brasil, ela se dá por autodeclaração.

A idade média dos mortos é de 28 anos. O mais novo tinha 14 anos e, segundo a polícia, era investigado por "fato análogo ao crime de estupro de vulnerável". O mais velho, de 55, Jorge Benedito Barbosa, que seroa conhecido como Pará, já foi condenado por roubo. Ele faria aniversário nesta quarta-feira (4).

Três dos mortos chegaram à maioridade neste ano, dois eram menores de idade (14 e 17 anos), dois não tinham data de nascimento registrada e três fizeram aniversário na véspera da morte.

Um deles, Francisco Myller Moreira da Cunha, também chamado de Gringo e Suíça, nasceu em Manaus e completou 32 anos no dia 27 de outubro. Era a liderança do CV (Comando Vermelho) no Amazonas e tinha mandado de prisão ativo, segundo o documento. Constam na ficha homicídio, tráfico e porte de arma em seu estado.

Yuri dos Santos Barreto, sem registro de pai e de naturalidade, completou 22 anos no mesmo dia. Figura como autor em três registros de ocorrência policial —em uma delas possuía granadas de fabricação caseira, de acordo com as informações da polícia.

Já Ronaldo Julião da Silva, de Campina Grande (PB), completou 46 anos. Segundo o documento, "não possui anotações criminais e não figura como autor ou envolvido em registros de ocorrência", o que sugere que não tenha cometido crime.

Metade dos mortos (49,5%) listados tinha ao menos um mandado de prisão ou de busca e apreensão, caso de um adolescente. Em 54 deles, ou não havia mandado ou não havia informação suficiente.


Rafael Correa da Costa, conhecido como Rafinha ou Irmãos Sorriso, tinha cinco mandatos de prisão ativos. Natural do Pará, era considerado pela polícia a liderança do Comando Vermelho na cidade de Abaetuba, no estado.
Já Victor Hugo Rangel de Oliveira, 25, natural de São Pedro da Aldeia (RJ), respondia por quatro mandados de prisão. Segundo a polícia, estava envolvido em três registros de ocorrência e em um como adolescente infrator. Também foi o autor de 16 ocorrências. Em suas redes, segurava um fuzil em cada mão em uma das fotos.
Assim como ele, Vanderley Silva Borges, chamado de Cabeção e Deley, natural da cidade de Goiás no estado de mesmo nome, tinha quatro mandados de prisão ativos por tráfico de drogas.
Os crimes mencionados pela polícia no documento são tráfico de drogas, envolvimento com facção, homicídio (incluindo de policiais), organização criminosa, furto, roubo, associação para o tráfico, porte ilegal de armas (inclusive de uso restrito ou granada de produção caseira), receptação, ameaça, lesão corporal, corrupção ativa, uso de documento falso, corrupção de menores, porte de drogas para consumo próprio, furto de energia elétrica, estupro (inclusive coletivo, inclusive de vulnerável), extorsão e lesão corporal.
Doze homens foram apontados como líderes de facção em outros estados, em cidades como Abaetuba (PA), Feira de Santana (BA), Goiânia e Manaus.


A maior parte dos mortos é do estado do Rio de Janeiro. Não é possível saber a cidade de todos pois em vários casos há apenas o preenchimento do estado. A capital fluminense é citada ao menos 26 vezes, a mais frequente.
Mas há grande diversidade geográfica na origem desses 115 mortos. Atrás do Rio, o Pará é o estado com mais representantes (19), sendo a maior parte da capital Belém. Há ao menos cinco pessoas de Manaus e quatro da baiana Feira de Santana.
Há um morto de São Paulo e um de Vitória. Não consta ninguém de Minas Gerais ou da região Sul. Há dez casos sem registro de naturalidade.
Redes sociais foram usadas para encontrar elo com CV
A análise da inteligência da Polícia Civil relacionou dados de redes sociais para apontar o suposto elo entre 12 suspeitos mortos e o CV (Comando Vermelho), uma vez que dez desses citados não tinham antecedentes criminais.
Entre os perfis dos suspeitos analisados, os investigadores relacionaram o de Tiago Neves Reis, 26, à facção por exibir uma bandeira vermelha triangular em forma de emoji, o que faria alusão ao CV. Reis não tinha mandado de prisão, não era investigado e não possuía antecedentes.
Já Kauã de Souza Rodrigues da Silva, 18, tampouco tinha anotações criminais. A polícia destaca que suas redes sociais não exibiam postagens desde 2022, o que, para os agentes, indicaria "apagamento de perfil" para eliminar possíveis provas.
Outro nome identificado foi o de Alessandro Alves Silva, 19, cujo envolvimento com o tráfico teria sido sugerido por postagens em que aparece usando uma roupa ghillie, vestimenta usada para camuflagem na mata.
Também foi analisado o perfil de Yure Carlos Mothé Sobral Palomo, 23, que tinha uma anotação criminal e aparece em uma foto segurando uma arma.
As redes sociais também serviram para monitorar a movimentação dos suspeitos na mata. Um dos casos citados é o de um homem conhecido como Castanhal, do Pará, que fugiu da prisão. Uma mulher, supostamente casada com ele, publicou uma foto logo após a operação na região da Vacaria, no Complexo da Penha, onde a maioria dos mortos foi encontrada.
Na imagem, ela segura mão de um homem que vestia roupa de camuflagem, explicando na legenda que foi até a mata para buscar o corpo dele.
Segundo a polícia, entre os 115 perfis analisados, mais de 95% apresentavam ligação comprovada com o Comando Vermelho.

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