terça-feira, novembro 04, 2025

PF analisa emendas de 92 políticos por ordem de Dino e pode abrir novos inquéritos

 

PF analisa emendas de 92 políticos por ordem de Dino e pode abrir novos inquéritos

Por José Marques e Cézar Feitoza/Folhapress

04/11/2025 às 07:33

Foto: Rosinei Coutinho/Arquivo/STF

Imagem de PF analisa emendas de 92 políticos por ordem de Dino e pode abrir novos inquéritos

Flávio Dino

A Polícia Federal faz um pente-fino sobre emendas parlamentares apresentadas por 92 políticos que têm ou tiveram mandato no Congresso para decidir se pede a abertura de novos inquéritos no STF (Supremo Tribunal Federal) para apurar eventuais crimes, como corrupção e prevaricação.

Ao mesmo tempo, as cidades e entidades que receberam esses recursos correm para tentar regularizar suas situações e evitar que a ausência de dados sobre o uso das emendas se transforme em investigações policiais.

A análise da PF foi iniciada em setembro a partir de ordem do ministro Flávio Dino, do Supremo. Ele se baseou em uma nota técnica do TCU (Tribunal de Contas da União) sobre emendas individuais de deputados e senadores ao Orçamento, apresentadas de 2020 a 2024.

O TCU aponta que, até 1º de setembro deste ano, 148 emendas com um valor total de R$ 85 milhões destinadas por parlamentares não tinham plano de trabalho cadastrado na plataforma do governo que trata do tema. O documento passou a ser exigido após decisão do STF.

Essas emendas foram destinadas por parlamentares de 15 estados. Uma parte significativa do valor (R$ 27 milhões) é de deputados e senadores do Amazonas.

A partir desses dados, Dino determinou que a PF instaurasse inquéritos para cada estado, para apurar "eventual prática dos seguintes ilícitos penais: prevaricação, desobediência a ordem judicial, emprego irregular de verbas públicas, peculato, corrupção, entre outros que se revelem no curso das investigações".

"Ressalto que tais inquéritos inicialmente tramitarão nesta Suprema Corte, haja vista que os fatos narrados podem guardar relação com deliberações parlamentares, exigindo-se cautela para não haver qualquer mácula que vulnere as prerrogativas dos membros do Congresso Nacional."

Com a decisão, policiais federais passaram a analisar os recursos descritos na nota técnica do TCU. A princípio, a PF não investiga os parlamentares, mas apura se houve irregularidades nos locais aos quais as verbas foram enviadas. Não se descarta, porém, que as investigações alcancem nomes que têm ou tiveram mandato na Câmara ou Senado.

Após a decisão de Dino, o órgão de investigação iniciou uma avaliação sobre quais situações podem ou não ser alvo de inquérito.

A polícia analisa, ainda, a possibilidade de unir em um só inquérito investigações que envolvam emendas que tenham sido destinadas aos mesmos locais ou que foram enviadas pelos mesmos parlamentares.

Os casos que eventualmente se tornarem inquéritos devem se juntar a outras 80 investigações similares que já tramitam no STF e que têm motivado operações sobre desvios em emendas nos últimos anos.
Segundo os dados do TCU, o político que mais destinou recursos que resultaram em transferências sem plano de trabalho, até o dia 1º de setembro, foi o ex-deputado Bosco Saraiva, que era do Solidariedade-AM.

Atualmente, ele é superintendente da Zona Franca de Manaus. Foram R$ 7,9 milhões destinados a investimentos nos municípios de Maués (duas emendas, de R$ 1,9 milhão e R$ 4 milhões), Itamarati (R$ 500 mil) e Santo Antônio do Içá (R$ 1,5 milhões). Bosco Saraiva não é investigado.

Desses três municípios, apenas Santo Antônio do Içá deu uma justificativa sobre o uso do dinheiro, após o envio da nota técnica do tribunal de contas para a PF.

O município informou que a emenda de R$ 1,5 milhão serviria para a aquisição de "embarcação (barco tipo esporte/recreio) para auxiliar nas atividades da Secretaria Municipal de Educação e Cultura nas comunidades ribeirinhas".

Procurado pela reportagem, Bosco Saraiva afirmou que acionou os responsáveis quando tomou conhecimento de que as contas ainda estavam em aberto.

"Entrei em contato com os destinatários para que tomassem as providências cabíveis no sentido de sanar as pendências relativas a essas prestações de contas e recebi a informação da parte destes entes de que tais providências estavam em andamento", disse.

Também procuradas, as prefeituras de Maués e de Itamarati não se manifestaram.

O estado com maior número de emendas sob escrutínio é São Paulo: 39, no valor total de R$ 14,7 milhões, sem a apresentação de um plano de trabalho. Em seguida, vêm Amazonas (23 emendas), Bahia (22), Maranhão (14) e Minas Gerais (11).

O acúmulo de investigações sobre desvios de emendas parlamentares no Supremo é um dos principais pontos de tensão na relação entre o Congresso e o Judiciário nos últimos anos. Os inquéritos dispararam após Dino eleger o tema como um dos prioritários em seu gabinete.

Por decisões do tribunal, as emendas parlamentares passaram a ser liberadas somente mediante a apresentação de um plano de trabalho que especifique como o dinheiro será utilizado.

A nova determinação afetou principalmente as transferências especiais para estados e municípios — popularmente conhecidas como emendas Pix—, mecanismo criado pelo Congresso para acelerar a liberação dos recursos, mas que possui lacunas sobre sua transparência e rastreabilidade.

Dino indicou que deve levar ao plenário do Supremo o julgamento do mérito das ações que questionam a constitucionalidade das emendas em breve. Ele solicitou manifestação da AGU (Advocacia-Geral da União) e da PGR (Procuradoria-Geral da República) sobre o tema.

Politica Livre

TJ-BA aposenta desembargador Jefferson Alves de Assis, afastado após soltar empresário investigado por organização criminosa

 

TJ-BA aposenta desembargador Jefferson Alves de Assis, afastado após soltar empresário investigado por organização criminosa

O magistrado estava afastado do cargo desde dezembro do ano passado, após conceder habeas corpus ao empresário Cézar Paulo de Morais Ribeiro, apontado como líder de uma organização criminosa

Por Política Livre

04/11/2025 às 08:15

Foto: Divulgação

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O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) publicou, nesta terça-feira (4), o decreto que determina a aposentadoria compulsória do desembargador Jefferson Alves de Assis, integrante da 2ª Câmara Criminal – 1ª Turma. A decisão, assinada pela presidente da Corte, desembargadora Cynthia Resende, ocorre por implemento de idade, conforme estabelece a Emenda Constitucional Estadual nº 26/2020, e tem efeito a partir de 4 de novembro de 2024.

O magistrado estava afastado do cargo desde dezembro do ano passado, após conceder habeas corpus ao empresário Cézar Paulo de Morais Ribeiro, apontado como líder de uma organização criminosa. A decisão de Jefferson Assis foi tomada no dia 2 de dezembro de 2024, durante um plantão judiciário, e determinou a liberação do empresário do Conjunto Penal de Salvador, sob o argumento de que ele necessitava de tratamento cardiológico.

Na decisão, o desembargador afirmou que a medida era necessária para garantir o direito à saúde e à vida do réu. “A concessão de prisão domiciliar se apresenta como medida necessária e proporcional para que o paciente receba o tratamento especializado que sua condição exige, assegurando o respeito aos direitos fundamentais e a preservação de sua vida”, diz o documento.

O caso passou a ser investigado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). No dia 7 de janeiro de 2025, membros do CNJ, acompanhados de agentes da Polícia Federal, estiveram no gabinete de Jefferson Assis, no TJ-BA, para recolher documentos que possam auxiliar nas apurações. O processo corre sob sigilo.

Politica Livre

Matança no Rio: Moraes manda Castro 'preservar elementos da perícia e dar acesso à Defensoria Pública'

 Ministro do STF, relator da 'ADPF das Favelas', colocou fim nas arbitrariedades que o governo do bolsonarista vem cometendo em relação à operação policial na qual 121 pessoas morreram

Por JB JURÍDICO com Revista Fórum
redacao@jb.com.br

Publicado em 03/11/2025 às 08:13

Alterado em 03/11/2025 às 08:16


Moraes enquadrando Castro Foto: Ansa/Epa


Por Henrique Rodrigues - Em decisão proferida neste domingo (2), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ordenou ao governo do Rio de Janeiro que mantenha intactos todos os vestígios relacionados à operação policial realizada nas comunidades da Penha e do Complexo do Alemão, na zona norte da capital fluminense. A ação, deflagrada na terça-feira (28) para cumprimento de mandados de prisão e busca e apreensão, resultou em 121 mortes, incluindo quatro agentes de segurança.

Relator da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) das Favelas, Moraes atendeu solicitação apresentada pela Defensoria Pública da União (DPU) na quinta-feira (30). O pedido visava garantir a integridade das provas periciais e o direito de realizar contraprovas, especialmente após a Defensoria Pública estadual ter sido impedida de acompanhar in loco os exames cadavéricos.

Na determinação, o ministro enfatizou a necessidade de preservar "todos os elementos materiais" da operação, "como perícias e respectivas cadeias de custódia", para permitir o controle e a verificação da conduta policial pelo Ministério Público. Ele também assegurou o acesso irrestrito da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro a esses materiais.

Moraes recordou que, no julgamento da ADPF das Favelas, o STF já havia estabelecido diretrizes claras para a atuação em operações policiais. Entre elas, destacou duas:

1 - "Os agentes de segurança e profissionais de saúde do Estado do Rio de Janeiro devem preservar todos os vestígios de crimes possivelmente cometidos em operações policiais, de modo a evitar a remoção indevida de cadáveres sob o pretexto de suposta prestação de socorro e o descarte de peças e objetos importantes para a investigação".

2 - "Os órgãos de polícia técnico-científica do Estado do Rio de Janeiro devem documentar, por meio de fotografias, as provas periciais produzidas em investigações de crimes contra a vida, notadamente o laudo de local de crime e o exame de necropsia, com o objetivo de assegurar a possibilidade de revisão independente, devendo os registros fotográficos, os croquis e os esquemas de lesão ser juntados aos autos bem como armazenados em sistema eletrônico".

Para aprofundar o debate sobre a megaoperação, o ministro agendou audiência no STF para a próxima quarta-feira (5). O encontro reunirá representantes de órgãos públicos, organizações da sociedade civil e especialistas, incluindo o Conselho Nacional de Direitos Humanos, a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Alerj, o Instituto Anjos da Liberdade, a Conectas Direitos Humanos e o Laboratório de Direitos Humanos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A medida ocorre em meio a críticas do governador Cláudio Castro (PL) à ADPF das Favelas, que, segundo ele, restringiria ações contra o crime organizado. Em resposta, o ministro Gilmar Mendes utilizou suas redes sociais neste domingo (2) para esclarecer o alcance da decisão do Supremo.

De acordo com Mendes, "ao julgar a ADPF das Favelas, o Supremo Tribunal Federal não proibiu operações policiais".

"O Tribunal apenas estabeleceu parâmetros para que essas ações sejam planejadas, proporcionais e transparentes, com o objetivo de reduzir mortes e proteger vidas, tanto de civis quanto de agentes públicos", explicou.

"Por unanimidade, o STF reconheceu falhas estruturais na política de segurança fluminense e determinou medidas concretas: instalação de câmeras em viaturas e uniformes, presença de ambulâncias em operações de alto risco, restrição de ações nas proximidades de escolas e hospitais, preservação das cenas de crime e divulgação de dados sobre letalidade", concluiu o magistrado.

 

Relatório que quer tachar CV de terrorista foi entregue aos EUA por Flávio Bolsonaro

 

Por NATÁLIA VIANA, da Agência Pública
redacao@jb.com.br

Publicado em 03/11/2025 às 19:20

Alterado em 03/11/2025 às 21:15


Flávio Bolsonaro Foto: Reuters/Adriano Machado




A conspiração bolsonarista não está nada morta – e é possível que suas digitais estejam no massacre promovido por Cláudio Castro no Rio de Janeiro de pelo menos 117 pessoas, sem julgamento.

Há meses, os filhos de Jair Bolsonaro estão atuando nos EUA e no Brasil para avançar a pauta da designação, pelo governo dos EUA, de organizações criminais de tráfico de drogas ao terrorismo, o que permitiria incursões dos militares norte-americanos pelas águas e até pelo território brasileiro.

Se você não tem acompanhado o que o governo Trump tem feito no nosso continente, aqui vai um breve resumo. Desde o começo de setembro, navios e aviões militares dos EUA estão afundando embarcações que saem da Venezuela e navegam nas águas do Caribe. Trump diz poder fazer isso por ter designado a facção Tren de Aragua como terrorista. Não há provas de que os mortos sejam de fato integrantes da facção. Mas, a cada assassinato, ele corre para publicar um vídeo editado do ataque, uma peça de propaganda feita para viralizar online a partir da instrumentalização do ódio sempre reforçado pelos algoritmos – o chamado rage bait, ou “isca através do ódio”.

Até agora, foram ao menos 15 barcos afundados e 64 pessoas assassinadas, sem qualquer prova de que eram de fato narcotraficantes.

Em pelo menos um caso, a embarcação havia dado a volta e recuado, segundo apuração do New York Times. Geoffrey Corn, advogado militar que trabalhava no Exército americano, afirmou ao jornal que não há nenhuma justificativa legal para dizer que se tratou de um ato de autodefesa. “Acho que é um precedente terrível. Nós cruzamos uma linha aqui.”

No dia 23 de outubro, depois de dois ataques a barcos no Pacífico, Flávio Bolsonaro fez uma postagem com um desses vídeos compartilhados pelo Secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth. “Ouvi dizer que há barcos como este aqui no Rio de Janeiro, na Baía de Guanabara, inundando o Brasil com drogas. Você não gostaria de passar alguns meses aqui nos ajudando a combater essas organizações terroristas?”, escreveu.

Flávio depois recuou e disse que o convite se tratava de uma “invenção” da imprensa. Mas a fala foi um “apito de cachorro”, uma estratégia de manipulação online segundo o qual algo é dito e depois desdito, de maneira que a mensagem se espalhe da mesma forma para aqueles que a devem receber.

Quando fez este comentário, Flávio não era apenas um observador distante. Ele participava havia meses de uma campanha para que os EUA passem a considerar o PCC e o CV como grupos terroristas – convidando-os a vir matar gente nas nossas águas.

Em 5 de maio, Flávio se reuniu com um emissário do governo americano chamado Ricardo Pita, que integrava uma polêmica comitiva enviada pelos EUA sob liderança do coordenador de sanções da Casa Branca, David Gamble.

A imprensa, na época, martelou que a visita tinha a ver com possíveis sanções a Alexandre de Moraes, mas o governo americano, em nota, afirmou que a pauta era outra: “A missão tem como objetivo fortalecer a cooperação bilateral no enfrentamento de organizações criminosas transnacionais, bem como os programas de sanções dos EUA voltados ao combate ao terrorismo e ao tráfico de drogas, contribuindo para a proteção dos cidadãos americanos e brasileiros, em alinhamento com a agenda America First.”

A delegação visitou o Itamaraty e o Ministério da Justiça, mas iniciou sua agenda com Flávio Bolsonaro e, segundo a CNN, se reuniu também com as Secretarias de Segurança do Rio e de São Paulo.

À época, Flávio Bolsonaro afirmou à CNN que entregou um “dossiê” a Ricardo Pita, assessor sênior do Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental. Segundo Flávio contou à CNN, o dossiê fora elaborado pela secretaria de Segurança Pública do Rio a seu pedido.

“O que nós tratamos aqui é que eu pedi ao governador Cláudio Castro um relatório de inteligência sobre expansão de grupos brasileiros, em especial de tráficos de armas e drogas, mais especificamente o CV e o PCC, sobre as vinculações deles com organizações criminosas internacionais, como Hezbollah”.

Na reunião ele pediu ainda a Ricardo Pita uma viagem de parlamentares brasileiros a Washington para falar destes grupos e apresentar “como seus tentáculos chegaram também aos Estados Unidos”.

Nos EUA, Eduardo Bolsonaro disse que tratou do mesmo tema em uma reunião na Casa Branca – ele teria pedido para PCC e CV fossem considerados organizações terroristas. “Sugeri em reunião na Casa Branca medidas como essa, no combate ao crime organizado. Uma sugestão do Flávio [Bolsonaro] por sinal. A sugestão foi muito bem recebida por membros da Casa Branca”, disse à CNN, naquele mesmo dia, 5 de maio.

Três dias depois, o secretário de Estado de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Victor Santos, retomou o tema do dossiê, ao afirmar que ele seria “oficialmente” entregue a autoridades norte-americanas pelo governador Cláudio Castro. Não se tem notícia se isso se trata do mesmo dossiê ou de outro relatório, feito pelo mesmo setor de inteligência com o mesmo objetivo.

Segundo O Globo, Victor Santos afirmou que um relatório produzido pelas inteligências das polícias Militar e Civil do Estado seria entregue durante a visita da comitiva de David Gamble ao Rio em mais um pedido para a designação nos EUA. “Temos narcoterroristas no Rio”, disse, listando a utilização de civis “como escudos humanos”, o impedimento de serviços públicos e os tribunais do tráfico como atos terroristas.

“Temos o total apoio do governador Cláudio Castro, que é um entusiasta dessa articulação. O princípio do pacto federativo dá legitimidade ao governador para buscar essa declaração junto aos americanos”, disse.

Dias depois, em 9 de maio, Cláudio Castro arrumou as malas rumo a Nova York, onde se reuniu com autoridades da Divisão da Agência de Controle de Drogas (DEA) e o Escritório das Nações Unidas para Assuntos de Desarmamento (UNODA). O objetivo expresso da viagem era “firmar parcerias no enfrentamento ao tráfico de drogas e armas”.

Vamos ao que se sabe sobre o relatório, obtido pela coluna de Malu Gaspar no O Globo, de nome “Análise Estratégica: Inclusão do Comando Vermelho nas listas de sanções e designações dos EUA”. Nele, a gestão Castro argumenta que o Comando Vermelho cabe nos critérios estadunidenses para designação como organização terrorista por causa da sua “crescente sofisticação, transnacionalidade e brutalidade”. O principal argumento é que a designação poderia facilitar pedidos de extradição de chefes do CV refugiados em países como Paraguai e parcerias com Interpol, DEA e FBI, além de sanções econômicas.

Para o governo Lula, há mais caroço neste angu. Bancos e empresas brasileiras que tivessem qualquer vínculo com essas organizações – mesmo sem saber – poderiam ser sancionadas, assim como a designação poderia atrair penalidades por “omissão” no combate a esses grupos. Fora, claro, o risco de envio de navios à nossa costa pra atirar em gente em barquinhos.

Tudo isso, em um contexto de retaliações já ativas pelos EUA contra nossa economia por ter investigado, julgado e condenado Jair Bolsonaro, aumentaria o potencial de interferência norte-americana.

O tal “consórcio da paz”, formado por governadores de direita para apoiar a designação de traficantes como terroristas, deve ser lido, desta maneira, não apenas como uma aliança eleitoreira, mas uma sinalização clara ao governo dos EUA.

Dentre os “presidenciáveis” afiliados, destacou-se a rapidez com que Tarcísio de Freitas articulou com seu secretário de segurança pública, o capitão Guilherme Derrite – responsável pelo assassinato de 28 pessoas na baixada santista através da Operação Escudo – uma licença do cargo para relatar o projeto de lei 1283/2025, que enquadra organizações de narcotráfico como terroristas na Câmara dos Deputados. O projeto diminui o papel da Polícia e da Justiça federais na investigação e julgamento do crime de terrorismo, empoderando polícias civis e tribunais estaduais e pode incluir militares no combate ao narcotráfico.

Derrite deve substituir o deputado Nikolas Ferreira (PL-SP), que é o atual relator do texto, e tem, além da marca pessoal de Tarcísio, a grande vantagem de ter sangue nas mãos. Ele já se reuniu na quarta-feira passada (29/10) com o presidente da Câmara, deputado Hugo Motta para tratar do texto.

Quando ocorre uma megaoperação policial, em especial uma que vem a ser a mais mortal da história do Brasil, uma das primeiras perguntas que devemos fazer é: por que agora? É uma das perguntas que, até hoje, segue sem resposta.

Sabemos que a Operação ocorreu em meio a vitórias diplomáticas do governo Lula e à aproximação com Donald Trump.

A ação correu, ainda, um mês antes da Cúpula das Américas, onde, segundo informa o colunista do UOL Jamil Chade, Donald Trump pretende pressionar países latino-americanos a adotarem um comunicado conjunto afirmando que os narcotraficantes são terroristas – ampliando para todo hemisfério a carta branca que os EUA deram a si mesmo nas águas do Caribe e do Pacífico.

O governo Trump já vem colecionando vitórias no continente. Peru e Equador, segundo Jamil Chade, já declararam que vão apoiar a proposta de Trump. Na semana passada, a Argentina de Milei (que recebeu de Trump um presentinho de 20 bilhões de dólares) já designou oficialmente o CV e o PCC como organizações terroristas. O Paraguai fez o mesmo.

Tenha sido arquitetada com esse fim ou não, fato é que a operação de Cláudio Castro funcionou também, ela mesma, como um “apito de cachorro” para a administração americana, alertando que, se o governo Trump quer um governo que seja subserviente à sua política de matança em outros países do continente, só existe uma turma a ser apoiada nas eleições de 2026 – a dos bolsonaristas.

 

Natalia Viana é colunista da Agência Pública

segunda-feira, novembro 03, 2025

Mudança de turma de Luiz Fux é movimento político, não jurídico, diz professor da UFF

 

Publicado em 3 de novembro de 2025 por Tribuna da Internet


Brasil aposta em negociação direta para desmontar tarifaço e evitar concessões sensíveis



PT lidera ranking global da Nexus que analisa relevância nas redes sociais entre partidos políticos

 

 

PT lidera ranking global da Nexus que analisa
relevância nas redes sociais entre partidos políticos

 

O Partido dos Trabalhadores (PT) lidera globalmente o Índice de Relevância nas Redes da Nexus (IR² Nexus) entre os 29 partidos políticos registrados no Brasil na atualidade.

 

No Score Global, o PT alcançou média de 93,3 pontos - em escala que vai de 0 a 100 - quase o dobro do segundo colocado Partido Liberal (PL), com 54,1 pontos.

 

Além de liderar o Score Global, que consolida o desempenho de todas as plataformas, o PT também ficou em primeiro lugar em todas as redes sociais individualmente.

>>>> Confira aqui a íntegra do levantamento.

Abaixo, outros recortes disponíveis do estudo:

 

1. Federações: Federação Brasil da Esperança quase gabarita ranking da Nexus que avalia relevância nas redes;
 

2. Seguidores dos Partidos: Partidos de centro têm o maior percentual de seguidores jovens no Instagram.



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