sexta-feira, julho 11, 2025

Ciro Nogueira rebate Rui Costa por crítica a Tarcísio: “Vai trabalhar”


Ciro Nogueira diz que governo tenta culpar Congresso por suspensão do Plano  Safra | Brasil | Valor Econômico

Rui Costa é um fracasso no governo Lula, diz Nogueira

00Rafaela Gama
O Globo

O senador e presidente do PP, Ciro Nogueira (PI), rebateu pelas redes sociais o ministro da Casa Civil, Rui Costa, que criticou a postura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em relação ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos. Após o anúncio de taxas de 50% incididas sobre os produtos brasileiros, Tarcísio afirmou que a resposta do governo americano teria sido provocada pelo fato do presidente Lula ter colocado “a ideologia acima da economia”.

Em resposta, Rui Costa escreveu, em um post no X, que “lamenta” que o governador defenda uma tarifa que “penalizará a indústria e a agroindústria paulista, em vez de defender a população do seu estado e do Brasil como nação.

DISSE RUI COSTA – “É curioso: liderar a maior economia do país e, ao mesmo tempo, apoiar medidas que encarecem produtos e prejudicam a economia nacional”, disse o ministro. Ele também afirmou que é “compreensível” que Tarcísio queira agradar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mas criticou o apoio a “medidas absurdas, ilegais e imorais impostas por estrangeiros”.

Aliado do chefe do Executivo paulista, o senador Ciro Nogueira retrucou dizendo para o ministro que “sua função agora é tirar o Brasil da encrenca em que o radicalismo da diplomacia do PT enfiou o país e não ficar batendo boca com o governador de São Paulo”.

“Vai trabalhar”, acrescentou ele.

OUTRAS CRÍTICAS – O governador de São Paulo também foi criticado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que afirmou que a fala dele teria sido motivada por sua intenção de disputar contra Lula no ano que vem.

Cotado por aliados para substituir Bolsonaro nas urnas, ele tem feito acenos ao ex-presidente, incluindo a defesa de um indulto a ele em caso de condenação.

– O governador errou muito. Porque ou bem uma pessoa é candidata a presidente, ou é candidata a vassalo. E não há espaço no Brasil para vassalagem, desde 1822 isso acabou. O que está se pretendendo aqui? Ajoelhar diante de uma agressão unilateral sem nenhum fundamento econômico? – declarou o ministro em entrevista nesta quinta.

TAMBÉM GLEISI – O chefe do Executivo paulista também foi criticado pela ministra Gleisi Hoffmann, da Secretaria de Relações Institucionais, que afirmou que ele e “todos os cúmplices de Bolsonaro que aplaudem o tarifaço de Trump contra o Brasil” estariam “colocando a ideologia acima dos interesses do país”.

“Pensam apenas no proveito político que esperam tirar da chantagem do presidente dos EUA, porque nunca se importaram de verdade com o país e o povo”, declarou em uma rede social.

Com pretensão de disputar o governo do estado em 2026, o ministro Márcio França, do Empreendedorismo, escreveu que “quando Tarcísio desfilava de boné com o boné ‘Make America Great Again’, ninguém avisou que o paulista é quem pagaria a conta”. “Cuidado com as bandeiras que você carrega”, acrescentou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Depois de meses de desespero, os petistas vivem um especial momento de êxtase. Acreditam que deu certo a tentativa de culpar o Congresso pela crise fiscal do IOF e agora estão comemorando também a carta de Trump a Lula, episódio que transformou o presidente americano em algoz do Brasil e permitiu que Lula passasse por vítima. Em cima disso, os petistas acham que já ganharam a eleição, mas Trump ainda tem caras na manga, pois o Congresso americano deve aprovar sanções contra Alexandre de Moraes e reabrir as feridas dos erros do Supremo(C.N.)


Agro pede socorro a Lula após tarifaço

 

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11:26 (há 11 minutos)
para mim

Um tarifaço de 50%, um ex-presidente colocando o próprio país na lama para se salvar da prisão e uma janela rara que pode se fechar rápido.


Não estou falando da possibilidade de reeleição de Lula em 2026. Estamos falando de algo maior — e mais urgente.


É que, pela primeira vez em décadas, temos a chance de recolocar a soberania nacional no centro do debate público. E não como mero discurso — mas pelos seus impactos concretos na vida de todos nós: empregos, segurança alimentar, investimento em ciência e tecnologia, abertura de novos mercados, crescimento da indústria nacional…


A bravata de Trump para proteger os interesses de suas financiadoras — as big techs — e atacar o Brasil revelou o que o bolsonarismo sempre foi: subserviente, antinacionalista e golpista. Só isso já seria uma vitória para levarmos às próximas eleições.


Mas o tarifaço também escancarou uma ferida antiga: a dependência externa de uma elite que não se importa em manter todo o país como curral dos EUA, desde que continue lucrando com a exportação de commodities.


O agro brasileiro — que patrocinou a tentativa de golpe e financiou as candidaturas da extrema direita — agora implora socorro ao presidente Lula.


A ironia aqui é brutal. E a nossa nova reportagem mostra isso com clareza: o tarifaço de 50% anunciado por Trump vai devastar o agronegócio de estados comandados pelos aliados de Bolsonaro — Tarcísio, Zema e Caiado.


Mais do que constranger seus apoiadores, essa tentativa irracional do bolsonarismo de se salvar da cadeia vai afetar o Brasil inteiro. E quem paga a conta, como sempre, somos nós: com inflação, desemprego e comida mais cara na mesa.


Essa é a hora de virar o jogo. De parar de apenas resistir aos retrocessos que a extrema direita tem empurrado sobre todos nós e começar a construir um projeto de país soberano e desenvolvido.


E o Intercept está na linha de frente desse movimento que não se contenta em esperar que eles recuem. Nosso objetivo é avançar.

Publicamos a reportagem que mostra o papel do agro golpista na sabotagem da democracia e como agora eles mesmos colhem o que plantaram. Mostramos também como o trumpismo e o bolsonarismo trabalham juntos para atacar a justiça brasileira.

E vamos seguir investigando os interesses por trás das big techs, dos data centers, dos acordos políticos que acontecem nos bastidores para vender o Brasil a preço de banana. Mas esse trabalho precisa de fôlego.

Nessa campanha de julho precisamos arrecadar R$ 600 mil até o final do mês para garantir que essas investigações continuem e se aprofundem.

A urgência é real. Ao doar para o Intercept, você não só financia jornalismo independente — você entra na linha de frente por um Brasil soberano, justo e verdadeiramente livre.

Se deixarmos passar, essa janela se fecha. Se agirmos agora, podemos abrir uma nova era. #ApoiarEAgir.

Obrigada,

Equipe Intercept Brasil

Ethera Labs traz ao Brasil 36 modelos de fios de PDO e scanner de veias com tecnologia inédita

Empresa aposta em inovação com insumos de alta precisão para procedimentos estéticos como harmonização facial e tratamentos minimamente invasivos

 A Ethera Labs, empresa com experiência na importação de produtos médicos, anuncia a chegada ao Brasil de 36 modelos de fios de sustentação facial em PDO (Polidioxanona) e de um scanner de veias com projeção em tempo real, tecnologias que prometem ampliar a segurança, a personalização e a eficácia de procedimentos como a harmonização facial — um dos mais procurados no país atualmente.

Os fios de PDO são amplamente utilizados para redefinir os contornos do rosto, combater a flacidez e promover o rejuvenescimento da pele de forma não invasiva. Após intensas pesquisas em países de referência, como Coreia do Sul, China e Europa, a Ethera Labs desenvolveu um portfólio exclusivo com 36 variações do produto, que atendem a diferentes tipos de pele, proporções faciais e necessidades clínicas.

“Visitamos mais de dez fábricas na Coreia, participamos de workshops técnicos e criamos um catálogo altamente adaptável à diversidade estética brasileira”, afirma Daniel Trecenti Santos, sócio da empresa.

Sob a marca E.lifter, os fios de PDO da Ethera Labs contam com cânulas nos formatos W, L e U, agulhas finas e espículas de alta tração, garantindo qualidade e versatilidade. Todos os modelos seguem padrões internacionais de boas práticas de fabricação.

A Dra. Polyana Antunes, biomédica esteta especialista em fios de PDO e harmonização facial, comenta: “A possibilidade de escolher entre 36 modelos permite ao profissional oferecer um tratamento mais preciso e alinhado às características individuais de cada paciente. Isso representa um avanço significativo na prática clínica”.

Outro destaque da empresa é a linha E.sense, que traz ao Brasil o scanner de projeção de veias e.viewer, uma tecnologia exclusiva no país. O dispositivo permite mapear as veias em tempo real com até oito cores de projeção, otimizando a precisão em procedimentos estéticos, hospitalares e atendimentos domiciliares.

A chegada dessas soluções ocorre em um momento estratégico: o Brasil ocupa a terceira posição no mercado global de estética, segundo dados da Euromonitor International — atrás apenas dos Estados Unidos e da China. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) aponta que são realizados cerca de 1,5 milhão de procedimentos estéticos por ano no país, com a harmonização facial liderando a lista dos mais procurados por ser menos invasiva e de rápida recuperação.

Ao oferecer tecnologia de ponta e insumos personalizados, a Ethera Labs se posiciona como uma aliada de profissionais da saúde e da estética que buscam inovação, segurança e eficiência nos tratamentos.

                          Foto Divulgação / Ethera Labs

Pauta enviada pelo Jornalista Fábio  Almeida

Relação entre Brasil e EUA vive erosão mais importante em décadas; relembre crises

 

Relação entre Brasil e EUA vive erosão mais importante em décadas; relembre crises

Por Gabriel Barnabé | Folhapress

Relação entre Brasil e EUA vive erosão mais importante em décadas; relembre crises
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Brasil e Estados Unidos têm desenhado um vaivém estratégico e ideológico que, pouco mais de 200 anos da primeira ida, parece viver a mais importante erosão dos caminhos de volta desde a redemocratização dos anos 1980. Os ataques -ou suas respectivas insinuações- do presidente Donald Trump fragilizam as relações bilaterais e esticam a corda do contato entre os países.
 

O estilingue político incendiário que o republicano usa para ameaçar o governo do presidente Lula (PT) causou espanto, mas não é a maior crise da via bilateral entre as nações -o indiscutível ponto mais baixo aconteceu quando as gestões de John F. Kennedy (1961-1963) e Lyndon B. Johnson (1963-1969) apoiaram e contribuíram com o maior ataque à democracia brasileira, o golpe de 1964.
 

Anos antes, houve ainda a virada americana no apoio a Getúlio Vargas que, em regime autoritário e depois de abrir bases militares e fornecer suprimentos estratégicos aos Aliados na Segunda Guerra, foi pressionado interna e externamente a abandonar o Estado Novo em prol de uma abertura democrática brasileira.
 

Ainda assim, o estica e puxa é constante desde o início da relação, em 1824, quando Washington reconhece a independência brasileira, e os laços diplomáticos se estabelecem. Quase dois séculos depois, com o crescente desgaste promovido por Trump -de 2017, quando primeiro tomou posse, a 2025, quando provoca caos na ordem mundial liderada pelos EUA-- o americano demonstra alinhamento ao que viu de perto entre 2019 e 2020: a retórica de ataque ao sistema eleitoral e às instituições democráticas do então presidente Jair Bolsonaro (PL).
 

A derrocada observada agora, com o embate entre Lula e Trump, que se cultivou durante esse período, vem depois de cerca de quatro décadas em que Brasil e EUA buscaram construir um respeito mútuo. Desde a última retomada democrática brasileira, iniciada em 1985, foram quase trinta anos de rearranjos internos e diplomáticos que permitiram um desenvolvimento comercial e institucional paralelo e concomitante.
 

Foi em 2013 que os sucessivos saldos positivos tiveram um revés. O site WikiLeaks divulgou informações confidenciais da Agência Nacional de Segurança dos EUA (NSA, na sigla em inglês) que revelavam espionagem americana contra a então presidente Dilma Rousseff, seus assessores, ministros e a Petrobras.
 

O imbróglio foi gradualmente superado depois de Dilma adiar uma visita oficial ao então presidente Barack Obama, que justificou a espionagem falando em supostos alvos terroristas, e meses depois revisou protocolos da NSA para, em teoria, salvaguardar aliados. Sem retaliação formal, assim permaneceram EUA e Brasil: aliados.
 

A próxima inflexão chegaria anos depois, com as eleições de Trump, em 2016, e Bolsonaro, em 2018. Alinhados ideologicamente, as tradições diplomáticas institucionalizadas deram lugar a uma relação quase pessoal e, a posteriori, intransferível. Pautas conservadoras, negacionismo ambiental e discurso antiglobalista tomaram o lugar e semearam o que, de volta à Casa Branca, em 2025, Trump torna a evocar.
 

O pequeno trecho temporal -2023 e 2024- em que Lula observou ao norte o democrata Joe Biden como homólogo serviu como uma tentativa de reiniciar as relações diplomáticas equilibradas que, décadas antes, as nações buscaram construir. O retorno do republicano ao poder, porém, esfacelou os esforços.
 

Para especialistas, Donald Trump assume uma postura combativa e com frágil lastro diplomático ao repetidamente ameaçar históricos aliados com tarifas comerciais que, segundo críticos, mais refletem seu alinhamento ideológico do que protegem sua autoridade nacional. Lula, por outro lado, aposta na defesa da soberania para se respaldar e tentar evitar danos maiores à economia. A tensão da corda tem aumentado, e a diplomacia parece ser a maneira possível de desescalada.
 

 

Lula diz que 'loucos' não voltarão a governar país e alfineta Tarcísio por 'chapeuzinho de Trump'

 

Lula diz que 'loucos' não voltarão a governar país e alfineta Tarcísio por 'chapeuzinho de Trump'
Foto: Marcelo Camargo / EBC

O presidente Lula (PT) afirmou nesta quinta-feira (10) que o grupo político que o antecedeu não voltará a governar o Brasil. Na mesma fala, o petista alfinetou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), por responsabilizar a gestão atual pela sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros anunciada pelo presidente americano Donald Trump.
 

"Uma coisa eu posso dizer. Os loucos que governaram esse país não voltam mais", disse.
 

"O Tarcísio pode tirar. Não vai tentar esconder o chapeuzinho do Trump, não, Tarcísio. Pode ficar mostrando para a gente também quem você é. Porque está cheio lobo com pele de carneiro", afirmou.
 

As declarações foram feitas em entrevista à TV Record.
 

Nesta quinta, o governador de São Paulo admitiu o "impacto negativo para São Paulo" da medida anunciada por Trump e voltou a culpar o presidente Lula pela medida. Tarcísio, que é aliado do ex-presidente e já postou vídeo usando boné com o slogan do republicano, tornou-se um dos principais alvos da base lulista.
 

A sobretaxa foi divulgada por Trump nesta quarta-feira em em uma carta na qual afirma que Jair Bolsonaro (PL) sofre uma "caça às bruxas" que precisa ser encerrada "imediatamente".
 

Na mesma entrevista, Lula chamou de afronta ao país a carta publicada por Donald Trump em que o americano anuncia a sobretaxa de 50%. O petista afirmou que, primeiro, tentará negociar as tarifas -mas que, se isso não funcionar, será colocada em prática a reciprocidade.
 

Ele disse que o americano demonstra desconhecer a relação comercial entre os dois países, que o republicano precisa respeitar a Justiça e que as empresas de tecnologia devem obedecer às leis brasileiras.
 

Os principais produtos importados pelo Brasil dos EUA são motores e máquinas, óleo combustível, aeronaves e gás natural, além de medicamentos.
 

Lula também afirmou que vai criar um comitê para acompanhar o dia a dia da política comercial com os Estados Unidos.
 

"Aos empresários brasileiros, nós vamos criar um comitê, um gabinete para repensar a política comercial brasileira com os Estados Unidos. Eu quero que o Trump cuide dos Estados Unidos para os americanos. Eu quero que os americanos melhorem de vida. Eu quero que os americanos vivam democraticamente. Só respeite o direito de o brasileiro também viver. Do jeito que você gosta, do povo americano, eu gosto do povo brasileiro. Eu sou brasileiro, gosto do Brasil e não desisto nunca", disse.

OAB-BA levará ao CNJ caso de juiz que bateu boca com advogado após decisão do Pleno

 

OAB-BA levará ao CNJ caso de advogado ofendido por magistrado
Foto: Reprodução / Redes Sociais

A Ordem dos Advogados do Brasil, seção Bahia (OAB-BA) anunciou que vai levar o caso do juiz Carlos Carvalho Ramos de Cerqueira Júnior, magistrado envolvido em um bate boca com o advogado Antônio André Mendes Oliveira, ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), após decisão do Pleno do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) que rejeitou, na última quarta-feira (9), por 39 votos a 14, a abertura de Processo Administrativo Disciplinar (PAD) do magistrado.

 

Em sustentação oral na sessão, o gerente da Procuradoria Jurídica e de Prerrogativas da OAB-BA, Edgard Freitas, argumentou que o magistrado feriu o dever de urbanidade ao proferir ofensas contra o advogado, e que, mesmo no contexto da discussão pública entre o advogado e juiz, os xingamentos proferidos pelo magistrado eram inaceitáveis e feriam a dignidade de ambas as carreiras jurídicas. A tese foi acolhida por 14 desembargadores, que votaram pela abertura do PAD. 

 

No entanto, a maioria do Pleno seguiu o voto divergente da desembargadora Rosita Falcão Maia, que considerou que "o magistrado agiu em retorsão" a um comportamento "agressivo e descortês" do advogado. 

 

A OAB Bahia, diante da decisão, afirmou que vai levar o caso ao CNJ. "Há indícios mais que suficientes de violação à ética judicial. A urbanidade é dever inegociável e recíproco. Não há hierarquia entre magistrados e advogados: ambos exercem função pública essencial para a administração da justiça. Mas para além, o magistrado representa a autoridade do Estado, por esta razão se exige um dever redobrado de observar os deveres éticos", afirmou Edgard Freitas.

Lula critica tarifas unilaterais e cobra reconstrução do multilateralismo em artigo publicado internacionalmente

 

Lula critica tarifas unilaterais e cobra reconstrução do multilateralismo em artigo publicado internacionalmente
Foto: Marcelo Camargo / EBC

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) publicou um artigo em diversos jornais internacionais nesta quinta-feira (11) no qual alerta para os riscos das tarifas unilaterais sobre o comércio global e defende a reconstrução urgente das bases do multilateralismo. Sem citar diretamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o texto foi divulgado um dia após a Casa Branca anunciar a aplicação de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, medida que elevou tensões no comércio bilateral.

 

Segundo Lula, ações unilaterais e tarifas abrangentes ameaçam a estabilidade da economia global, interrompem cadeias de valor e contribuem para o aumento da inflação e estagnação do crescimento econômico. “A lei do mais forte ameaça o sistema multilateral de comércio. Tarifas abrangentes interrompem cadeias de valor e empurram a economia global para uma espiral de preços altos e estagnação. A Organização Mundial de Comércio foi esvaziada”, escreveu.

 

Intitulado “Com o mundo em crise, muitos dizem que é o fim da globalização. Eu digo que isso seria um erro”, o artigo foi publicado simultaneamente em jornais da China, Argentina, Inglaterra, Japão, Itália, Espanha, Alemanha, França e México. Nele, o presidente brasileiro argumenta que, apesar das crises, o caminho não é abandonar a globalização, mas sim reformulá-la com bases mais inclusivas.

 

“O mundo de hoje é diferente do de 1945”, escreveu Lula, ao se referir à criação da Organização das Nações Unidas (ONU). “Novas forças têm emergido e novos desafios têm surgido. Se as organizações internacionais parecem sem efetividade, é porque a estrutura delas não mais reflete a realidade atual. Ações unilaterais e excludentes estão piorando pela ausência de uma liderança coletiva.”

 

Lula também critica abertamente a inação da comunidade internacional frente aos conflitos armados, com destaque para a guerra na Faixa de Gaza, a qual classificou como “genocídio”. “A falha em agir frente ao genocídio em Gaza representa uma negação aos valores mais básicos da humanidade. A incapacidade de superar diferenças está preenchendo uma nova escala de violência no Oriente Médio, cujo último capítulo inclui os ataques ao Irã.”

 

No texto, Lula refuta o conceito de “desglobalização” como solução para os problemas atuais. “Em tempos de crescente polarização, termos como ‘desglobalização’ se tornaram lugar-comum. Mas é impossível ‘desplanetizar’ nossa existência compartilhada. Nenhum muro é alto o suficiente para preservar ilhas de paz e prosperidade rodeadas por violência e miséria.”

 

A publicação termina com um novo apelo à reconstrução do sistema multilateral. “A solução para a crise do multilateralismo não é abandoná-lo, mas reconstruí-lo em fundações mais inclusivas e justas”, defende o presidente, em mais um posicionamento em favor de reformas nas estruturas globais de governança e cooperação.

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