sexta-feira, julho 11, 2025

Lula critica tarifas unilaterais e cobra reconstrução do multilateralismo em artigo publicado internacionalmente

 

Lula critica tarifas unilaterais e cobra reconstrução do multilateralismo em artigo publicado internacionalmente
Foto: Marcelo Camargo / EBC

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) publicou um artigo em diversos jornais internacionais nesta quinta-feira (11) no qual alerta para os riscos das tarifas unilaterais sobre o comércio global e defende a reconstrução urgente das bases do multilateralismo. Sem citar diretamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o texto foi divulgado um dia após a Casa Branca anunciar a aplicação de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, medida que elevou tensões no comércio bilateral.

 

Segundo Lula, ações unilaterais e tarifas abrangentes ameaçam a estabilidade da economia global, interrompem cadeias de valor e contribuem para o aumento da inflação e estagnação do crescimento econômico. “A lei do mais forte ameaça o sistema multilateral de comércio. Tarifas abrangentes interrompem cadeias de valor e empurram a economia global para uma espiral de preços altos e estagnação. A Organização Mundial de Comércio foi esvaziada”, escreveu.

 

Intitulado “Com o mundo em crise, muitos dizem que é o fim da globalização. Eu digo que isso seria um erro”, o artigo foi publicado simultaneamente em jornais da China, Argentina, Inglaterra, Japão, Itália, Espanha, Alemanha, França e México. Nele, o presidente brasileiro argumenta que, apesar das crises, o caminho não é abandonar a globalização, mas sim reformulá-la com bases mais inclusivas.

 

“O mundo de hoje é diferente do de 1945”, escreveu Lula, ao se referir à criação da Organização das Nações Unidas (ONU). “Novas forças têm emergido e novos desafios têm surgido. Se as organizações internacionais parecem sem efetividade, é porque a estrutura delas não mais reflete a realidade atual. Ações unilaterais e excludentes estão piorando pela ausência de uma liderança coletiva.”

 

Lula também critica abertamente a inação da comunidade internacional frente aos conflitos armados, com destaque para a guerra na Faixa de Gaza, a qual classificou como “genocídio”. “A falha em agir frente ao genocídio em Gaza representa uma negação aos valores mais básicos da humanidade. A incapacidade de superar diferenças está preenchendo uma nova escala de violência no Oriente Médio, cujo último capítulo inclui os ataques ao Irã.”

 

No texto, Lula refuta o conceito de “desglobalização” como solução para os problemas atuais. “Em tempos de crescente polarização, termos como ‘desglobalização’ se tornaram lugar-comum. Mas é impossível ‘desplanetizar’ nossa existência compartilhada. Nenhum muro é alto o suficiente para preservar ilhas de paz e prosperidade rodeadas por violência e miséria.”

 

A publicação termina com um novo apelo à reconstrução do sistema multilateral. “A solução para a crise do multilateralismo não é abandoná-lo, mas reconstruí-lo em fundações mais inclusivas e justas”, defende o presidente, em mais um posicionamento em favor de reformas nas estruturas globais de governança e cooperação.

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