quarta-feira, julho 30, 2025

Coronel diz que plano golpista era hipotético e dependia de fraudes na eleição

Publicado em 29 de julho de 2025 por Tribuna da Internet

Tenente-coronel Hélio Ferreira Lima

Lima diz que não houve fraude e o golpe se esvaziou

Mariana Muniz
O Globo

Réu na ação penal que apura a tentativa de golpe de Estado, o tenente-coronel Hélio Ferreira Lima afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o plano encontrado pela Polícia Federal, com sugestões de prisão de ministros da Corte, foi um exercício interno de simulação elaborado no âmbito da inteligência do Exército no Rio Grande do Sul — e não uma proposta operacional. O militar tem formação em Forças Especiais e integra o grupo chamado de “kids pretos”.

No interrogatório feito nesta segunda-feira, o militar disse que o chamado “Desenho Operacional Luneta”, encontrado em um pen drive apreendido em sua casa, fazia parte de um trabalho desenvolvido dentro da 6ª Divisão do Exército, em Porto Alegre. Segundo ele, tratava-se de uma antecipação de cenários, caso houvesse algum indício de fraude nas eleições presidenciais de 2022.

EM CASO DE FRAUDE — Se amanhã sair um relatório ou um pronunciamento falando ‘atenção, teve fraude sim’, eu não posso deixar meu comandante ser surpreendido. Eu tenho que ter alguma coisa para que a gente comece a discutir com o Estado-Maior — afirmou.

O documento previa, entre outras ações, a prisão de ministros do Supremo “considerados geradores de instabilidade” e a neutralização da atuação do ministro Alexandre de Moraes. O plano também mencionava a criação de gabinetes de crise e a realização de novas eleições.

Para Ferreira Lima, no entanto, a interpretação feita pela Procuradoria-Geral da República (PGR) é equivocada.

MISSÃO PROSPECTIVA – O tenente-coronel sustenta que sua função na área de inteligência envolvia justamente a produção de cenários prospectivos — e que o plano nunca foi validado por seus superiores.

— É um cenário totalmente hipotético. Ele não fala em eliminar ninguém. É amparado por normas legais — disse. — Eu não estava fazendo nada oculto. Surgiu de uma conversa com meu comandante. Quando fui apresentar para ele, a prioridade já era outra. Ele mandou eu abandonar isso. Nem abriu o computador.

De acordo com o militar, o plano foi deixado de lado após determinação do chefe da inteligência da 6ª Divisão, que teria orientado o foco para outras demandas, como o acompanhamento das manifestações em frente ao quartel em Porto Alegre.

É PROVA OU NÃO? – A PGR, por outro lado, afirma que o documento é prova de que havia planejamento prévio para a atuação do núcleo militar da tentativa de golpe. A denúncia sustenta que a proposta fazia parte de uma articulação maior, que ia da contestação do resultado eleitoral à execução de ações de ruptura institucional.

Ferreira Lima também afirmou ao STF que não despachou o plano com superiores e que qualquer eventual aplicação dependeria de chancela de um general, o que, segundo ele, nunca ocorreu.

Com formação em Forças Especiais, o tenente-coronel é apontado como integrante do grupo conhecido como “kids pretos”, formado por oficiais da ativa próximos do ex-ajudante de ordens da Presidência Mauro Cid. Ele virou alvo da Polícia Federal após a descoberta de mensagens consideradas golpistas trocadas com Cid.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – As Forças Armadas engolem Lula da Silva muito a contragosto. Desde o início, apoiaram o golpe, caso ficasse provado que a eleição de Lula foi fraudada. Não se provou nada e assim o golpe simplesmente feneceu. Quase três anos depois, ainda se perde tempo e dinheiro discutindo esse golpe que nunca existiu. E chamam isso de justiça. Haja saco! Às vezes me  dá uma nostalgia do Brasil que eu amava(C.N.)

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