segunda-feira, julho 28, 2025

EUA vão usar Lei Magnitsky e cassar vistos de outros membros do governo

Publicado em 27 de julho de 2025 por Tribuna da Internet

Charge | O Imparcial

Charge do Sena (O Imparcial)

Lourival Sant’Anna
Estadão

As sanções do governo dos Estados Unidos a autoridades brasileiras devem ser ampliadas nos próximos dias. Na próxima semana devem ser aplicadas sanções que vão incluir também integrantes do alto escalão do governo Lula.

No médio prazo, até a expulsão da embaixadora brasileira Maria Luiza Ribeiro Viotti estaria na lista das sanções, o que representaria um rompimento de relações diplomáticas entre os dois países.

CASO DO STJ – Também haveria punições ainda mais duras a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Oito deles já perderam o visto de entrada em território americano: Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Cármen Lúcia, Luiz Roberto Barroso, Flávio Dino, Edson Fachin, Cristiano Zanin e Dias Toffoli.

 O objetivo é sancionar aqueles que têm votado pelas punições ao ex-presidente Jair Bolsonaro, aliado do presidente americano Donald Trump, e a favor da responsabilidade das plataformas de redes sociais

Agora, eles seriam alvos da Lei Magnitsky, com sanções econômicas e financeiras. Assim, bens que eles por ventura tiverem nos Estados Unidos seriam congelados. Além disso, haveria restrições a empresas e instituições que fizessem negócios com esses ministros. Com isso, o objetivo seria tentar bloquear o acesso desses integrantes do STF a serviços bancários proporcionados por empresas que façam negócio com os americanos.

OUTROS ATINGIDOS – No caso dos integrantes do governo Lula, a expectativa é de que o presidente e a primeira-dama Janja escapem da perda do visto. Contudo, integrantes do alto escaldão do Palácio do Planalto seriam afetados com a proibição de viajarem para os Estados Unidos.

O Brasil está sendo usado como experimento de um plano do governo Trump, a ser aplicado também a outros países governados pela esquerda na América Latina, como Colômbia e México. O objetivo é demonstrar a capacidade dos EUA de impor alinhamento ideológico e geopolítico nas Américas.

Empresas brasileiras que exportam para os EUA precisam negociar diretamente com autoridades e companhias americanas compromissos de investimentos e parcerias comerciais para contornar a tarifa e outras sanções.

Com o quadro, a iniciativa privada precisaria se desmarcar dos dois pólos políticos nessa briga, que não interessa a ela: Lula e Bolsonaro. Para se salvar, as empresas exportadoras devem atuar abaixo do radar político e da mídia.

NEGOCIAÇÕES – Os desfechos das negociações do Japão, Indonésia e Filipinas com os EUA indicam o caminho, com exceção do fato de que foram conduzidas pelos respectivos governos, enquanto no caso do Brasil a essência política da disputa significa que ela deve ser superada pelas empresas.

O governo americano anunciou que companhias japonesas teriam se comprometido a investir um total de US$ 550 bilhões nos setores de energia, semicondutores e farmacêutica nos EUA. Em troca, o governo Trump reduziu a tarifa sobre exportações japonesas de produtos industriais de 25 % para 15%, com aplicação recíproca.

A Casa Branca divulgou um comunicado intitulado “Restaurando o poder industrial americano”, no qual não estão detalhados os investimentos de cada empresa. Isso não é casual: os compromissos são volumosos o suficiente para servir de peça de propaganda e nebulosos o bastante para não serem cobrados no futuro. O governo japonês desmentiu as informações.

PODERIA SER PIOR – Indonésia e Filipinas, bem menos industrializadas que o Brasil, zeraram suas tarifas para produtos industriais americanos, em troca de pagar alíquotas de 19% — que não são baixas, mas os governos foram advertidos de que poderia ser pior.

O Brasil não tem essa opção, por causa da falta de diálogo político com os EUA e do protecionismo da indústria brasileira.

Os aliados potenciais dos exportadores brasileiros são importadores, atacadistas e varejistas americanos, para indicar investimentos e concessões que podem pavimentar o caminho da negociação. O importante é oferecer algo que a Casa Branca possa anunciar como resultados positivos de sua estratégia no campo comercial, para que possa ceder também nesse campo. Na esfera política, o jogo será diferente e potencialmente desastroso para o Brasil.

LEI MAGNITSKY – O pedido é embasado na Lei Global Magnitsky, legislação que permite punir estrangeiros acusados de corrupção ou violações graves de direitos humanos. Nomes de outros ministros não foram citados no pedido.

A lei foi aprovada em 2012, durante o governo de Barack Obama, e prevê sanções como o bloqueio de contas bancárias e de bens em solo norte-americano, além de visto cancelado e proibição de entrar no país.

A decisão de punir alguém embasado na legislação é do presidente dos Estados Unidos. Segundo o texto da lei Magnitsky, Trump, que tem maioria nas duas Casas legislativas americanas, precisaria apresentar provas ao Congresso das supostas violações de direitos humanos.

POSSÍVEL REVISÃO – Para ter o nome retirado da lista, o punido precisa provar que não teve ligação com as atividades ilegais que levaram à punição, que já respondeu na Justiça pelos atos ou que mudou de comportamento de forma significativa.

O próprio governo também pode retirar as sanções, caso entenda que é importante para a segurança do país.

Em destaque

Ministros do STF defendem que Moraes paute redução de pena para soltar Bolsonaro

  Ministros do STF defendem que Moraes paute redução de pena para soltar Bolsonaro Lei da Dosimetria foi aprovada em dezembro por deputados ...

Mais visitadas