segunda-feira, julho 28, 2025

Trump deu a Lula uma oportunidade para se reorganizar e ganhar apoio


Trump dá tiro no pé (direito). #trump #lula #eua #brasil🇧🇷 #tarifaço # charge #humor @bs9news

Charge do Seri (Arquivo Google)

Maria Hermínia Tavares
Folha

Confirmado para 1º de agosto, o tarifaço contra as exportações brasileiras, imposto por Donald Trump, terá efeito negativo, imediato e inevitável na economia do país. Ainda assim, seu simples anúncio engendrou uma oportunidade política única para fortalecer o governo e o jogo democrático —e colocou na berlinda a direita bolsonarista, cúmplice assumida do desastre anunciado— como, merecidamente, será julgada.

Resultados da pesquisa Genial/Quaest, divulgada na quinta-feira 17/07, ajudam a dar nitidez aos desafios tanto para o governo quanto ao bolsonarismo. A maioria dos brasileiros pensa que governo e oposição deveriam se unir em torno da defesa do país.

ALGUMAS CERTEZAS – Maioria expressiva, incluindo uma parcela dos apoiadores do ex-capitão, ficou sabendo da ameaça feita por Trump; acha que ele está errado ao propagar a falácia de que os Estados Unidos perdem ao comerciar com o Brasil; e considera que o americano não tem direito de criticar o processo no qual Bolsonaro é réu.

Porcentagem ainda maior de brasileiros acredita que as tarifas astronômicas farão suas vidas piorar. Quanto à melhor forma de enfrentar a ameaça, oito e tanto em cada dez entrevistados —sete e tanto em cada dez autoproclamados bolsonaristas— pensam que governo e oposição deveriam se unir em torno da defesa do país.

É sempre possível pensar que tamanho incentivo à convergência política se deve à natureza do problema: uma ameaça externa percebida como prepotente e capaz de prejudicar a vida de todos e cada um.

NEGOCIAÇÕES – Entretanto, dados da sondagem indicam que outros fatores ainda fomentam o apoio a soluções negociadas e que promovam a união dos brasileiros. De fato, o levantamento também tratou da reforma do Imposto de Renda, permitindo saber que os cidadãos, em peso, apoiam a proposta do governo de isentar os mais pobres e taxar os muito ricos.

Contudo, são maioria os que não gostam da retórica de pobres contra ricos, por criar “briga e polarização”. Apresentada como um dos acertos da comunicação da Presidência, a campanha que inundou as redes sociais batendo naquela tecla só é apoiada por 38% das pessoas.

Especialistas dirão que a cultura política que privilegia a negociação e a formação de consensos é mais adequada à democracia pluralista. Nela, o debatido e o negociado sempre se impõem com ganho: dois mais dois são sempre cinco. Mais ainda quando as instituições políticas impedem a existência de maioria partidária e, em consequência, de governos de um só partido, como é o caso do Brasil.

BOA OPORTUNIDADE – A grosseira prepotência de Donald Trump deu ao governo Lula a oportunidade de isolar em um canto a extrema-direita bolsonarista —aí incluídos os governadores eleitos sob suas bandeiras.

O aplauso ao tarifaço e a submissão ao interesse pequeno do golpista e de sua patética família, desqualificam os radicais de direita para dirigir o país em tempos difíceis. Tosco a mais no poder, Trump também proporcionou a um governo cujo prestígio seguia ladeira abaixo a oportunidade de assumir o comando de medidas previamente concertadas com diferentes grupos da sociedade e com as lideranças do Congresso.

Até aqui, Lula tem seguido esse roteiro —recebendo em troca o reconhecimento da opinião pública. A persistir nesse rumo, o ganho para a democracia irá muito além de possíveis dividendos eleitorais ainda incertos e não sabidos.


Em destaque

Com Tarcísio fora do jogo, Valdemar acelera plano para lançar Flávio ao Planalto

  Publicado em 28 de janeiro de 2026 por Tribuna da Internet Facebook Twitter WhatsApp Email Valdemar vai para o tudo ou nada na candidatura...

Mais visitadas