segunda-feira, julho 07, 2025

Lula decide que não vai sancionar aumento de deputados e joga desgaste para o Congresso

 Foto: Marcelo Camargo/Arquivo/Agência Brasil

O presidente Lula07 de julho de 2025 | 10:23

Lula decide que não vai sancionar aumento de deputados e joga desgaste para o Congresso

brasil

O presidente Lula bateu o martelo e não vai sancionar o projeto de lei complementar aprovado em junho pelo Congresso que aumenta de 513 para 531 o número de deputados federais.

A coluna confirmou a informação com três ministros que despacham com o presidente no Palácio do Planalto.

Uma vez decidido que não vai sancionar o projeto para que ele se transforme em lei, Lula agora estuda dois cenários: vetar a proposta, ou simplesmente lavar as mãos e deixar que ela seja promulgada pelo próprio Congresso.

Ele tem sofrido pressão de auxiliares tanto para vetar quanto para deixar o assunto nas mãos do parlamento.

Na primeira hipótese, Lula não foge do assunto, se responsabiliza diretamente por tentar barrar a proposta e faz um gesto de ampla popularidade: de acordo com o Datafolha, 76% dos brasileiros são contra o aumento no número de deputados.

Por outro lado, a indisposição do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos – PB), com o governo aumentará. Ele comandou a votação e defende com veemência o aumento no número de parlamentares.

Se Lula barrar a proposta, o Congresso terá que derrubar o veto dele para que ela seja implementada.

Na segunda hipótese — não vetar a proposta, mas apenas não sancioná-la, deixando a promulgação nas mãos do Congresso— Lula não usufruirá das glórias do veto. Mas, por outro lado, evitará mais um confronto direto com o parlamento.

Um ministro que despacha diretamente com Lula diz que o presidente está recebendo conselhos para os dois lados. Mas que, se dependesse de sua única vontade, ele vetaria.

Um outro ministro afirma que “o povo” está esperando pelo veto, mas que Lula precisa ponderar o tamanho da briga que vai comprar com o parlamento. A Congresso, no entanto, não teria moral para reagir, já que também tem derrubado medidas de Lula.

Por outro lado, nada fazer passaria a impressão de um presidente “frouxo”, que não tem coragem de tomar a decisão correta e de acordo com sua consciência.

Deputados do PT fazem pressão pelo veto. “Lula deveria vetar. Não é o caso de se omitir”, diz o deputado Rui Falcão (PT-SP). “O povo depois julga quem está com a razão”.

Apoiador do presidente, o coordenador do grupo Prerrogativas, Marco Aurélio de Carvalho, diz que é “fundamental que o presidente utilize o direito de vetar para, a partir disso, promover um amplo debate sobre o assunto”.

“O Presidente Lula tem muita sensibilidade. Sabe capturar o sentimento do povo. E, neste caso, não há dúvida alguma. O sentimento é de repulsa. Com o veto, abre-se um espaço importante para reflexão”, afirma o advogado.

Mônica Bergamo/Folhapress

Moraes media conflito sobre o IOF e evita crise entre os Poderes

Publicado em 6 de julho de 2025 por Tribuna da Internet

Moraes determinou a realização de uma audiência de conciliação

Pedro do Coutto

O gesto do ministro Alexandre de Moraes ao determinar uma audiência de conciliação entre o Poder Executivo e o Congresso Nacional sobre o decreto presidencial que elevaria o IOF foi mais do que uma decisão jurídica — foi um movimento político habilidoso. Recorrendo a uma figura típica da legislação trabalhista, Moraes encontrou uma forma de conter o desgaste entre os Poderes e sinalizar maturidade institucional.

Marcada para o próximo dia 15, essa audiência cria espaço para que Executivo e Legislativo construam uma solução intermediária, capaz de atender aos interesses do presidente Lula da Silva e do deputado Hugo Motta, que liderou a reação parlamentar contra o decreto presidencial.

ARRECADAÇÃO – A crise teve início quando o governo Lula editou um decreto elevando as alíquotas do IOF sobre operações de crédito, como parte de uma tentativa de reforçar a arrecadação. A reação na Câmara foi imediata. Considerando o decreto como inadequado e injustificado, o deputado Hugo Motta articulou a aprovação de uma resolução que suspendeu os efeitos do ato presidencial.

A decisão do Congresso foi recebida pelo Planalto como uma afronta à autonomia do Executivo, deflagrando um embate institucional que rapidamente chegou ao Supremo Tribunal Federal. O pano de fundo dessa disputa é a delicada fronteira entre os poderes de legislar e de regulamentar, tema que há anos suscita divergências entre juristas e políticos.

Ao optar por uma audiência de conciliação, Moraes evitou um enfrentamento direto e demonstrou sensibilidade política. Embora o instrumento seja mais comum em ações trabalhistas, sua adoção no campo constitucional serviu como ferramenta de apaziguamento. O gesto agradou aos dois lados: Lula ganhou tempo e espaço para reorganizar sua estratégia, e Motta viu consolidada, ao menos por ora, a validade da reação do Parlamento.

AJUSTE – A expectativa é de que o encontro do dia 15 resulte em uma síntese: um novo decreto ajustado por parte do Executivo e uma sinalização de respeito às prerrogativas do Legislativo. Apesar do tom conciliador, é difícil ignorar que o Legislativo saiu na frente. A anulação do decreto presidencial permanece em vigor e, na prática, o Congresso impôs um recuo ao governo.

Motta, inclusive, se antecipou ao presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Davi Alcolumbre, que ainda não havia tomado posição definitiva. Com isso, consolidou protagonismo e ampliou a influência do Parlamento em temas sensíveis da agenda econômica. A articulação bem-sucedida de Motta mostra que o Congresso está disposto a ocupar espaços de poder que antes eram deixados à margem do debate, sobretudo em matéria tributária.

MODERADOR – O episódio também revela um STF cada vez mais confortável no papel de moderador político. Essa função, embora não descrita formalmente na Constituição, tem sido assumida pela Corte em diversos momentos da vida nacional, especialmente quando os conflitos entre os Poderes ameaçam paralisar o funcionamento do Estado. Moraes, nesse contexto, não apenas interpretou a lei, mas interferiu para preservar o equilíbrio institucional e evitar uma crise maior.

A decisão de buscar a conciliação é, portanto, um gesto que aponta para a importância do diálogo em tempos de tensão. Em um país que vive constantes sobressaltos políticos, mudanças abruptas no sistema tributário, como a elevação do IOF, não podem ocorrer sem o respaldo de um amplo consenso.

O dia 15 deverá marcar não apenas o desfecho de um impasse técnico, mas também um teste de maturidade institucional. Que desse encontro saia mais do que um acordo sobre alíquotas: que se fortaleça a prática democrática de resolver conflitos com conversa, e não com imposições.


Sanções a Moraes: a farsa internacional de Eduardo Bolsonaro


A retórica inflamada de Eduardo tem erros técnicos grosseiros

Marcelo Copelli
Revista Fórum

O deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), numa estratégica tentativa de ocupar as manchetes dos noticiários e mobilizar as bases bolsonaristas, prometeu, em solo norte-americano e em tom de espetacularização, que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, seria alvo de sanções dos Estados Unidos, a serem aplicadas pelo governo Trump, entre o fim de maio e o início de junho. O prazo, como era previsível, não foi cumprido.

Eduardo justificou o afastamento de seu mandato por meio de um discurso ornamentado por questionáveis vestes diplomáticas, engajando-se em uma campanha junto a parlamentares republicanos e membros da extrema-direita americana para convencer o governo dos EUA a enquadrar Moraes na Lei Global Magnitsky — legislação que permite sanções unilaterais contra indivíduos acusados de corrupção ou violações graves de direitos humanos.

DESINFORMAÇÃO – Em tom de bravata, Eduardo Bolsonaro — que, quando mais jovem, fez intercâmbio “fritando hambúrguer no frio do Maine” — afirmou que Moraes “não poderia nem usar um cartão de crédito”, dramatizando o suposto alcance das sanções. O problema, contudo, é que essas declarações, além de juridicamente frágeis, beiram o terreno da desinformação deliberada — conhecido cenário em que trilha a única e desgastada linha de ação política que norteia e municia o seu clã familiar.

A Lei Magnitsky, sancionada nos Estados Unidos em 2016, foi criada para punir indivíduos responsáveis por violações sistemáticas de direitos humanos e atos de corrupção significativa. Sua aplicação, até hoje, esteve associada a regimes autoritários — como os da Rússia, Venezuela, China e Mianmar —, contextos em que perseguições, torturas, execuções extrajudiciais e censura institucionalizada são comprovadamente praticados.

A tentativa de aplicar essa legislação contra um ministro da Suprema Corte brasileira, com base em decisões judiciais amparadas pelo próprio sistema legal do país, representa um desvio gritante da finalidade da lei. No discurso de setores extremistas, porém, essa distorção é intencional, servindo para alimentar uma narrativa de perseguição e produzir falsas expectativas.

DETURPAÇÃO – Ao tratar Alexandre de Moraes como um “violador de direitos humanos” digno de sanção internacional, Eduardo Bolsonaro deturpa conceitos jurídicos e omite que o ministro tem atuado no combate a milícias digitais, à disseminação de desinformação e à tentativa de subversão institucional promovida por aliados do bolsonarismo.

As decisões de Moraes podem — e devem — ser analisadas no campo jurídico, dentro dos limites democráticos. O debate sobre a atuação do STF é legítimo. Porém, reduzi-las a violações de direitos humanos num cenário autoritário é uma falácia sem qualquer respaldo técnico.

Em entrevista ao Financial Times, Eduardo chegou a afirmar que havia “85% de chance” de as sanções se concretizarem — uma estimativa tão arbitrária quanto infundada, usada para animar seus correligionários com a sensação pueril de uma vitória no campo internacional.

USO POLÍTICO – A retórica inflamada vem acompanhada de erros técnicos grosseiros, e o uso político da Lei Magnitsky por Eduardo Bolsonaro revela, mais uma vez, uma tentativa de instrumentalizar a diplomacia americana para atacar instituições brasileiras. A ironia é que o mesmo grupo que costuma defender a soberania nacional e a não interferência estrangeira agora clama por intervenção externa para resolver disputas internas de poder.

O gesto não é apenas contraditório, mas perigosamente corrosivo. Ao internacionalizar um conflito institucional brasileiro, Eduardo Bolsonaro tenta legitimar a retórica antidemocrática que vem sendo usada desde a derrota eleitoral de 2022. A aposta é clara: gerar constrangimento ao STF, enfraquecer a imagem institucional do Brasil e manter acesa a chama do bolsonarismo internacionalizado, sobretudo junto à ala trumpista nos Estados Unidos.

No fundo, trata-se de mais um capítulo da já conhecida política do espetáculo: manchetes ruidosas, promessas fantasiosas e nenhum resultado concreto. Enquanto isso, a desinformação continua sendo alimentada, viciando o debate público e criando tensões artificiais entre poderes, entre nações e entre brasileiros. A democracia, por sua vez, segue sendo testada — e, por enquanto, resistindo.


" Gilmarpalooza”! Câmara paga despesas de 30 dos 44 deputados que quiseram ir


Charge 25/06/2024

Charge do Marco Jacobsen (Arquivo Google)

Weslley Galzo
Estadão

O ‘Gilmarpalooza’, apelido dado ao Fórum de Lisboa organizado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, levou 44 deputados em missão oficial de Brasília para a capital de Portugal nesta semana.

Dentre os parlamentares, 30 solicitaram que a viagem fosse com “ônus” à Câmara. Ou seja, a Casa vai arcar com todas as despesas, como hospedagem, deslocamento e custos adicionais. (veja ao final do texto a lista de deputados custeados pela Câmara). A lista foi divulgada pela própria Câmara a partir de um pedido de Lei de Acesso à Informação feito pelo Estadão. Procurada, a direção da Casa não quis se manifestar.

NOTAS FISCAIS – Os deputados que pediram o ressarcimento das despesas serão reembolsados após a apresentação das notas ficais. Por isso, ainda não é possível estimar quanto o deslocamento em massa de parlamentares a Lisboa custou aos cofres públicos.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), está entre os deputados que solicitaram o reembolso dos valores. Na lista dos viajantes, também figuram seis parlamentares que são parte em processos no STF: Arthur Lira (PP-AL), Elmar Nascimento (União Brasil-BA), Luís Tibé (Avante-MG), Paulinho da Força (Solidariedade-SP), Rodrigo Gambale (Podemos-SP), Baleia Rossi (MDB-SP).

Como mostrou o Estadão, o Senado vai custear a ida de seis senadores ao evento. O afastamento de parlamentares do País precisa ser comunicado às Mesas Diretoras da Câmara e do Senado, a quem cabe autorizar a ida dos solicitantes.

HÁ DUAS MANEIRAS – Os deputados e senadores podem optar por duas formas de deixar o País: em missão oficial, representando a Casa da qual faz parte, ou apenas como participantes em determinado evento, o que também exige comunicação ao comando do órgão.

Os parlamentares ainda podem escolher se desejam deixar o País com ou sem ônus à instituição da qual fazem parte — ou seja, se querem ser reembolsados por todos os gastos existentes na viagem ou não.

O ‘Gilmarpalooza desloca anualmente o poder político de Brasília para a capital de Portugal. O evento é realizado na Universidade de Lisboa e versa sobre diversos temas, desde direito a mudanças tecnológicas, mas são as atividades paralelas e fora do escopo acadêmico que mobilizam parte dos participantes.

PALCO DE LOBISMO – Além da classe política e da cúpula do Judiciário, o evento reúne ministros e empresários de grandes companhias, advogados dos escritórios mais renomados do País e acadêmicos.

A união desses diferentes grupos, mas que podem partilhar interesses em comum, torna as festas, os almoços, os passeios e os jantares organizados paralelamente ao evento atrações à parte e altamente concorridas.

Na edição deste ano, a Associação Latino-americana de Internet (ALAI), que representa as big techs, ofereceu um almoço a participantes seletos do Fórum e o BTG Pactual preparou um novo happy hour.

EM MISSÃO OFICIAL – Deputados que solicitaram missão oficial com ônus para a Câmara: 1. Adail Filho (Republicanos-AM), 2. Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), 3. Alex Manente (Cidadania-SP), 4. Aliel Machado (PV-PR), 5. Amom Mandel (Cidadania-AM), 6. ArthurLira (PP-AL), 7. Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ), 8. Baleia Rossi (MDB-SP), 9. Dani Cunha (União-RJ), 10.Domingos Neto (PSD-CE), 11.Doutor Luizinho (PP-RJ), 12.Eduardo da Fonte (PP-PE), 13.Elcione Barbalho (MDB-PA), 14.Elmar Nascimento (União-BA), 15.Felipe Carreras (PSB-PE), 16.Felipe Francischini (União-PR), 17.Gilvan Maximo (Republicanos-DF), 18.Hugo Motta (Republicanos-PB).

E mais: 19.Julio Arcoverde (PP-PI), 20.Lafayette de Andrada (Republicanos-MG), 21.Luciano Vieira (Republicanos-RJ), 22.Luís Tibé (Avante-MG), 23.Lula da Fonte (PP-PE), 24.Mersinho Lucena (PP-PB), 25.Newton Cardoso Jr (MDB-MG), 26.Odair Cunha (PT-MG), 27.Orlando Silva (PCdoB-SP), 28.Paulinho da Força (Solidariedade-SP), 29.Pedro Paulo (PSD-RJ) e 30.Robinson Faria (PL-RN).

POR CONTA PRÓPRIA – Deputados que solicitaram autorização de missão oficial sem ônus adicionais: 1. Camila Jara (PT-MS), 2. Carlos Sampaio (PSD-SP), 3. Cezinha de Madureira (PSD-SP), 4. Cleber Verde (MDB-MA). 5. David Soares (União-SP), 6. Isnaldo Bulhões Jr (MDB-AL), 7. Marangoni (União-SP), 8. Marcos Soares (União-RJ), 9. Marcos Pereira (Republicanos-SP), 10.Maurício Neves (Podemos-PB), 11.Rodrigo Gambale (Podemos-SP), 12.Romero Rodrigues (Podemos-PB), 13.Soraya Santos (PL-RJ) e 14.Tabata Amaral (PSB-SP).

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – E ainda se dizem representantes do povo… Sem maiores comentários, apenas tragam o balde grande. (C.N.)


Documentário expõe Malafaia como “pastor de palanque” e “mau profeta”

 


Apocalipse nos Trópicos • Cinema com Crítica

Lula também aparece no filme, “pedindo” votos aos fiéis

Bernardo Mello Franco
O Globo

Silas Malafaia não gostou de “Apocalipse nos trópicos”, o novo documentário de Petra Costa. Convidado para uma sessão especial na quinta-feira, o pastor saiu aos berros da sala de cinema. Deve ter se irritado com a própria performance diante das câmeras.

O filme mostra como o crescimento dos evangélicos e a ascensão de pastores fundamentalistas influenciaram a política brasileira na última década. Personagem desses tempos estranhos, Malafaia não se constrange em usar o nome de Deus para direcionar o voto dos fiéis.

TRAJETÓRIA – O pastor pulou de galho em galho em sua peregrinação palanqueira. Apoiou Lula, José Serra e Aécio Neves até firmar aliança com Jair Bolsonaro às vésperas da eleição de 2018. Dois dias depois da vitória, o capitão marchou até a igreja de Malafaia, onde foi recebido com o coro de “Mito!”.

“Deus escolheu as coisas fracas para confundir as fortes. Deus escolheu as coisas vis, de pouco valor, as desprezíveis, que podem ser descartadas, as que não são, que ninguém dá importância, para confundir as que são, para que nenhuma carne se glorie diante dele. É por isso que Deus te escolheu”, disse o pastor, dirigindo-se ao presidente eleito.

COISAS LOUCAS – Ao fim da cena, a diretora repete o que foi dito no púlpito. “Deus escolheu as coisas loucas, fracas, vis e desprezíveis”, sublinha. “Usando esses versos bíblicos, Malafaia inaugura um novo tipo de líder para o Brasil”, arremata, numa síntese do que o país viveria nos anos seguintes.

O documentário retrata o jogo bruto do pastor para defender seus interesses terrenos. Quando Bolsonaro indicou André Mendonça ao Supremo, ele ameaçou fazer campanha contra senadores que resistiam a aprovar o ministro “terrivelmente evangélico”.

Quando outros pastores se aproximaram de Lula em 2022, ele ameaçou demonizar um a um nas redes sociais. “Aqui a gente destrói os caras”, disse, exibindo o celular. “Não vem, que a gente arrebenta eles”, prometeu.

SADISMO  – Em outra cena reveladora, Malafaia despeja ira sobre um motoqueiro que ousou mudar de faixa diante do seu carro. Depois avisa, sem esconder o sadismo, que seus seguranças dariam um “susto” no rapaz. Os amigos de Bolsonaro em Rio das Pedras ficariam orgulhosos.

O pastor é um caso de sucesso da teologia da prosperidade. Transformou uma pequena igreja no subúrbio do Rio num império milionário de empresas e templos, não necessariamente nesta ordem. Vaidoso, ele se deixou filmar ao volante de uma BMW blindada e a bordo de um jatinho batizado de “Favor de Deus”.

Malafaia sabe multiplicar o dízimo, mas emerge de “Apocalipse nos trópicos” como um mau profeta.

PREVISÃO ERRADA – Antes da eleição de 2022, ele assegurou que Lula seria batido nas urnas. “Sabe por quê? Ele tá ferrado no mundo evangélico. Não vai dar para ele, não”, vaticinou, em entrevista para o documentário.

Após a derrota do capitão, o pastor passou a incitar abertamente o golpe.

“O senhor tem poder de convocar as Forças Armadas para botar ordem”, bradou, em vídeo dirigido a Bolsonaro. Curiosamente, Malafaia não foi incluído na denúncia da Procuradoria-Geral da República contra militares e civis que tramaram contra a democracia.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Malafaia não gostou do documentário porque não é ele que anda atrás dos políticos. Na verdade, são os políticos que procuram os líderes evangélicos, para mendigar votos. (C.N.)


Interessados na verdadeira história da emancipação política de Jeremoabo, acessem o link abaixo e leiam esse valioso trabalho acadêmico:


No contexto histórico-político brasileiro, especialmente até meados do século XX, a diferença entre a emancipação política de uma vila e de uma cidade reside principalmente no status jurídico-administrativo e nas atribuições e autonomia que cada um desses títulos conferia à localidade.


Vila: O Início da Autonomia Administrativa

A Vila era o primeiro estágio de reconhecimento formal de uma aglomeração populacional com autonomia.

  • Emancipação como Vila: Significava a criação do seu próprio poder local, ou seja, a instalação de uma Câmara Municipal (o equivalente aos atuais legislativos municipais). Com a Câmara, a localidade deixava de ser meramente uma "freguesia" ou "arraial" subordinado a outro município (ou comarca) e passava a ter:

    • Autonomia Administrativa: Capacidade de gerir seus próprios assuntos locais, como a arrecadação de impostos (ainda que limitados), a manutenção de estradas vicinais, a segurança local, e a administração da justiça em primeira instância.

    • Delimitação Territorial: A criação da vila implicava a definição de um "termo" (território) sob sua jurisdição, que podia incluir diversas freguesias e povoados.

    • Representação Local: Os vereadores, eleitos pelos moradores, representavam os interesses da comunidade.

  • Contexto Histórico: No período colonial e imperial, a elevação a vila era o verdadeiro marco da emancipação política, pois conferia à localidade a capacidade de se autogovernar, mesmo que o poder central ainda tivesse grande influência. As vilas eram os centros urbanos embrionários e os focos de poder político-administrativo regional.


Cidade: A Consolidação do Status Urbano e Político

A Cidade representava um status superior ao de vila, conferido a localidades que já possuíam um desenvolvimento urbano, populacional, econômico ou estratégico significativo.

  • Elevação a Cidade: Não necessariamente significava uma nova emancipação política no sentido de "adquirir autonomia" (pois isso já havia sido obtido com o status de vila). A elevação a cidade era um reconhecimento oficial de sua importância e crescimento. Implicava geralmente:

    • Preeminência Urbana: Reconhecia a localidade como um centro mais desenvolvido, com maior população, infraestrutura (prédios públicos, igrejas maiores, etc.) e atividades econômicas diversificadas.

    • Prestígio e Status: Concedia à localidade um maior prestígio e influência política dentro da hierarquia administrativa do estado ou do país. Era um título honorífico que refletia seu papel regional ou nacional.

    • Maior Poder Simbólico: Embora as funções administrativas da Câmara Municipal já existissem na vila, o título de cidade reforçava o simbolismo de um centro de poder e desenvolvimento.

  • Legislação: As leis estaduais (especialmente após a Proclamação da República) foram os instrumentos mais comuns para essa elevação, definindo critérios que iam além da simples existência de uma Câmara.


Síntese da Diferença na Emancipação Política

Em resumo:

  • A emancipação política como VILA é o momento em que uma localidade adquire autonomia administrativa e seu próprio governo local (Câmara Municipal), desvinculando-se de outra jurisdição. É o nascimento do município como ente político autônomo.

  • A elevação de VILA a CIDADE é um ato posterior que reconhece o desenvolvimento e a importância daquela vila, concedendo-lhe um status superior e de maior prestígio, mas que, via de regra, não implica uma nova aquisição de autonomia política, que já existia.

Para fins históricos e oficiais no Brasil, a data mais comum para celebrar a "emancipação política" de um município costuma ser a da sua elevação à categoria de Cidade, mesmo que a autonomia administrativa tenha sido conquistada antes, com o título de Vila. Isso se deve, muitas vezes, ao maior impacto simbólico e ao reconhecimento do pleno desenvolvimento urbano e político que o título de cidade representava.

Nota da Redação Deste BlogInteressados na verdadeira história da emancipação política de Jeremoabo, acessem o link abaixo e leiam esse valioso trabalho acadêmico:

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Universidade Federal da Bahia – UFBA
Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas
Programa de Pós-Graduação em História

Título da Dissertação:
CÍCERO DANTAS MARTINS – DE BARÃO A CORONEL: Trajetória Política de um Líder Conservador na Bahia (1838–1903)

Autor: Álvaro Pinto Dantas de Carvalho Júnior
Orientador: Prof. Ubiratan Castro de Araújo

Dissertação apresentada ao curso de Mestrado em História da Universidade Federal da Bahia como requisito parcial para a obtenção do título de Mestre em História.

Salvador – BA


Se desejar, posso também criar uma introdução explicando a relevância da obra para a história de Jeremoabo. Deseja isso?:

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domingo, julho 06, 2025

Vitória com Aliança Estratégica: Das Dores é Eleita para o Diretório Municipal do PT em Jeremoabo com Apoio de Marcelo do Sindicato




Terminada a apuração das eleições internas do Partido dos Trabalhadores (PT) em Jeremoabo, a militância confirmou nas urnas o que já se desenhava nos bastidores: a vitória de Das Dores, agora oficialmente eleita para comandar o Diretório Municipal da legenda.

O resultado representa não apenas uma escolha democrática dentro da sigla, mas também a consolidação de uma aliança política que se mostrou decisiva. Com o apoio declarado de Marcelo do Sindicato — figura tradicional do sindicalismo local e com grande influência entre as bases trabalhadoras e movimentos sociais — Das Dores conquistou a maioria dos votos e reforçou seu nome como liderança atuante e comprometida com as causas populares.

A eleição ocorreu em meio a um cenário político ainda marcado por desafios internos no partido, disputas de narrativas e a necessidade de reconectar o PT de Jeremoabo às suas origens populares e à sua base histórica. Das Dores, com um discurso voltado para o fortalecimento da militância, maior presença nas comunidades e reestruturação organizativa do partido, convenceu a maioria dos filiados de que era o melhor nome para este novo ciclo.

O apoio de Marcelo do Sindicato foi tido como um divisor de águas. Conhecido por sua trajetória de luta em defesa dos trabalhadores rurais e por sua atuação firme nas causas sociais, Marcelo foi peça fundamental para agregar forças e costurar o consenso em torno do nome de Das Dores, contribuindo com sua experiência e prestígio para garantir a vitória.

Agora, a expectativa é de que o novo Diretório atue de forma mais articulada, buscando protagonismo nas discussões políticas do município e defendendo com firmeza os princípios históricos do PT: justiça social, participação popular, defesa da democracia e dos direitos dos trabalhadores.

A vitória de Das Dores representa, portanto, mais que uma simples troca de nomes: simboliza a tentativa de revitalização do PT em Jeremoabo e a esperança de uma atuação mais combativa, presente e coerente com os anseios da sua base.

Que o novo Diretório, sob a liderança de Das Dores, esteja à altura dos desafios que se impõem e possa contribuir efetivamente para o fortalecimento da democracia e da luta por uma Jeremoabo mais justa e igualitária.

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