quinta-feira, abril 10, 2025

Trump recua e tenta apoio contra a China, mas ninguém confia nele


Um homem com cabelo loiro e pele bronzeada está sentado à mesa, concentrado em assinar documentos. Ele usa um terno escuro e uma gravata vermelha. Ao fundo, há pessoas e pastas com o selo presidencial.

China reage e faz Trump suspender tarifaço por 90 dias.

Marcos Augusto Gonçalves
Folha

Em sua insana guerra tarifária, Donald Trump conseguiu a façanha de colocar o mundo contra os EUA. A cada dia colheu mais tempestade. Convicto de que o poderio econômico e militar de seu país permitiria usar a intimidação comercial como uma espécie de arsenal nuclear tático, o presidente americano bombardeou o pacto liberal e multilateral do Ocidente, perdeu suas alianças tradicionais na Europa e na Ásia e vê-se agora diante de uma escalada contra a China que, ao que tudo indica, não estava em seus planos iniciais.

Trump destruiu o mundo do pós-Guerra e não colocou nada no lugar. Os sinais são de que o lunático populista e seu estafe delirante sabiam que o tarifaço poderia ser uma arma utilizada em favor dos EUA, mas não exatamente quais seriam seus efeitos reais e não exatamente como lidariam com situações inesperadas.

NADA NO LUGAR -Como não existe um cenário duradouro de “nada no lugar”, é possível imaginar que o caos instaurado pelo governo americano colocasse Xi Jinping diante da perspectiva de consolidar a inauguração do século chinês, já mais do que anunciado, na história global.

A ameaça do secretário do Tesouro Scott Bessent (quem se aliar à China estará “cavando sua própria cova”) pareceu mais um indício de temor do que de segurança. O presidente americano já havia piscado quando disse que a China “entrou em pânico” ao responder às primeiras barreiras por ele impostas.

Vendo-se alvo de retaliação, dobrou a aposta e lançou um ultimato que não funcionou. A superpotência asiática não recuou e apresentou-se como o polo de resistência da guerra comercial.

PUTIN DE FORA -Se a ideia de poupar a Rússia reduziu o potencial da contraofensiva global, o fato é que Putin não correrá jamais em auxílio da insensatez americana. Putin e Xi têm um grande acordo de aliança estratégica, e o inimigo potencial é o Ocidente, em última instância controlado pela América.

Por mais que a Europa possa se armar e passar a exercer um novo papel na geopolítica mundial, isso não vai acontecer de uma hora para outra. Para peitar a China de maneira mais eficaz, os EUA poderiam contar, numa situação “normal”, com o apoio da UE, Japão e Coreia do Sul. Com o tarifaço, isso tornou-se impossível. Trump então foi obrigado a recuar nesta quarta-feira sob pressão da China.

Com a retirada de tarifas “recíprocas”, tenta angariar algum apoio para se concentrar na polarização com os chineses. Sua estratégia deu errado. Teve que abaixar o topete. Mostrou fraqueza e falta de rumo.

SEM CREDIBILIDADE -Além das alianças e do arcabouço institucional que administravam conflitos do mundo globalizado, Trump jogou no lixo a previsibilidade e credibilidade de seu país como referência internacional. A fuga de títulos do Tesouro dos EUA, porto seguro, começou a se insinuar, num quadro de anarquia nos mercados. O próprio establishment econômico passou a pressionar.

Com o alívio de 90 dias, ganha-se tempo, mas não se sabe como o furacão poderá evoluir para a calmaria.

O quadro de incertezas inspira muita apreensão. Mesmo a possibilidade de que o caos acabe gerando ameaças militares, embora improvável, não pode ser descartada. Estamos vivendo um momento histórico crítico, um daqueles que estarão com destaque nos livros escolares do futuro — esperemos que tenhamos ambos.


O primeiro anistiado foi o general GDias, que confraternizou com os “terroristas”

Publicado em 10 de abril de 2025 por Tribuna da Internet

Veja o que fez e por onde passou Gonçalves Dias no Planalto no dia da  invasão, segundo o circuito interno | Política | G1

GDias era o ministro responsável pela segurança do Planalto

Gilberto Clementino

O Supremo Tribunal Federal ainda não começou a recuar de nada. Está aguardando a aula magna de Luiz Fux para reduzir as penas ilegais e exageradas que a quase totalidade dos ministros usou para saciar a sede de vingança de Alexandre de Moraes.

Ressalve-se que Nunes Marques e André Mendonça, assim como Cristiano Zanin, desde o primeiro caso do 8 de Janeiro se posicionaram contra esse tipo de justiçamento. Porém, ninguém quis ouvi-los.

PRATICAR A JUSTIÇA – É bom sempre lembrar que praticar a justiça é estar na busca do bem, e a injustiça é causar o mal, dizia Platão. Já segundo Aristóteles, a justiça é a virtude completa que se resume em todas as virtudes, pois é o exercício delas.

Do mesmo modo, o sábio filósofo dizia que a injustiça é o vício inteiro, porém o homem ganancioso, na maioria das vezes, esconde seus vícios, mas sem dúvida tem uma dose de maldade e por isso deve ser repreendido.

A maioria dos eleitores sabe o que aconteceu e quer anistia. Aldo Rebelo, ex-ministro da Defesa e lendário líder esquerdista, defende o benefício aos envolvidos nos ataques às sedes dos Três Poderes.

ATÉ SÉRGIO CABRAL – Todos sabem que os criminosos na Lava Jato, a partir de Lula, jamais deveriam ser descondenados para recuperar o retorno à vida pública. A Lava Jato faz aniversário com Lula presidente e sem políticos presos, pois até Sérgio Cabral foi libertado para usufruir o restante da riqueza que subtraiu.

Há perguntas sem respostas: Onde estão as gravações do Ministério da Justiça, estrategicamente desaparecidas? Na lista dos acusados, cadê o general Gonçalves Dias, responsável pela segurança do Planalto e da Praça dos Três Poderes?

Ele admitiu que fez uma avaliação errada dos acontecimentos que causaram as depredações no dia 8 de janeiro, devido a informações divergentes passadas a ele por “contatos diretos”. É mesmo, general? E o senhor não percebe que foi o primeiro anistiado?


Justiça dos EUA autoriza a ação de Filipe Martins por fraude em registro no país


Justiça dos EUA marca audiência sobre fraude contra Filipe Martins | Brasil | Pleno.News

Filipe Martins provou que não tinha viajado para os EUA

Deu na CNN

A defesa de Filipe Martins, ex-assessor internacional do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), informou nesta quarta-feira (9) que a Justiça dos Estados Unidos autorizou o prosseguimento de uma ação do brasileiro contra o Departamento de Segurança Interna (DHS) e a Agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP).

O objetivo é chegar aos responsáveis por um registro de entrada de Martins nos EUA no fim de 2022, mesmo período em que Bolsonaro viajou para o país.

PRISÃO PREVENTIVA – Esse registro foi usado no Supremo Tribunal Federal como argumento para decretar a prisão preventiva de Martins por seis meses, a despeito de o ex-assessor ter comprovado que não deixou o Brasil.

Moraes mantém multa a Filipe Martins por aparecer nas redes do advogado

De acordo com a assessoria de Martins, a audiência realizada hoje nos Estados Unidos foi conduzida pelo juiz federal Gregory A. Presnell, da Corte Distrital do Distrito Central da Flórida.

PRAZO FIXADO – “Na ocasião, o magistrado fixou o prazo para a apresentação de Dispositive Motions — petições processuais por meio das quais as partes poderão requerer o encerramento antecipado da ação, com base nos fatos e provas apresentados até ali, sem necessidade de julgamento completo e visando uma conclusão mais célere do processo”, diz o informe da defesa de Martins.

“Se aceitos, esses pedidos permitirão que o caso seja resolvido por decisão sumária (Summary Judgment), caso o juiz entenda que não há controvérsia relevante sobre os fatos essenciais.”

A defesa do ex-assessor afirma ainda que “o juiz autorizou a abertura da fase de Discovery, que permite a produção de provas, coleta de documentos relevantes e troca de informações entre as partes”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – 
A ação é necessária, porque Filipe Martins foi vítima de uma perseguição sem a menor justificativa, movida por Alexandre de Moraes, que errou feio, jamais reconheceu o erro, deixou Filipe Martins preso durante seis meses, indevidamente. E ainda há quem chame isso de Justiça. (C.N.)


China responde a tarifaço de Trump e a situação fica complicada

Publicado em 10 de abril de 2025 por Tribuna da Internet

Charge de Allan Yu (Xinhua)

Pedro do Coutto

Como era previsto, a China respondeu às novas tarifas dos Estados Unidos anunciando, nesta quarta-feira, sobretaxas de 84% aos produtos americanos. A medida passa a valer a partir de hoje e representa um novo capítulo da guerra comercial entre as duas principais economias globais.  A resposta veio poucas horas depois que os Estados Unidos impuseram novas tarifas a quase 60 países.

“A escalada tarifária dos Estados Unidos contra a China acumula erros sobre erros e infringe seriamente os direitos e interesses legítimos da China”, disse o Ministério do Comércio chinês , acrescentando que também prejudica o sistema de comércio multilateral baseado em normas.

VULNERABILIDADE – A China quer proteger a sua economia das tarifas americanas com o estímulo do consumo e investimentos em setores cruciais. Porém, analistas afirmam que o país continua muito vulnerável ao reflexo das medidas anunciadas por Donald Trump. Pequim prometeu lutar “até o fim” contra a campanha tarifária de Washington.

Na terça-feira, o primeiro-ministro Li Qiang declarou que a China confia “plenamente” na resistência de seu crescimento econômico. Na prática, a economia chinesa enfrenta problemas mesmo antes das tarifas americanas, com o elevado índice de desemprego entre os jovens e uma crise imobiliária persistente que freia o consumo.

No ano passado, o comércio exterior foi um dos poucos indicadores positivos da economia chinesa, tendo os Estados Unidos como principal destino dos produtos chineses. As exportações do país asiático para os Estados Unidos alcançaram quase U$ 440 bilhões (R$ 2,6 trilhões) em 2024, segundo o Departamento de Comércio americano, muito acima do registrado no sentido contrário de U$ 114,6 bilhões (R$ 688 bilhões).

EXPORTAÇÕES –  A maior parte das exportações é representada por produtos eletrônicos, máquinas e bens de consumo. Uma das razões pelas quais a China poderá enfrentar problemas é que alguns produtos são concebidos especificamente para os mercados americano e europeu.

As consequências dessas medidas impostas por Trump são muito ruins para o mercado global, pois afetará os consumidores dos produtos que foram super taxados. Trump está lidando até com contradições internas de sua equipe, com acusações de incompetência feitas por Elon Musk. A confusão é muito grande estabelecida pelo presidente americano, e agora é muito difícil qualquer recuo na situação. São imprevisíveis os desdobramentos das medidas tarifárias, pois o mercado não pode ser regido por uma lista de produtos, conforme anunciado por Trump.

A suspensão do tarifaço por 90 dias foi um alívio para o mundo, mas a guerra comercial contra a China parece declarada e irrevogável.

A MAIOR VOLTOU! Cavalgada de São João retorna com tudo dia 20 de abril – Tradição, Forró e Emoção!

 


Com grande alegria e entusiasmo, anunciamos o tão aguardado retorno da Cavalgada de São João, a mais tradicional e badalada de toda a região! Depois de anos sendo injustamente proibida pela gestão anterior, o evento volta com força total no próximo dia 20 de abril, trazendo consigo a essência da nossa cultura, da nossa gente e da nossa fé.

Este ano, a cavalgada promete ser ainda mais inesquecível, com uma programação de tirar o chapéu! O palco será animado por grandes atrações como a contagiante Banda 100 Parea, o inconfundível Danielzinho – o Caceteiro do Forró, o talentosíssimo Júnior Santos, e para coroar a festa, teremos o carisma e a força musical de Zezinho da Ema, prestigiando não só Jeremoabo, mas também toda a nossa região e cidades vizinhas.

É momento de celebrar a tradição, a liberdade e a união do nosso povo. Tragam suas comitivas, preparem os cavalos, chamem os amigos e venham viver um dia abençoado, cheio de alegria, música e emoção. A Cavalgada de São João está de volta – e vem com tudo! Não percam! 🐎🎶🌾✨

Observação importante: A cavalgada que movimentará a cidade é em homenagem a São Jorge, e não a São João! A confusão é compreensível… É que São João já está todo apressado, ansioso pela grande alvorada de junho, mas calma, João, tua hora vai chegar. Agora o momento é de São Jorge, com sua espada, fé e tradição no campo e nas ruas de Jeremoabo.


Será amanhã, sexta-feira, 11, o encerramento da III Semana Nacional de Jornalismo da ABI.

 


Às 17h30, no auditório da ABI, no centro do Rio, haverá uma roda de conversa com comunicadores populares com o tema JORNALISMO COMUNITÁRIO, DESAFIOS, AMEAÇAS E OPORTUNIDADES.


Na mesa os comunicadores e comunicadoras

.  Letícia Pinheiro, do Coletivo Fala Akari, 

. Fábio Leon - do Fórum Grita Baixada; 

. Thais Cavalcante, cria do Complexo da Maré, contribuiu nos jornais Maré de Notícias, O Cidadão e Voz das Comunidades; 

. Claudio Sales - Rádio Pop Goiaba, de Niterói;

. Michel Silva - Fala Roça, da Rocinha; e 

. Emerson Menezes, Rádio Se Liga Salgueiro, Morro do Salgueiro.

A mesa marca tambem o encerramento da semana de aniversário da ABI, que completa 117 anos de fundação neste ano. Na ocasião, será entregue a Medalha Barbosa Lima Sobrinho para a jornalista Claudia Santiago, diretora/presidente do Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC) curso que há 30 anos vem formando profissionais de comunicação sindical, popular e comunitário.

Haverá transmissão pela ABI TV, no youtube, em rede com VioMundo e Radio Censura Livre. Quem for até a sede da ABI poderá também ver a exposição sobre Rubens Paiva, no hall do auditório.

Pauta enviada pelo Jornalista Fábio Costa Pinto.

Anistia mais uma estratégia de discurso, ouro de tolo

 


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Nota da redação deste Blog - De fato, se a proposta for vista como uma tentativa de anistiar crimes que envolvem violações da Constituição ou do ordenamento jurídico, ela pode ser considerada inconstitucional. O Supremo Tribunal Federal (STF) tem sido bastante rigoroso em relação a questões que envolvem a proteção da Constituição e direitos fundamentais, especialmente em temas que envolvem a impunidade ou o enfraquecimento de princípios democráticos.

A anistia, em casos que envolvem graves violação de direitos, como crimes de corrupção ou outros atos ilícitos, costuma ser um tema polêmico e difícil de ser aceito sem análise rigorosa. No passado, o STF tem se posicionado de maneira contrária a propostas que pudessem gerar impunidade.

O que você acha dessa movimentação? Acredita que ela tem algum impacto direto na política atual ou é apenas mais uma estratégia de discurso?

Cidadão que não luta por seus direitos não é digno deles: chega de cobrança abusiva da EMBASA!

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Cidadão que não luta por seus direitos não é digno deles: chega de cobrança abusiva da EMBASA!

Há tempos, a população de Jeremoabo vem sofrendo com a cobrança imoral e ilegal de água e esgoto feita pela EMBASA com base em estimativas. Esse método, além de injusto, é uma afronta direta ao Código de Defesa do Consumidor (CDC) e à dignidade de quem já enfrenta inúmeras dificuldades para manter suas contas em dia.

É inaceitável que, mesmo sem o uso efetivo de hidrômetros, a EMBASA continue impondo contas que muitas vezes extrapolam o consumo real, ferindo o princípio da boa-fé e da transparência que deve reger qualquer relação entre consumidor e prestadora de serviço.

A omissão da Câmara de Vereadores

A Câmara de Vereadores de Jeremoabo, que deveria ser a primeira defensora dos direitos do povo, permanece inerte. Já passou da hora de essa Casa Legislativa ingressar com uma ação civil pública contra a EMBASA. O silêncio e a omissão dos vereadores diante de tamanho abuso só aumentam a indignação popular e minam a credibilidade do Poder Legislativo municipal.

Cabe ao povo agir!

Diante da omissão dos representantes, cabe agora ao contribuinte tomar a frente. Um abaixo-assinado deve ser organizado e encaminhado ao Ministério Público, solicitando providências urgentes para coibir essa prática abusiva.

A cobrança por estimativa é ilegal e abusiva, pois:

  • Impõe ao consumidor uma desvantagem exagerada, como previsto no art. 51, IV, do Código de Defesa do Consumidor (CDC);

  • Gera uma vantagem manifestamente excessiva à concessionária, conforme o art. 39, V, do CDC, caracterizando verdadeiro enriquecimento ilícito;

  • Desrespeita o parágrafo único do art. 42 do CDC, que impõe à empresa a obrigação de devolver em dobro os valores pagos indevidamente que excedam o valor mínimo legal, com correção monetária e juros legais.

A hora é agora!

O povo de Jeremoabo não pode mais se calar. A cobrança por estimativa não é apenas uma prática questionável — é uma ilegalidade escancarada. Se a Câmara não cumpre sua função, cabe a cada cidadão se levantar e exigir seus direitos. Organize, compartilhe, assine. Somente a mobilização popular será capaz de pressionar as autoridades e fazer valer a lei.

Quem não luta por seus direitos, não é digno deles. E Jeremoabo merece respeito.



quarta-feira, abril 09, 2025

Conselho de Ética aprova cassação de Glauber Braga e deputado inicia greve de fome

 Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

Glauber Braga diz que tomou a decisão durante a sessão do Conselho de Ética09 de abril de 2025 | 19:00

Conselho de Ética aprova cassação de Glauber Braga e deputado inicia greve de fome

brasil

O Conselho de Ética da Casa aprovou, por 13 votos a cinco, a cassação do deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ), nesta quarta-feira, 9. O parlamentar anunciou que irá iniciar uma greve de fome e que não sairá do Congresso Nacional até o fim do processo que pede a cassação dele da Câmara dos Deputados. Glauber afirma que o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) atua nos bastidores para assegurar o revés do psolista.

“Eu tomei a decisão inconciliável, irrefutável de que eu não vou ser derrotado por Arthur Lira, eu não vou ser derrotado pelo orçamento secreto, eu não vou ser derrotado pelo sócio minoritário dessa história que foi o MBL”, disse Glauber. “Eu vou permanecer aqui nessa sala, no Congresso Nacional até a finalização do processo. No dia de hoje eu já iniciei. A partir de agora, eu não vou me alimentar.”

O pronunciamento veio após uma sessão repleta de polêmicas e trocas de insultos entre parlamentares, numa sessão de quase seis horas de duração. O discurso do deputado chegou a ser interpretado como uma ameaça de renunciar ao mandato por seus aliados. Mas Glauber afirmou que não vai desistir do mandato.

Ainda cabe recurso na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Caso o caso avance após a votação nesse colegiado, caberá ao plenário decidir.

A deputada Luiza Erundina (PSOL-SP), de 90 anos, defendeu que outros integrantes do partido permaneçam na casa junto com Glauber sem sair do Congresso.

Correligionários de Glauber acusam a existência de um movimento nos bastidores para fazer com que a votação ocorresse ainda nesta quarta-feira, 9. A estratégia, aponta esse grupo, passaria por adiar o máximo possível o início da ordem do dia, quando começam as votações no plenário da Casa. Ao início de uma sessão plenária, as comissões precisam ser encerradas.

Os líderes do PSOL, Talíria Petrone (RJ), e do PT, Lindbergh Farias (RJ), afirmam que, diferente do usual, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), não respondeu mensagens, nem atendeu telefonemas. Um acordo feito no início do ano estabeleceu que as sessões iniciariam às 16h durante a nova gestão.

Desde o começo da era Motta, a ordem do dia começou mais tardiamente no dia 18 de março, às 17h12. A votação pela cassação foi iniciada às 18h20.

Por volta das 17h, o deputado Fábio Costa (PP-AL), mesmo partido e Estado de Lira, apontam psolistas, apresentou um requerimento para iniciar a votação. Procurado, Costa, diz que agiu pela própria vontade.

O processo, aberto em 2024, foi em razão do episódio em que Glauber expulsou um integrante do Movimento Brasil Livre (MBL) da Casa aos chutes.

No dia 16 de abril de 2024, Glauber expulsou da Câmara o influenciador Gabriel Costenaro, integrante do MBL, aos chutes. Na ocasião, Costenaro fez insinuações sobre a ex-prefeita de Nova Friburgo Saudade Braga, que na época estava doente. Ela faleceu 22 dias após o ocorrido.

Glauber disse em diferentes sessões do Conselho de Ética que o relatório foi “comprado” pelo ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que exercia o cargo no ano passado. Glauber ainda chamou Lira em diferentes oportunidades de “bandido”.

Magalhães e Glauber colecionam entreveros desde o início do processo. Em agosto de 2024, o deputado do DEM se defendeu das críticas. “Sua defesa se incrimina. Não faço conluio com ninguém. Minha relação com o presidente Arthur é discreta”, disse Magalhães. “Discretíssima”, ironizou Glauber.

Logo então, Magalhães devolveu os ataques, chamou Glauber de “inconsequente e responsável” e afirmou que ele merece ser cassado. “Eu não quero lhe cassar. Mas que vossa excelência merece, merece sim”, afirmou o relator.

Ao chegar à sessão desta quarta-feira, Glauber aproveitou para fazer ataques que fez ao longo do ano passado. Ele chegou à sala da comissão no começo da manhã acompanhado de dezenas de militantes, que gritavam o lema “Glauber, fica”. Em discurso a apoiadores, ele novamente chamou Lira de “bandido” e o militante do MBL de “minibandido”.

Ele lembrou que Magalhães, em 2001, agrediu com um pontapé um jornalista que denunciou em livro o tio do parlamentar – o ex-presidente do Senado e ex-governador da Bahia, Antônio Carlos Magalhães – e saiu impune. No discurso, Glauber pediu para que seus apoiadores saudassem Maneca Muniz.

É a segunda vez que o Conselho de Ética aprova a cassação de um deputado nesta legislatura. A primeira aconteceu com Chiquinho Brazão (sem partido-RJ), no ano passado.

Brazão foi preso preventivamente sob a acusação feita pela Polícia Federal de ser o mandante do assassinato da ex-vereadora do Rio Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Apenas um deputado, Gutemberg Reis (MDB-RJ), votou contra a cassação e apenas um se absteve: Paulo Magalhães, o relator do caso de Glauber.

O parlamentar preso há mais de um ano continua com o mandato parlamentar, já que o processo não foi votado no plenário, responsável pela decisão final. Como mostrou o Estadão, desde que foi detido, em março de 2024, ele já custou mais de R$ 1,8 milhão à Câmara.

Levy Teles/Estadão

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