sexta-feira, fevereiro 07, 2025

Entrevista com o senso comum, que virou ameaça à democracia

Publicado em 7 de fevereiro de 2025 por Tribuna da Internet


Imagem criada a partir de um prompt elaborado pelo ilustrador e gerada por IA. Posteriormente, elementos foram recortados, recombinados e integrados a uma nova composição, com a adição de grafismos digitais.
  Na horizontal, proporção 13,9cm x 9,1cm, a ilustração digital, colorida, apresenta uma  uma cena formal e clássica, lembrando fotos antigas dos anos 50. Trata-se de grupo de pessoas reunidas e sentadas em uma sala elegante. A composição sugere uma reunião com um homem de costas no centro e os demais participantes atentos a ele.  A sala possui móveis de madeira e decoração clássica, como cortinas bege e janelas abertas. Há algumas figuras ao fundo, em pé, atrás de uma mesa, que sugerem liderança ou mediação.  Nas imagens dos homens e mulheres há ausência de rostos, substituídos por áreas brancas texturizadas. Linhas pontilhadas conectam os rostos, simbolizando uma rede de conexões e transmissão de ideias.

Ilustração de Ricardo Cammarota (Folha)

Luiz Felipe Pondé
Folha

Em 1976, a escritora Anne Rice lançou um livro que foi um grande best-seller, “Entrevista com o Vampiro”, que virou um filme com Tom Cruise e Brad Pitt.

Essa lembrança me levou a fazer uma entrevista com alguém que muita gente acha que está sugando o sangue da democracia, o desconhecido senso comum. Para a elite intelectual do mundo, essa entidade estranha habita as noites escuras da ignorância. O objetivo é eliminá-lo da face da Terra, pois ele é uma ameaça à racionalidade política herdeira das luzes. O senso comum é a sombra da modernidade iluminista.

ALGUNS MOMENTOS – Nossa conversa durou cerca de três horas, mas vou transcrever aqui só alguns momentos. Convidei-o para tomar um vinho, mas, ele não bebe vinho, nem entende nada de vinho. Mas devemos reconhecer que ele não sofre do mal dos inteligentinhos — que não curtem cheiro de povo — que é ser afetado no que concerne a vinhos. Conselho: não fale de vinhos, beba em silêncio.

A primeira coisa que perguntei foi o que ele considerava o mais importante na sua vida. A resposta foi “minha família, que meus filhos não usem drogas e Deus”. Venhamos e convenhamos, uma resposta assaz estranha para nós da elite. E continuou: “Que meus pais tenham sido pessoas honradas e que nunca eu tenha tido ladrões na família”.

Quer coisa mais pequeno-burguesa do que querer pensar que seus pais tenham sido pessoas “honradas”? O que vem a ser isso, exatamente?

POBREZA E CRIME – Perguntado sobre qual a causa que ele apontaria como razão para alguém virar criminoso, respondeu: “Tem gente que nasce assim, não presta”. Movido por longos anos de apelo à desigualdade social como causa da criminalidade, tentei encurralá-lo: o senhor não acha que a pobreza é a causa principal da criminalidade?

Visivelmente ofendido —nunca pensei que uma pergunta “técnica” como essa ofendesse alguém— “minha família sempre foi pobre, e nunca teve nem um ladrão sequer, ladrão é ladrão porque não presta!”.

Engatei numa questão quente e relacionada ao tema aqui lembrado: você é a favor da saidinha? “Esse governo adora bandido, esse povo dos direitos humanos adora bandido, essa saidinha é uma desculpa para soltar bandido na rua; se esse governo tivesse que escolher entre os bandidos e as pessoas honradas —lá vem essa estranha palavra de novo—, ele escolheria que o bandido ficasse livre e que matasse o trabalhador.” Perguntei na lata: o que você pensa da Polícia Militar? “Necessária. Ruim com eles, pior sem eles.”

IMIGRANTES ILEGAIS – O que o senso comum pensaria se o Brasil fosse invadido por imigrantes ilegais que tomassem o trabalho dele ganhando menos? “Que o governo mandasse eles de volta de onde vieram; aqui é minha casa.”

Vamos ver o que ele disse sobre educação dos filhos. Perguntei a ele sobre o que pensava de uma professora dar aulas para seus filhos adolescentes sobre a existência de uma diversidade de gêneros muito maior do que mulher e homem.

“Iria à escola brigar com a professora! Ela está querendo fazer do meu filho gay e da minha filha lésbica? A humanidade está dividida em mulher e homem, só um tarado pedófilo pode falar dessas coisas para crianças na escola! Que ninguém se meta no sexo dos meus filhos.”

MEIO DO CRIME – Continuei no assunto. O que você acharia de a escola levar seus filhos para conhecer a vida na favela? “Esta escola quer levar meus filhos para o meio do crime?”

Avancei: e o casamento de pessoas do mesmo sexo? “Um absurdo! Casamento é entre homem e mulher e pronto.”

Querendo aprofundar ainda mais essa homofobia do senso comum, fui adiante: e adoção de crianças por casais do mesmo sexo? “Um crime! Essa criança, coitada, não vai saber fazer a diferença entre o certo e o errado.”

XEQUE-MATE – Buscando o xeque-mate no assunto: “Você não acha que você é muito homofóbico?”. Não pense que o senso comum não conhece palavras da moda. Resposta direta: “Não tenho medo de nada, só acho que cada um é cada um e que esse povo tenta fazer todo mundo ficar igual a eles, para dominar o mundo; para todo lugar que você olha, só tem artista da Globo e jornalista dizendo que gay é lindo e que pessoas normais são ruins”.

Sim, ele usou “pessoas normais”. Continuei: você não tem medo de ser processado por falar “pessoas normais”? “Não, porque vivemos numa democracia, e numa democracia o povo tem o direito de falar o que quiser e votar em quem quiser.” Pensei comigo: pobre senso comum, como pode ser tão ingênuo no século 21?

E o que você acha que seria um mundo ideal? “Um mundo em que não roubassem meu celular, não me matassem na rua e sem corrupção.” Que falta de imaginação! Esse senso comum é mesmo uma ameaça à democracia.


Casa de luxo alugada por Elmar Nascimento em Trancoso pertence a empresário baiano envolvido em transação com Flávio Bolsonaro

 Foto: Divulgação/Arquivo

O empresário é Gervásio Meneses de Oliveira, fundador, entre outros negócios, da FTC07 de fevereiro de 2025 | 14:48

Casa de luxo alugada por Elmar Nascimento em Trancoso pertence a empresário baiano envolvido em transação com Flávio Bolsonaro

exclusivas

A casa de luxo alugada pelo deputado federal Elmar Nascimento (União) em Trancoso, no extremo-sul da Bahia, pertence ao mesmo empresário baiano denunciado por corrupção e envolvido, no ano de 2021, em uma transação com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

O empresário é Gervásio Meneses de Oliveira, fundador, entre outros negócios, da FTC. Foi ele quem comprou um apartamento do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na Barra da Tijuca. Flávio afirmou que, com o dinheiro dessa venda, adquiriu uma mansão de R$6 milhões em Brasília, conforme amplamente noticiado na época.

Gervásio foi denunciado pela Procuradoria Geral da República (PGR) na Operação Injusta Causa. O empresário é apontado pelo órgão como o responsável por pagar propina a juízes do trabalho em troca de decisões favoráveis às suas empresas.

Em 2016, segundo a PGR, a desembargadora Maria Adna Aguiar do Nascimento e a juíza Marúcia Belov receberam propina para beneficiar o grupo FTC em uma ação que totalizava R$ 96,8 milhões em débitos trabalhistas.

As duas magistradas do Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região, em Salvador, teriam suspendido o pagamento desse valor em troca de propinas pagas pelo empresário. Ao todo, o esquema teria movimentado R$ 250 mil.

Quase dez anos antes, Gervásio também lutou no Supremo Tribunal Federal (STF) por sua liberdade. Após ser acusado de fraudes em licitações de serviços de segurança e limpeza na Bahia, ele teve a prisão decretada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas fugiu e apresentou um habeas corpus no Supremo, obtendo sucesso.

Em 2007, Gervásio Oliveira foi investigado na Operação Navalha, depois de ter sido pego em grampos telefônicos que tinham como alvo oito empresários do ramo de segurança e prestação de serviços.

Hoje, o portal UOL revelou que Elmar aluga uma mansão em Trancoso, cujo valor estimado é de R$100 mil mensais, pertencente a Gervásio. O imóvel fica em um terreno de 3.900 m², com área construída de 318,5 m². Foi adquirido em um leilão judicial em outubro de 2023 pelo empresário R$ 4,1 milhões, com uma entrada de R$ 1 milhão e 30 parcelas de R$ 103 mil.

O deputado baiano se irritou ao ser questionamento sobre o assunto pela jornalista do portal. Vale lembrar que Elmar comprou, em 2023, um apartamento em Salvador da empresa da filha do empresário Marcos Moura – conhecido como “rei do lixo” – por R$ 3 milhões, cerca de um terço do valor atual de mercado.

A suspeita sobre o valor da transação é um dos motivos pelos quais a Operação Overclean, da PF, foi enviada ao STF, já que o deputado tem foro privilegiado. Um dos primos de Elmar, o vereador de Campo Formoso Francisco Nascimento, foi um dos presos na operação, que investiga desvio de recursos públicos por meio de emendas parlamentares.

PoliticaLivre

À espera de denúncia, aliados de Bolsonaro traçam cronograma para prisão

 Foto: Marcos Corrêa/Arquivo/PR

O ex-presidente Jair Bolsonaro07 de fevereiro de 2025 | 11:05

À espera de denúncia, aliados de Bolsonaro traçam cronograma para prisão

brasil

Enquanto aguardam a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), prevista para este mês, aliados de Jair Bolsonaro já planejam os próximos desdobramentos da investigação sobre a trama golpista supostamente articulada na cúpula de seu governo para impedir a posse de Lula. A reportagem é de Malu Gaspar, do jornal “O Globo”.

Nos bastidores, interlocutores do ex-presidente, com trânsito no meio jurídico, reconhecem que o Supremo Tribunal Federal (STF) pode acelerar o andamento do caso, visando uma eventual condenação até dezembro deste ano. O objetivo seria evitar que o julgamento se arraste até 2026, ano eleitoral.

Indiciado pela Polícia Federal em novembro passado por abolição violenta do Estado democrático de Direito, golpe de Estado e organização criminosa – crimes que somam até 28 anos de prisão –, Bolsonaro aguarda o parecer da equipe do procurador-geral da República, Paulo Gonet. O grupo analisa as 884 páginas do relatório da investigação para embasar a denúncia.

Aliados do ex-presidente esperam que, após a apresentação da acusação formal pela PGR, o ministro Alexandre de Moraes acelere o trâmite e leve o recebimento da denúncia à Primeira Turma do STF já em março. Conforme antecipado pelo GLOBO, integrantes do colegiado cogitam aumentar a frequência das sessões – atualmente quinzenais, às terças-feiras – para dar mais celeridade à análise do caso.

Motta diz que 8/1 não foi tentativa de golpe e fala em desequilíbrio de penas

 Foto: Mário Agra/Câmara dos Deputados/Arquivo

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB)07 de fevereiro de 2025 | 13:42

Motta diz que 8/1 não foi tentativa de golpe e fala em desequilíbrio de penas

brasil

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta sexta-feira (7) que os ataques golpistas do 8 de janeiro foram uma “agressão inimaginável” às instituições, mas não pode ser classificado como uma tentativa de golpe de estado.

Em uma entrevista a uma rádio da Paraíba, onde o parlamentar cumpre agendas nesta sexta, Motta foi questionado sobre o projeto de lei que dá anistia aos condenados pelos ataques golpistas e qual seria a sua opinião pessoal acerca do tema.

“O que aconteceu não pode ser admitido que aconteça novamente. Foi uma agressão às instituições, uma agressão inimaginável, ninguém imaginava que aquilo pudesse acontecer. Agora querer dizer que foi um golpe. Golpe tem que ter um líder, tem que ter pessoa estimulando, apoio de outras instituições interessadas, como as Forças Armadas, e não teve isso”, afirmou Motta.

“Ali foram vândalos, baderneiros que queriam, com a inconformidade com o resultado da eleição, demonstrar sua revolta. Achando que aquilo poderia resolver talvez o não prosseguimento do mandato do presidente Lula. E o Brasil foi muito feliz na resposta, as instituições se posicionaram de maneira muito firme”, disse.

Motta afirmou que há “um certo desequilíbrio” nas penas dadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) aos condenados pelos ataques golpistas, ainda que sem citar o Supremo. Ele afirmou que é preciso punir pessoas que depredaram o patrimônio público, mas sem cometer exageros.

“Não pode penalizar uma senhora que passou ali na frente do palácio, não fez nada, não jogou uma pedra e receber 17 anos de pena para regime fechado. Há um certo desequilíbrio nisso. Nós temos que punir as pessoas que foram lá, quebraram, depredaram. Essas sim precisam ser punidas. Entendo que não dá para exagerar no sentido das penalidades com quem não cometeu atos de tanta gravidade”, disse.

Motta foi eleito presidente no último sábado (1º) com 444 votos e apoio de partidos que vão do PT de Lula ao PL de Jair Bolsonaro. Na entrevista nesta sexta, o parlamentar disse que o tema da anistia dos 8 de janeiro gera tensionamento com o Judiciário e com o Executivo e por isso haverá “cuidado” por parte dele para tratar do projeto.

“Não posso dizer que vou pautar semana que vem ou que não vou pautar de jeito nenhum. É um tema que estamos digerindo, conversando, porque o diálogo tem que ser constante. Todos que me apoiaram sabiam que eu tinha apoio dos dois [PL e PT]. Não se pode exigir que eu ‘desbalanceie’ a minha atuação, porque não posso ser incorreto com ninguém. Me cabe ser correto com todos e conduzir a Casa com isenção.”]

Hugo Motta também indicou que um caminho possível poderá ser o diálogo com o Judiciário para “encontrar uma saída” para o projeto de lei.

Victoria Azevedo, Folhapress

A desordem internacional criada por Trump é perigosa para o Brasil

Publicado em 7 de fevereiro de 2025 por Tribuna da Internet

Trump e Netanyahu: os desafios nas urnas de dois dos principais aliados  internacionais de Bolsonaro - BBC News Brasil

Donald Trump está apoiando o que há de pior em Israel

William Waack
Estadão

É bem provável que o próprio Donald Trump não compreenda o que significa a “Lei da Selva”, o “novo” sistema de relações internacionais. Esse tipo de situação nada tem de novo, mas é a primeira vez em que a desordem mundial é incentivada por uma superpotência num ambiente de arsenais nucleares em clara expansão.

O fato de que os fortões estão passando a se comportar como bem entendem apanha o Brasil num momento particularmente delicado. Também isso nada tem de novo: o País é uma potência regional média com escassa capacidade de projeção de poder, e perdendo influência no seu próprio entorno.

ELITES MALSÃS – Sua principal vulnerabilidade é o fato de que as elites políticas brasileiras nunca se preocuparam em estabelecer um projeto de país que levasse a sério questões de segurança e defesa nacionais. Preocupações estratégicas de longo prazo se restringem ao âmbito acadêmico civil e militar. Chegaram ao segmento industrial privado em raras situações (a Embraer é o destaque).

Essa ausência de um interesse social mais amplo sobre essas questões vem do fato do Brasil estar muito afastado de qualquer conflito internacional relevante, seja ele geopolítico, comercial, étnico ou religioso.

Não somos ameaçados existencialmente por vizinhos belicosos, nem estamos envolvidos diretamente em qualquer conflagração – o que nos tornou anestesiados em relação ao que acontece lá fora.

PAÍS VULNERÁVEL – Mas a Lei da Selva está aí, exigindo do Brasil um delicadíssimo equilíbrio típico de países pequenos e vulneráveis – embora o colosso verde-amarelo disponha de tanto potencial.

Somos dependentes em grande medida de mercados na Ásia e de insumos e tecnologias sensitivas de países ocidentais em geral e dos Estados Unidos em particular. E não sabemos o que vai acontecer do confronto entre China e EUA.

Ocorre que geopolítica e política comercial não se diferenciam mais. Em outras palavras, a economia está subordinada ao primado geopolítico e, como acentuam os clássicos do realismo, isso é função sempre de considerações de segurança nacional no relacionamento entre as potências.

TESTE DIPLOMÁTICO – Vender commodities para um e continuar amigo de outro será com Trump um duríssimo teste de sensibilidade e habilidade diplomáticas.

O Brasil tem sido uma das vozes críticas querendo a mudança da “velha” ordem internacional – a tal da ordem liberal, das regras e instituições multilaterais, dentro da qual a China cresceu e passou a contestá-la (agora com a ajuda entusiasmada de Washington).

Diante do que está acontecendo, soam proféticas as palavras do veterano embaixador Marcos Azambuja: “cuidado com as preces atendidas”.


#Política: Ex-prefeito de cidade baiana é condenado a 10 anos de prisão por fraude em licitações; prejuízo foi estimado em R$ 26,5 milhões

http://Especialistas alertam para a importância da imunização no retorno às aulas, prevenindo surtos de doenças transmissíveis em ambientes escolares.



Ranulfo Gomes, ex-prefeito de Cansanção| FOTO: Reprodução/Prefeitura de Cansanção

O político Ranulfo Gomes, ex-prefeito de Cansanção, no norte da Bahia, foi condenado a 10 anos, seis meses e 14 dias de prisão pela Justiça Federal. Ele é acusado de atuar em um “esquema sofisticado de fraudes em licitações e desvio de recursos públicos”. Os prejuízos foram estimados em R$ 26,5 milhões entre 2011 e 2015, período em que o político esteve à frente da prefeitura.

A sentença foi proferida pelo juiz federal Fábio Moreira Ramiro, da 2ª Vara Federal Criminal da Bahia. No mesmo processo, também foram condenados o ex-pregoeiro José Marcos Santana de Souza e a ex-secretária municipal de Educação, Valdirene Rosa de Oliveira. O g1 tenta contato com as defesas dos réus, mas ainda não obteve retorno.

De acordo com a Justiça Federal, o esquema foi descoberto após investigações da Controladoria-Geral da União (CGU) identificarem irregularidades na publicação dos editais de licitação, que restringiam a participação de outras empresas. A movimentação financeira posterior comprovou que Ranulfo era o principal beneficiário dos recursos desviados, tendo recebido R$ 444 mil em 56 transferências diferentes da empresa.

A operação “Making Of”, deflagrada em 2015, mostrou que os réus fraudaram quatro pregões presenciais entre 2013 e 2015 para beneficiar a empresa Taveira Comercial de Combustíveis. Para ocultar sua participação no esquema, Ranulfo teria registrado a empresa em nome de “laranjas”, incluindo o filho de um amigo pessoal dele e seu ex-gerente de um posto de gasolina.

Além disso, entre 2011 e 2014, a empresa recebeu R$ 5,13 milhões da Prefeitura de Cansanção e R$ 2,03 milhões do Fundo Municipal de Saúde. A perícia identificou superfaturamento em diversos contratos, com sobrepreços que chegaram a R$ 126 mil em uma única licitação.

Para a Justiça, a participação dos demais réus também foi essencial para garantir o sucesso das fraudes. A ex-secretária municipal Valdirene é acusada de assinar uma solicitação de despesa antes mesmo de sua nomeação oficial para comandar a pasta. A mulher, que é ainda cunhada do ex-prefeito, foi condenada a dois anos e seis meses de prisão.

Já o ex-pregoeiro José Marcos Santana de Souza era funcionário de uma madeireira pertencente a Ranulfo antes de trabalhar na prefeitura. Ele é acusado de conduzir processos licitatórios mesmo ciente de que a empresa vencedora pertencia ao então prefeito. O homem foi condenado a dois anos, oito meses e 15 dias de prisão.

A sentença do juiz federal Fábio Moreira Ramiro ressalta a gravidade dos crimes, destacando que eles afetaram um município extremamente carente, que apresentava um dos piores índices de desenvolvimento educacional da Bahia, ocupando a 347ª posição entre os 417 municípios do estado.

Como a condenação foi em primeira instância, os condenados poderão recorrer em liberdade. Além das penas de prisão, eles foram condenados ao pagamento de multas proporcionais aos crimes cometidos. As informações são do site g1.

https://jornaldachapada.com.br/

Nota da redação deste BlogEx-prefeito de Cansanção é condenado a 10 anos de prisão por fraude em licitações

A Justiça Federal condenou Ranulfo Gomes, ex-prefeito de Cansanção, no norte da Bahia, a 10 anos, seis meses e 14 dias de prisão. Ele foi responsabilizado por sua participação em um esquema sofisticado de fraudes em licitações e desvio de recursos públicos, causando um prejuízo estimado em R$ 26,5 milhões aos cofres municipais entre os anos de 2011 e 2015. A sentença foi proferida pelo juiz federal Fábio Moreira Ramiro, da 2ª Vara Federal Criminal da Bahia.

A condenação de Ranulfo Gomes refere-se especificamente a um esquema fraudulento relacionado ao fornecimento de combustível para a administração municipal. No entanto, essa não é a única irregularidade atribuída ao ex-gestor. Investigações apontam para sua participação em diversos outros processos fraudulentos durante sua gestão, sugerindo que os desvios de recursos podem ter sido ainda mais amplos e sistemáticos. A Justiça, ainda que por vezes pareça leniente, dificilmente falha em apurar e punir atos de corrupção.

No mesmo processo, também foram condenados outros envolvidos no esquema criminoso. A ex-secretária municipal de Educação, Valdirene Rosa de Oliveira, foi sentenciada a dois anos e seis meses de prisão. Ela é acusada de ter assinado uma solicitação de despesa antes mesmo de sua nomeação oficial para o cargo, demonstrando seu envolvimento direto nas irregularidades. Além disso, Valdirene é cunhada do ex-prefeito, o que reforça os indícios de nepotismo e favorecimento dentro da administração municipal.

Outro condenado foi o ex-pregoeiro José Marcos Santana de Souza, que recebeu uma pena de dois anos, oito meses e 15 dias de prisão. Antes de assumir seu cargo na prefeitura, José Marcos era funcionário de uma madeireira pertencente a Ranulfo Gomes. Ele é acusado de conduzir processos licitatórios com pleno conhecimento de que a empresa vencedora das concorrências pertencia ao então prefeito, configurando um claro conflito de interesses e violação dos princípios da administração pública.

A condenação de Ranulfo Gomes reforça a importância do combate à corrupção em municípios de menor porte, onde muitas vezes esquemas criminosos são perpetuados com menor visibilidade. Embora a pena se refira apenas a um dos processos nos quais o ex-prefeito é investigado, há expectativa de que novas decisões judiciais possam ampliar sua responsabilização por outros atos de improbidade administrativa e desvio de recursos.

O g1 tentou contato com as defesas dos réus, mas até o momento não obteve retorno.



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