sábado, outubro 07, 2023

Pacheco confirma que o fim da reeleição no Executivo será debatido no Senado


O presidente do Senado Rodrigo Pacheco

Rodrigo Pacheco diz que há consenso contra a reeleição

Julia Noia
O Globo

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), voltou a defender, nesta quinta-feira, a discussão do fim da reeleição para cargos do Executivo e passar o tempo de mandato de quatro para cinco anos. Nesta tarde, o senador respondeu a questionamentos de jornalistas sobre a votação de projetos que limitam poderes do Supremo Tribunal Federal (STF), também em discussão na Casa.

— Daqui a pouco, nós vamos discutir o instituto de reeleição no Brasil, a coincidência de eleições, eventualmente passar mandatos de quatro para cinco anos sem reeleição. São ideias postas que atingem o Poder Executivo, mas que também não são afronta ao Poder Executivo. São reflexões e deliberações que é papel do Congresso fazer, que aqui é a casa do povo — afirmou.

CLIMA DE TENSÃO – A declaração de Pacheco foi feita após votação relâmpago na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa aprovar texto de proposta de emenda à Constituição (PEC) para restringir decisões monocráticas de ministros do STF. A discussão, feita em 42 segundos, ocorreu em meio a uma tensão entre Congresso e Judiciário, com apresentação de propostas para limitar a atuação da Corte, tanto na Câmara quanto no Senado.

Questionado sobre crise entre os poderes, Pacheco negou: “Não vejo nenhuma crise. Quando o STF define a sua pauta de processos que tramitam no Supremo e precisam ser decididos, eu não entendo isso como uma afronta ao Congresso Nacional, embora algumas eventuais decisões possam encerrar algum tipo de invasão de competência”.

Além da PEC votada na CCJ, os senadores ainda discutem apresentar outra PEC para instituir mandato a ministros do Supremo, que têm direito à vitaliciedade do cargo. Na Câmara, por outro lado, deputados conseguiram mais de 170 assinaturas em projeto para conceder ao Congresso o direito a reavaliar decisões da Corte que transitaram em julgado caso avaliem que seja inconstitucional.

FIRMANDO POSIÇÃO – Na última semana, Pacheco já tinha se posicionado contra a reeleição para o Executivo e sustentou que o tema deve ser apreciado pelo Congresso. Na época, ele também tinha defendido que sejam trazidos ao plenário temas como aumento do tempo de mandato de quatro para cinco anos e a concomitância de eleições estaduais e nacionais com as municipais.

— Eu indago o instituto da reeleição no poder Executivo: fez bem ao Brasil? A minha percepção é de que não foi bom para o país. Quando se coloca o assunto no colégio de líderes, todos tendem a acreditar que o fim da reeleição seja bom para o Brasil — afirmou Pacheco, ao ser questionado sobre a tramitação da minirreforma eleitoral, encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa nesta segunda-feira.


Lideranças veem um “caminho sem volta” nas pautas que limitam os poderes do STF

Publicado em 7 de outubro de 2023 por Tribuna da Internet

A culpa é do STF | Espaço Vital

Charge do Duke (O Tempo)

Bela Megale
O Globo

Lideranças do Senado, inclusive alinhadas ao governo Lula, classificam as iniciativas do Congresso para limitar os poderes do Supremo Tribunal Federal como um “caminho sem volta”. Nos últimos dias, o Senado avançou em debates sobre a proposta de criar um mandato fixo para ministros da corte e medidas que restringem decisões individuais dos magistrados.

A avaliação dos senadores é que um dos fatores que motivaram essa reação foi a ex-presidente do STF Rosa Weber ter pautado, no fim de seu mandato, temas caros ao bolsonarismo, como o aborto, a criminalização das drogas e o marco temporal de terras indígenas.

MARCO TEMPORAL – Nas últimas semanas, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), passou a ser alvo de críticas por ter colocado para votação o projeto de votação do marco temporal, após a medida ter sido analisada pelo Supremo.

O senador também foi atacado por defender o debate sobre estabelecer um mandato para ministros da corte, que hoje podem permanecer no tribunal até completarem 75 anos.

O entorno de Pacheco avalia que o senador segurou esses assuntos durante o governo Bolsonaro e aponta que a ex-ministra “mexeu em um vespeiro”, ao debater esses temas sem sentir a temperatura política.

OUTRAS MEDIDAS – Caciques políticos do Senado dão como certo que medidas como o estabelecimento de um mandato de 12 anos para magistrados do STF e o aumento da idade mínima para se tornar ministro, hoje em 35 anos, irão prosperar no Congresso com agilidade.

Ainda é consenso neste grupo que a Proposta de Emenda à Constituição que limita decisões monocráticas e pedidos de vista em tribunais superiores vai ser aprovada com facilidade no Plenário do Senado e da Câmara.

Nesta quarta-feira, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou, em apenas 42 segundos, o texto que proíbe a decisão monocrática de ministros para conceder liminar em casos que envolvam o presidente da República e os presidentes das Casas legislativas.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Ao libertar Lula da Silva e devolver-lhe os direitos políticos, a pretexto de impedir a reeleição de Bolsonaro, o Supremo ultrapassou todos os limites da ética, da legalidade e da harmonia entre Poderes da República. Agora está levando o troco do Congresso, que é o mais democrático dos Poderes, por ser integrado por representantes do povo, eleitos diretamente. (C.N.)  

 

Juiz zera acervo de processos em um dia após sugestão de abertura de PAD; TRT-BA abre processo disciplinar

Por Camila São José

Juiz zera acervo de processos em um dia após sugestão de abertura de PAD; TRT-BA abre processo disciplinar
Foto: TRT-BA

O Pleno do Tribunal Regional do Trabalho da Bahia (TRT-BA) decidiu abrir processo administrativo disciplinar (PAD) contra o juiz substituto Gercílio Alves Moura por excesso de prazo. Na decisão, comunicada na sessão desta segunda-feira (2), os desembargadores, por unanimidade, sugeriram aplicação da pena de advertência sem o afastamento do cargo.

 

O acompanhamento do magistrado vem sendo feito desde outubro de 2018 e conforme a corregedora do TRT-BA, desembargadora Luíza Lomba, apenas nos meses de dezembro de 2018, maio de 2019 e setembro de 2022, “após abertura de reclamação de disciplinar”, é que o juiz não teve processos com mais de 60 dias úteis de atraso.

“Eu não retiraria a proposta de forma alguma, ainda que ele tivesse zerado, porque a negligência se demonstra por isso, por um monitoramento que vai desde 2018”, defendeu Luíza Lomba. 

 

O advogado Ivan Bastos pediu o arquivamento da proposta “tendo em vista que o magistrado cumpriu com aquilo que a corregedoria sempre desejou e com aquilo que foi determinado pela ilustre corregedora”. 

 

Além disso, a defesa alegou que o juiz vem enfrentando dificuldades com diversas perdas devido à pandemia de Covid-19 e que o fato de ter ficado sem assistente, afastado por licenças médicas com uma “frequência mais intensa”, também tem “dificultado para ele a entrega da prestação jurisdicional no prazo desejado”.

 

A desembargadora corregedora indicou ter conversado pessoalmente com Gercílio Alves Moura e classificou como lamentável o fato de os prazos serem regularizados, às vezes, apenas no curso de uma reclamação disciplinar. “Como doutor Gercílio, por exemplo, ajustou em dois meses quando a gente abriu a reclamação disciplinar em 2022, mas logo depois é só arquivar uma reclamação disciplinar e volta a ocorrer o atraso”. 

Para Lomba não há que se falar em excesso de trabalho, visto que ato da Corregedoria do TRT-BA estabelece limite máximo de 12 pautas por mês, o que representa 12 dias de audiência por mês. “Nenhum juiz do trabalho, principalmente substituto, nesses dois anos que eu estou como corregedora, fez mais de 12 pautas por mais, 12 dias de audiência. Então, por mais que o juiz tenha trabalho, o juiz que tem muito trabalho tem 12 dias de audiência por mês”, frisou ao criticar a norma do tribunal. “Eu nunca vi isso em lugar nenhum”.

Bahia Notícias


Nota da redação deste Blog, É exatamente para isso que existem as corregedorias nos tribunais. Elas são órgãos de controle interno que têm a função de fiscalizar, corrigir as falhas e indicar punição dos órgãos inferiores, se for o caso.

A existência das corregedorias é importante para garantir que a justiça seja aplicada de forma imparcial e justa. Afinal, ninguém está acima da lei, nem mesmo os magistrados.

As corregedorias podem atuar de forma preventiva, orientando os órgãos inferiores sobre como evitar irregularidades. Elas também podem atuar de forma repressiva, apurando e punindo as irregularidades que forem identificadas.

No Brasil, a Corregedoria Nacional de Justiça é o órgão responsável por fiscalizar a atuação dos magistrados e dos serviços judiciários auxiliares. Ela é composta por um corregedor nacional, que é um ministro do Supremo Tribunal Federal, e por dois corregedores auxiliares, que são desembargadores de tribunais superiores.

Além da Corregedoria Nacional de Justiça, cada tribunal de justiça também possui sua própria corregedoria. Essas corregedorias são responsáveis por fiscalizar a atuação dos magistrados e dos serviços judiciários do respectivo tribunal.

A atuação das corregedorias é essencial para garantir a integridade da justiça e a confiança da população no Poder Judiciário.

Coronel João Sá: MPF apura suposta irregularidade em licitação para construção de 16 quadras escolares

 Foto: Divulgação/MDB

O prefeito de Coronel João Sá, Carlos Augusto Silveira Sobral06 de outubro de 2023 | 18:30

Coronel João Sá: MPF apura suposta irregularidade em licitação para construção de 16 quadras escolares

EXCLUSIVAS

O Ministério Público Federal (MPF), através da procuradora da República Ludmilla Vieira de Souza Mota, instaurou um procedimento preparatório para apurar suposta irregularidade na licitação que teria como resultado a construção de 16 quadras escolares cobertas em Coronel João Sá. Segundo o MPF, “em princípio”, há a suspeita de “fraude ao caráter competitivo do certame e sobrepreço e/ou eventual superfaturamento” na contratação.

A licitação teria sido feita em 2020, sob a gestão de Carlos Augusto Silveira Sobral, e a concorrência pública foi ao mercado com número 002/2020.

Na mira da CGU – No final do mês passado, a Controladoria-Geral da União (CGU) identificou um desvio de R$ 3,7 milhões repassados pelo governo federal à Prefeitura. De acordo com o relatório da CGU, além do montante milionário, o órgão de fiscalização não recebeu a comprovação de utilização de outros R$ 703 mil reais que também deveriam ter sido aplicados na educação.

As irregularidades teriam ocorrido no exercício financeiro de 2020. Aponta a CGU que os recursos foram recebidos a pretexto de utilização no Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), mas desviados pela gestão municipal para contas de livre uso — o que é vedado pela legislação atual.

Questionada, a Prefeitura confirmou que fez os repasses da conta da Educação para outras cadernetas bancárias, mas disse que a movimentação não era ilegal. “Inicialmente, é importante esclarecer que a simples transferência de recursos de contas vinculadas para contas do Tesouro Municipal, ou o contrário, não indicam irregularidade, tão pouco a prática de ato de improbidade. Isto porque, além da relocação de recursos revelar-se necessária à continuidade de serviços, inclusive, da própria Educação Básica, todas as operações financeiras podem ser acompanhadas e fiscalizadas no Portal da Transparência, o que viabiliza o alegado controle”.

Alexandre Galvão

Moraes ironiza notícias falsas sobre comunismo e diz que é tratado como vilão

 Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF

Ministro do STF, Alexandre de Moraes07 de outubro de 2023 | 09:19

Moraes ironiza notícias falsas sobre comunismo e diz que é tratado como vilão

BRASIL

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes ironizou a “ameaça comunista” no país -comumente usada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus apoiadores- e disse que o assunto “dá muito ibope”.

A declaração ocorreu durante um evento do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo nesta sexta-feira (6).
O ministro citou ainda uma notícia falsa de que a Venezuela teria invadido o Acre e afirmou que “99% das pessoas que falam nem sabem o que é comunismo”.

“O 1% que sabe, sabe que não existe mais comunismo. A China é comunista, mas é mais capitalista do que nós. O [Vladimir] Putin é o rei do comunismo? [Quando] você fala em comunismo, principalmente pessoas mais velhas, é um negócio… [Quando perguntadas] por que são contra tal coisa, [respondem]: ‘Porque vão instalar o comunismo no Brasil’.”

O magistrado afirmou no evento que, no mundo todo, atacar a democracia não dá mais ibope.

“Não vamos falar: ‘vamos fechar o Congresso’, ‘vamos dar um golpe’. Não. Vamos ser os ‘grandes defensores da democracia’, da liberdade. Não por outra coisa, passou a ser definida a liberdade sem limites. A liberdade de se fazer o que quiser. E vamos atacar um instrumento que garante a democracia, é o segundo pilar e grande pilar das democracias ocidentais: as eleições.”

Moraes continuou afirmando que hoje “pega mal” falar contra as eleições e se passou a apontar fraudes. “Lá [nos EUA] se atacou o quê? O voto por carta. ‘São fraudados’ e ‘houve fraude’. No Brasil se atacou a urna eletrônica. Se o voto aqui fosse no papel, ia atacar o papel. ‘Tem que ser urna eletrônica’. Se o voto fosse por sinal de fumaça, iriam atacar o sinal de fumaça”, disse.

O ministro afirmou que somente foi possível descredibilizar as eleições porque, com ajuda das redes sociais, foi possível confundir notícias falsas com notícias veiculadas na mídia profissional. Em meio à declaração, Moraes também brincou afirmando que, se tirassem os celulares do Brasil, a produtividade aumentaria. Os presentes riram.

No evento, o magistrado citou ainda os ataques aos membros do Judiciário, incluindo ele próprio, e seus familiares.
“Atacar o Judiciário só, falar de uma instituição fica um pouco etéreo. Você tem que personificar e achar dentro da instituição um inimigo de carne e osso porque aí você personifica. No caso no Brasil foi carne, osso e sem cabelo. Um preconceito. Você personifica e você vai batendo, vai batendo porque dá ibope. É uma novela. Não existe novela que o vilão é uma instituição. Tem que ser uma pessoa.”

Para Moraes, a Constituição deu todos os instrumentos para que as instituições, especialmente o Poder Judiciário, tivessem “independência e autonomia para reagir a esses ataques” à democracia.

Ainda no evento, o ministro disse que desde a promulgação da Constituição de 1988, o Brasil vive “o maior período de estabilidade democrática de sua história republicana”. Moraes apontou que, em 35 anos, talvez o Brasil, entre as maiores democracias, é o que mais sofreu ataques e teve problemas, mas eles foram superados em razão do “fortalecimento que a Constituição deu às suas instituições”.

Moraes citou que o país sofreu ataques à democracia recentemente e afirmou que as instituições brasileiras conseguiram responder. “Tivemos eleição, tivemos posse, tivemos o dia 8 de janeiro e estamos aqui no dia 6 de outubro na democracia e no Estado de Direito, graças ao fortalecimento institucional de órgãos de Estado”, declarou.

Em razão desse fortalecimento institucional, disse o ministro, surgiu uma nova forma de ação: os ataques em conjunto com o uso das redes sociais.

O ministro declarou que os algoritmos das redes sociais também foram modificados para “ganhar o eleitor, transformar o eleitor em massa de manobra e, lamentavelmente, em um fanático político”, criando bolhas que reproduzem discursos de ódio.

“É uma verdadeira lavagem cerebral. O algoritmo percebe o viés de interesse seu e, a partir disso, ele induz informações, no ataque à democracia.”

Folhapress

Questão de estilo: por que não quero Dino no STF




Nossa corte já tem sua cota de juízes midiáticos. Lula deveria indicar um ministro discreto e técnico, como foi Rosa Weber. 

Por Jerônimo Teixeira 

Manifestos, panfletos e abaixo-assinados não são minha praia. O barato desta coluna é a crítica, não a reivindicação. Mas as especulações sobre o próximo ministro do STF despertaram ímpetos carbonários em mim. Decidi que era o caso de lançar meu “ele não!” particular. Lá vai:

Não quero que Flávio Dino seja ministro do Supremo Tribunal Federal.

Recém saído de uma cirurgia no quadril, é possível que Lula busque alívio para o desconforto pós-operatório na indicação imediata de seu favorito à corte máxima. Quando esta coluna for publicada, Dino talvez já seja ministro do STF (ou quase: dizem que ele enfrentaria resistências no Senado). Assumo o risco de publicar um artigo defasado. Aliás, até torço para que este texto se revele inútil. Vale dizer, torço para que outra pessoa se instale na cadeira ocupada por Rosa Weber até o fim do mês passado.

Não questiono as qualificações de Dino. Ele é brasileiro nato, adulto, e parece dominar o aparato legal – gosta de rechear seus discursos com referências a artigos da Constituição. Minha objeção a seu nome tampouco é de natureza ideológica. O país optou por um presidente de esquerda e é prerrogativa desse mandatário eleito escolher um juiz progressista.

O que considero realmente perigoso é assentar na corte um homem tão enraizado no solo da política mais comezinha – e tão habituado a responder às oscilações sísmicas desse solo. Trata-se de um ex-governador de estado que se converteu na figura mais briguenta do governo federal (o próprio Lula disputava essa primazia, até encerrar sua birra com o presidente do Banco Central). A beligerância de Dino às vezes se expressa de forma franca e direta, ainda que pontuada pela ironia. Quando pressionado pelas circunstâncias, porém, ele tende a dissimular as deficiências de sua própria gestão apresentando-se como um avatar da racionalidade sitiado por uma indefinida massa de críticos ignaros ou mal-intencionados.

Foi com esse gênero sinuoso de argumentação que o ministro tentou responder à explosão de violência que vem assolando o país. No Twitter (aliás, X ) e no discurso no qual apresentou, na segunda-feira, o plano de seu ministério para combater o crime organizado, Dino criticou o que chama de “extremismos” no exame da polícia brasileira. Os extremistas querem fazer crer ou que a polícia está sempre certa, ou que está sempre errada – mas as duas posições são equivocadas, afirmou Dino no discurso. No Twitter, a crítica voltou-se só contra quem acha que a polícia nunca tem razão: “Outra tese estranha é a de culpar as polícias em face do avanço das organizações criminosas nas últimas décadas. É injusto e não é construtivo. Como fazer Segurança Pública sem as polícias? Ou contra as polícias?”.

A polícia acerta e erra, e sem ela não se faz segurança pública. Isso soa muito sensato e óbvio, não? Mas é preciso atentar para o que Dino silencia: ele não diz quem são os tais extremistas da segurança pública.

Nem precisa adivinhar quem defende a infalibilidade dos policiais: Bolsonaro e sua turma. Quem seriam os defensores da tese de que a polícia é culpada pelo crescimento do crime? Grosso modo, essa é uma ideia disseminada na esquerda. Dino estaria criticando correntes de seu próprio campo ideológico?

Acho que não. Minha hipótese é que o desastre baiano obriga o ministro da Justiça a desqualificar os críticos da polícia. Dados do Anuário de Segurança Pública do Brasil mostraram que a Bahia abriga a polícia mais letal do país, e ações policiais recentes vêm produzindo cadáveres às dezenas – 70 mortos só em setembro. A possibilidade de uma intervenção federal no estado já foi aventada, mas Dino a descartou. A conta da matança fatalmente cai no colo de Dino e do partido do governo: a Bahia é governada pelo PT há 17 anos.

O vezo de responder a críticos espectrais e de contestar teses falsas que ninguém levantou faz parte do arsenal retórico de Dino. Permite que ele seja incisivo, agressivo até, sem sujar as mãos, pois não está nomeando ninguém em particular. No mesmo post em que contestou a tese antipolicial, porém, esse recurso foi empregado de forma pouco elegante. Para melhor “aquilatar” sua gestão em segurança pública, Dino sugeriu que ela seja comparada “com outros momentos do Ministério da Justiça, onde criminosos lá habitavam ou eram lá protegidos”. Certo, todo brasileiro que acompanha o noticiário pode adivinhar de quem ele está falando. Ainda assim, a denúncia, formulada dessa forma ampla e vaga, projeta a sombra da suspeita sobre todos os ex-ministros da Justiça (dois deles, aliás, hoje são ministros do STF). Disse há pouco que isso é uma deselegância? Me corrijo: isso é uma grosseria.

Percebo agora que minha bronca com Dino diz respeito principalmente a questões de estilo. E o estilo é o homem, ensinava um naturalista francês que ficou mais famoso por essa frase do que por seus achados científicos. A julgar por suas bravatas, suas expressões extravagantes (falei do “faroeste cibernético” e do “disco voador” em colunas anteriores), suas performances lacradoras em discussões com os mais toscos parlamentares bolsonaristas no Congresso, Dino seria mais um ministro midiático no STF. Chega de espetáculo: quero uma ministro discreto, que fale só nos autos. Um ministro não-pirotécnico, de votos técnicos e aborrecidos, como foi Rosa Weber.

Prefiro até que o popular “Bessias” seja o próximo integrante do STF. Ou que Janja convença o maridão a indicar uma jurista preta trans. Flávio Dino, não!

Revista Crusoé

Entenda se Trump pode assumir presidência da Câmara dos EUA




Trump endossa candidatura do deputado Jim Jordan, de Ohio, para presidente da Câmara

Nome de Trump tem sido ventilado como possível presidente da Câmara dos Representantes após queda de McCarthy

Por Kristen Holmes, Alayna Treene e Kate Sullivan

O ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump foi abordado nos últimos dias por deputados republicanos que apresentaram a ideia de ele servir como presidente da Câmara dos Representantes, mesmo que temporariamente, e ficou “intrigado” com a ideia. A informação foi confirmada à CNN por uma fonte familiarizada com os fatos.

“Eles me perguntaram se eu aceitaria por um curto período de tempo pelo partido, até que eles cheguem a uma conclusão. Não estou fazendo isso porque quero, farei se for necessário, caso eles não possam para tomar sua decisão”, disse Trump à Fox News Digital.

Ele disse que estava focado em sua campanha presidencial, mas que estaria aberto a servir por um “período de 30, 60 ou 90 dias”.

Se concorresse, Trump precisaria de obter a maioria dos votos dos legisladores presentes e votantes, o que poderia ser difícil para um antigo presidente que está polarizando até mesmo entre os membros da conferência do Partido Republicano. O deputado Mike Lawler, um calouro republicano de um distrito indeciso em Nova York, disse à CNN na quinta-feira que não vê espaço para Trump na corrida para presidente da Câmara.

Questionado por Jim Sciutto, da CNN, se queria que o ex-presidente fosse ao Capitólio, Lawler disse: “Acho que a escolha do orador será alguém que atualmente é membro do Congresso e acho que essas discussões deveriam ser entre os membros”.

E mesmo que Trump fosse eleito, não está claro se ele conseguiria contornar as regras da conferência republicana da Câmara que determinam que qualquer membro indiciado por acusações criminais que acarretam uma pena de prisão de dois ou mais anos é obrigado a renunciar à liderança. Essas regras são autoaplicáveis ​​e podem ser alteradas — mas apenas após um orador ser eleito.

Trump disse aos que o acompanham esta semana que, embora esteja “lisonjeado” e “honrado” por as pessoas terem levantado o seu nome, não está considerando seriamente a ideia, de acordo com duas pessoas que falaram com ele sobre a destituição de Kevin McCarthy.

O ex-presidente está “inteiramente focado” em concorrer à presidência, disseram as duas fontes, caracterizando a sua postura pública na narrativa de que poderia ser eleito presidente da Câmara como Trump que aprecia a atenção.

“Muita gente tem me ligado sobre a presidência da Câmara. Tudo o que posso dizer é que faremos o que for melhor para o país e para o Partido Republicano”, disse Trump aos repórteres do lado de fora do tribunal em Lower Manhattan na quarta-feira (4), durante uma pausa em seu julgamento por fraude civil.

Os deputados republicanos Troy Nehls, do Texas, e Marjorie Taylor Greene, da Geórgia, disseram publicamente que apoiariam Trump para o papel.

Trump manifestou apoio a Jim Jordan

O ex-presidente Donald Trump endossou a candidatura do deputado Jim Jordan de Ohio para presidente da Câmara nesta sexta-feira (6).

Em uma postagem feita no Truth Social pouco depois da meia-noite, Trump disse que Jordan “será um GRANDE presidente da Câmara e terá meu endosso total e completo!”

A intervenção de Trump na corrida ocorreu depois que ele expressou abertura para servir temporariamente no cargo e, de acordo com uma fonte familiarizada com as discussões, considerou uma visita ao Capitólio para falar com os republicanos nos próximos dias, enquanto eles avaliam um novo orador.

Não se espera que o ex-presidente vá ao Capitólio, disse uma fonte próxima a Trump na noite de quinta-feira (5).

Os republicanos devem ouvir os candidatos a presidente da Câmara em um fórum na próxima terça-feira (10), marcando a próxima possível votação para presidente da Câmara para quarta-feira (11).

O líder da maioria na Câmara, Steve Scalise, e Jordan anunciaram suas candidaturas, e outros ainda podem entrar na disputa, mas resta saber se a conferência poderá unir-se em torno de um sucessor viável para McCarthy.

Enquanto isso, a vaga deixa a Câmara essencialmente paralisada.

CNN

Em destaque

UPB defende São João com responsabilidade fiscal e combate à cartelização de cachês

  UPB defende São João com responsabilidade fiscal e combate à cartelização de cachês Por  Redação 31/01/2026 às 09:51 Foto: Divulgação O pr...

Mais visitadas