sexta-feira, fevereiro 03, 2023

General Heleno diz que o envolvimento do GSI em plano golpista é uma mentira


Heleno diz que Lula não pode retornar à presidência por "debochar de fatos"

Já era esperado o general Augusto Heleno tirar o corpo fora

Guilherme Seto
Folha

Ministro-chefe do Gabinete Segurança Institucional durante o governo Jair Bolsonaro (PL), o general Augusto Heleno diz ser “mentira” qualquer envolvimento de sua pasta ou da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) no plano golpista denunciado pelo senador Marcos do Val (Podemos-ES) para gravar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e tentar mudar o resultado das eleições.

“É mentira qualquer envolvimento do GSI ou da Abin, como instituições, nesse ‘plano’. Eu jamais tomei conhecimento de qualquer ação nesse sentido”, disse Heleno em mensagem ao Painel.

DISSE O SENADOR – Marcos do Val afirmou que, em encontro com Daniel Silveira e Bolsonaro, o ex-deputado federal propôs que ele gravasse o ministro do Supremo e tentasse arrancar dele alguma contradição que possibilitasse a sua prisão.

O objetivo do plano, segundo do Val, seria desencadear uma ruptura a ponto de Lula (PT) não assumir a Presidência.

Em entrevista à revista Veja, Do Val disse que Bolsonaro afirmou que o GSI e a Abin cuidariam do suporte técnico, fornecendo equipamentos de espionagem.

CONTRADIÇÕES – Durante transmissão nas redes sociais, o senador disse que a revista publicaria reportagem mostrando que Bolsonaro tentou coagi-lo a “dar um golpe de Estado junto com ele”.

Horas depois, questionado pela Folha, o senador recuou na acusação direta e disse que Bolsonaro “só ouviu” o plano do ex-deputado federal Daniel Silveira e afirmou que iria pensar a respeito.

Apesar disso, Do Val contou à reportagem que se encontrou com os dois porque recebeu uma ligação do próprio ex-presidente da República e que entrou no local da reunião em um carro da Presidência.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Aconteceu o seguinte: após ser contatado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Marcos do Val concordou em fazer acertos em sua narrativa, para poupar o ex-presidente. Agora, diz que Bolsonaro só ouviu a proposta de Silveira e ficou de pensar… Em tradução simultânea, o ex-presidente Bolsonaro ficará incólume e a culpa vai recair inteiramente sobre o ex-deputado Daniel Silveira (PL-RJ), que é um completo idiota e não tem a menor condição de se defender. Ou seja, Silveira será atirado aos abutres, sem a menor complacência. E o resto é folclore, como diz Sebastião Nery, que faz muita falta aqui no blog. (C.N.)

Denúncia de senador expõe golpistas, e até generais podem ser investigados


Aras coloca generais Braga Netto, Heleno e Ramos em saia justa - Alex  Solnik - Brasil 247

Ramos, Heleno e Braga Netto podem estar envolvidos

Igor Gielow
Folha

A denúncia do senador Marcos do Val (Podemos-ES) acerca de um complô golpista com participação de Jair Bolsonaro (PL) escancara aquilo que era dito com meias palavras por políticos que tiveram acesso ao então presidente recluso no Palácio do Alvorada após sua derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Uma central golpista operava naquele ambiente pesado, típico da mentalidade bunker que acompanha o político desde sua campanha vitoriosa em 2018,. Podia ser meio Tabajara, como brincou um ministro do Supremo, dada a tosquice de procedimentos e a falta de cuidados relatadas, mas era real.

AINDA HÁ LACUNAS – Era tão corpórea que, materializada em áudios e prints de mensagens mostrados pela revista Veja, que obviamente ainda precisam ser periciados para fins legais, complica ainda mais o já enrolado ex-presidente, ora em autoexílio voluntário na Flórida de Donald Trump. Há, claro, lacunas acerca da natureza da participação de Bolsonaro, dados os vaivéns do senador.

Como a Folha relatou no fim de 2022, um desses interlocutores encontrou-se com Bolsonaro e o viu entre sombras, remoendo queixas contra o Tribunal Superior Eleitoral liderado por Alexandre de Moraes, sugerindo um enigmático “vamos vencer” enquanto ouvia ideias golpistas dos generais de seu entorno.

Em entrevista recente ao jornal O Globo, o mandachuva do PL de Bolsonaro, Valdemar Costa Neto, pintou um quadro semelhante, dizendo que o “cara estava desintegrando” no Alvorada. O cacique disse que o então presidente resistiu aos impulsos golpistas à sua volta, mas também admitiu de forma cândida que “todo mundo” tinha minutas de sublevação em casa.

MINUTA DO GOLPE – Era uma referência à complicação anterior para Bolsonaro, o rascunho de um decreto de estado de defesa que seria aplicado ilegalmente só sobre o TSE, melando a vitória de Lula e abrindo caminho para um golpe que foi encontrado pela Polícia Federal na residência do ex-ministro Anderson Torres (Justiça), como a Folha mostrou.

Ao fim, nada aconteceu na virada do ano. Bolsonaro fugiu para os EUA e Lula tomou posse, mas a ser preciso o relato de Do Val, a intentona dos vândalos do 8 de janeiro tem correlação exatamente com parte do plano desavisado segundo o senador pelo então mandatário e o notório bolsonarista Daniel Silveira, preso nesta mesma quinta (2).

Naquele momento, fermentavam em frente ao QG do Exército em Brasília, além de outras unidades Brasil afora, os esporos golpistas que atacaram as sedes dos três Poderes. Se não está claro exatamente o que a dupla Bolsonaro-Silveira pretendia fazer, os fatos do dia 8 mostram uma das opções.

MILITARES ENVOLVIDOS – Em situação tão ou mais complexa está a antiga ala militar do governo passado. Militares da cúpula da Defesa consideram inevitável que o general Augusto Heleno, ex-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), seja investigado pela denúncia de que instrumentos do Estado, grampos da Abin, seriam usados contra Moraes.

Dispensável dizer que o mesmo GSI abrigava as dezenas de militares agora retirados de suas funções, acusados de terem sido no mínimo lenientes, no máximo incentivadores, da ação do dia 8.

Heleno era uma das vozes rondando o Alvorada de Bolsonaro, assim como o ex-chefe da Secretaria de Governo Luiz Eduardo Ramos e o vice na chapa derrotada em outubro, Walter Braga Netto. Todos generais de quatro estrelas, topo da hierarquia, na reserva.

ATRITOS NO EXÉRCITO – Essa linha de investigação poderá gerar bastante atrito para o novo comandante do Exército, general Tomás Paiva Ribeiro, que assumiu com a missão de lancetar os focos bolsonaristas mais agudos de sua Força e estabilizar a tropa.

No Supremo, ministros afirmam que a turbulência é previsível e também perigosa, dado que o general Tomás Paiva acaba de chegar à cadeira. Mas o fato de a nova trama envolver diretamente ação contra um integrante da corte sugere inflexibilidade por parte de Moraes, com apoio dos pares.

No discurso de abertura do ano do Judiciário, a sempre discreta Rosa Weber foi bastante incisiva sobre a necessidade de cercear os movimentos golpistas que irromperam na praça dos Três Poderes, dando apoio à doutrina operacional de Moraes —que não é imune a críticas, claro.

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NOTA DA REDAÇÃO O BLOG – Excelente artigo de Igor Gielow. Resta saber se Moraes, em relação aos generais, agirá com o mesmo rigor que impõe a Daniel Silveira, um policial militar sem expressão. Esta é a dúvida. (C.N.)

Vitória de Rodrigo Pacheco bloqueia lance de afirmação do bolsonarismo


Vitória de Pacheco desgasta ainda mais a corrente bolsonarista

Pedro do Coutto

A vitória de Rodrigo Pacheco, reeleito para a Presidência do Senado, representa um lance importante da política brasileira no atual período em que sucede a invasão de Brasília por bolsonaristas fanáticos , extrema-direita, que buscavam na candidatura de Rogério Marinho um impulso para a atuação que pretendem desenvolver a partir do primeiro ano do governo Lula da Silva.

Na Câmara Federal, destacaram-se a vitória por larguíssima margem de Arthur Lira e o discurso importante de Chico Alencar que destacou o peso do silêncio dos candidatos e dos parlamentares em geral em relação à fúria destruidora que no dia 8 de janeiro atingiu o Palácio do Planalto, o Supremo Tribunal Federal e o edifício do Congresso.

ENGAJAMENTO – No O Globo, a reportagem sobre a eleição de Pacheco é de Lauriberto Pompeu, Jennifer Gularte, Jussara Soares, Geralda Doca e Mariana Muniz. Na Folha de S. Paulo, a matéria saiu sem assinatura, trabalho conjunto, portanto, incluindo a sucursal de Brasília. O bolsonarismo tinha se engajado na candidatura de Rogério Marinho, tanto que a esposa de Bolsonaro, Michelle Bolsonaro, participou de um jantar de apoio ao senador eleito pelo Rio Grande do Norte na reta de chegada da eleição desta semana.

Por seu turno, Valdemar Costa Neto, que representa um verdadeiro enigma nesta altura dos acontecimentos, afirmou que o governo Lula com o seu apoio a Rodrigo Pacheco foi a causa da derrota de Marinho. Não importa a explicação do presidente do PL sobre o motivo de uma derrota por 49 votos a 32. No fundo, Valdemar quis realçar a polarização que o bolsonarismo tenta manter numa disputa política que atingiu seu ponto máximo na invasão de Brasília.

REFLEXO – A derrota de Rogério Marinho, e portanto do bolsonarismo, tem uma importância fundamental que se reflete no espelho ao lado da vitória de Pacheco. Isso porque salienta o desejo de fazer uma oposição forte ao governo Lula, porém restrita ao Senado Federal  e talvez ligada a outras manifestações de impactos menores, entretanto igualmente nocivas a que ocorreu em Brasília.

Dificilmente o quadro de vandalismo se repetirá, sobretudo porque no comando do Exército encontra-se agora o general Tomás Miguel Ribeiro Paiva.  O quadro mudou e qualquer investida subversiva não encontrará como aliadas a omissão e a conivência. Pelo contrário.

A próxima escala política de peso refere-se às urnas municipais  do próximo ano. Mas possíveis candidaturas do bolsonarismo, inclusive a do próprio ex-presidente da República, não produzirão o mesmo efeito causado pelas destruições no início deste ano. Inclusive, existe um comando do Exército, o do general Tomás Miguel, firme ao lado da legalidade.

ADEUS A GLÓRIA MARIA – Morreu na manhã de ontem, a jornalista Glória Maria. Rompeu barreiras, abriu caminhos dentro da profissão. Na Globo desde o início da década de 70, ela foi a primeira repórter a entrar ao vivo e em cores no Jornal Nacional.

Apresentou o Fantástico e, desde 2010, integrava a equipe do Globo Repórter. Foi uma pioneira e servirá sempre como inspiração para as novas gerações. Glória Maria deixará para sempre o seu exemplo no jornalismo brasileiro. 


Senador Marcos do Val revela plano para derrubar Moraes

Marcos do Val confirma proposta de golpe e aponta Daniel Silveira como mentor. Projeto para PBH assumir transporte coletivo avança. Cresce em BH o número de queixas por desrespeito à Lei do Silêncio. Fim de semana tem cortejos oficiais de blocos e mais eventos gratuitos em BH. Veja esses e outros destaques desta sexta-feira, 3 de fevereiro de 2023.

Senador Marcos do Val
Notícia número 1

Investigação

Um suposto esquema foi revelado por Marcos do Val (Podemos-ES) ontem. Ele contou que a proposta, feita pelo ex-deputado federal Daniel Silveira durante uma reunião com a presença do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), tinha o objetivo de "grampear" e prender o presidente do TSE, Alexandre de Moraes. Inicialmente, Do Val disse que Bolsonaro o teria "coagido". Porém, no fim do dia, ele afirmou que o ex-presidente apenas teria ouvido Silveira.

Notícia número 2

Transporte coletivo

Passou em 1º turno na Câmara de BH a proposta que autoriza a prefeitura a assumir bens utilizados pelas concessionárias que são necessários para garantir os serviços caso as empresas de ônibus não realizem melhorias no sistema ao fim do subsídio. O PL 332 recebeu 39 votos pela aprovação. Apenas o vereador Claudiney Dulim (Avante) deixou de votar.

Notícia número 3

Desrespeito à Lei do Silêncio

Explodiu o número de queixas feitas à Prefeitura de Belo Horizonte por desrespeito à Lei 9.505/2008, conhecida como Lei do Silêncio. Em cinco anos, o aumento foi de 87%, passando de 7.264, em 2017, para 13.595, uma média de 37 por dia. Bares, templos religiosos e obras de construção civil são os principais alvos das denúncias em BH.

Notícia número 4

Adeus a Glória Maria

Morreu nessa quinta-feira, 2 de fevereiro, a jornalista Glória Maria. Ao longo de cinco décadas, a jornalista marcou a história da televisão brasileira, com reportagens marcantes, entrevistas exclusivas e viagens por centenas de países. Em um gesto de gratidão e de respeito pelo legado que Glória Maria deixou ao jornalismo brasileiro, o Jornal Nacional finalizou a edição de ontem com quase 8 minutos de aplausos. Veja a homenagem.

Notícia número 5

Cresce aluguel de motos em BH

O número de entregadores de comida com motos alugadas disparou em Belo Horizonte. A Mottu, startup paulista de aluguel de motocicletas que está operando na capital mineira, planeja mais do que dobrar a sua frota por aqui em 2023. Entenda como funciona o serviço.

Notícia número 6

Fim de semana tem blocos na rua

Se o Carnaval de BH já tinha “começado” nos últimos dias, com os inúmeros ensaios de blocos espalhados por toda capital, neste fim de semana já tem muitos cortejos marcados com o início da folia oficial da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH). Veja a programação para curtir a festa desde já.

Notícia número 7

Pode WhatsApp na firma?

Um homem demitido por justa causa depois de ter as mensagens do celular pessoal lidas pela chefia dele será indenizado em R$ 3.000 no Rio Grande do Sul. Além disso, o desligamento terá que ser convertido para normal (sem justa causa). Daí, surge a pergunta: pode WhatsApp na firma? Uso depende das regras criadas pelo contratante. Entenda.

As opiniões do dia

Veja o que dizem os nossos colunistas hoje.
Atenção, alguns artigos são exclusivos para assinantes.

Luiz Tito

Luiz Tito - Na presidência da ALMG
Partido Novo sentiu o gostinho de comandar a Assembleia Legislativa

Tatiana Lagôa

Representatividade - Em uma TV de 'paquitas', Glória Maria foi luz para geração de pretas
Glória comprovou que o microfone pode ser empunhado por pessoas negras e que passaporte carimbado até o fim não pode ser privilégio branco

Paulo Paiva

Paulo Paiva - A voz de Minas
A voz de Minas é a voz do equilíbrio, da serenidade e da conciliação; mas a voz de Minas também é a voz do destemor, firme e contundente

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