sexta-feira, novembro 04, 2022

A validade desse documento é semelhante ao valor de uma nota de três reais.



Um leitor de boa fé residente em Jeremoabo enviou o documento acima para comprovar que o prefeito estava amarrado porque todos os sindicatos estavam presente no momento, que o termo de compromisso foi assinado por todos, presentes inclusive vereadores da situação e da oposição.

Louvo a sua boa intenção, porém de boas intenções o inferno está cheio.

Para comprovar o que estou informando faço a seguinte indagação: vocé está lembrado do ritual de posse do prefeito quando jurou   diante de vereadores da base aliada, opositores, jornalistas, funcionários da Câmara, da Prefeitura e populares? 

"Prometo exercer com dedicação e lealdade o meu mandato, cumprindo as Leis e respeitando as instituições, promovendo o bem geral do Município e pugnando pela manutenção da Democracia".

Pois é, se o prefeito não cumpriu o juramento prometendo cumprir a Constituição e demais leis, irá cumprir esse simples documento?.

Nota da redação deste Blog - Já tornou-se Status do prefeito desobedecer a lei, é um caso que talvez só Freud consiga explicar.

Mais um caso de desrespeito a lei, dessa vez de autopromoção as custas do dinheiro povo, dinheiro esse que ele está solicitando suplementação.

Já existem várias representações perante o Ministério Público denunciando supostos casos de promoção pessoal tanto do prefeito, do vice-prefeito, de secretários e servidores. ele não está nem aí, continua comentando supostos atos de improbidade administrativa, passando a falsa ideia de que o crime compensa, que o mesmo está acima da lei.

Até quando não posso informar, apenas tenho certeza que a impunidade um dia terá fim.

 

Apenas com um gesto o prefeito Deri do Paloma desmentiu toda as acusações que os vereadores fizeram conta sua administração

 Para os vereadores da "oposição" esse é o " Cara".


O prefeito Deri do Paloma nunca deu ousadia para atender qualquer convocação dos vereadores, quando bem entende tanto ele como seus secretários usam serviços de rádios locais, para desmentir as acusações dos vereadores, colocando os edis no seu devido lugar.

Essa semana os vereadores da oposição usaram da tribuna para denunciar horrores do prefeito, porém  no outro dia a " caravana conseguiu passar com toda tranquilidade e continuar seus desmandos, inclusive com direito a fotos e confratenização.

O povo está ancioso para saber qual foi a palavra mágica, o acordo que o prefeito usou para de uma hora para outra abrandar os vereadores, tornando-os  verdadeiros cordeiros subservientes  e obedientes.

É isso prefeito Deri do Paloma, manda quem pode obedece quem tem juizo, foi isso que aconteceu com os vereadores de Jeremoabo, endossaram e corroboraram com todos seus atos.

Parece tudo combinado, os vereadores como verdadeiros artistas "faz de conta" que estão denunciando através da tribuna, e você prefeito "faz de conta" que está com cara de preocupado com as denuncias de mentirinhas dos vereadores.

Falar em vereador de oposição em Jeremoabo é uma piada de mau gosto ...

Vereador que usa da tribuna para cometer crime eleitoral pedindo voto não tem voz altiva para denunciar ninguém.


Os vereadores de Jeremoabo com os dedos sujos apontaram as improbidades do prefeito, depois tratou o eleitor como palhaço, .






   
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 Escutem com bem atenção as palavras do vereador Sidney...

Simplesmente depois de falar para a plateia, os vereadores abraçaram-se, tiraram fotos, embarcam na mesma " NAVE". 

Para bom entendedormeia palavra basta

Nada mais tenho a comentar, apenas entender que as palavras de Rui barbosa estão acontecendo hoje em Jeremoabo, principalmente com o prefeito em conluio com os vereadores.

A salvação de Jeremoabo é se  a Polícia Federal colocar para frente, meia dúzia de denúncias que os vereadores em busca de votos fizeram antes das eleições. 

O vereador Sidney denuncia " amostra grátis" de supostos atos de desonestidade praticado na prefeitura de Jeremoabo.







O prefeito de Jeremoabo jogou os servidores da prefeitura contra os vereadores da oposição para que os mesmos aprovassem uma Suplemnntação, isso porque o prefeito estourou o orççamento.
Como os senhores poderão observar, o vereador Sidney raegiu contra o jogo baixo do prefeito denunciando que estão supostamente apropriando-se  indevidamente do dinheiro público em benefício próprio ou de outrem.
O vereador Neguinho de Lié da tribuna falou que não iria dizer que estão roubando o dinheiro porque era um nome feio, porém procurou um sinônimo.
Observem no vídeo onde o vereador Sidney denunciou que receberam dinheiro para executar um serviço, no entanto esse serviço não foi executado.
A pergunta é: quem embolsou indevidamente esse dinheiro?
Denunciou muitas outras trambicagens com fraudes, notas falsas etc.
A pergunta que o povo quer saber: depois dessas denúncias, os vereadores irão continuar auditando mais desvio de dinheiro para saber o tamanho do rombo?
Como parte desse suposto rombro do dinheiro trata-se de recursos federais; os vereadores levou ao conhecimento do MPF ou mesmo da Polícia  Federal?
Diante de gravíssimas denuncias, os vereadores irão compactuar com o rombo contra o erário público entrando no lamaçal por eles denunciados?
No meu entender caso os vereadores aprovem suplementação sem antes efeturar uma auditoria para levantar todos os desmandos, são mais desonestos do que quem praticou o crime, isso porque está praticando o mesmo crime de forma consciente.

Nota da redação deste blogSuplementação orçamentária de forma corriqueira é incompetência crônica na elaboração da LOA, que para não terem o trabalho de fazerem as devidas correções anuais, optam pela suplementação, que nada mais é do que anular uma determinada dotação ou várias, para suprir as necessidades de outra ou outras.
No meu entender o prefeito está tentando colocar os vereadores no mesmo barco furado, para todos afundarem-se juntos, isso porque quem tem conhecimento de improbidade e se omite ou prevarica é tão culpado quanto que praticou o delito.



PF apura esquema de vendas de sentenças por desembargador do TJ-SE

 em 4 nov, 2022 8:45

PF apura esquema de vendas de sentenças por desembargador do TJ-SE (Foto: PF)

A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República deflagraram na manhã desta sexta-feira, 4, a Operação Caneta Azul, com o cumprimento simultâneo de oito mandados de busca e apreensão nas cidades de Aracaju/SE e Carira/SE.

Segundo a PF, a investigação tem como fim apurar possível esquema de venda de decisões judiciais por Desembargador do Tribunal da Justiça do Estado de Sergipe (TJ-SE).

Os mandados foram deferidos pelo Superior Tribunal de Justiça. O TJ-SE ainda não se manifestou sobre a operaçã.

Com informações da PF

INFONET

Os mandados foram deferidos pelo Superior Tribunal de Justiça. O TJ-SE ainda não se manifestou sobre a operação.

Líder evangélico quer diálogo com Lula e diz que Zambelli prejudicou Bolsonaro




Um dos principais nomes da bancada evangélica no Congresso, o deputado Cezinha de Madureira (PSD-SP), aliado do presidente Jair Bolsonaro (PL), foi procurado por emissários do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e está disposto a trabalhar pautas em comum com o novo governo.

Porta-voz do bispo Samuel Ferreira e expoente da Assembleia de Deus de Madureira, uma das maiores denominações evangélicas do País, o pastor diz que o interesse em sentar à mesa com os petistas não significa incoerência nem traição a Bolsonaro.

O fogo-amigo, no entendimento do líder evangélico, partiu de outra parte da base de Bolsonaro, às vésperas do segundo turno. E ele responsabiliza especialmente a deputada Carla Zambelli (PL-SP).

"Traição foi a punhalada que o presidente recebeu nas costas com a deputada correndo na rua com arma na mão, talvez por um deslize mental. Cuidar do povo não é traição", disse ele ao Estadão.

Cezinha avalia que a ação de Zambelli e os tiros que o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB) deu em policiais federais foram decisivos para a derrota de Bolsonaro.

Ele alega que os acontecimentos também derrubaram em cerca de 3 milhões de votos a previsão que o grupo fazia para a vitória de Tarcísio de Freitas (Republicanos), eleito governador de São Paulo com 13 milhões de votos. Cezinha atuou próximo à campanha de Tarcísio e é cotado para participar da administração.

"A Zambelli cometeu a pior bobeira, é gente despreparada. Nossa eleição estava ganha. Para o Tarcísio, nossa previsão era de 16 milhões de votos. Eu digo que Lula não ganhou, nós que perdemos", afirmou.

Cezinha também acredita que a denúncia sem lastro de suposto prejuízo a Bolsonaro na propaganda eleitoral nas rádios prejudicou a reeleição. A alegação, apresentada pelo ministro das Comunicações, Fábio Faria (PP), na semana do pleito, foi classificada como tentativa de tumultuar o processo eleitoral e acabou rejeitada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O deputado se reuniu com o chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP), na segunda-feira, 31, um dia antes de o presidente Jair Bolsonaro se pronunciar pela primeira vez sobre o resultado das eleições. Ambos manifestaram interesse em manter relação republicana com o novo governo.

Cezinha destaca que os evangélicos têm interesse em pautas econômicas. "Bolsonaro terá nosso respeito, admiração e lealdade. Mas não significa que vamos votar contra o aumento de salário, contra o combate à fome", declarou. "Com o crescimento da bancada evangélica, óbvio que nenhuma pauta aberrante vai passar, como liberação de drogas e aborto. Mas estamos dispostos a trabalhar para pautas que ajudem o Brasil. Vamos conversar sobre o que for importante para o País."

Apesar da sinalização do rival, Lula não deve contar com o apoio oficial da bancada evangélica. O presidente da Frente Parlamentar Evangélica no Congresso, Sóstenes Cavalcante (PL), já anunciou oposição ao petista.

Com a dificuldade de transitar entre uma parte da bancada evangélica, emissários de Lula já procuraram Cezinha. "Sabem que o que pauta a minha vida é o diálogo. Quando é bom para os brasileiros, temos de conversar", disse.

O tom é semelhante ao adotado pelo governador eleito de São Paulo. Após concretizada sua vitória sobre Fernando Haddad (PT), Tarcísio afirmou que "o resultado das urnas é soberano" e que buscará "manter o melhor diálogo possível, de maneira republicana".

Como mostrou o Estadão, a bancada evangélica, a partir de 2023, estará reforçada por campeões de voto e pelo aumento do poder das grandes igrejas. Dos 203 integrantes da Frente Parlamentar Evangélica na Câmara, 177 foram candidatos a novo mandato. Deste total, 109 tiveram sucesso, uma taxa superior a 60%.

Estadão / Dinheiro Rural

Mourão e Gleisi trocam acusações sobre orçamento de 2023

 



Gleisi é uma das representantes de Lula na transição entre governos

Vice de Bolsonaro e presidente do PT divergiram a respeito da saída encontrada pela equipe de Lula para viabilizar pautas socioeconômicas no próximo ano

Por Guilherme Peixoto

A presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), Gleisi Hoffmann, e o vice-presidente da República, Hamilton Mourão (Republicanos), divergiram, nesta quinta-feira (3/11), a respeito da construção do orçamento federal para 2023. A equipe de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente eleito, trabalha com a possibilidade de negociar, junto ao Congresso Nacional, um incremento de R$ 200 bilhões à previsão de gastos do próximo ano. Os recursos adicionais serviriam para viabilizar políticas públicas.

Segundo Mourão, senador eleito pelo Rio Grande do Sul (RS), a futura gestão não demonstra responsabilidade fiscal. "O futuro governo de Lula está negociando com o Congresso um rombo de R$ 200 bilhões no orçamento de 2023, ou seja, zero compromisso com o equilíbrio fiscal. O resultado será aumento da dívida, inflação e desvalorização do real. Onde estão os críticos?", disse no Twitter.

Gleisi, então, rebateu o parlamentar. "(A) declaração de Mourão é no mínimo desonesta. Nem bem acabamos de iniciar a transição e estamos negociando a pauta que interessa ao povo trabalhador. Onde ele estava durante a farra do orçamento secreto e o uso perdulário e ilegal da máquina pública nas eleições?", escreveu a deputada federal pelo Paraná (PR), também no Twitter.

Durante a campanha eleitoral, Lula prometeu manter a transferência mensal de R$ 600 à população socioeconomicamente vulnerável. O programa deixou de se chamar Bolsa Família para ser batizado de Auxílio Brasil. O PT trabalha ainda para tirar do papel a promessa de repassar R$ 150 por filho às famílias beneficiárias do programa.

'PEC da Transição' pode ser alternativa

Hoje, mais cedo, a equipe de transição de Lula e o relator do Orçamento para 2023, o senador Marcelo Castro (MDB-PI), se reuniram para debater uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que possibilite um "drible" ao teto de gastos federal e, assim, garanta tópicos como o Auxílio Brasil de R$ 600, acrescido dos R$ 150 por criança.

Segundo interlocutores ligados a Lula, a PEC é necessária para impedir um "apagão social" no país. O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) disse que o plano é submeter as propostas a Lula na segunda-feira (7/10), para apresentação da PEC ao relator do Orçamento já na terça-feira (8/10).

Ênio Verri (PT-PR), que também participou da reunião, disse que o texto da PEC não deve trazer um valor específico de licença para gastar - chamada de "waiver" pelo mercado financeiro. O custo exato do pacote estaria especificado apenas no texto do Orçamento, feito por Castro.

"A PEC diz que para o ano que vem haverá exceção (para algumas políticas, que serão citadas", explicou Verri.

O vice-presidente eleito Geraldo Alckmin (PSB) comanda, pelo lado de Lula, a transição de gestões. O ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP), foi autorizado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) para cumprir o mesmo papel pelo campo governista.

Com informações de Idiana Tomazelli, Julia Chaib e Thiago Rezende

Folhapress / Estado de Minas

Lula terá de fazer milagre no Congresso




Esquerda terá de lidar com um bloco maior da direita e deve só obter apoios picados

Por Vinicius Torres Freire 

Luiz Inácio Lula da Silva tem uns três meses para montar ao menos um esboço de coalizão que sustente seu governo.

PT, esquerda e agregados sempre foram minoritários na Câmara, com algo entre 30% e 35% dos deputados federais eleitos nos anos em que petistas levaram o governo federal, por exemplo.

No começo da legislatura e do governo 2023-2026, a esquerda é um tanto mais minoritária. O problema maior não está aí, porém. A configuração do Congresso é bem diferente dos anos tucano-petistas (1994-2014).

A montagem de uma coalizão era, em princípio, mais difícil para o PT do que para o PSDB nos anos em que os dois partidos ficaram com o governo federal, 1994-2014. A situação piorou.

O partido que dava o lastro maior e central das alianças, o MDB, é diminuto, assim como o centro. Partidos menores dessas coalizões do antigo regime, os "fisiológicos", ora são aliados, dominantes e apoiaram Jair Bolsonaro na eleição deste ano (PL, PP e Republicanos).

O PT diz que seu primeiro objetivo é levar MDB (42 deputados) e PSD (também 42) inteiros para o governo. "Inteiros" nunca é possível. Neste 2022, ainda menos.

Metade desses partidos aderiu a Lula ou pode fazê-lo sem grande dificuldade depois da vitória petista. Mas pelo menos um terço é bolsonarista ou de estados do Sul ou do oeste. Poder e cargos resolvem parte da questão. O acordo será mais precário e custoso.

A federação Brasil da Esperança, PT, PC do B e PV, elegeu 80 deputados federais —uma federação é um bloco partidário que tem de durar quatro anos. A coligação que elegeu Lula tem, por ora, 122 cadeiras da Câmara (junta ainda a federação PSOL/Rede, PSB, Solidariedade e Avante).

"Sobrando", há os 17 do PDT, do que o PT pouco trata em público. Seriam então 139. Caso Lula levasse MDB e PSD de porteira fechada e acreditando em excesso nessa aritmética política, seriam 223 deputados. Pouco.

Petistas dizem que vão procurar a federação PSDB-Cidadania, de apenas 18 deputados. Deles, 13 são dos tucanos, não raro bolsonaristas disfarçados.

Não há um MDB, como entre 1994 e 2014, grande, bem distribuído por estados e cidades, em geral sem pretensão de disputar o Planalto, no centro do jogo. Os tucanos contavam ainda com a facilidade de ter um aliado constante e então numeroso, o PFL (depois DEM).

O MDB nesse período elegeu em média 83 deputados. Nos anos tucanos, o PFL elegeu em média 94. Partidos "fisiológicos" de algo entre 20 e 40 deputados, raramente 50, e desgarrados de outras legendas completavam o tabuleiro.

Esse sistema ficou moribundo a partir do Junho de 2013 e dos escândalos de corrupção. Morreu em 2018.

Em 2022, dominante é a coligação bolsonarista, PL, PP e os Republicanos da Igreja Universal, com 187 cadeiras. Há a ameaça, para Lula, de que se forme um bloco ainda maior de direita, com o União Brasil, de 246 deputados, ameaça remota, mas já explicitada por Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara candidato à reeleição.

PP e mesmo o PL, que ora abriga Bolsonaro, são maleáveis, mesmo tendo eleito parlamentares comprometidos com a direita dura ou extrema. Lira troca apoio para o comando da Câmara e emendas gordas por vida menos difícil para Lula, como se sabe.

O União Brasil, juntado do DEM com o resto do PSL, é a incógnita maior, mas também não iria em bloco para o governo, pois parte da legenda é antipetista militante.

Em resumo, Lula terá de negociar com um bloco de direita mais dura ou negocista que é dominante. Pior de tudo, talvez possa levar apenas pedaços dos partidos rachados com que vai negociar. Mesmo se der certo, é um quadro mais instável.

Folha de São Paulo

Lula e os muitos e complexos problemas de sua gestão



Ele precisa ampliar seu apoio político ao centro, e tratar os problemas com uma visão mais analítica que a de seu discurso eleitoral.

Por Roberto Macedo* (foto)

Há tempos Lula sentiu a necessidade de ampliar sua sustentação política além da advinda de grupos que tradicionalmente o apoiam, como sindicalistas e petistas históricos, mais à esquerda, com seus líderes ávidos pelo poder e suas benesses.

Esse apoio tradicional também explica, em parte, por que enquanto candidato Lula não apresentou uma visão detalhada de seu plano de governo, em razão de seu receio de desagradar esses grupos. Mas, de agora em diante, a realidade vai se impor. Politicamente, Lula já buscou ajuda mais ao centro, como ao escolher Geraldo Alckmin como vice-presidente. E teve apoios importantes como o de Simone Tebet e também o de muitos brasileiros que se arrependeram do seu voto em Jair Bolsonaro em 2018, vendo agora no petista um risco menor do que o associado ao atual presidente.

Lula terá de mostrar serviço, diante da dura realidade econômica e social. Para tanto, será fundamental que prossiga este movimento mais ao centro, pois ele é indispensável para contar também com quadros políticos e administrativos mais experientes em lidar com os muitos problemas a enfrentar. E será preciso que isso seja feito prestigiando o entendimento desses problemas em suas múltiplas dimensões, o que, numa linguagem mais acadêmica, significa buscar apoio em análises científicas, e não em visões baseadas em crenças preconcebidas.

Nessa linha, apresentarei exemplos dessa complexidade, começando pela promessa lulista de reajustar o valor nominal do salário mínimo a uma taxa superior à da inflação passada. A visão usual dos políticos é de que isso beneficiaria grupos sociais remunerados por esse valor. Mas ignora-se que, entre empregadores, um valor maior, com mais encargos sociais, pode revelar-se superior ao que o trabalhador geraria para seu contratante, com o que este poderá reduzir admissões e até fazer demissões, aumentando a informalidade contratual.

Outro aspecto é que a economia brasileira é enorme e diversificada, havendo regiões com mais ou menos setores produtivos capazes de suportar o ônus de um valor maior do mínimo. Por essa razão, em 2000 foram criados os pisos salariais estaduais, fixados pelos respectivos governos, com valores acima do mínimo nacional, mas tais pisos existem apenas em São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O governo federal deveria estimular outros Estados a fixar seus pisos, conforme suas realidades, passando-lhes parte dessa questão do salário mínimo.

O mínimo também atua como piso de aposentadorias e pensões. E seus reajustes trazem grande impacto nas contas públicas federais, pois cerca de 20 milhões de beneficiários do INSS o recebem. Há beneficiários que continuam a trabalhar e outros que também têm rendas de outras fontes, então, se for para aumentar, seria recomendável que alcançasse apenas os que o têm como única fonte de ganhos. Ignoro se o governo tem cadastros de renda e benefícios sociais que possam esclarecer essa questão. Sei que esses cadastros estão desatualizados e têm falhas de informação. Há que arrumá-los antes de avançar nos auxílios sociais.

O que esteve em discussão na eleição foi o valor nominal anual do mínimo. A propósito, fiz uma breve análise do valor real do salário mínimo mensal corrigido pelo INPC entre setembro de 2020 e agosto de 2022. Concluí que, com o aumento da inflação, o valor médio real dele entre os primeiros e os últimos 12 meses desse período caiu 2,2%. Ou seja, se a inflação for contida, haverá um ganho. Se não, uma perda.

Um segundo tema é que logo de imediato o governo terá de cuidar do impacto da má herança fiscal do governo Bolsonaro, com seus gastos eleitorais, e do efeito de promessas lulistas. Se daí vier mais inflação, vale lembrar que o Banco Central é independente e poderá responder mantendo a Selic em seu alto valor atual de 13,75% ao ano, ou mesmo aumentando-a, prejudicando o crescimento econômico.

Os problemas fiscais e seu impacto nos preços, juros e na dívida governamental são antigos e crônicos, e o foco dos políticos é usualmente o de criar mais gastos e financiá-los precariamente, sem maiores preocupações também com a equidade social. É preciso focar, ainda, na redução dos gastos e nessa equidade, e sobre isso foi concluído em 2017 um amplo estudo do Banco Mundial intitulado Um Ajuste Justo: Análise da eficiência e equidade do gasto público no Brasil. Sua conclusão mais importante é: “(...) com base numa análise aprofundada de políticas setoriais, este estudo identifica pelo menos 7% do PIB em potenciais economias fiscais em nível federal até 2026”. Teve dezenas de autores e consultores estrangeiros e nacionais, e seria um bom começo para uma revisão geral das finanças públicas brasileiras.

Como se percebe, os problemas são muito mais complexos do que o imaginado pelos políticos com suas promessas. Mas, se não forem enfrentados levando seriamente em conta sua natureza e suas consequências, o País e sua população menos favorecida sofrerão as consequências.

*ECONOMISTA (UFMG, USP E HARVARD), É CONSULTOR ECONÔMICO E DE ENSINO SUPERIOR 

O Estado de São Paulo

Luiz Felipe d’Avila: ‘O eleitor não acreditou que havia opção ao populismo’

 




O cientista político Luiz Felipe d'Avila, de 59 anos, que concorreu à Presidência pelo Novo, fala nesta entrevista sobre o desempenho eleitoral do partido e as divergências de seu fundador e ex-presidente, João Amoêdo, com dirigentes e mandatários da legenda. Fala, também, sobre o futuro do Novo e afirma que o partido tem de redesenhar sua governança para deixar claro que não tem dono e atrair as forças liberais que hoje estão dispersas em várias siglas e organizações.

Como o sr. analisa o resultado do Novo nas eleições?

O resultado foi ruim, para nós e todos os partidos que representavam uma posição mais de centro. A eleição mostrou que o eleitor dobrou a aposta na polarização. No Congresso, o PT e o PL saíram muito fortes e os outros partidos, como PSDB, MDB, PSD, PSB, PP encolheram. Na eleição presidencial, não houve terceira via e disputa ficou entre Lula e Bolsonaro. Foi um sinal claro de que o eleitor acreditou que, neste momento, não havia escolha a não ser a opção por um dos polos do populismo.

No caso do Novo, as divergências entre João Amoêdo e os dirigentes e mandatários da legenda não prejudicaram também a divulgação da mensagem partidária?

Não acredito que isso seja verdade. A divisão do partido foi praticamente resolvida quando as candidaturas para esta eleição foram aprovadas. O Amoêdo já não tinha mais nenhum cargo na Executiva, não participava mais do Diretório Nacional. Os próprios amoedistas se afastaram. Então, a dificuldade de propagar a mensagem se deu muito devido ao cenário polarizado. Ninguém queria escutar proposta. Nunca vi uma campanha tão pobre na discussão de propostas. Ficou uma discussão superficial dos reais problemas do Brasil e do que nós temos de fazer para enfrentá-los.

Na semana passada, o Amoêdo teve sua filiação ao Novo suspensa por declarar voto em Lula e criticar publicamente dirigentes e mandatários. Mas, como a imagem dele ainda é muito vinculada ao Novo, suas posições acabam criando ruídos entre filiados e fora do partido. Como superar este problema?

Infelizmente, o posicionamento do Amoêdo, de usar a imprensa para falar mal e criticar o Novo, criou uma oposição muito forte a ele, de desilusão, dentro do partido. A gente tem de dar o devido crédito ao João Amoêdo. Foi ele quem criou o Novo e o colocou em pé. Agora, a forma como ele vem tratando o partido só colabora para destruir a obra que ele construiu, o que é uma coisa maluca. Ele dizia que não era o dono do Novo, mas, quando o partido passou a ter uma atitude com a qual ele não concordava, começou a fazer críticas e a criar essa cizânia. Na minha visão, nós temos de olhar para o futuro e esquecer o Amoêdo. Acredito que ele vai se sentir cada vez mais desconfortável nesse barco e terá de definir o que quer.

O sr. é uma espécie de forasteiro no Novo. Não participou do processo de construção do partido e fez sua trajetória no PSDB, embora tenha "vestido a camisa" do Novo na campanha. Qual é o seu plano no partido? Vai continuar no Novo?

Vou continuar no Novo. Quero ajudar o Novo a reconstruir o partido, a aprimorar a sua governança. Vou trabalhar para tentar recrutar gente boa para as eleições municipais de 2024. Quero ser uma espécie de embaixador do Novo. Mas não pretendo ter cargo na Executiva do partido. Acho que isso hoje está muito bem nas mãos do Eduardo Ribeiro (presidente da legenda), que está fazendo um ótimo trabalho. Eu estava no PSDB, mas sempre fui um liberal. Era o cara da direita no PSDB. Pelos meus livros e pela minha trajetória, você vê que sempre tive mais afinidade com a linha ideológica do Novo do que com a do PSDB. Aí, quando o PSDB desmoronou, já em 2018, resolvi me afastar porque percebi que não havia clima para se construir o partido que eu achava que poderia avançar com a agenda liberal e reformista.

Com o resultado do Novo nas eleições, alguns analistas resgataram a velha máxima de que "os liberais brasileiros caberiam numa Kombi". Há espaço para um partido liberal como o Novo no Brasil?

A maior alegria que eu tive na campanha foi andar por esse Brasil e encontrar uma nova geração, de 20 a 35 anos, totalmente liberal. É interessante o DNA dessa geração. É uma geração para a qual o Estado nunca funcionou. A educação pública é péssima, a saúde pública é horrível, o Estado cria dificuldade para quem quer montar seu negócio. É uma geração que rechaça o Estado, que quer empreender, ser dona do seu destino. Então, vejo uma mudança geracional muito voltada às bandeiras do Novo e totalmente desiludida com a política tradicional.

O sr. vê então o revés do Novo nestas eleições como uma questão conjuntural e tem uma visão otimista em relação ao futuro do partido?

Com certeza. Estou muito otimista. Acredito que temos de aprender com os erros desta campanha, reconstruir o partido e ter uma nova governança, para o Novo se preparar para um Brasil que está indo ao encontro do que nós pregamos.

Hoje, no Brasil, os liberais estão dispersos em vários partidos e organizações. Como o sr. vê a possibilidade de o Novo concentrar esse grupo de liberais?

Esta é a razão do meu otimismo. Por isso, o redesenho da governança é tão importante. O que essas forças liberais vão querer ver é se esse partido tem mesmo uma governança moderna, se não tem dono, como já mostrou agora, com essa questão do Amoêdo. Para que elas se sintam confortáveis em aderir ao Novo, o partido precisa ter um bom conselho de administração, com nomes que representem essa corrente liberal, além de um novo presidente e uma nova Executiva legitimados pelos diretórios estaduais e pelos filiados. Isso vai abrir um novo capítulo na história do partido.

Estadão / Dinheiro Rural

Névoa econômica e o novo governo - Editorial

 




Incerteza fiscal dificulta previsões e pode retardar o corte dos juros, complicando a retomada do crescimento

Dissipar a névoa econômica deve ser uma das principais tarefas do presidente eleito e de sua equipe, neste fim de ano e nas primeiras semanas de mandato. Um horizonte mais claro é essencial para os grandes investidores, para os empresários, para as famílias e também para os formuladores da política de juros, muito importante para as condições de consumo e de produção. A última decisão sobre os juros básicos, mantidos pela segunda vez em 13,75%, foi tomada diante de um cenário com “visibilidade abaixo do normal”, segundo avaliação do Copom, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (BC). A deliberação foi oficializada na quarta-feira, 26/10, na reunião periódica do grupo, quatro dias antes do segundo turno da eleição.

A visibilidade é muito baixa até 2024, em todo o horizonte relevante para as decisões políticas sobre juros e crédito, ressalta o Copom, formado por diretores do BC. A grande incerteza sobre o curto e o médio prazos, citada na ata da última reunião, foi destacada neste ano em todos os comunicados do Comitê. A insegurança quanto à evolução da economia brasileira decorre de fatores externos e internos.

Fortes pressões inflacionárias, juros em alta e perda de ritmo das atividades marcam o cenário internacional. Todos esses fatores embutem riscos para o Brasil. O aumento de preços nas grandes economias e o aperto financeiro impõem cautela ao Copom, tornando perigosa uma rápida redução da taxa básica no País. Além disso, uma desaceleração mais forte da economia mundial pode prejudicar as exportações e afetar as contas externas brasileiras, por enquanto bastante sólidas.

Do lado interno, as incertezas sobre a evolução das contas públicas compõem o principal fator de insegurança mencionado na ata da última reunião do Copom. As bondades eleitoreiras do presidente Jair Bolsonaro inflaram os custos orçamentários previstos para 2023, motivando mais preocupações em relação ao quadro fiscal. Também o candidato da oposição assumiu compromissos custosos, como o de manter o Auxilio Brasil de R$ 600. No projeto de Orçamento ainda no Congresso está previsto o valor de R$ 405. Por esse e por outros compromissos, também o candidato Luiz Inácio Lula da Silva, eleito no segundo turno, contribuiu para tornar inseguro o quadro fiscal do próximo ano.

Com essas incertezas, é compreensível a cautela do Copom. Além do cenário enevoado de 2023 e de 2024, é preciso levar em conta a inflação interna ainda elevada, apesar do recuo recente. Pelas últimas projeções do mercado, resumidas no boletim Focus de segunda-feira, a inflação deste ano, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), deve ficar em 5,61%, superando mais uma vez o teto da meta (5%). A estimativa para 2023 foi mantida em 4,94%, repetindo a da semana anterior. A taxa básica de juros deve diminuir de 13,75% para 11,25% no próximo ano, de acordo com a pesquisa. Ainda muito alta, será um entrave ao crescimento: um motivo a mais para o presidente eleito cuidar da redução da insegurança.

O Estado de São Paulo

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