segunda-feira, setembro 06, 2021

Evangélicos de igrejas batistas “desconvocam” seus fiéis para os atos do 7 de Setembro

Publicado em 6 de setembro de 2021 por Tribuna da Internet

Natasha Werneck
Estado de Minas

O Movimento Batistas por Princípios, um grupo de religiosos, emitiu nota para desconvocar os fiéis para as manifestações do feriado de 7 de Setembro, Dia da Independência. Eles lamentaram o posicionamento de líderes religiosos em declarar apoio a “iniciativas autoritárias e pouco democráticas do atual presidente da República” Jair Bolsonaro (sem partido).

Na nota, o grupo demonstrou preocupação com as ameaças de fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF), quando as convocações são feitas “em nome da defesa da liberdade”. O movimento também afirmou que o presidente deve satisfações das últimas acusações divulgadas na mídia.

Por fim, eles pedem para que fiéis, especialmente batistas “que sempre defenderam princípios de verdadeira democracia e separação entre Igreja e Estado” a não comparecerem nas manifestações de 7 de Setembro. O movimento afirma que outras atividades podem ser mais “recompensadoras”.

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FRENTE PRÓ-CAMINHONEIROS CONDENA OS PROTESTOS
Deu no Correio Braziliense (Agência Estado)

A Frente Parlamentar Mista em Defesa do Caminhoneiro Autônomo e Celetista divulgou neste sábado nota afirmando que “repudia veementemente qualquer ação ou pretensão declarada que viole as garantias constitucionais do Estado Democrático de Direito e da coexistência de poderes institucionais independentes e harmônicos entre si”.

Na nota, assinada pelo deputado federal Nereu Crispim (PSL/RS), a frente parlamentar versa sobre retrocesso social “inadmissível” os chamamentos articulados nas redes sociais para participação de caminhoneiros em atos antidemocráticos no dia 7 de setembro, que “não podem ser tolerados, seja pela ilegitimidade de quem convoca, seja pela ilegalidade de suas pretensões.”

“Não há espaço para omissão dos representantes de direitos da categoria dos caminhoneiros autônomos e celetistas que devem expressamente manifestar-se contra ato atentatório dos pilares da democracia”, acrescenta o documento.

VAI QUEM QUER – Nesta sexta-feira, a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) informou que eventual participação de caminhoneiros nas manifestações do dia 7 de setembro “representará a vontade individual” do transportador, mas em nota a entidade não deixou claro se apoia ou não as manifestações ou se orienta a adesão de seus associados.

Natasha Werneck
Estado de Minas

O Movimento Batistas por Princípios, um grupo de religiosos, emitiu nota para desconvocar os fiéis para as manifestações do feriado de 7 de Setembro, Dia da Independência. Eles lamentaram o posicionamento de líderes religiosos em declarar apoio a “iniciativas autoritárias e pouco democráticas do atual presidente da República” Jair Bolsonaro (sem partido).

Na nota, o grupo demonstrou preocupação com as ameaças de fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF), quando as convocações são feitas “em nome da defesa da liberdade”. O movimento também afirmou que o presidente deve satisfações das últimas acusações divulgadas na mídia.

Por fim, eles pedem para que fiéis, especialmente batistas “que sempre defenderam princípios de verdadeira democracia e separação entre Igreja e Estado” a não comparecerem nas manifestações de 7 de Setembro. O movimento afirma que outras atividades podem ser mais “recompensadoras”.

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FRENTE PRÓ-CAMINHONEIROS CONDENA OS PROTESTOS
Deu no Correio Braziliense (Agência Estado)

A Frente Parlamentar Mista em Defesa do Caminhoneiro Autônomo e Celetista divulgou neste sábado nota afirmando que “repudia veementemente qualquer ação ou pretensão declarada que viole as garantias constitucionais do Estado Democrático de Direito e da coexistência de poderes institucionais independentes e harmônicos entre si”.

Na nota, assinada pelo deputado federal Nereu Crispim (PSL/RS), a frente parlamentar versa sobre retrocesso social “inadmissível” os chamamentos articulados nas redes sociais para participação de caminhoneiros em atos antidemocráticos no dia 7 de setembro, que “não podem ser tolerados, seja pela ilegitimidade de quem convoca, seja pela ilegalidade de suas pretensões.”

“Não há espaço para omissão dos representantes de direitos da categoria dos caminhoneiros autônomos e celetistas que devem expressamente manifestar-se contra ato atentatório dos pilares da democracia”, acrescenta o documento.

VAI QUEM QUER – Nesta sexta-feira, a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) informou que eventual participação de caminhoneiros nas manifestações do dia 7 de setembro “representará a vontade individual” do transportador, mas em nota a entidade não deixou claro se apoia ou não as manifestações ou se orienta a adesão de seus associados.

Nota de Falecimento.

 



É com pesar que registro o falecimento  de ANA  MARIA CONCEIÇÃO TEIXEIRA (06.09) agora à noite , pessoa humana  companheira honesta e sincera,  que tive o prazer de conviver com a mesma por mais de uma década,  debaixo do mesmo teto.

 Mas nós temos de permanecer cá, honrando a vida dos que já não estão. 

A dor da perda é imensurável e nada que se possa dizer é capaz de amenizar o sofrimento. 

Que o seu coração descanse na paz e na serenidade de Deus.

Que as provações por quais passou sejam suas vitórias  e que estas possam edificar e evoluir todo o seu ser, que o amor e a fé sejam sempre a luz que o guiam .

PF prende ex-PM que ameaçou matar Alexandre de Moraes

PF prende ex-PM que ameaçou matar Alexandre de Moraes
Foto: Nelson Jr./SCO/STF

A Polícia Federal prendeu, no final da tarde desta segunda-feira (6), o ex-policial militar Cássio Rodrigues Costa Souza, de Minas Gerais. Ele foi preso após ter publicado nas redes sociais, na sexta-feira (3/9), uma ameaça ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

 

“Terça-feira (7 de setembro) vamos te matar e matar toda a sua família, seu vagabundo”, escreveu no Twitter o ex-militar, que apagou a postagem depois.

 

Ao portal Metrópoles, fontes da PF, Souza foi preso em sua residência, na cidade de Conselheiro Lafaiete, no interior de Minas. Os policiais também cumpriram um mandado de busca e apreensão na casa do ex-PM.

 

A prisão preventiva havia sido decretada nesta segunda pelo próprio Moraes, a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Bahia Notícias

Às vésperas do golpe, confiram o estranho país que o ditador Bolsonaro terá de governar

 

Às vésperas do golpe, confiram o estranho país que o ditador Bolsonaro terá de governar 

Charge do Lane (Arquivo Google)

Francisco Moreno

Corrupção existe no mudo inteiro, não há como não ter, faz parte do ego, alia a ambição e a cupidez humana à oportunidade, mas fora do Brasil ela é acanhada, envergonhada, tímida, chegam a escondê-la e, acreditem, é ilegal, perseguida e até punida. Portanto, os outros países nunca vão alcançar nosso estágio, nunca conseguirão se comparar ao Brasil.

A corrupção virou praga no Brasil porque é adubada com os melhores fertilizantes – a safadeza, a ambição, o poder, a dissimulação, a hipocrisia, a falsidade e, principalmente, a impunidade, um agrotóxico nacional que não existe em nenhum outro país da ONU e que combate pragas como a honestidade, a moral, a vergonha na cara, o caráter, o respeito e a hombridade.

SEGUNDA INSTÂNCIA – No Brasil, corrupto só cumpre prisão após ser condenado pelo Supremo, numa quarta instância que nem existe na grande maioria dos países, que funcionam com juiz singular, depois Tribunal de Apelação e na terceira instância o Supremo, onde chegam poucas questões, não existe essa esculhambação à brasileira, uma verdadeira jabuticaba jurídica.

O resultado é que a corrupção está tão entranhada na nossa cultura que criticar ou condenar os corruptos tornou-se piegas, politicamente incorreto, diz-se até que isso atrasa o desenvolvimento e prejudica as empresas brasileiras, deve ser mesmo, porque aqui o capitalismo não decola.

E estamos na sétima Constituição, no espaço de 197 anos, a atual tem 250 artigos e 108 emendas foram promulgada desde outubro de 1988.

VIGOR LEGISLATIVO – Para ter ideia do nosso vigor legislativo e proficiência constitucional, vamos comparar nossa portentosa Constituição com aquele folheto dos irmãos do Norte. A única Carta deles, escrita em 1787 pelos “Pais da Pátria”, contém apenas 7 artigos, que pobreza! E em nesses 233 anos só lhe agregaram, pasmem!, 27 emendas. Assim, se torna urgente enviar Arthur Lira para ensinar os legisladores americanos a serem mais inventivos.

Ainda para garantir a impunidade, todas as autoridades aqui têm foro privilegiado e os ministros dos tribunais superiores são indicados pelo Presidente da República, que os nomeia entre amigos ou conhecidos e por isso sua composição raramente contempla magistrados de carreira e suas decisões às vezes se assemelham mais a manobras políticas do que a sentenças.

O Procurador Geral da República, fiscal geral da lei e única autoridade com competência para denunciar criminalmente o chefe do governo, também é indicado pelo presidente e sua função acaba sendo um cargo de confiança palaciano.

SISTEMA DE GOVERNO – Também desenvolvemos por aqui o regime de presidencialismo de coalizão com dezenas de partidos, uma solução criativa de nosso caos institucional.

Esse sistema possibilita que o presidente, ao usar a caneta, o talão de cheques, o cartão corporativo, com seus poderes imperiais de negociação, compra e imunidade legal, pode governar com um Congresso sem caneta, mas com respeitável poder de chantagem e um Judiciário dependente da caneta e do talão de cheques do patrão.

Resumindo, da análise de nossas jabuticabas institucionais, deduzo que são todas dirigidas por alguém e contra alguém, pelo que me permitiria repetir a frase do mestre Mário Henrique Simonsen: “Se só tem no Brasil e não é jabuticaba, é algum besteira”.

Mais um julgamento a respeito de reincidências de prática de nepotismo na prefeitura de Jeremoabo, ou seja: " tudo em família"

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Relator - Cons. FERNANDO VITA

Processo nº 12280e18 - Denúncia referente à Prefeitura Municipal de JEREMOABO. Denunciado: Sr. Derisvaldo José dos Santos. Denunciantes: Sra. Edriane Santana dos Santos, Sr. Benedito Oliveira dos Santos, Sra. Ana Josefina Melo de Carvalho, Sr. Antônio Chaves, Sr. Domingos Pinto dos Santos, Sr. Manoel José de Souza Gama, Sr. Carlos Henrique Dantas Oliveira e Sr. Genilson de Jesus Varjão. Procuradores: Sr. Antenor Idalécio Lima Santos - OAB/BA nº 43166, Sr. Allan Oliveira Lima - OAB/BA nº 30276, Sr. Ramon William Mendes Brandão - OAB/BA nº 42056, Sra. Jacqueline Carneiro Simões Guimarães - OAB/BA nº 59439.

Nota da redação deste Blog - No próximo dia 09.09 assistiremos ao vivo e a cores, mais uma provável condenação por  de prática de nepotismos reincidente, posta em prática na prefeitura de Jeremoabo pelo atual prefeito que acha-se acima da lei.

Quais são as consequências dessa prática?

O nepotismo supõe a priorização do laço de parentesco sobre a competência técnica, ou seja, ao priorizar familiares e parentes a prática abre caminho para incompetência administrativa, uma vez que a administração pública deixa de contar com o indivíduo mais competente para a função.

Além disso, a prática dialoga com a corrupção, podendo levar ao desvio de verba, ao pagamento de propina e a troca de favores. Isso porque com a nomeação de parentes deixa-se de considerar os princípios dirigentes da administração pública, expressos no artigo 37 da Constituição Federal, como o principio da impessoalidade e da eficiência.

Conseguiu entender o que é nepotismo? Qual sua opinião sobre o assunto? Deixe suas dúvidas e sugestões nos comentários! (https://www.politize.com.br/nepotismo/)

Será preciso ter responsabilidade no 7 de Setembro - Editorial

  




O presidente Jair Bolsonaro está certo quando diz que seus apoiadores têm o direito de ir e vir, de organizar manifestações como as previstas para o Dia da Independência nesta terça-feira e de defender as políticas adotadas por seu governo. Do ponto de vista político, o presidente também tem o direito de chamar bolsonaristas para a rua. É um momento em que ele precisa demonstrar força diante de uma realidade inóspita.

A inflação segue alta e corrói a renda, o desemprego continua afetando mais de 14 milhões de brasileiros, indícios de maracutaias não param de sair da CPI da Covid, a crise hídrica e a falta de planejamento fizeram o preço da conta de luz disparar, pondo em risco a recuperação econômica em 2022. Empresários, sempre reticentes em criticar quem está no governo por receio de represálias, têm saído a público com manifestos em favor da democracia, uns mais, outros menos explícitos nas críticas ao presidente.

Precisa ficar claro, porém, tanto a Bolsonaro quando a seus seguidores, que seus direitos, como os de todos os brasileiros, têm limites. Podem ir e vir, mas não dirigir a 120 quilômetros por hora dentro das cidades. Desfrutam a liberdade de expressão, porém não podem atacar as instituições que sustentam o ordenamento democrático. Infelizmente, dado o retrospecto, faz-se ainda necessário explicitar também que não é permitida a participação de militares da ativa em manifestações políticas.

Motivos para preocupação com o que acontecerá no 7 de Setembro não faltam. Como já foi dito sobre Donald Trump, Bolsonaro é também uma “fábrica de confusão”. Afirma ser um democrata e respeitar os resultados eleitorais, nega apoiar a ideia de um golpe e, ao mesmo tempo, dá sinais claros de pensar o oposto. Quem afirma “jogar dentro das quatro linhas da Constituição” não pode condicionar sua obediência a nada. Não tem “mas”.

Continuando no terreno das metáforas futebolísticas, o presidente parece agir como um técnico de futebol que jura respeitar as regras do jogo, mas treina seu time com lições de luta livre, não para obedecer às decisões do juiz. Que fique claro: todas as precauções devem ser tomadas para que as manifestações ocorram em clima de paz. Caso contrário, a responsabilidade recairá sobre o próprio presidente.

Na sexta-feira, Bolsonaro disse que o 7 de Setembro será um ultimato para “um ou dois”, o que foi entendido como referência a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Dias antes, havia discursado que seus apoiadores mostrarão “quem manda no Brasil”. “Nós temos a obrigação de fazer aquilo que vocês determinam.”

O presidente precisa entender duas coisas: 1) ministros do STF não podem receber, sob nenhuma hipótese, ultimato do inquilino do Alvorada; 2) por maiores que sejam as manifestações, o nível de apoio ao governo não chega a um quarto dos eleitores. Várias pesquisas de opinião atestam que os bolsonaristas são minoria. Ter a capacidade de lotar um estádio não significa ter a maior torcida. A democracia, é bom não esquecer, precisa proteger os direitos de todas as minorias, mas ainda é o governo da maioria.

O Globo

Alfabeto político para desarmar golpe

 




Por Paulo Fábio Dantas Neto* (foto)

O 7 de setembro de 2021 já está sendo vivido há semanas, como se algo de impactante, quem sabe decisivo, esteja para nos acontecer. A agitação e propaganda bolsonaristas enfatizam a data não para nos lembrar dela como a do parto consumado de um país e sim para brandi-la como ameaça de vir a ser a do ato inaugural de seu apocalipse. Como aves de mau agouro, nada cavalheirescas, militares sem honra e vivandeiras civis atiçam uma besta-fera que imaginam habitar o seu (lá deles) Brasil profundo. O bolsonarismo quer nos fazer crer que será um dia D, prenúncio de uma hora H. Ultimato é a palavra mais recente, proferida na Bahia para reiterar uma ameaça terrorista que se tornou rotina.

Saberemos, em três dias, se o 7 de setembro desse ano será dia de batalha decisiva, ou se será de mais uma, rumo ao assalto ao nosso Capitólio ou à desmoralização dos assaltantes. Mas desde já sabemos que haverá batalha, não apenas porque o palácio trabalha nisso obstinadamente, mas também porque não falta, na oposição, quem a queira travar na hora e lugar escolhidos pelo adversário, mesmo sabendo que tipo de armas ele se dispõe a usar.

Paciência! Imprudentes fazem parte de qualquer conjuntura crítica e seu voluntarismo, embora aumente os perigos, não deve nublar a visão geral do processo, que segue seu compasso. Inexoravelmente, chegará a hora do basta, o ponto G da cidadania reencontrando o seu país. Ele, o processo, mostra que Bolsonaro perde o jogo na política. Está difícil ao incumbente reverter a situação dentro das regras. Sua rejeição não parece reversível a ponto de voltar a ser candidato competitivo numa eleição presidencial em dois turnos. Mas ainda não podemos afirmar que Bolsonaro ficará fora do segundo turno. Essa é a tendência, mas até se tornar realidade há muita política por fazer.

Bolsonaro previamente eliminado da competição, seja por cometer subversão das regras, seja por não conseguir classificação, é um horizonte institucionalmente tranquilizador. Sua presença no segundo turno é risco dobrado para a República e para a Democracia. No primeiro turno, eleições concomitantes para o Congresso introduzem uma complexidade que, de certa forma, é aliada de alguma moderação. Bolsonaro não poderá ignorar totalmente as eleições parlamentares. Arrisca-se a perder mais rápido se tentar melar um jogo eleitoral que interessa a seus aliados também. Mas chegando ao segundo turno, ainda que sem chance de vencer (ou talvez justamente por isso), restaria o embate direto com o presidenciável adversário e com governadores inimigos. Aí sim, cessaria qualquer limite.

Virtualmente derrotado pelos dedos inclementes dos eleitores, não terá motivo para adiar o confronto final para depois das eleições, como tentou Trump. Com outras armas que não urnas, ele já o prepara como se fosse acontecer agora.

É com essa contingência que democratas devem se preocupar, para ela devem se preparar. O ideal seria que tirar Bolsonaro do segundo turno fosse uma preocupação de todos eles. Mas, como sabemos, o ideal não existe, por definição. Para a esquerda petista, o melhor é Bolsonaro chegar ao segundo turno ensanguentado pela rejeição para levar uma surra eleitoral histórica. Com ela, a extrema-direita seria exorcizada e a esquerda redimida de seus próprios pecados. Mas como exorcismo e pecado não são figuras apropriadas à política, essas não são expectativas realistas. A primeira menos ainda, pois, mesmo que o eleitorado promova a suposta remissão, é, no mínimo, duvidoso que uma derrota acachapante tire o bolsonarismo da cena pública. É previsível que se consolide como movimento subversivo, que não ganha eleição, mas é capaz de promover desordem.

Desse modo, o acordo possível entre democratas de direita, centro e esquerda é o de não agressão mútua. Mas tirar Bolsonaro do segundo turno é missão precípua dos partidos do centro político, de boa parte do centrão e dos que já são (ou ainda serão) ex-aliados de Bolsonaro dispostos a consertarem o erro de 2018. Para evitar mal-entendido esclareço: erro cometido no primeiro turno - quando essas forças se dispersaram, em atenção aos seus próprios umbigos, em vez de se unirem para falarem ao país - e não no segundo turno, quando a Inês já era morta.

Há sinais de que essa agregação é hoje mais possível do que era há semanas atrás. Com variações, a depender do instituto de pesquisa, a soma de intenções de voto em pré-candidatos do centro já pode mirar a marca de Bolsonaro e torna mais remota a hipótese de vitória de Lula no primeiro turno. Para não se prender a quantitativos a mais de um ano da eleição, a análise deve reparar no sentido geral dos movimentos dos vários atores políticos no plano das articulações, que é o sentido da unidade interna ao campo. Mas ainda é um desafio o alargamento dessa ideia a ponto de sensibilizar o eleitorado. A entrada do presidente do Senado no rol das cogitações e sua pontuação em pesquisas, ombreado aos demais nomes postos bem antes do dele, indicam que não existe apenas um, mas pelo menos dois espaços de passagem à atitude unitária e a um discurso pacificador.

O primeiro espaço é oposicionista, de atores que lutam em seus partidos para cercarem o governo, não lhe darem passagem, contestando-o a partir de fora. Quem mais tem perseverado nesse caminho é o ex-ministro Mandetta. Há outros nomes no dito centro, até mais expostos que o dele. Mas não é missão fácil convencer que Ciro Gomes, ou João Dória, possam se conduzir fluentemente como pombas, perante os eleitores.

O outro espaço ao discurso pacificador começa dentro do campo governista e anexa, à sua identidade, a etiqueta de terceira via, que é apelo antigo do espaço oposicionista de centro. Nas últimas semanas o alargamento desse segundo espaço tem se mostrado mais plausível, pelo estilo e sentido dos movimentos de Rodrigo Pacheco e, também, porque os desacordos entre o PIB e o governo começam a passar do sussurro à fala sem, contudo, mostrarem inclinação ao grito. Assim, o ponto de equilíbrio do discurso tende a ser morno e reforçar, em atores e partidos, uma atitude mais conservadora, ao talhe de Pacheco.

Enquanto isso a impaciência assola o bolsonarismo e o faz atuar para elevar muito a temperatura política exortando seguidores a acertos de contas análogos a um juízo final. Em que exemplos da História se miram? A que momento da trajetória desejam retroceder? Diz-se que ao regime militar de 1964, mas quando se olha para lá vê-se autocracia cerceadora das instituições políticas e da sociedade civil combinada à construção institucional de instâncias gerenciais do Estado. Recuemos à ditadura do Estado Novo, à oligarquia da nossa Primeira República ou à elite construtora do Estado Nacional durante a monarquia. Não vemos nada que se assemelhe à dinamite ora em uso por essa estupidez bolsonarista. Ignorância inédita, em sua vulgaridade e boçalidade. É como se filtros civilizatórios estivessem sempre presentes em nossa história política e nos protegessem desse tipo de apocalipse.

Que o dia 7 passe em paz, com um grito de independência contra as pulsões de morte. Sem nada de dia D, nem de hora H. Nas eleições, a nação encontrará o seu ponto G

*Cientista político e professor da UFBa

Fundação Castrojildo

A grande fake news

 




Bolsonaro quer o 7/09 para dizer que o ‘povo’ está com ele, mas 2/3 são contra

Por Eliane Cantanhêde (foto)

No sábado, uma semana atrás, o presidente da Câmara, Arthur Lira, surpreendeu seus aliados no pequeno e pobre município de Lagoa da Canoa, em seu Estado, Alagoas, ao ligar para o presidente Jair Bolsonaro pelo celular, ser atendido e abrir a conversa pelo viva voz: “Olha aqui, é o nosso presidente!” Foi uma festa.

É assim que Bolsonaro governa, ou melhor, não governa. Faz campanha e marketing, num desbragado populismo, a la Hugo Chávez, que corrói as instituições, cria um clima de guerra – inclusive entre Câmara e Senado – e vai transformar o 7 de Setembro numa grande fake news, de defesa do nada e ataque à democracia, às instituições e à realidade.

Há os que, como Lira, se movem por interesses pessoais, políticos e eleitorais. Outros são os crentes, que tapam olhos, bocas, ouvidos – e narizes – para não enxergar e não entender o que está bem na sua cara. Caem em qualquer lorota e atacam quem tenta trazer luz e racionalidade ao País.

O fato é que Jair Bolsonaro, que há pouco esfumaçou a Praça dos Três Poderes com tanques obsoletos e sem graça, tirou da população a festa e a alegria de saudar a Pátria, curtir o desfile militar e as manobras da Força Aérea para se concentrar numa única coisa: ele próprio.

Está prevista uma presença recorde em Brasília, Rio, São Paulo e várias capitais. Essa gigante massa de manobra será usada por Bolsonaro para mais uma fake news: a de que “o povo” está com ele. Segundo todas as pesquisas, porém, ele tem menos de um terço da população. Os outros dois terços observam, indiferentes ou perplexos, ou se desesperam, temendo que vá das palavras aos atos contra instituições, eleições e a democracia.

Tipos como Roberto Jefferson, Sérgio Reis, Ottoni de Paula, Daniel Silveira, Wellington Macedo, Zé Trovão e aquela outra que sumiu, depois de se fantasiar de Ku Klux Klan diante do Supremo, fazem da violência e do “quebro e arrebento” a sua bandeira. Esse é o seu lado, leitor?

Outros usam instrumentos da democracia como armas letais. A deputada Bia Kicis ameaça (sim, é uma ameaça) com um projeto para acabar com o TSE, a Justiça Eleitoral, que tem tantos serviços prestados. O deputado, ex-líder do governo e ex-major Vitor Hugo lança um projeto para tirar o comando dos governadores sobre as PMs e transferi-lo para Bolsonaro, transformando as polícias em milícias bolsonaristas, novamente a la Chávez.

E há os que transitam entre o incompreensível, o patético e a insanidade, como o negro Sérgio Camargo, da Fundação Palmares, que, anteontem, levou ao delírio uma tal conferência conservadora (o Foro de São Paulo da extrema direita) ao chamar os movimentos negros de “afromimizentos, negrada vitimista, pretos com coleiras”. A escravidão, para ele, foi o maior barato.

Misturam-se a essa gente os ex-ministros Ricardo Salles, da destruição da Amazônia, e Ernesto Araújo, da implosão da política externa, além de Onyx Lorenzoni, que pula de ministério em ministério em nome de Deus, da família e da moral. Como o Taleban.

Arthur Lira faz o jogo e outros fazem gol contra, como Pedro Guimarães, da CEF, que transformou um traque numa bomba: um texto anódino da Fiesp e da Febraban, que seria nada, acabou fazendo emergir a resistência entre empresários, banqueiros, executivos e agronegócio. Instabilidade afeta desenvolvimento, investimentos e o futuro.

O mais triste é como um presidente que não governa, não tem programa, erra tudo na pandemia, não dá a mínima para a crise hídrica e só destrói, sem construir, consegue surrupiar a bandeira nacional, o verde e amarelo e a racionalidade de tantos inocentes úteis para atacar o Supremo, pilar da democracia, e endeusar a ele próprio, líder da desordem, do caos, da violência, da enganação.

O Estado de São Paulo

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