domingo, setembro 05, 2021

Com governo 'fraco', liberais defendem que Guedes abandone reformas: 'vai piorar o que está ruim'




Aprovação da reforma no Imposto de Renda 'a toque de caixa' na Câmara nesta semana surpreendeu especialistas

Por Camilla Veras Mota, em São Paulo

Pior do que está dá para ficar.

Essa é a avaliação de economistas que viam como positiva a agenda de reformas proposta pela equipe econômica e que, agora, enxergam risco de retrocesso diante da fragilidade de Bolsonaro e da influência das eleições de 2022 nas decisões do governo.

Pelo menos dois elementos hoje tornam o ambiente em Brasília desfavorável à aprovação de reformas, pontua o economista sênior da MCM Consultores Mauro Schneider.

Primeiro, um governo enfraquecido — como é o caso de Bolsonaro, com índice de aprovação na casa dos 24% — é menos propenso a desagradar determinados setores e, por isso, é mais permeável a pressões.

"As reformas sempre implicam em perdas e ganhos. O objetivo, no fim, é gerar um resultado líquido favorável ao país, mas, na maior parte das vezes, alguém perde para uma maioria ganhar. Um governo enfraquecido é muito mais sensível a isso", ele pondera.

O segundo ponto é a aproximação do ciclo eleitoral, quando os governos, especialmente aqueles que não gozam de amplo apoio, têm a "tentação de considerar como prioritários os projetos que resultem em maiores ganhos eleitorais".

É o que parece ter acontecido com a reforma do Imposto de Renda, ele exemplifica. Depois de um vai-vem com pressões feitas por diversos grupos, o texto aprovado nesta quarta-feira (1/9) na Câmara dos Deputados cria ainda mais distorções no sistema tributário, segundo especialistas.

Para além da piora da proposta inicial, a própria decisão de pautar a reforma do IR seria um indicativo de que o ciclo eleitoral é de fato a prioridade do governo, já que há outras propostas no Congresso consideradas mais importantes para o esforço de simplificação do sistema tributário, como a reforma dos impostos sobre consumo, como ICMS e PIS/Cofins.

"Aqueles que têm criticado dizem que o IR entrou na frente porque geraria o benefício de agradar a classe média", diz Schneider à BBC News Brasil.

'Proposta de reforma do IR foi aprovada na Câmara com 398 votos a favor; medida agora vai para o Senado'

Em relatório enviado a clientes da consultoria no fim de agosto, o economista avalia que seria melhor paralisar a agenda de reformas "para se evitar o risco de aprovação de medidas que provoquem uma piora do ambiente econômico no país".

O ex-secretário do Tesouro Carlos Kawall, hoje diretor do ASA Investments, faz avaliação semelhante. Se o "normal", com a proximidade do calendário eleitoral, seria já não termos um momento favorável para a aprovação de reformas, diante da atual conjuntura ele acaba se tornando desfavorável.

"Temos riscos de aprovar reformas que não só não sejam um avanço na direção que a gente quer — do ponto de vista da consolidação da aceleração do crescimento econômico, geração de emprego —, mas que retrocedam em coisas que já foram conquistadas", pontua o economista.

"O que está se buscando agora é menos fortalecimento do arcabouço institucional e mais a aprovação de medidas de alívio fiscal com intuito eleitoral", acrescenta, mencionando a reforma do IR e a PEC dos precatórios, que propõe parcelar dívidas da União constituídas por decisões judiciais com trânsito em julgado para que o governo possa acomodar uma expansão do gasto com seu novo Bolsa Família.

Os sinais preocupantes, contudo, são anteriores e já apareciam desde a tramitação do Orçamento de 2021, diz Kawall. A peça foi aprovada em março, com três meses de atraso, uma série de despesas subestimadas e cerca de 22% do total de investimentos direcionados para o Ministério da Defesa.

O valor previsto para as emendas parlamentares, que os deputados e senadores utilizam para gastar em obras em seus redutos eleitorais, bateu recorde e atingiu R$ 48,8 bilhões. Após a sanção presidencial, o custo das emendas caiu para R$ 33,8 bilhões, que ainda assim é recorde: quase três vezes o total aprovado em 2019, no primeiro ano do governo Bolsonaro, R$ 13 bilhões.

"A gente está discutindo o 'meteoro' [termo usado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes] dos precatórios, mas a gente tem que lembrar que houve um 'meteoro' das emendas parlamentares também neste ano, né?", comenta Kawall.

"Se a gente tivesse resolvido aquele meteoro anterior de outra maneira — e ainda podemos pro ano que vem —, talvez o dos precatórios não fosse tão problemático."

'Fragilidade do governo abre espaço para oportunismos na aprovação de medidas, dizem economistas'

O 'risco jabuti'

Schneider relembra o caso mais recente da capitalização da Eletrobras, outra evidência de que a fragilidade do governo pode se materializar em distorções importantes nas propostas que tramitam pelo Congresso.

"O caso foi muito simbólico porque a MP acabou levando junto na sua aprovação os famosos 'jabutis'", diz ele, referindo-se aos adendos feitos no texto que não têm relação com o tema da proposta.

Entidades do setor elétrico avaliam que os jabutis da MP que abre caminho para a privatização da estatal podem aumentar ainda mais o preço da energia consumida no país — contrariando o discurso do governo de que a proposta poderia baixar as contas de luz em 7,36%.

Um dos pontos incluídos traz a previsão de contratação obrigatória de termelétricas a gás natural em diferentes regiões do país, medida que exigiria investimento para aumentar a infraestrutura de gasodutos existente. Outro prevê uma reserva de mercado para energia produzida por pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), o que, na prática, vai na contramão da livre concorrência.

"O caso da Eletrobras não foi um jabuti, foi um Projeto Tamar inteiro, né?", brinca o economista José Roberto Mendonça de Barros, ex-secretário de Política Econômica.

No fim de maio, em artigo publicado do jornal O Estado de São Paulo e intitulado Reformas à Moda do Centrão, ele dizia julgar prematuro e exagerado o otimismo que o mercado financeiro demonstrava naquele momento com a tramitação das reformas após a aliança entre governo e o Centrão — um amálgama de partidos que tradicionalmente se aproximam do Executivo na tentativa de colher vantagens, seja na forma de cargos na administração pública ou de recursos que possam injetar em seus respectivos redutos eleitorais para garantirem suas reeleições.

"O que eu queria dizer [no texto] era, ora, aprovar alguma coisa eles vão, mas a qualidade do que vai ser aprovado, se de fato vai valer a pena, é que é o problema."

A reforma do Imposto de Renda, diz ele, é uma das que mais urgentemente merecia ser descartada: "É tão inconsistente que é melhor não sair nada".

A aprovação do texto na Câmara nesta semana foi alvo de duras críticas por parte tanto de economistas liberais quanto dos chamados desenvolvimentistas, dois grupos que em geral estão em polos opostos das discussões.

'Guedes entrega a proposta de reforma ao presidente da Câmara, Arthur Lira'

Sócio-fundador da Macro Capital Gestão de Recursos e ex-economista-chefe do banco Credit Suisse, Nilson Teixeira lembra que ainda antes de começar a ser discutida pelos deputados a proposta já era frágil.

Depois de entregar o projeto, Paulo Guedes chegou a afirmar em entrevista que os cálculos da Receita Federal haviam sido muito conservadores, gerando erro na calibragem das alíquotas propostas — o que levou a uma alteração no texto.

"Eles estavam há dois anos para soltar uma proposta e soltaram aquilo. Qual a confiança que se tem quando eles mesmos não tinham convicção no projeto?", disse à BBC News Brasil.

A esse elemento ele acrescenta a "fraca participação" do Executivo, incluindo o presidente, na coordenação da tramitação no Congresso, para costurar a negociação entre as diferentes vozes (e interesses) envolvidas no processo.

Em um artigo publicado no jornal Valor Econômico na última semana, intitulado Como Não Fazer Uma Reforma, Teixeira descreve em 11 pontos porque a proposta de reforma do IR é um "roteiro quase perfeito de como não agir para implantar um sistema tributário eficaz e sem distorções".

O economista diz que valeria a pena discutir e aprovar novas reformas, mas de forma diferente do modus operandi nos últimos meses. Ele admite, contudo, que os "incentivos" vão no sentido contrário de uma mudança, com a antecipação do debate eleitoral e o nível alto de polarização política.

"Aprovar por aprovar não me parece bom, principalmente se for para aumentar ou perpetuar privilégios", diz ele, mencionando a reforma administrativa, que mexe nas carreiras do funcionalismo público e também tramita na Câmara.

BBC Brasil

CPI da Covid deve terminar com pontas soltas e documentos sem análise

 


por Constança Rezende | Folhapress

CPI da Covid deve terminar com pontas soltas e documentos sem análise
Foto: Sérgio Lima / Poder360

A pressão interna de senadores pela conclusão dos trabalhos da CPI da Covid em um eventual apogeu deixará frentes de investigação sem respostas.
 

O colegiado que iniciou as apurações na linha de tratamentos ineficazes contra a Covid-19 encontrou um rastro de suspeitas de corrupção no governo Jair Bolsonaro, ganhou a atenção da opinião pública, prorrogou as atividades, caiu em um vale e agora vê o fôlego recuperado.
 

Para senadores, é hora de pôr fim às investidas, mesmo com o prazo estendido até novembro. Com isso, esquivam-se do risco de um desgaste político em razão de perda de foco e resultados limitados.
 

Ao todo, são 180 dias para investigar. As pontas soltas, porém, têm preocupado senadores, que já cogitam estender em mais duas semanas a data de término dos trabalhos, inicialmente prevista para o dia 22, quando seria finalizado o relatório do senador Renan Calheiros (MDB-AL).
 

Um dos motivos é o volume de documentos recebidos pela colegiado. Acumularam-se até agora 2.434 arquivos. A CPI ainda não sabe o que fará com todo esse material após o término das investigações, principalmente os de acesso sigiloso.
 

Renan espera que os documentos abertos continuem disponíveis no site da comissão. "Estamos simultaneamente trabalhando em duas direções: avançar nas investigações e desenhar o relatório. Todos os documentos chegarão a tempo de serem utilizados", disse.
 

Boa parte do material, porém, ainda está sem análise, como as 307 mil páginas de diálogos, obtidos por quebra de sigilo pelo MPF (Ministério Público Federal) no Pará, de Marconny de Faria, apontado pela CPI como lobista da Precisa Medicamentos.
 

Por causa disso, a comissão não conseguiu mapear toda a rede de relacionamentos do advogado, classificado como "o lobista dos lobistas" pelo vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP). Integrantes falam até em conversas com pessoas que têm direito a foro especial.
 

Os diálogos já revelaram proximidade do lobista com a ex-mulher de Bolsonaro Ana Cristina Valle, sua advogada, Karina Kufa, e seu filho Jair Renan. Na última quarta-feira (1º), o jornal Folha de S. Paulo revelou que o filho "04" teve auxílio do lobista para abrir sua empresa, a Bolsonaro Jr. Eventos e Mídia, em novembro de 2020.
 

Além disso, estão pendentes depoimentos considerados importantes para esclarecer supostas irregularidades em contratos do Ministério da Saúde. A CPI corre contra o tempo e sucessivos atestados médicos.
 

A comissão cancelou os trabalhos na semana do feriado de 7 de Setembro, e os senadores só devem retornar ao Congresso no dia 13. No dia seguinte, a CPI quer dar prioridade para ouvir o empresário Marcos Tolentino, que apresentou atestado na semana passada para faltar à sessão.
 

Próximo ao deputado Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo na Câmara, Tolentino é apontado como sócio oculto da empresa que forneceu uma garantia irregular na compra da vacina indiana Covaxin pelo ministério.
 

Marconny deverá ser chamado novamente à CPI no dia 15, após ter faltado também sob argumento de problemas de saúde.
 

Ainda fica pendente o depoimento de Zenaide Sá Reis, considerada importante personagem para esclarecer os aditivos milionários feitos pelo Ministério da Saúde com a VTCLog, empresa onde é responsável pelo setor financeiro.
 

A CPI também quer ouvir Danilo Trento, diretor da Precisa, e novamente o ex-secretário-executivo da Saúde Elcio Franco, considerado então braço direito do ex-ministro Eduardo Pazuello. Hoje, Franco é assessor especial da Casa Civil.
 

Entre os fatos novos que justificam a nova convocação está reportagem da Folha de S. Paulo que relevou um ofício da diretora técnica da Precisa, Emanuela Medrades, a Franco, o que levou a uma mudança a jato na forma de pagamento pela Covaxin.
 

O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), também já manifestou a intenção de dedicar uma sessão para ouvir uma vítima da Covid que tenha sido prejudicada pela condução da pandemia pelo governo.
 

Com tudo isso, está praticamente descartado um novo depoimento de Pazuello, ideia antes defendida pela CPI. O objetivo era que o general explicasse o vídeo revelado pela Folha de S. Paulo em que ele promete a um grupo de intermediadores comprar 30 milhões de doses da Coronavac.
 

A vacina foi oferecida ao governo federal por quase o triplo do preço negociado pelo Instituto Butantan.
 

A negociação foi feita em uma reunião no ministério fora da agenda oficial, e o laboratório chinês Sinovac afirmou que apenas o Butantan pode oferecer a vacina no Brasil.
 

Em outra trilha, as investigações sobre os hospitais federais no Rio de Janeiro já foi praticamente descartada.
 

A investida era tida como uma das principais frentes da CPI, após depoimento do ex-governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel (PSC).
 

Ele acusou a União de repassar verbas para hospitais federais como forma de garantir propina para empresas relacionadas à prestação de serviço. Witzel ainda deu um segundo depoimento sigiloso ao grupo para oferecer detalhes.
 

A comissão recebeu todos os contratos firmados nos hospitais durante a pandemia. No entanto, o colegiado não teve tempo de apurar o caso, que está sob comando do senador Humberto Costa (PT-PE).
 

A análise das quebras de sigilos fiscais dos investigados, fundamentais para fazer o "follow the money", também deverá ser deixada de lado. Uma das consequências será que a CPI fechará o relatório sem ter conseguido provar um caso de corrupção, apesar dos indícios de irregularidades em contratos do governo.
 

Outra aposta da comissão —identificar o financiamento de sites que promoviam fake news sobre a Covid e sua ligação com integrantes do governo— também não foi comprovada.
 

Nos bastidores, servidores de gabinetes dizem que faltaram pessoal e expertise para analisar a sopa de letrinhas e números que chegaram das quebras. Também reclamam de pouco empenho de servidores da Polícia Federal, da Receita Federal e do TCU (Tribunal de Contas da União) deslocados para colaborar.
 

Questionada pela reportagem, a PF afirmou, em nota, que disponibilizou quatro policiais à presidência e à relatoria da CPI desde o dia 2 de junho —um delegado, um perito criminal e dois agentes, especialistas na análise de documentos.
 

"A escolha do grupo decorreu do conhecimento técnico e foi avalizada pela relatoria da comissão. Os policiais atuam de acordo com as demandas recebidas do colegiado, além de analisarem eventuais documentações e informações em que há decisão de encaminhamento para o órgão", disse.
 

Já o TCU respondeu que cedeu a pedido de Aziz dois auditores, lotados na SecexSaúde (Secretaria de Controle Externo de Saúde) e na Selog (Secretaria de Controle Externo de Aquisições Logísticas).
 

"A cessão foi por todo o período de funcionamento da comissão. Além disso, o tribunal atendeu a todos os requerimentos da CPI, de envio de informação e de realização de auditorias, e enviou cópia integral de processos, em especial aqueles do Plano Especial de Acompanhamento das Ações de Combate à Covid-19", afirmou, em nota.
 

A Receita disse que prestou as informações solicitadas via requerimentos aprovados pela comissão, na forma legal. O órgão afirmou zelar pela proteção do sigilo fiscal. Para isso, disse ter destacado um servidor como ponto de apoio e interlocução com a comissão.
 


 

DEPOIMENTOS QUE AINDA FALTAM SER COLHIDOS PELA CPI:
 

Marcos Tolentino, apontado como sócio oculto da empresa que forneceu garantia irregular na compra da Covaxin
 

Marconny de Faria, apontado como lobista da Precisa Medicamentos e próximo a Jair Renan Bolsonaro
 

Zenaide Sá Reis, responsável pelo financeiro da VTCLog, empresa que fechou aditivos milionários com Ministério da Saúde
 

Danilo Trento, diretor da Precisa Medicamentos
 

Coronel Elcio Franco, ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde
 

Vítima da Covid que tenha sido prejudicada pela condução da pandemia pelo governo
 


 

DOCUMENTOS A SEREM ANALISADOS:
 

307 mil páginas de quebra de sigilo de Marconny de Faria, apontado como lobista da Precisa
 

Quebras de sigilo de sites de fake news, de empresas de medicamentos ineficazes e de investigados da CPI
 

Processos do TCU relacionados à pandemia
 

Investigações enviadas pelos Ministérios Públicos estaduais e federais
 

Contratos firmados com hospitais federais no Rio de Janeiro

Bahia Notícias

Amazônia tem área de madeira explorada do tamanho de três cidades de São Paulo

 Domingo, 05 de Setembro de 2021 - 08:40


por Phillippe Watanabe | Folhapress

Amazônia tem área de madeira explorada do tamanho de três cidades de São Paulo
Foto: Vicente Sampaio / Imaflora

Pela primeira vez, institutos de pesquisa conseguiram olhar para a Amazônia como um todo e apontar onde houve exploração de madeira no bioma. O resultado: 464.759 hectares foram usados para este tipo de atividade entre agosto de 2019 e julho de 2020. A área representa cerca de três vezes a da cidade de São Paulo.
 

Pelo menos 11% dessa exploração ocorreram em áreas protegidas, segundo o trabalho da Rede Simex, formada por Imazon, Idesam, Imaflora e ICV (Instituto Centro de Vida). A extração madeireira é ilegal quando ocorre em locais como unidades de conservação de proteção integral e terras indígenas.
 

Segundo a Rede Simex, o território indígena Tenharim Marmelos, no Amazonas, foi o mais explorado no período em questão, com 6.330 hectares de madeira retirados. Em seguida, aparecem duas terras indígenas do Mato Grosso: Batelão (5.278 hectares) e Aripuanã (3.082 hectares).
 

Entre as unidades de conservação, o Parque Nacional dos Campos Amazônicos —uma área de proteção integral— é o líder do ranking de explorados, com mais de 9.000 hectares retirados.
 

A exploração de madeira também pode ser ilegal caso não haja autorização de órgãos ambientais para a retirada de árvores. O problema é que, atualmente, é muito difícil saber exatamente o que é retirada legal ou ilegal de madeira. Isso acontece porque a maior parte dos estados não torna públicas as autorizações de supressão vegetal.
 

Hoje, somente Mato Grosso e Pará têm dados abertos sobre em quais áreas pode ser feita a retirada de árvores com valor comercial e em quais isso é proibido.
 

Com essa informação, é possível cruzar imagens de satélite das áreas onde houve retirada de madeira com as coordenadas do local para determinar se a atividade de extração é legal ou ilegal. proporcionalmente representativas e neles é possível apontar o grau de ilegalidade. O Mato Grosso é o líder do ranking de estados com mais áreas exploradas no país, responsável por 50,8% do total. Em seguida, aparecem o Amazonas (15,3%), Rondônia (15%) e o Pará (10,8%).
 

Segundo Marco Lentini, coordenador-sênior de projetos do Imaflora, a Rede Simex tentou contato com os estados para conseguir os dados de autorização de derrubada de árvores. A tentativa, porém, não teve sucesso.“Estamos há um ano e meio tentando abrir essas informações”, afirma ele.
 

Alguns estados chegaram até passar os dados, mas eles estavam incompletos. Em um dos casos, CDs foram enviados com uma parcela das informações pedidas —um dos discos estava em branco.
 

O especialista do Imaflora afirma que a intenção é dar continuidade a essa visão global da floresta —e, ao mesmo tempo, olhar para cada estado; em breve, relatórios específicos serão publicados— e conseguir, em algum momento, o acesso aos dados necessários para apontar o grau de ilegalidade na extração de madeira em toda a Amazônia.
 

Mas, mesmo quando todos os dados forem públicos, outro problema permanecerá. Segundo Lentini, os sistemas de licenças e de fiscalização ainda têm falhas que possibilitam ilegalidades.
 

Nos planos de manejo de determinadas áreas onde a exploração é permitida, por exemplo, é possível inflar o volume de árvores para corte existentes no local. Esse valor adicional é então usado para dar aparência de legalidade à madeira retirada de zonas proibidas, como terras indígenas.
 

Em 2018, uma investigação do Greenpeace Brasil apontou o uso de árvores imaginárias para legalizar cortes ilegais de ipê.
 

O ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles acabou envolvido em uma situação relacionada a madeira possivelmente ilegal. Após a maior apreensão de madeira da história do Brasil, Salles se posicionou ao lado de empresas acusadas de serem uma organização criminosa.
 

Salles ainda acabou sendo alvo de operação da Polícia Federal que informou a existência de R$ 14,1 milhões em transações financeiras atípicas envolvendo um escritório de advocacia ligado ao ex-ministro.
 

De toda forma, Lentini defende o manejo madeireiro adequado e diz que é preciso separar quem trabalha dentro da lei e quem atua fora dela.
 

Segundo pesquisas, a retirada de algumas árvores específicas é muito prejudicial para a Amazônia. O corte seletivo faz parte do que é conhecido como degradação, processo composto também por queimadas.
 

A degradação leva ao empobrecimento e enfraquecimento da floresta, ou seja, uma mata mais frágil. “A degradação que vai acabar levando a floresta à grilagem e ao desmatamento”, diz Lentini.
 

E esse processo já é extremamente amplo. Atualmente, a área degradada na Amazônia já é maior do que a desmatada. Um estudo publicado na revista Science mostrou que, de 1992 a 2014, a área de floresta degradada era de de 337 mil km², contra 308 mil km² de desmate.
 

Além da floresta mais frágil, processos de degradação como queimadas emitem gases-estufa. Isso sem contar que as matas degradadas passam a emitir mais carbono do que absorver, algo preocupante em um cenário de crise climática apontado pelo IPCC (Painel Intergovernamental de Mudança do Clima).
 

Segundo uma correspondência publicada, na última semana, na revista Nature Geoscience, as emissões por degradação na Amazônia brasileira são quase equivalentes às ligadas ao desmatamento. Isso é especialmente relevante ao se pensar que o desmate é a principal fonte das emissões brasileiras de gases-estufa.
 

Pensando nisso, o texto publicado na revista pede a inclusão do assunto nos temas que serão discutidos na COP-26, a conferência climática da ONU, que ocorrerá em novembro, em Glasgow, na Escócia.
 

“Não estamos contabilizando as emissões relacionadas à degradação. Se o Brasil começar a computar isso, a gente vai mudar o nosso posto entre os mais emissores”, afirma Ane Alencar, diretora de ciência do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) e uma das autoras da correspondência. “É importante a gente trabalhar não só para deixar a floresta em pé, mas deixá-la em pé com qualidade.”

Bahia Notícias

Moraes autoriza saída de Jefferson para tratar da saúde, mas mantém a prisão dele


Vídeo mostra o momento da prisão de Roberto Jefferson | ContraFatos

Envelhecido. Roberto Jefferson tenta se manter como “durão”

Fernanda Vivas
TV Globo — Brasília

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou, neste sábado (4), que o ex-presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, deixe a prisão para tratamento médico usando tornozeleira eletrônica.

Pela decisão do ministro, no entanto, está mantida a prisão preventiva do ex-parlamentar. Jefferson só poderá deixar a prisão para ir ao hospital e terá de obedecer a uma série de medidas cautelares.

INFECÇÃO URINÁRIA – O ministro considerou pertinentes as informações apresentadas pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Estado do Rio de Janeiro, que apontavam a “insuficiência, por ora, do tratamento médico recebido no hospital penitenciário”.

“Em relatório, subscrito pelo médico Itauan Vieira Espínola, foi constatado que o custodiado está com quadro de infecção urinária, além de reclamar de dores na lombar”, afirmou.

Moraes deixou claro que se as medidas cautelares forem descumpridas, Jefferson voltará à prisão.

DECIDIU O MINISTRO – “Consideradas as alegações da Defesa em relação ao quadro de saúde do preso e verificando a necessidade de tratamento médico fora do estabelecimento prisional, nos termos do art. 120, II, c/c 14, ambos da Lei de Execução Penal (Lei 7.210/ 84), vislumbro ser possível a autorização para a saída do custodiado”, escreveu o ministro.

Além de ser submetido ao monitoramento eletrônico na área do Hospital Samaritano Barra, para onde vai fazer o tratamento, Jefferson está proibido de receber visitas sem autorização da Justiça, com exceção de seus familiares; não poderá ter acesso ou contato com investigados em inquéritos que investigam a disseminação de notícias falsas; não poderá usar redes sociais nem por meio de sua assessoria e não poderá conceder entrevistas.

ACUSAÇÃO PESADA – Jefferson foi preso no dia 13 de agosto, por determinação de Moraes. Na decisão, o ministro escreveu que o político faz parte de uma “possível organização criminosa” que busca “desestabilizar as instituições republicanas”.

“Uma possível organização criminosa – da qual, em tese, o representado faz parte do núcleo político –, que tem por um de seus fins desestabilizar as instituições republicanas, principalmente aquelas que possam contrapor-se de forma constitucionalmente prevista a atos ilegais ou inconstitucionais, como o Supremo Tribunal Federal (STF) e o próprio Congresso Nacional”, escreveu Moraes.

Moraes afirmou ainda que esta suposta organização da qual Jefferson integra o núcleo político tem uma rede virtual de apoiadores que compartilham mensagens com o objetivo de derrubar a “estrutura democrática”.

INCITAÇÃO A CRIMES – No dia 30, a Procuradoria-Geral da República denunciou Jefferson ao Supremo. À Corte, a PGR acusou o ex-deputado de incitação ao crime de dano, crimes previstos na Lei de Segurança Nacional e na lei de crimes raciais.

A denúncia da PGR ainda será analisada pelo Supremo. Antes, Moraes abriu prazo de 15 dias para que a defesa apresentasse resposta às acusações feitas pelo Ministério Público Federal.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – A decisão de Moraes foi acertada. Apesar de ter apenas 68 anos, Jefferson tem muitas complicações de saúde. Gosta de tirar onda de machão, que faz e acontece, mas seu tempo já passou, inclusive na política. No desespero de voltar ao primeiro plano, se aproximou de Bolsonaro, virou garoto propaganda da indústria de armamentos, mas o resultado é patético. Está na hora de parar e calçar os chinelos(C.N.)  

Grupo bolsonarista que organiza atos já foi chamado no Planalto de ‘nosso pessoal’

Publicado em 4 de setembro de 2021 por Tribuna da Internet

Antônio Galvan é levado à PF por tratores, em Sinop | Diario de Cuiabá

Antonio Galvan, da Aprosoja, é frequentador do Planalto

Lauriberto Pompeu
Estadão

Eles saem às ruas desde 2019, primeiro ano do governo de Jair Bolsonaro, para apoiar temas de interesse do presidente e, a exemplo do chefe do Executivo, atacam as instituições. Em uma demonstração de amplo acesso ao Palácio do Planalto, integrantes do Movimento Brasil Verde e Amarelo, um dos grupos que organizam os atos bolsonaristas de 7 de Setembro, já apareceram em vídeos e fotos com ministros e foram chamados pelo titular do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, de “nosso pessoal”.

Uma ala do movimento está agora sob a mira do Supremo Tribunal Federal (STF) por “incitação à prática de atos violentos e ameaçadores contra a democracia”.

EMPRESÁRIO É EXEMPLO – O presidente da Aprosoja Brasil (Associação Brasileira dos Produtores de Soja), Antônio Galvan, por exemplo, foi alvo de um mandado de busca e apreensão expedido pelo ministro do STF Alexandre de Moraes.

Acusado de financiar atos contra a Corte para o 7 de Setembro, dia da Independência, Galvan acabou proibido de se aproximar da Praça dos Três Poderes, sendo obrigado a manter distância de um quilômetro do conjunto arquitetônico planejado por Oscar Niemeyer e Lúcio Costa.

Não é a primeira vez que Galvan está envolvido em convocações para atos contra o Supremo e pró-Bolsonaro. Em março, o presidente da Aprosoja Brasil apareceu ao lado de ministro-general Augusto Heleno e do secretário de Assuntos Fundiários do Ministério da Agricultura, Nabhan Garcia, para falar sobre manifestações que aconteceriam no dia 15 de maio.

DISSE HELENO – Heleno pediu que os atos não fossem presenciais por causa da pandemia do novo coronavírus, mas gostou de ver eleitores nas ruas. O ministro do GSI demonstrou proximidade com os integrantes do movimento, chamados por ele de “nosso pessoal”.

“Eu sugeri ao doutor Galvan que faça um manifesto, coisa escrita, que não mobilize gente, mobilize ideias, para colocar essas ideias para julgamento do nosso pessoal”  , afirmou Heleno.

Em seguida, justificou o uso do termo: “Estou falando em ‘nosso pessoal’ porque eu acho o agronegócio muito importante. Nós sabemos o que seria a manifestação do agronegócio do nível que foi pensado aqui”.

MARCHA DA FAMÍLIA – Sob o título de “Marcha da Família Cristã pela Liberdade”, a última manifestação do Movimento Brasil Verde Amarelo foi justamente no dia 15 de maio. Em Brasília, produtores rurais defenderam pautas do governo, carregando faixas com o slogan “O Agro e o Povo pela democracia”.

À época, um dos principais motes da mobilização era “o fim das políticas de lockdown” usadas para conter a disseminação da covid-19, além do voto impresso e do coro por “um Supremo Tribunal decente”.

Bolsonaro foi à Esplanada receber os manifestantes, acompanhado de ministros, entre eles o da Defesa, general Walter Braga Netto.

BRAGA E BARROS – Como mostrou o Estadão, Braga Netto foi o ministro que, em julho, enviou um duro recado ao presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), por meio de um interlocutor político. O aviso foi bem claro: o general afirmou que não haveria eleições em 2022 se não houvesse voto impresso no País. A mesma frase foi dita por Bolsonaro várias vezes.

Para o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (Progressistas-PR), não é o governo que tem “agitado” a harmonia entre os Poderes, mas, sim, o Judiciário. “Coragem para brigar com o Judiciário poucas pessoas têm. É preciso entender, até pelas próprias reações que estão acontecendo, que há um processo intimidatório”, disse o deputado.

Alvo da CPI da Covid, Barros integra a tropa de choque bolsonarista e avaliou que os atos de 7 de setembro terão grande adesão. “Estou muito confiante de que haverá uma manifestação muito grande no 7 de setembro, mas pacífica, demonstrando justamente esse apoio ao presidente Bolsonaro”, argumentou.


Bolsonaro está sob pressão de três gravíssimos problemas que ele tenta abafar, ao seu modo

Publicado em 4 de setembro de 2021 por Tribuna da Internet

Bolsonaro furioso com o fim das operações centenárias da Ford no Brasil - O  PETRÓLEO - Notícias de Petróleo e Gás, Energia e Offshore

A estratégia é criar crises para se livrar das crises anteriores

Rosângela Bittar
Estadão

A morte e a insanidade seguem Jair Bolsonaro e ele cultiva bem tais companhias. No calendário deste setembro, que começa nesta quarta-feira, o presidente já acionou as armadilhas do seu inesgotável arsenal de desvios de poder. Barrou manifestos de apoio à paz e à democracia, por ele ameaçados. Convocou seus eleitores a irem às ruas, no patriótico dia 7, em apoio a ele próprio. E defendeu que a população se arme de fuzis.

Famílias de bom senso não devem expor suas crianças a uma multidão sem controle. Não haverá aquele desfile militar lúdico dos inesquecíveis tempos normais.

CRISE DAS CRISES – Sempre que vai passar por um aperto, Bolsonaro cobra apoio explícito. Os bolsonaristas tanto podem se ater a um conveniente clamor por liberdade como atender ao convite à invasão do Congresso e do Supremo. Seja o que for, o evento já deu resultados. A manifestação que Bolsonaro convocou para enfrentar as diferentes crises é uma crise em si mesma.

O presidente está sob a pressão de três problemas que quer abafar, ao seu modo. O galopante aumento da pobreza, o apagão energético e o relatório da CPI da Covid que apontará sua responsabilidade pela pior gestão da pandemia entre todos os países do mundo.

Para não comprometer o moral da tropa, estão proibidos, no governo, comentários sobre fome e racionamento. Daí a admoestação do presidente a quem quer comprar feijão em vez de rifles. Já no relatório final da CPI, Bolsonaro não poderá influir e nele os senadores registram, com fatos, a omissão dolosa do presidente.

REDE DE CORRUPÇÃO – Embora a descoberta de vasta rede de corrupção no governo Bolsonaro seja um resultado relevante, não será a acusação mais consequente da CPI do Senado. Corrupção neste governo existe, sim, mas uma CPI não tem os instrumentos nem o tempo necessários para ir além do flagrante. Claro e irrecusável, a se desdobrar em outras instâncias.

Nada supera o que apurou a comissão sobre a culpa presidencial pela mortandade. Bolsonaro não comprou vacinas na hora certa, apostou na falácia da imunidade de rebanho, fez galhofa das medidas elementares de proteção. Não pode fugir da culpa, nominal, segundo cálculo de diferentes cientistas, de ter sido responsável por 150 mil a 300 mil mortes evitáveis, do total das 580 mil ocorridas.

O relatório demonstrará, ainda, que, por ato de vontade, Bolsonaro foi incapaz de promover uma campanha de esclarecimento da população, fundamental em colapsos da saúde pública.

DIVERSOS CRIMES – O presidente será enquadrado em crimes de responsabilidade, crimes comuns e crimes contra a humanidade. A comissão de juristas que assessora a CPI, coordenada por Miguel Reale Junior, fará o ajuste das tipificações.

“Temos compromisso de apresentar o resultado mais técnico e objetivo possível. A saúde é um direito e um dever que Bolsonaro, deliberadamente, negou”, afirma o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), que se revelou um discreto e ponderado membro da CPI da Covid. Inclusive, em meio à repercussão de sua atuação, lançou, nesta segunda, sua candidatura à Presidência da República.

Estão na omissão os crimes de responsabilidade. Os crimes contra a humanidade serão denunciados ao tribunal internacional de Haia, onde Bolsonaro já foi acusado do crime de genocídio de povos indígenas. Quanto aos crimes comuns, a denúncia irá ao procurador-geral da República. E Augusto Aras não poderá simplesmente engavetá-la.

NOTÍCIA-CRIME – “Junto com esses profissionais do Direito tenho estudado a notícia-crime subsidiária da pública, um recurso à omissão do procurador, se houver. As vítimas têm o direito a iniciar o processo e ter a manifestação do Judiciário e do Ministério Público”, assinala o senador Alessandro Vieira.

Difícil será abafar tantos problemas com uma só manifestação. E Bolsonaro prosseguirá nessa estratégia.

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