quinta-feira, agosto 05, 2021

Comissão Especial da Câmara rejeita PEC do voto impresso

 

Votação representa importante derrota para o presidente Jair Bolsonaro, que tem condicionado a realização das eleições de 2022 à aprovação da proposta no Congresso


Jorge Vasconcellos
postado em 05/08/2021 21:05
 (crédito: Antonio Augusto/Ascom/TSE)
(crédito: Antonio Augusto/Ascom/TSE)

Por 23 votos a 11, a Comissão Especial da Câmara rejeitou, nesta quinta-feira (5/8), a PEC 135/19, que torna obrigatório o voto impresso. O resultado representa uma importante derrota para o presidente Jair Bolsonaro, que tem condicionado a realização das eleições de 2022 à aprovação da proposta no Congresso.

Durante a votação, a maioria do colegiado derrubou o parecer do deputado Filipe Barros (PSL-PR), favorável à aprovação da PEC, que é de autoria da deputada Bia Kicis (PSL-DF).

Os governistas utilizaram como principal argumento para defender o texto a divulgação, por Bolsonaro, de um inquérito da Polícia Federal sobre um suposto ataque hacker ao software de votações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Já a oposição reafirmou que as urnas eletrônicas são seguras e que a PEC é apenas um pretexto do presidente da República para efetuar um golpe de Estado. "Ele sabe que vai perder as eleições e tem cometido crimes continuados" ao ameaçar a democracia", disse o deputado Ivan Valente (PSOL-SP).

Aliado do Planalto, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), afirmou, horas antes, que a PEC do voto impresso pode ser avocada pelo Plenário em duas hipóteses: se a comissão especial ultrapassar as 40 sessões da Câmara sem conseguir aprovar a matéria, ou mesmo se ela for rejeitada.

“As comissões especiais não são terminativas, são opinativas, então sugerem o texto, mas qualquer recurso ao Plenário pode ser feito”, explicou.

A proposta de adoção do voto impresso está no centro de uma das mais graves crises entre os três Poderes desde o fim da ditadura militar (1964-1985). Bolsonaro vem intensificando os ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que decidiram abrir inquéritos para investigar as ameaças do presidente às eleições

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Após ameaças de Bolsonaro, Moraes diz que agressões não afastarão STF da missão

 


Após ameaças de Bolsonaro, Moraes diz que agressões não afastarão STF da missão
Foto: Nelson Jr./SCO/STF

Após ameaças feitas pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ao Supremo Tribunal Federal (STF) (reveja aqui), o ministro Alexandre de Moraes respondeu. Moraes disse que as agressões não irão afastar o STF da missão, em postagem nas redes sociais, nesta quinta-feira (5).

 

"Ameaças vazias e agressões covardes não afastarão o Supremo Tribunal Federal de exercer, com respeito e serenidade, sua missão constitucional de defesa e manutenção da Democracia e do Estado de Direito", pontuou.

Bahia Notícias

Maioria da bancada baiana na Câmara votou pela privatização dos Correios; confira

 


por Lula Bonfim

Maioria da bancada baiana na Câmara votou pela privatização dos Correios; confira
Foto: Najara Araújo / Câmara dos Deputados

A maioria dos integrantes da bancada baiana na Câmara dos Deputados votou favoravelmente ao projeto de lei que visa viabilizar a privatização dos Correios (veja aqui). No total, 21 parlamentares eleitos pela Bahia votaram a favor, enquanto 15 opinaram pela rejeição do texto. Apenas Antonio Brito (PSD), Leur Lomanto Jr. (DEM) e Sérgio Brito (PSD) não participaram da votação.

 

Votaram a favor do projeto os deputados baianos Abílio Santana (PL), Adolfo Viana (PSDB), Alex Santana (PDT), Arthur Maia (DEM), Cacá Leão (PP), Cláudio Cajado (PP), Elmar Nascimento (DEM), Igor Kannário (DEM), João Carlos Bacelar (PL), José Nunes (PSD), José Rocha (PL), Márcio Marinho (Republicanos), Mário Negromonte Jr. (PP), Paulo Azi (DEM), Paulo Magalhães (PSD), Professora Dayane (PSL), Raimundo Costa (PL), Ronaldo Carletto (PP), Tia Eron (Republicanos), Tito (Avante) e Uldurico Jr. (PROS).

 

Contra a privatização dos Correios, estiveram Afonso Florence (PT), Alice Portugal (PCdoB), Bacelar (Podemos), Charles Fernandes (PSD), Daniel Almeida (PCdoB), Félix Mendonça Jr. (PDT), Jorge Solla (PT), Joseildo Ramos (PT), Lídice da Mata (PSB), Marcelo Nilo (PSB), Otto Alencar Filho (PSD), Pastor Isidório (Avante), Valmir Assunção (PT), Waldenor Pereira (PT) e Zé Neto (PT).

 

As bancadas baianas do PT, do PCdoB e do PSB votaram integralmente contra a o projeto de lei, enquanto os deputados do DEM, do PL, do PP, do Republicanos, do PSDB, do PSL e do PROS estiveram integralmente a favor do texto que visa facilitar a

Bahia Notícias

Banqueiros, empresários etc., que votaram em Bolsonaro, agora pedem respeito à Constituição

Publicado em 5 de agosto de 2021 por Tribuna da Internet

Bolsonaro não ouve ninguém e está cada vez mais isolado

Vicente Nunes
Correio Braziliense

Ainda que seja muito bem-vindo o manifesto assinado por banqueiros, empresários, economistas e intelectuais defendendo a democracia e atacando os movimentos golpistas do presidente Jair Bolsonaro, é importante ressaltar que muitos do que colocaram os nomes nos documentos apertaram o número 17 nas urnas em 2018.

A justificativa foi a de que valia tudo para derrotar o PT. Portanto, todos sabiam o risco de retrocesso que o país estava correndo com a eleição de Bolsonaro, dado o histórico do presidente, que sempre flertou com regimes autoritários e nunca demonstrou a menor capacidade de comandar um país com as complexidades do Brasil.

PESOU O ANTIPETISMO – Havia boas opções nas quais os donos do dinheiro poderiam ter votado. Basta dar uma olhada na lista dos candidatos à Presidência. Mas pesou o antipetismo. O PT era o grande mal a ser vencido. A opção foi por um incompetente, que se acha acima do bem e do mal. Deu no que deu.

A pergunta que fica é: caso a polarização entre Bolsonaro e o PT se repita em 2022, essas mesmas pessoas que assinam o manifesto defendendo a democracia vão votar pela reeleição do presidente?

Não dá para se posicionar, agora, contra a ameaça de golpe e, depois, endossar nas urnas quem defende um regime autoritário. Seria muita hipocrisia.

DIZ O MANIFESTO – ”O princípio-chave de uma democracia saudável é a realização de eleições e a aceitação de seus resultados por todos os envolvidos. A Justiça Eleitoral brasileira é uma das mais modernas e respeitadas do mundo. Confiamos nela e no atual sistema de votação eletrônico. A sociedade brasileira é garantidora da Constituição e não aceitará aventuras autoritárias. O Brasil terá eleições e seus resultados serão respeitados”, diz o manifesto.

Assinam o documento personalidades como os economistas Pedro Moreira Salles, Arminio Fraga, Pedro Malan e Roberto Setúbal; empresários como Luiza e Fred Trajano, Carlos Jereissati Filho e Guilherme Leal; e por líderes religiosos como cardeal dom Odilo Scherer e o rabino Michel Schlesinger, entre outros. Também participam figuras com trajetória na política como Cristovam Buarque, Roberto Freire e Eduardo Jorge.

MORAES ORDENA QUE MINISTRO DA JUSTIÇA PRESTE DEPOIMENTO CONTRA BOLSONARO NA PF

 Por Redação

04 de agosto de 2021 : 22h38 


Na noite desta quarta-feira, 4, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, ordenou que o ministro da Justiça, Anderson Torres, preste depoimento a Polícia Federal contra Jair Bolsonaro no inquérito das fake news.

O magistrado determinou que Torres explique sobre sua participação na live de Bolsonaro onde atacou sistematicamente o sistema eleitoral e acusou, sem provas, sobre fraude nas urnas eletrônicas. Bolsonaro também mirou sua verborragia contra os ministros do STF.

Em resposta aos ataques de Bolsonaro, o ministro determinou que as primeiras diligências do novo direcionamento do inquérito das fake news sejam os depoimentos de todos os participantes da live, como testemunhas.

Além de Anderson Torres, Moraes também ordenou que devem prestar depoimento junto a PF Eduardo Gomes da Silva, o coronel reformado, Jeterson Lordano (Exército), o youtuber Alexandre Ichiro Hasimoto e o professor universitário Amílcar Brunazo Filho.

Intelectuais da Alemanha saem em defesa de professor da USP

 

Professor Paulo Conrado Hübner Mendes


Carta pede ao STF que "assegure a liberdade de opinião e expressão bem como a inviolabilidade da liberdade acadêmica"

Em carta ao STF, acadêmicos de várias universidades alemãs denunciam tentativa de intimidar Conrado Hübner Mendes e limitar a liberdade acadêmica e de opinião no Brasil. Professor é alvo de ações de Aras e Nunes Marques.

Um grupo de intelectuais de diferentes universidades da Alemanha enviou uma carta ao presidente do Superior Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, em defesa do acadêmico e colunista do jornal Folha de S. Paulo Conrado Hübner Mendes, alvo de ações na Justiça por seus textos.

Por diferentes artigos em sua coluna no jornal, Hübner Mendes, que é professor de direito constitucional da USP e doutor em direito e ciência política, foi pivô de duas ações: uma movida pelo ministro do STF Kássio Nunes Marques, e outra pelo procurador-geral da República, Augusto Aras.

"Uma tentativa inaceitável de limitar a liberdade acadêmica e de opinião", escrevem os acadêmicos na carta, endereçada a Fux e com data desta terça-feira (03/08). "E não só de Hübner Mendes, mas das vozes críticas de maneira geral", complementam.

"Hübner Mendes, jurista de ilibada reputação internacional e intelectual público agudo e coerente, é ademais um importante pilar das relações acadêmicas entre o Brasil e a Alemanha", afirma a carta. "Com seus textos de opinião, ele presta um serviço cívico em defesa das instituições democráticas e pela impessoalidade da justiça."

"Crítica justa e oportuna"

Em 24 de julho, o ministro Nunes Marques acionou o chefe do Ministério Público Federal contra Conrado Hübner Mendes, sob o argumento de que o colunista fez afirmações "falsas e/ou lesivas" à sua honra, o que, na visão dele, podem configurar os crimes de calúnia, difamação e injúria.

O ministro anexou no ofício o artigo O STF come o pão que o STF amassou, publicado em abril na Folha de S. Paulo. Nele, o colunista aborda a decisão do ministro que liberava a realização de cultos e missas no país em meio a medidas restritivas relacionadas à pandemia de covid-19.

Sobre este caso, a carta dos intelectuais alemães diz: "Nunes Marques foi criticado por Hübner Mendes por ter decidido, em ato monocrático, liberar os cultos religiosos em um dos momentos mais graves da pandemia que vem ceifando milhares de vida no Brasil. A decisão deste mesmo STF de revogar a medida confirma que a crítica foi justa e oportuna. Mas, como a decisão monocrática foi tomada pouco antes dos cultos de Páscoa, a suspensão da medida não evitou que muitos se contagiassem durante as festas religiosas."

Tomada na noite de 3 de abril, um sábado, a decisão inicial de Nunes Marques foi derrubada pelo plenário do STF posteriormente, por nove votos a dois.

"Tentativa inaceitável de limitar a liberdade acadêmica"

Hübner Mendes também foi alvo de ações do próprio Aras. O procurador-geral acionou o Conselho de Ética da USP com objetivo de punir o professor da universidade, além de ter ajuizado na Justiça Federal do Distrito Federal uma queixa-crime contra o acadêmico.  

Em maio, Hübner Mendes havia criticado, em artigos e postagem nas redes sociais, o procurador-geral por omissão e por servir ao governo Bolsonaro.  

Os acadêmicos alemães dizem que a crítica a Aras é "contundente, mas fundamentada e objetiva". "As omissões do procurador neste âmbito são sobejamente conhecidas, e a crítica proferida nos parece justa e justificada", afirmam.

"As ações em curso contra ele têm, em nosso entendimento, o claro sentido de intimidação e representam uma tentativa inaceitável de limitar a liberdade acadêmica e de opinião não só de nosso colega, mas das vozes críticas de maneira geral", diz o texto.

"Pedimos a esta Corte que, dentro de suas incumbências constitucionais, assegure a liberdade de opinião e expressão bem como a inviolabilidade da liberdade acadêmica tanto no caso particular do Prof. Dr. Conrado Hübner Mendes quanto de todas e todos colegas que se manifestem contra a instrumentalização da justiça brasileira para fins pessoais ou projetos autoritários de poder", completa.

O texto é assinado por nove intelectuais da Universidade de Freiburg, Universidade Livre de Berlim, Universidade de Bremen, Universidade de Giessen, Universidade de Koblenz e Universidade Humboldt de Berlim.

No fim de julho, uma carta aberta assinada por mais de 280 professores de universidades estrangeiras, na Alemanha, Espanha, Estados Unidos, Reino Unido e outros países, já havia saído em defesa de Conrado Hübner. O texto afirmava que perseguições como a sofrida pelo acadêmico podem aproximar o Brasil de uma autocracia.

"Se a liberdade acadêmica for prejudicada e intelectuais respeitados como o professor Conrado Hübner Mendes forem ilegitimamente punidos, o Brasil dará mais passos rumo à autocracia e ao autoritarismo, tornando ainda mais difícil deter essa tragédia", dizia o manifesto.

Deutsche Welle
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O quid pro quo do voto eletrônico

 



Bolsonaro não percebe que o grande beneficiário do seu confronto com o Poder Judiciário é o Congresso, que se fortalece e está com a faca e o queijo nas mãos

Por Luiz Carlos Azedo (foto)

A expressão latina quid pro quo significa uma coisa pela outra. Por essas voltas que o mundo dá, foi traduzida do holandês (dit for dat, este por esse) para o inglês como tit for tat, ou seja, na mesma moeda ou taco a taco. Na teoria dos jogos, a estratégia tit for tat tem um lugar de honra, graças aos estudos do cientista social Robert Axelrod, da Universidade de Michigan, Estados Unidos, que promoveu um torneio no qual os participantes teriam de apresentar programas de computadores nos quais haveria apenas duas opções: trair ou cooperar. O detalhe é que cada dupla de participantes jogaria 200 partidas, nas quais, aparentemente, a melhor opção seria trair enquanto o outro coopera; a pior, cooperar enquanto o outro trai. Para sua surpresa, o melhor desempenho, ao final de todas as rodadas, foi para quem adotou uma estratégia simples: o tit for tat. Nesse cenário, o jogador sempre começava cooperando, depois respondia na mesma moeda: traia, se fosse traído; cooperava, se houvesse cooperação.

A estratégia é diplomática: começa sempre cooperando. Mas é muito vingativa, porque não perdoa a traição, ao retaliar imediatamente. Entretanto, é generosa, porque retribui com a cooperação se o outro se arrepender e cooperar. Além disso, desde o início, é muito transparente, porque permite que o oponente entenda rapidamente quais são as regras do jogo e se dê conta de que é melhor cooperar. O presidente Jair Bolsonaro não percebeu, ainda, que está levando um baile do ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ao abrir guerra contra a urna eletrônica, com pronunciamentos diários que levantam suspeitas em relação a fraudes nas eleições que só existem em sua fértil imaginação.

A teoria dos jogos, particularmente o “dilema do prisioneiro”, há muito tempo deixou de ser monopólio dos físicos e matemáticos. É estudada amplamente nas escolas de direito, principalmente no direito penal, tanto ou mais do que nas escolas de estado-maior das Forças Armadas, que Bolsonaro não frequentou. É nesse contexto que deve ser examinada a decisão unânime do TSE ao abrir inquérito para investigar os ataques de Bolsonaro à legitimidade das eleições. Isso pode resultar na impugnação de sua candidatura à reeleição por aquela Corte, se vier a ser condenado. O pedido encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) para incluir as declarações de Bolsonaro contra a urna eletrônica no inquérito das fake news, também. São dois movimentos distintos, em pinça, como nas operações de cerco e aniquilamento. Ou seja, não foi Bolsonaro que dobrou a aposta, foi Barroso.

Segunda frente

No TSE, o inquérito administrativo será conduzido pelo corregedor do tribunal, ministro Luís Felipe Salomão, em caráter sigiloso. Serão investigados crimes de corrupção, fraude, condutas vedadas, propaganda extemporânea, abuso de poder político e econômico nas declarações de Bolsonaro. Salomão quer dar agilidade às investigações, mas não foi definido prazo para a conclusão. Primeiro, haverá a fase de produção de provas, com o interrogatório de pessoas que ainda não foram definidas. Depois, a juntada de documentos, realização de perícias e outras providências que se fizerem necessárias para a adequada elucidação de provas. Ainda existe a possibilidade de tudo ser anexado às Ações de Investigação Judicial Eleitoral (AIJEs), que tramitam contra Bolsonaro no TSE e que pedem a cassação do mandato da chapa eleita em 2018. Em caso de condenação, portanto, o presidente pode ficar inelegível e, em um quadro mais grave, perder o mandato.

A notícia-crime enviada ao STF é ainda mais adversa para Bolsonaro. O ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito das fake news, deverá decidir se inclui a live de Bolsonaro de quinta-feira passada nas investigações. Moraes presidirá o TSE nas eleições de 2022. Caso inclua as declarações de Bolsonaro no inquérito do Supremo, o ministro determinará as diligências, entre as quais, o depoimento do presidente, a perícia de vídeos apresentados na live ou outras providências. No fim do percurso, o plenário do STF julgará Bolsonaro, daí a cautela do presidente da Corte, ministro Luiz Fux, ao tratar do assunto na reabertura dos trabalhos do Judiciário. O Supremo também vem sendo alvo de constantes ataques do chefe do Planalto.

Outro equívoco de Bolsonaro é não perceber que o grande beneficiário do seu confronto com o Poder Judiciário é o Congresso, que se fortalece nessa disputa e está com a faca e o queijo nas mãos. Seu destino está praticamente nas mãos do Centrão, que não quer briga com o Supremo. Além disso, a principal frente de erosão de seu prestígio popular é a CPI da Covid, no Senado, que sangra o governo. Um estrategista mais arguto no Palácio do Planalto diria que Bolsonaro errou ao escolher o seu inimigo principal.

Correio Braziliense
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Destroços, nada mais




A pandemia derrubou o último resquício do disfarce que Bolsonaro incorporou à sua triste figura

Por Rosângela Bittar (esq.)

Bolsonaro decidiu atear fogo à democracia, intimidando a todos com aplicação de seus modelos em que vale tudo. Inclusive a reedição do que deu certo na eleição de 2018. Que ele venceu, sem fazer absolutamente nada. Não deu entrevistas, não foi a debates, não apresentou planos, deixando que os eleitores criassem suas fantasias livremente.

Quando falou, raramente, encadeou chavões de um personagem fictício que não correspondia a sua realidade ou seu pensamento. Ninguém imaginava votar em um e eleger 01, 02 e 03 no papel de copresidentes. Este vazio de senso, que agora se repete, foi consolidado pelo atentado de Juiz de Fora que o premiou com a imagem de vítima de um processo heroico.

Agora está em busca de saída pelo mesmo caminho. Um modelo que incorpore a falida aventura americana de Donald Trump com sua realidade tropicalista.

Como não governou de fato e cometeu crimes de responsabilidade, a pandemia derrubou o último resquício do disfarce que incorporou à sua triste figura. A popularidade caiu vertiginosamente. Quem não o conhecia agora já o conhece.

Por isso, ergue dois pontos de apoio que lhe permitam o novo salto. Primeiro, busca um fato espetacular que o vitimize. Para isso incita o Brasil com suas provocações e ataques gratuitos. Segundo, a definição pelo Congresso de instrumentos que lhe permitam fraudar as eleições, fingindo que não aconteceram. O que ele quer é uma travessia direta ao infinito poder com seu grupo de motoqueiros esportivos, militares fisiológicos, milicianos e seitas dos costumes viciadas em barrar a civilização.

O principal ponto agora é dirimir a grande dúvida, se vai invadir o Congresso ou o Supremo Tribunal Federal. Trump tentou modelar a Suprema Corte americana para favorecê-lo. A tentativa não deu certo e ele optou pelo também malogrado ataque ao Capitólio.

Bolsonaro elegeu como alvos o Supremo Tribunal Federal e o Tribunal Superior Eleitoral. Ambos surpreenderam com reações firmes e bem fundamentadas, que conquistaram evidente simpatia da opinião pública.

Já o Congresso, pode esperar sua vez. Por enquanto, deixou-o nas mãos do Centrão, com quem fez substancial acordo e a quem espera transferir a culpa pelos insucessos. Entregou ao grupo o que chamou de “coração” do governo, que já foi, numa linha sucessória por si só patética, de Onyx Lorenzoni e Braga Netto. Mas, vá lá, Ciro Nogueira na Casa Civil e Arthur Lira na presidência da Câmara podem representar a retaguarda do dispositivo político do presidente.

Esta barreira, no entanto, é uma ilusão. O Centrão está acostumado a ouvir o tilintar das moedas e o arrastão das fichas pelo rodo dos crupiês. Bolsonaro precisa de muito mais. De uma maioria parlamentar que o resgate das 550 mil mortes por covid pelas quais é responsabilizada sua gestão negacionista e anticiência.

O Centrão não é de confrontar argumentos do debate parlamentar. É uma bancada que não discute, vota. Mas será fatalmente cobrado quando sua cumplicidade com Bolsonaro estiver na berlinda.

Não bastará ao deputado Arthur Lira fazer esquecer que só ele detém o poder de dar andamento ao impeachment. Não bastará ao senador Ciro Nogueira esfriar a CPI da Covid com a manipulação infinita de verbas e cargos. A revelação da corrupção no governo Bolsonaro está apenas começando.

Uma ação mais objetiva do comando do Congresso se faz necessária. A começar pela derrubada sumária, no início do semestre, da emenda constitucional que acaba com a urna eletrônica. Em seguida, promover a união do Legislativo ao Judiciário na defesa efetiva das eleições livres. O País precisa de tempo para se reconstituir. O presidente que vier deverá iniciar seu mandato ao modelo Joe Biden, anulando atos oficiais absurdos e começando a trabalhar a partir da massa falida moral, sanitária, política, social, econômica, a herança que deixará o governo Bolsonaro.

O Estado de São Paulo
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Crise se agrava, Fux cancela reunião dos três Poderes e Bolsonaro se isola ainda mais

Publicado em 5 de agosto de 2021 por Tribuna da Internet

Imagem: Texto Indisponível 75

Sem alternativa, Fux desiste da conciliação com Bolsonaro

Fernanda Vivas, Márcio Falcão e Rosanne D’Agostino
TV Globo e G1 — Brasília

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Fux, anunciou nesta quinta-feira (5) o cancelamento da reunião que haveria entre os chefes de poderes. A decisão de se fazer a reunião foi anunciada em 12 de julho, quando Fux e o presidente Jair Bolsonaro se encontraram na sede do STF. A reunião foi motivada pelos constantes ataques de Bolsonaro ao sistema eleitoral e a ministros do Supremo.

Nos últimos dias, Bolsonaro passou a reiterar diariamente as críticas ao sistema eleitoral e aos ministros e, nesta quarta (4), chegou a ameaçar agir fora da Constituição. O presidente tem dito frequentemente, inclusive, que pode não haver eleições em 2022 se não houver voto impresso, tese já rechaçada pelos chefes dos demais poderes.

DISSE FUX – “O presidente da República tem reiterado ofensas e ataques de inverdades a integrantes desta Corte, em especial os ministros Luís Roberto Barroso e Alexandre de Mores. Sendo certo que, quando se atinge um dos integrantes, se atinge a Corte por inteiro. Além disso, sua excelência [Bolsonaro] mantém a divulgação de interpretações equivocadas de decisões do plenário bem como insiste em colocar sob suspeição a higidez do processo eleitoral brasileiro”, afirmou Fux.

Na sequência, o presidente do STF fez o anúncio: “Diante dessas circunstâncias, o Supremo Tribunal Federal informa que está cancelada a reunião outrora anunciada entre os chefes de poder,

Ainda no discurso, o presidente do STF afirmou que “o pressuposto do diálogo entre os poderes é o respeito mútuo entre as instituições e seus integrantes”. Disse ainda que “diálogo eficiente” pressupõe “compromisso permanente com as próprias palavras”, o que, na visão de Fux, “infelizmente, não temos visto no cenário atual”.

INQUÉRITO DAS FAKE NEWS – A declaração é uma reposta aos ataques feitos pelo presidente e à ameaça de que pode atuar fora da Constituição, uma vez que foi incluído como investigado no inquérito que apura a disseminação de notícias falsas e ataques a ministros do Supremo Tribunal Federal.

A TV Globo apurou que as falas de Bolsonaro contra ministros do tribunal foram tema de uma conversa dos magistrados antes do início da sessão desta quinta-feira do Supremo. Ministros da Corte defenderam uma resposta oficial do tribunal ao presidente. Causou preocupação na corte a sinalização do presidente de que pode não atuar nas quatro linhas.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, afirmou, nesta quinta-feira (5), que “ameaças vazias” e “agressões” não vão impedir a Corte de exercer a missão de defesa da democracia e do Estado de Direito, previstas na Constituição.

A declaração de Moraes, que não cita nomes, foi feita horas depois de o presidente Jair Bolsonaro afirmar que a hora do ministro “vai chegar”.

DISSE BOLSONARO – “A hora dele [Moraes] vai chegar. Porque está jogando fora das quatro linhas da Constituição há muito tempo. Não pretendo sair das quatro linhas para questionar essas autoridades, mas acredito que o momento está chegando”, declarou Bolsonaro. “Não dá para continuarmos com ministro arbitrário, ditatorial”, acrescentou.

Nesta quarta-feira (4), Moraes determinou a inclusão do presidente como investigado no inquérito que apura a divulgação de informações falsas. A decisão de Moraes atendeu ao pedido aprovado por unanimidade pelos ministros do TSE na sessão da última segunda (2).

A apuração levará em conta os ataques, sem provas, feitos pelo presidente às urnas eletrônicas e ao sistema eleitoral do país. Mesmo após ser eleito, Bolsonaro tem feito nos últimos três anos reiteradas declarações colocando em dúvida a lisura do processo eleitoral.

OUTRA INVESTIGAÇÃO – O inquérito das fake news foi aberto em março de 2019, por decisão do então presidente da Corte, ministro Dias Toffoli, para investigar notícias fraudulentas, ofensas e ameaças a ministros do Supremo Tribunal Federal.

Em outra frente, também nesta quarta-feira, a ministra Cármen Lúcia enviou à Procuradoria-Geral da República (PGR) um pedido de parlamentares para que seja aberta uma investigação contra Bolsonaro por suas declarações na live do dia 29, em que questionou a segurança das urnas eletrônicas, sem apresentar provas consistentes.


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