quinta-feira, agosto 05, 2021
Inclusão de Bolsonaro em inquérito das fake news pode gerar suspensão ou impeachment
por Lula Bonfim / Matheus Caldas

A determinação feita pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) seja incluído no escopo das investigações do inquérito das fake news (leia mais aqui), pode fazer com que o chefe de Estado seja suspenso das funções, se torne inelegível e até seja condenado por crime de responsabilidade - neste caso, sofreria um processo de impeachment. O entendimento é de advogados criminalistas consultados pelo Bahia Notícias.
Para Antônio Carlos de Almeida Castro, mais conhecido como Kakay, há chances de Bolsonaro ser condenado por crime de responsabilidade, após acusações sem provas de que houve fraude na eleição presidencial em 2014, quando Dilma Rousseff (PT) saiu vencedora contra Aécio Neves (PSDB).
“Por essa investigação, pode dar, tanto em processos criminais ao final, quanto em processo de responsabilidade. O presidente da República é passível de crime de responsabilidade, que pode dar em impeachment”, avalia, em entrevista ao Bahia Notícias.
Ele, no entanto, alerta que Bolsonaro só pode ser condenado por eventuais crimes cometidos enquanto ele estiver no exercício de presidente da República. Possíveis delitos cometidos em períodos anteriores ao mandato só poderiam ser julgados após ele deixar a cadeira no Palácio do Planalto.
“Crimes cometidos no exercício da presidência, evidentemente, ainda mais com relação específica ao cargo, eu acho que pode ser investigado e não abre nenhum precedente perigoso”, pontua.
Para Luiz Gabriel Batista Neves, professor de Direito Processual Penal na Unijorge e na Unime, Bolsonaro poderia, inclusive, ser suspenso do cargo. No entanto, isto dependeria de uma condenação decidida pelo STF - isto só poderia após tramitação no Ministério Público Federal (MPF) e no Congresso.
“Agora, a investigação deve ter seu prosseguimento de colheita de provas. Orais, documentais, entre outras. E, após o final de toda a apuração, caberá ao Ministério Público Federal analisar o arcabouço probatório e, se houver elementos suficientes, poderá apresentar a denúncia. Nesse cenário, havendo denúncia cabe à Câmara dos Deputados aprovar, por maioria de dois terços, o prosseguimento da ação penal que deverá ser julgada pelo STF, conforme dispõe o artigo 86 da Constituição Federal. Vale destacar que o presidente poderá ficar suspenso de suas funções se a denúncia apresentada for recebida pelo STF. Entretanto, lembra-se que o presidente só se tornaria inelegível após uma condenação exarada pelo Suprema Corte”, explica.
Segundo Neves, Bolsonaro poderia ter imputado a si outros crimes no Código Penal - calúnia, difamação, injúria, incitação ao crime, apologia ao crime, associação criminosa e denunciação caluniosa - e também em delitos previstos no Código Eleitoral ou na Lei de Segurança Nacional.
O professor, contudo, opina que as investigações não deveriam estar sob ingerência do Supremo. "Sobre o Inquérito das Fake News, importante registrar: independente do conteúdo do que é investigado, afronta diretamente qualquer pretensão mínima de um sistema acusatório", ressaltando que, neste caso, isto deveria ficar a cargo da Polícia Federal ou do MPF.
Bahia Notícias
Ataques de Bolsonaro ao Judiciário expõem o Brasil internacionalmente, avaliam deputados
por Jade Coelho / Mari Leal

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, nesta quarta-feira (4), incluir o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no inquérito que apura a produção e distribuição de fake news (reveja). A decisão da Corte atende a um pedido do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e se baseia nas reiteradas alegações de fraude no processo eleitoral brasileiro. Já há algum tempo o presidente Bolsonaro tem criticado as urnas eletrônicas, porém, nas últimas semanas, após ataques diretos ao ministro Luís Roberto Barroso, presidente do TSE, a tensão entre o Executivo e o Judiciário tem se acentuado. Para parlamentares baianos, dentre outras consequências negativas do ponto de vista do regime democrático, os sucessivos ataques ao Judiciário expõem o Brasil internacionalmente.
Provocado pelo Bahia Notícias, o líder do PT na Câmara dos Deputados, o baiano Zé Neto, acredita que as ações do presidente da República são uma afronta à instituição TSE, apesar de, aparentemente ser “personalizada” no ministro Barroso. O parlamentar considera a situação grave, do ponto de vista do “equilíbrio” necessário a “harmonia entre os poderes”.
“Ele joga para uma balbúrdia. Algo assim cria problemas internos para o Brasil e a nível internacional. Quem está de fora vê uma desarmonia e uma falta de segurança jurídica porque, até agora, o TSE e o Supremo [STF] ainda não tomaram medidas mais contundentes contra as agressões e ofensas, que não são pessoais a esse ou aquele ministro, são ofensas que tentam atacar a ordem institucional, jurisdicional do estado brasileiro”, avalia o parlamentar.
Ao avaliar a relação entre os Poderes, ele pontua que entre o Executivo e o Legislativo “também não é boa”. A leitura do líder é a de que Bolsonaro está “dominado”, apesar de ter ampliado relações políticas com o chamado centrão. O grupo em tese reúne partidos como PP, PL e Republicanos, centrais na sobrevivência política do atual governo no âmbito da Câmara dos Deputados. Também nesta quarta-feira (4), tomou posse no comando da Casa Civil, mais importante pasta no rol das decisões governamentais, o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, senador pelo Piauí.
“É uma espécie de dormir com o inimigo. Porque ele não tem nenhuma afeição ao Parlamento, que também foi atacado fortemente ano passado. Ele se sentiu acuado. Não é que uma instituição não possa receber críticas. Podem. Agora, não um ataque tão ofensivo que destrói, inclusive, o processo da garantia do preceito constitucional, democrático, da ordem dos Poderes, do devido processo legal. E enfim, é ruim demais para as instituições internamente”, enfatiza Zé Neto.
Vice-líder do PCdoB na Câmara, a deputada Alice Portugal corrobora a ideia de deterioração na relação dom o Legislativo. “As relações são as piores possíveis com o Congresso Nacional. O voto como ele quer, impresso, será derrotado. É evidente que o Brasil não pode se curvar a ameaças extremistas e tentativas de regime de força no Século XXI. Estamos atentos e repudiando veementemente esse arroubos autoritários de Bolsonaro”, enfatiza.
A pauta da retomada do voto impresso está no centro dos ataques do presidente ao Poder Judiciário. Para o presidente, “o voto auditável” é o caminho para “eleições democráticas” e a manutenção das urnas eletrônicas pode gerar “suspeição” no processo (reveja). O discurso do presidente, no entanto, não possui dados de comprovação. Por meio de nota pública, o TSE já repudiou as investidas e descartou qualquer possibilidade de fraude no sistema eletrônico de votação. As urnas eletrônicas são integralmente auditáveis, de acordo com o tribunal.
“O Brasil fica exposto, infelizmente, como um país com desgoverno, um país que é berço de variantes do vírus [Covid-19] e permanentemente em crise com as suas instituições. O Judiciário sendo atingido nominalmente pelo presidente da República que aponta o dedo em riste para um ministro [Barroso], como se fosse um ministro responsável pela aprovação da Lei Eleitoral”, descreve.
E continua: “O ministro cumpre a lei, agora quem produz a lei é o Congresso. Bolsonaro não consegue distinguir. Ele acha que ele é o poder supremo e não pode acatar opiniões de ninguém, de quem quer que seja. Então, o Brasil está ridicularizado internacionalmente. Tratado internacionalmente como republiqueta de bananas por causa dessas ações em desvario do presidente da República”.
Contragolpe: Luís Miranda 'leva' R$ 50 de golpistas que clonaram celular de Maia

Criminosos invadiram o celular do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia e tentaram aplicar um golpe de R$ 20 mil no deputado Luís Miranda (DEM-DF).
Segundo publicação da Folha de S.Paulo, Miranda conseguiu aplicar um "contragolpe" nos criminosos. Na sexta-feira (30), Maia divulgou em seu Twitter que o chip do seu celular havia sido hackeado e a conta do Telegram invadida.
Os criminosos usaram a conta de Maia no aplicativo, fizeram contato com Miranda e solicitaram o valor. O deputado notou que se tratava de um golpe e disse que o banco precisava de R$ 50 para fazer a transferência.
Miranda explicou que por causa da taxa, só conseguiria transferir o valor na segunda-feira (2). O criminoso que se passava por Rodrigo Maia aceitou pagar a taxa para liberar a transação e conseguir os R$ 20 mil.
Ainda conforme a publicação da Folha, após receber os R$ 50, Miranda enviou uma mensagem por áudio ao golpista: "Bandido, comigo não".
De acordo com o parlamentar, as informações coletadas durante o diálogo com o criminoso foram enviadas ao ex-presidente da Câmara, para que ele enviasse aos investigadores.
Bahia Notícias
É Bolsonaro a real fraude nas urnas eletrônicas
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