Publicado em 8 de julho de 2021 por Tribuna da Internet

Charge do Chico Caruso (O Globo)
Carlos Newton
É ponto pacífico que senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI da Covid, errou feio ao dar declarações genéricas criticando a corrupção dos militares no Ministério da Saúde. Vai ser burro assim lá no meio dos presos, como se dizia antigamente. Se alguns militares se corromperam, como esse ridículo coronel Elcio Franco, com seu topete moderninho, isso não significa que os militares são corruptos.
Com certeza, um político de passado nebuloso como Omar Aziz não devia se comportar com tamanha desfaçatez, ao tocar no assunto corrupção. Precisa ser comedido, porque tem telhado de vidro.
O PLANALTO VIBRA – Era tudo o que o presidente Jair Bolsonaro e o general Braga Netto, ministro da Defesa, estavam esperando para avançar no plano de melar o jogo. A nota das militares foi urdida no Planalto, não foi uma reação isolada da Defesa e dos comandos das Forças Armadas. Portanto, todo cuidado é pouco.
O pior foi que, interpelado pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), o parlamentar amazonense subiu o tom: “Minha fala hoje foi pontual, não foi generalizada. E vou reafirmar o que eu disse lá na CPI. Pode fazer 50 notas contra mim, só não me intimida. Porque, quando estão me intimidando, vossa excelência não falou isso, estão intimidando esta Casa. Vossa excelência não se referiu à intimidação que foi feita”, disse Omar Aziz ao presidente Rodrigo Pacheco
BOLSONARO SE LEVANTA – Depois de levar vários nocautes na CPI da Covid, com essa burrice de Omar Aziz o presidente Jair Bolsonaro consegue se levantar e até se agiganta, pensando que a afirmação de um parlamentar leviano possa ser capaz de motivar as Forças Armadas a acompanharem sua aventura continuísta.
Bolsonaro quer usar a irritação dos comandantes das Forças Armadas para pavimentar um golpe de Estado, que pode até acontecer, a possibilidade de modo algum deve ser descartada. No entanto, se houver uma intervenção militar, não vai ser para mantê-lo no poder e sim para retirá-lo de lá e colocar em seu lugar o general Braga Netto, atual ministro da Defesa.
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P.S. – Em sua ignorância, Bolsonaro pensa que é o comandante-em-chefe das Forças Armadas. Mas acontece que capitão não manda em general. Ao contrário, os oficiais superiores o desprezam, apenas fingem que obedecem a ele. E assim caminha a humanidade. (C.N.)



