quarta-feira, junho 09, 2021

Caça-robô identifica que 78% dos ataques a senadores da CPI eram de milícia digital


Charge do Marcelo Daltro (bbbcharges.blogspot.com)

Octavio Guedes
G1 Brasília

Sem maioria na CPI da Covid, o governo Jair Bolsonaro (sem partido) contava com sua máquina de moer adversários nas redes sociais para intimidar senadores de oposição. Os alvos preferenciais eram o relator Renan Calheiros (MDB-AL), o presidente Omar Aziz (PSD-AM) e o vice, Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

A primeira ação ostensiva das chamadas milícias digitais foi promover uma campanha no Twitter com a hashtag #renanvagabundo. Mas o tiro saiu pela culatra. Uma ferramenta “caça robôs”, que utiliza Inteligência artificial para identificar contas inautênticas, detectou que até 78% dos ataques eram artificiais, ou seja, partiam de contas que não tinham um ser humano por trás.

É ingenuidade acreditar que todos os ataques aos senadores contrários ao governo partem de robôs. Mas é fato que a tática bolsonarista de manipulação das redes sociais, de fazer uma onda parecer tsunami, está ficando manjada. Até senadores com pouca intimidade com o mundo digital começam a perceber que há algo estranho no ar:

DIZ OMAR AZIZ – “Rapaz, eu clico no treco e o desgraçado tem um, dois seguidores e tá lá me xingando. Às vezes nem seguidor tem e vem perturbar na minha rede”, explica, a seu jeito, Omar Aziz.

Renan foi o primeiro a perceber o risco que a estratégia bolsonarista apresentava para o G7 e estimulou sua equipe a compartilhar os dados de “caças robos” com outros senadores. A responsável pelo trabalho é a jornalista Izabelle Torres, que desenvolve há dois anos pesquisa acadêmica sobre o comportamento dos robôs no Brasil e a influência deles na opinião pública.

O sistema que ajuda a CPI foi desenvolvido com base no trabalho realizado por pesquisadores da Universidade de Indiana. Os padrões brasileiros de uso de rede foram definidos após a análise de 20 mil contas ativas nos últimos anos. “Posso garantir que, hoje, nenhum dos senadores do G7 se sente intimidado por ataques virtuais”, afirma Randolfe.

O CASO KAJURU – Nem sempre foi assim. Antes mesmo da instalação da CPI, o senador Jorge Kajuru pediu arrego ao presidente Jair Bolsonaro numa ligação gravada e divulgada pelo próprio parlamentar Ao ouvir que Kajuru defendia convocação de governadores, e até de ministros do Supremo, o presidente prometeu retribuir:

“Dez para você. Tendo a oportunidade, pode deixar que eu falo com as mídias e cito essa minha conversa contigo, ampla CPI do Covid”. Falar com as mídias é do que trata este artigo.

Os filhos do presidente também gostam de usar a tática de falar com mídias para convencer políticos. Durante o processo de votação da privatização da Cedae, a estatal de águas do estado do Rio, o senador Flávio Bolsonaro, o zero-alguma-coisa (esse blog não decora quem é quem na família) foi acusado pelo presidente da Assembleia Legislativa, André Ceciliano, de ter ameaçado expor nas mídias sociais alguns deputados estaduais que votassem contra os interesses do governo federal.

Se a tendência observada na CPI se consolidar, e o mundo político perder o temor da família falar com as redes, o bolsonarismo perde força.

“No voto impresso, fraudar é muito mais fácil do que na urna eletrônica”, diz Barroso


Barroso adverte que a mudança vai custar muito caro

Danielle Brant
Folha

Presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o ministro Luís Roberto Barroso afirmou nesta quarta-feira (9) que, se o Congresso aprovar o comprovante do voto impresso e a decisão for validada pelo STF (Supremo Tribunal Federal), a vida vai ficar bem pior, pela substituição de um sistema que ajudou a “derrotar um passado de fraudes” no país.

Barroso participa de uma comissão geral na Câmara dos Deputados destinada a debater a regulamentação do voto impresso, sistemas eleitorais e do combate à desinformação.

SISTEMA AUDITÁVEL – Em uma fala de pouco mais de meia hora, o ministro elogiou o sistema de urna eletrônica, que é seguro, transparente e auditável — os defensores da comprovação impressa do voto defendem que a mudança é necessária para auditar os resultados.

Na prática, não se trata do voto impresso diretamente, mas sobre a impressão em papel de um comprovante do voto dado na urna eletrônica, que seria mantida nas eleições.

Aos deputados Barroso lembrou que todos eles foram eleitos pelo sistema eletrônico. “Portanto o que nós fizemos com o sistema eletrônico de votação foi derrotar um passado de fraudes que marcaram a história brasileira no tempo do voto de papel”, disse.

DECISÃO POLÍTICA – Após ressaltar todas as etapas de auditoria do sistema eletrônico, o presidente do TSE afirmou que a decisão de adotar o voto impresso é uma decisão política.

“Portanto, se o Congresso Nacional decidir que deve ter voto impresso e o Supremo validar, vai ter voto impresso. Mas vai piorar, a vida vai ficar bem pior”, disse. “Aliás, a vida vai ficar parecida com o que era antes. Creiam em mim.”

Barroso listou todas as dificuldades de implantar o voto impresso no país, como o custo de R$ 2 bilhões, a necessidade de realizar licitação para compras de urnas e aquele que considerou o pior problema, o risco de quebra do sigilo.

SIGILO E FRAUDE – “Os meus problemas com o voto impresso são quebra de sigilo e fraude”, disse. “Nós conseguimos acabar com a manipulação humana nos momentos críticos, que são o transporte, o armazenamento e a contagem desses votos impressos. Assim, nós vamos voltar ao passado dos riscos da manipulação do voto impresso.”

Segundo ele, outro risco se daria na recontagem dos votos, quando seria possível saber a composição do voto do eleitor com o voto impresso, “de um modo que quem comprou pode ir lá verificar se foi entregue a mercadoria”. “Pode até combinar com o eleitor: ‘você vai anular o voto de deputado estadual botando esse número aqui.’ Na recontagem, você vai lá e verifica se o sujeito que vendeu o voto de fato entregou a mercadoria.”


Bolsonaro ironiza de novo a China e repete que eleição foi fraudada, sem exibir provas


Bolsonaro participa de lançamento de Federação e culto em Anápolis

Bolsonaro participa de culto evangélico em Anápolis, Goiás

Lauro Jardim
O Globo

Num culto evangélico na igreja Church in Connection, de que participou nesta quarta-feira em Anápolis (GO), Jair Bolsonaro voltou a repetir que a eleição de 2018 foi fraudada.  Eis o que acaba de dizer Bolsonaro:

“Eu fui eleito no primeiro turno, tenho provas materiais disso, mas a fraude que existiu, sim, me jogou para o segundo turno”.

SEM PROVAS – Não é a primeira vez que Bolsonaro fala sobre fraude eleitoral, inclusive na segunda eleição de Dilma Roussef. Assim como das outras vezes, disse ter provas sem mostrá-las.

Bolsonaro também voltou a defender o tratamento precoce e a cloroquina para tratamento dos pacientes da covid-19.

Sobre o coronavírus, Bolsonaro insinuou, sem dar o nome aos bois, que a origem do vírus é a China: “Esse vírus nasceu de um animal ou de um laboratório? Eu tenho da minha cabeça de onde veio”.

Bolsonaro falou por 30 minutos, num evento transmitido pela TV Brasil. Em seguida, pastores teceram loas ao governo.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– Em campanha para a reeleição, o presidente da República tem a desfaçatez de desperdiçar recursos públicos, ao usar a Rede Brasil, que nada mais é do que a antiga TV Educativa criada pelo incansável Gilson Amado. Hoje, a rede nacional não tem mais nada de educativa. Sua audiência é sempre zero, como os filhos de Bolsonaro, aliás. (C.N.)

 

Veja o que a ciência já demonstrou sobre a falta de eficácia da cloroquina contra Covid-19


por Ana Bottallo | Folhapress

Veja o que a ciência já demonstrou sobre a falta de eficácia da cloroquina contra Covid-19
Foto: Reprodução / SUS Conecta

Na última terça (8), em novo depoimento à CPI da Covid, o ministro da Saúde Marcelo Queiroga afirmou que a hidroxicloroquina não tem eficácia científica comprovada para o tratamento da Covid-19.
 

A afirmação do ministro representa uma mudança em relação ao seu primeiro depoimento à comissão, quando disse que não iria se posicionar sobre o uso do medicamento em uma nota técnica da pasta. É a primeira vez também que Queiroga se alinha às principais evidências científicas disponíveis até então sobre o medicamento e demais drogas do "kit Covid".
 

"Essas medicações [se referindo às drogas do kit Covid, que inclui ainda tamiflu e azitromicina] não têm eficácia comprovada. Esse assunto é motivo de discussão na Conitec [Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias ao SUS]. Se eu ficar discutindo a discussão do ano passado, eu não vou em frente", disse o ministro.
 

A Conitec é um órgão consultivo da Saúde responsável pela análise da inclusão de medicamentos e protocolos de tratamentos no SUS (Sistema Único de Saúde).
 

A hidroxicloroquina para tratamento de Covid-19 foi a droga mais estudada desde o início da pandemia, com 268 pesquisas científicas registradas em 55 países, mas sua eficácia não foi comprovada nem para tratamento de pacientes internados nem como medida profilática, de acordo com as pesquisas científicas que utilizam o chamado padrão-ouro do método científico.
 

Esses estudos são do tipo randomizados, duplo-cego e com grupo controle, ou seja, os voluntários são distribuídos de forma aleatória em diferentes grupos, uma parte recebe o medicamento e a outra, uma substância placebo, que é inócua no organismo, e nem os pacientes nem parte dos pesquisadores sabem quem está recebendo o quê --todas essas regras permitem eliminar vieses e avaliar de maneira direta a associação entre uso do fármaco e o desfecho clínico (melhora ou piora do paciente).
 

Um artigo publicado em junho de 2020 no periódico científico NEJM (The New England Journal of Medicine), um dos mais importantes da área médica, apontou que a hidroxicloroquina não tem eficácia como profilaxia (prevenção da infecção) após exposição pelo Sars-CoV-2. O estudo foi o primeiro ensaio clínico controlado publicado da droga, com 821 pessoas no Canadá e Estados Unidos.
 

Seu uso para redução de mortes ou de intubação também foi refutado em estudo publicado na mesma NEJM. A pesquisa foi do tipo observacional (ou seja, os pesquisadores só observam os resultados de vida real, sem fazer intervenções) com 1.376 pacientes que tinham sido tratados no Hospital Presbiteriano de Nova York.
 

Outro estudo também avaliou a mortalidade por Covid-19 entre pessoas medicadas com hidroxicloroquina associada ou não à azitromicina e não encontrou redução de mortalidade. A pesquisa, com participação de 1.438 pacientes, ainda apontou para maior ocorrência de arritmias e outras anormalidades cardíacas naqueles indivíduos que tomaram a combinação de medicamentos.
 

O maior estudo brasileiro até então, a Coalizão Covid-19, também mostrou que a hidroxicloroquina não tem eficácia para pacientes com sintomas leves ou moderados e não promoveu melhoria na evolução clínica deles. A pesquisa foi liderada pelos principais hospitais brasileiros (Albert Einstein, HCor, Sírio-Libanês, Moinhos de Vento, Oswaldo Cruz e Beneficiência Portuguesa), pelo Brazilian Clinical Research Institute (BCRI) e pela Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva (BRICNet).
 

Apesar de um estudo global com dados de 96 mil pessoas internadas publicado na The Lancet e que apontava para maior risco de morte associado à hidroxicloroquina ter sido retratado pela revista devido a inconsistências nos dados hospitalares, o acúmulo de evidências até então já era suficiente para comprovar que o seu uso não traz benefícios no tratamento da Covid-19.
 

Entidades médicas em todo o mundo, incluindo a SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), recomendaram abandonar o medicamento, ainda em maio de 2020.
 

O Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas (Niaid, na sigla em inglês) dos EUA contraindicou o uso da cloroquina, hidroxicloroquina e azitromicina para tratamento da Covid-19 já em abril de 2020. A nota teve o apoio de 13 entidades, entre elas o CDC (Centro de Controle e Prevenções de Doenças), principal órgão de saúde norte-americano.
 

Posteriormente, em julho do mesmo ano, a FDA, agência regulatória de medicamentos no país, publicou uma nota que citava preocupação quanto ao uso da hidroxicloroquina fora de ambiente hospitalar para tratamento de casos leves ou profiláticos e como seu uso estava associado a um risco elevado de problemas cardíacos.
 

A OMS (Organização Mundial da Saúde) interrompeu os estudos para avaliar a hidroxicloroquina para tratamento da Covid ainda em junho de 2020. Segundo o comitê independente que deu o parecer para encerrar a pesquisa, a droga não foi eficaz na redução da mortalidade.
 

Mesmo com todas as evidências e contraindicação dos principais órgãos e entidades do mundo, o Ministério da Saúde só publicou em maio de 2021 um parecer, avaliado pela Conitec, contraindicando cloroquina, hidroxicloroquina, azitromicina, ivermectina, entre outros medicamentos, para tratamento de pacientes hospitalizados com Covid-19.

Bahia Notícias

«Quem foi rei nunca perde a majestade.»

 

Primeiramente  Tista, quero  te desejar muitos anos de vida com saúde, paz e tranquilidade.

Em segundo lugar, quero te parabenizar mais uma vez pelo exemplo que  está dando a seus simpatizante e ao povo de Jeremoabo, incentivo para que todos se vacine quando chegar sua.

Em terceiro lugar, pergunto ao prefeito que tanto gosta de aparecer em fotos, porque  não deu o exemplo quando se vacinou, se é que foi vacinado?

É isso Tista,  quem foi rei sempre será majestade 

Aracaju passa a vacinar pessoas com 56 anos contra a Covid-19

https://globoplay.globo.com/v/9587441/ 

Itatim: Ministro do TSE acata recurso e prefeita pode perder mandato

por Francis Juliano

Itatim: Ministro do TSE acata recurso e prefeita pode perder mandato
Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal

A prefeita de Itatim, no Piemonte do Paraguaçu, Daiane Silva dos Anjos (PSD), pode perder o mandato. É que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acatou recurso do Ministério Público Eleitoral (MPE) que contesta a legalidade da candidatura dela. Em decisão desta terça-feira (8), o relator do caso na Corte, Edson Fachin, acolheu o pedido do MPE que afirmou não ter tido condições de apresentar provas que comprovariam a ilegalidade da postulante.

 

O MPE afirma que a gestora não poderia concorrer ao pleito do ano passado porque ela teria relação de união estável com o então prefeito Gilmar Pereira Nogueira, o Tingão, que estava no segundo mandato consecutivo. Quando concorreu em 2020, Daiane declarou à Justiça Eleitoral que o estado de civil dela era de solteira. No entanto, o MPE diz que a atual gestora era apresentada publicamente como primeira-dama do município desde 2017.

 

Na decisão, Fachin determinou que o caso volte à 107º Zona Eleitoral para que uma nova instrução processual seja iniciada, com o acolhimento de provas e de depoimentos de testemunhas indicadas pela acusação. Caso a Justiça declare a inegiblidade da prefeita, a cidade pode ter uma eleição suplementar com a escolha de uma nova ou novo mandatário para o município.

 

O MPE ajuizou o caso no TSE após ter o recurso negado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-BA).

BAHIA NOTÍCIAS

Executivo da SinoVac cobrou fim de ataques de Bolsonaro à China para não atrasar vacina


Crédito: Evandro Rodrigues

Ilustração reproduzida da IstoÉ

Natália Portinari e Julia Lindner
O Globo

Duas semanas após o presidente Jair Bolsonaro fazer novos ataques à China, em maio deste ano, a farmacêutica SinoVac cobrou uma mudança de posicionamento do governo para garantir o envio de insumos ao Instituto Butantan para a produção da vacina CoronaVac. A informação consta em documento sigiloso do Itamaraty enviado à CPI da Covid e obtido pelo GLOBO.

O ofício reproduz uma carta enviada pela Embaixada do Brasil em Pequim ao Ministério das Relações Exteriores (MRE) com o relato de uma reunião ocorrida em 19 de maio na capital chinesa entre diplomatas e representantes brasileiros com o presidente da SinoVac, Weidong Yan.

RELAÇÃO MAIS FLUIDA – O executivo, segundo o relato oficial, pediu uma mudança no posicionamento político do Brasil para que houvesse uma relação “mais fluida” entre os países e “fez questão de ressaltar a importância do apoio político para a realização das exportações, e mesmo a possibilidade de tratamento preferencial a determinados países”.

Na avaliação de integrantes da CPI da Covid, o material desmonta a tese defendida em depoimento à comissão por ministros como o titular da Saúde, Marcelo Queiroga, e o ex-chanceler Ernesto Araújo, de que as falas do presidente da República não tiveram impacto nas negociações com o país asiático para o fornecimento de imunizantes.

De acordo com o relato da embaixada brasileira, o presidente da SinoVac “disse ainda que, apesar do bom relacionamento da empresa com o Instituto Butantan e do apoio da Chancelaria à cooperação com o Brasil, poderia ser útil que o acordo entre as empresas fosse visto como uma demanda do governo brasileiro”.

NO NÍVEL POLÍTICO – O executivo chinês, ainda segundo o documento enviado ao Itamaraty, sugeriu que o Brasil enviasse uma correspondência, “no nível político”, para expressar a expectativa sobre a quantidade de insumos e o cronograma de suprimento de vacinas. “Deu a entender que esse documento poderia ajudar a empresa em suas conversações com o Waijiaobu (Ministério dos Negócios Estrangeiros da República Popular da China)”.

De acordo com o documento, o encontro ocorreu na sede da SinoVac, em Pequim, e contou com a presença de outros diplomatas brasileiros e um representante do governo de São Paulo em Xangai. “O propósito da reunião foi tratar do processo de suprimento das vacinas contra a COVID-19 contratadas pelo Instituto Butantan”, diz o ofício.

No início da reunião, segundo o relato enviado ao Itamaraty, representantes brasileiros comentaram que havia frustração do governo Bolsonaro e do Instituto Butantan com a notícia de que seriam enviados apenas 3 mil litros de insumos ao Brasil naquele mês, e não 4 mil, conforme previsto.

DEMANDA EXCESSIVA – Ao ser questionado se a SinoVac conseguiria fornecer o estoque contratado com o Brasil, o presidente da farmacêutica chinesa disse que a empresa tinha dificuldades em atender “toda a demanda”, alegou que há um “processo de alocação da produção para os diversos clientes da empresa” e, logo em seguida, comentou “que seria conveniente, para o processo, que o governo brasileiro buscasse ‘desenvolver uma relação mais fluida e positiva com o governo chinês’.”

 “(O presidente da SinoVac) não chegou a afirmar categoricamente que haveria uma ingerência direta do governo na alocação de insumos, mas realçou a importância de um bom diálogo entre Brasília e Pequim. Afirmou que a questão não é meramente comercial, mas também diplomática. Citou, como exemplo, o reflexo positivo das boas relações que a Indonésia e o Chile mantêm com a China sobre o suprimento de vacinas para aqueles países”, diz o relato enviado ao Itamaraty.

Dos 12,7 milhões de doses administradas no Chile contra a Covid-19, 90% são do laboratório chinês Sinovac.

BOLSONARO INSISTE – No início de maio, catorze dias antes da reunião do diplomata brasileiro com a SinoVac, o presidente Jair Bolsonaro sugeriu que o novo coronavírus faria parte de uma “guerra química”.

— É um vírus novo, ninguém sabe se nasceu em laboratório ou por algum ser humano ingeriu um animal inadequado. Mas está aí. Os militares sabem que é guerra química, bacteriológica e radiológica. Será que não estamos enfrentando uma nova guerra? — disse o presidente em evento no Palácio do Planalto, em Brasília — Qual o país que mais cresceu seu PIB? Não vou dizer para vocês — afirmou Bolsonaro, sem citar a China diretamente.

Na época, o diretor do Instituto Butantan afirmou que “todas as declarações neste sentido têm repercussão” — Nós já tivemos um grande problema no começo do ano e estamos enfrentando de novo esse problema — afirmou Dimas Covas, em 6 de maio.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Errar é humano, todos sabem. Mas insistir no erro, em prejuízo de toda a nação, é coisa de jumento, digamos assim(C.N.)

Auditor do TCU revela que seu pai é militar e repassou os dados falsos a Bolsonaro


Alexandre Figueiredo Costa Silva Marques, servidor afastado do TCU

Costa Silva, o auditor, é amigo da família Bolsonaro

Mônica Bergamo
Folha

O auditor Alexandre Figueiredo Costa e Silva confessou à sua chefia imediata no TCU (Tribunal de Contas da União) que foi ele o autor das análises que levaram o presidente Jair Bolsonaro a divulgar a notícia falsa de que o órgão questionava as mortes por Covid-19 no Brasil.

De acordo com informações preliminares já encaminhadas à corregedoria do tribunal, o auditor relatou que comentou o teor de suas opiniões com o pai, que é militar e amigo pessoal de Bolsonaro. O pai, segundo o auditor disse a seus chefes, teria enviado o texto ao presidente.

PROCESSO DISCIPLINAR – A corregedoria, comandada pelo ministro Bruno Dantas, encaminhará um relatório à presidente do TCU, Ana Arraes, propondo a abertura de um processo disciplinar contra Costa Silva. A investigação será então aprofundada, com a tomada de depoimentos dos envolvidos.

Costa Silva deve ser afastado cautelarmente do cargo de auditor pela presidente, para poder assim responder ao processo. Ele já foi retirado da equipe que analisa atos de gestão relativos ao combate à Covid-19.

As famílias de Costa e Silva e de Bolsonaro seriam tão próximas que o auditor chegou a ser indicado para uma diretoria do BNDES em 2019. Sua posse foi barrada pelo próprio TCU por conflito de interesses, já que o tribunal fiscaliza o banco.

DISSE BOLSONARO – A confusão envolvendo o tribunal começou na segunda (7), quando o presidente Jair Bolsonaro afirmou a apoiadores que o TCU questionava as mortes por Covid-19 no país –o que é mentira.

“Em primeira mão aí para vocês. Não é meu. É do tal de Tribunal de Contas da União. Questionando o número de óbitos no ano passado por Covid. E ali o relatório final não é conclusivo, mas em torno de 50% dos óbitos por Covid ano passado não foram por Covid, segundo o Tribunal de Contas da União”, diz Bolsonaro na conversa com apoiadores.

“Esse relatório saiu há alguns dias. Lógico que a imprensa não vai divulgar. Eu tenho três jornalistas que eu converso, não vou falar o nome deles, que são pessoas sérias, né. E já passei para eles. E devo divulgar hoje à tarde. E como é do Tribunal de Contas da União, ninguém queira me criticar por causa disso”.

DEU NO PORTAL R7 – Em seguida, o portal R7, da Igreja Universal do Reino de Deus, divulgou que “apenas quatro em cada dez óbitos (41%) registrados por complicações da doença seriam efetivamente resultado da contaminação do vírus”. E creditou a informação, que é falsa, ao suposto relatório do TCU citado por Bolsonaro. O portal da igreja afirmou ainda que recebeu o documento de uma fonte do Palácio do Planalto.

Desmentido pelo TCU, o presidente da República reconheceu na terça-feira (8) que a informação que passou ao público não era verdadeira. E afirmou ser ele mesmo o autor de uma tabela que foi divulgada questionando as mortes, com base em um “acórdão” do TCU.

As análises de Costa Silva nunca chegaram a integrar qualquer relatório do TCU. Elas foram apenas postadas em um sistema de comunicação interno dos auditores – e prontamente recusadas, por falta de solidez técnica.

ANÁLISE DELIRANTE – O auditor argumentava que, como os repasses de recursos pelo Ministério da Saúde aos estados para o combate à Covid-19 era feito com base no número de óbitos, poderia haver um superdimensionamento dos dados. Governadores e prefeitos inflariam as mortes artificialmente para receber mais dinheiro.

As notificações de óbitos, no entanto, são feitas por médicos e unidades de saúde que atestam a morte. Para inflar os dados, governantes precisariam ter a cumplicidade de milhares de profissionais da área.

O TCU, assim, nunca questionou os dados de óbitos por Covid-19 no Brasil, que já fez 479.792 vítimas.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A que ponto chegamos… (C.N.)

Em destaque

Tista de Deda participa de debate na UPB sobre altos cachês do São João e alerta para impacto nas finanças municipais

  Tista de Deda participa de debate na UPB sobre altos cachês do São João e alerta para impacto nas finanças municipais O prefeito de Jeremo...

Mais visitadas