segunda-feira, maio 04, 2020

Militares se calam, mas não concordam com o comportamento do presidente Bolsonaro


Arquivo para Charges - Página 34 de 132 - Sindicato dos Bancários ...
Charge do Bier (Arquivo Google)
José Carlos Werneck
Segundo matéria do jornal “O Estado de São Paulo”, importantes oficiais-generais declararam que o presidente da República, Jair Bolsonaro tentou, neste domingo, fazer uso político do capital das Forças Armadas, quando disse que os militares estavam com o seu governo. Essas “pressões” e “ameaças dissuasórias” do chefe do governo, provocaram novo incômodo entre os militares.
De acordo com o texto do jornal, “interlocutores do presidente deixaram claro que a Aeronáutica, o Exército e a Marinha estão “sempre” na defesa da independência dos poderes e da Constituição. “Ninguém apoia aventura nenhuma, pode desmontar essa tese. Estamos no século 21”, resumiu uma das fontes, que ainda destacou a “retórica explosiva” do presidente que permite interpretações.”
CHEGAMOS AO LIMITE – Na declaração a apoiadores que provocou reações, Bolsonaro disse que “chegamos ao “limite”. Os militares ouvidos pelo jornal disseram que ele se expressa mal e acaba colocando em risco sua postura de defensor da Constituição. A frase do presidente, reclamaram, voltou a colocá-los em uma “saia justa”.
Eles reafirmaram que não vão se meter em questões políticas. “É uma declaração infeliz de quem não conhece as Forças Armadas”, reagiu de forma mais dura um deles. “O problema é que deixa ilações no ar. Afinal, não há caminho fora da Constituição.”
As novas investidas do presidente contra o Judiciário, o Congresso e a imprensa ocorreram, segundo essas fontes, ouvidas pelo jornal, um dia depois de um encontro do presidente com ministros e comandantes militares.
CRISE POLÍTICA – Na reunião, no Palácio da Alvorada, neste sábado, Bolsonaro e sua equipe discutiram a situação do País, a saída de Sérgio Moro do ministério da Justiça, bem como as consequências de uma crise política arrastada nesta pandemia do novo coronavírus, devido à decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, sustando a nomeação do delegado Alexandre Ramagem para a diretoria geral da Polícia Federal. 
A suposta interferência do ministro Alexandre de Moraes num ato do Executivo teria sido criticada pelos participantes do encontro, que demonstraram preocupação com a influência desse posicionamento em instâncias inferiores do Judiciário para barrar indicações em outros órgãos federais e estaduais. 
SEM COMENTÁRIOS – Segundo a matéria de Tânia Monteiro, os ministros e comandantes militares teriam saído do encontro no Palácio da Alvorada certos de uma “pacificação” por parte de Jair Bolsonaro, mas na avaliação dessas fontes, o presidente “voltou a ser “envenenado”, na manhã de domingo, por pessoas próximas e grupos de WhatsApp.
A repórter ainda diz que, “por tradição e hierarquia, os militares não deverão fazer manifestações públicas sobre a fala do presidente”. O assunto ficará sem comentários.

Eduardo Bolsonaro alega que Sérgio Moro está sendo “político” e o acusa de traição


Eduardo diz que Moro entregaria muito mais se ficasse no governo
Deu no Correio Braziliense
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) comentou o depoimento deste sábado, dia 2, do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro e afirmou que o ex-juiz “certamente mostraria quatro anos de (conversa de) Whatsapp se seguisse no mandato até o final de 2022”. “O Moro está se mostrando um excelente sujeito político traindo o presidente da República”, disse o parlamentar.
Ontem, Moro concluiu um depoimento de oito horas na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba após acusações de que o presidente da República, Jair Bolsonaro, teria tentado intervir em investigações da Polícia Federal. Segundo Eduardo Bolsonaro, “quem tem provas não precisa de horas fazendo depoimento”.
BASTIDORES – De acordo com o parlamentar, “quem convivia nos bastidores já conseguia perceber de maneira mais forte que ele fez um bom papel no combate à corrupção e um bom papel na Lava Jato, mas como ministro estava complicado”.
Eduardo Bolsonaro participou da primeira “live” do partido que a família Bolsonaro estuda tirar do papel, o Aliança pelo Brasil. Estiveram com ele a advogada Karina Kufa, a deputada federal Aline Slutjes (PSL-PR) e o deputado estadual Sargento Lima (PSL-SC).

Bolsonaro nomeia “braço direito” de Ramagem para comandar a Polícia Federal


Nomeação é alternativa para manter a influência de Ramagem
Jussara Soares, Pepita Ortega e Fausto Macedo
Estadão
O presidente Jair Bolsonaro nomeou o delegado Rolando Alexandre de Souza para o cargo de diretor-geral da Polícia Federal. O decreto em que oficializa a decisão foi publicação em edição extra do Diário Oficial da União nesta segunda-feira, dia 4.
Ex-secretário de Planejamento e Gestão da Agência Brasileira de Investigação (Abin), Rolando é considerado ‘braço-direito’ do diretor-geral do órgão, Alexandre Ramagem, a primeira opção do presidente para chefiar a PF, mas que foi barrado pelo Supremo Tribunal Federal.
ALTERNATIVA – Como mostrou o Estado no sábado, a nomeação de Rolando é vista como uma alternativa do presidente para manter a influência de Ramagem, que é próximo à família Bolsonaro, na Polícia Federal. Segundo interlocutores do presidente, o diretor-geral da Abin participou diretamente das decisões sobre o futuro do comando da PF, uma atribuição do ministro da Justiça, André Luiz Mendonça.
Segundo o Estado apurou, o presidente está preocupado com o avanço do inquérito das ‘Fake News’, que poderia atingir seus filhos e até mesmo servidores que atuam no chamado ‘gabinete do ódio’. A investigação já identificou empresários bolsonaristas que estariam financiando ataques contra ministros do Supremo nas redes sociais, conforme revelou o Estado.
PROTESTOS – Há ainda outro inquérito aberto por determinação do ministro do STF, Alexandre de Moraes, para apurar “fatos em tese delituosos” envolvendo a organização de atos antidemocráticos, após Bolsonaro participar de protesto em Brasília convocado nas redes sociais com mensagens contra o STF e o Congresso.
Outra apreensão do presidente é a apuração sobre o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) que trata de um esquema de “rachadinha” em seu antigo gabinete, na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. O caso foi revelado pelo Estado.
CONVITE  – Rolando estava na Superintendência da Polícia Federal em Alagoas até setembro do ano passado, quando assumiu a secretaria de Planejamento e Gestão da Abin a convite de Ramagem. Antes de ser vetado no comando da PF, o chefe da agência de inteligência já montava sua equipe na cúpula da instituição e levaria Rolando com ele.
Por sua vez, Ramagem foi segurança de Bolsonaro durante a campanha eleitoral e entrou para o rol de auxiliares de confiança do Planalto com o apoio do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ). A sua nomeação para a direção da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), em julho de 2019, é atribuída ao filho do presidente.
ALERTA – Bolsonaro foi alertado que nomear Ramagem para chefiar a PF potencializaria as acusações do ex-ministro da Justiça Sérgio Moro, que ao se demitir disse que o presidente queria fazer interferência política na Polícia Federal e ter acesso a relatórios de inteligência. Entretanto, insistiu e a nomeação foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) no dia 27 de abril, junto com a confirmação de Mendonça, ex-Advocacia-Geral da União, para o Ministério da Justiça.
Poucas horas antes da cerimônia de posse no Palácio de Planalto na quarta-feira, 29, o ministro Alexandre de Moraes suspendeu a nomeação de Ramagem para a direção-geral da Polícia Federal. A decisão liminar atendeu a um pedido apresentado pelo PDT após o governo baixar decreto confirmando a indicação.
De acordo com Moraes, as declarações de Moro sobre tentativa de interferências na autonomia da corporação, a divulgação de mensagens trocadas com o ex-ministro e a abertura do inquérito no próprio Supremo para investigar as acusações motivam a necessidade de impedir a posse de Ramagem.

“Ditador não gosta de gente, gosta de chicote, gosta de máquina”, diz ministra Cármen Lúcia


Cármen criticou ataques à imprensa em manifestação pró-Bolsonaro
Pedro Caramuru
Estadão
Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia e Gilmar Mendes defenderam a liberdade de imprensa e lamentaram as agressões a jornalistas do Estadão neste domingo, dia 3. “Quem transgride e ofende a liberdade de imprensa, ofende a Constituição, a democracia e a cidadania brasileira”, declarou Cármen Lúcia.
Os magistrados participaram de transmissão ao vivo do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP) que discutiu o direito em tempos de Covid- 19. A agressão a cada jornalista é uma agressão à liberdade de expressão e à própria democracia, afirmou o ministro Gilmar Mendes. “Isso precisa ficar claro e deve ser repudiado”, completou o magistrado.
AGRESSÕES – Neste domingo, apoiadores do presidente Jair Bolsonaro agrediram com chutes, murros e empurrões a equipe de profissionais do Estadão que acompanhava uma manifestação pró-governo em Brasília. O fotógrafo Dida Sampaio registrava imagens do presidente em frente à rampa do Palácio do Planalto, na Esplanada dos Ministérios, numa área restrita para a imprensa quando foi agredido.
“Lamento a informação inicial, que foi aqui trazida, de ter havido agressão a jornalistas num dia tão significativo para a imprensa como no dia de hoje. É inaceitável, é inexplicável que ainda tenhamos cidadãos que não entenderam que o papel de um  profissional da imprensa é o papel que garante, a cada um de nós, poder ser livre”, afirmou Cármen Lúcia.
LIBERDADE – “Estamos portanto, quando falamos da liberdade de expressão e de imprensa, especificamente, no campo das liberdades, sem o qual não há respeito às dignidades. Não há dignidade na ausência de liberdade, e não há como se exercer a liberdade sem ser informado sobre aquilo que se passa à nossa volta, que nos diz respeito, que diz respeito a outro.”
A ministra do STF ainda classificou como “absolutamente ilegais” as milícias virtuais e afirmou que – apesar de “antidemocrático” – robôs estão sendo empregados para influenciar o debate político em ambientes digitais.
FASCISMO – “No mundo inteiro estamos vendo o fascismo chegar perto, mas não chega pela forma tradicional, chega com os robôs, se entronizam em espaços que a gente nem percebe.”
Neste domingo, apoiadores do presidente Jair Bolsonaro fizeram um protesto contra ministros do STF, entre eles Alexandre de Moraes – que suspendeu a nomeação de Alexandre Ramagem para a chefia da Polícia Federal e é relator de um processo que investiga o uso robôs e fake news – e o presidente da Corte, o ministro Dias Toffoli.
DITADURA – Segundo Cármen Lúcia, “nem se sabia até há muito pouco tempo se era alguém do outro lado ou se havia a possibilidade de haver um robozinho a serviço – que me pareceu sempre – da anti-democracia, do fascismo, do autoritarismo e da ditadura. São esses que querem se valer de máquinas porque não podem contar com pessoas”.
De acordo com a ministra, “ditador não gosta de gente, gosta de chicote, gosta de máquina. Ele manda na máquina e quebra ela se não fizer o que quer”. A ministra ainda citou a letra da música “Disparada”, de Geraldo Vandré e Théo de Barros: “Gado a gente marca, mas com gente é diferente”.

Bolsonaro exibe irresponsabilidade, ao sair na rua com a filha, sem usarem máscaras


Ato pró-Bolsonaro reúne multidão em frente ao Palácio do Planalto ...
Acompanhando Bolsonaro. apenas Hélio Negrão usava máscara
Vicente Limongi Netto
Diante do pavor da pandemia, usar máscara é gesto inteligente. De bom senso. Deve-se punir, sim, com rigor, quem insiste em não usar e se mistura com os outros. Quer morrer, que morra sozinho. Não contamine os demais, sobretudo as crianças. Bolsonaro não é santo. Não somos. Santos estão nas igrejas e no céu.
Por ser intolerante e vítima de maluco assassino, Bolsonaro não tem o direito de ser destemperado nem grosseiro. Muito menos de insultar as instituições.
ESCALADA DA INSENSATEZ – Impecável manchete do Correio Braziliense, “Escalada da insensatez”, nesta segunda-feira.  Alegar, bater no peito que cumpre a Constituição, não é monopólio do presidente da República. É obrigação. Derreter-se em lamúrias, alegando trabalhar com denodo pelo país, também é dever de todo chefe da nação. Não faz nenhum favor. Igualmente deplorável debochar, xingar e ameaçar desafetos.
O erro faz parte das deficiências do ser humano. Insistir neles é asnice, ignorância e má-fé. O clamor do mundo, dos médicos, cientistas e das pessoas que contraíram o vírus, mas que se curaram, é no sentido de preservar vidas. De ficar em casa, evitando mais mortes.
CHEGA DE IRRESPONSABILIDADE – Nessa linha, então, Bolsonaro deveria se render as evidências. Deixar de exortar e participar de irresponsáveis aglomerações, inclusive levando a filhinha Laura. Não demora, marcará “pelada” com seguranças e áulicos no campo do Alvorada. Com direito a torcida dos “apoiadores”. 
É dever dos cidadãos alertar, criticar e elogiar gestos de grandeza do presidente. Pisando na bola, como tem feito com espantosa insistência, deve ser duramente criticado pela imprensa e pela população.
Pintar Bolsonaro como coitadinho, mito e vítima, é pavoroso e raso argumento. Não tem postura de chefe de governo. Não consegue se conter e sai dando coices. Precisa, pelo menos, usar máscara, nos frequentes delírios de dono da Constituição.

Jair Bolsonaro desonra os militares e os trata como se fossem seus serviçais


URGENTE!! MILHARES DE PESSOAS SE REÚNEM EM FRENTE AO PALÁCIO DO ...
O canal da CNN, que apoia Bolsonaro, transmitiu tudo ao vivo
Carlos Newton
Lembro bem dos idos de 64. Eu trabalhava no IBGE, como operador do primeiro computador do país, e à noite estudava na Faculdade Nacional de Direito, que depois passou a liderar a atuação política estudantil, na gestão de Fernando Barros e Vladimir Palmeira. Naquela época, a situação era bem diferente. Havia uma forte oposição ao presidente João Goulart, defendia-se a derrubada dele, mas não se falava abertamente em implantar uma ditadura militar.
Essa possibilidade nem passava pela cabeça dos golpistas, liderados por Carlos Lacerda. Pretendia-se que os militares tirassem Jango, mas deixassem os civis rearrumar a casa, o que somente veio a acontecer 21 anos depois…
REPRISE (COMO FARSA) – Agora, a conspiração se repete como farsa, comandada pelo próprio presidente da República, que tem formação militar, chegou a capitão mas não iria muito longe, devido à falta de capacidade cultural e intelectual.  
Desta vez, nenhum líder da oposição defende o golpe de Estado. Quem o faz, com uma sinceridade espantosa, é o próprio presidente da República, que não consegue agir de forma republicana, contesta publicamente os outros poderes e confraterniza na ruas com os defensores da intervenção militar e do fechamento do Congresso e do Supremo.
Isso talvez esteja acontecendo porque Bolsonaro era menino quando houve a Revolução e não tem a menor ideia de como tudo aconteceu em 1964.
MILITARES ROBÔS – Na sua longeva imaturidade, Bolsonaro acha que pode conduzir os militares como se fossem os robôs digitais comandados por seus filhos. Na semana passada, disse e repetiu que a nação “quase entrou numa crise institucional”, ou seja, ameaçou diretamente o Supremo e, de tabela, o Congresso.
Neste domingo, repetiu-se a estratégia bolsenariana, montada pelos três filhos. Jamais se viu situação semelhante na História Republicana. Desta vez, diante do Palácio do Planalto, o presidente, portando-se como se falasse em nome das Forças Armadas, disse que acabou a paciência e fez uma grotesca ameaça ao Supremo e ao Congresso, avisando que não vai tolerar “intervenção”.  
Bolsonaro pensa (?) que os militares farão o que ele ordenar, como comandante-em-chefe das Forças Armadas. Está enganado. Os militares vão respeitar a lei e a ordem. É mais fácil que o internem numa clínica psiquiátrica, para longo tempo de recuperação, como aconteceu ao presidente Delfim Moreira.

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