quinta-feira, dezembro 05, 2019

STF autoriza compartilhamento irrestrito, mas exige “garantia de sigilo” no uso de dados do Coaf


Dados deverão ser repassados por meio de comunicações formais
Rafael Moraes Moura
Estadão
O Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu nesta quarta-feira, dia 4, o julgamento em que autorizou o amplo compartilhamento de informações da Receita Federal e do antigo Coaf (rebatizado de Unidade de Inteligência Financeira) sem necessidade de prévia autorização judicial.
Na sessão desta quarta-feira, os ministros definiram que o repasse de dados sigilosos por órgãos de fiscalização e controle deve ser feito por meio de “comunicações formais” com o Ministério Público e a Polícia, e não por e-mails, por exemplo.
BENEFÍCIOS PARA FLÁVIO  – Esse entendimento pode abrir margem para beneficiar o senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ) no caso Queiroz, revelado pelo Estado. Aprovada por 10 a 1, a tese (uma espécie de resumo com a posição do Supremo sobre o tema) definida se divide em dois pontos.
No item mais delicado, os ministros firmaram o entendimento de que o compartilhamento de informações deve ser feito apenas por meio de “comunicações formais”, com garantia de sigilo e estabelecimento de “instrumentos efetivos de apuração e correção de eventuais desvios”.
“NÃO PODE, NÉ?” – “Não pode por e-mail, não pode por telefone, não pode por WhatsApp, até porque no mundo todo não pode, né”, disse o ministro Alexandre de Moraes ao falar com jornalistas, depois do julgamento.
Na semana passada, foram derrubadas duas liminares que beneficiavam Flávio Bolsonaro, permitindo, dessa forma, a retomada das investigações de um esquema de “rachadinha” envolvendo o ex-assessor parlamentar Fabrício Queiroz, que trabalhou no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).
POR EMAIL – Procurada, a defesa de Flávio Bolsonaro informou que não vai se manifestar sobre o julgamento do STF. Uma das questões levantadas pela defesa do parlamentar é justamente a comunicação por e-mail entre membros do Ministério Público do Rio (MP-RJ) e do Coaf, conforme destacado pelo ministro Gilmar Mendes ao dar uma liminar em setembro que paralisou as investigações de Flávio.
“Destaca-se, ainda, a presença, nos autos, de e-mail enviado pelo MP-RJ, datado de 14.12.2018, em que o MP-RJ solicitou ao Coaf, a partir do compartilhamento inicial do RIF 27.746, (relatório de inteligência financeira) a ampliação das informações prestadas, o que foi prontamente realizado pelo Coaf e deu origem ao RIF 38.484, também compartilhado com o MP-RJ em 18.12.2018, sem prévia autorização judicial”, observou Gilmar naquela ocasião.
MARGEM – Indagado se o entendimento firmado pelo Supremo pode abrir brecha para beneficiar Flávio Bolsonaro, Moraes disse que não conhece o caso concreto do filho do presidente da República. “Cada caso tem que ser analisado”, afirmou o ministro. Para Moraes, o Ministério Público pode pedir complementação de informações se está investigando uma organização criminosa, por exemplo.
“Pode pedir, desde que haja ligação investigativa, não tem problema nenhum. Tudo documentado, tem que ficar tudo documentado. E-mail não, WhatsApp não, isso é para quem tem preguiça de fazer ofício. Estamos falando da vida e da intimidade de pessoas. Isso não atrasa nada, até porque, salvo um caso ou outro, é tudo por meio eletrônico”, comentou Moraes.
PROCEDIMENTO FORMAL – “A minha experiência como promotor e secretário de Segurança, 99,9% dos casos quando chega a informação, se pede a informação, já é formalizado [a investigação]. Mas é importante colocar isso. E, o procedimento, a UIF mandou, a Receita mandou, tem que ser também um procedimento formal que fique registrado quem mandou e o destinatário. Que também em 99,9% dos casos é assim que funciona.”
No outro ponto da tese, a Corte entendeu que é constitucional o compartilhamento dos relatórios de inteligência financeira da UIF e da íntegra de procedimentos da Receita Federal com o Ministério Público e a Polícia, sem a obrigatoriedade de prévia autorização judicial. O Supremo também frisou que essas informações devem ser mantidas sob sigilo.
DETALHAMENTO – Na semana passada, por 9 a 2, o Supremo autorizou o compartilhamento de informações sigilosas da Receita Federal com o Ministério Público e a Polícia Federal, sem necessidade de prévia autorização judicial. Diante de um placar que iria lhe impor uma derrota, o presidente do STF, ministro Dias Toffoli, alterou o voto e aderiu à ala vencedora, que permite o repasse de dados sensíveis e detalhados, como extratos bancários e declarações de imposto de renda.

quarta-feira, dezembro 04, 2019

Relator do TSE vota pela cassação do mandato de Juíza Selma, a senadora comparada a Moro


Selma é acusada de omitir R$ 1,2 milhão em gastos na campanha
Tiago Aguiar
Rafael Moraes Moura
Estadão
O ministro Og Fernandes, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), votou na noite desta terça-feira, dia 3, pela cassação do mandato da senadora Juíza Selma (Podemos-MT) por acusações de caixa 2 no valor de R$ 1,2 milhão e abuso de poder econômico durante a campanha de 2018. Os valores, que foram gastos pela ex-juíza em sua campanha, haviam sido transferidos por seu primeiro suplente, Gilberto Possamai.
INELEGÍVEIS – Pelo voto de Fernandes, Gilberto e Selma também ficam inelegíveis até as eleições de 2026. A segunda suplente do cargo, Cleire Fabiana, também foi cassada, mas não teve inelegibilidade decretada. Selma foi a senadora mais votada do estado, com 24,65% dos votos válidos em 2018. Na época, Selma e os dois suplentes estavam filiados ao PSL.
“Chama a atenção que a recorrente ocupou por décadas o cargo de juíza de direito no estado do Mato Grosso, tendo inclusive exercido a função eleitoral. Tal fato dá cores mais vivas aos ilícitos praticados. Jamais se poderia cogitar desconhecimento das normas ora transgredidas”, afirmou Og Fernandes em trecho do voto na noite desta terça-feira.
RECURSO – Carlos Fávaro (PSD), terceiro colocado na eleição, havia protocolado recurso para assumir a vaga, na hipótese da cassação, mas o ministro negou o pedido, assim como a possibilidade de eleições indiretas entre o conjunto do Senado Federal ou dos deputados estaduais da Assembléia Legislativa do Mato Grosso.
Após o voto do ministro relator, a sessão foi encerrada e a ministra Rosa Weber definiu que o caso será retomado, pelo plenário de ministros com a mesma composição, na próxima terça-feira, dia 10.
CASSAÇÃO – O Tribunal Regional Eleitoral do Mato Grosso (TRE-MT) decidiu pela cassação do mandato de Selma em abril deste ano. A parlamentar recorreu ao TSE para reverter a condenação e a então procuradora-geral da República, Raquel Dodge, se manifestou pela cassação da senadora.
Selma ficou famosa em Mato Grosso como “Sérgio Moro de saias”, por sua pena pesada em ações criminais contra políticos e servidores públicos. Ela mandou prender o ex-governador Silval Barbosa (MT) e empresários influentes no Estado, em 2017.
ESQUEMA – Selma também condenou a 26 anos e sete meses de prisão o ex-deputado José Riva por ‘escabroso esquema’ na presidência da Assembleia Legislativa de Mato Grosso.
Em entrevista ao Broadcast Político/Estado, em abril, a parlamentar argumentou que a legislação não a obrigaria a declarar gastos feitos antes de ser oficialmente candidata.

Caiu a ficha e é hora de repensar as relacões com os EUA, defendem assessores de Bolsonaro


Charge sem autoria, reproduzida da Folha de S.Paulo
Valdo CruzG1 Política
Apesar de não externarem publicamente, o presidente Jair Bolsonaro e sua equipe já avaliam que o relacionamento com os Estados Unidos precisa ser repensado, porque a qualidade da parceria com o presidente Donald Trump não está sendo nada boa para o Brasil. Nas palavras de um assessor presidencial, “caiu a ficha” e a hora é de ser pragmático com o governo norte-americano.
Desde o início do governo, o presidente Bolsonaro adotou uma política deliberada de alinhamento com os Estados Unidos. Fez diversas concessões ao governo norte-americano, mas até agora só recebeu promessas em alguns setores e ameaças de retaliação em outros. Por isso, a avaliação agora, feita pela equipe presidencial, é que “a qualidade da parceria não está sendo boa para o Brasil”.
DEVAGARINHO – Isso não significa que o governo brasileiro irá praticar de imediato algum tipo de retaliação contra os Estados Unidos. Adotar esse caminho de cara, argumentam assessores da equipe econômica, seria ir contra a linha do governo atual, que é pela abertura da nossa economia, e não pela adoção de medidas protecionistas.
Por enquanto, a ordem interna é apostar nas negociações para reverter a decisão de Trump, que anunciou a adoção de sobretaxa de 25% sobre a importação de aço brasileiro e de 10% sobre o alumínio. Negociadores brasileiros conversaram com funcionários da Casa Branca e ouviram deles o reconhecimento de que Trump pode ter errado ao incluir o Brasil no aumento de tarifas de importação.
Primeiro, porque, ao contrário de outros países, a maior parte do aço brasileiro exportado para os Estados Unidos é utilizada como insumo pelas siderúrgicas norte-americanas. Com isso, se a tarifa de importação sobe, o custo delas também sobe e acaba prejudicando a própria economia americana.
COTAÇÃO CAMBIAL – Segundo, os funcionários norte-americanos concordam que o Brasil não estava adotando nenhuma medida artificial de desvalorização cambial, como havia acusado Trump.
Agora, a expectativa é que, nas conversas com o presidente americano, ele possa voltar atrás. Ou que a medida fique apenas na ameaça e não entre em vigor.
Por isso, o governo brasileiro está optando por evitar declarações críticas públicas contra Donald Trump. O Brasil não afasta, porém, a possibilidade de uma reação caso a sobretaxa seja realmente adotada nas próximas semanas.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Em tradução simultânea, Trump tem o comportamento semelhante. Diz as coisas por impulso, sempre pensando em agradar aos eleitores, e acaba falando besteira. Ou seja, Trump não é confiável e está pouco ligando para o Brasil. (C.N.)

CNJ pune juiz que acusou Gilmar Mendes de receber propina em troca da soltura de Garotinho


(Arquivo do Google)
Paulo Roberto Netto
Estadão
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) impôs, por maioria, a pena de disponibilidade ao juiz Glaucenir Silva de Oliveira, da Vara Criminal de Campos dos Goytacazes, por áudio vazado em que insinuava a entrega de uma ‘mala grande’ ao ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, em troca da soltura do ex-governador do Rio Anthony Garotinho em 2017.
A disponibilidade com vencimentos proporcionais ao tempo de serviço é, na prática, o afastamento de um juiz do serviço, mas mantendo o pagamento do seu salário. É a segunda pena mais grave imposta pela Lei Orgânica da Magistratura Nacional, que retira o direito a licenças e progressão da carreira. A punição só perde pela aposentadoria compulsória.
NARRATIVA  – Somente após dois anos, o juiz poderá solicitar retornar à Vara. No julgamento do CNJ, foram vencidas as teses de remoção e censura contra o magistrado. O presidente do STF, Dias Toffoli, presidiu o julgamento e votou pela disponibilidade de bens. Segundo Toffoli, o magistrado ‘criou uma narrativa’ ao acusar Gilmar Mendes de receber propina.
“Criou-se uma narrativa mentirosa, já reconhecida pelo imputado, mas que ele queria sim, dolosamente, que ela virasse uma narrativa verdadeira. E isso não atinge só a pessoa do ministro que foi atacado. Ele atingiu toda a instituição”, afirmou Toffoli.
CASO DALLAGNOL –  O presidente do Supremo citou o caso da advertência aplicada ao procurador Deltan Dallagnol pelo Conselho Nacional do Ministério Público. No caso, o chefe da Lava Jato afirmou que três ministros da Corte formavam uma ‘panelinha’ e passavam uma mensagem de ‘leniência com a corrupção’.
“O Ministério Público, numa manifestação muito menor, aplicou uma penalidade, mas incomparável inferior do ponto de vista do conteúdo ofensivo”, compara Toffoli. “Não é um caso de crítica qualquer, é um caso gravíssimo”.
ÁUDIO – O processo contra Glaucenir Silva de Oliveira, da Vara de Campos dos Goytacazes (RJ), é baseado em áudio vazado do magistrado em que acusa o ministro Gilmar Mendes de ser o destinatário de uma ‘mala grande’ com ‘quantia alta’ para soltar o ex-governador Anthony Garotinho e tirar a tornozeleira eletrônica de Rosinha Garotinho.
O casal foi alvo da Operação Chequinho, deflagrada em novembro de 2017, para apurar o uso do programa Cheque Cidadão, do município de Campos, para obter apoio eleitoral na campanha de Garotinho ao governo do Rio, em 2014. Por ordem do ministro, Anthony e Rosinha foram soltos em dezembro.
SOLTURA – O juiz Glaucemir Oliveira, que no áudio se identifica somente como Glaucemir, diz ter conversado com o juiz da 100ª Vara de Campos dos Goytacazes a respeito da soltura de Rosinha.
“A gente é um soldado na linha de frente, né? A gente leva pedrada, tiro, enquanto o grande general desse poder judiciário que é ele agora, parece que é o dono do poder. Mela o trabalho sério que a gente faz, com sarcasmo, falta de vergonha, e segundo os comentários que ouvi hoje, comentários sérios de gente lá de dentro, é que a mala foi grande”, afirma Glaucemir, que acusa o ministro.
PROPINA GORDA – “E eu não quero aqui ser leviano, estou vendendo peixe conforme eu comprei, de comentários ouvidos aqui em Campos hoje, de pessoas inclusive do grupo do Bolinha, tá? E o que se fala aqui em Campos eu tenho acesso de pessoas que sabem que entendem porque estão no meio. Então, eu estou vendendo peixe conforme eu comprei, mas o que se cita aqui dentro do próprio grupo dele é que a quantia foi alta”.
Em dezembro de 2017, Gilmar Mendes mandou investigar o áudio. A repercussão do caso levou o juiz Glaucemir enviar carta de retratação ao ministro em que pede desculpas pelas declarações — à época, o ‘Estado’ apurou que Gilmar não aceitara a reparação.
RETRATAÇÃO – “Retrato-me de todo o conteúdo expresso no áudio. Os comentários feitos não condizem com a verdade. Peço, outrossim, perdão por todo e qualquer termo que possa ser interpretado como ofensivo à honra de Vossa Excelência, reiterando que esta jamais foi minha intenção”, escreveu Glaucemir, em carta.
O juiz relatou ter sofrido ameaças com fotos da fachada de seu apartamento circulando nas redes sociais e telefonemas na madrugada. Desde então, Glaucemir afirma ter andado com escolta armada e carro blindado em ‘uma situação constrangedora’.
“PERDÃO” – “Diante deste quadro, retrato-me cabalmente dos fatos mencionados no áudio e espero que Vossa Excelência me perdoe por qualquer palavra tida como ofensiva. Sem mais para o momento, subscrevo-me, renovando os protestos de elevada estima e distinta consideração. Cordialmente, Glaucenir Silva de Oliveira.”

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