sábado, abril 16, 2011

Para esquecer o voto distrital

“O voto distrital é um sistema de seleção de poderosos, não de inclusão política dos diversos segmentos sociais”


O texto que você lerá a seguir é uma adaptação de ideias que expus em debates travados em meus perfis no Facebook e no Twitter. Peço-lhes, assim, que compreendam o tom direto das reflexões.

Tudo começou quando fiz uma postagem que dizia mais ou menos o seguinte: "o distrito eleitoral é o ambiente perfeito para o clientelismo e a corrupção". Depois dessa afirmação recebi diversas mensagens de apoio e de reprovação.

O que se vê agora é uma lista de considerações que apresentei na oportunidade, submetidas a uma edição e ampliadas. Foi da Lucrecia Anchieschi Gomes, da Policidadania e do Movimento de Combate à Corrupção (MCCE) de São Paulo a iniciativa de realizar a coletânea das minhas primeiras ponderações. A ela os meus sinceros agradecimentos.

Antes de tudo, peço-lhe que abra mão de ideias preconcebidas. Esqueça os sistemas eleitorais dos outros países e pense no Brasil como você o conhece. Compare-o com o que lerá adiante. Pense. Então decida se é isso mesmo o que você quer para o nosso país.

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Imagine o seu município dividido em distritos eleitorais. Considere que serão tantos distritos quantas são as vagas em disputa para a Câmara de Vereadores. Sua cidade e a zona rural estarão recortadas em unidades políticas que incluirão diversos bairros e, às vezes, vilas e povoados. Agora responda: quem serão os eleitos em cada um desses distritos? Resposta: vencerão os poderosos locais.

Esse é o rosto desnudado do voto distrital. Nele, vence o mais forte. As Câmaras de Vereadores ficarão cheias de aliados do prefeito. Quem votará nos candidatos de oposição, que nada poderão conseguir com o prefeito, responsável pela execução do orçamento? Imaginando que ainda assim um ou outro oposicionista consiga vencer a terrível disputa contra a situação, resta imaginar quanto tempo ele resistirá antes de ceder e ingressar na situação, como forma de garantir "benefícios" para sua comunidade e assegurar sua reeleição futura.

Se um sistema não funciona bem no âmbito local, não pode servir também em esferas mais elevadas.

É preciso discutir o mito de que o voto distrital ‘aproxima o eleito dos seus eleitores”. Esse lugar-comum carrega consigo inúmeros perigos, bem conhecidos de muitos políticos tradicionais que o defendem, mas ignorados por grande número de brasileiros que vêm propondo de boa-fé a implantação, entre nós, desse sistema.

A adoção do voto distrital - ou da sua versão mais perversa, o “distritão” - teria um efeito prático inevitável: o sufocamento político das minorias e grupos de oposição.

Os partidos políticos, hoje já relegados a um plano secundário, teriam ainda mais reduzida sua pequena influência, já que nesse sistema a eleição se baseia exclusivamente na personalidade do candidato, com franco prejuízo para a construção de identidades políticas e ideologias desenvolvidas coletivamente.

Num país com uma história marcada por vínculos clientelistas, a introdução de sistemas eleitorais baseados no culto à personalidade constituiria um grave dano para a democracia, com sérias repercussões nos campos social e econômico.

O voto distrital, quando adotado em democracias recentes, não facilita o controle social dos mandatos, mas o clientelismo. Nesse modelo, os patronos assumem o comando político dos distritos. Sua reeleição, sem limites, torna-se cada vez mais simples à medida em que a oposição vai percebendo que não adianta disputar com quem detém o poder político e econômico num reduto concentrado.

O distrito é, assim, o reconhecimento oficial do reduto. Ele é o ambiente perfeito para a compra de votos, prática infelizmente comum em nosso país. Só para se ter uma ideia, quarenta e três por cento dos entrevistados em uma pesquisa realizada pelo IBOPE/AMB em 2010 afirmaram conhecer casos de políticos que compram votos. E quarenta e um por cento disseram conhecer pessoas que votaram em troca de benefícios pessoais.

Práticas políticas baseadas na outorga efetiva ou prometida de ofertas personalistas são encontradas em todos os estados brasileiros. Os agentes desse comércio são chefes políticos locais que mantêm o eleitorado sob vínculos de dependência mais ou menos sofisticados. A moeda de troca pode ser uma dentadura ou a promessa de legalização de um condomínio de luxo construído em área ilegal. Esse intercâmbio de favores é a tônica da política realizada em âmbito local.

Muitos se queixam hoje do fato de que alguns parlamentares recebem grande número de votos em um lugar onde sequer fizeram campanha. Pensam que o voto distrital seria capaz de solucionar esse problema, vinculando o eleito ao distrito. Nem para isso esse modelo serve.

A conquista de votos por candidatos sem base na comunidade, tal como ocorre hoje, é o fruto da ação de mercadores de votos (cabos eleitorais, líderes associativos, prefeitos, vereadores etc.) que atuam em redutos eleitorais determinados. A cada eleição, o "passe" desses agentes vai se tornando mais caro, expulsando dos mandatos políticos vocacionados que não aceitam essa condição. No sistema atual esses patronos locais não possuem na sua comunidade votos suficientes para serem eleitos, pois a circunscrição é todo o estado. Mas, se o país for dividido em distritos, o problema estará resolvido: esses mercadores se converterão eles mesmos em nossos deputados.

Por outro lado, deputados federais eleitos em distritos assumiriam a condição de meros despachantes de interesses locais, empenhados apenas em carrear recursos para o distrito, conferindo importância secundária aos debates estratégicos de interesse da nação. Isso faria com que o debate eleitoral se amesquinhasse, com os candidatos tentando demonstrar quem pode "trazer mais coisas de Brasília". Seriam quinhentos e treze “Vereadores Federais” na capital federal.

A lógica dos eleitores passaria a ser a seguinte: quem entre os candidatos poderá angariar mais vantagens para o distrito? Obviamente, saem na frente os políticos ligados ao governo, pois no nosso sistema constitucional é o Executivo quem dá a palavra final sobre a destinação das verbas. Votar num oposicionista é correr o risco de ver a comunidade alijada de novos investimentos públicos.

O voto distrital também tem o demérito de reduzir a política a um debate bipolar entre governistas e antigovernistas. Na votação majoritária – modelo adotado no sistema distrital – vence o que obtém mais apoios, ou seja, não há espaços para os portadores de bandeiras específicas, tais como ambientalistas, feministas e defensores dos direitos humanos. Índios, negros e mulheres veriam ainda mais reduzida a sua possibilidade de eleição, já que a votação adotada serve para verificar quem é capaz de arregimentar o maior número de votos.

O voto distrital é um sistema de seleção de poderosos, não de inclusão política dos diversos segmentos sociais.

Milhões de votos concedidos aos candidatos derrotados ficam sem nenhuma importância. É possível que a oposição fique com quarenta por cento dos votos nas eleições nacionais e que isso se converta, mesmo assim, em pouquíssimas cadeiras no Parlamento.

Agora vamos pensar em qualquer político escandaloso, daqueles que nos provocam sensações de repugnância ou indignação quando nos lembramos que estão entre os nossos dirigentes. Felizmente, são poucos. Pois bem, com o voto distrital esse nosso "herói" terá seus problemas definitivamente resolvidos. Bastará se vincular ao principal reduto eleitoral (eles os têm, em grande número), espaço onde continuará sendo eleito e reeleito com grande tranquilidade.

Outro problema para as oposições no voto distrital é o favorecimento da perseguição aos líderes oposicionistas. O distrito, para a liderança oposicionista de destaque, converte-se na sua prisão, para a qual se dirigem todas as forças políticas do governo. Todas as energias são dedicadas à derrota dos adversários mais ilustres. Considerando-se que esse esforço é empreendido por quem está no poder, pode-se imaginar o resultado.

Ainda temos que lembrar o Gerrymandering. Pode parecer algo chato, mas é até divertido. A origem desse termo se deve à observação feita por um cartunista sobre o formato adquirido por um distrito em Massachussets. De tão alterado para beneficiar o governador, Elbridge Gerry, ficou parecido com uma salamandra (salamander). O editor do jornal apelidou o distrito de Gerrymander, numa piada com o nome do governante.

Pois bem, quando fui ouvido pela Comissão Especial da Câmara que trata da Reforma Política, um deputado me perguntou: se for aprovado o voto distrital, quem definirá como serão desenhados os distritos? Respondi: "a maioria". Isso mesmo. Quem diz onde fica cada distrito é quem tem maioria suficiente para isso no Congresso. Acontece que a área de abrangência do distrito pode definir a sorte ou o azar dos candidatos. Um simples bairro a mais incluído em um distrito pode mudar o resultado do pleito. Se um distrito abrange duas cidades, o eleito pode ser um; mas se for incluído um terceiro município, a eleição pode terminar de forma bem diferente. Pergunto: você acha que os distritos terão seus desenhos definidos de forma neutra?

Fico muito admirado quando vejo oposicionistas aceitando a idéia do voto distrital. Esse modelo foi adotado no Brasil desde os tempos de colônia até a República Velha, tendo sido abolido justamente por inviabilizar a presença da oposição no Parlamento em níveis aceitáveis. O voto proporcional foi adotado como forma de assegurar a participação das minorias. É uma conquista histórica da qual não podemos abrir mão.

Enfim, existem muitos outros motivos para que você esqueça o voto distrital, mesmo na sua forma envergonhada, o voto distrital misto, que é uma maneira de entregar "apenas" metade das cadeiras parlamentares aos patronos e caciques locais.

Pense nisso: é isso o que você realmente quer para o Brasil?

* Juiz de Direito no Maranhão, membro do Comitê Nacional do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, um dos redatores da minuta da Lei da Ficha Limpa, coordenador e professor em cursos de pós-graduação, palestrante e conferencista.

Outros textos do colunista Márlon Reis*

Fonte: Congressoemfoco

Vacinação contra gripe na rede pública começa dia 25

Idosos, gestantes e crianças (entre 6 e 23 meses) serão imunizados. Campanha vai até 13 de maio. Vacina protegerá contra Influenza A (H1N1), Influenza A (H3N2) e Influenza B

15/04/2011 | 12:15 | Gazeta do Povo

A campanha nacional de vacinação contra a gripe terá início em 25 de abril, logo após o feriado de Páscoa. A imunização será feita até 13 de maio. A população com 60 anos ou mais será vacinada, assim como ocorreu nos anos anteriores. A novidade deste ano é de que as gestantes (em qualquer fase da gravidez) e crianças entre 6 e 23 meses também serão vacinadas. Esses dois grupos populacionais foram considerados - assim como os idosos – mais vulneráveis aos vírus da gripe e foram incluídos pelo Ministério da Saúde na campanha.

A vacina protegerá contra três vírus da gripe, são eles Influenza A (H1N1) – o qual causou a pandemia em 2009 -, Influenza A (H3N2) e Influenza B. A Secretaria de Saúde Curitiba informou que se trata da mesma vacina aplicada nas clínicas particulares em 2010 e que foi utilizada em 2011 para imunizar a população residente no Hemisfério Norte.

A meta do Ministério da Saúde é vacinar, pelo menos, 80% de cada grupo populacional. Em Curitiba, o grupo que terá direito à vacina na rede pública é composto por 153 mil idosos, 16 mil gestantes e 30 mil crianças, de acordo com a Secretaria Municipal de Saúde.

Os pais devem estar atentos à imunização das crianças. Elas receberão a vacina em duas doses. Os pequenos, entre 6 e 23 meses, precisarão retornar aos postos de saúde 30 dias depois da primeira dose. A vacinação dos adultos será feita em dose única.

A imunização será feita nas unidades básicas de saúde de segunda a sexta-feira. A população poderá receber a dose nos centros de urgências médicas nos fins de semana.

Outros pontos especiais de vacinação serão estabelecidos pela Secretaria de Saúde, mas ainda não foram divulgados. Uma tenda será montada na Boca Maldita, entre 25 e 30 de abril, das 9 às 17 horas, para facilitar a vacinação dos idosos, gestantes e crianças.

A Secretaria Municipal de Saúde informou que as pessoas com doenças como diabete, hipertensão arterial, insuficiência renal ou hepática, Aids, Parkinson, Alzheimer e vítimas de acidente vascular cerebral podem tomar a vacina contra a gripe.

Existe restrição para a vacinação nos casos de pessoas alérgicas a ovo ou que tiveram alergia à dose que receberam no ano anterior.

A vacina é feita com vírus mortos e fracionados e não causa gripe. A pessoa estará imunizada entre dez e 15 dias após a aplicação da dose.

Fonte: Gazeta do Povo

Corpos em avião da Air France não serão prioridade, diz associação

Escritório de investigação francesa comunicou parentes nesta sexta (15). Avião caiu no Oceano Atlântico quando seguia do Rio para Paris, em 2009

15/04/2011 | 17:43 | G1/Globo.com

O resgate dos corpos das vítimas do acidente envolvendo o avião da Air France não é prioridade para o BEA (escritório francês de Investigação e Análises). Segundo informou Maarten Van Sluys, diretor executivo da associação dos parentes das vítimas no Brasil, uma assessora do escritório francês o comunicou na manhã desta sexta-feira (15) sobre a decisão, tomada numa reunião na França, na noite de quinta.

O avião caiu no Oceano Atlântico quando ia do Rio para Paris, em 2009.
De acordo com ele, o escritório realiza reuniões diárias para planejar a fase cinco de resgate do avião, que deve começar no fim de abril. Ele informou que a prioridade seria a retirada dos destroços e da caixa preta. “Segundo eles, depois de estudos feitos por peritos houve entendimento de que os corpos poderiam não resistir ao içamento no mar”, disse ele, completando que algum corpo pode acabar sendo içado eventualmente junto com destroços.

A notícia pegou de surpresa os parentes das vítimas. “O mundo desabou, caiu pra todo mundo. Isso foi um ato irresponsável da maneira com que foi conduzida. Houve uma precipitação, como sempre vem acontecendo nesse caso. Tem várias famílias aqui no Brasil que ainda nem tem atestado de óbito”, lamentou.

O presidente da associação dos parentes, Nelson Marinho, está em viagem à França, onde foi participar de uma reunião com o BEA na segunda-feira (11), com o secretário de Transportes da França, Thierry Mariani, para discutir o acesso às informações sobre o trabalho de resgate. Ele reclama que a França mantém em sigilo muitas das informações sobre o caso.

Marinho ainda não havia sido informado sobre a decisão do BAE de não encarar o içamento dos corpos como prioridade. Ele estranhou a informação, afirmando que inclusive, há informações de que há corpos ainda na fuselagem, presos ao cinto de segurança.

Nelson disse ainda que iria encaminhar uma carta ao presidente francês, Nicolas Sarkozy, pedindo que as caixas pretas do avião sejam enviadas para os Estados Unidos, caso sejam recuperadas. Segundo ele, isso garantiria a isenção nas investigações.

Fonte: Gazeta do Povo

Governo brasileiro identifica ossada de três inconfidentes

Vida e Cidadania

Sábado, 16/04/2011

Unicamp

Unicamp / Crânio de José de Resende Costa Crânio de José de Resende Costa
Histórias

Governo brasileiro identifica ossada de três inconfidentes

Após enforcamento de Tiradentes, eles foram exilados na África. Haverá cerimônia de sepultamento em 21 de abril, em Ouro Preto (MG)

15/04/2011 | 15:53 | G1/Globo.com

O governo brasileiro identificou as ossadas de três homens que atuaram na Inconfidência Mineira ao lado de Tiradentes, mais de 200 anos depois de suas mortes. A identificação foi anunciada nesta sexta-feira (15) pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), vinculado ao Ministério da Cultura.

Os três serão sepultados em 21 de abril, Dia de Tiradentes, no Museu da Inconfidência, na cidade mineira de Ouro Preto, em cerimônia que contará com a presença da presidente Dilma Rousseff.

Unicamp

Unicamp / Reconstituição de José de Resende Costa Ampliar imagem

Reconstituição de José de Resende Costa

De acordo com Rui Mourão, diretor do Museu da Inconfidência, os três homens identificados são Domingos Vidal Barbosa (1761-1793), João Dias da Mota (1744-1793) e José de Resende Costa (1728-1798), sendo que este último foi pai de outro inconfidente com o mesmo nome.

"José de Resende Costa foi um homem de grande importância na época, um fazendeiro que tinha influência na sociedade. Domingos Barbosa estudou na França e foi ele quem trouxe promessa de ajuda de Thomas Jefferson (ex-presidente dos Estados Unidos) ao movimento. E João Dias Mota foi amigo de Tiradentes, que chegou a ficar hospedado na casa de Mota.

Ele ajudou Tiradentes a chegar ao Rio de Janeiro", contou Mourão, ao afirmar que todos tiveram participação importante para o movimento.

Já estão sepultados no Panteão do Museu da Inconfidência em Ouro Preto 13 homens, de acordo com o Ministério da Cultura. Esses três últimos serão sepultados em um túmulo que ficou vazio justamente em homenagem àqueles que não foram localizados.

A Inconfidência Mineira foi um movimento contra o domínio da Coroa portuguesa. Várias pessoas foram presas e Tiradentes foi condenado ao enforcamento em 21 de abril de 1792. É considerado um dos principais mártires da independência do Brasil.

De acordo com Rui Mourão, os três identificados foram exilados para Portugal após a execução de Tiradentes. De lá, foram enviados à África. José de Resende Costa e Domingos Vidal foram para Cabo Verde e João Dias Mota para Guiné Portuguesa.

Domingos Vidal e João Dias teriam morrido em 1793, conforme documentos históricos. Resende Costa teria falecido em 1798. Os três foram enterrados, segundo esses documentos, perto de uma igreja na Vila de Cacheu, na Guiné Portuguesa.

Os restos mortais foram exumados em 1932, após uma determinação do presidente Getúlio Vargas para identificação dos inconfidentes. Em 1992, chegaram ao museu de Ouro Preto. O trabalho de identificação dos corpos começou um ano depois e durou mais de 10 anos.

O professor da Unicamp Eduardo Darude, doutor em Odontologia, foi quem comandou o trabalho de identificação. Ele afirmou que houve tentativa de identificação por meio do DNA, o que acabou não dando certo. Os três foram identificados pela desintometria óssea, exame que mede a densidade dos ossos. Como havia diferença de idade entre os três, as ossadas eram diferentes, de acordo com Darude.

"O primeiro passo foi tentar extrair o DNA. O DNA está contido na parte orgânica do osso. Mas esses ossos ficaram em contato com a terra e isso degradou completamente a matéria orgânica", disse o professor.

Um trineto de Resende Costa foi localizado e chegou a enviar amostras de sangue, que acabaram não sendo utilizadas.
Darude disse que foram realizados muitos exames de tomografia para que se chegasse à identificação, mas que ele não recebeu auxílio do governo para a pesquisa. "Além de não receber colaboração, até gastei dinheiro do bolso. Para os exames, os deslocamentos. O trabalho não foi fácil, mas contei com auxílio de pesquisadores da Unicamp."

Fonte: Gazeta do Povo

Fadas madrinhas não existem

Carlos Chagas

Vive-se um momento em que todo mundo parece satisfeito com o governo Dilma. As pesquisas iniciais assim indicam, tanto quanto, mais do que os números, sopra no ar uma espécie de tranquila expectativa. Só que nada como o tempo para passar e reverter sentimentos. Cada categoria, cada classe, cada agrupamento social, político e econômico manifestam na aprovação do governo a esperança de melhoria de suas condições e a realização de seus anseios. Por isso fazem fé na presidente da República, aguardando que sua administração venha a satisfazer-lhes desejos e necessidades.

Aqui as coisas podem enrolar, primeiro por conta dessa ilusão de que tudo depende de um único fator ou de uma só pessoa. Não existem fórmulas mágicas, como também não existem mágicos. Nem fadas madrinhas.

Logo as elites financeiras darão demonstrações de que aguardavam mais, já que a prometida desoneração das folhas de pagamento das empresas continua na gaveta, além de crescerem as suposições a respeito da maior taxação dos ganhos de capital e do aumento já praticado do Imposto de Operações Financeiras. O Custo Brasil permanece o mesmo. Se vicejar a má vontade registrada no governo a respeito do excessivo lucro nos bancos, muito do apoio do andar de cima começará a arrefecer. Em especial se a Receita Federal começar a movimentar-se em ritmo mais veloz, como já lhe foi determinado.

Passando ao oposto, o povão que Fernando Henrique repudiou espera iniciativas tão rápidas quanto profundas. O ínfimo reajuste do salário mínimo conseguiu ser ofuscado pela ilusão do aumento dos índices de emprego, mas as estatísticas não chegam à massa de miseráveis nem entram no barraco de cada um. É natural que esperem mais, tanto no dia-a-dia quanto nas políticas públicas, pois os transportes coletivos continuam um horror, o atendimento no SUS, lamentável, e, por falta de sorte, as escolas viraram campo de extermínio. O andar de baixo é egoísta, exigente e mal-agradecido. Caso não receba novas benesses, adotará no mínimo aquela postura de dar de ombros, ante-sala dos resmungos, amuos e protestos.

Entre os dois extremos, a classe média, agora cortejada por um tucano anacrônico e isolado, mas com raro potencial de reação a tudo o que se passa à sua volta. Ou não se passa. Sucessivos aumentos no custo de vida atingem o cidadão comum na moleira, tanto os que já integravam esse patamar quanto os recém-chegados, egressos do milagre-Lula. Votaram, em maioria, em Dilma Rousseff, contrariando as previsões e as esperanças do sociólogo. Não será por conta da bola-fora de FHC que poderão demonstrar frustração diante do atual governo, mas pela falta do cumprimento de promessas que não foram prometidas, ainda que imaginadas. Diminuição da carga de impostos, crédito pessoal mais fácil, juros menos abusivos, salários descongelados – tudo conduz a classe média a anseios irreais e ao vácuo capaz de ser preenchido pela desilusão.

Em suma, deve cuidar-se dona Dilma. O céu parece de brigadeiro, mas as nuvens de tempestade poderão estar em gestação no horizonte, caso nenhuma dessas três categorias básicas venha a ter seu ego inflado. E com a necessidade de não esquecer de que exageros para um dos ângulos do triângulo desagradará os outros.

PANTOMIMA VELHA

Vietnam, Afeganistão, Iraque. Tanto faz qual ou quais as grandes potências invasoras, se Estados Unidos ou a ex-União Soviética, França ou Inglaterra. Destinam-se todas ao fracasso, obrigadas a sair com o rabo entre as pernas.

Encena-se agora na Líbia outra farsa, melhor seria dizer, pantomima. Mobiliza-se o que há de mais moderno na indústria bélica, bilhões são gastos em mísseis, aviões de caça, porta-aviões e o resultado já se prevê. Vão perder outra vez para povos pobres e mal-armados, mas donos de sua terra. Pode levar anos, até décadas. Centenas de milhares vão morrer, milhões sofrerão o insofrível e a gente pergunta quais os interesses e as ideologias que valem tanto?

CASA DE MARIMBONDOS

O Congresso deverá aprovar ainda este ano a Comissão da Verdade, mas não será apenas para apurar a responsabilidade de agentes do poder público na repressão dos anos de chumbo. O outro lado também será investigado e denunciado, conforme tendência já detectada entre deputados e senadores. Está afastada a possibilidade de punição para os que torturaram e mataram em nome do regime de exceção, tanto quanto para os que diante dele assassinaram, explodiram e seqüestraram.

A lei da anistia tornou-se irrevogável. O problema é que a farta literatura referente àquele período já identificou a imensa maioria dos implicados de um lado e de outro. Reviver desatinos do passado poderá complementar a memória nacional, mas em termos de futuro adiantará muito pouco.

REDIVISÃO TERRITORIAL

A proposta vem em ondas, como o mar. Fala-se da redivisão territorial que parlamentares do Amazonas, Pará, Maranhão e Bahia pretendem ressuscitar. Gostariam de dividir esses estados, cada um em dois ou três, sob a alegação de poder desenvolver regiões senão abandonadas, ao menos pouco privilegiadas pelos governos atuais. Novas oportunidades surgirão para minorias, mas o diabo serão os custos.

Mais governadores, senadores, assembléias legislativas, tribunais de Justiça e de Contas, sem falar em novas capitais. O bom senso indica, por enquanto, a rejeição desse desmembramento, ainda que a experiência demonstre ter sido bom para Goiás e Mato Grosso, assim como no sentido inverso, a fusão do Estado do Rio com a Guanabara. Melhor seria evitar açodamentos mas estar o país preparado para um dia criar outras unidades federativas.

Fonte: Tribuna da Imprensa

Sarney, que ia a reuniões políticas em Brasília com um revólver 38 na cintura, agora se tornou defensor do desarmamento. Como dizia o Barão de Itararé, era só que faltava.

Carlos Newton

É surpreendente tomar conhecimento de que o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), está liderando os líderes partidários na proposta para a realização de um novo referendo sobre desarmamento. Seu objetivo é votar um decreto legislativo que estabeleça nova consulta à população sobre a proibição de vendas de arma de fogo no país.

Sarney afirmou que a intenção é votar de imediato a matéria. “Rui Barbosa já dizia que só quem não muda são as pedras ou do bem para o mal e do mal para o pior. Nesse caso, estamos mudando do mal para o bem”, gracejou. Ele também apoiou a proposta do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, de debater com organizações não governamentais a antecipação da Campanha Nacional pelo Desarmamento, prevista para junho.

Como dizia Chico Buarque, “quem te viu, quem te vê”. É inusitado que Sarney esteja tomando essa iniciativa, porque ele próprio tem diversas armas e até gostava de andar armado. Quem não se lembra das vésperas da redemocratização do país, quando Sarney, que era presidente do PDS (base política da ditadura) decidiu abandonar o barco que afundava e apoiar o então vice-presidente Aureliano Chaves na formação do Partido da Frente Liberal (FPL), que se uniu ao PMDB para eleger Tancredo (e por mero acaso Sarney, a tiracolo).

(Aqui cabe um parênteses para um fato importantíssimo que poucos recordam: Não seria Sarney o vice de Tancredo. O nome preferido era o de Marco Maciel. O assunto não estava decidido e o PMDB resolveu mandar um ultimato ao PFL: aceitava qualquer um como candidato a vice, menos Sarney. A pressão foi um tiro pela culatra, porque Aureliano Chaves não gostou, não era de aceitar imposições, e virou o jogo, obrigando o PMDB a aceitar Sarney, que acabou presidente, era só o que faltava).

Pois bem, quando saiu de casa para ir apresentar seu desligamento do PDS e entrar no PFL, Sarney levava na cintura um revólver 38, que felizmente não precisou usar. Essa história é muito conhecida em Brasília, e até consta de um livro sobre a redemocratização, “O Complô que Elegeu Tancredo” (Editora JB, 1985), escrito em parceria por Gilberto Dimenstein. José Negreiros, Ricardo Noblat, Roberto Lopes e Roberto Fernandes. Segundo nosso amigo Carlos Chagas, o próprio Sarney admite o fato em sua recém-lançada biografia. Então, vamos conferir o texto de “O Complô que Elegeu Tancredo”:

“Em uma das salas do edifício Sofia, no Setor Comercial Sul, o senador José Sarney, revólver calibre 38 preso à cintura, tenso, rodeado de amigos, estava reunido com a Executiva do PDS para anunciar sua renúncia, em caráter irrevogável, à presidência do Partido”.

Muitos anos depois, em 23 de outubro de 2005, foi realizado um referendo sobre o tema. A maioria dos votantes (59 milhões de pessoas ou 64% dos votos válidos) optou por não proibir o comércio de armas e munições. E agora aparece o imaculado José Sarney a hipocritamente se lançar como grande defensor do suposto desarmamento.

Com o maior oportunismo, aproveitando que a sociedade está traumatizada pela chacina de Realengo, o senador agora defende a revogação do Estatuto do Desarmamento, aprovado pelo Congresso, após a consulta popular que decidiu pela manutenção da venda de armas no país. E diz que é necessário estabelecer uma política de “tolerância zero” em relação ao porte de armas.

Só está faltando agora o ex-deputado Roberto Jefferson, que costumava frequentar o plenário da Câmara com um 38 na cintura (todo mundo tinha medo dele), também aparecer em defesa da proibição da venda de armas no país.

A propósito, seria muito importante saber qual a opinião da ministra Maria do Rosário, dos Direitos Humanos, que teve parte de sua campanha eleitoral para a Câmara dos Deputados patrocinada pela indústria gaúcha Taurus, a maior fabricante de revólveres do Brasil. O que ela dirá agora?

No fundo, a discussão é bizantina, admite qualquer opinião, pois não faltam argumentos a favor ou contra. Respeito o pensamento dos outros, mas pessoalmente tenho minha opinião formada: sou a favor de venda de armas para que os cidadãos possam defender suas famílias, sobretudo os que moram no interior, em locais ermos. É um direito que lhes deve ser garantido.

Os suíços pensam assim, embora vivam no país tido como mais civilizado do mundo. A Suíça, apesar de ter o maior número de armas por habitantes (inclusive rifles potentes), registra baixíssimo índice de criminalidade e de homicídios. Este é um dado da maior importância, mas nunca é lembrado quando se discute o assunto. Para os suíços, o importante não é ter a arma, e sim saber quando, por que e como usá-la.

Aqui no Brasil, que tenta fazer diferente dos outros países (como ocorre com a taxa de juros, por exemplo), as autoridades vivem cercadas de guarda-costas armados. Ao invés de desarmar os bandidos, essas pretensas autoridades mantêm-se protegidas, mas insistem em desarmar a população decente e honrada, que precisa se defender, porque as condições de segurança inexistem. É como se a vida dos brasileiros fosse uma espécie de eterno Teatro do Absurdo, repleto de personagens contraditórios, especialmente os que fazem papel de políticos e governantes.

O plebiscito é uma grande bobagem, mais um factóide inventado por políticos oportunistas e desocupados, como Sarney. Não é preciso proibir nada. A venda de armas e munições no Brasil é muito restrita, desde a aprovação do Estatuto do Desarmamento, em dezembro de 2003. Desde então, uma arma de fogo somente pode ser adquirida mediante prévia autorização da Policial Federal.

Como a pessoa deverá fazer para adquirir uma arma? O interessado irá a uma loja especializada em venda de armas e munições e o vendedor solicitará autorização à Polícia Federal, que verificará os antecedentes do comprador. Se não houver antecedentes criminais, o pedido de compra será encaminhado ao SINARM, órgão que autoriza a venda. A loja só liberará a arma com registro. Traduzindo: somente pessoas de bem podem comprar armas. A meu ver, está correto. E que assim seja.

Fonte: Tribuna da Imprensa

Saiba como pagar menos IR nos atrasados

Ana Magalhães e Gisele Lobato
do Agora

Os 61 mil aposentados do INSS que receberão, em maio, atrasados acima de R$ 27.900 deverão entregar no banco uma nova ficha que a Receita criou para ter um desconto menor do Imposto de Renda.

Com isso, o segurado poderá evitar o desconto de 27,5% de imposto sobre a grana que será paga em maio, segundo informou ao Agora o supervisor regional do IR em São Paulo, Valter Coppe.

Na ficha, ele terá que informar o tempo de espera dos atrasados se referem (ou seja, quantos pagamentos a bolada está corrigindo) para garantir um desconto menor.

Leia esta reportagem completa na edição impressa do Agora neste sábado,

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sexta-feira, abril 15, 2011

Se gritar pegar ladrão

VEM BOMBA AÍ !!! A ONG-Transparência Jeremoabo, denunciou as facatruas praticadas na Prefeitura de Jeremoabo-Bahia, cujas denúncias já estão sendo apuradas. Aguardem notícias...

Para esquecer o voto distrital

“O voto distrital é um sistema de seleção de poderosos, não de inclusão política dos diversos segmentos sociais”


O texto que você lerá a seguir é uma adaptação de ideias que expus em debates travados em meus perfis no Facebook e no Twitter. Peço-lhes, assim, que compreendam o tom direto das reflexões.

Tudo começou quando fiz uma postagem que dizia mais ou menos o seguinte: "o distrito eleitoral é o ambiente perfeito para o clientelismo e a corrupção". Depois dessa afirmação recebi diversas mensagens de apoio e de reprovação.

O que se vê agora é uma lista de considerações que apresentei na oportunidade, submetidas a uma edição e ampliadas. Foi da Lucrecia Anchieschi Gomes, da Policidadania e do Movimento de Combate à Corrupção (MCCE) de São Paulo a iniciativa de realizar a coletânea das minhas primeiras ponderações. A ela os meus sinceros agradecimentos.

Antes de tudo, peço-lhe que abra mão de ideias preconcebidas. Esqueça os sistemas eleitorais dos outros países e pense no Brasil como você o conhece. Compare-o com o que lerá adiante. Pense. Então decida se é isso mesmo o que você quer para o nosso país.

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Imagine o seu município dividido em distritos eleitorais. Considere que serão tantos distritos quantas são as vagas em disputa para a Câmara de Vereadores. Sua cidade e a zona rural estarão recortadas em unidades políticas que incluirão diversos bairros e, às vezes, vilas e povoados. Agora responda: quem serão os eleitos em cada um desses distritos? Resposta: vencerão os poderosos locais.

Esse é o rosto desnudado do voto distrital. Nele, vence o mais forte. As Câmaras de Vereadores ficarão cheias de aliados do prefeito. Quem votará nos candidatos de oposição, que nada poderão conseguir com o prefeito, responsável pela execução do orçamento? Imaginando que ainda assim um ou outro oposicionista consiga vencer a terrível disputa contra a situação, resta imaginar quanto tempo ele resistirá antes de ceder e ingressar na situação, como forma de garantir "benefícios" para sua comunidade e assegurar sua reeleição futura.

Se um sistema não funciona bem no âmbito local, não pode servir também em esferas mais elevadas.

É preciso discutir o mito de que o voto distrital ‘aproxima o eleito dos seus eleitores”. Esse lugar-comum carrega consigo inúmeros perigos, bem conhecidos de muitos políticos tradicionais que o defendem, mas ignorados por grande número de brasileiros que vêm propondo de boa-fé a implantação, entre nós, desse sistema.

A adoção do voto distrital - ou da sua versão mais perversa, o “distritão” - teria um efeito prático inevitável: o sufocamento político das minorias e grupos de oposição.

Os partidos políticos, hoje já relegados a um plano secundário, teriam ainda mais reduzida sua pequena influência, já que nesse sistema a eleição se baseia exclusivamente na personalidade do candidato, com franco prejuízo para a construção de identidades políticas e ideologias desenvolvidas coletivamente.

Num país com uma história marcada por vínculos clientelistas, a introdução de sistemas eleitorais baseados no culto à personalidade constituiria um grave dano para a democracia, com sérias repercussões nos campos social e econômico.

O voto distrital, quando adotado em democracias recentes, não facilita o controle social dos mandatos, mas o clientelismo. Nesse modelo, os patronos assumem o comando político dos distritos. Sua reeleição, sem limites, torna-se cada vez mais simples à medida em que a oposição vai percebendo que não adianta disputar com quem detém o poder político e econômico num reduto concentrado.

O distrito é, assim, o reconhecimento oficial do reduto. Ele é o ambiente perfeito para a compra de votos, prática infelizmente comum em nosso país. Só para se ter uma ideia, quarenta e três por cento dos entrevistados em uma pesquisa realizada pelo IBOPE/AMB em 2010 afirmaram conhecer casos de políticos que compram votos. E quarenta e um por cento disseram conhecer pessoas que votaram em troca de benefícios pessoais.

Práticas políticas baseadas na outorga efetiva ou prometida de ofertas personalistas são encontradas em todos os estados brasileiros. Os agentes desse comércio são chefes políticos locais que mantêm o eleitorado sob vínculos de dependência mais ou menos sofisticados. A moeda de troca pode ser uma dentadura ou a promessa de legalização de um condomínio de luxo construído em área ilegal. Esse intercâmbio de favores é a tônica da política realizada em âmbito local.

Muitos se queixam hoje do fato de que alguns parlamentares recebem grande número de votos em um lugar onde sequer fizeram campanha. Pensam que o voto distrital seria capaz de solucionar esse problema, vinculando o eleito ao distrito. Nem para isso esse modelo serve.

A conquista de votos por candidatos sem base na comunidade, tal como ocorre hoje, é o fruto da ação de mercadores de votos (cabos eleitorais, líderes associativos, prefeitos, vereadores etc.) que atuam em redutos eleitorais determinados. A cada eleição, o "passe" desses agentes vai se tornando mais caro, expulsando dos mandatos políticos vocacionados que não aceitam essa condição. No sistema atual esses patronos locais não possuem na sua comunidade votos suficientes para serem eleitos, pois a circunscrição é todo o estado. Mas, se o país for dividido em distritos, o problema estará resolvido: esses mercadores se converterão eles mesmos em nossos deputados.

Por outro lado, deputados federais eleitos em distritos assumiriam a condição de meros despachantes de interesses locais, empenhados apenas em carrear recursos para o distrito, conferindo importância secundária aos debates estratégicos de interesse da nação. Isso faria com que o debate eleitoral se amesquinhasse, com os candidatos tentando demonstrar quem pode "trazer mais coisas de Brasília". Seriam quinhentos e treze “Vereadores Federais” na capital federal.

A lógica dos eleitores passaria a ser a seguinte: quem entre os candidatos poderá angariar mais vantagens para o distrito? Obviamente, saem na frente os políticos ligados ao governo, pois no nosso sistema constitucional é o Executivo quem dá a palavra final sobre a destinação das verbas. Votar num oposicionista é correr o risco de ver a comunidade alijada de novos investimentos públicos.

O voto distrital também tem o demérito de reduzir a política a um debate bipolar entre governistas e antigovernistas. Na votação majoritária – modelo adotado no sistema distrital – vence o que obtém mais apoios, ou seja, não há espaços para os portadores de bandeiras específicas, tais como ambientalistas, feministas e defensores dos direitos humanos. Índios, negros e mulheres veriam ainda mais reduzida a sua possibilidade de eleição, já que a votação adotada serve para verificar quem é capaz de arregimentar o maior número de votos.

O voto distrital é um sistema de seleção de poderosos, não de inclusão política dos diversos segmentos sociais.

Milhões de votos concedidos aos candidatos derrotados ficam sem nenhuma importância. É possível que a oposição fique com quarenta por cento dos votos nas eleições nacionais e que isso se converta, mesmo assim, em pouquíssimas cadeiras no Parlamento.

Agora vamos pensar em qualquer político escandaloso, daqueles que nos provocam sensações de repugnância ou indignação quando nos lembramos que estão entre os nossos dirigentes. Felizmente, são poucos. Pois bem, com o voto distrital esse nosso "herói" terá seus problemas definitivamente resolvidos. Bastará se vincular ao principal reduto eleitoral (eles os têm, em grande número), espaço onde continuará sendo eleito e reeleito com grande tranquilidade.

Outro problema para as oposições no voto distrital é o favorecimento da perseguição aos líderes oposicionistas. O distrito, para a liderança oposicionista de destaque, converte-se na sua prisão, para a qual se dirigem todas as forças políticas do governo. Todas as energias são dedicadas à derrota dos adversários mais ilustres. Considerando-se que esse esforço é empreendido por quem está no poder, pode-se imaginar o resultado.

Ainda temos que lembrar o Gerrymandering. Pode parecer algo chato, mas é até divertido. A origem desse termo se deve à observação feita por um cartunista sobre o formato adquirido por um distrito em Massachussets. De tão alterado para beneficiar o governador, Elbridge Gerry, ficou parecido com uma salamandra (salamander). O editor do jornal apelidou o distrito de Gerrymander, numa piada com o nome do governante.

Pois bem, quando fui ouvido pela Comissão Especial da Câmara que trata da Reforma Política, um deputado me perguntou: se for aprovado o voto distrital, quem definirá como serão desenhados os distritos? Respondi: "a maioria". Isso mesmo. Quem diz onde fica cada distrito é quem tem maioria suficiente para isso no Congresso. Acontece que a área de abrangência do distrito pode definir a sorte ou o azar dos candidatos. Um simples bairro a mais incluído em um distrito pode mudar o resultado do pleito. Se um distrito abrange duas cidades, o eleito pode ser um; mas se for incluído um terceiro município, a eleição pode terminar de forma bem diferente. Pergunto: você acha que os distritos terão seus desenhos definidos de forma neutra?

Fico muito admirado quando vejo oposicionistas aceitando a idéia do voto distrital. Esse modelo foi adotado no Brasil desde os tempos de colônia até a República Velha, tendo sido abolido justamente por inviabilizar a presença da oposição no Parlamento em níveis aceitáveis. O voto proporcional foi adotado como forma de assegurar a participação das minorias. É uma conquista histórica da qual não podemos abrir mão.

Enfim, existem muitos outros motivos para que você esqueça o voto distrital, mesmo na sua forma envergonhada, o voto distrital misto, que é uma maneira de entregar "apenas" metade das cadeiras parlamentares aos patronos e caciques locais.

Pense nisso: é isso o que você realmente quer para o Brasil?

* Juiz de Direito no Maranhão, membro do Comitê Nacional do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, um dos redatores da minuta da Lei da Ficha Limpa, coordenador e professor em cursos de pós-graduação, palestrante e conferencista.

Outros textos do colunista Márlon Reis*

Fonte: Congressoemfoco

PF investiga deputados no ‘Golpe da Creche’

A Polícia Federal precisa de assinaturas mais antigas de Sandro Mabel e Raymundo Veloso para verificar se eles autorizaram ou não contratações de funcionários fantasmas num esquema que desviou R$ 2 milhões dos cofres da Câmara

Wilson Dias/Câmara
Polícia pede assinaturas mais antigas de Sandro Mabel para saber se ele deu ou não autorizações para o golpe da creche

Eduardo Militão

A Polícia Federal quer mais documentos com a assinatura do deputado Sandro Mabel (PR-GO) e do suplente de deputado Raymundo Veloso (PMDB-BA) para conferir se são mesmo deles as autorizações para a contratação de funcionários fantasmas pela Câmara. A partir dessas constratações, os salários e benefícios dos servidores, como o auxílio-creche, eram desviados para outras contas e terceiros. Ao menos parte do dinheiro pagou pessoas ligadas a Mabel. Mas, no ano passado, Mabel e Veloso disseram à Polícia Legislativa da Câmara que suas assinaturas foram falsificadas. Os investigadores pediram um exame grafotécnico ao Instituto Nacional de Criminalística (INC) da PF.

Em ofício à Polícia Legislativa, os peritos da PF dizem que o material colhido dos deputados é insuficiente para fazer comparações com os atos de nomeação dos funcionários fantasmas. Eles querem que os policiais da Câmara enviem documentos mais antigos, com as assinaturas de Mabel e Veloso feitas à época dos fatos. O que os peritos do Instituto Nacional de Criminalística (INC) da PF têm em mãos são autógrafos dos dois deputados colhidos especialmente para a elaboração do inquérito no Legislativo. Os peritos querem assinaturas mais antigas porque, ao longo do tempo, o deputado e o suplente podem ter modificado a forma como faziam suas firmas.



Assinatura de Mabel entregue à polícia

Veja a íntegra do depoimento de Sandro Mabel

De acordo com o diretor da delegacia da Câmara, Antônio Mariano, a PF informou que o laudo, pela falta dessas assinaturas mais antigas, não ficou pronto. Por isso, já solicitaram aos órgãos administrativos da Câmara documentos com a assinatura dos dois deputados produzidos na mesma época em que foram contratados os funcionários fantasmas.

A assessoria da Polícia Federal foi procurada desde segunda-feira (11) pelo Congresso em Foco. Até o fechamento desta reportagem, não forneceu mais informações sobre o ofício enviado à Câmara e eventuais investigações sobre o caso na PF.

Mais de R$ 2 milhões

O desvio de dinheiro da Câmara por meio da contratação de fantasmas e outros métodos de fraudar a folha foi revelado pelo Congresso em Foco a partir de 2009. O caso ficou conhecido como o “golpe da creche”. Mais de R$ 2 milhões dos cofres públicos foram desviados.

O golpe consistia no seguinte. Um grupo de pessoas aliciava pessoas carentes no entorno do Distrito Federal e prometia a elas um benefício, como o Bolsa Família, proporcional à quantidade de filhos desses moradores. Em troca da promessa do benefício, as pessoas entregavam seus documentos à quadrilha, incluindo certidões de nascimento dos filhos. Sem que soubessem, eram transformadas em funcionárias da Câmara. Recebiam o benefício prometido, o restante (salários e outros benefícios) ficava com a quadrilha. Em outras variantes do golpe, funcionários que realmente existiam forjavam papéis para receberem um auxílio-creche maior e um vale-transporte mais polpudo. Havia ainda pessoas que conscientemente se tornavam fantasmas em troca de uma parcela da remuneração, como um cantor sertanejo de Taguatinga.

Mais de 90 pessoas foram indiciadas pela Polícia Legislativa da Câmara, mas nenhum parlamentar foi arrolado no rol de suspeitos. O exame grafotécnico da Polícia Federal, que poderia comprovar a participação de deputados na fraude, até hoje não ficou pronto. Os investigadores da Câmara consideram líderes da quadrilha um casal de servidores que trabalhava para Sandro Mabel e Raymundo Veloso.

O Congresso em Foco mostrou que Mabel chegou a ajudar a pagar um carro para o líder da quadrilha, o motorista Francisco José Feijão de Araújo, o Franzé. Da conta de uma das vítimas, saíram transferências para Franzé e para pessoas ligadas ao deputado Sandro Mabel, como aliados políticos, eleitores e funcionários do gabinete, além de seus familiares.

Em todos os episódios, o deputado Mabel negou participação nos desvios. “Não tenho nenhum compromisso com possíveis irregularidades que tenham sido cometidas por essas pessoas. Todos os que tiverem cometido alguma coisa errada serão demitidos, mas não vamos demitir com base em rumores”, disse ele em nota enviada ao Congresso em Foco em fevereiro do ano passado.

Veloso tentou a reeleição no ano passado e ficou apenas com a suplência. Ele disse ao site que não sabia da contratação de algumas servidoras em seu gabinete. Entretanto, acolheu o pedido feito pela mulher de Franzé, Abigail Pereira da Silva, acusada de liderar a quadrilha, de nomear pessoas carentes. “A Abigail falou comigo, disse que são pessoas amigas dela que estão passando necessidade. Se podia dar uma ajuda pelo gabinete, um salário mínimo para manter a família. Tinham filhos e gostaria de ajudá-las”, afirmou Veloso em entrevista ao site em novembro de 2009. As duas mulheres foram contratadas por ele.

Franzé e Abigail nunca retornaram os contatos do site para darem sua versão dos fatos. Diante da polícia, ficaram em silêncio.

Leia tudo sobre o golpe da creche

Fonte: Congressoemfoco

Bonus estatais: privilégio descabido

Carlos Chagas

Há uma explicação paralela para essa corrida desenfreada atrás de cargos no segundo escalão do governo, com ênfase para presidências e diretorias de empresas estatais de todo tipo: os bônus que anualmente são distribuídos às suas principais figuras. São dezenas de milhões, senão mais, tirados do lucro dessas empresas que ganham o bolso de seus dirigentes. Uma espécie de cortina-de-fumaça impede que se tenha a conta precisa de quanto dinheiro é escoado do Banco do Brasil, da Caixa Econômica, dos Correios, da Petrobrás, de Itaipu, dos Bancos da Amazônia, do Nordeste e de tantas outras entidades governamentais ou mistas.

Que as empresas privadas façam essa festa com os recursos de seus acionistas, já se trata de um exagero, mas, pelo menos, os recursos são deles. Deveriam, é claro, pertencer aos seus funcionários e trabalhadores de forma igualitária, mas como são os diretores que arbitram os próprios bônus, quase sempre na condição de proprietários, prevalece aquela máxima do “Mateus, primeiro os teus”.

O que salta aos olhos como aberração é que nas empresas públicas aconteça o mesmo. Por que, além de muito bem remunerados, com todo o tipo de mordomias ao seu dispor, esses felizardos ainda fazem jus às benesses destinadas, como prática, às empresas privadas?

A recente crise econômica mundial, entre 2008 e 2009, teve suas raízes numa série de fatores, a começar pela especulação desenfreada e o assalto à poupança popular, em especial imobiliária, nos Estados Unidos, espraiando-se pelo resto do planeta. Mesmo na pior, próximas da falência, instituições financeiras tradicionais continuaram premiando seus diretores com fábulas de dólares. O resultado, todo mundo sabe: desemprego, multiplicação da pobreza, retrocessos de toda ordem.

Como a crise internacional, pelo que dizia o governo Lula, quase não nos atingiu, a moda de bônus nas empresas estatais continuou e até se ampliou. Além do privilégio descabido, consequências acabarão nos atingindo.

MEDITAR PARA NÃO DESMORALIZAR

Vem aí a Semana Santa, tempo de meditação até para quem não é religioso. Seria bom que deputados e senadores, em maioria dispostos a permanecer fora de Brasília, aproveitassem os próximos dias para indagar se não estão encenando uma farsa. No caso, em torno da reforma política. Porque nada de fundamental será aprovado para a transformação de nossos postulados partidários e eleitorais. Perfumarias poderão emergir dos debates, como a mudança na data das posses de presidentes da República, governadores e prefeitos: em vez do primeiro dia do ano, pleno de obstáculos etílicos, 10 ou 15 de janeiro. Também a extinção da segunda suplência para senadores. Quem sabe o voto facultativo.

Todo o resto em debate não sofrerá alteração. A reeleição continuará. O voto em listas partidárias, em vez de personalizado, para deputado, permanecerá mero sonho de noite de verão. A redução do número de partidos, da mesma forma. Assim como o financiamento público das campanhas e as candidaturas avulsas, sem partidos. E o referendo popular.

Melhor seria, então, desfazer o circo, retirando a lona, o mastro central e as arquibancadas sem que o respeitável público possa perceber. Mudanças, para a classe política, só as que beneficiam. As capazes de prejudicar ficam para depois…

DEPOIS DE KASSAB

Anunciam os organizadores do PSD, partido do prefeito Kassab, já terem conquistado dois senadores e 28 deputados federais para comporem a nova legenda. Oriundos, em maioria, do DEM e do PSDB, quer dizer, fugidos da oposição. Vão todos, a começar pelo fundador, para os braços do governo Dilma Rousseff. Ouve-se até que candidatos a cargos no segundo escalão.

Como a manobra não deu para abrigar todos os oposicionistas sequiosos de aderir à situação, prevê-se para breve a fundação de outro partido dito independente, mas, na realidade, pronto para transportar nova leva de adversários para o guarda-chuva oficial. Vai uma sugestão, já que a experiência atual nos remonta ao passado: que tal criarem a UDN?

BATE-PRONTO

O Alto Tucanato reagiu de imediato à esdrúxula sugestão de Fernando Henrique, sobre as oposições esquecerem o povão e cuidarem apenas da classe média. Logo depois da proposta do sociólogo o governador Geraldo Alckmin anunciou programas de transferência de renda, ampliando facilidades para refeições populares, bolsas de estudo, cursos profissionalizantes e implantação de creches na periferia de São Paulo e outras cidades.

De Belo Horizonte chegam informações de que o governador Antônio Anastásia pretende fazer o mesmo, por certo que depois de entender-se com o senador Aécio Neves. Como José Serra não detém mandato executivo, ficará nas análises verbais, mas eis aí uma boa plataforma para disputar a prefeitura de São Paulo, ano que vem…

Fonte: Tribuna da Imprensa

Escreveu que o PSDB devia esquecer o POVÃO, a repercussão NEGATIVA foi total. Pediu novamente que deviam esquecer o que falou, “não leram até o fim e não entenderam”. Ha!Ha!Ha!

Helio Fernandes

Há muito tempo, FHC escreveu assim que tomou posse: “Esqueçam o que escrevi”. Tinha toda razão, é um metódico revelador de bobagens. Agora, diz para “o PSDB esquecer o povão”. A repercussão foi péssima, já está acostumado a se desmentir. Cada vez mais mistificador, ou tão mistificador quanto Sarney.

Sem o menor constrangimento, o ex-presidente brada: “Devem ler até o fim, só leram uma parte, assim não entenderam nada”. Desculpe, FHC, mas querer que alguém leia uma parte do que você imagina já é exagero, quanto mais ler tudo?

FHC aproveitou para lembrar, aplaudir, ovacionar a si mesmo, disse sem constrangimento: “Derrotei o Lula duas vezes, sempre no primeiro turno”.

***

PS – Três objetivos. 1 – Exaltar a si mesmo, o que não estava em causa. 2 – Deixar bem claro: “Eu sou vitorioso. Você, Serra, e você, Alckmin, foram derrotados, eu sempre vitorioso”.

PS2 – Tripudiar sobre Lula, que está bem longe dele.FHC esqueceu que em 1964 considerava que Lula era tão invencível que reduziu o imaginável mandato dele, de cinco para quatro anos.

Fonte: Tribuna da Imprensa

Palocci, prefeito medíocre e acusadíssimo, ministro da Fazenda incompetente, mas que fingia, para Lula, que era um gênio. Salvo, domina o governo de Dilma, é o segundo da República.

Helio Fernandes

Palocci é um raio que cai no mesmo lugar? Esse ditado popular não tem muita credibilidade, principalmente no Brasil, onde caem 11 mil raios por dia, pode repetir o local. (Daí o respeito por Benjamin Franklin, um dos Fundadores da República, não quis ser presidente, inventou o para-raios, tem sua efígie, que palavra, numa nota de dólar).

A comparação com o ex-ministro da Fazenda é porque, para ele, o raio caiu duas vezes, de forma negativa. Vindo de Ribeirão Preto, prefeito cheio de irregularidades (das bem grandes e faustosas), assombrou a todos que o conheciam, quando foi nomeado ministro da Fazenda, no primeiro governo Lula.

E não foi isso. Apesar da fragilidade intelectual e a falta de credibilidade pessoal, moral e eleitoral, se transformou num dos homens mais poderosos junto a Lula, naturalmente, antes dele ser “o maior presidente de toda a História do Brasil”.

O presidente Lula costumava dizer e repetir com insistência: “Fico torcendo e esperando que o ministro Palocci me dê o SINAL VERDE para reduzir os juros”. Palocci se alegrava, satisfazia diante do espelho, embasbacado com ele refletindo a sua imagem, essa palavra refletir que não frequentava seu vocabulário.

O tempo passou, o Palocci de Ribeirão Preto se materializou, descobriram o que toda a população de Ribeirão Preto já sabia. Existiam dois: um o Palocci prefeito, e o Palocci ministro. Quando conheceram a existência da casa de prostituição, onde Palocci fingia de Berlusconi, Lula não teve contemplação, o D-E-M-I-T-I-U. Palocci tentou se salvar enxovalhando um digno caseiro, jogou todo seu Poder, utilizou a Caixa Econômica inteira para se salvar.

Foi demitido desprezivelmente, ninguém falava com ele, humilhantemente julgado pelo Supremo Tribunal Federal. Que ia condená-lo, mas atendendo a pedidos do próprio Lula, “ABSOLVEU-O” por 5 a 4. Um julgamento que parecia ter exilado Palocci para o resto da vida, tem que ter essa palavra colocada entre aspas.

Seu ostracismo parecia irreversível. O envolvimento do ex-ministro com a Caixa Econômica, para condenar o caseiro que teve a dignidade que o ministro jamais conheceu, parecia para sempre.

Foi chamado para a campanha de Dona Dilma, nenhuma explicação. Com a sua desmoralização, não acrescentava nada à já vitoriosa Dona Dilma. Um ano antes eu já informava que ela não tinha para quem perder. Com Serra como adversário, era praticamente candidata única.

O fato de Dona Dilma ter ido para o segundo turno, favoreceu alguns corruptos-carreiristas, pois apesar de todas as evidências de que o segundo turno era um simples acidente de percurso, a própria candidata se assustou. E o grande eleitor, Luiz Inácio Lula da Silva, chegou a dizer publicamente: “Confiaram demais, facilitaram, já podíamos ter ganho”.

Com isso, houve uma nova campanha, embora curta. Estou à vontade para lembrar esses fatos, pois nem remotamente escrevi a favor de Dona Dilma, apesar de dizer dezenas e dezenas de vezes: “Serra jamais será presidente”. Mas aí começou a grande guerra pelos cargos. Lula fingindo que não queria nada, indicou muita gente.

E como ele já havia confirmado, publicamente que “Mantega continuará ministro da Fazenda”, não podia mudar de posição. E na primeira vez que foi a exterior sem a presença de Celso Amorim, quem convidou? Guido Mantega, a quem deu a vez e a voz para falar como “ministro da Fazenda que vai continuar”.

Sem que a futura presidente percebesse, Palocci era candidatíssimo a chefe da Casa Civil, o cargo mais importante da República. E só mais tarde Dona Dilma veio a saber que Palocci tinha o apoio de Lula. O amigo e grande eleitor demorou a falar com ela.

***

PS – Longe da inteligência mas espertíssimo, Palocci não falou nada, ele e Lula combinaram: “Você tem que ser chefe da Casa Civil, formando dupla com Gilberto Carvalho”.

PS2 – “Ele será promovido: de secretário da Presidência, passará a ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência”.

PS3 – Tudo aconteceu como Lula imaginou. Quando o ex-presidente falou com ela, “tudo já estava adivinhado”. Até hoje, Lula nega que Palocci no cargo poderoso seja indicação sua.

PS4 – Palocci está tão forte, que não “livra a cara” de ninguém. Seu objetivo, agora, cumprindo ordens do empresariado paulista: derrubar o ministro da Fazenda. Diz a todo mundo: “Ele é que salvou o negócio do banco de Silvio Santos para o Pactual”.

PS5 – E não esconde: “Esse André Esteves, que comprava e vendia quinquilharias, fala TODO DIA com Mantega, contando o que aconteceu e aconselhando-o sobre o que vai acontecer”. Dilma que se cuide.

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