domingo, março 27, 2011

Nas revistas: Para quem o Congresso trabalha

Istoé

Para quem o Congresso trabalha

Com uma agenda própria, alheias aos embates das legendas e indiferentes às cores partidárias, pelo menos 17 grandes bancadas informais exercem hoje enorme influência no Congresso, orientam a atuação parlamentar e revelam o grande poder dos lobbies em Brasília. Por trás desses grupos de pressão organizados, encontram-se verdadeiros conglomerados corporativos, associações, confederações, empresas e movimentos da sociedade civil. Garantindo a coesão dessas frentes pluripartidárias, é corriqueiro encontrar poderosos financiadores de campanhas, que trabalham diuturnamente para ver seus interesses atendidos no Legislativo. Ao contrário das bancadas dos partidos, não é o tamanho dos blocos temáticos que determina suas forças. Importante, no caso, tem sido a capacidade de mobilização.

Em fevereiro, um poderoso lobby da indústria farmacêutica desembarcou em Brasília na tentativa de reverter a proibição dos moderadores de apetite pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Com pelo menos um deputado ou senador da bancada da saúde a tiracolo, lobistas de laboratórios multinacionais ocuparam gabinetes importantes na Esplanada dos Ministérios. Havia políticos de todos os partidos servindo de cicerones aos empresários do setor. A pressão deu certo. A Anvisa prometeu analisar os argumentos contrários ao veto às substâncias emagrecedoras como a sibutramina, a anfepramona, o femproporex e o mazindol. Não foi estabelecido um prazo para a decisão final. Ou seja, o assunto, por ora, está em suspenso.

Tal como a frente da saúde, a bancada da bola é pequena no tamanho, mas efetiva nas ações. Com apenas nove integrantes, já conseguiu marcar um tento na atual legislatura, favorecendo o lobby da cartolagem dos gramados. Pressionada por dirigentes de clubes e confederações, a bancada da bola aprovou uma emenda que alterou a chamada Lei da Moralização do Futebol. Com isso, a partir de agora, os cartolas não mais serão responsabilizados caso endividem os clubes que dirigem. Até então, eles corriam o risco de ver penhorados seus respectivos patrimônios. A emenda é de autoria do deputado José Rocha (PR-BA), que desde de 2002 figura na lista de doações de campanhas da CBF. Nos registros do TSE, constam doações de pelo menos R$ 150 mil para o deputado baiano.

O principal objetivo do lobby do agronegócio, este ano, é a aprovação do substitutivo do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), que altera o Código Florestal Brasileiro. “A proposta consolida as áreas já ocupadas pelos produtores e restabelece o quadro de segurança no campo”, defende o presidente da Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul), Eduardo Riedel. A preocupação é garantir a aprovação do código até 12 de junho, quando entra em vigor o Decreto 7029/2009, prevendo que todos os imóveis rurais deverão estar com suas reservas legais averbadas. Isso poderá deixar na ilegalidade 90% das propriedades rurais brasileiras.

Leia a íntegra da reportagem

O vírus da corrupção

Ao conquistar a exclusividade na venda Windows no Brasil, Cristina Boner transformou a TBA num conglomerado que fatura quase meio bilhão de reais por ano. Mas, a partir da operação Caixa de Pandora da Polícia Federal, a trajetória de Cristina entrou em parafuso. Seus problemas começaram com a divulgação do vídeo em que ela aparece negociando propinas para abastecer o Mensalão do DEM, que derrubou o governador do DF, José Roberto Arruda. O escândalo mudou o perfil efusivo de Cristina, que vivia em festas da elite brasiliense e, por consequência, nas colunas sociais dos jornais locais. Enquanto tenta se desvincular das graves denúncias que atingem seus negócios, a empresária se mudou para São Paulo. “A Cristina está focando seus negócios mais na iniciativa privada e menos na administração pública”, diz um especialista do mercado de informática.

O esforço para fugir dos holofotes de Brasília tem sido em vão. As imagens nas quais ela aparece negociando o pagamento de R$ 1 milhão para o esquema de desvios no governo Arruda voltaram a ser notícia. Novas imagens mostram conversas indiscretas da dona da TBA. Cristina aparece negociando altas cifras com o ex-secretário Durval Barbosa, o pivô do escândalo do Mensalão do DEM. Segundo funcionários do governo do Distrito Federal, os dois tinham uma relação íntima e Cristina não imaginava que pudesse ser traída pelo ex-parceiro. Além de distribuir o vídeo comprometedor (leia os diálogos ao lado) Durval já tinha prestado três depoimentos ao Ministério Público narrando os encontros com a empresária. No primeiro depoimento, o delator explicou que os R$ 50 mil entregues ao ex-governador Arruda tinham origem nas propinas pagas por Cristina. Eram parte do R$ 1 milhão que a empresária pagou ao esquema para fechar um contrato emergencial de R$ 9,8 milhões com o governo do DF.

A volta dos fichas-sujas

Foi como uma ducha de água fria na opinião pública. Quando se esperava que o Supremo Tribunal Federal fosse alijar da vida pública políticos punidos pela Justiça, os ministros decidiram, de forma surpreendente, que a Lei da Ficha Limpa não se aplica à eleição de 2010. A aguardada moralização do Congresso Nacional simplesmente não emplacou. Por seis votos a cinco, o STF concluiu, na sessão de quarta-feira 23, que a lei só será válida a partir de 2012. Com isso, foram reabertas as portas do Senado, da Câmara e de várias assembleias estaduais para dezenas de políticos condenados ou que haviam renunciado para evitar a cassação. A decisão diferencia, de uma maneira esdrúxula, os políticos do cidadão comum. Um brasileiro que pretende concorrer a um cargo público precisa apresentar folha corrida limpa. Se tiver uma simples condenação em primeira instância, estará alijado da disputa. Já um político tem direito de concorrer a uma vaga até no Senado, mesmo se estiver condenado em tribunais superiores. Entre os representantes das entidades que colheram 1,6 milhão de assinaturas para o projeto da Ficha Limpa houve grande decepção. “Todos os membros do movimento estão extremamente tristes. É lamentável que tenha havido sobrevida pública para essa gente”, afirmou o juiz Marlon Reis, do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral. Carlos Ayres Britto, um dos cinco ministros do STF favoráveis à aplicação imediata da lei, expôs à ISTOÉ sua frustração: “Eu também lamento a decisão porque, a meu sentir, o Supremo interpretou incorretamente o artigo 16 da Constituição.”

Época

O cadafalso sob Roger Agnelli

Antes visto como uma espécie de monarca absoluto na condução da mineradora, o poder de Roger Agnelli, presidente da Vale, vem sendo desafiado seguidamente nos últimos meses por pessoas ligadas ao governo federal. Há pouco mais de uma semana, segundo noticiou o jornal O Estado de S. Paulo, o ministro Guido Mantega, da Fazenda, foi até o Bradesco informar que o Palácio do Planalto pretende substituir Agnelli em breve. Foi o Bradesco que, como acionista, indicou aquele que em 2001 era um de seus executivos mais promissores para presidir a Vale – e, desde então, sempre deu respaldo a sua gestão.

Nos últimos tempos, porém, os sinais que partem do banco não são animadores para Agnelli. Seus constantes choques com o governo Lula e com o PT não foram bem recebidos no Bradesco, onde impera uma cultura de relação discreta com a política. Na última sexta-feira, o jornal O Globo publicou em seu site que o banco já concordara com a saída de Agnelli. Em nota, Agnelli disse que não se envolve em questões políticas: “A decisão sobre a escolha do diretor presidente da Vale compete exclusivamente aos acionistas controladores da empresa. O que tenho feito nos últimos dias é o mesmo que fiz ao longo de toda a minha carreira: trabalhar. Não tenho envolvimento com qualquer questão política relativa a este assunto”. A depender dos planos da presidente Dilma Rousseff, expressos na atitude de Mantega, Agnelli deverá deixar a empresa em maio, ao final de seu mandato.

Se isso acontecer, será o fim daquela que talvez possa ser considerada a mais bem-sucedida gestão de uma estatal privatizada no Brasil. Na era Agnelli, as vendas da Vale foram multiplicadas por dez (de US$ 4 bilhões, em 2001, para US$ 46,4 bilhões, em 2010). A companhia se consolidou como a maior produtora global de minério de ferro e a segunda maior mineradora do mundo. A estratégia de expansão adotada por Agnelli levou a Vale a comprar outras empresas – como a canadense Inco e a Fosfértil – e a entrar em novos países e mercados – de ferrovias ao carvão, do níquel à petroquímica. Ele soube, acima de tudo, tirar proveito da demanda chinesa e adotou uma política agressiva de preços, que estabeleceu um novo patamar no mercado global de ferro. As ações da Vale registraram na gestão Agnelli uma valorização de 1.583%. Quem aplicou R$ 1.000 na Vale na posse de Agnelli, no dia 1º de julho de 2001, tinha na última quarta-feira R$ 16.829.

O partido lagartixa

Gilberto Kassab é a favor do desenvolvimento econômico do país. Gilberto Kassab é a favor da liberdade de imprensa. Gilberto Kassab é a favor da erradicação da pobreza. Gilberto Kassab, além de ser a favor dessas e de quaisquer outras platitudes políticas às quais ninguém teria coragem de se opor, elogia constantemente o governo da petista Dilma Rousseff – embora frise com a mesma frequência que mantém uma aliança “inquebrável” com o ex-governador José Serra, seu padrinho tucano. De longe, ninguém entende. De perto, também não. Para acolher essa profusão quase incompreensível de opiniões incolores e apoios irrestritos, só restava ao prefeito de São Paulo fazer o que fez na semana passada: deixar o DEM, sua atual morada, para criar seu próprio partido político. Deu-se o nome de PSD (Partido Social Democrático) à agremiação, mas pode chamar apenas de partido do Kassab. Como seu dono, é uma sigla que nasce a favor de tudo que seja unanimidade e não provoque polêmica. Seu único projeto é criar as condições necessárias para que Kassab seja candidato ao governo de São Paulo em 2014.

Eles vão mesmo liberar geral?

Há mais políticos fichas sujas que vão se beneficiar da decisão do STF. São tantos, aliás, que nem a Justiça Eleitoral já sabe quais serão. A decisão da corte resultou de um voto do ministro Luiz Fux, recém-chegado ao Tribunal. Desde setembro do ano passado, quando começou a analisar a constitucionalidade da lei, o Supremo mostrou-se dividido. Embora tenha declarado que a lei é constitucional, metade dos ministros opinou que ela só deveria vigorar a partir de 2012. A outra metade votou para que ela valesse já no ano passado. Essa cisão se deu em virtude do preceito constitucional que proíbe mudanças na Lei Eleitoral no ano do pleito.

A Lei da Ficha Limpa foi sancionada em junho e, portanto, feriria esse princípio. Em tese. A divisão entre os ministros demonstra que a discussão não é tão simples – e envolve outros princípios constitucionais relevantes, como o da moralidade. Tanto que a Procuradoria-Geral da República era favorável à aplicação imediata da lei. O voto de Fux, contrário ao Ministério Público, encerrou esse debate.


Carta Capital

Kassab monta no cavalo de Troia

O novo partido de Gilberto Kassab, prefeito de São Paulo, provocou um consenso aparentemente improvável entre tucanos e petistas. Nas duas legendas, a desconfiança quanto aos objetivos do PSD é absolutamente idêntica. Em resumo, a empreitada de Kassab não passaria de um cavalo de Troia para quem se aventurar ao seu lado. Pesa o ecumenismo da legenda. Ao mesmo tempo que jura fidelidade eterna a José Serra, que o tirou da segunda divisão da política nacional, caminha rumo à base aliada de Dilma Rousseff, a quem tem dispensado repetidos elogios.

Mas nem o grupo não serrista do PSDB ou os chefes do PT paulista desconfiam de tanta generosidade. No mundo das aparências, funciona assim: Kassab nem acumularia tanto cacife popular que justifique se tornar objeto de desejo de um desses campos adversários. Recebeu sua pior avaliação, segundo recente pesquisa Datafolha (43% de rejeição) e enfrenta protestos frequentes pela capital paulista. Seu futuro partido, já comparado a uma “janela indiscreta” para driblar a lei da fidelidade partidária, tem atraído menos barões de votos que o esperado. Talvez o grande nome até agora seja o do vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos. Para emendar, a infidelidade ficou cravada em seu DNA político desde as eleições de 1998, quando apoiou Paulo Maluf em vez de Mário Covas em São Paulo e depois ficou com Celso Pitta no lugar de Maluf. No drible, fechou com Serra, rachou o PSDB e derrotou Alckmin nas eleições municipais de 2008.

Ideologicamente, Kassab não dá linha à coerência. “Não somos de esquerda, de direita, nem de centro”, declarou recentemente. Sobre o conflito no ideário do PSD e de Kassab, Afif responde com ironia: “Esse negócio de centro, direita, esquerda é para parafuso, quando você está numa linha de montagem”. O PSD afirma, em seus mandamentos, que vai priorizar a defesa do capital privado, mas também fazer a inclusão social. Como poderá tentar esse discurso nas eleições, se na própria gestão o prefeito terceirizou para as ONGs todas as suas ações sociais?, pergunta o grande desafeto do momento, o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), ex-presidente do partido. Politicamente, também seria muito confuso: “Vai apoiar Dilma Rousseff, Alckmin, Serra e o papa também”, ironiza Maia.

Fonte: Congressoemfoco

“Coleirinha” ganha espaço e gera polêmica



Comum nos EUA e Europa, acessório de segurança usado no pescoço de crianças chega ao Brasil em meio a controvérsias

Publicado em 27/03/2011 | Paola Carriel

Comuns nos Estados Unidos e Europa, as “coleirinhas” para crianças começam a ganhar espaço no Brasil. O acessório é usado como medida de segurança para os pequenos, mas ainda gera polêmica. Há quem acredite que o objeto pode ser ofensivo. Por outro lado, quem usa garante que a “coleirinha” é uma demonstração de afeto e preocupação.

O médico Rodrigo Bagatelli, 32 anos, viu na rua uma criança com o acessório e decidiu pesquisar. Não encontrou em lojas que vendem artigos infantis e fez uma busca na internet. Agora, com a “coleirinha” os passeios com a filha Rebeca, de 1 ano, ficaram mais seguros. “Deci­­­dimos comprar porque ela começou a andar com 9 meses e se locomove com muita rapidez.” Hoje, Rebeca pode “explorar” o mundo com os pais mais tranquilos. Bagatelli diz que, em geral, as pessoas não estranham o acessório, mas já houve situações de desaprovação.

O acessório pode ser encontrado em vários formatos. Há pulseiras, macacão ligado à cintura da mãe e simpáticas mochilinhas com temas infantis. Os preços variam entre R$ 19 e R$ 50. Nas lojas de Curitiba ainda é difícil encontrá-lo, mas os lojistas dizem que já há procura. A terapeuta holística Marina Grigoletti usou uma pulseirinha no filho Yuri, na época com 2 anos, quando estava de mudança para a Holanda. Marina estava viajando sozinha com o garoto e tinha muitas malas. “Estava muito preocupada, porque ficamos horas esperando e ele queria brincar e conhecer o lugar.” A terapeuta encontrou o acessório no aeroporto e comprou. “Foi útil durante todo o período que passamos na Europa. Fizemos viagens de trens e metrôs e eu me senti muito mais segura.”

Vânia Dias, gerente de uma loja de produtos infantis, diz que os pais e mães buscam o produto para fazer passeios e viagens com os pequenos. “Ainda há preconceito, mas quem é mãe entende.”

Especialistas

A psicóloga clínica e terapeuta de família Eneida Ludgerno afirma que existem outras opções para a segurança dos filhos. “Ainda sou a favor de pegar na mão e ter o contato corpo a corpo”. Para ela, apesar de a “coleirinha” ser uma restrição para a criança e oferecer segurança, há meios mais próximos e pessoais de se obter confiança nos passeios com os pequenos. Eneida aconselha, por exemplo, começar os passeios em lugares seguros e criar regras de comunicação entre os adultos e as crianças, como andar sempre de mãos dadas. Ela acredita que qualquer ação dos pais nunca tem a intenção de prejudicar, mas é preciso atentar a outros riscos. “Mesmo com a ‘coleirinha’, há outros riscos, como quedas. O olhar dos pais tem sempre de estar nos filhos”.

Apesar das restrições, Eneida afirma que cada família deve definir o que é bom. Para ela, há pais que podem ter receio de usar a “coleirinha” para não ex­­­por o filho, mas na hora de dialogar fazem uma fala brava, que pode ser mais danosa do que qualquer outra ação. “O canal de diálogo deve ocorrer sempre pela via amorosa”, recomenda.

Para a psicóloga Cléia Oli­­­veira Cunha a “coleirinha” po­­­de ser uma solução dependendo da idade. Ela recomenda que o produto seja usado somente até os 5 anos. “A partir desta idade os filhos já devem dominar conceitos decorrentes da aprendizagem familiar e social sobre perigo e risco.”

Cléia conta que conheceu a “coleirinha” na década de 70, quando uma europeia da vizinhança usava o acessório nos filhos. Para ela, com a grande concentração urbana as “coleirinhas” podem ser uma alternativa a mais de segurança. A dona de casa Maria Terezinha Sousa teve quatro filhos e hoje ajuda a cuidar da sobrinha de 1 ano e 5 meses. Ela diz que usaria a “coleirinha” só para ir a lugares com grande circulação de pessoas, não no dia a dia.

A gerente Eloise Coelho, mãe de Iago, 1 ano e 4 meses, usaria só em último caso. Ela já viu crianças com “coleirinhas” e diz que as pessoas repreendem os pais porque associam com coleira para cachorro. Já a balconista Tassiane de Godoy não conhecia o produto e não o usaria. Grávida pela segunda vez, ela nunca precisou usar nada parecido com o filho de 6 anos.

Fonte: Gazeta do Povo

Médicos declaram “guerra” aos planos de saúde

Aniele Nascimento/ Gazeta do Povo

Aniele Nascimento/ Gazeta do Povo / Macedo, da AMP: “Está se tornando insuportável manter um consultório aberto atendendo pelos planos Macedo, da AMP: “Está se tornando insuportável manter um consultório aberto atendendo pelos planos"
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Médicos declaram “guerra” aos planos de saúde

Profissionais dizem que valor da consulta está defasado em 92% e reclamam de omissão da ANS. Eles prometem paralisação nacional para o dia 7

Publicado em 27/03/2011 | Alexandre Costa Nascimento

Manter um plano de saúde privado está cada vez mais caro. Desde 2000, a mensalidade dos planos individuais e familiares – que representam mais de 20% dos 45,5 milhões de coberturas ativas no país – subiu 26,6 pontos porcentuais acima da inflação. E outro au­­mento está a caminho: a Agência Nacional de Saúde Suple­mentar (ANS) deve anunciar até o fim de abril a correção que será aplicada aos planos neste ano – reajuste que chegará em um mo­­mento crítico do relacionamento entre planos e profissionais de saúde, com consequências evidentes para os usuários.

Alegando uma defasagem de 92% na tabela de honorários, os médicos planejam uma paralisação nacional para 7 de abril, quando prometem suspender todos os atendimentos, consultas e exames pelos planos marcados para a data. Segundo as entidades que coordenam a mobilização, os pacientes previamente agendados para o dia 7 de abril serão atendidos em outro dia, e o protesto não abrangerá casos de urgência e emergência.

A classe médica reivindica o reajuste dos honorários, ao mesmo tempo em que reclama da omissão da ANS na fiscalização do setor e exige a aprovação de um projeto de lei que regulamente a relação entre operadoras e prestadores de serviço.

Segundo o Conselho Federal de Medicina (CFM), a “greve” deve atingir 160 mil profissionais que mantêm relação com planos de saúde, seguradoras ou cooperativas médicas – número que representa 46% do contingente de médicos do país.

“SUSão”

“As operadoras têm bastante caixa financeiro. Já o médico, que presta o serviço na ponta, não recebe a contrapartida. Esse é um movimento pela dignidade de uma profissão. Chegamos a uma fase em que está se tornando insuportável manter um consultório aberto atendendo pelos planos”, alega o presidente da Associação Médica do Paraná (AMP), José Fernando Macedo.

Segundo ele, o valor médio re­­cebido por consulta coberta pelos planos é de R$ 42. “Se um médico fizer 170 consultas por mês e colocar em uma planilha todos os custos de manutenção do consultório – secretária, encargos trabalhistas, luz, água telefone, impostos, aluguel, etc –, vão sobrar R$ 5,53 líquidos por consulta”, diz.

Como consequência disso, afirma o conselheiro do CFM Celso Mu­­rad, alguns médicos vêm diminuindo o tempo de duração das consultas para engordar a “escala” e, consequentemente, garantir a sobrevivência econômica das clínicas.

“Do jeito que está, a medicina suplementar vai acabar virando um ‘SUSão’, reproduzindo problemas como demora no atendimento, qualidade precária e poucos profissionais, com aquilo que classificamos de estrangulamento por demanda”, avalia Murad.

Dependência mútua

Mesmo assim, especialistas em saúde suplementar não apostam em um colapso que leve a um eventual “apagão” do sistema de planos de saúde. Isso porque essa disputa se resume fundamentalmente a uma questão de negociação financeira entre médicos e operadoras. Se por um lado os médicos ganham pouco – em algumas especialidades o valor é de R$ 20 por consulta –, por outro existe uma “dependência” econômica dos profissionais em relação ao convênio. Para os médicos credenciados, os atendimentos pelos planos de saúde representam, em média, 85% do volume de pacientes do consultório, com participação equivalente no faturamento das clínicas.

Pelo lado das operadoras, a saúde financeira das empresas permite uma margem para negociação de valores que atendam aos anseios da classe médica. “Não é um setor deficitário. No ano de 2009, as 1,5 mil operadoras do país arrecadaram R$ 61 bilhões. Pode ser um argumento para os profissionais pleitearem um aumento ainda maior”, avalia o professor de Direito do Consumidor Cristiano Heineck Schmitt, especialista no segmento de saúde suplementar. Segundo ele, mesmo com uma possível deterioração na relação entre médicos e operadoras, o direito de o usuário ser atendido continua garantido. A Lei dos Planos de Saúde (9.656/98) prevê a obrigatoriedade de uma rede credenciada minimamente capaz de atender à demanda.

“Em último caso [se não houver especialistas credenciados], as operadoras são obrigadas a reembolsar o valor gasto com o médico particular”, assegura. Caso as operadoras descumpram a lei, elas fica sujeitas a multas, aplicadas pela ANS, de R$ 80 mil a R$ 900 mil.

Em nota, a Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), que representa as operadoras, disse que a negociação sobre pagamentos a médicos, hospitais ou laboratórios é livre: “A Abramge esclarece que não faz parte de suas atribuições discutir remuneração a prestadores de serviços.” A entidade considera o movimento dos médicos aceitável, “desde que não prejudique o atendimento aos beneficiários dos planos de saúde”. A ANS, por meio de sua assessoria de imprensa, informou que “tradicionalmente não se pronuncia sobre o assunto”.

Setor precisará rever modelo, diz especialista

A sobrevivência do sistema brasileiro de saúde suplementar depende de uma revisão na forma de prestação de serviço e da reformulação do próprio modelo de financiamento do setor. A avaliação é do advogado José Luiz Toro, presidente do Instituto Brasileiro do Direito da Saúde Suplementar (Indss). “Os prestadores ganham dinheiro na utilização do plano e na prescrição de procedimentos. Quanto mais se usa, quanto mais exames, mais se ganha. Deveríamos chamar de plano de doença, e não de plano de saúde”, ironiza.

Segundo Toro, o modelo atual é incompatível com a realidade econômica das empresas, que veem o custo médico-hospitalar cada vez mais alto. “Hoje nós temos um re­­gi­­me de mutualismo, com a socialização do risco. Existe também um pacto de gerações, em que os mais novos pagam mais que os mais velhos. Mas o progressivo en­­velhecimento da população tende a colocar esse modelo em risco”, avalia o advogado. Para ele, o ideal seria encontrar um modelo híbrido, mesclando o modelo atual com um sistema de capitalização para procedimentos de alto risco.

Fonte: Gazeta do Povo

Dengue tipo 4 preocupa especialistas

tipo 4 preocupa especialistas

26/3/2011 9:40, Redação, com ABr - do Rio de Janeiro

Depois da confirmação de casos de dengue tipo 4 em mais três Estados na última semana, especialistas mostram preocupação pelo fato da maior parte dos brasileiros não ter imunidade contra esse tipo de vírus, o que aumenta as chances de casos graves da doença.

De acordo com o infectologista Celso Granato, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o vírus tipo 4 não é mais perigoso ou letal em relação às outras variações (1,2 ou 3). Os sintomas são idênticos – dor de cabeça, dores no corpo e nas articulações, febre, diarreia e vômito, assim como o tratamento.

No entanto, esse sorotipo não circulava há pelo menos 28 anos no Brasil e a maioria da população não teve contato com ele, por isso está desprotegida. Quando uma pessoa contrai um tipo de dengue cria imunidade a esse vírus, porém pode ser infectado pelos outros tipos. Por exemplo, quem teve dengue tipo 1, pode ter dengue tipo 2, 3 ou 4. A cada vez que indivíduo é infectado, maior a possibilidade de contrair a forma grave, como dengue hemorrágica.

– Uma parcela da população poderá ter dengue pela segunda vez, pela terceira vez [por causa do sorotipo viral 4]. O vírus não é pior, mas a população está suscetível. A maioria está experimentada para os tipos 1 e 3 – disse Celso Granato.

O último levantamento do Ministério da Saúde revelou que a maioria das vítimas de dengue no país é infectada pelo tipo 1. Das 1856 amostras de sangue analisadas pela pasta, 81,8% deram positivo para esse sorotipo. A dengue 4 apareceu em 5,4% das análises, apenas para os estados de Roraima, do Amazonas e do Pará.

A falta de imunidade ao vírus eleva as chances de uma epidemia de dengue 4 no Brasil. Para o infectologista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Edmilson Migowski, o aumento de casos da doença não deve ser imediato. Ele prevê que o efeito deve ser sentido no verão de 2012.

– Se nada for feito para o controle do mosquito, podemos ter um cenário drástico no verão de 2012. A epidemia tipo 4 não poupará ninguém – alerta o especialista.

O Ministério da Saúde reconhece a possibilidade de mais casos graves da doença por causa do sorotipo viral 4. Até o momento, não há epidemia em nenhum estado associada à dengue 4. De acordo com o órgão, países da América Latina e Caribe, onde há circulação do vírus, também não registraram epidemias provocadas pelo vírus. Como precaução, o governo federal recomenda às secretarias estaduais e municipais o reforço nas ações de controle do mosquito transmissor, aedes aegypti, para evitar novos casos.

“A orientação é para que sejam aplicadas medidas de contenção, com aplicação de larvicidas e inseticidas nos bairros das cidades com confirmação de casos, e visitas de agentes comunitários de saúde em 100% dos domicílios com casos suspeitos e confirmados de DENV-4. Além disso, intensificar ações de eliminação de criadouros, limpeza urbana e busca ativa de novos casos suspeitos”, informou o ministério.

Desde o início do ano, o ministério tornou obrigatória a notificação dos casos de dengue 4. No total, foram 51 casos espalhados pelos seguintes estados: Roraima (18), Amazonas (17), Pará (11), Rio de Janeiro (2), Bahia (2) e Piauí (1), conforme dados das secretarias estaduais de saúde. As primeiras notificações ocorreram em Roraima, a partir de julho do ano passado, por onde o vírus reingressou no país proveniente da Venezuela, segundo especialistas. Os registros mais recentes foram na Bahia e no Rio de Janeiro.

Fonte: Correio do Brasil

Radiação da água em Fukushima está 10 milhões de vezes acima do normal

DA BBC BRASIL

Tragédia no JapãoA água encontrada junto do reator 2 da usina nuclear de Fukushima Daiichi, no leste do Japão, apresenta um nível de radiação 10 milhões de vezes maior do que o normal, segundo informou neste domingo a Agência de Segurança Nuclear do país.

De acordo com a agência, existe uma grande possibilidade de que esta água esteja vazando diretamente de dentro do reator. Os funcionários que tentavam bombear a água para fora do reator 2 foram retirados do local, para evitar exposição à radiação.

O correspondente da BBC em Tóquio Mark Worthington afirma que esta é de longe a amostra de água mais radioativa já encontrada na usina de Fukushima desde o início da crise nuclear, que se seguiu ao terremoto de magnitude 9,0 do último dia 11.

O terremoto, que foi seguido de um tsunami, causou graves danos na usina, que teve o sistema de refrigeração dos reatores desligado. Isto traz grande risco de vazamento de material radioativo no local.

A Agência de Segurança Nuclear informou ainda que o nível de radiação na água do mar próximo à usina aumentou para 1.850 vezes acima do normal. Nesse sábado, o nível era de 1.250 vezes além do limite permitido em lei.

No sábado, a agência afirmou que estes níveis de radiação não trariam risco em um período superior a oito dias. No entanto, segundo o repórter da BBC, o aumento da radioatividade em poucas horas já causa preocupação - ainda mais porque a origem do vazamento é desconhecida.

A identificação da origem do vazamento de água contaminada continua sendo a maior prioridade das equipes em Fukushima, segundo afirmou a agência. Existe a suspeita de que a água radioativa esteja saindo dos reatores e indo diretamente ao mar.

Por outro lado, as autoridades dizem que os níveis de radiação no ar próximo à usina estão em queda.

O governo também se desculpou pela falta de informações detalhadas para as pessoas que moram nas áreas mais próximas de Fukushima, mas afirmou que não existe necessidade imediata de estabelecer uma zona de evacuação no local.

RESFRIAMENTO

A Tepco (Tokyo Electric Power Company), empresa que administra a usina, afirma que continua trabalhando para restabelecer a energia elétrica e para religar o sistema de resfriamento nos reatores.

No entanto, a companhia alega que os altos níveis de radiação no local estão tornando mais lento o progresso dos trabalhos.

Os trabalhadores da Tepco continuam bombeando água fresca para dentro dos reatores 1, 2, 3 e 4, na tentativa de conter o derretimento dos cilindros de material radioativo.

PESQUISA

Uma pesquisa realizada pela agência de notícias Kyodo, divulgada neste domingo, aponta que 58,2% dos entrevistados desaprova a maneira como o governo japonês respondeu à crise nuclear, enquanto 39,3% aprovaram as ações das autoridades.

Por outro lado, 57,9% das pessoas consultadas aprovam a maneira como o Estado lidou com a ajuda às vítimas do terremoto e do tsunami do último dia 11. Já foram confirmados mais de 10 mil mortos pela tragédia. Os desaparecidos chegam a 18 mil.

Ainda segundo a pesquisa, o nível de aprovação do primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, chegou a 28,3%, um aumento de 8,4 pontos percentuais em relação ao levantamento passado, realizado antes do terremoto.

Fonte: Folha.com

Donos usam laranjas em licitações de rádios e TVs


DO RIO

Levantamento feito pela repórter especial da Folha no Rio Elvira Lobato mostra que empresas abertas em nomes de outras pessoas (laranjas) são frequentemente usadas por especuladores, igrejas e políticos para comprar concessões de rádio e TV em licitações do governo federal.

Veja vídeo

Entre os "proprietários" há funcionários públicos, donas de casa e enfermeiro, pessoas com renda incompatível com os negócios. Durante três meses, a reportagem analisou casos de 91 empresas; 44 não funcionam nos endereços registrados. De 1997 a 2010, o Ministério das Comunicações ofereceu 1.872 concessões de rádio e 109 de TV.

Alguns reconheceram à Folha que emprestaram seus nomes para que os reais proprietários não figurem nos registros oficiais. Nenhum, porém, admitiu ter recebido dinheiro em troca.

A pasta diz não ter como identificar se os nomes nos contratos são de laranjas. Afirma também que não pode contestar a veracidade de documentos emitidos por cartórios e juntas comerciais, alguns dos meios usados pela Folha para identificar os proprietários.

Fonte: Folha.com

Nova decisão do STF conflita com a de 7 a 3 tomada em 2010

Pedro do Coutto

A nova decisão assumida pelo Supremo Tribunal Federal a respeito da constitucionalidade da Lei de Ficha Limpa, com o ministro Luiz Fux considerando sua validade apenas a partir das eleições de 2012, cria, a meu ver, uma controvérsia sem precedentes na história da Corte Suprema, já que o placar de 6 a 5 contra a vigência da lei em 2010 conflita com a segunda decisão do plenário que, por 7 votos a 3, decidiu que ela entraria em vigor mesmo no ano passado.

É preciso não esquecer a ordem cronológica dos fatos. As reportagens de Mariângela Galucci e Felipe Recondo, O Estado de São Paulo, Marcio Falcão, Folha de São Paulo e Carolina Brígido e Demétrio Weber, O Globo, todas elas publicadas no dia 24, esqueceram os dois julgamentos anteriores.

O primeiro terminou empatado por 5 a 5, pois o Supremo estava com dez ministros, e o presidente Cezar Peluzo, recusou-se a dar o voto de Minerva. A Lei de Ficha Limpa, reconhecida anteriormente pelo Tribunal Superior Eleitoral, assim, não foi derrubada. Com isso, prevaleceu a decisão do TSE. O julgamento foi de alcance geral. De alcance geral foi também o segundo confronto a partir de um recurso do ex-senador Joaquim Roriz, que pretendia disputar o governo de Brasília.

Estendeu-se pela noite a dentro e o impasse persistiu. Entretanto para que o STF não permanecesse sem resolver a questão, o ministro Celso de Mello mudou seu voto, no que foi acompanhado pelo presidente Cezar Peluso. Então, por 7 a 3 a Suprema Corte decidiu pela entrada em vigor da Lei Ficha Limpa já nas eleições do ano passado. Tanto assim que Joaquim Roriz teve sua candidatura substituída pela de sua mulher, derrotada nas urnas por Agnelo Queiroz.

Logo, o Supremo julgou a matéria. Tanto assim que Jader Barbalho retirou seu recurso, que entraria em pauta, mas obviamente encontraria pela frente o mesmo obstáculo colocado no caminho de Roriz. Vários outros políticos desistiram de recorrer e seus votos foram computados pró-forma, estranhamente, já que não obtiveram o registro pelo TSE e, sem registro, pela lei eleitoral, ninguém pode disputar eleições no Brasil.

Agora surge um terceiro cotejo. Com o plenário completo, e com o voto do ministro Luiz Fux, o STF decidiu pela inconstitucionalidade da lei a partir de 2010 e sua constitucionalidade a partir de 2012. Um caso raro, porém lógico, no campo do Direito Político. Mas não é esta a questão essencial, como destacou Shakespeare no Hamlet, ao mergulhar a poesia teatral no fundo da alma humana.

A questão essencial é que, penso eu, o julgamento de 2011 não pode retroagir para anular o segundo de 2010. Pois se assim fosse, ou assim for, uma decisão do STF tomada, digamos em 2015, com uma nova formação plenária, seria capaz de anular a fixada em março de 2011.

A jurisprudência do Supremo pode mudar, aliás como mudam seus ministros através do tempo, porém nenhuma sentença futura pode eliminar a do passado. Com base neste pensamento, é de acreditar que os 6 a 5 com Fux cobrando pênalti decisivo não tornam Jader Barbalho elegível. Inclusive ele próprio, diante da decisão de 7 a 3 quanto a Joaquim Roriz, no ano passado, retirou seu recurso. E renunciou na ocasião ao mandato de deputado federal, para que não fosse julgado pelo mesmo Supremo por acusações que lhe foram desfechadas. Preferiu colocar seu destino nas mãos da Justiça Comum.

A questão da vigência da lei, não quanto a sua inconstitucionalidade imediata, pois este aspecto foi decidido, mas quanto à retroatividade do julgamento anterior de 7 votos a 3, é um enigma a ser decifrado. Um tema de difícil solução.

Fonte: Tribuna da Imprensa

Resistir é preciso

Carlos Chagas

A presidente Dilma Rousseff chega hoje a Portugal para participar da homenagem da Universidade de Coimbra ao ex-presidente Lula. Terá tempo para examinar o que acontece naquele país. Com certeza trará lições sobre o que não fazer no Brasil, exatamente o que o governo português vem tentando. Demitiu-se o primeiro-ministro José Sócrates, ainda que deva permanecer no cargo por dois meses, por conta das resistências na Assembléia Nacional ao seu plano de “recuperação econômica”.

Assim como a Grécia, a Irlanda, a Espanha, a França e outras nações européias, Portugal quer sair do sufoco às custas do trabalhador. Para manter felizes as elites financeiras, na verdade as causadoras da crise econômica, os dirigentes portugueses estão propondo aumento de impostos, redução de direitos, a começar pelas aposentadorias, demissões em massa, interrupção nos investimentos sociais, cortes nos gastos públicos e outras fórmulas clássicas do neoliberalismo.

Os protestos já se fazem sentir em Lisboa e no Porto. Os sindicatos estão na rua, mobilizando contingentes de prováveis vítimas da sanha do chamado mercado. Os trabalhadores não aceitam iniciativas capazes de tornar ainda pior a vida deles, mas, pelo jeito não vai adiantar muito a sua reação. Não tem adiantado em situações similares no Velho Mundo. Lá, a prevalência continua sendo das elites, na hora das decisões. São elas a base da maioria dos governos europeus.�

Ao retornar, Dilma precisará meditar para prevenir. Não há iminência de crise, entre nós. A economia mantém-se estável, continuamos crescendo, novos empregos tem sido criados e, mais importante ainda, o governo atual não surgiu das elites e nem parece prisioneiro delas, ainda que continuem tentando dominá-lo.

Mas já se falou em aumento de impostos, no caso, a volta da CPMF. Registra-se a contenção de gastos públicos, na ordem de 50 bilhões, apesar das promessas da presidente pela preservação das obras do PAC. Mesmo assim, ressurge a ameaça de modificações no sistema de aposentadorias.

Dificuldades são inerentes a qualquer administração. Tudo indica o modelo europeu longe de aportar por aqui, mas prevenir e prestar atenção será sempre bom. Numa palavra, resistir.

PARA EVITAR O NÓ

O impasse não atinge apenas São Paulo. Rio, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, qual a capital ou grande cidade que não se encontra sufocada pelo tráfego cada vez maior? Até em Brasília já se registram vastos engarrafamentos, para não falar na crescente falta de vagas para estacionar nas ruas do centro e da periferia. Continuando as coisas como vão, logo um imenso nó urbano irá sufocar a vida do cidadão comum. �

Há uma causa principal, por mais amargo que seja reconhecê-la: o vertiginoso aumento do número de veículos particulares. Ninguém resiste ao apelo da propaganda das montadoras, nem mesmo às ilusórias promessas de preços ditos baixos. Junte-se a situação precária dos transportes coletivos e se terá a receita da obrigatoriedade de se cair em tentação.

O diabo é o nó. Ainda que as autoridades municipais, estaduais e federal demonstrassem extrema competência no uso de recursos públicos, aplicando-os em novas avenidas, túneis e viadutos, milagres não aconteceriam.

Fazer o quê? Restringir a produção da indústria automobilística seria gerar o desemprego em massa. Maldade também seria aumentar impostos para elevar os preços dos veículos, tornando difícil sua aquisição pela maior parte da população. A saída só pode estar em investimentos maciços em transportes coletivos. �

LEMBRANÇAS OPORTUNAS

Sexta-feira, ao presidir sessão do Senado como o mais antigo em plenário, Pedro Simon aproveitou para fazer justiça a Itamar Franco. Lembrou que na presidência da República, o colega mineiro deu sucessivas provas de não tergiversar nem tolerar a corrupção porventura praticada à sombra de seu governo. Demitiu ministros e altos funcionários acusados de irregularidades, mandando-os se defender. Inocentados, voltavam com tapete vermelho, situação que beneficiou Henrique Hargreaves, chefe da Casa Civil.

Itamar, emocionado, evitou lembrar episódios de seu período de governo elogiados por Simon, mas lançou uma farpa sobre Dilma Rousseff. Disse que os atuais detentores do poder chegam a perder o prumo diante de uma inflação de 5% ao ano, quando ele enfrentou 4%. Ao dia…

NÃO VAI PASSAR

A lei ficha limpa foi aprovada por unanimidade no Senado e, na Câmara, pouquíssimos deputados votaram contra. O presidente Lula a sancionou imediatamente. Exultantes ficaram não apenas o milhão e quinhentos mil populares que assinaram o projeto, mas a população inteira. A decisão do Supremo Tribunal Federal, sem a emissão de juízos de valor, frustrou todo mundo. Esse sentimento não vai passar, ainda que junto com ele venha crescendo a desilusão nacional diante das instituições públicas. Ainda mais porque o Tribunal Superior Eleitoral havia sido amplamente favorável à aplicação imediata da lei, já para as eleições de 2010.

Fonte: Tribuna da Imprensa

Depois de dizer horrores de Lula e Dilma, agora Indio da Costa quer entrar no PSD de Kassab e apoiar o governo. Segue o exemplo de Eduardo Paes e Ged

Depois de dizer horrores de Lula e Dilma, agora Indio da Costa quer entrar no PSD de Kassab e apoiar o governo. Segue o exemplo de Eduardo Paes e Geddel Vieira Lima.

Carlos Newton

Quem demonstra grande amadurecimento, no mau sentido, e realmente está aprendendo a ser um político de verdade é o ex-deputado federal Indio da Costa, do DEM, que foi candidato a vice-presidente na chapa do tucano José Serra e participou ativamente da campanha.

Acredite se quiser, o jovem silvicola, que na disputa eleitoral fez as mais duras críticas a Lula e à candidata petista Dilma Rousseff, agora já anuncia que pode deixar o DEM para entrar no novo PSD de Gilberto Kassab e Afif Domingos. Traduzindo: Índio da Costa também quer aderir ao governo, pois esta é a proposta de Kassab-Afif.

Acredito que Indio da Costa esteja se mirando no exemplo de Eduardo Paes, que quando estava no PSDB vivia criticando Lula e depois teve de engolir tudo, para ganhar apoio do PT e se eleger prefeito do Rio pelo PMDB. Outro exemplo para Indio da Costa é o ex-deputado baiano Geddel Vieira Lima, que também disse horrores do então presidente Lula, depois engoliu o sapo barbudo para ser ministro da Integração Nacional, e agora joga todas fichas numa nomeação para a Diretoria da Caixa Econômica Federal, que não sai nunca e o está levando à loucura.

Figuras exóticas como Geddel, Paes e Índio da Costa são exemplos do modelo brasileiro de fazer política. Sem ideias próprias e se adaptando a qualquer situação, apenas para ficar no poder ou junto a ele.

Fonte: Tribuna da Imprensa

A política brasileira vive um momento de confusão mental, tipo Samba do Crioulo Doido

Carlos Newton

Na festa de lançamento da criação do novo PSD (Partido Social Democrático), em Salvador, a maior surpresa foi a intensa participação do deputado federal Protógenes Queiroz, (PCdoB-SP), que foi saudado pelo prefeito Gilberto Kassab, de São Paulo, e integrou a mesa principal no ato.

Protógenes ganhou notoriedade por sua atuação como delegado da Polícia Federal na Operação Satiagraha, em 2008. Por determinação do delegado, o banqueiro Daniel Dantas chegou a ser preso duas vezes, sob acusação de corrupção e lavagem de dinheiro.

Mas Protógenes acabou afastado das investigações, por vazamento de informações e outras irregularidades no exercício da função. Candidatou-se a deputado federal pelo PCdoB paulista e acabou eleito com a sobra de votos de Tiririca (PR-SP), da mesma coligação, o que lhe garantiu alcançar o quociente eleitoral.

Mas o que é um parlamentar declaradamente comunista faz na festa organizada por um prefeito que está abandonando o DEM e seu mentor tucano José Serra para aderir ao governo e cair nos braços da presidente da República?

Apesar de não fazer parte do grupo chamado a discursar e a assinar o manifesto de criação do partido, Protógenes estava completamente à vontade. Disse que não irá se filiar na legenda no momento. Mas garantiu que irá para o PSD caso Kassab o convide para ser candidato a prefeito de São Paulo em 2012.

Como se vê, o delegado Protógenes começou muito bem na política. De início, declara-se comunista, mas logo após assumir o mandante ele se alia ao primeiro direitista que passa à sua frente, e estabelecendo uma condição, como todo político faz.

Aparentemente, Protógenes pretende ser prefeito de São Paulo, mas na verdade quer apenas aparecer e ganhar visibilidade, para se reeleger deputado mais facilmente em 2014, já que tem dúvidas de que Tiririca seja novamente candidato. Como se vê, o delegado rapidamente aprendeu a ser político. Isso é que é talento.

O mesmo acontece com Indio da Costa, o ex-deputado do DEM que foi vice na chapa de José Serra. Na campanha eleitoral, dizia horrores de Lula, de Dilma e do PT. Agora estão aderindo ao partido de Kassab, ou seja, caindo nos braços dos governantes que tanto tentou destruir. nada como um dia após o outro.

Resumindo: os partidos não valem nada. Extraindo-se as exceções de praxe, são amontoados de espertalhões, de olho dos recursos públicos. A relação oficial do Tribunal Superior Eleitoral registra a existência de 27 partidos no Brasil, funcionando e recebendo generosos recursos públicos do Fundo Partidário.

Já existem outros 30 legendas em processo de organização, das quais 9 já conseguiram se oficializar em Tribunais Regionais Eleitorais, mas ainda estão pleiteando o registro nacional. No meio dessa abundância partidária e eleitoral, estão surgindo o Partido Militar Brasileiro (PMB)e o Partido Novo (PN), que teve o estatuto publicado no “Diário Oficial da União” no dia 17 de fevereiro, e pode ser chamado também como Partido dos Empresários. Formado por um grupo de executivos desiludidos, o que se pretende é um partido “sem políticos”, que possa levar práticas da iniciativa privada para a vida pública”.

Incluindo o PSD de Kassab e Afif Domingos, passam a existir 27 partidos já registrados e outros 33 em formação, num total de 60. Aonde vamos parar, Francelino Pereira? Que país é esse? Ora, é o país onde qualquer um pode montar um partido político e usar à vontade as verbas públicas do Fundo Partidário.

Fonte: Tribuna da Imprensa

sábado, março 26, 2011

Ficha Limpa pode demorar uma década para entrar em vigor

Agência Estado

Brasília - Depois de anular o efeito da Ficha Limpa sobre as eleições do ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) caminha para outro debate e julgamento que podem adiar a entrada da lei em vigor por cerca de uma década. Os próximos julgamentos do STF sobre Ficha Limpa indicam que dificilmente a lei deve valer integralmente para as próximos eleições, o pleito municipal de 2012, quando vão ser escolhidos os prefeitos e os vereadores.

A Constituição brasileira diz expressamente, no artigo 5º, que “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória” - o artigo faz parte do capítulo I, o dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos da Carta.

O STF, diante de questionamentos sobre o alcance do artigo, estabeleceu que o cumprimento de uma punição só começa quando o réu esgota todas as possibilidades de recurso ao Judiciário (transitado em julgado). Se os ministros entenderem que a inelegibilidade prevista na Ficha Limpa é uma pena e não uma sanção, como argumentam alguns deles, a lei poderá perder uma das suas principais inovações.

Ministros do STF consultados pelo Grupo Estado lembraram que um processo demora muito para acabar de forma definitiva. A duração depende da complexidade do caso e do juiz ou tribunal que o julga, mas, como disse um ministro, “há processos que demoram uma década”.

Se o entendimento da maioria dos ministros for na linha de que o artigo 5º também se aplica para as cláusulas de inelegibilidade, isto é, que os candidatos e parlamentares também têm direito a esgotar por completo os recurso ao Judiciário, então a Lei da Ficha Limpa só poderá ser aplicada depois que o processo esgotar todas as instâncias do Judiciário. Em outras palavras: até que se esgotem os processos em curso, o que pode levar, em média, uns dez anos, nenhum político será alcançado pela Ficha Limpa.

Mesmo não tendo tratado especificamente de casos envolvendo políticos, em fevereiro de 2009 o Supremo decidiu, por 7 votos a 4, que condenados pela Justiça têm o direito de recorrer em liberdade. Enquanto houver recurso pendente de julgamento, portanto, não poderiam ser punidos.

O debate à época, no julgamento de um habeas corpus, era para saber se o Brasil deveria adotar ou não o princípio da execução provisória, isto é, se uma pessoa deve começar a cumprir pena depois de a condenação ter sido confirmada pela segunda instância do Judiciário (Tribunal de Justiça ou Tribunal Regional Federal).

Contradição - Apesar dessa certeza jurídica, o presidente do STF, ministro Cezar Peluso, já defendeu uma mudança radical no andamento de processos: depois de condenado na segunda instância, o réu começaria a cumprir pena, independentemente de haver recursos à espera de julgamento em outras instâncias.

Essa proposta até já foi negociada com o ministério da Justiça, o que pode levar à confecção de uma Proposta de Emenda Constitucional. Em entrevista em dezembro do ano passado, Peluso afirmou: “O Brasil é o único país do mundo que tem, na verdade, quatro instâncias recursais”.

Apesar da proposta, no julgamento da Lei da Ficha Limpa o ministro foi numa direção oposta à alteração na Constituição. Ele fez severas críticas ao trecho da Ficha Limpa que torna inelegível quem for condenado em segunda instância, por exemplo.

O ministro Peluso argumentou ser inconstitucional esse trecho justamente porque o candidato ainda poderia ser inocentado nas instâncias superiores. No julgamento de fevereiro de 2009, Peluso estava entre os ministros que argumentaram que isso atentaria contra o princípio da presunção da inocência. "Não consigo conceber um processo justo onde se aplique a alguém, pelo mero fato de ser réu, medida gravosa e de caráter irremendável, como é a privação de sua liberdade”, afirmou Peluso em 2009. “Um processo que permita execução provisória de pena, sem juízo definitivo de condenação (...), sem reconhecimento definitivo de culpa, decididamente pode ser legal, mas justo não é, e, não sendo justo, não é processo que atenda ao princípio constitucional”, disse.

Fonte: A Tarde

O ataque à Líbia: uma impostura criminosa

O ataque à Líbia: uma impostura criminosa

Danilo Zolo

O vento de revolta que sopra sobre os países do Maghreb e do Mashrek, da Tunísia à Líbia, ao Egito, ao Iémen e ao Bahrein, não anuncia uma nova primavera para as populações árabe-muçulmanas. A liberdade, a democracia, a justiça, um mínimo de bem-estar são um sonho ainda muito longínquo. Os seus inimigos são poderosos. A guerra que desencadearam os aliados europeus, França e Grã-Bretanha, com os Estados Unidos contra a Líbia é a prova da sua vontade de por sob o seu controle a área mediterrânica, todo o Golfo e, em perspectiva, a África.

A exaltação dos direitos humanos, a garantia da segurança e da paz, são pura retórica, uma enésima impostura sanguinária após as agressões trágicas contra o Iraque e o Afeganistão e após os massacres que o Estado de Israel – aliado muito estreito dos EUA – efetua e continua a efetuar contra o povo palestino.

Os Estados Unidos, desta vez numa confusão aberta com seus aliados e provavelmente no interior da sua própria administração, tentam com grande esforços esconder a sua vocação neo-colonial e neo-imperial sob o hábito da enésima intervenção humanitária. A violação desenvolta da Carta das Nações Unidas e a utilização oportunista do Conselho de Segurança das Nações Unidas são a prova da sua irreprimível vontade de poder.

Repete-se à letra o modelo da agressão criminosa da NATO contra a Sérvia em 1999, desejada pelo presidente Clinton para a “libertação” do Kosovo. Tratou-se de uma intervenção “humanitária” que massacrou, a partir do céu, milhares de pessoas inocentes. Mesmo uma leitura rápida da resolução 1973 de 17 de Março, com a qual foi decidida a “zona de interdição de voo” contra a Líbia, é suficiente para encontrar uma violação gravíssima da Carta das Nações Unidas, além da do direito internacional geral.

A violação da Carta é evidente se se pensa que a cláusula 7 do artigo 2 estipula que “nenhuma disposição do presente Estatuto autoriza as Nações Unidas a intervirem em questões que pertencem à competência interna de um Estado”. É portanto indiscutível que a “guerra civil” da competência interna da Líbia não é um acontecimento de que o Conselho de Segurança se possa ocupar militarmente.

Além disso, o artigo 39 da Carta das Nações Unidas prevê que o Conselho de Segurança pode autorizar a utilização da força militar só após ter verificado a existência de uma ameaça internacional à paz, uma violação da paz ou um acto de agressão (da parte de um Estado contra outro Estado).

Trata-se, portanto, de uma segunda razão, absoluta, que torna criminoso o massacre de pessoas inocentes que os voluntaristas aliados europeus e os Estados Unidos se preparam para fazer na Líbia. E cobre de vergonha o governo italiano empenhado, com as suas bases e seus aviões militares, em contribuir para derramar o sangue de povo de que ele enfaticamente declarava-se amigo até às últimas semanas. Já não há qualquer sentido em servir-se – como o faz em várias ocasiões a resolução 1973 do Conselho de Segurança – da dita “responsabilidade de proteger” (Responsability to protect).

Trata-se da muito contestada resolução 1674 de 28 de Abril do Conselho de Segurança. Em caso de violação grave confirmada dos direitos humanos por parte de um Estado, o Conselho de Segurança – sustenta-se – pode declarar que se trata de uma ameaça à paz e à segurança internacional. E pode assim adotar todas as medidas militares que julgar oportunas.

Não há necessidade de gastar muitas palavras para argumentar que o Conselho de Segurança não é competente para dar origem a novas normas de direito internacional. E também é evidente que a “guerra civil” interna na Líbia não representava e não representa uma ameaça à paz e à segurança internacional, como de resto cinco membros do Conselho de Segurança (Alemanha, Rússia, Índia, China e Brasil) sustentaram implicitamente ao recusar votar a favor da resolução.

Além disso, estes deploraram a agressão que a França, Inglaterra e Estados Unidos desencadearam contra a população líbia em nome da vigilância sobre os direitos humanos. Assim como a Liga Árabe que sustentou que, de qualquer modo, seu objetivo é “salvar os civis e não matar outros”. Doravante é evidente que outras vias podiam ser tomadas para a busca de uma mediação e para uma solução do conflito.

Até há pouco tempo estávamos convencidos de que os Estados Unidos haviam mudado de rosto graças ao novo presidente Barack Obama. Mas atualmente estamos certos de que o rosto não basta e que pode mesmo servir de máscara, como mostram a continuidade da guerra no Afeganistão, o silêncio aquiescente sobre o desastre do povo palestino, o encerramento falhado – apesar de prometido – de Guantanamo. Tudo a propósito de direitos humanos.

Nada mudou na estratégia hegemónica dos Estados Unidos e isso terá consequências muito graves exatamente em relação ao povo líbio que pareceu querer salvar-se da violência de um ditador. É fácil prever que a guerra não cessará enquanto Kadafi não for feito prisioneiro ou morto (tal como o líder iraquiano Saddam Hussein foi enforcado pela vontade do presidente dos Estados Unidos George W. Bush). E também é fácil prever que, acaba a guerra, os Estados Unidos exercerão o seu poder para garantir o controle da Líbia – ou do “Estado” da Cirenaica, tal como controlam hoje militarmente e estrategicamente o Kosovo – para explorar seus recursos energéticos muito ricos, tal como ocorreu no Iraque.

Esta é, e será, a “guerra justa” do Mediterrâneo de Barack Obama e da “falcoa” Hillary Clinton.

Danilo Zolo é Professor de Filosofia do Direito
Internacional na Universidade de Florença.
Este artigo foi publicado originalmente em
Il Manifesto , edição de 22/Março/2011.

Fonte: Tribuna da Imprensa

Além do artigo 16

Carlos Chagas

Desperta consequências a decisão do Supremo Tribunal Federal de fidelidade absoluta ao artigo 16 da Constituição, sobre “a lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação, não se aplicando à eleição que ocorra até um ano da data de sua vigência”. Pela aplicação rígida desse princípio, a lei ficha limpa foi para o espaço, ou melhor, deixou de valer para as eleições do ano passado, beneficiando uns tantos candidatos que, mesmo eleitos, haviam tido suas candidaturas impugnadas pelos tribunais eleitorais do estados, não sendo diplomados ou não tomando posse. Com todo o respeito, a moralidade política retroagiu não um ano, talvez muitos, pois já se contesta a própria existência da lei ficha limpa para 2012. �

Mas a pergunta principal, hoje, é restrita. Por que só o artigo 16 deve ser blindado e garantido? Não será a Constituição um corpo sólido e uniforme, precisando ser cumprida do primeiro ao último artigo?

Alinhar quantos princípios constitucionais tem sido ignorados ou não cumpridos fica para alguma tese de doutorado, daquelas capazes de enlouquecer os autores candidatos a constitucionalistas. Vale examinar apenas aquilo que mais de perto nos diz respeito, o Capítulo V do Título VIII, da Comunicação Social”. Se é para cumprir os seus dispositivos, haja trabalho para o Supremo Tribunal Federal.

No artigo 220 lê-se que “a manifestação de pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo, não sofrerão qualquer restrição”. Há quantos anos o jornal “O Estado de S. Paulo” está proibido de divulgar atividades e peças do processo movido contra o empresário Fernando Sarney, acusado de irregularidades?

Se, conforme o parágrafo primeiro, “nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social”, onde se baseou a justiça para determinar a censura? Na própria Constituição não será, por ela proibir o anonimato, assegurar o direito de resposta, resguardar a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas. Porque foi aberto um processo pelo Ministério Público contra o referido cidadão, sendo todos iguais perante a lei. Estaria o filho do presidente do Senado acima dela? Se é para cumprir a Constituição, cabe ao Supremo suspender a censura ao matutino paulista, tendo em vista a inexistência de argumentos capazes de embasar o “segredo de justiça”.�

Mas tem mais. O parágrafo terceiro do mesmo artigo, número II, diz competir à lei federal estabelecer os meios legais que garantam à pessoa e à família a possibilidade de se defenderem de programas e programações de rádio e televisão que contrariem o respeito aos valores éticos e sociais.�

Há notícia de que o STF cobrou alguma iniciativa para dar cumprimento ao texto constitucional? Ou substituiu o Legislativo, como aconteceu em outras situações, inclusive eleitorais, legislando no vácuo do Congresso? Famílias e pessoas continuam à mercê de um lixo de vastas proporções, sem que a Constituição seja aplicada em sua defesa.

O mesmo número II também exige providências diante da propaganda de produtos, práticas e serviços que possam ser nocivos à saúde e ao meio ambiente. Mesmo diante de consultas e mandados de segurança impetrados desde 1988, ignora-se a menor reação da cúpula do Poder Judiciário frente a publicidades abusivas mentirosas.

Ainda mais. No parágrafo quinto, nossa lei maior impõe que os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio. Não fosse falta de respeito e recomendaríamos aos meretíssimos aquela exclamação que mestre Hélio Fernandes costuma inserir em seus comentários críticos: “Há! Há! Há!”

Outro dispositivo constitucional até hoje abandonado dispõe que a produção e programação das emissoras de rádio e televisão atenderão aos princípios de preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas. Onde incluir nessas exigências boa parte do abominável conteúdo vomitado pelas telinhas, microfones e páginas de jornais e revistas? Afinal, eles educam através do deboche, dedicam-se à arte por meio da pornografia, confundem vício com cultura e informam estimulando o crime e o curandeirismo.

Será mesmo, como manda o artigo 222, que a propriedade de empresa jornalística e de rádiodifusão sonora e de sons e imagens é privativa de brasileiros natos e naturalizados há mais de dez anos? A divulgação de conteúdo informativo passou a empresas estrangeiras, mas disso o Supremo não cuida.

O tal Conselho de Comunicação Social previsto no artigo 224 foi estrangulado até a morte por obra e graça da mesa do Senado Federal e da falta de uma regulamentação efetiva.�

Quem fará cumprir a Constituição, nesses aspectos hoje limitados à Comunicação Social, senão o Supremo Tribunal Federal, agora vestido na armadura de cavaleiro andante, defensor da virgindade da donzela que habita o artigo 16?

Fonte: Tribuna da Imprensa

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