sexta-feira, março 18, 2011

Arruda diz à Veja que ajudou campanha de ACM Neto, deputado nega

Com informações do Política Livre

O ex-governador José Roberto Arruda, que era filiado ao DEM, deu uma entrevista à revista Veja, onde coloca na berlinda antigos aliados democratas. A metralhadora de Arruda atinge antigos e novos membros da Executiva e deputados de vários estados. O ex governador do Distrito Federal afirmou que, por ser o único governador democrata, conseguia recursos para candidatos em todo o país e empregava apadrinhados políticos dos seus ex-correligionários.

Além disto, Arruda sugere que os recursos da quadrilha que agia no Distrito Federal foram repartidos entre ex-colegas de partido. Perguntado se os recursos foram contabilizados pelo DEM, Arruda disse não saber e que a reportagem questionasse o ex-presidente da legenda, Rodrigo Maia.

Entre os candidatos a prefeito beneficiados, Arruda cita o deputado federal ACM Neto (DEM). “O senhor ajudou mais algum deputado? O próprio Rodrigo Maia, claro. Consegui recursos para a candidata à prefeita dele e do Cesar Maia no Rio, em 2008. Também obtive doações para a candidatura de ACM Neto à prefeitura de Salvador”, perguntou a revista e respondeu o ex-governador
Em entrevista ao Política Livre, do repórter especial da Tribuna, Raul Monteiro, o deputado ACM Neto chamou de fantasiosa a versão apresentada por Arruda. “Parece que nem os dois meses de prisão foram suficientes para o Arruda deixar a mentira de lado”, afirmou ACM Neto. O parlamentar acrescentou que vai encaminhar um requerimento à Polícia Federal e ao Ministério Público solicitando que a sua prestação de contas na disputa para a Prefeitura de Salvador seja, mais uma vez, examinada.

“O ex-governador Arruda nunca contribuiu diretamente ou indiretamente com a minha campanha”, acrescentou o líder do DEM na Câmara. “As minhas contas foram aprovadas em todas as instâncias da Justiça Eleitoral porque sempre agi dentro de princípios éticos e morais, ao contrário de José Roberto Arruda, um dos chefes do esquema de corrupção que envergonhou os brasileiros há pouco tempo”, acrescentou.
Fonte: Tribuna da Bahia

Obama escolhe Cinelândia para lembrar Passeata dos Cem Mil

Pedro do Coutto

Ao escolher a Cinelândia, no centro do Rio, como palco principal para seu encontro com o povo nas ruas, o presidente Barack Obama sem dúvida procurou – e fixou – um forte símbolo democrático do passado recente. Não foi por acaso. Um presidente da república não age por impulsos isolados. Nada disso. Preferiu a Cinelândia porque, em junho de 68, marcou o desfecho da memorável passeata dos cem mil contra a violência e o arbítrio da ditadura militar brasileira.

Assim agindo, Obama solidariza-se com o passado e acentua seu repúdio aos regimes de força. Foi um recado histórico que mandou ao povo brasileiro. E, ao mesmo tempo, realçou indiretamente a participação da hoje presidente Dilma Rousseff no processo romântico de reação armada ao peso do poder então vigente.

O presidente americano retornou ao passado para destacar no presente sua total rejeição e seu total repúdio às ditaduras, não só as existentes de fato no continente, mas sobretudo no universo. Não poderia haver melhor cenário do que o Brasil para uma afirmação de fé no sentido da liberdade e da democracia. Em nosso país, vemos hoje na dimensão histórica que só o tempo proporciona o quanto grotesco foi o episódio do ex-presidente Juscelino sendo interrogado pelo coronel Ferdinando de Carvalho no quartel da Polícia do Exército. Isso sem falar na estupidez da tortura, o que de mais hediondo existe na face da terra. Tortura inclusive a que foi submetida a atual presidente do Brasil.

No Rio de Janeiro, por exemplo, militares e policiais espancavam os estudantes nas manifestações que realizavam. Estavam espancando o futuro como se a vida de uma nação acabasse no dia seguinte.

Não tenho informação, porém me vem a impressão, que Barack Obama decidiu pela Cinelândia com base na foto histórica de Evandro Teixeira que transmitiu a densidade e a força do protesto que reuniu a juventude universitária, Dom José Castro Pinto, Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro, artistas, professores, jornalistas, intelectuais, rostos na multidão, todos unidos na eterna luta do ser humano pela liberdade. Provavelmente a foto do tempo foi levada a ele, pois há 43 anos atrás era uma criança.

A foto ficou para sempre. A ditadura brasileira foi destroçada pelos fatos, como escreveu Elio Gáspari em sua obra sobre a ascensão e queda do ciclo dos militares no poder. Ascensão e Queda – estou me referindo a outro monumento da literatura histórica moderna, William Schirer, sobre o nazismo na Alemanha de Hitler. O jornalista foi correspondente do New York Times em Berlim.

Testemunha do tempo, como todos nós, profissionais da imprensa, que se empenham para ir ao encontro dos leitores que formam um gigante chamado opinião pública. Evandro Teixeira um exemplo. Sua foto na primeira página do Jornal do Brasil marcou um período da vida em nosso país. Agora, passa às mãos, aos olhos, à sensibilidade política do presidente Barack Obama. Na Cinelândia, no domingo, vai se encerrar mais um capítulo do esforço e da afirmação do povo pelo direito à liberdade. Pelo direito de votar , que foi suprimido pela ditadura de 64 a 79.

Faço a ressalva indispensável. Porque em agosto de 79, o general João Figueiredo assinou a lei de anistia. E, três anos depois, restabeleceu as eleições diretas para governador. Base para a campanha pela volta das eleições presidenciais diretas e pelo fim da censura, prática que vem das trevas e inevitavelmente conduz a elas.

Optando pelo centro do Rio, Obama encerra brilhantemente um capítulo da história. Não só brasileira. Mas universal. Esta a sua verdadeira mensagem. Mensagem que vai permanecer para sempre como um alto momento da consciência humana.

Fonte: Tribuna da Imprensa

O Ministério do Silêncio

Carlos Chagas

“Dos ofuscados” seria até agora o rótulo ideal para o primeiro ministério de Dilma Rousseff. Ou quem sabe o ministério “do silêncio”. Escreve-se “primeiro” porque são poucas as chances de certos ministros durarem muito.

Ao longo dos anos já tivemos o ministério “da experiência”, de Getúlio Vargas, o ministério “de Wall Street”, de Café Filho, o ministério “pé-de-valsa”, de Juscelino Kubitschek, o ministério “da frustração”, de Jânio Quadros, o ministério “da união nacional”, de João Goulart, nos primeiros dois anos do governo parlamentarista, e depois o ministério “posto em frangalhos”, até o golpe militar de 1964.

Para não perder o embalo, vieram o ministério “da direita envelhecida”, com Castelo Branco, o ministério “da contradição”, com Costa e Silva, o ministério “da repressão”, com Garrastazu Médici, o ministério “das cabeças baixas diante do mestre”, com Ernesto Geisel, e o ministério “das tentativas frustradas”, com João Figueiredo.

A redemocratização trouxe o ministério das esperanças perdidas”, de Tancredo Neves, que passou a José Sarney. Fernando Collor formou um ministério “apagado” até que, tarde demais, convocou o ministério “dos luminares”, iniciativa incapaz de salvá-lo da degola. Com Itamar Franco assistimos outra vez o ministério “da união nacional”, sucedido pelo ministério “da alienação da soberania brasileira”, de Fernando Henrique.

O ministério do Lula ainda carece de definições sólidas, pela proximidade de sua atuação, mas bem que poderia ser o ministério “das contradições desimportantes”. O ministério de Dilma, mesmo sem completar dois meses, ameaça aproximar-se do ministério do general Ernesto Geisel, ou seja, o ministério dos ministros que não existem nem precisam existir, ofuscados pela personalidade de quem parece, no palácio do Planalto, a ministra de todas as pastas, a diretora de todos os departamentos e a chefe de todas as seções do serviço público.

É aquela já repetida história: a madre superiora do convento quer todas as noviças executando hinos sacros sem a menor discrepância na partitura nem agudos distoantes diante da batuta. Como alguns ministros nem conseguem tocar flauta ou bater o bumbo, imagina-se que logo sejam substituídos. �

INIMIGOS POUCO ÍNTIMOS

À medida em que o tempo passa, mais se acirram as opiniões de Fernando Henrique sobre o Lula e do Lula sobre Fernando Henrique. Quem conversa com os dois, claro que em oportunidades distintas, espanta-se com a agressividade de ambos, um para com o outro. Já se foram os tempos em que imaginaram aproximar a social democracia do trabalhismo, ou seja, um aliança do PSDB com o PT.�

Mais longe ainda ficou aquele episódio em que o Lula, presidente do PT, visitou Fernando Henrique, presidente da República, no palácio do Planalto. Hoje parece fantasia lembrar que o sociólogo, todo cheio de mesuras, pediu ao torneiro-mecânico para sentar-se por alguns momentos na cadeira presidencial, acentuando que um dia iria ocupá-la por força da vontade nacional. Aliás, o Lula sentou, nas duas vezes.�

Pelo que se ouve, Fernando Henrique não perdoa a popularidade do sucessor. E este irrita-se com a respeitabilidade doutoral do antecessor…

INTRIGA INTERNACIONAL�

Deve cuidar-se o Lula com as palestras que começou a realizar pelo mundo afora. Aos seus inimigos históricos estão se reunindo desafetos recentes, daqueles que imaginam nada mais ter a aproveitar dele. Os dois grupos questionam a impossibilidade de alguma empresa nacional ou estrangeira, sequer entidades internacionais beneficentes gastarem 200 mil dólares para ouvir palestras de menos de uma hora do ex-presidente, sobre experiências de governo que a imprensa já se cansou de divulgar, por oito anos. Maliciosamente, começam a espalhar que nem Bill Clinton recebe tanto, muito menos Fernando Henrique Cardoso.

Assim, o alto valor pago pelas conferências serviria para justificar recursos não contabilizados do ex-chefe do governo. Trata-se de intriga solerte que seria bom matar na nascedouro, cortando as garras e os bicos dessas aves de rapina travestidas com a plumagem de tucanos. Bastaria tornar públicos os contratos de prestação de serviços, os depósitos bancários e, se possível, o texto de suas palestras.

Fonte: Tribuna da Imprensa

Em plena crise nuclear, o ministro de Minas e Energia irresponsavelmente defende a construção de mais 4 usinas no Brasil. Por que não te calas, Lobão?

Carlos Newton

Até o acidente de Chernobyl, na Ucrânia, a energia nuclear era considerada o método de geração mais seguro, na comparação com hidrelétricas e termoelétricas. Os defensores do uso da opção nuclear apresentavam dados impressionantes, mostrando os milhares de mortes por rompimento de represas de hidrelétricas e a poluição causada pelas termoelétricas, movidas por queima de óleo combustível, carvão, madeira e outros materiais. Chegavam a argumentar que uma usina nuclear seria tão segura quanto um avião que não levantasse vôo, vejam só o exagero.

Houve outros acidentes antes de Chernobyl, mas nenhum de expressiva gravidade. O primeiro caso preocupante, em 28 de março de 1979, ocorreu na usina nuclear de Three Mile Island, nos Estados Unidos. Foi causado por falha do equipamento devido o mau estado do sistema técnico, agravada por erro operacional, com decisões e ações erradas tomadas por funcionários despreparados. Mas nao morreu ninguém.

Chernobyl, em 26 de abril de 1986, foi um fato concreto. Um relatório das Nações Unidas, divulgado em 2005, atribuiu 56 mortes até aquela data – 47 trabalhadores acidentados e nove crianças ucranianas que tiveram câncer da tireóide – e estimou que cerca de 4 mil pessoas também teriam morrido de doenças relacionadas com o acidente. Foram muito mais, mas ficaram ocultas pela censura à imprensa soviética. Além disso, a nuvem radioativa atingiu a Europa, ninguém sabe quantas pessoas foram atingidas em outros países e tiveram sequelas.

Mas os defensores da energia nuclear insistiram, argumentando que o acidente era fruto da desorganização e da corrupção da antiga União Soviética, o que não deixava de ser verdade. Criou-se então um mito – as usinas soviéticas e da Cortina de Ferro não eram confiáveis, mas no resto do mundo a energia nuclear continuava sendo a mais segura e econômica, já que os geradores podem ser instalados junto ao centro consumidor, sem maiores gastos em linhas de transmissão, como é caso de Angra dos Reis, que abastece Rio e São Paulo.

Mas agora, com o acidente no Japão, um país mais do que acostumado com terremotos, o cenário muda completamente, mostrando a fragilidade do sistema. E o uso da energia nuclear passa a ser praticamente indefensável, diante do risco em potencial. Países como Japão, França ou Alemanha não têm alternativa. Estão condenados ao uso da energia nuclear, o que envolve não somente os riscos de acidentes nucleares, mas também a questão do lixo atômico, que vai se acumulando inexoravelmente, deixando o gravíssimo problema para as próximas gerações resolverem.

Mas países como o Brasil têm de colocar o pé no freio e repensar sua política energética. E o que acontece? O ministro de Minas e Energia, Edson Lobão, com aquela irresponsabilidade que Deus lhe deu, se apressa em dizer que o Brasil vai construir mais quatro usinas nucleares. Por que não te calas, Lobão?

Será que o pai do Lobinho sabe que, em termos de geração de energia, o Brasil é um dos países com mais alternativas? O potencial hidrelétrico de grandes aproveitamentos está longe se esgotar, sem falar do que pode ser gerado em termos de médias e pequenas usinas. Existe também potencial termoelétrico com uso de bagaço de cana e rejeitos de madeira, as possibilidades são múltiplas, mas nestes casos é necessário instalar filtros de poluição.

Há, por fim, excelentes alternativas limpas, como a energia eólica, que começa a ser bem aproveitada no Nordeste e no Sul, e a própria energia solar, cujo uso pode se ampliar expressivamente, de forma secundária, como fonte auxiliar de captação e geração. Tudo é uma questão de interligação de sistemas, uma prática na qual o Brasil já tem grande especialidade.

Angra dos Reis, um dos locais mais aprazíveis do mundo, corre riscos, não há dúvida. Em caso de acidente nuclear (que Deus nos livre), não há sequer um plano confiável de evacuação da cidade, cuja única saída é a rodovia Rio-Santos. As possibilidades de acidente em Angra são bem menores, não só devido à praticamente inexistirem terremotos, mas também devido à excelência da tecnologia das usinas, mas quem pode dar garantias totais?

Vamos manter o Brasil fora disso, mesmo que saia mais caro construir novas hidrelétricas e utilizar fontes alternativas. Vamos nos livrar das novas usinas nucleares. E se for possível, vamos nos livrar do próprio Lobão. Embora isso seja extremamente difícil, dado o prestigio de seu padrinho José Sarney.

Fonte: Tribuna da Imprensa

INSS já paga revisão de benefícios após 2001

  • Ana Magalhães, Gisele Lobato e Luciana Lazarini
    do Agora

    O INSS já está pagando, no posto, a revisão para quem começou a receber um benefício por incapacidade (auxílio-doença, auxílio-acidente e aposentadoria por invalidez) ou a pensão por morte entre 2001 e 2009 e tinha, na época, até 144 contribuições (12 anos). Segundo o Agora apurou, segurados que fizeram o pedido da correção no posto já estão recebendo a diferença e os atrasados (valores referentes aos cinco anos anteriores ao pedido da revisão).

  • Agência deve aceitar o pedido do segurado

A segurada M.E. afirma que recebeu o auxílio-doença acidentário do INSS entre 2002 e 2006. Em dezembro do ano passado, ela pediu a revisão dos benefícios por incapacidade com base em uma reportagem do jornal Agora. Dez dias depois, o INSS respondeu a ela dizendo que a diferença mensal era de R$ 200 e que ela teria direito aos retroativos de 2005 a 2006. Ela recebeu a grana na semana passada.

Já o segurado J.O. recebeu, em fevereiro, um aumento de R$ 60 em seu benefício, mais R$ 1.578,80 de atrasados. O consultor previdenciário Marco Anflor analisou a carta de concessão do leitor e confirmou a revisão. "Ele recebeu, de fato, a revisão das 144 contribuições. O valor recebido pelo segurado é compatível com essa revisão", diz o especialista.

Leia esta reportagem completa na edição impressa do Agora nesta sexta

Fotos do dia

Marina Caz faz ensaio para a revista "Voi" Shakira entrega um violão autografado por ela para Dilma Polêmica camisa preta da seleção brasileira está a venda
Agência na rua Cerro Corá, no Alto da Lapa, onde homem sacou grana antes de ser baleado Mulher reza em culto ecumênico em memória das vítimas do terremoto do Japão Garis pintam grades na favela Cidade de Deus, onde Obama passará em visita ao Rio

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para presidente e governador

quinta-feira, março 17, 2011

STJ confirma que honorários pertencem a advogado, independente de acordo

A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirmou hoje (16), por unanimidade, que os honorários advocatícios de sucumbência pertencem ao advogado e são devidos mesmo que a parte firme um acordo extrajudicial, sem a participação de seu advogado. A votação da matéria foi concluída hoje, quando a ministra Nancy Andrighi apresentou seu voto vista acompanhando o relator, ministro Teori Zavascki, no Recurso Especial (Resp) 1.218.508. Assim, a unanimidade da Corte Especial do STJ entendeu que os honorários advocatícios são devidos, prevalecendo, portanto, o artigo 24, parágrafo 4º da Lei 8.906/94 - que prevê que o acordo feito pelo cliente do advogado e a parte contrária, salvo aquiescência do profissional, não lhe prejudica os honorários, quer os convencionados, quer os concedidos por sentença.

O debate foi travado no exame de um recurso contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, que condenou a Escola Agrotécnica Federal de Barbacena (MG) a pagar os honorários devidos. A recorrente baseou o seu argumento no artigo 6º, parágrafo 2º da Lei 9.469/97 (acrescentado pela Medida Provisória 2.226/01), defendendo que, existindo acordo com a Fazenda Pública, sem a participação do advogado, cada parte deveria arcar com os honorários acompanhado por seus pares.

No dia 2 deste mês, o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, sustentou da tribuna da Corte Especial do STJ- na condição de amicus curiae - que os honorários de sucumbência são verba de natureza alimentar e pertencem ao advogado, conforme o artigo 23 do Estatuto da Advocacia (Lei 8.906/94). Ainda segundo Ophir, a transação realizada sem a presença do advogado constituído não tem o condão de afastar o pagamento da verba honorária.

"A advocacia precisa lutar contra esses procedimentos arbitrários por parte do poder público, que objetiva diminuir a dignidade da advocacia e a importância do advogado e retirar dele uma verba que é sua, com reconhecimento legal e jurisprudencial", afirmou. Outro ponto defendido pelo presidente nacional da OAB em sua sustentação foi o fato de que o Estatuto da Advocacia, que fixa que os honorários de sucumbência pertencem ao advogado, é lei especial, que não poderia ser afastada por uma lei ordinária, como desejou a Escola Agrotécnica Federal de Barbacena, no recurso rejeitado à unanimidade pela Corte do STJ.

Fonte: OAB (http://www.oab.org.br/noticia.asp?id=21559)
Fonte: Clicksergipe

Exclusivo: veja o que Obama vai comer no Brasil

Contratada para preparar a comida nas recepções do presidente dos Estados Unidos em Brasília, a banqueteira Renata La Porta revela ao Congresso em Foco que ele pediu comida vegan

Página pessoal
A banqueteira Renata La Porta revela com exclusividade ao Congresso em Foco o que Barak Obama comerá na sua passagem por Brasília

Fábio Góis

Nada de churrasco. Nada de feijoada. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu comida “vegan”. Isso mesmo: o presidente negro da maior nação do país, conhecida por se entupir de hamburguer, deu instruções para que a sua dieta no Brasil seja mais radical que a vegeteriana. Ou seja: nada do que tenha origem animal entra na alimentação. Nem carne, nem leite, nem ovos.

O veganismo, aliás, observa o direito dos animais pelo ângulo da ética, e os adeptos da filosofia não admitem qualquer exploração ou abuso sobre os exemplares da fauna, seja qual for a espécie.

“Já estamos programando um cardápio vegan. O vegan não come nenhum tipo de produto animal. Nem mel, nem ovo, nem queijo. Nada”, revelou ao Congresso em Foco, com exclusividade, a responsável pelos comes e bebes da visita presidencial norte-americana, neste fim-de-semana, a empresária de gastronomia Renata La Porta, dona de um dos mais requisitados buffet da capital federal. Só a comitiva de Obama terá 200 pessoas, entre políticos, empresários, jornalistas, profissionais de inteligência e agentes de segurança. Além, é claro, das mulheres do presidente (a mulher e suas duas filhas).

Em entrevista concedida em seu escritório no Lago Sul, bairro nobre de Brasília, Renata adiantou à reportagem detalhes da cozinha para o primeiro dia da visita de Obama ao Brasil, no próximo sábado (19). No dia seguinte, a comitiva norte-americana partirá para o Rio de Janeiro, onde um discurso do presidente está previsto na Cinelândia, na zona central da cidade. Aí, já não é mais com ela.

E o que comerá Michelle Obama, a bela e esbelta esposa do presidente? “Não sei te falar. A orientação que recebemos foi de que o cardápio que será servido onde ele estará tem de ser 100% vegan. Então, acredito que ela também seja. Não nos foi solicitado que seja uma parte [do cardápio] vegan e a outra, não”, acrescenta Renata, que trabalha com a estimativa de que, reunindo os quatro eventos da visita, 2 mil pessoas consumam seus produtos.

“Foi pedido também que houvesse uma mistura com produtos brasileiros. Então, por exemplo, estamos promovendo uma feijoada vegan, com alguns itens especiais como espaguete de palmito pupunha. Uma coisa com pegada brasileira, mas sempre respeitando essa restrição vegan”, completou Renata, referindo-se ao dia de alta gastronomia no Palácio do Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores), no próximo sábado (19).

O termo vegan (a pronúncia é “vígan”) é uma corruptela da expressão inglesa "vegetarian" – suprimindo-se o núcleo da palavra, sobra a junção entre as três primeiras e as duas últimas letras da versão inglesa da palavra “vegeratiano”. Ao invés de animais irracionais, os adeptos do veganismo preferem chamar os demais seres vivos de “não humanos”.

Vegan no Alvorada

Segundo Renata, ao todo serão quatro eventos em que sua equipe de gastronomia servirá os mais diversos cardápios – claro, observando-se as limitações filosóficas de Obama. O único elemento que estará presente em todos eles – aliás, por recomendação do cerimonial da Casa Branca – são sucos naturais tipicamente brasileiros. “Todo o cardápio tem uma pegada brasileira. Além disso, vamos oferecer outras bebidas nacionais.” Inclusive alcoólicas? “Muito pouca coisa. Como são encontros mais de trabalho, haverá muito pouco alcool. No almoço na Confederação Nacional da Indústria [CNI], não haverá álcool algum. Horário de almoço... não é um evento à noite.”

Além do Itamaraty, convescotes relativos à visita presidencial também serão realizados em um hotel de Brasília e na sede da Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), que reunirão empresários de ambos os países. Um deles, o do hotel, reunirá 600 pessoas e é patrocinado pela CNI, cliente habitual de Renata. No pacote, “café da manhã, coffee break, almoço sentado com cinco pratos”. "Vai ser uma coisa bem caprichada”, adianta Renata, que é formada em Administração de Empresas na Europa.

Desde 1998, quando fundou o buffet homônimo e ingressou na atividade conhecida como catering, Renata já serviu a reis, príncipes, magnatas e personalidades diversas. E, na primeira visita de Obama ao Brasil, servirá também à primeira presidenta brasileira. “O outro convite, que partiu do Palácio do Planalto, é para realizarmos um serviço no Palácio da Alvorada, no sábado à noite. Um convite da família da presidenta Dilma para a família do presidente Obama. Vai ser um evento pequeno, restrito, não oficial, de família para família”, informa a empresária.

E o que comerão Dilma e Obama à mesma mesa, já que a presidenta gosta de um bom churrasco gaúcho? “O que eu posso dizer é que será um cardápio de inspiração 100% brasileira, com alguns itens vegan, e extremamente informal. A presidenta Dilma quer uma coisa sem formalidade. Um encontro de família”, adiantou Renata, acostumada a saciar os apetites de políticos de diversos matizes e colorações partidárias. “Tem senadores e deputados extremamente simples em seus gostos, e outros que têm paladares muito rebuscados. O que eu diria é que a maioria sempre gosta de solicitar cardápios que contenham coisas da sua região.”

FBI na cozinha

Segundo Renata, o cardápio sem produtos animais foi a única exigência da Casa Branca quanto ao paladar. Já em relação à segurança, não só à alimentar, o cuidado é máximo. “Isso é típico de todos os dignatários. A gente trabalha com garçons previamente credenciados, só uma parte da equipe é autorizada a chegar perto do presidente”, observou, acrescentando que cada um dos credenciados passam por uma “investigação de bons precedentes”. “Eles fazem uma varredura completa.”

Existe também uma preocupação acerca do acondicionamento dos produtos, bem como em relação à presença dos cozinheiros e dos próprios comensais. “Sempre fechados, água mineral lacrada, para evitar todo e qualquer tipo de perigo. Eles trazem também o degustador deles, vai haver um acompanhamento de agentes da comitiva, dentro da nossa cozinha, que vai liberar a comida do presidente Obama. Isso é praxe”, revela Renata. Cada porção de comida e de bebida, diz, será provada antes por uma pessoa da comitiva – hábito secular que remonta aos provadores que, caso ingerissem algo envenenado, morriam em lugar de reis, rainhas e demais membros da família real.

Low profile

Serão quatro “salas vip” a receber as guloseimas e bebericos de Renata – uma para a comitiva de Obama; uma para a turma da presidenta Dilma Rousseff; uma para empresários; e outra para cerca de 100 jornalistas credenciados no Itamaraty. Mas, a despeito da quantidade de oportunidades, Renata diz que não deve cumprimentar Obama ou quaisquer de seus familiares. “Eu vou estar ralando na cozinha”, brinca, referindo-se à tarefa de cuidar para que tudo saia dentro dos conformes. E não vai querer saber se Obama terá aprovado a comida?

“Eu costumo ter uma postura muito discreta. A não ser que esteja como convidada – o que não é o caso, estou lá para trabalhar –, eu não me sinto no direito de tomar tempo [do cliente em questão]. Jamais peço para tirar uma foto, por exemplo, a não ser que a pessoa ofereça. Acontece muito de o chefe de Estado gostar do nosso trabalho e ir lá na cozinha agradecer”, comentou. “Às vezes, pedem para me conhecer, aí eu vou lá. Eu tomar a iniciativa, não.”

Sobre o fato de ter sido a “escolhida” para prestar o serviço gastronômico, Renata diz que não se sente como tal – até porque, até onde ela sabe, é sua equipe que realiza tais tarefas oficiais em Brasília. “O chefe do cerimonial me disse que queria um buffet à prova de falha, por isso tinha me procurado. Acho que isso é um elogio, não é?”, destacou a empresária brasiliense, profissionalmente precavida. “Eu só gosto de comentar um evento depois que ele aconteceu. Jamais divulgo antes.”

Se depender de Renata, Obama voltará mais bem nutrido para enfrentar a maioria oposicionista no Congresso americano, depois de provar os sucos brasileiros e os petiscos vegan preparados por sua equipe. “Se Deus quiser. Bem alimentado.”

Fonte: Congressoemfoco

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INSS vai pagar revisão do teto ganha na Justiça

Ana Magalhães, enviada especial
do Agora

BRASÍLIA - A partir de maio, os segurados que têm uma ação na Justiça pedindo a revisão do teto poderão antecipar a correção do benefício e o pagamento dos atrasados, já que o INSS deverá deixar de recorrer dos processos favoráveis aos aposentados. Os atrasados são as diferenças relativas aos últimos cinco anos.

Em até dois meses, a AGU (Advocacia-Geral da União) soltará uma orientação para que o INSS deixe de entrar com recursos questionando as decisões judiciais favoráveis à correção. A informação é do advogado-geral da União, Luís Inácio Lucena Adams.

Na prática, sem o recurso, o aposentado pode garantir a revisão na Justiça mais rapidamente, já que ele poderá eliminar essa etapa do processo. Por enquanto, o INSS continua recorrendo dessas decisões na Justiça, de acordo com o advogado previdenciário Diego Franco Gonçalves.

Leia esta reportagem completa na edição impressa do Agora nesta quinta,

Ministro da Justiça confirma que somente serão investigados os crimes dos militares. Para o governo, a luta armada não cometeu crime algum, não matou nem mutilou nenhum inocente.

Carlos Newton

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, deixou bem clara a posição do governo sobre a criação da Comissão da Verdade e mandou um recado direto aos militares que ainda resistem à aprovação do projeto criando esse grupo, enviado ao Congresso em maio de 2010 pelo então presidente Lula.

Questionado sobre a posição do Comando do Exército, que manifestou posição contrária à criação da Comissão da Verdade, com apoio da Marinha e da Aeronáutica, o ministro foi incisivo: “Quem quiser resistir à busca da verdade, o fará nos termos da exposição democrática. A sociedade brasileira hoje quer a verdade. Se alguém é contra, que se expresse. Vamos apoiar esse projeto”.

José Eduardo Cardozo considera que esclarecer os fatos que ocorreram durante a ditadura é um compromisso histórico do governo. “Temos que resgatar essa memória e assumir os erros do Estado no passado, para que isso não mais aconteça”.

Nenhuma palavra do ministro sobre os efeitos negativos da luta armada. Isso significa que o governo está realmente fechado em torno da blindagem dos crimes cometidos pelos guerrilheiros e terroristas que lutaram contra a ditadura, inclusive matando e mutilando pessoas inocentes, que nada tinham a ver com o regime militar.

É público e notório que houve excessos dos dois lados, mas o governo Dilma Rousseff quer buscar a verdade exclusivamente no tocante aos crimes cometidos em nome do Estado. É uma decisão injusta e antidemocrática.

Todos os crimes devem ser investigados, independentemente de quem os tenha cometido. Criminosos não têm coloração política. Podem ser verde oliva, vermelhos, verdes ou amarelos. No fundo, são apenas criminosos.

Se não investigar todos os crimes, este país estará buscando apenas a meia verdade, ou a “menas verdade”, como gostava de dizer Lula, nos velhos tempos de liderança sindical, quando nem sonhava com a Presidência da República.

Não dá entender a posição do governo. Os crimes da luta armada são muito poucos, em relação aos cometidos pelos militares, até porque os guerrilheiros não prendiam ninguém, salvo em caso de sequestro. Mas é importante que o país conheça TODA A VERDADE sobre aqueles anos de chumbo. Ou não? – como sempre pergunta Caetano Veloso, que não acredita em verdades absolutas e questiona tudo. Inclusive suas próprias verdades.

Caetano, como se sabe, foi uma das vítimas da ditadura e teve de se exilar em Londres. É autor da belíssima canção de protesto “Podres Poderes”, que se adapta não somente ao regime militar, mas também ao regime de agora, no caso do sectarismo que se procura imprimir à tal Comissão da Verdade.

Fonte: Tribuna da Imprensa

Conluio entre vigaristas

Carlos Chagas

Não foram ainda corrigidos certos vícios que vem do governo Lula. Um deles é a interferência da euforia exagerada nas estatísticas divulgadas a respeito da criação de novos empregos. Ainda esta semana tomamos conhecimento, por informação oficial, da criação até agora, este ano, de 280.799 postos de trabalho, com certeira assinada. Os números poderão estar certos, mas o reverso da medalha é maliciosamente escamoteado: quantas demissões ocorreram no mesmo período? Não erra quem supuser ao menos 100 mil, dentro da injusta relação praticada entre capital e trabalho.

Mas tem pior. Por conta dessa ilusória criação de novos empregos, movimentam-se porta-vozes das elites econômicas para evitar a crítica de que não vem cumprindo suas obrigações, já que os investimentos sociais da iniciativa privada deixam a desejar, fora as exceções de sempre.

Virou moda na Fiesp e congêneres defenderem-se dizendo que eles criam empregos e pagam impostos. Vamos com calma: criam mas também suprimem empregos. E se pagam impostos, não é com a facilidade, a abnegação e o patriotismo que afirmam. A classe média e os pequenos empresários não tem outro remédio que apresentar-se ao leão, ou melhor, o leão ronda implacavelmente suas casas e escritórios. Os maiorais, no entanto, contestam, discutem e levam suas obrigações à barra de tribunais administrativos e da Justiça, quando não sonegam. Ganham tempo precioso e salvam recursos monumentais. Basta ir ao site da Receita Federal para se ter notícia de que mais de um trilhão de reais deixou de entrar nos cofres públicos.

Apesar disso, são os maus pagadores os primeiros a celebrar as informações decorrentes da exagerada euforia do governo. Uma espécie de conluio entre vigaristas.�

DE OLHO NA PREFEITURA

O ex-presidente Lula reúne-se hoje com os prefeitos do PT que governam cidades paulistas com mais de 100 mil habitantes. De início um reparo: por que discriminar os companheiros de municípios menores?

A finalidade do encontro, genericamente, é reforçar o partido com vistas às eleições do ano que vem. Precisam aumentar o número de seus alcaides, hoje 70, no total, em especial para diminuir a influência do PSDB no estado.

Na prática, as atenções voltam-se para a prefeitura da capital, onde o prefeito Gilberto Kassab encontra-se de malas prontas para sair do DEM, fundar um novo partido e logo em seguida aderir ao PSB, ou seja, virar governista e dilmista desde criancinha. O PT quer retomar o palácio do Anhangabaú, perdido por Marta Suplicy para José Serra e depois para Gilberto Kassab. Principalmente porque o atual prefeito tem direito a mais um mandato, tudo indicando que vai disputar a reeleição.

Nomes não faltam para o confronto, mas se o PT insistir em Marta Suplicy ou Aloísio Mercadante,o risco será de nova derrota. Um nome ganharia a eleição, mesmo se fizesse campanha na África. Será?

EXEMPLO

Do Japão, não se tem notícia de saques a residências, invasões de supermercados ou de multidões desesperadas percorrendo sem rumo as ruas das cidades mais atingidas pelos terremotos e tsunamis. Em ordem, sua população busca recuperar aquilo que a natureza levou, conformando-se com o grande número de vítimas fatais. Mesmo a terceira tragédia, do vazamento em usinas nucleares, é enfrentada com estoicismo e coragem. Belo exemplo que deveria ser seguido em todo o mundo, mesmo onde as catástrofes, naturais ou causadas pelo Homem mostram-se bem menores.

CONFIRMAÇÃO

Confirma-se a informação de semanas atrás, a respeito de pretender o presidente Barack Obama, dos Estados Unidos, estabelecer ampla parceria com o Brasil para multiplicarmos nossa produção de etanol, que seu país importaria tentando implantar, lá, a mistura do produto com a gasolina. Caberá à presidente Dilma Rousseff debater a questão das tarifas que oneram amplamente o etanol brasileiro.

Outra notícia também confirmada: os americanos querem garantir o compromisso já celebrado de receberem boa parte do petróleo a ser extraído do pré-sal. A Petrobrás já vem recebendo muitos milhões de dólares por conta da operação futura, recursos utilizados no difícil trabalho de extração.

Farra do boi no Senado. Há 3,5 funcionários para cuidar de cada um dos carros dos parlamentares. Cada empregado terceirizado no setor custa R$ 7,346 por mês. Aonde vamos parar, Sarney?

Carlos Newton

Já abordamos aqui as mordomias do Senado. Pedro Simon (PMDB-RS) recentemente fez um discurso e denunciou que existem 13 mil funcionários por lá. Mas oficialmente a Mesa Diretora só reconhece ter hoje pouco mais de 5,2 mil servidores efetivos e comissionados, e entram na folha de pagamento mais 2,4 mil aposentados e pensionistas, incluindo a partir de fevereiro os inativos Gerson Camata (R$ 26,7 mil), Marco Maciel (R$ 24,4 mil), Jader Barbalho (R$ !9,2 mil), Cesar Borges (R$ 11,4 mil) e outros.

Os 5,4 mil funcionários que faltam nas contas oficiais do presidente José Sarney seriam terceirizados. Por isso, as despesas com pessoal em 2010 responderam por mais de 80% dos R$ 3 bilhões gastos pelo Senado. Consumiram R$ 2,543 bilhões, valor R$ 323 milhões maior que o gasto em 2009.

Só na Coordenação de Transportes existe uma média de 3,5 funcionários para cuidar de cada carro. O Senado tem 89 veículos que rodam a serviço dos 81 parlamentares e representantes da Mesa Diretora. Quer dizer, há oito automóveis na reserva ou servindo duplamente aos membros da Mesa. Dos 310 funcionários do transporte, 232 são ligados diretamente ao Senado e 78 outros contratados por meio de empresa terceirizada, a um custo de R$ 573 mil mensais. Isso dá um custo de R$ 7.346 por funcionário terceirizado no setor.

É uma verdadeira farra do boi, Os gastos com pessoal no Senado subiram 14,5% em 2010 e a previsão é de um crescimento de mais 11,7% pelo Orçamento aprovado pelo Congresso para 2011. As despesas com pessoal estão acima do previsto quando foi aprovado, no ano passado, um plano de carreira para os servidores da Casa. A justificativa é de gastos com contratações de mais servidores, aposentadorias e pagamento de correções salariais determinado pelo Judiciário.

A Secretaria de Recursos Humanos do Senado é comandada desde 2009 por Doris Marize Peixoto, que hoje é favorita para suceder Haroldo Tajra na direção geral da Casa. Por coincidência, mera coincidência, é claro, antes de assumir a função atual, ela foi chefe de gabinete de Roseana Sarney, filha do presidente do Senado, José Sarney (ele, sempre ele).

A situação é uma afronta à cidadania, pois não condiz com a realidade brasileira. Os números expõem o inchaço da Senado, que não consegue realizar uma efetiva reforma administrativa. Ao assumir seu terceiro mandato como presidente, em 2009, Sarney contratou a Fundação Getúlio Vargas (FGV), prometendo resolver o problema.

Mas a proposta da FGV “contrariava o interesse dos servidores” e o projeto de reforma está parado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) até hoje. O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), que presidiu a última Subcomissão de Reforma Administrativa, lamenta que as eleições tenham prejudicado o trabalho do grupo.

Jarbas Vasconcelos denuncia que, apesar do atual gigantismo das estruturas, ainda havia projetos no Senado destinado a ampliá-las, como no caso da Polícia Legislativa. Pretendia-se que os agentes prestassem serviço aos senadores até mesmo quando eles estivessem nos respectivos estados. “Cada órgão é maior do que o outro. São gigantescos. É necessário avançar na reforma. A polícia que eles queriam fazer é uma Polícia Federal. Se eu me sentisse ameaçado em Pernambuco, ligaria e eles mandariam policiais daqui”, revela o senador pernambucano.

Se a comparação da Polícia Legislativa do Senado com a Polícia Federal parece exagerada, os números do DF ajudam a mensurar as falhas na administração da Casa. De acordo com relatório produzido pelo então senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) na Subcomissão extinta no fim do ano passado, 427 funcionários atuam no policiamento e segurança do Senado. Este número corresponde a 20% do efetivo da Polícia Militar em atividade durante um turno da ronda ostensiva diária no Distrito federal inteiro. É uma verdadeira tropa. Isso, só no Senado. Não esqueçam que a Casa compartilha muitos serviços com a Câmara, que tem estrutura semelhante. E também gigantesca.

Fonte: Tribuna da Imprensa

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