segunda-feira, setembro 20, 2010

Não formamos: informamos

Carlos Chagas

Mais uma vez o primeiro-companheiro investe contra a imprensa. Generaliza, como se os meios de comunicação do pais inteiro se limitassem a três jornais do eixo Rio-São Paulo, além de uma revista semanal que não poupa seu governo. Exagerou, ao reivindicar, num palanque em Campinas, que ele, Dilma e o PT são a opinião pública, negando a propalada categoria dos “formadores de opinião”, no que pareceu correto.

Revelou-se atrasado, o presidente Lula. Porque há décadas, nos cursos de Comunicação, emergiu a corrente da humildade. Aquela que sustenta não sermos nós, jornalistas, “formadores de opinião”, excetuados alguns coleguinhas de nariz em pé e cérebro curto, assim como alguns de seus patrões.

A imprensa é apenas informadora, ou seja, quem se forma é a própria sociedade, estimulada por diversos fatores, um dos quais o de ser bem informada de tudo o que se passa nela de bom e de mau, de certo e de errado, de ódio e de amor.

Reivindicar a condição de formadores, artífices da opinião pública, orientadores da sociedade e outras bobagens será anacronismo digno dos tempos em que os jornais existiam para defender ou opor-se a idéias, interesses e situações. Evoluímos para transmissores de informações, mesmo sendo mantidos espaços para opinião, entretenimento e serviços. O fundamental para a mídia, porém, aquilo que faz sua razão de ser, é a noticia. A informação incapaz de ser confundida com a formação, constituindo-se apenas num dos fatores em condições de levar a sociedade a aprimorar-se e a decidir por ela mesmo.

Por fim, sobra a dúvida: quem deu ao presidente Lula, a Dilma e ao PT o privilégio de encarnar a opinião pública? Nem o sociólogo, de resto tão presunçoso, ousou chegar a tanto.

METENDO A MÃO EM VESPEIRO

Que o presidente Lula tenha lançado Dilma Rousseff, pretendendo manter o poder para o seu grupo político, nada a opor. Tem o direito, até mesmo, de subir em palanques e pedir votos para a candidata.

Justificam-se até seus interesses e sua preferência por certos candidatos a governador, seja por julgá-los melhores, seja para evitar a eleição de seus concorrentes.

O que não dá para entender é o presidente fazendo listas de quem quer e de quem não quer ver eleito para o Senado. Serão 54 vagas de senador a preencher em todo o país e se ficar recomendando uns e vetando outros, o primeiro-companheiro arrisca-se a quebrar a cara. É claro que sua popularidade poderá estimular a eleição de um e a derrota de outro, mas, como regra, não dá certo. Acabará sendo apontado como o presidente que tentou mas não conseguiu afastar um monte de adversários. Perderá pontos em sua biografia caso as oposições mantenham suas principais lideranças e até revelem outras.

“O Lula faz tudo para impedir a vitória de Tasso Jereissatti”, ouve-se no Ceará. Caso o ex-governador seja reeleito, como parece que acontecerá, quem terá perdido? Não quer Heloísa Helena, em Alagoas, nem Mão Santa, no Piauí, nem César Maia, no Rio, nem Marco Maciel, em Pernambuco, nem Aécio Neves, em Minas, e quantos outros, nos demais estados? E daí, caso seus adversários se elejam? E daí é que ficará tudo registrado.

E A CADEIA?

Acabam de ser soltos, mas antes foram presos, o governador e o ex-governador do Amapá. O mesmo aconteceu com o governador de Brasília, com Paulo Maluf e muitos outros.

A pergunta que se faz é porque Erenice Guerra e sua quadrilha, acusados pelos mesmos crimes, deverão ficar imunes à prisão, como se alardeia? Apenas por terem trabalhado sob a sombra do palácio do Planalto? Para não criar problemas na sucessão presidencial?

O ENCERRAMENTO

Está previsto para daqui a uma semana, na segunda-feira, 27, o comício de encerramento da campanha de Dilma Rousseff, na praça da Sé, em São Paulo, com direito à presença do presidente Lula. Esforços já se fazem em diversos setores para uma apoteose com um milhão de pessoas, coisa digna do comício das “Diretas Já”. Pode ser que a assistência não chegue a tanto, mas as imagens serão utilizadas nos três dias seguintes como uma espécie de confirmação prévia dos resultados do dia 3 de outubro. É bom ficarmos com a lição do humorista português, Raul Solnado, que depois da Revolução dos Cravos sentenciou: “Após a festa das flores, deve-se aguardar a conta do florista…”

Fonte: Tribuna da Imprensa

STJ manda soltar governador do Amapá

Mário Coelho

A Polícia Federal libertou na noite de ontem (18), por ordem do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o governador do Amapá, Pedro Paulo Dias (PP), e o candidato ao Senado e ex-chefe do Executivo estadual Waldez Goés (PDT). Eles estavam presos temporariamente há dez dias por conta da Operação Mãos Limpas, que investiga um esquema de desvio de dinheiro público e fraudes em licitação. Também foram liberados o ex-secretário de Educação do Estado José Adauto Santos Bitencourt e o empresário Alexandre Gomes de Albuquerque.

Na mesma decisão, o STJ decidiu prorrogar por mais 30 dias as prisões do presidente do Tribunal de Contas do Amapá, José Júlio de Miranda, e do secretário de Segurança, Aldo Alves Ferreira. Os seis tiveram a prorrogação da prisão temporária na última terça-feira (14) determinada pelo relator do inquérito no STJ, ministro João Otávio Noronha. Ele atendeu a um pedido do Ministério Público Federal (MPF). O órgão entendeu que era preciso não comprometer os depoimentos em curso e o andamento das investigações.

Também por ordem do STJ, a Polícia Federal prendeu ontem em Macapá (AP) o chefe do serviço de inteligência do governo do Amapá, Jozildo Moura Santos, e o ex-secretário de Planejamento Armando Ferreira Amaral Filho. De acordo com o jornal O Globo, Moura é acusado de ameaçar testemunhas das fraudes investigadas na Operação Mãos Limpas. Amaral Filho, ex-secretário do ex-governador Waldez Góes, é suspeito de esconder provas e, com isso, obstruir a ação da Justiça. Além das novas prisões, o ministro relator do inquérito autorizou mais nove buscas e apreensões de documentos no estado.

A Operação Mãos Limpas resultou na prisão de 18 pessoas em 10 de agosto. De acordo com a apuração da Polícia Federal, que contou com o apoio da Receita Federal, da Controladoria Geral da União (CGU) e do Banco Central, eram desviadas verbas dos fundos de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) e do de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef).

As investigações começaram em agosto de 2009 e revelaram indícios de um esquema de desvio de recursos da União que eram repassados à Secretaria de Educação do Amapá. Os envolvidos são investigados pelas práticas de crimes de corrupção ativa e passiva, peculato, advocacia administrativa, ocultação de bens e valores, lavagem de dinheiro, fraude em licitações, tráfico de influência, formação de quadrilha, entre outros crimes conexos.

Fonte: Congressoemfoco

Dilma: "Do senador Álvaro Dias não aceito nem cafezinho"

Mário Coelho

A candidata do PT à presidência da República, Dilma Rousseff, afirmou neste domingo (19) que não vai depor na Comissão de Constituição de Justiça (CCJ) do Senado para falar das recentes denúncias de propina e lobby na Casa Civil. Ontem, o vice-líder do PSDB na Casa Alvaro Dias (PR) anunciou que vai apresentar um requerimento amanhã (20) para que Dilma preste um depoimento à comissão sobre os casos revelados envolvendo a ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra.

"Eu já foi acusada de quase tudo. Convite do senador Alvaro Dias não aceito nem para cafezinho", disse Dilma em entrevista coletiva realizada após carreata em Ceilândia, região administrativa distante 26 quilômetros do Plano Piloto de Brasília. Para a presidenciável, que lidera com folga as últimas pesquisas eleitorais contra o tucano José Serra, o convite para depor na CCJ é uma tentativa de se aproveitar do assunto eleitoralmente. "Isso é uma tentativa do senador Alvaro Dias de criar um factóide", disse a petista.

Na entrevista, Dilma afirmou que a mais recente denúncia envolvendo a Casa Civil, de que funcionários receberam propina após o Ministério da Saúde adquirir o remédio Tamiflu para combater o vírus H1N1, da gripe A, é estranha. Sobre Vinicius Castro, ex-assessor jurídico da Casa Civil, que, segundo a revista Veja, recebeu R$ 200 mil de suborno, ela disse que não nomeou ele para o cargo. “Eu não nomeei este senhor. Ele era de confiança dela [referindo-se à ex-ministra Erenice Guerra], não da minha. E não farei julgamentos desta questão antes de os fatos serem apurados”, disse.

Ao adiantar que vai apresentar o requerimento de convite a Dilma, Alvaro Dias disse que a ex-ministra da Casa Civil não pode se esconder das denúncias. A petista foi a principal fiadora da nomeação de Erenice Guerra como titular da pasta. "Ela não pode se esconder. Ela tem que dar explicações sobre as denúncias de corrupção que envolvem a Casa Civil. É o caso de se investigar a ex-ministra Dilma Rousseff. Se ela ainda fosse ministra, seria ela a demitida. Não sendo ministra, há que ser investigada", afirmou.

Fonte: Congressoemfoco

Nos jornais: Planalto manda TV estatal filmar comícios de Dilma

Folha de S. Paulo

Planalto manda TV estatal filmar comícios de Dilma

A Presidência da República usa funcionários públicos e equipamentos de TV oficial do governo federal para filmar comícios da candidata Dilma Rousseff (PT) que tenham a participação de Luiz Inácio Lula da Silva. A ordem é para que cinegrafistas e auxiliares da NBR gravem todos os discursos do presidente nos eventos da campanha eleitoral.

A direção da TV estatal determinou que esses servidores, antes de iniciarem as filmagens, tenham o cuidado de retirar os sinais de identificação da emissora estatal -a camiseta ou colete, a canopla (peça que tem a logomarca) do microfone e o adesivo colado na câmera.
A TV NBR é o canal da EBC (Empresa Brasil de Comunicação) que noticia atos e políticas do governo.

Na sede da emissora, em Brasília, havia na semana passada cartazes com a ordem para tirar a identificação dos equipamentos. Quando começou a campanha presidencial, Lula avisou publicamente que sua participação nos comícios de Dilma aconteceria nos dias ou horários de folga, "fora do expediente" da Presidência. Desde julho, o presidente tem conciliado eventos oficiais com atos de campanha. Não há irregularidade nisso. Os gastos da Presidência com essas viagens têm sido ressarcidos pelo PT desde então.

Esse zelo, no entanto, não ocorreu no uso da estrutura da NBR: os funcionários públicos estão trabalhando em eventos que o próprio Planalto classifica como "compromissos privados" de Lula. Ou seja, para registrar momentos da campanha partidária, o governo federal faz uso de salário, equipamento, passagens e diárias que são bancados pela União.

Emissora diz que faz registro histórico

A direção da NBR e a a Secretaria de Comunicação da Presidência dizem que as imagens produzidas pelos cinegrafistas durante comícios de Dilma Rousseff são para registro histórico do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas se contradisseram quanto ao uso das imagens. A estatal confirmou que o material está sendo gravado pelos funcionários para "documentação da Presidência da República e também para serem requisitadas por partidos ou candidatos ao acervo da empresa". Já a Presidência diz que o material não pode ser cedido.

Funcionário da Casa Civil foi sócio de marido de Erenice

O funcionário da Casa Civil Paulo de Tarso Pereira Viana se tornou sócio do marido de Erenice Guerra em uma empresa de consultoria no período em que trabalhava com a ex-ministra. Erenice deixou o cargo na quinta-feira após denúncias de tráfico de influência no governo federal. A empresa Global Energy Investments foi criada em setembro de 2009, em nome de José Roberto Camargo Campos, marido de Erenice, e de Pereira Viana.

Tanto o marido de Erenice como o servidor da Casa Civil aparecem como sócios administradores da empresa, com participação societária de R$ 500 cada um, na Junta Comercial de São Paulo. Servidor público é proibido por lei de "participar de gerência ou administração de sociedade privada". De acordo com registro na Junta Comercial, o objetivo da Global Energy era promover "atividades de intermediação e agenciamento de serviços e negócios em geral, exceto imobiliários".

Diretor de Operações dos Correios se demite

O coronel Eduardo Artur Rodrigues Silva vai apresentar sua carta de demissão do cargo de diretor de Operações dos Correios hoje. Ele era ligado à empresa MTA (Master Top Linhas Aéreas), pivô da crise que derrubou a ex-ministra Erenice Guerra, e estaria atuando para transformar a companhia aérea na empresa de carga oficial dos Correios após as eleições. Silva seria testa de ferro do empresário argentino Alfonso Rey, dono da MTA, conforme publicou ontem o jornal "O Estado de S. Paulo".

Queda de Erenice abre disputa por espaço no PT

A queda de Erenice Guerra do comando da Casa Civil trouxe à tona uma competição até então submersa no mundo petista: a disputa pelo poder num eventual governo de Dilma Rousseff. Antes mesmo de consumada a possível vitória na eleição, petistas travam uma guerra velada pelo coração do governo Dilma. A começar pela própria Casa Civil -segundo petistas, o objeto de desejo do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci.

Um dos conselheiros de Dilma, com quem se reuniu num hotel de São Paulo na sexta, Palocci chega a admitir em conversas a hipótese de deixar temporariamente o país caso não seja convidado para o cargo de seu interesse. Segundo petistas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem outros planos para Palocci, como sua indicação para o ministério da Saúde. A aliados, no entanto, o deputado tem reafirmado seu interesse pela Casa Civil, rejeitando até o Ministério da Fazenda, pasta em que conquistou a confiança do establishment como fiador do rigor fiscal e monetário da política econômica de Lula.

PSDB de Minas omite Serra dos "santinhos"

Na reta final da campanha, os "santinhos" dos candidatos começam a aparecer com as chamadas "colas", mas as do PSDB que circulam em Juiz de Fora (MG) não indicam o voto no 45 de José Serra para a Presidência. A "cola" é a representação da ordem dos candidatos que aparecerá na urna eletrônica. Na principal cidade da Zona da Mata mineira, a Folha teve acesso a um desses impressos do PSDB. Um milhão de colas foram confeccionadas para o partido. O campo reservado para o candidato à Presidência aparece vazio. Estão preenchidos apenas os números e nomes do ex-governador Aécio Neves (PSDB) e do ex-presidente Itamar Franco (PPS), candidatos a senador, e o do governador Antonio Anastasia (PSDB), que tenta se reeleger. O material também não estampa a foto de Serra. Aparecem as fotos de Aécio e Itamar, ladeados por Anastasia.

Dilma favoreceu firma e aparelhou secretaria, diz auditoria do TCE

Auditorias feitas na gestão de Dilma Rousseff (PT) na Secretaria de Minas e Energia do Rio Grande do Sul e na Federação de Economia e Estatística, entre 1991 e 2002, apontam favorecimento a uma empresa gaúcha que hoje recebe R$ 5 milhões da Presidência e mostram aparelhamento da máquina. Os documentos foram desarquivados no Tribunal de Contas gaúcho a pedido da Folha. Hoje candidata à Presidência, Dilma foi secretária dos governos Alceu Collares (PDT), em sua fase "brizolista" no PDT, e Olívio Dutra (PT), quando se filiou ao PT, pré-ministério de Lula. Em 1992, os auditores constataram que a fundação presidida por Dilma favoreceu a Meta Instituto de Pesquisas, segundo eles criada seis meses antes para vencer um contrato de R$ 1,8 milhão (valor corrigido). A empresa gaúcha foi a única a participar da concorrência devido à complexidade e falta de publicidade do edital.

Candidata diz que contestou "ponto por ponto"

Dilma Rousseff afirmou, por meio de sua assessoria, que "não tinha nem tem ligação" com a Meta e que as irregularidades apontadas pelos auditores "foram contestadas ponto por ponto". Segundo argumentou, o TCE gaúcho lhe "deu provimento por unanimidade". Sobre as nomeações, disse que, "desde sua criação, sem quadro próprio adequado às suas necessidades, a secretaria funcionou basicamente com assessorias, cargos em comissão, funções gratificadas e servidores cedidos por estatais". Disse ainda que, em sua gestão, ela apresentou proposta de reformulação. "O TCE-RS aprovou todas as contas".

O PSDB precisa passar por um processo de renovação

Um dos poucos nomes da velha guarda da oposição que resiste à "onda vermelha" nas eleições, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), líder nas pesquisas à reeleição, afirma que o PSDB "precisará passar por um processo de renovação" se a vitória de Dilma Rousseff (PT) à Presidência se confirmar. Tasso aponta dificuldade em fazer campanha de oposição "quando a economia vai bem", e diz temer pela "influência despudorada" de Lula nas campanhas. "Se o Senado não tiver oposição, resistência, a democracia e as instituições correm sério risco." Isolado num Estado onde Dilma e o atual governador, Cid Gomes (PSB), deverão obter índices acachapantes nas urnas, segundo pesquisas, o tucano retomou no interior o antigo jingle do "galeguinho dos zóio [sic] azul". De acordo com os últimos levantamentos do Datafolha, Tasso lidera a corrida ao Senado com 52% das intenções de voto, seguido pelo deputado federal Eunício Oliveira (PMDB, com 31%) e pelo ex-ministro da Previdência José Pimentel (PT, com 27%).

Governador do Amapá deixa prisão e deve reassumir hoje

Depois de passar nove dias preso, Pedro Paulo Dias (PP), governador do Amapá, deve voltar ao cargo ainda hoje. Detido na Operação Mãos Limpas, no último dia 10, sob a suspeita de envolvimento em diversos episódios de corrupção no Estado, ele foi liberado da superintendência da Polícia Federal em Brasília na noite de sábado.Segundo sua advogada, Patrícia Aguiar, logo ao sair ele se encontrou com a família, que estava em Brasília, e deveria retornar na madrugada de hoje a Macapá (AP). Ao chegar, Dias, que também é candidato à reeleição, deve ser recepcionado com festa por seus cabos eleitorais na cidade. Durante o tempo em que ele esteve preso, sua campanha em Macapá continuou, com comícios e manifestações de repúdio à prisão. Seus apoiadores dizem que a detenção foi uma maneira de prejudicar a candidatura.

Americanos são acusados de matar afegãos 'por esporte'

Cinco soldados norteamericanos foram acusados de matar três civis afegãos, além de desmembrar cadáveres na Província de Candahar, no Afeganistão. Segundo o "Washington Post", os homicídios foram cometidos "por esporte, por soldados com apreço por haxixe e álcool". Autoridades dos EUA não comentaram o caso. Envolvidos negaram a acusação.

Número de mortos em estrada federal bate recorde

As rodovias federais registraram em 2009 o maior número de mortes em 12 anos. Foram 7.383 pessoas (média de 20 por dia). Em 2010, o índice continua alto: até junho, 4.068 pessoas morreram nas estradas. Os números do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes incluem todos os tipos de veículo e os atropelamentos.

Guerra sem fim

Garoto passa por destroços em Bagdá; ataques mataram 36 pessoas e feriram 120 no dia mais violento no Iraque desde o final das operações dos EUA.


O Globo

Denúncia de favorecimento na Casa Civil derruba diretor dos Correios

As denúncias de tráfico de influência a partir da Casa Civil derrubaram o quarto integrante do governo: o diretor de Operações dos Correios, coronel Eduardo Artur Rodrigues. Nomeado pela ex-ministra Erenice Guerra, sucessora de Dilma Rousseff, ele é suspeito de usar o posto para defender interesses da empresa aérea cargueira MTA e atuar como testa de ferro de um grupo estrangeiro. O coronel nega. Duas empresas ligadas ao marido de Erenice, a Mafra e a Unicel, teriam sido beneficiadas no governo. Para José Serra, ou Dilma sabia do esquema na Casa Civil ou não sabe administrar. A petista disse que não irá ao Senado dar esclarecimentos sobre as últimas denúncia.

Os bons negócios de seu marido

A Matra Mineração conquistou duas vitórias no Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), órgão sob influência de Erenice Guerra, depois que o marido da ex-ministra, José Roberto Camargo Campos, entrou na sociedade da pequena empresa com sede em Brasília e que atua no interior de Goiás. Além do perdão de 14 multas, nove delas apenas 43 dias depois de sua ida para a Matra, a empresa conseguiu, 60 dias depois, autorização para explorar calcário em Goiás.

Além das multas perdoadas, a Matra, cujo capital social é de apenas R$ 30 mil, acumula dívidas que somam R$ 129,4 mil, parceladas em 60 vezes. De acordo com o DNPM, as multas estão sendo pagas em dia. Campos chegou à Matra em 22 de abril de 2008, associando-se ao gerente de Desenvolvimento Energético da Eletronorte, Ercio Muniz Lima, antigo amigo de Erenice, funcionária de carreira da estatal. O marido de Erenice também trabalhou na estatal.

Caetano acusa Lula de ‘golpismo’

O compositor Caetano Veloso classificou como "golpismo" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva dizer que é preciso extirpar o DEM da vida pública nacional. Já o candidato do PSDB, José Serra, para Caetano, é "burro", por ter tentado associar seu nome ao do petista, no início do horário eleitoral. As declarações do artista — que já manifestou preferência por Marina Silva e apareceu no programa do PV pedindo votos para ela — foram dadas a uma emissora de rádio em Santo Amaro, onde esteve para comemorar o aniversário de 103 anos da mãe, Dona Canô.

"O povo brasileiro não pode ouvir isso (a declaração de Lula) e não reclamar. E se uma pessoa da imprensa reclamar vem um idiota dizer que a imprensa é golpista. Golpista é dizer que precisa destruir um partido político que existe legalmente. O presidente da República não tem o direito de dizer isso", criticou. Caetano cobrou explicações sobre a quebra ilegal de sigilo fiscal na Receita, que atingiu pessoas ligadas ao PSDB e a José Serra. Mas sobrou para o próprio candidato tucano, criticado por tentar vincular sua imagem à do presidente. "Serra é um idiota que apareceu com Lula, querendo dizer que está do lado, que é igual a Lula. É burro", decretou o baiano.

OAB e ANJ criticam Lula por atacar imprensa

A Associação Nacional dos Jornais e a Ordem dos Advogados do Brasil reagiram aos ataques de Lula à imprensa. Em comício com Dilma Rousseff, ele disse que alguns veículos agem como partido e afirmou: "Nós somos a opinião pública." Segundo a ANJ, o papel da imprensa é informar, e o presidente jamais criticou o trabalho jornalístico quando as críticas atingiam opositores. Para a OAB, Lula agiu de forma lamentável, influenciado pelo cenário eleitoral.

Marina defende liberdade de expressão

Um dia após o presidente Lula ter atacado a imprensa, a candidata do PV à Presidência, Marina Silva, fez uma crítica indireta às declarações ao dizer que as instituições precisam funcionar com neutralidade e defender a liberdade de expressão. Marina evitou comentar se sua candidatura poderia ser beneficiada pelas denúncias de corrupção na Casa Civil. Ela disse que o caso está com o Ministério Público e que prefere debater propostas, em vez de partir para o "vale-tudo eleitoral".

Marina esteve ontem no Acampamento Farroupilha, em Porto Alegre, que reúne galpões de mais de 300 centros de Tradições Gaúchas. Vegetariana, ela não comeu churrasco, prato obrigatório no evento, que integra as comemorações da Semana Farroupilha. Em seguida, ela fez caminhada no Parque da Redenção, principal ponto de campanha nos fins de semana na capital gaúcha. À tarde, a candidata seguiu para Pelotas, onde visitou uma Casa de Marina.

Kirchner pede prisão para donos de jornais

Em mais um round na luta para controlar a imprensa na Argentina, a presidente Cristina Kirchner entra hoje com pedido de prisão contra os diretores e acionistas dos jornais "Clarín" e "La Nación".

Governador do Amapá é solto e retoma campanha

Suspeitos de corrupção, o governador do Amapá, Pedro Paulo Dias, e o candidato ao Senado Waldez Goes saíram da cadeia e voltam à campanha. Os dois tinham apoio de Lula.

Transporte rodoviário é o maior emissor de gases do efeito estufa no Rio

Um estudo encomendado pela prefeitura do Rio mostra que os meios de transporte rodoviário são os principais responsáveis pela emissão de gases do efeito estufa na cidade, com 33% do total, seguidos de lixo (25%) e poluição industrial (10%). Para reduzir as emissões, um dos planos é incentivar um maior uso da bicicleta. Um passeio ciclístico no Aterro atraiu ontem 20 mil pessoas e marcou o início das atividades do Dia Mundial Sem Carro, que será na quarta-feira.

Preços de alimentos aumentam

Devido a problemas climáticos e à demanda na China, produtos agropecuários subiram mais de 10% no atacado. Carne, açúcar e trigo já estão mais caros para o consumidor.

Israel voltará a construir na Cisjordânia

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu vai permitir a construção de casas nos 218 assentamentos judeus na Cisjordânia. A moratória de dez meses acaba no dia 26.


O Estado de S. Paulo

Após denúncia, Correios anunciam demissão de diretor

A presidência dos Correios anunciou que o coronel Artur Rodrigues deixará hoje a diretoria de Operações da estatal. O Estado revelou ontem que o coronel é testa de ferro do argentino Alfonso Rey na empresa aérea MTA. Beneficiada pelo tráfico de influência do filho da ex-ministra Erenice Guerra, Israel, a MTA tem contratos de R$ 60 milhões com os Correios. Documentos comprovam que o diretor participou da montagem de uma rede de empresas de fachada criada para operar a MTA no País. O artifício foi usado para driblar a lei, que limita a 20% a participação do capital estrangeiro no setor.

Novos documentos reforçam elo entre coronel e argentino

Documentos obtidos pelo Estado mostram mais detalhes das ligações entre o diretor de Operações dos Correios, coronel Eduardo Artur Rodrigues, as empresas do argentino Alfonso Rey no exterior e de seus "laranjas". O Estado revelou ontem que o coronel Artur, que assumiu a direção dos Correios em agosto, é testa de ferro do empresário argentino na Master Top Linhas Aéreas (MTA), já que a lei brasileira proíbe que estrangeiros tenham mais de 20% do capital de empresas do setor.

Desde sua criação em 2005 até agosto, a MTA era dirigida no Brasil pelo atual diretor de Operações dos Correios, que colocou os ex-sogros da filha, Anna Rosa Pepe Blanco Craddock e Jorge Augusto Dale Craddock, como donos "laranjas" do negócio. A ambição do argentino e do coronel Artur é que a MTA seja o embrião da nova empresa de logística dos Correios, ainda a ser criada, cujo investimento é avaliado em US$ 400 milhões.

TCU e Anatel favoreceram marido de Erenice

A Unicel, empresa de telefonia celular que teve o marido da ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra, José Roberto Camargo Campos, como diretor, teve ajuda do Conselho Diretor da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e o Tribunal de Contas da União (TCU) na obtenção de licença para operar telefonia móvel via rádio, também chamado de Serviço Móvel Especializado. Os dois colegiados votaram favoravelmente à concessão da licença para a Unicel, contrariando parecer de suas respectivas áreas técnicas.

A Unicel só não conseguiu a licença até agora, apesar da boa vontade, por razões burocráticas. Houve mudança no quadro societário da empresa, de forma que o processo passa por uma nova avaliação na Anatel. A agência está verificando a capacidade técnica e, se não houver impedimento legal, a Unicel poderá iniciar seus serviços de rádio. Hoje, ela opera telefonia celular convencional na cidade de São Paulo e região metropolitana.

Dilma diz que não irá ao Congresso dar explicações

A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, afirmou que não aceitará o convite do senador Álvaro Dias (PSDB-PR) para falar no Congresso sobre as acusações de tráfico de influência na Casa Civil. Para ela, Dias tenta criar um factoide. Dilma disse não conhecer o advogado Vinícius Castro, pivô do escândalo. No Facebook, uma foto da candidata petista aparece na lista de amigos de Castro.

Denúncia é inconsistente, avalia comando petista

O comando da campanha da petista Dilma Rousseff à Presidência avalia como "inconsistente" a denúncia de pagamento de propina na Casa Civil, mas continua preocupado com os parentes da ex-ministra Erenice Guerra. Depois de participar de carreata em Ceilândia, na região Metropolitana do Distrito Federal, ontem, Dilma se reuniu com assessores. A avaliação geral é de que não há provas sobre corrupção na Casa Civil e muito menos sobre o envolvimento da candidata em algo ilícito.

Ou ela não é capaz ou é cúmplice, diz Serra

O candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, participou ontem de uma caminhada pela favela de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, e voltou a levantar dúvidas sobre o envolvimento da adversária Dilma Rousseff (PT) nas denúncias de pagamento de propina no Ministério da Casa Civil. "De duas, uma: ou ela, como dirigente, não é capaz, porque um esquema que dura quatro, cinco, seis, sete anos, não há como quem está em cima não saber. Ou então, ela é cúmplice. Não há uma terceira hipótese", disse Serra.

Ataques de Lula à imprensa provocam reação

Para OAB, o ataque de Lula à imprensa "é um desserviço à Constituição e ao Brasil". ANJ e Abert também refutaram a fala do presidente. No sábado, ele afirmara que iria "derrotar" jornais e revistas, que se comportam como partido político.

Investigação de fraudes esbarra em governador

O governador do Tocantins, Carlos Gaguim (PMDB), é um dos citados em investigação do Ministério Público paulista sobre fraudes em licitações. Por ter foro especial, ele não é alvo oficial da apuração. Oito suspeitos estão presos.

Caderno Especial: Desafios do novo presidente: Cidades Gigantes

Na continuação da série, o Estado põe uma lupa sobre os maiores problemas das metrópoles brasileiras, mostrando como eles afetam a vida do cidadão. Também discute os riscos e as oportunidades da Copa e da Olimpíada e vai buscar no exterior exemplos de que gigantismo nem sempre é sinônimo de problema.

China suspende diálogo com Japão

Crise aberta pela colisão de barcos perto de ilhas disputadas pelos 2 países faz Pequim suspender contatos com Tóquio.


Correio Braziliense

Caso Erenice: a sangria não para

Se o Palácio do Planalto apostava que a crise que sangra o governo seria estancada com a saída de Erenice Guerra da Casa Civil, enganou-se. Uma nova demissão, agora do diretor de Operações dos Correios, coronel Eduardo Silva, mostra que, pelo menos por enquanto, não há luz aparente para o fim dos escândalos. Até o momento, nada menos do que seis subalternos ou familiares da ex-ministra pendurados na administração pública foram defenestrados para colocar em pontos opostos a avalanche de denúncias e a campanha de Dilma Rousseff à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A menos de duas semanas das eleições, a palavra de ordem no Planalto é afastar qualquer personagem envolvido em denúncias. O temor é de que os episódios às vésperas de outubro modifiquem o cenário atual e forcem um segundo turno entre Dilma e José Serra (PSDB). Na cabeça dos petistas, permanece viva a disputa entre Geraldo Alckmin (PSDB) e Lula, em 2006, que não terminou no primeiro turno em parte graças ao escândalo dos aloprados.

O grande amigo de Erenice

À medida que os escândalos se descortinam, caem um a um parentes e aliados da ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra, apontada como protagonista de um suposto esquema de tráfico de influência envolvendo a estrutura ministerial. Todos os que chegaram ao governo pelas mãos dela vivem um momento de “corda bamba”. Este é o caso do presidente dos Correios, o engenheiro David José de Matos. O nome de David foi levado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva diretamente por Erenice. “Se é uma pessoa da sua confiança…”, disse Lula, segundo o próprio David, quando a ex-ministra indicou o amigo de mais de 30 anos para chefiar os Correios. Lula vive o constrangimento de conviver com indicados por Erenice — até a semana passada, a toda-poderosa da Esplanada —, sem poder afastá-los, para não passar recibo do lastro de irregularidades iniciados na Casa Civil, pasta de onde saiu sua aposta para as eleições deste ano, a ex-ministra Dilma Rousseff (PT).

Nem para tomar um simples cafezinho

Antes mesmo de ser oficialmente convidada para prestar esclarecimentos no Senado sobre suposto esquema de tráfico de influência na Casa Civil, a candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, afirmou não irá depor. Ontem, o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) informou que vai encaminhar requerimento em que convidará Dilma a prestar depoimento na Comissão de Constituição e Justiça.

Em entrevista coletiva antes de uma carreata na manhã de ontem, em Ceilândia, a candidata disse que jamais aceitaria qualquer convite do senador tucano. “Isso não é um convite. É uma tentativa do senador Alvaro Dias de criar um factoide. Ele sistematicamente tenta tumultuar estas eleições. Eu já fui acusada de tudo, mas convite do senador Alvaro Dias eu não aceito nem para um cafezinho”, frisou Dilma.

Candidatos apelam à boa e velha carta

Em um tempo em que todos se comunicam por redes sociais e até os e-mails perderam força diante da instantaneidade da troca de informações, vários candidatos a cargos públicos na eleição de outubro partiram para a boa e velha carta em casa para tentar uma maior proximidade com o eleitor. A tática implica desde mensagens direcionadas às pessoas até o envio de santinhos e material de campanha por mala direta. Já vale mandar até a cola do voto para não deixar que os eleitores esqueçam os números dos seus pretensos futuros representantes.

Os caminhos de Roriz

Na trajetória de Joaquim Roriz (PSC), há uma bifurcação. Uma das rotas leva ao ostracismo. A outra dá ao ex-governador sobrevida na atuação pública. O caminho que o político vai tomar será conhecido nesta semana, considerada decisiva para as eleições. Na quarta-feira, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) vão analisar recurso interposto por Roriz, que teve a candidatura barrada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Daí surgirá um entendimento sobre a aplicação da Lei da Ficha Limpa.

E o esqueleto virou pó...

Duraram menos de cinco segundos os 17 anos de espera para a demolição do último prédio abandonado de Brasília. Localizado no Setor Hoteleiro Norte, o edifício se transformou em 17 toneladas de entulho. Tudo correu como planejado, segundo os responsáveis pela demolição. No local, será construído mais um hotel de luxo visando a Copa de 2014.

Triste paisagem

Durante todo o domingo, um incêndio consumiu grande parte do Parque Nacional. A fumaça podia ser vista até de Águas Claras. Um helicóptero, 137 bombeiros e 50 brigadistas lutaram contra as chamas, sem conseguir debelá-las até o fechamento desta edição. Há suspeitas de que jovens atearam fogo no local. Brasília está há 117 dias sem chuva.

Formosa: Milícia sob comando de fazendeiros

Documentos sigilosos da PM de Goiás detalham como major do batalhão de Formosa negociava proteção aos donos de fazenda. Suposto grupo de extermínio é acusado de matar um pecuarista a mando de um inimigo. O militar está em plena campanha para deputado estadual.

Tragédia: Amargo legado das enchentes em Alagoas

Correio visita três cidades atingidas pelas fortes chuvas há três meses e constata que nada, ou quase nada, foi feito para resgatar a vida como era antes da destruição. A burocracia do governo estadual na liberação de recursos é citada como um dos empecilhos para a demora da reconstrução.

Fonte: Congressoemfoco

Nas revistas: "Foi uma traição", diz Erenice

Istoé

"Meus filhos vão ter que viver todos à minha custa?"

Na quinta-feira 16, a equipe de ISTOÉ tinha encontro marcado com a ministra Erenice Guerra às oito horas da manhã, na residência oficial da Casa Civil. Mas, depois de uma rápida visita do ministro Franklin Martins, ela foi convocada às pressas pelo presidente Lula. Erenice pediu que a reportagem aguardasse até o meio-dia, pois iria ao Palácio do Planalto para entregar seu pedido de demissão. Assim que deixou o cargo, voltou à luxuosa casa na Península dos Ministros e ali deu uma entrevista exclusiva à ISTOÉ sobre seus últimos momentos no governo Lula.

ISTOÉ – O que mais pesou em sua decisão de pedir exoneração?
Erenice Guerra – Fundamentalmente, foi a campanha de desconstrução da minha imagem, sórdida e implacável, atingindo, sobretudo, a minha família. Esses valores colocados em questão são caros para mim. Sou uma pessoa de origem simples e a família é o núcleo central que estabiliza a gente. Nesse episódio, não escaparam filhos, filha, marido, irmãos. Quando eu percebi que não haveria limite nenhum, nem ético nem de profissionalismo, para essa campanha difamatória, entendi que era o momento de fazer uma opção.

ISTOÉ – A sra. chegou a se encontrar com um representante da EDRB do Brasil, que teria tentado obter empréstimo no BNDES com a ajuda de seu filho?
Erenice – Eu nunca recebi. Ele foi recebido na Casa Civil pelo meu assessor, o chefe de gabinete à época. Foi lá apenas para fazer a demonstração de um projeto de energia alternativa. É tudo o que eu sei sobre esse assunto. Mas efetivamente a Casa Civil está investigando a conduta do ex-servidor Vinícius Castro e a possibilidade de ele ter praticado algum tráfico de influência nesse caso.

ISTOÉ – Esse servidor poderia se passar por um funcionário capaz de influir nas suas decisões?
Erenice – É. Poderia dizer “trabalho na Casa Civil, posso conseguir isso e aquilo...” Isso não é desarrazoado não. E, exatamente por isso, a Casa Civil está, a partir de hoje, investigando esse caso com bastante rigor.

ISTOÉ – Significou uma traição à sra.? Afinal, Vinícius era um funcionário muito próximo, além de ser sócio de seu filho.
Erenice – Foi uma traição. Uma completa traição.

Leia a íntegra da entrevista aqui

O governo limpa a área

"Se eu sair, eu vou te pre­judicar? Então, eu saio. Não aguento mais”, anun­ciou a ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, em conversa telefônica com a candidata do PT ao Planalto, Dilma Rousseff. Horas depois, ainda na manhã da quinta-feira 16, Erenice entregava sua carta de exoneração ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Era o desfecho de um enredo repleto de contradições que vinha colocando um dos cargos mais importantes da República no centro de uma crise política. Alvo de uma enxurrada de denúncias, Erenice não resistiu.

A demissão da ministra foi uma solução combinada com Lula. O presidente vinha monitorando de perto o caso desde a primeira denúncia, em que o filho de Erenice, Israel Guerra, foi acusado de prestar consultoria para uma empresa, a Master Top Linhas Aéreas (MTA), vencedora de uma concorrência milionária nos Correios. Num encontro na noite do domingo 12 com Erenice no Palácio da Alvorada, Lula recomendou que as respostas da ministra tinham de ser “rápidas e esclarecedoras” e que ela teria oportunidade de se defender.

Sem sinal de diplomacia

A vida diplomática é afamada pelo luxo e pela ostentação. Mas todo este glamour pode servir também para escamotear comezinhos pecados. Exploração de mão de obra, por exemplo. Eis aí uma típica mesquinharia que parece não combinar com os princípios da diplomacia. No entanto, é exatamente isso que vem ocorrendo por aqui. Várias embaixadas e consulados instalados no país têm negado a seus funcionários brasileiros direitos trabalhistas básicos. Empregados de representações estrangeiras são submetidos a situações constrangedoras, que, não raro, deságuam no assédio moral, sexual e até mesmo em regimes que poderiam ser considerados análogos à escravidão. Os casos de processos trabalhistas contra embaixadas e consulados estrangeiros no Brasil acumulam-se na Justiça há anos. A estimativa é de que cerca de 1,5 mil deles estejam em tramitação nesse momento.

Reclamações trabalhistas como essas são cada vez mais comuns. O aperto fiscal de muitos países fez com que representações diplomáticas acabassem sendo obrigadas a reduzir gastos. Muitas estão aproveitando a imunidade diplomática a que têm direito para desrespeitar as complexas leis trabalhistas brasileiras. Para completar o quadro, o Itamaraty prefere não atuar de forma mais incisiva para evitar constrangimentos. A chancelaria brasileira apenas orienta as embaixadas a “observarem as leis trabalhistas do País e os trabalhadores a procurarem a Justiça”, informa a assessoria de imprensa do ministério. “Essas embaixadas querem se livrar do problema, não estão preocupadas em cumprir a lei”, diz o presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores em Embaixadas, Consulados, Organismos Internacionais (Sindnações), Raimundo de Oliveira.

Palhaço em tempo integral

O palhaço da foto ao lado não tira a peruca de jeito nenhum. Candidato do Partido da República (PR) a deputado federal por São Paulo, o sujeito, que atende pelo apelido de Tiririca, recusou-se a atender a reportagem de ISTOÉ na condição de Francisco Everardo Oliveira Silva, seu nome de batismo. Alegou falta de tempo, mas a verdade é que, na reta final de campanha, não quer correr o risco de expor o seu verdadeiro eu. Segundo o Ibope, Tiririca deve amealhar um milhão de votos, o que vai transformá-lo num dos maiores fenômenos eleitorais da história do Brasil. Personagem criado pelo cearense Francisco, Tiririca fez certo sucesso em um programa humorístico da tevê e vendeu milhares de cópias de um CD graças à música burlesca “Florentina”. Por que resolveu ser candidato? “Minha mãe disse que era uma boa.”

A arte de não se eleger

A continuidade tem tu­do para ser a marca des­tas eleições, independentemente de partidos. Dos 20 governadores candidatos à reeleição, 15 apareceram nas pesquisas como líderes da disputa. A exceção mais gritante ao desejo do eleitor de manter o governante é o Rio Grande do Sul, onde a governadora Yeda Crusius (PSDB) convive com um índice de rejeição superior a 40%. Eleita em 2006, Yeda assumiu o Palácio Piratini pregando “um novo jeito de governar” após mais de uma década de alternância do poder entre o PT e o PMDB. Na prática, passou a maior parte do tempo defendendo-se da sucessão de denúncias que estremeceram seu governo.

Época

Na reta final, o fator Erenice

Na mesma semana em que o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, teve a confirmação de que o caso das quebras ilegais de sigilo fiscal dentro da Receita não seria suficiente para levá-lo ao segundo turno, um novo escândalo atingiu a campanha de sua principal adversária, a candidata do PT e ex-ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Novamente, a oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a vislumbrar uma chance de arrastar a disputa para além de 3 de outubro.

Dentro do governo e também dos partidos de oposição, tornou-se consenso que, se os episódios das quebras de sigilo eram complicados demais para a compreensão do eleitor, a acusação de tráfico de influência pode ser mais facilmente traduzida para a linguagem das campanhas de rádio e televisão. Além disso, as novas denúncias incluem supostas contribuições para o caixa da campanha de Dilma, enquanto o envolvimento de líderes e da candidata do PT nas ilegalidades praticadas na Receita não foi comprovado, contrariando as acusações de Serra. Na semana passada, a funcionária do Serpro Adeildda dos Santos afirmou à Polícia Federal que acessou indevidamente os dados fiscais de Eduardo Jorge Pereira e de outros tucanos na agência da Receita em Mauá, Grande São Paulo, mediante propina.

Ele reinventou a tradição

“A senhora vai esquecer a santa, mãe?” Essa foi a pergunta de Maria Aparecida Marques, filha de Tereza Santina do Carmo, quando viu a mãe de 67 anos se desgarrar de uma procissão religiosa para seguir o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), que está em campanha pela reeleição. Distribuindo beijos e abraços, Campos guiou a primeira metade da procissão em homenagem a Frei Damião, no município de São Joaquim do Monte, interior do Estado. Ao passar por uma estrada, o governador saiu em direção a seu carro, o que gerou uma pequena confusão. Muitos não sabiam se deveriam seguir o político ou a procissão. Tereza ignorou a filha, driblou os seguranças e bateu no vidro do carro do governador. Campos abriu a porta e pegou sua mão. “Eu rezo todo dia por vocês”, disse Tereza, entre lágrimas e soluços. “Que Deus abençoe você e doutor Arraes.”

Quanto vale a natureza?

Não é nenhuma novidade que a natureza é a base da economia. Sempre foi – até porque não há vida fora da natureza. Mas a abundância de recursos era tamanha que eles podiam ser considerados inesgotáveis, e portanto gratuitos. Em alguns casos, essa premissa se revelou ilusória, como na civilização da Ilha de Páscoa, no Pacífico, que ruiu quando a madeira acabou. Há um temor similar para alguns recursos de nossa civilização, como o petróleo, os peixes e até a água potável.

O grande desafio é encontrar fórmulas para que quem explora os recursos naturais ajude a pagar a conta de sua manutenção, diz o economista americano Robert Costanza, da Universidade de Portland. É algo que alguns economistas visionários pregam há décadas. O professor americano Herman Daly é um dos pais dessa economia ecológica. Colocou o desenvolvimento sustentável em pauta nos anos 80 quando foi economista sênior do Banco Mundial. Hoje, como professor da Universidade de Maryland, diz acreditar que o crescimento da população demanda uma mudança na teoria econômica. Daly questiona o conceito do Produto Interno Bruto (PIB), que inclui apenas as riquezas materiais geradas. Acha que é necessário descontar desses ganhos os gastos com a poluição do ar, os resíduos, a destruição da floresta.

Carta Capital

Aécio deixará o PSDB

Não é por estar envolvido de corpo e alma na campanha para eleger seu substituto, Antonio Anastasia, ao governo de Minas Gerais, e muito menos por distração política, que Aécio Neves deixou de se manifestar sobre as recentes denúncias, encampadas por José Serra, para tentar desestabilizar Dilma Rousseff. É um silêncio significativo. Expressivo como um risco de giz. A metáfora, possível de ser imaginada, que separa o território de atuação da oposição mineira e da oposição paulista. Ambas adversárias do governo Lula. Só que a primeira é democrática e a segunda é golpista. As duas convivem, no PSDB, por um tempo longo demais, considerando as divergências políticas que emergiram mais claramente quando os paulistas cortaram as asas de Aécio pretendente à candidatura à Presidência pelo partido. Foi a gota d’água para um tucano disposto a voar. José Serra, ainda governador, bloqueou as prévias internas que Aécio propunha e forçou o mineiro a abrir espaço para mais uma candidatura paulista. Aos 68 anos, Serra não tem mais tempo para esperar, porque, conforme anunciou no palanque que a revista Veja lhe ofereceu, preparou-se a vida inteira para ser presidente. E, tudo indica, fracassou. Há duas semanas, em jantar no Rio de Janeiro, o ex-governador Aécio Neves empolgou-se ao falar da necessidade de reformas políticas no Brasil e, para sustentar os argumentos que desenvolvia junto a um grupo restrito de amigos, ele anunciou: “Eu vou sair do PSDB”, na casa de um empresário, em Copacabana, cercado de convidados importantes.

Leia ainda: Aécio nega que vá deixar PSDB

Espanto e pavor. Em Marte

Estão na ribalta um candidato a Mussolini, ou a Hitler, ou a ambos, e uma assassina de criancinhas. Ou seja, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Palavras de Fernando Henrique Cardoso, Rodrigo Maia e Mônica Serra. Um alienígena que baixasse à Terra ficaria entre o espanto e o pavor. Quanto a nós, brasileiros, não é o caso de maiores preocupações. No caso de Lula, cujo estilo mussoliniano o príncipe dos sociólogos aponta, vale admitir que outra citação possível seria a de Luís XIV, personificava o poder todo. “O Estado sou eu”, dizia o monarca por direito divino. Pois segundo FHC, o presidente afirma, nas entrelinhas da sua atuação, “eu sou tudo e quero o poder total”. E isto “não pode”, proclama o ex, com aquela riqueza vocabular que o caracteriza.

Os jornalistas tucanos, por Marcos Coimbra

Quando, no futuro, for escrita a crônica das eleições de 2010, procurando entender o desfecho que hoje parece mais provável, um capítulo terá de ser dedicado ao papel que nelas tiveram os jornalistas tucanos. Foram muitas as causas que concorreram para provocar o resultado destas eleições. Algumas são internas aos partidos oposicionistas, suas lideranças, seu estilo de fazer política. É bem possível que se saíssem melhor se tivessem se renovado, mudado de comportamento. Se tivessem permitido que novos quadros assumissem o lugar dos antigos.

A próxima geração

Após um longo período sem renovação, a fornada de políticos que sairá das urnas em 2010 consolida a influência que a geração pós-1964 terá na vida brasileira. Na casa dos 50 anos ou menos, não viveram diretamente as agruras da ditadura. São, em geral, conciliadores e demonstram enorme capacidade de estabelecer apoios quase unânimes. Nos estados, estão desacostumados a enfrentar oposições tinhosas. São ao menos quatro, todos com inigualáveis chances de ser eleitos ou reeleitos no primeiro turno ou de emplacar afilhados em governados estaduais. Entre os reeleitos certos, Eduardo Campos, de Pernambuco, e Sérgio Cabral Filho, do Rio de Janeiro. Na lista dos padrinhos, Aécio Neves, que luta para entronizar Antonio Anastasia em Minas Gerais, e Paulo Hartung, que transferiu toda a sua popularidade a Renato Casagrande do PSB. Casagrande deve ser eleito governador do Espírito Santo no primeiro turno com quase 70% dos votos válidos.

Os filhos de Erenice

A ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, resistiu por cinco dias às denúncias. Na quinta-feira 16, uma reportagem da Folha de S.Paulo a envolver seu filho Israel em mais um enredo de tráfico de influência representou o tiro de misericórdia. Após uma reunião no Palácio do Planalto, a ministra redigiu uma nota, lida pelo porta-voz da Presidência da República, Marcelo Baumbach, na qual anuncia sua saída do governo, se declara vítima de uma “campanha de desqualificação” e reclama de “toda sorte de afirmações, ilações e mentiras”. Ainda que a ministra demissionária, o governo, o PT e a campanha de Dilma Rousseff ressaltem o caráter eleitoral da avidez da mídia na cobertura do caso e rejeitem a tentativa de ligar as denúncias à candidatura petista à Presidência, a situação de Erenice Guerra ficou insustentável ante a profusão de indícios de que Israel e seu irmão Saulo conduziam sem pudor atividades de lobby e tráfico de influência – e usavam com desenvoltura o nome da mãe para tentar auferir lucros.

Veja

'Caraca! Que dinheiro é esse?'

Numa manhã de julho do ano passado, o jovem advogado Vinícius de Oliveira Castro chegou à Presidência da República para mais um dia de trabalho. Entrou em sua sala, onde despachava a poucos metros do gabinete da então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e de sua principal assessora, Erenice Guerra Vinícius se sentou, acomodou sua pasta preta em cima da mesa e abriu a gaveta.

O advogado tomou um susto: havia ali um envelope pardo. Dentro, 200 mil reais em dinheiro vivo – um “presentinho” da turma responsável pela usina de corrupção que operava no coração do governo Lula.

Vinícius, que flanava na Agência Nacional de Aviação Civil, a Anac, começara a dar expediente na Casa Civil semanas antes, apadrinhado por Erenice Guerra e o filho-lobista dela, Israel Guerra, de quem logo virou compadre.

Apavorado com o pacotaço de propina, o assessor neófito, coitado, resolveu interpelar um colega: “Caraca! Que dinheiro é esse? Isso aqui é meu mesmo?”. O colega tratou de tranquilizá-lo: “É a ‘PP’ do Tamiflu, é a sua cota. Chegou para todo mundo”.

PP, no caso, era um recado – falado em português, mas dito em cifrão. Trata-se da sigla para os pagamentos oficiais do governo. Consta de qualquer despacho público envolvendo contratos ou ordens bancárias. Adaptada ao linguajar da cleptocracia, significa propina. Tamiflu, por sua vez, é o nome do remédio usado para tratar pacientes com a gripe H1N1, conhecida popularmente como gripe suína.

A mais nova edição da revista ainda não está disponível na internet.

Fonte: Congressoemfoco

domingo, setembro 19, 2010

Saiba tudo sobre a revisão pelo teto do INSS

Ana Magalhãesdo Agora
O STF (Supremo Tribunal Federal) garantiu a revisão para quem se aposentou entre 1988 e 2003 e teve o benefício limitado ao teto da época. Após a publicação da decisão do Supremo, o INSS passará a conceder o reajuste administrativamente, sem que o segurado precise ir à Justiça.
A AGU (Advocacia-Geral da União) estima que 1 milhão poderão ser beneficiados.
O Agora preparou um guia sobre a nova revisão.
Leia esta reportagem completa na edição impressa do Agora neste domingo

Saiba tudo sobre a revisão pelo teto do INSS

Ana Magalhãesdo Agora
O STF (Supremo Tribunal Federal) garantiu a revisão para quem se aposentou entre 1988 e 2003 e teve o benefício limitado ao teto da época. Após a publicação da decisão do Supremo, o INSS passará a conceder o reajuste administrativamente, sem que o segurado precise ir à Justiça.
A AGU (Advocacia-Geral da União) estima que 1 milhão poderão ser beneficiados.
O Agora preparou um guia sobre a nova revisão.
Leia esta reportagem completa na edição impressa do Agora neste domingo

Desta viajada, ou se volta com honra ou não se volta mais

Carlos Chagas
Nem só de Erenices vive a política. Aproxima-se o mês de outubro e também não vamos tratar de eleição, como não trataremos de corrupção. Vale olhar no espelho retrovisor e verificar que oitenta anos atrás eclodia aquilo que mais de perto pode ser chamado de uma revolução, ainda que propriamente não fosse. Porque uma revolução, pelo vernáculo, deve corresponder a alterações profundas nas práticas políticas, econômicas e sociais de um país. O tripé ficou capenga, sustentado apenas por ampla reforma social. Na política e na economia, nenhuma mudança.
Deflagrado dia 3 de outubro de 1930 em Porto Alegre, Belo Horizonte e Paraíba, então capital do estado com o mesmo nome, logo o movimento tomou conta do país, atingindo o Rio, Recife e outras capitais. No dia 29 tomou posse como presidente provisório da República o chefe civil, Getúlio Vargas, então presidente do Rio Grande do Sul. Começou aí a primeira contradição com o termo revolução, pois o caudilho era político por excelência. Havia sido ministro da Fazenda do presidente que derrubara, Washington Luís. Trouxe com ele políticos aos montes, a começar pelo ex-presidente Artur Bernardes, outro expoente da República Velha.
Não houve, assim, grandes alterações na política, ainda que coubesse o exemplo do golpe da vassoura: simplesmente, inverteram-se seus pólos. Os que estavam por baixo subiram, os que se encontravam por cima desceram.
Importa misturar doutrinas e pessoas, sendo que estas fazem mais História do que aquelas. Na capital gaúcha, ao embarcar no trem que acabaria chegando ao Rio, Getúlio apropriou-se de uma frase dita pouco antes por Flores da Cunha: “desta viajada, ou se volta com honra ou não se volta mais”. Estava ali a confirmação hoje consagrada na psicologia, de que um suicida dá sinais do gesto futuro muito antes que aconteça. A disposição do comandante improvisado de uma revolução que Luis Carlos Prestes não quis liderar era de vencer ou morrer. Naquele dia, ignorava-se o grau de resistência do governo Washington Luís, esperando-se a grande batalha que acabou não havendo, na fronteira do Paraná com São Paulo. Afinal, o presidente em seguida deposto fazia política em São Paulo e acabava de eleger o sucessor, Julio Prestes, outro paulista. Precisamente contra Getúlio Vargas, porque naqueles tempos de eleições fraudadas, nenhum candidato de oposição venceu. Até Rui Barbosa havia sido derrotado, anos antes.
O trem foi subindo sem lutas, aclamados os revolucionários com churrascos, flores e cerimônias cívicas. Aderir já fazia parte do sentimento nacional, diante de espingardas e canhões. Seria em Itararé o grande embate, com as tropas federais sediadas em São Paulo, mais a Força Pública paulista, entrincheiradas naquela cidadezinha paranaense. Ia correr muito sangue.
Foi quando, no Rio, ainda dentro do sentimento apaziguador do povo brasileiro, chefes militares resolvem evitar o confronto. Prendem o presidente Washington Luís, disposto a resistir até de revolver na mão e passam um telegrama para a frente de batalha, exortando os paulistas a não resistir e os gaúchos a retornar aos pampas. Haviam criado uma Junta Militar e esperavam pacificar o país permanecendo indefinidamente no governo. Os soldados que defendiam São Paulo ou voltaram à capital ou aderiram à revolução. Os gaúchos mandaram Osvaldo Aranha, num teco-teco, à capital da República, para dizer aos generais e um almirante que parassem de brincar com coisa séria. Deu-lhes prazo até que Getúlio chegasse para transmitir-lhe o poder. Os membros da Junta devem ter olhado pela janela, verificando que o povo estava eufórico nas ruas, não por eles, mas pela revolução. Também contaram quantos corpos de tropa lhes eram fiéis e cederam em cinco minutos. Os gaúchos que viessem para assumir o poder.
Se a viagem do trem já era uma festa, maior ficou quando a locomotiva entrou em solo paulista. Na capital do estado, um fenômeno singular: sem poder reagir, os quatrocentões ficaram em casa, partidários que eram de Washington Luís. Mas o povão, a começar pelos operários, lotou praças e avenidas gritando “queremos Getúlio, queremos Getulio!” Lembravam-se de que na recente campanha eleitoral o candidato derrotado anunciara as primeiras medidas sociais, se fosse eleito. Salário mínimo, jornada de oito horas diárias, férias remuneradas, estabilidade no emprego e outras que, justiça se faça, o novo presidente cumpriu ao longo dos anos em que ficou no governo.
No Rio, jornais que apoiavam a República Velha foram “empastelados”, expressão em uso para significar a destruição das redações com incêndios e muita pancadaria. Até o “Jornal do Brasil” ficaria fechado por alguns meses, resistindo até setembro passado, quando um pastelão resolveu suprimi-lo.
Alguns gaúchos arrogantes haviam prometido amarrar seus cavalos no obelisco da avenida Rio Branco, forma de humilhar o governo deposto e a capital federal, sem recordar que os cariocas apoiavam a revolução. Fizeram isso à noite, mas, pela manhã, os cavalos haviam sido roubados e, no lugar deles, estavam amarrados alguns soldados gaúchos. Vingaram-se, os cariocas.
Getúlio tomou posse dia 29, trajando farda de soldado. No palácio do Catete, senhoras em vestidos de luxo, políticos de terno e gravata e o povo em euforia. Assumia o presidente provisório, tornado presidente constitucional em 1934 e ditador em 1937. Foi deposto em outubro de 1945, para voltar eleito em 1951 e cumprir o vaticínio exposto na estação de trem, ao sair de Porto Alegre. Para não perder a honra diante da tentativa de sua deposição, matou-se com um tiro no peito.
Fonte: Tribuna da Imprensa
Nem Serra (dossiê contra e a favor), nem Dilma, corrupção na Casa Civil (comprovada e punida com demissão), serão PREJUDICADOS ou FAVORECIDOS
Tudo o que está no título, é rigorosamente verdadeiro. O cidadão-contribuinte-leitor está tão acostumado com esse tipo de “eleição hostil que pode ser chamada de baixaria previamente identificada”, que não ligará para mais nada.
Portanto, se estão esperando que acusações de um lado ou do outro, alterem a soma dos votos que levam à vitória, estão muito enganados. (Há mais de 25 anos, o Millor escreveu: “Eu sou a SOMA do quadrado dos catetos, mas pode me chamar de hipotenusa”).
Se pensam que isso não tem nada a ver, estão muito enganados. E a maior referência entre a criação jornalística e a realidade, é a palavra SOMA.
Dona Dilma atingirá os 50 por cento mais um voto para ganhar no primeiro turno? Serra conseguirá um total de votos que, SOMADOS (novamente a palavra) com os de Dona Marina levarão ao segundo turno?
De qualquer maneira nenhuma alteração, apenas prorrogação da monotonia, mas não da incerteza. Seria a ida pela segunda vez ao local da votação, para que Dona Dilma obtenha no segundo turno, a vitória que não obteve no primeiro.
Mas se houver segundo turno, será por causa da participação de Dona Marina, superior ao que se esperava.
***
PS – Não tenho o menor constrangimento de dizer agora, poderia omitir. Esperava que Marina Silva repetisse Heloisa Helena. Esta chegou a 10 e até 11 por cento, escrevi que não manteria, não manteve.
PS2 – Marina manteve e manterá, me surpreende agradavelmente. É possível que por causa disso, haja o segundo turno. A eleição se realizará dentro de 14 dias, está tudo estabelecido, o resultado só seria ou será alterado, com a ausência de um dos dois candidatos.
PS3 – 3 de outubro sem emoção, sem sensação, sem indefinição. Tudo ficará para o dia 1º de janeiro de 2011, posse, oficialização dos ministros, (alguns já serão conhecidos) começo do terceiro governo, não do Lula ou de Dilma, o primeiro do PT.
PS4 – Dificilmente, quase IMPOSSÍVEL, este blog chegar até lá. Mas se chegar, (ou se chegasse), j-o-r-n-a-l-i-s-t-i-c-a-m-e-n-t-e, que maravilha viver.
Helio Fernandes/Tribuna da Imprensa

sábado, setembro 18, 2010

Paulo Henrique Amorim republica reportagem “Ilha do Urubu, o paraíso perdido” da revista Carta Capital

O deputado Emiliano José (PT-BA) subiu à tribuna da Câmara dos Deputados, em Brasília, para tornar pública a descoberta do último legado do carlismo ao povo e ao estado da Bahia. Derrotado nas eleições estaduais de outubro de 2006, em primeiro turno, por Jaques Wagner (PT), o ex-governador Paulo Souto apressou-se em tomar medidas administrativas, fazer ajustes orçamentários e, a pouco mais de um mês de deixar o cargo, abrir mão de um pequeno e ultravalioso paraíso ambiental público, no sul do estado, em favor de uma ação imobiliária nebulosa iniciada por um ainda mais estranho processo de doação.A Ilha do Urubu é recanto de beleza natural praticamente intocada na região de Trancoso, próximo a Porto Seguro, no chamado Quadrilátero do Descobrimento, no sul da Bahia. A ocupação do lugar é disputada, há pelo menos três décadas, pela família Martins, de pequenos comerciantes e pescadores. Ainda assim, em 20 de novembro de 2006, depois de derrotado nas eleições, Paulo Souto decidiu doá-la a apenas cinco dos Martins: Maria Antônia, Benedita Antônia, Ivete Antônia, Joel Antônio e Angelina.De acordo com a lei, o quinteto só poderia vender o imóvel depois de cinco anos de uso, mas a ilha acabou vendida quatro meses mais tarde pela bagatela de 1 milhão de reais, para o empresário espanhol, naturalizado brasileiro, Gregório Marin Preciado. Um ano depois, o paraíso baiano foi passado adiante por 12 milhões de reais para o empresário belga Philippe Meeus, especulador imobiliário proprietário de um resort na Praia da Ferradura, em Búzios (RJ).Estranhamente, um mês antes de Paulo Souto doar a Ilha do Urubu, a parte de família Martins beneficiária da ação do governador andava às turras com o futuro primeiro comprador da área, Gregório Preciado. Isso porque Preciado alega ter uma escritura de proprietário da ilha. Chegou, inclusive, a apresentar o documento como garantia para obter um empréstimo de 55 milhões de reais no Banco do Brasil. Escalado para apresentar aos Martins um mandado judicial de reintegração de posse impetrado por Preciado, o oficial de Justiça Dílson José Ferreira de Azevedo testemunhou atos de violência perpetrados por capangas do empresário.Ao chegar à ilha, em 26 de outubro de 2006, Azeredo encontrou apenas um casal de velhos à sombra de uma árvore. Eram Maria Antônia e Joel Antônio Martins. Os dois foram oficiados, sem nenhum problema ou confusão, mas logo a paz do lugar acabou perturbada pela intervenção de empregados de Preciado. Assim escreveu o oficial de Justiça à Vara Cível e Comercial da Comarca de Porto Seguro: “Prepostos dos autores (além de Preciado, a mulher dele, Vicência Marin) procederam a derrubada e queima do barraco ali existente”. Dois meses depois, Maria e Joel venderiam a mesma terra a quem lhes havia derrubado e incendiado a casa.Preciado, ex-arrecadador de campanha do governador José Serra, de São Paulo, também foi casado com uma prima do tucano. Em 2002, o Ministério Público Federal entrou com uma ação de improbidade administrativa contra dezoito pessoas e empresas ligadas ao ex-diretor do Banco do Brasil Ricardo Sérgio de Oliveira, outro arrecadador de campanha do PSDB, inclusive de Serra. Entre os implicados estava Gregório Preciado, apontado como sócio do governador em duas empresas, Gremafer Comercial e Aceto Vidros e Cristais.De acordo com o processo aberto na Justiça Federal da Brasília, Gregório Preciado se beneficiou de dois contratos irregulares, em 1995 e 1998, num total de 73,7 milhões de reais, durante o processo de privatização de empresas públicas do governo Fernando Henrique Cardoso. Mas o pulo do gato da vida de Preciado foi dado mesmo em 1996, quando ele se associou à Iberdrola, gigante espanhola do ramo energético, por meio do consórcio Guaraniana, montado por Ricardo Sérgio com a ajuda dos fundos de pensão da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil. Entre 1997 e 2007, o grupo representado pelo arrecadador de campanha tucano arrematou as empresas de energia elétrica da Bahia (Coelba), Pernambuco (Celpe) e Rio Grande do Norte (Cosern).De acordo com levantamento feito pelo deputado Emiliano José, combatente histórico do carlismo na Bahia, a doação da Ilha do Urubu foi apenas uma das diversas ações de Paulo Souto voltadas, no fim do mandato, para complicar a gestão do sucessor, Jaques Wagner.A HISTÓRIA COMPLETA DA MÁFIA DE SERRA ESTÁ NO SITE CONVERSA AFIADA
# posted by Oldack Miranda /Bahia de Fato

Puxadores de voto ajudarão a definir bancadas baianas

Evandro Matos
O pleito se aproxima e crescem as especulações e apostas sobre os nomes que deverão ser eleitos no dia 3 de outubro. Para a Câmara Federal, os governistas devem eleger a maior bancada, enquanto a oposição (DEM), que disputa a sua primeira eleição estadual sem a presença do ex-senador Antonio Carlos Magalhães, morto em 2007, deve encolher. De acordo com as previsões dos partidos e análises de especialistas, enquanto os governistas devem eleger entre 24 a 25 dos 39 deputados federais da Bahia, a oposição deve eleger apenas de 14 a 15 parlamentares.
Pela coligação governista, que disputa com um chapão formado pelos partidos PT/PP/PDT/PCdoB/PRB/PSB/PHS/PSL, a estimativa é eleger entre 24 a 25 deputados federais.
Quatro nomes despontam como os principais puxadores de votos: João Leão (PP), Rui Costa, Nelson Pelegrino e Valmir Assunção (PT), todos considerados que terão votação superior a 200 mil votos, além de Felix Mendonça Júnior (PDT), que se não atingir essa marca ficará perto. Além destes, os prováveis eleitos são Sergio Carneiro, Waldenor Pereira, Afonso Florence, Amauri Teixeira, Josias Gomes, Geraldo Simões, Zezeu Ribeiro e Luiz Alberto ou Emiliano José (PT), Mário Negromonte, Roberto Brito e Luiz Argolo (PP), Marcos Medrado, Oziel Oliveira e José Carlos Araújo (PDT), Daniel Almeida e Edson Pimenta (PCdoB), Marcio Marinho e Popó (PRB), Domingos Leonelli (PSB) e Uldorico Pinto (PHS).
Pela coligação PMDB/PR/PTB/PSC/PPS/PRP/PSDC/PTC/PTN/PMN, que tem o ex-ministro Geddel Vieira Lima como candidato ao governo, a estimativa é que sejam eleitos entre 7 e 10 deputados federais. Na condição de presidente do PMDB e por ter herdado os votos do irmão Geddel, Lúcio Vieira Lima deve ser o grande puxador de votos da coligação. Pelas projeções para a Câmara Federal, estariam eleitos ainda Marcelo Guimarães Filho, Arthur Maia e Colbert Martins Filho (PMDB), José Rocha, João Bacelar e Mauricio Trindade (PR), Antônio Brito e Jonival Lucas (PTB).
Alguns nomes tradicionais do PMDB, embora tenham chances, podem ter dificuldades para renovar os seus mandatos nesta eleição. Um deles é Severiano Alves. Raimundo Veloso também estaria na zona de risco.
Tucanos projetam eleger três
Segundo o líder da bancada do PSDB na Câmara Federal, João Almeida, o seu partido deverá eleger pelo menos três deputados federais: Jutahy Júnior, Antônio Imbassahy e ele próprio. “Dependerá muito da votação que Imbassahy terá em Salvador, porque eu e Jutahy já sabemos o que temos, por sermos candidatos a deputado federal há muito tempo”, estimou.
“Se ele (Imbassahy) tiver entre 50 a 60 mil votos na capital, emplacamos três”, projetou Almeida, que está no quinto mandato. Questionado sobre a sua reeleição, que já foi considerada difícil em outros momentos, o tucano atribui a boatos. “Na boca dos outros, sempre foi assim. A minha eleição não está nem ruim nem boa, eu estou eleito”, disse, otimista, citando nomes que foram dados como favoritos em eleições anteriores e que caíram após a apuração.
Além de ser guindado à condição de líder do PSDB, que lhe trouxe mais visibilidade, Almeida também ganhou o apoio do ex-prefeito de Guanambi, Nilo Coelho, o que lhe renderá bons votos na região Sudoeste. Nos partidos menores, o PV é o que tem mais condições de eleger representantes para a Câmara Federal. Alem de Edgar Mão Branca, os verdes podem eleger ainda Rose Bassuma, lançada para ocupar o espaço do seu esposo, o deputado Luiz Bassuma, que disputa o governo. Sem Edson Duarte, que disputa o Senado, a depender do voto de legenda, o partido espera eleger ainda Juliano Matos, ex-secretário estadual do Meio Ambiente. (EM).
DEM diminuirá a bancada
Já o Democratas, que na eleição passada elegeu 13 deputados federais baianos, agora, devem reduzir drasticamente a sua bancada. O deputado ACM Neto, que disputa a reeleição, é tido como o grande puxador de votos da legenda.
Após ser o mais votado na Bahia em 2006, agora, por ter disputado a eleição municipal de 2008, Neto aumentou o seu reccal na capital baiana e continua com boa penetração nos grandes centros e pequenos grotões do interior. Pelas projeções, os outros prováveis eleitos são Fábio Souto, Paulo Magalhães, Jorge Khoury e Luiz Carreira. Fernando Torres e José Nunes, que deixaram a Assembleia Legislativa. Cláudio Cajado, que disputa a reeleição, também tem chances.
Fonte: Tribuna da Bahia

Wagner abre vantagem de 37 pontos

Fernanda Chagas
O governador Jaques Wagner (PT), de acordo com pesquisa Datafolha divulgada ontem, aumentou a vantagem em relação a seus adversários e seria reeleito governador da Bahia no primeiro turno, com 53% das intenções de votos, superando até mesmo a marca de 51% alcançada pela “companheira” Dilma Rousseff, candidata à Presidência pelo PT. A vantagem de Wagner, que era de 30 pontos percentuais na semana passada, passou agora para 37 pontos.
Enquanto isso, Paulo Souto (DEM) se mantém como segundo colocado oscilando de 18% para 16%. Geddel Vieira Lima (PMDB), por sua vez, variou de 14% para 11%. No início da campanha eleitoral, em julho, a diferença de Wagner para Souto era de 21 pontos (44% contra 23%).
A intenção de voto em Wagner cresceu também na pesquisa espontânea (aquela na qual o eleitor fala em quem pretende votar antes de ver um cartão com os nomes): passou de 31% na semana passada para 38%. Souto tem 7%, e Geddel, 6%. O Datafolha entrevistou 1,080 mil eleitores, de 43 municípios baianos, nos dias 13, 14 e 15 de setembro.
Entre os demais candidatos, apenas Luiz Bassuma (PV) e Marcos Mendes (PSOL) pontuaram, mas não ultrapassaram a margem do 1%. Brancos e nulos somaram 5% e indecisos, 12%. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.
Contudo, mesmo diante dos altos índices de aprovação registrados nas últimas pesquisas, o governador voltou a reiterar que a eleição não está ganha. “É claro que a notícia é boa, anima a militância. Mas, embora eu acredite que as pesquisas correspondem ao reconhecimento da população com o que tem sido feito, repito: eleição só se ganha na noite do dia 3 de outubro”.
A margem de erro da análise é de três pontos percentuais para mais ou menos. O Datafolha ouviu 1.100 eleitores em 43 cidades do Estado na segunda e terça-feira desta semana. Ainda estão indecisos em relação ao candidato ao governo 12% dos eleitores baianos. Declararam que vão anular ou votar em branco outros 5%. Bassuma (PV) e Marcos Mendes (PSOL) têm 1% cada um das intenções de voto. Sandro Santa Barbara (PCB) e Professor Carlos (PSTU) não atingiram 1%. A pesquisa foi registrada no TRE-BA com o número 38.837/2010.
Fonte: Tribuna da Bahia

É preciso investigar

Carlos Chagas
Erenice Guerra foi demitida, apesar de ter assinado o pedido de exoneração levado por Gilberto Carvalho e Franklin Martins, mas agora é que deveriam começar as investigações. Em primeiro lugar, torna-se necessário saber quando seus dezessete parentes entraram para o serviço público: só depois dela haver assumido a chefia da Casa Civil ou antes, quando era assessora de Dilma Rousseff? Quem sabe até quando exercia a consultoria jurídica no ministério de Minas e Energia? Nesse caso, a antes ministra e hoje candidata presidencial sabia do furor da amiga em nomear marido, filhos, irmãs e irmãos, sobrinhos e papagaios para a máquina estatal? É preciso investigar, também, se a família Guerra trabalhava ou simplesmente valia-se da força da patriarca para faltar ao trabalho e auferir vencimentos.
Em seguida deve-se passar do geral para o particular: quantas operações foram desenvolvidas pela empresa de seus filhos, traficando a influência da mãezona e obtendo de empresas públicas e da administração direta vultosos contratos com empresas privadas? Estas, beneficiadas, é preciso identificar. Contribuíram com que valores no ítem “cláusula de sucesso” para o bolso da família? Foram muitas ou poucas vezes que dirigentes de empresas privadas eram levados à presença de Erenice, só para saberem quem realmente geria os negócios?
Estamos diante de um poço aparentemente sem fundo, tornando-se impossível vedá-lo só porque foi descoberto, como em tantos outros episódios anteriores. E não se diga que tudo aconteceu apenas no governo Lula, porque buraco ainda maior foi aberto e tapado no governo Fernando Henrique, com as privatizações.
INFLAÇÃO DESMEDIDA
Tomara que os jornais tenham acrescentado um zero a mais nas contas referentes às trapalhadas de um filho de Erenice Guerra, agenciando empréstimos do BNDES para empresas dispostas a pagar-lhe propina. Ou será que os tempos passaram em tão vertiginosa corrida, fazendo a economia perder a noção de valores? Existe mesmo uma empresa, em Campinas, pleiteando dois bilhões do banco empenhado em promover o desenvolvimento? Teria o lobista-lambão exigido a estratosférica comissão de 450 milhões de reais?
AS CAUSAS PRIMEIRAS
Pergunta-se porque tantas lambanças iguais às praticadas por Erenice Guerra sucedem-se no governo e arredores. Será por conta do grande coração do Lula, para quem auxiliares seus jamais cometem equívocos? Pela determinação do primeiro-companheiro de abrir as asas e abrigar honestos e desonestos?
Há quem suponha causas mais imediatas. Terá sido pela avidez do PT, tantos anos exposto ao sol e ao sereno e, de repente, guindado aos controles do poder? Caíram em tentação, os companheiros, conhecedores de atos anteriores praticados por outros partidos e grupos, no passado igualmente envolvidos em tráfico de influência, formação de quadrilha, extorsão e sucedâneos?
Ou tudo acontece pelo simples fato de a política existir, desde tempos imemoriais?
A GRANDE DECISÃO
Anuncia-se para quarta-feira a sessão do Supremo Tribunal Federal que julgará recurso do ex-governador Joaquim Roriz para escapar da lei ficha-limpa. A decisão, se tomada nesse dia, definirá a sorte de quantos candidatos tem tido negado seu registro, condenados anteriormente por crimes diversos. Ou por haverem renunciado a mandatos para evitar a cassação.
Além de perigoso, parece inócuo especular sobre sentenças judiciais antes de exaradas, mas a informação é de que os dez atuais ministros da mais alta corte nacional de justiça estariam divididos: cinco pela imediata aplicação da lei, cinco sustentando sua validade apenas para as próximas eleições, não as atuais.
Convém aguardar.
Fonte: Tribuna da Imprensa

A farsa do horário de verão

Carlos Chagas
Repete-se, uma vez mais, a oitava no governo Lula, a farsa do horário de verão, anunciado esta semana para começar a 17 de outubro. A moda vem de muito antes, primeiro intermitente, depois absoluta. Os relógios deverão ser adiantados por uma hora, visando economizar 5% de energia até o final de fevereiro.
Quer dizer, o governo surripiará uma hora de sono da população. Da população? Nem tanto, porque os estados do Nordeste e do Norte insurgiram-se contra a determinação e já não aceitam o horário de verão. Contestam a autoridade central em defesa de seus cidadãos. No Sul, Sudeste e Centro-Oeste, porém, o esbulho tem data marcada.
O cidadão que sai cedo para trabalhar, acordando às seis da manhã, ou antes, precisará acender a luz para escovar os dentes e tomar café. Vai-se parte da economia dos 5% de energia, ainda que quando chegar em casa depois do serviço, o sol ainda brilhe. Bom para quem mora à beira do mar, que se não estiver muito cansado ainda poderá arriscar alguns mergulhos. Mas péssimo até para a unidade nacional, porque se um indigitado bóia-fria morador na Bahia colhe café em Minas, sairá de casa às seis da manhã quando já são sete na roça. Ou chega atrasado ou acorda às cinco. Na hora de voltar é pior: deixa o trabalho às cinco da tarde mas já são seis em sua casa, correndo o risco de a mulher acusá-lo de ficar uma hora bebendo cachaça em vez de vir logo jantar.
O estrago que o horário de verão causa no relógio biológico dos habitantes das regiões mais populosas do país levará semanas, até mais de um mês, para ser absorvido. E quando as coisas estiverem normalizadas, repete-se a confusão com o atraso obrigatório de outra hora, no relógio mecânico.
Logo que empossado, o presidente Lula não teve forças ou não quis acabar com a farsa do horário de verão, dizem até que influenciado pela sua então ministra de Minas e Energia, partidária dessa economia que, com todo o respeito, tem sido a base da porcaria. Mas bem que poderia, o primeiro-companheiro, dar um basta à aberração no último ano de seu governo. Interromper essa prática subdesenvolvida e insistir para que Dilma Rousseff mantenha como uma de suas metas principais a geração de mais energia em todo o país. Mais investimentos em hidrelétricas, por exemplo.
A NATUREZA DAS COISAS
Contra a natureza das coisas ninguém investe impunemente, já dizia Napoleão. As informações são de que, quarta-feira, até o presidente Lula irritou-se com a nota oficial expedida pela chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, rebatendo acusações de tráfico de influência com adjetivos desairosos contra José Serra.
Mais do que protestar diante de tais exageros, o primeiro-companheiro mandou recomendar à indigitada ministra que evitasse comparecer a cerimônias públicas onde ele estivesse presente. Portanto, encontrava-se, dona Erenice, prisioneira em seu próprio gabinete, sem a mínima condição de exercer as funções de coordenadora da administração federal. Perdera até mesmo o apoio de sua madrinha, Dilma Rousseff.
Ficou famosa a indagação do rei Juan Carlos, da Espanha, ao presidente Hugo Chavez, da Venezuela: “por que não te calas?” Pois o país inteiro estava naturalmente perguntando a Erenice Guerra: “por que não vais logo embora?” E só com o flagrante agravamento das denúncias é que ela enfim se demitiu (ou melhor, foi demitida).
NÃO COLOU
Não deixam dúvida os números anunciados ontem pela Datafolha a respeito da sucessão presidencial: não pegaram em Dilma Rousseff as denúncias de quebra do sigilo fiscal de tucanos, promovida por alguns petistas aloprados. A candidata até cresceu um ponto percentual, com 51% contra 27% de José Serra. Aguarda-se a próxima pesquisa, quando as trapalhadas de Erenice Guerra poderão pesar nas respostas dos consultados. Agora, convém aguardar o Ibope, a Sensus e a Vox Populi.
HISTÓRIA OPORTUNA
A história é velha mas merece ser recontada. Durante a expansão árabe, lá pelos anos setecentos, o general Ibn-El-Abbas ocupou o Egito. Chegando ás portas de Alexandria, então a maior capital do mundo, extasiou-se com a riqueza de sua biblioteca. Dizem que até originais de Homero estavam, em suas prateleiras, se é que Homero existiu. Como suas ordens eram de conquistar pelo fogo e a espada as regiões dominadas, o general hesitou e mandou uma correio a Bagdá para consultar o Califa. O que fazer com aquele patrimônio fantástico?
O Califa respondeu que se todos aqueles escritos concordavam com o Alcorão, eram inúteis e deveriam ser destruídos. E se discordavam, eram perniciosos e precisavam ser queimados.
Diz a lenda que durante muitas semanas as centenas de termas de Alexandria deixaram de ser alimentadas a lenha, passando a ser utilizados os papiros de toda a cultura universal reunidos até a conquista. Agora que um energúmeno prometeu queimar o Alcorão, ainda que tivesse voltado atrás, a gente fica pensando se o fogo tem sido mesmo amigo da Humanidade…
Fonte: Tribuna da Imprensa

500 mil podem ter nova aposentadoria

Ana Magalhãesdo Agora
Meio milhão de aposentados no país trabalham e contribuem para Previdência hoje, segundo o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
Eles podem conseguir, na Justiça, um benefício maior, que incorpore as últimas contribuições. Se as ações forem ganhas, o INSS estima que o custo para a Previdência será de R$ 3 bilhões.
O direito à troca dependerá do STF (Supremo Tribunal Federal), que começou a julgar, na quinta-feira, se esses aposentados têm ou não direito a um benefício mais alto.
Leia esta reportagem completa na edição impressa do Agora neste sábado

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