domingo, fevereiro 17, 2008
O garoto indio que foi enterrado vivo
Amalé quase foi morto em nome dos costumes indígenas. E a Funai faz vista grossa ao infanticídio de algumas tribos

PRECOCE O pequeno Amalé sonha com uma mochila, mas tem consciência de seu drama
Amalé tem quatro anos. Como muitas outras crianças, na terçafeira 12 ele foi pela primeira vez à escola, em Brasília. Índio da etnia kamaiurá, de Mato Grosso, Amalé chamava a atenção dos demais garotos porque era o único que não usava uniforme nem carregava uma mochila nas costas. Mas Amalé se destaca dos demais por um motivo muito mais preocupante. O pequeno índio é, na verdade, um sobrevivente de sua própria história. Logo que nasceu, às 7 horas de 21 de novembro de 2003, ele foi enterrado vivo pela mãe, Kanui. Seguia-se, assim, um ritual determinado pelo código cultural dos kamaiurás, que manda enterrar vivo aqueles que são gerados por mães solteiras. Para assegurar que o destino de Amalé não fosse mudado, seus avós ainda pisotearam a cova. Ninguém ouviu sequer um choro. Duas horas depois da cerimônia, num gesto que desafiou toda a aldeia, sua tia Kamiru empenhou-se em desenterrar o bebê. Ela lembra que seus olhos e narinas sangravam muito e que o primeiro choro só aconteceu oito horas mais tarde. Os índios mais velhos acreditam que Amalé só escapou da morte porque naquele dia a terra da cova estava misturada a muitas folhas e gravetos, o que pode ter formado uma pequena bolha de ar.
A dramática história desse pequeno índio é a face visível de uma realidade cruel, que se repete em muitas tribos espalhadas por todo o Brasil e que, muitas vezes, tem a conivência de funcionários da Funai, o organismo estatal que tem a missão de cuidar dos índios.
“Antes de desenterrar o Amalé, eu já tinha ouvido os gritos de três crianças debaixo da terra”, relata Kamiru, hoje com 36 anos. “Tentei desenterrar todos eles, mas Amalé foi o único que não gritou e que escapou com vida”, relata. A Funai esconde números e casos como este, mas os pesquisadores já detectaram a prática do infanticídio em pelo menos 13 etnias, como os ianomâmis, os tapirapés e os madihas. Só os ianomâmis, em 2004, mataram 98 crianças. Os kamaiurás, a tribo de Amalé e Kamiru, matam entre 20 e 30 por ano.
Os motivos para o infanticídio variam de tribo para tribo, assim como variam os métodos usados para matar os pequenos. Além dos filhos de mães solteiras, também são condenados à morte os recém-nascidos portadores de deficiências físicas ou mentais. Gêmeos também podem ser sacrificados. Algumas etnias acreditam que um representa o bem e o outro o mal e, assim, por não saber quem é quem, eliminam os dois. Outras crêem que só os bichos podem ter mais de um filho de uma só vez. Há motivos mais fúteis, como casos de índios que mataram os que nasceram com simples manchas na pele – essas crianças, segundo eles, podem trazer maldição à tribo. Os rituais de execução consistem em enterrar vivos, afogar ou enforcar os bebês. Geralmente é a própria mãe quem deve executar a criança, embora haja casos em que pode ser auxiliada pelo pajé.
Os próprios índios começam a se rebelar contra a barbárie. Neste momento, há pelo menos dez crianças indígenas em Brasília que foram condenadas à morte em suas aldeias. Fugiram com ajuda de religiosos e sobrevivem na capital graças a uma ONG, Atini, dirigida por missionários protestantes e apoiada por militantes católicos. A política oficial da Funai é enviar os exilados de volta à selva, mesmo que isso signifique colocar suas vidas em risco. “Não é verdade que entre os povos indígenas há mais violência e mais crueldade com seus infantes do que na população em geral”, sustenta Aloysio Guapindaia, presidente em exercício da Funai, em resposta por escrito à ISTOÉ. “O tema, tratado de uma forma superficial, transparece preconceito em relação aos costumes dos povos indígenas”, completa. Tem índio que não concorda. “Ninguém do governo nos ajuda a resolver o problema”, queixa-se Kamiru, com o auxílio de um tradutor. A recompensa pelo seu gesto de desafiar os costumes de sua gente vem daquele que ela salvou. “Minha verdadeira mãe não é a minha mãe. Minha mãe é a Kamiru”, diz o pequeno Amalé.
Outra índia que ousou enfrentar a tradição foi Juraka, também kamaiurá, de uma aldeia próxima à de Amalé. Ela está refugiada com a filha, Sheila, nove anos, no abrigo ao lado da Granja do Torto. A menina faz tratamento no hospital Sarah Kubitschek. Nasceu com distrofia muscular progressiva, uma doença que a impossibilita de andar. A tribo descobriu o problema quando Sheila deveria estar dando os primeiros passos. A mãe fugiu antes de ser obrigada a aplicar a tradição. “Não gosto desse costume de enterrar a pessoa viva”, diz Juraka, também com a ajuda do tradutor. No hospital os médicos disseram que não há nada a fazer. Sheila deverá passar a vida numa cadeira de rodas. “É a pessoa que mais amo no mundo, mais que meus outros filhos”, diz Juraka. Mãe e filha já retornaram algumas vezes à tribo. Os índios passaram a respeitar a coragem de Juraka e já começam a aceitar Sheila.
“É um absurdo fechar os olhos para o genocídio infantil, sob qualquer pretexto”, diz Edson Suzuki, diretor da ONG Atini. “Não se pode preservar uma cultura que vai contra a vida. Ter escravos negros também já foi um direito cultural”, compara. Suzuki cria a garota Hakani, dos surwahás do Amazonas. Ela hoje tem 13 anos. A menina nasceu com dificuldades para caminhar. Os pais se recusaram a matá-la; preferiam o suicídio. O irmão mais velho, então com 15 anos, tentou abatê-la com golpes de facão no rosto, mas ela sobreviveu.
“O infanticídio é uma prática tradicional nociva”, ataca a advogada Maíra Barreto, que pesquisa o genocídio indígena para uma tese de doutorado na Universidade de Salamanca, na Espanha. “E o pior é que a Funai está contagiada com esse relativismo cultural que coloca o genocídio como correto”, ataca o deputado Henrique Afonso, do PT do Acre, autor de um projeto de lei que pune qualquer pessoa não índia que se omita de socorrer uma criança que possa ser morta.
Longe da tribo, Amalé quer continuar a freqüentar a escola, mas exige uma mochila. Ele já fala bem o português e avisa que gosta muito de carros. Quer dirigir um quando crescer. “Vamos aprender muito mais com Amalé do que ele com a gente”, diz a diretora da escola, Aline Carvalho.
“NÃO SE PODE PRESERVAR UMA CULTURA QUE VAI CONTRA A VIDA”
Edson Suzuki, diretor da ONG Atini
Fonte: ISTOÉ

PRECOCE O pequeno Amalé sonha com uma mochila, mas tem consciência de seu drama
Amalé tem quatro anos. Como muitas outras crianças, na terçafeira 12 ele foi pela primeira vez à escola, em Brasília. Índio da etnia kamaiurá, de Mato Grosso, Amalé chamava a atenção dos demais garotos porque era o único que não usava uniforme nem carregava uma mochila nas costas. Mas Amalé se destaca dos demais por um motivo muito mais preocupante. O pequeno índio é, na verdade, um sobrevivente de sua própria história. Logo que nasceu, às 7 horas de 21 de novembro de 2003, ele foi enterrado vivo pela mãe, Kanui. Seguia-se, assim, um ritual determinado pelo código cultural dos kamaiurás, que manda enterrar vivo aqueles que são gerados por mães solteiras. Para assegurar que o destino de Amalé não fosse mudado, seus avós ainda pisotearam a cova. Ninguém ouviu sequer um choro. Duas horas depois da cerimônia, num gesto que desafiou toda a aldeia, sua tia Kamiru empenhou-se em desenterrar o bebê. Ela lembra que seus olhos e narinas sangravam muito e que o primeiro choro só aconteceu oito horas mais tarde. Os índios mais velhos acreditam que Amalé só escapou da morte porque naquele dia a terra da cova estava misturada a muitas folhas e gravetos, o que pode ter formado uma pequena bolha de ar.
A dramática história desse pequeno índio é a face visível de uma realidade cruel, que se repete em muitas tribos espalhadas por todo o Brasil e que, muitas vezes, tem a conivência de funcionários da Funai, o organismo estatal que tem a missão de cuidar dos índios.
“Antes de desenterrar o Amalé, eu já tinha ouvido os gritos de três crianças debaixo da terra”, relata Kamiru, hoje com 36 anos. “Tentei desenterrar todos eles, mas Amalé foi o único que não gritou e que escapou com vida”, relata. A Funai esconde números e casos como este, mas os pesquisadores já detectaram a prática do infanticídio em pelo menos 13 etnias, como os ianomâmis, os tapirapés e os madihas. Só os ianomâmis, em 2004, mataram 98 crianças. Os kamaiurás, a tribo de Amalé e Kamiru, matam entre 20 e 30 por ano.
Os motivos para o infanticídio variam de tribo para tribo, assim como variam os métodos usados para matar os pequenos. Além dos filhos de mães solteiras, também são condenados à morte os recém-nascidos portadores de deficiências físicas ou mentais. Gêmeos também podem ser sacrificados. Algumas etnias acreditam que um representa o bem e o outro o mal e, assim, por não saber quem é quem, eliminam os dois. Outras crêem que só os bichos podem ter mais de um filho de uma só vez. Há motivos mais fúteis, como casos de índios que mataram os que nasceram com simples manchas na pele – essas crianças, segundo eles, podem trazer maldição à tribo. Os rituais de execução consistem em enterrar vivos, afogar ou enforcar os bebês. Geralmente é a própria mãe quem deve executar a criança, embora haja casos em que pode ser auxiliada pelo pajé.
Os próprios índios começam a se rebelar contra a barbárie. Neste momento, há pelo menos dez crianças indígenas em Brasília que foram condenadas à morte em suas aldeias. Fugiram com ajuda de religiosos e sobrevivem na capital graças a uma ONG, Atini, dirigida por missionários protestantes e apoiada por militantes católicos. A política oficial da Funai é enviar os exilados de volta à selva, mesmo que isso signifique colocar suas vidas em risco. “Não é verdade que entre os povos indígenas há mais violência e mais crueldade com seus infantes do que na população em geral”, sustenta Aloysio Guapindaia, presidente em exercício da Funai, em resposta por escrito à ISTOÉ. “O tema, tratado de uma forma superficial, transparece preconceito em relação aos costumes dos povos indígenas”, completa. Tem índio que não concorda. “Ninguém do governo nos ajuda a resolver o problema”, queixa-se Kamiru, com o auxílio de um tradutor. A recompensa pelo seu gesto de desafiar os costumes de sua gente vem daquele que ela salvou. “Minha verdadeira mãe não é a minha mãe. Minha mãe é a Kamiru”, diz o pequeno Amalé.
Outra índia que ousou enfrentar a tradição foi Juraka, também kamaiurá, de uma aldeia próxima à de Amalé. Ela está refugiada com a filha, Sheila, nove anos, no abrigo ao lado da Granja do Torto. A menina faz tratamento no hospital Sarah Kubitschek. Nasceu com distrofia muscular progressiva, uma doença que a impossibilita de andar. A tribo descobriu o problema quando Sheila deveria estar dando os primeiros passos. A mãe fugiu antes de ser obrigada a aplicar a tradição. “Não gosto desse costume de enterrar a pessoa viva”, diz Juraka, também com a ajuda do tradutor. No hospital os médicos disseram que não há nada a fazer. Sheila deverá passar a vida numa cadeira de rodas. “É a pessoa que mais amo no mundo, mais que meus outros filhos”, diz Juraka. Mãe e filha já retornaram algumas vezes à tribo. Os índios passaram a respeitar a coragem de Juraka e já começam a aceitar Sheila.
“É um absurdo fechar os olhos para o genocídio infantil, sob qualquer pretexto”, diz Edson Suzuki, diretor da ONG Atini. “Não se pode preservar uma cultura que vai contra a vida. Ter escravos negros também já foi um direito cultural”, compara. Suzuki cria a garota Hakani, dos surwahás do Amazonas. Ela hoje tem 13 anos. A menina nasceu com dificuldades para caminhar. Os pais se recusaram a matá-la; preferiam o suicídio. O irmão mais velho, então com 15 anos, tentou abatê-la com golpes de facão no rosto, mas ela sobreviveu.
“O infanticídio é uma prática tradicional nociva”, ataca a advogada Maíra Barreto, que pesquisa o genocídio indígena para uma tese de doutorado na Universidade de Salamanca, na Espanha. “E o pior é que a Funai está contagiada com esse relativismo cultural que coloca o genocídio como correto”, ataca o deputado Henrique Afonso, do PT do Acre, autor de um projeto de lei que pune qualquer pessoa não índia que se omita de socorrer uma criança que possa ser morta.
Longe da tribo, Amalé quer continuar a freqüentar a escola, mas exige uma mochila. Ele já fala bem o português e avisa que gosta muito de carros. Quer dirigir um quando crescer. “Vamos aprender muito mais com Amalé do que ele com a gente”, diz a diretora da escola, Aline Carvalho.
“NÃO SE PODE PRESERVAR UMA CULTURA QUE VAI CONTRA A VIDA”
Edson Suzuki, diretor da ONG Atini
Fonte: ISTOÉ
Prédio de Finatec é fechado na manhã deste sábado
Thomaz PiresDo CorreioWeb
Atualizada às 16h15
16/02/200814h57-O prédio onde funciona a sede da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), localizado dentro do campus da Universidade de Brasília (UnB), foi fechado na manhã deste sábado. Por volta das 9h, cerca de 30 alunos que assistiam às aulas de pós-graduação em Agronomia e funcionários foram retirados do edifício. A medida, determinada pelo Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT), tem como objetivo evitar a retirada de documentos que possam comprovar as denúncias contra a Finatec. Dois promotores do Ministério Público do Distrito Federal, um interventor e quatro viaturas da Polícia Militar estavam no local. Na noite desta sexta-feira, a desembargadora Nídia Corrêa Lima, do Tribunal de Justiça do DF, acatou pedido do MPDF para afastar os cinco diretores da Finatec. Os argumentos foram que os diretores “vêm praticando inúmeras irregularidades em contratos celebrados com o poder público mediante dispensa de licitação e aplicando irregularmente recursos que deveriam ser destinados ao desenvolvimento científico e pesquisa”. A decisão da juíza teve como sustentação a ação inicial apresentada pelo MP no final de janeiro. No início da tarde o advogado da Finatec, Francisco Caputo, chegou ao local e criticou a ação do Ministério Público. Ele alegou que a decisão judicial não determinou a desocupação do prédio e seu fechamento. Ele também ressaltou o fato de o campus da UnB ser uma unidade pública federal. Por isso, a entrada de policiais militares só poderia acontecer com autorização da segurança da instituição de ensino. “A decisão expedida pela desembargadora em momento algum cita intervenção policial no edifício sede. Essa foi uma postura arbitrária do Ministério Público e nós iremos protestar na Justiça”, afirmou Caputo, que avaliou como “irresponsável” a determinação do órgão. O supervisor da polícia militar, capitão Jérferson Gonçalves de Castro, garantiu que o efetivo vai permanecer no local. “Estamos apenas seguindo uma determinação. O local deverá permanecer fechado até segunda-feira. A não ser que até lá saia uma outra decisão”, argumentou. Investigação A crise na Finatec começou com a denúncia apresentada pelos promotores Ricardo Antônio de Souza e Gladaniel Palmeira. Eles acusam a direção de provocar prejuízos de mais de R$ 100 milhões aos cofres públicos. As denúncias ficaram ainda mais graves após a revelação dos valores da reforma no apartamento onde morava o reitor da Universidade de Brasília (UnB). O dinheiro, R$ 470 mil, teria sido liberado pela Finatec para mobiliar o imóvel funcional
Fonte: Correio Web
Atualizada às 16h15
16/02/200814h57-O prédio onde funciona a sede da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), localizado dentro do campus da Universidade de Brasília (UnB), foi fechado na manhã deste sábado. Por volta das 9h, cerca de 30 alunos que assistiam às aulas de pós-graduação em Agronomia e funcionários foram retirados do edifício. A medida, determinada pelo Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT), tem como objetivo evitar a retirada de documentos que possam comprovar as denúncias contra a Finatec. Dois promotores do Ministério Público do Distrito Federal, um interventor e quatro viaturas da Polícia Militar estavam no local. Na noite desta sexta-feira, a desembargadora Nídia Corrêa Lima, do Tribunal de Justiça do DF, acatou pedido do MPDF para afastar os cinco diretores da Finatec. Os argumentos foram que os diretores “vêm praticando inúmeras irregularidades em contratos celebrados com o poder público mediante dispensa de licitação e aplicando irregularmente recursos que deveriam ser destinados ao desenvolvimento científico e pesquisa”. A decisão da juíza teve como sustentação a ação inicial apresentada pelo MP no final de janeiro. No início da tarde o advogado da Finatec, Francisco Caputo, chegou ao local e criticou a ação do Ministério Público. Ele alegou que a decisão judicial não determinou a desocupação do prédio e seu fechamento. Ele também ressaltou o fato de o campus da UnB ser uma unidade pública federal. Por isso, a entrada de policiais militares só poderia acontecer com autorização da segurança da instituição de ensino. “A decisão expedida pela desembargadora em momento algum cita intervenção policial no edifício sede. Essa foi uma postura arbitrária do Ministério Público e nós iremos protestar na Justiça”, afirmou Caputo, que avaliou como “irresponsável” a determinação do órgão. O supervisor da polícia militar, capitão Jérferson Gonçalves de Castro, garantiu que o efetivo vai permanecer no local. “Estamos apenas seguindo uma determinação. O local deverá permanecer fechado até segunda-feira. A não ser que até lá saia uma outra decisão”, argumentou. Investigação A crise na Finatec começou com a denúncia apresentada pelos promotores Ricardo Antônio de Souza e Gladaniel Palmeira. Eles acusam a direção de provocar prejuízos de mais de R$ 100 milhões aos cofres públicos. As denúncias ficaram ainda mais graves após a revelação dos valores da reforma no apartamento onde morava o reitor da Universidade de Brasília (UnB). O dinheiro, R$ 470 mil, teria sido liberado pela Finatec para mobiliar o imóvel funcional
Fonte: Correio Web
Ministro ignora opositores à transposição
Geddel desqualifica discurso de artistas contrários às obras no Velho Chico
BRASíLIA - O ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB), desqualificou o movimento de artistas contrários à transposição do rio São Francisco, que protagonizou na última quinta-feira, em Brasília, um bate-boca com o ex-ministro Ciro Gomes (PSB) sobre o assunto. Para Geddel, tal movimento nem existe. “Aqueles dois que estavam lá na audiência? Eu nem vi”, disse, em visita a Fortaleza.
“Aqueles dois” citados pelo ministro eram na verdade três, a atriz Leticia Sabatella e os atores Osmar Prado e Carlos Vereza. Sabatella foi quem mais discutiu com Ciro na audiência, interrompendo-o até quando estava com o microfone desligado. Além dos artistas, também falou contra o projeto o bispo de Barra (BA) dom Luiz Flávio Cappio, que fez duas greves de fome para tentar impedir a obra.
Na discussão com a atriz, Ciro, que é pré-candidato a presidente, chegou a se comparar a ela: “Eu, ao meu jeito, escolhi a opção de meter a mão na massa, às vezes suja de cocô, às vezes, mas minha cabeça, não, meu compromisso, não”. Para Geddel, Ciro fez seu discurso “com brilhantismo” e demonstrou o quanto a obra é importante para o combate à seca. O projeto de transposição deverá custar, para ser implementado, R$6 bilhões, e deve levar água do rio São Francisco para partes do Ceará, do Rio Grande do Norte, da Paraíba e de Pernambuco.
O governo argumenta que a água irá beneficiar 12 milhões de pessoas. Para os críticos, a água beneficiará apenas o agronegócio, sem acabar com a seca. Geddel esteve anteontem em Fortaleza para anunciar investimentos de R$500 milhões para a construção de barragens e projetos de irrigação. Em entrevista, ele afirmou que já não há mais resistência política à transposição, como havia até pouco tempo atrás, especialmente de políticos da Bahia, de Sergipe e de Alagoas, “doadores” de água.
Ele próprio, baiano, era contra, mas mudou de idéia assim que assumiu o ministério, no ano passado. “Pensavam que eu era intransigente, fechado, inelutavelmente contra a obra por ser baiano, mas não sou assim”. Para ele, as pessoas que ainda demonstram ser contrárias ao projeto não discutem com boa-fé. “Os demais já perceberam que o projeto é bom para todos”, disse o ministro. “Essa obra é irreversível”.
Fonte: Correio da Bahia
BRASíLIA - O ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB), desqualificou o movimento de artistas contrários à transposição do rio São Francisco, que protagonizou na última quinta-feira, em Brasília, um bate-boca com o ex-ministro Ciro Gomes (PSB) sobre o assunto. Para Geddel, tal movimento nem existe. “Aqueles dois que estavam lá na audiência? Eu nem vi”, disse, em visita a Fortaleza.
“Aqueles dois” citados pelo ministro eram na verdade três, a atriz Leticia Sabatella e os atores Osmar Prado e Carlos Vereza. Sabatella foi quem mais discutiu com Ciro na audiência, interrompendo-o até quando estava com o microfone desligado. Além dos artistas, também falou contra o projeto o bispo de Barra (BA) dom Luiz Flávio Cappio, que fez duas greves de fome para tentar impedir a obra.
Na discussão com a atriz, Ciro, que é pré-candidato a presidente, chegou a se comparar a ela: “Eu, ao meu jeito, escolhi a opção de meter a mão na massa, às vezes suja de cocô, às vezes, mas minha cabeça, não, meu compromisso, não”. Para Geddel, Ciro fez seu discurso “com brilhantismo” e demonstrou o quanto a obra é importante para o combate à seca. O projeto de transposição deverá custar, para ser implementado, R$6 bilhões, e deve levar água do rio São Francisco para partes do Ceará, do Rio Grande do Norte, da Paraíba e de Pernambuco.
O governo argumenta que a água irá beneficiar 12 milhões de pessoas. Para os críticos, a água beneficiará apenas o agronegócio, sem acabar com a seca. Geddel esteve anteontem em Fortaleza para anunciar investimentos de R$500 milhões para a construção de barragens e projetos de irrigação. Em entrevista, ele afirmou que já não há mais resistência política à transposição, como havia até pouco tempo atrás, especialmente de políticos da Bahia, de Sergipe e de Alagoas, “doadores” de água.
Ele próprio, baiano, era contra, mas mudou de idéia assim que assumiu o ministério, no ano passado. “Pensavam que eu era intransigente, fechado, inelutavelmente contra a obra por ser baiano, mas não sou assim”. Para ele, as pessoas que ainda demonstram ser contrárias ao projeto não discutem com boa-fé. “Os demais já perceberam que o projeto é bom para todos”, disse o ministro. “Essa obra é irreversível”.
Fonte: Correio da Bahia
Advogado e universitária assassinados no Retiro
José Nilton era professor de direito da Ucsal e Edjane, sua estagiária
Bruno Wendel
O advogado e professor da Universidade Católica do Salvador (Ucsal) José Nilton Silva Oliveira, 53 anos, e sua estagiária Edjane Bastos de Santana, 32, estudante do curso de direito da Faculdades Jorge Amado, foram encontrados mortos a tiros no interior do veículo Suzuki de placa JNS-1377, anteontem à noite, na localidade do Arraial do Retiro. O crime foi cometido por dois homens que, segundo a polícia, tentaram simular um latrocínio (roubo seguido de morte). O duplo homicídio está sendo investigado por agentes da 11ª Delegacia (Tancredo Neves).
Depois de praticarem a execução, por volta das 20h30, na Rua Fonte da Bica, os criminosos fugiram em direção do bairro do São Gonçalo levando a bolsa de Edjane e o celular de José Nilton, mas deixaram para trás R$100 e dois cheques, totalizando pouco mais de R$920, que estavam em sua carteira de cédulas, além de outros objetos das vítimas.
José Nilton foi encontrado debruçado sobre o volante, com três tiros na cabeça, enquanto Edjane foi morta no banco de trás do veículo com sete disparos, nas costas, braço e tórax. Em seguida, policiais militares foram acionados via Central Única de Telecomunicações da Polícia (Centel) e chegaram a realizar diligências na região, mas não encontraram os criminosos.
A delegada Marly Margareth Oliveira, plantonista da 11ª DP, esteve no local e presidiu o levantamento cadavérico. Peritos do Departamento de Polícia Técnica encontraram dentro do Suzuki, além dos dois cheques e os R$100 de José Nilton, um relógio de pulso, cartões de crédito, dois pen drives (armazenador de dados) e a carteira da Ordem dos Advogados do Brasil de José Nilton.
Moradores do Arraial do Retiro disseram ter ouvido vários tiros, mas poucos se arriscaram a sair de suas casas para saber o que tinha acontecido. Foi o caso do pedreiro A.S.S., 47, que, ao escutar os estampidos, correu para sua janela e viu dois rapazes (um deles negro) saindo do carro com armas em punho e correndo em direção a um matagal que dá acesso ao bairro de São Gonçalo. Até ontem, a polícia ainda não tinha pistas dos assassinos.
José Nilton atuava nas áreas trabalhista e cível. Era casado e tinha dois filhos. Era também diretor da Associação dos Portadores de Deficiência (Aspod) e morava no Caminho das Árvores. Foi sepultado ontem à tarde, no Cemitério Jardim da Saudade. Já o enterro de Edjane será realizado hoje, às 11h, no Cemitério de Quintas dos Lázaros. Ela deixou uma filha de 14 anos.
***
Família da estudante é informada pela imprensa
Ao receber duas equipes de reportagem em sua residência, localizada na Segunda Travessa da Rua Boa Vista, bairro de Marechal Rondon, pouco depois das 11h, a dona de casa Edite Bastos de Santana, mãe de Edjane, ainda não tinha conhecimento da morte brutal da filha. Questionada sobre o paradeiro da vítima, disse que Edjane tinha saído anteontem de casa, por volta das 18h, para ir à residência de uma amiga e depois seguiria para a faculdade, onde cursava o 5º semestre de direito. Disse ainda que a filha estagiava no escritório de advocacia, tendo José Nilton como chefe, com quem era vista com freqüência no bairro.
Através dos jornalistas, a família foi informada do ocorrido, pois a polícia sequer esteve na residência. Joelson Bastos, irmão caçula de Edjane, já estava desconfiado por ela não ter retornado para casa e também porque seu telefone estava desligado. Coube a ele a missão de informar à mãe da morte da filha. Edite passou mal e precisou ser amparada por vizinhos.
***
Casal encontrado morto no Bom Juá
Já em estado avançado de decomposição e com as mãos amarradas para trás, os corpos do jovem Rodrigo Rosa e de sua mulher, Joseneide Liberato da Rocha, ambos de 25 anos, foram encontrados anteontem à noite, no bairro de Bom Juá, onde residiam. Ele foi morto a tiros, enquanto ela foi estrangulada. O caso está sendo investigado pelo delegado Cláudio Meirelles Miranda, plantonista da 4ª Delegacia (São Caetano), que ainda não possui pistas dos assassinos.
O mau cheiro que exalava da residência de número 114, localizada sobre a casa de material de construção São Francisco, fez com que moradores da Rua Direta do Bom Juá acionassem agentes da 4ªDP, que estiveram no local por volta das 19h. Ao entrarem no imóvel, encontraram o corpo de Rodrigo no banheiro com três tiros no peito. Em seguida, acharam Joseneide em um dos quartos com um pano envolto ao pescoço. Todos os cômodos tinham sido revirados. Vizinhos disseram que o casal foi visto com vida pela última fez na terça-feira à noite.
Elivaldo da Cruz Soares, tio de Joseneide, compareceu horas depois na delegacia, mas o conteúdo do depoimento não foi revelado. Carioca, Rodrigo morava de aluguel no bairro há cerca de seis meses.
Fonte: Correio da Bahia
Bruno Wendel
O advogado e professor da Universidade Católica do Salvador (Ucsal) José Nilton Silva Oliveira, 53 anos, e sua estagiária Edjane Bastos de Santana, 32, estudante do curso de direito da Faculdades Jorge Amado, foram encontrados mortos a tiros no interior do veículo Suzuki de placa JNS-1377, anteontem à noite, na localidade do Arraial do Retiro. O crime foi cometido por dois homens que, segundo a polícia, tentaram simular um latrocínio (roubo seguido de morte). O duplo homicídio está sendo investigado por agentes da 11ª Delegacia (Tancredo Neves).
Depois de praticarem a execução, por volta das 20h30, na Rua Fonte da Bica, os criminosos fugiram em direção do bairro do São Gonçalo levando a bolsa de Edjane e o celular de José Nilton, mas deixaram para trás R$100 e dois cheques, totalizando pouco mais de R$920, que estavam em sua carteira de cédulas, além de outros objetos das vítimas.
José Nilton foi encontrado debruçado sobre o volante, com três tiros na cabeça, enquanto Edjane foi morta no banco de trás do veículo com sete disparos, nas costas, braço e tórax. Em seguida, policiais militares foram acionados via Central Única de Telecomunicações da Polícia (Centel) e chegaram a realizar diligências na região, mas não encontraram os criminosos.
A delegada Marly Margareth Oliveira, plantonista da 11ª DP, esteve no local e presidiu o levantamento cadavérico. Peritos do Departamento de Polícia Técnica encontraram dentro do Suzuki, além dos dois cheques e os R$100 de José Nilton, um relógio de pulso, cartões de crédito, dois pen drives (armazenador de dados) e a carteira da Ordem dos Advogados do Brasil de José Nilton.
Moradores do Arraial do Retiro disseram ter ouvido vários tiros, mas poucos se arriscaram a sair de suas casas para saber o que tinha acontecido. Foi o caso do pedreiro A.S.S., 47, que, ao escutar os estampidos, correu para sua janela e viu dois rapazes (um deles negro) saindo do carro com armas em punho e correndo em direção a um matagal que dá acesso ao bairro de São Gonçalo. Até ontem, a polícia ainda não tinha pistas dos assassinos.
José Nilton atuava nas áreas trabalhista e cível. Era casado e tinha dois filhos. Era também diretor da Associação dos Portadores de Deficiência (Aspod) e morava no Caminho das Árvores. Foi sepultado ontem à tarde, no Cemitério Jardim da Saudade. Já o enterro de Edjane será realizado hoje, às 11h, no Cemitério de Quintas dos Lázaros. Ela deixou uma filha de 14 anos.
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Família da estudante é informada pela imprensa
Ao receber duas equipes de reportagem em sua residência, localizada na Segunda Travessa da Rua Boa Vista, bairro de Marechal Rondon, pouco depois das 11h, a dona de casa Edite Bastos de Santana, mãe de Edjane, ainda não tinha conhecimento da morte brutal da filha. Questionada sobre o paradeiro da vítima, disse que Edjane tinha saído anteontem de casa, por volta das 18h, para ir à residência de uma amiga e depois seguiria para a faculdade, onde cursava o 5º semestre de direito. Disse ainda que a filha estagiava no escritório de advocacia, tendo José Nilton como chefe, com quem era vista com freqüência no bairro.
Através dos jornalistas, a família foi informada do ocorrido, pois a polícia sequer esteve na residência. Joelson Bastos, irmão caçula de Edjane, já estava desconfiado por ela não ter retornado para casa e também porque seu telefone estava desligado. Coube a ele a missão de informar à mãe da morte da filha. Edite passou mal e precisou ser amparada por vizinhos.
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Casal encontrado morto no Bom Juá
Já em estado avançado de decomposição e com as mãos amarradas para trás, os corpos do jovem Rodrigo Rosa e de sua mulher, Joseneide Liberato da Rocha, ambos de 25 anos, foram encontrados anteontem à noite, no bairro de Bom Juá, onde residiam. Ele foi morto a tiros, enquanto ela foi estrangulada. O caso está sendo investigado pelo delegado Cláudio Meirelles Miranda, plantonista da 4ª Delegacia (São Caetano), que ainda não possui pistas dos assassinos.
O mau cheiro que exalava da residência de número 114, localizada sobre a casa de material de construção São Francisco, fez com que moradores da Rua Direta do Bom Juá acionassem agentes da 4ªDP, que estiveram no local por volta das 19h. Ao entrarem no imóvel, encontraram o corpo de Rodrigo no banheiro com três tiros no peito. Em seguida, acharam Joseneide em um dos quartos com um pano envolto ao pescoço. Todos os cômodos tinham sido revirados. Vizinhos disseram que o casal foi visto com vida pela última fez na terça-feira à noite.
Elivaldo da Cruz Soares, tio de Joseneide, compareceu horas depois na delegacia, mas o conteúdo do depoimento não foi revelado. Carioca, Rodrigo morava de aluguel no bairro há cerca de seis meses.
Fonte: Correio da Bahia
Informe JB: Severino pé roxo rumo a Brasília
Leandro Mazzini
Severino Cavalcanti, o rei do Baixo Clero que deu uma coça histórica no PT e tornou-se presidente da Câmara com a ajuda da oposição, revelou-se um profeta. Defenestrado do cargo por conta própria, depois de assumir a cobrança de propina por um aluguel de restaurante no Congresso - coisa que daria prisão num país sério - soltou esta: "Eu vou voltar".
A Justiça Eleitoral que o diga. Severino, suplente do deputado Marcos da Hora (PRB-PE) - que abandonou o PSC - agora requer a vaga num processo contra o ex-aliado por causa da infidelidade. O TSE tem milhares de ações similares pelo país, pode demorar a julgar. Mas Da Hora deve reconhecer a asneira que protagonizou e escrever no currículo um feito inédito para os anais da política: devolverá à Câmara um deputado que pediu para sair de lá.
Curiosamente, se dependesse do povo da pequena João Alfredo (PE), terra natal de Severino, o ex-deputado não se elegeria nem vereador. Severino não consegue vencer uma eleição municipal há 15 anos. Todos os seus candidatos perdem, e feio. Os seus eleitores são chamados de "pés roxos". Não precisa explicar por que.
Pé frio
Quando deputado, Severino visitava pouco a cidade. Tem uma fazenda lá, e, apesar do esforço, só conseguiu emplacar um prefeito até 1992, um de seus filhos, já falecido. Apesar da trajetória política - Severino foi prefeito em 1964-66 pela UDN, exerceu sete mandatos de deputado estadual e três de federal - ele amarga seguidas derrotas no pleito municipal.
Cururu
O dono da terra lá é o adversário Sebastião Mendes (DEM), o Cururu (uma espécie de sapo), benquisto pelos pés-de-peia. Não se sabe de onde vem o nome, "mas é assim e ponto", diz um morador.
Homem de confiança
A escolha do deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), relator da CPI dos Cartões, foi do presidente Lula. Eles são amigos de longa data, desde a época em que o sindicalista do ABC passava verões inesquecíveis com a família na casa de praia de Luiz Sérgio em Angra dos Reis. Hoje o deputado mora numa cobertura em Copacabana, no Rio. Mas a amizade ficou, claro.
Briga quente
Do presidente da OAB, Cezar Britto, sobre o fato de o STJ ter vetado a lista sêxtupla enviada por ele: "Não há razão lógica, jurídica e constitucional para o STJ rejeitar a lista".
Collor & FH
O senador Fernando Collor (PTB-AL) está otimista com a idéia sobre parlamentarismo no país. Convidou três amigos para debater o assunto em sessão no Senado mês que vem: o professor Otaciano Nogueira, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e Hélio Bicudo, fundador do PT.
Bicudo mesmo
Bicudo é (ou era) um militante histórico do PT. Mas um dia disse que o partido "vai levar 100 anos para se recuperar da gestão Lula".
Turbinados
Os deputados que ocupam cargos na Mesa Diretora da Câmara já estão desfilando de carros novos. São os modelos Ford Fusion, importados do México. Dezenas deles foram comprados. O carro básico vale R$ 78 mil no mercado.
Ouvidor também
A Ouvidoria da Câmara também ganhou importado. É o Cerato, da Kia. Na quinta-feira à tarde, o carro estava estacionado na Chapelaria do Congresso. O motorista dormia.
Maré braba
A Marinha e a Receita Federal fecharam um acordo para ações de fiscalização nos portos do país. Estão de olho em produtos importados.
Fonte: JB Online
Severino Cavalcanti, o rei do Baixo Clero que deu uma coça histórica no PT e tornou-se presidente da Câmara com a ajuda da oposição, revelou-se um profeta. Defenestrado do cargo por conta própria, depois de assumir a cobrança de propina por um aluguel de restaurante no Congresso - coisa que daria prisão num país sério - soltou esta: "Eu vou voltar".
A Justiça Eleitoral que o diga. Severino, suplente do deputado Marcos da Hora (PRB-PE) - que abandonou o PSC - agora requer a vaga num processo contra o ex-aliado por causa da infidelidade. O TSE tem milhares de ações similares pelo país, pode demorar a julgar. Mas Da Hora deve reconhecer a asneira que protagonizou e escrever no currículo um feito inédito para os anais da política: devolverá à Câmara um deputado que pediu para sair de lá.
Curiosamente, se dependesse do povo da pequena João Alfredo (PE), terra natal de Severino, o ex-deputado não se elegeria nem vereador. Severino não consegue vencer uma eleição municipal há 15 anos. Todos os seus candidatos perdem, e feio. Os seus eleitores são chamados de "pés roxos". Não precisa explicar por que.
Pé frio
Quando deputado, Severino visitava pouco a cidade. Tem uma fazenda lá, e, apesar do esforço, só conseguiu emplacar um prefeito até 1992, um de seus filhos, já falecido. Apesar da trajetória política - Severino foi prefeito em 1964-66 pela UDN, exerceu sete mandatos de deputado estadual e três de federal - ele amarga seguidas derrotas no pleito municipal.
Cururu
O dono da terra lá é o adversário Sebastião Mendes (DEM), o Cururu (uma espécie de sapo), benquisto pelos pés-de-peia. Não se sabe de onde vem o nome, "mas é assim e ponto", diz um morador.
Homem de confiança
A escolha do deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), relator da CPI dos Cartões, foi do presidente Lula. Eles são amigos de longa data, desde a época em que o sindicalista do ABC passava verões inesquecíveis com a família na casa de praia de Luiz Sérgio em Angra dos Reis. Hoje o deputado mora numa cobertura em Copacabana, no Rio. Mas a amizade ficou, claro.
Briga quente
Do presidente da OAB, Cezar Britto, sobre o fato de o STJ ter vetado a lista sêxtupla enviada por ele: "Não há razão lógica, jurídica e constitucional para o STJ rejeitar a lista".
Collor & FH
O senador Fernando Collor (PTB-AL) está otimista com a idéia sobre parlamentarismo no país. Convidou três amigos para debater o assunto em sessão no Senado mês que vem: o professor Otaciano Nogueira, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e Hélio Bicudo, fundador do PT.
Bicudo mesmo
Bicudo é (ou era) um militante histórico do PT. Mas um dia disse que o partido "vai levar 100 anos para se recuperar da gestão Lula".
Turbinados
Os deputados que ocupam cargos na Mesa Diretora da Câmara já estão desfilando de carros novos. São os modelos Ford Fusion, importados do México. Dezenas deles foram comprados. O carro básico vale R$ 78 mil no mercado.
Ouvidor também
A Ouvidoria da Câmara também ganhou importado. É o Cerato, da Kia. Na quinta-feira à tarde, o carro estava estacionado na Chapelaria do Congresso. O motorista dormia.
Maré braba
A Marinha e a Receita Federal fecharam um acordo para ações de fiscalização nos portos do país. Estão de olho em produtos importados.
Fonte: JB Online
Memória JB | Sobre a Guerrilha
Ocorrida entre 1972 e 1975, a Guerrilha do Araguaia foi o mais sério confronto armado entre a esquerda e o regime militar. O movimento começou a ser organizado em 1966 com a chegada dos primeiros ativistas do PC do B à região do Bico do Papagaio, mas os embates começariam em abril de 1972, quando as Forças Armadas deram início ao ataque, desalojando os grupos instalados nas matas à margem esquerda do Rio Araguaia. No ano seguinte, depois de infiltrar agentes em todo o circuito da guerrilha - que compreendia uma área de sete mil quilômetros quadrados - durante a chamada Operação Sucuri, os militares já tinham toda a estrutura e a relação dos guerrilheiros: eram 69 militantes do PC do B e cerca de 20 moradores que haviam aderido ao movimento, divididos em três destacamentos.
As três campanhas militares envolveram cerca de 10 mil homens. No final, uma tropa especializada em combate na selva, à paisana e chefiada por oficiais do Exército, foi encarregada de sufocar o que restara do movimento. Prisioneiros só foram feitos durante o ano de 1972. Depois, a ordem era exterminar. Nem os guerrilheiros que se renderam ou acabaram presos nas operações escaparam. Muitos deles foram levados vivos para as bases militares de Marabá (PA), conhecida como Casa Azul, ou Xambioá (TO), e executados. A Guerrilha do Araguaia é o maior trauma da esquerda armada e um dos episódios mais vergonhosos para as Forças Armadas, que escondeu por mais de 20 anos o que havia acontecido nas matas da Amazônia.
Fonte: JB Online
As três campanhas militares envolveram cerca de 10 mil homens. No final, uma tropa especializada em combate na selva, à paisana e chefiada por oficiais do Exército, foi encarregada de sufocar o que restara do movimento. Prisioneiros só foram feitos durante o ano de 1972. Depois, a ordem era exterminar. Nem os guerrilheiros que se renderam ou acabaram presos nas operações escaparam. Muitos deles foram levados vivos para as bases militares de Marabá (PA), conhecida como Casa Azul, ou Xambioá (TO), e executados. A Guerrilha do Araguaia é o maior trauma da esquerda armada e um dos episódios mais vergonhosos para as Forças Armadas, que escondeu por mais de 20 anos o que havia acontecido nas matas da Amazônia.
Fonte: JB Online
As promessas da nova gen-ética
Cristine Gerk
Nem carteira de identidade, nem mapa astral, nem curriculum vitae. Agora, e cada dia mais, o código genético será a forma mais comum de determinar quem é uma pessoa e qual será o seu futuro. Já é possível descobrir com antecedência se um indivíduo terá filhos saudáveis, responderá bem a tratamentos, sofrerá com efeitos colaterais a drogas ou terá determinadas doenças. Enquanto a genética se torna o carro-chefe da medicina, a perspectiva é de que num futuro breve as terapias sejam personalizadas, e os remédios feitos especialmente para um bom processamento em cada organismo.
Para Sérgio Pena, do Laboratório Gene - Núcleo de Genética Médica, é possível que em 10 anos andemos com o nosso mapa genético num pendrive.
- O médico fará o download do mapa e usará softwares especiais para decidir a dose do remédio - prevê Pena. - A genética fará com que a medicina deixe de ser arte e se torne ciência.
Atualmente, no contexto da medicina genômica, duas áreas merecem menção pelos avanços e promessas de benefícios a curto-prazo: a farmacogenômica e a nutrigenômica. A primeira usa o mapeamento genético para descobrir a capacidade individual de metabolizar drogas. Ela revela a propensão do paciente a sofrer efeitos colaterais e quais as doses mais indicadas para cada tratamento. Os maiores avanços são em oncologia, infectologia, transplantes e psiquiatria. Na nutrigenômica, testes de DNA permitem prescrever dietas ideais e únicas, prevenindo doenças como câncer, obesidade, diabetes e hipertensão.
- Você genotipa algumas enzimas cruciais para a metabolização de diversas drogas. Se a pessoa metaboliza rápido, a dose deve ser maior - explica Marcelo Allevato, coordenador do departamento de psicofarmacologia da Associação Psiquiátrica do Estado do Rio de Janeiro. - As pessoas correm menos riscos e a terapia é mais eficiente.
No caso do câncer ou de transplantes, a inciativa é importante porque muitos não têm sucesso com a quimioterapia ou com o transplante por problemas de metabolização. Há provas científicas de que a técnica prevê diabetes, doenças infecciosas e hereditárias e reações adversas a vacinas, como da febre amarela.
Preço do mapa
Segundo Allevato, a genotipagem em indicações já aprovadas pela FDA custa menos de US$ 300 nos EUA, e uma genotipagem mais abrangente, que inclui características ainda não formalmente aprovadas, custa por volta de U$ 1.000. Algumas companhias já oferecem mapas genéticos diretamente ao consumidor. O serviço mais completo é o da empresa islandesa deCODE Genomics, que oferece mapeamento de 1 milhão de variações genômicas por US$ 985. Pelo preço, a deCODE faz uma avaliação de risco genético para 20 males comuns. A cada dia se descobrem novos genes responsáveis por doenças. Logo, a amplitude dos testes só aumenta.
Diversas pesquisas estão em curso para identificar a quantidade de receptores de membrana de cada pessoa para saber se ela responderá bem a determinado remédio, em termos de eficácia terapêutica.
- Não há drogas projetadas segundo as características genéticas individuais ainda - pondera Allevato.
No Brasil, serviços universitários de ponta e uma Rede Nacional de Farmacogenética e Farmacogenômica já coordenam pesquisas para a implantação da genotipagem.
- O avanço da farmacogenômica é uma tendência irreversível, que pode ser retardado por contrariar interesses financeiros. A identificação de pessoas incapazes de metabolizar bem uma droga geraria redução dos lucros ligados à sua comercialização - lembra Allevato.
Outros desafios à implementação da técnica incluem a divulgação do conceito, sua incorporação nos currículos de instituições de ensino e a consolidação dos avanços necessários à sua difusão. Para que seja viável, os testes individuais têm de baratear muito.
- Os testes para doenças incomuns e para países em desenvolvimento demorarão mais para chegar - opina o biólogo e professor da UFMG, Fabrício Santos.
Para Allevato, as técnicas devem ser realidades rotineiras na prática médica entre 2015 e 2020. Santos lamenta a demora, já que hoje "há inúmeros casos em que o tratamento piora o quadro e diminui as chances de sobrevivência":
- Doenças com várias drogas e terapias, que podem trazer efeitos diferentes para cada um, seriam melhor combatidas. Só ficamos sabendo se a terapia não é indicada depois do paciente tomar a medicação e sofrer os danos.
Este ano, três cientistas ganharam o prêmio Nobel por descobrirem formas de "restaurar" genes defeituosos. Enquanto as técnicas ficam cada vez mais aprimoradas, alguns imaginam como será o futuro em que a genética será considerada o Norte da identificação pessoal.
- Alterar genes, com certeza, envolve uma questão ética. Mas a verdadeira atitude anti-ética é privar um indivíduo de ter uma vida melhor no futuro, desligando um gene que causaria uma doença até fatal - opina Allevato. - Se seguíssemos um falso moralismo religioso e não interferíssemos na natureza não usaríamos antibióticos, por exemplo.
Fonte: JB Online
Nem carteira de identidade, nem mapa astral, nem curriculum vitae. Agora, e cada dia mais, o código genético será a forma mais comum de determinar quem é uma pessoa e qual será o seu futuro. Já é possível descobrir com antecedência se um indivíduo terá filhos saudáveis, responderá bem a tratamentos, sofrerá com efeitos colaterais a drogas ou terá determinadas doenças. Enquanto a genética se torna o carro-chefe da medicina, a perspectiva é de que num futuro breve as terapias sejam personalizadas, e os remédios feitos especialmente para um bom processamento em cada organismo.
Para Sérgio Pena, do Laboratório Gene - Núcleo de Genética Médica, é possível que em 10 anos andemos com o nosso mapa genético num pendrive.
- O médico fará o download do mapa e usará softwares especiais para decidir a dose do remédio - prevê Pena. - A genética fará com que a medicina deixe de ser arte e se torne ciência.
Atualmente, no contexto da medicina genômica, duas áreas merecem menção pelos avanços e promessas de benefícios a curto-prazo: a farmacogenômica e a nutrigenômica. A primeira usa o mapeamento genético para descobrir a capacidade individual de metabolizar drogas. Ela revela a propensão do paciente a sofrer efeitos colaterais e quais as doses mais indicadas para cada tratamento. Os maiores avanços são em oncologia, infectologia, transplantes e psiquiatria. Na nutrigenômica, testes de DNA permitem prescrever dietas ideais e únicas, prevenindo doenças como câncer, obesidade, diabetes e hipertensão.
- Você genotipa algumas enzimas cruciais para a metabolização de diversas drogas. Se a pessoa metaboliza rápido, a dose deve ser maior - explica Marcelo Allevato, coordenador do departamento de psicofarmacologia da Associação Psiquiátrica do Estado do Rio de Janeiro. - As pessoas correm menos riscos e a terapia é mais eficiente.
No caso do câncer ou de transplantes, a inciativa é importante porque muitos não têm sucesso com a quimioterapia ou com o transplante por problemas de metabolização. Há provas científicas de que a técnica prevê diabetes, doenças infecciosas e hereditárias e reações adversas a vacinas, como da febre amarela.
Preço do mapa
Segundo Allevato, a genotipagem em indicações já aprovadas pela FDA custa menos de US$ 300 nos EUA, e uma genotipagem mais abrangente, que inclui características ainda não formalmente aprovadas, custa por volta de U$ 1.000. Algumas companhias já oferecem mapas genéticos diretamente ao consumidor. O serviço mais completo é o da empresa islandesa deCODE Genomics, que oferece mapeamento de 1 milhão de variações genômicas por US$ 985. Pelo preço, a deCODE faz uma avaliação de risco genético para 20 males comuns. A cada dia se descobrem novos genes responsáveis por doenças. Logo, a amplitude dos testes só aumenta.
Diversas pesquisas estão em curso para identificar a quantidade de receptores de membrana de cada pessoa para saber se ela responderá bem a determinado remédio, em termos de eficácia terapêutica.
- Não há drogas projetadas segundo as características genéticas individuais ainda - pondera Allevato.
No Brasil, serviços universitários de ponta e uma Rede Nacional de Farmacogenética e Farmacogenômica já coordenam pesquisas para a implantação da genotipagem.
- O avanço da farmacogenômica é uma tendência irreversível, que pode ser retardado por contrariar interesses financeiros. A identificação de pessoas incapazes de metabolizar bem uma droga geraria redução dos lucros ligados à sua comercialização - lembra Allevato.
Outros desafios à implementação da técnica incluem a divulgação do conceito, sua incorporação nos currículos de instituições de ensino e a consolidação dos avanços necessários à sua difusão. Para que seja viável, os testes individuais têm de baratear muito.
- Os testes para doenças incomuns e para países em desenvolvimento demorarão mais para chegar - opina o biólogo e professor da UFMG, Fabrício Santos.
Para Allevato, as técnicas devem ser realidades rotineiras na prática médica entre 2015 e 2020. Santos lamenta a demora, já que hoje "há inúmeros casos em que o tratamento piora o quadro e diminui as chances de sobrevivência":
- Doenças com várias drogas e terapias, que podem trazer efeitos diferentes para cada um, seriam melhor combatidas. Só ficamos sabendo se a terapia não é indicada depois do paciente tomar a medicação e sofrer os danos.
Este ano, três cientistas ganharam o prêmio Nobel por descobrirem formas de "restaurar" genes defeituosos. Enquanto as técnicas ficam cada vez mais aprimoradas, alguns imaginam como será o futuro em que a genética será considerada o Norte da identificação pessoal.
- Alterar genes, com certeza, envolve uma questão ética. Mas a verdadeira atitude anti-ética é privar um indivíduo de ter uma vida melhor no futuro, desligando um gene que causaria uma doença até fatal - opina Allevato. - Se seguíssemos um falso moralismo religioso e não interferíssemos na natureza não usaríamos antibióticos, por exemplo.
Fonte: JB Online
Encontrada uma mina intacta de 2 mil anos
Outra pesquisa, também realizada no Peru, desta vez por arqueólogos da Universidade de Purdue, em Indiana, nos Estados Unidos, revelou como uma civilização anterior ao Império Inca já fazia uso do minério de ferro, inclusive exercendo um grande trabalho de mineração. Uma mina intacta descoberta no Ingenuo Valley, na região dos Andes, mostrou como o mineral era importante para a civilização Nasca, que existiu do ano 1 até 750 da Era Cristã.
- Os arqueólogos já tinham conhecimento de que, há milhares de anos, antigas civilizações faziam trabalhos de mineração - disse o antropólogo Kevin J. Vaughn - A mineração do ferro nas civilizações antigas, especialmente na África, tem cerca de 40 mil anos. Mas não há muitas evidências a respeito das minas.
A descoberta de uma mina de hematita - principal minério de ferro - revelou alguns aspectos a respeito de como o mineral era aproveitado naquela época. A hipótese de Vaughn é a de que o povo Nasca usava o pigmento vermelho ocre da hematita para pintar cerâmicas, tecidos, paredes e o próprio corpo. A civilização Nasca é conhecida por centenas de desenhos no Deserto de Nasca - conhecidos como Nasca-Lines - que podem ser vistos apenas do alto, e por um sistema de aqueduto que ainda é usado.
Vaughn e sua equipe começaram a escavar a Mina Primavera em 2004 e 2005. Em 2006 e 2007 eles aprofundaram as pesquisas de campo e recolheram alguns objetos. As descobertas da escavação foram publicadas no Journal of the Minerals, Metals & Materials Society.
Exploração
A mina é uma caverna construída por humanos há cerca de 2 mil anos. Por volta de 3.710 toneladas de hematita devem ter sido extraídas durante mais de 1.400 anos de exploração. A mina, que ainda guarda cerca de 700 m³ de hematita, está em um rochedo íngreme, próxima a uma outra, moderna, em atividade.
Dentro da Primavera, os arqueólogos descobriram alguns objetos como espigas de milho, ferramentas de pedra e peças de tecido e cerâmica. A idade dos ítens foi determinada por radiocarbono, um processo baseado na avaliação do decréscimo natural de alguns elementos químicos.
- A arqueologia já conseguiu uma coleção muito boa da cerâmica produzida nessa região. Por isso, podemos simplesmente olhar para muitos desses exemplares e calcular uma data relativa a um determinado século, baseado nas mudanças de estilo - disse Vaughn. - Mesmo antes da datação, sabíamos que era uma mina muito antiga.
As peças encontradas são fragmentos muito pequenos, do tamanho de moedas, com desenhos distintos, similares aos da civilização Nasca em seu período mais remoto. Os objetos estão no museu do Instituto Nacional de Cultura do Peru, na cidade de Ica.
- Agora há evidência arqueológica de que antigas civilizações nos Andes faziam mineração. É importante dar este crédito a elas - disse Vaughn. - Mesmo que civilizações antigas dos Andes trabalhassem com alguns metais, como o cobre, elas nunca trabalharam com o ferro para fazer armas ou fabricar artefatos de luxo para a elite, como acontecia em outras civilizações da América.
Fonte: JB Online
- Os arqueólogos já tinham conhecimento de que, há milhares de anos, antigas civilizações faziam trabalhos de mineração - disse o antropólogo Kevin J. Vaughn - A mineração do ferro nas civilizações antigas, especialmente na África, tem cerca de 40 mil anos. Mas não há muitas evidências a respeito das minas.
A descoberta de uma mina de hematita - principal minério de ferro - revelou alguns aspectos a respeito de como o mineral era aproveitado naquela época. A hipótese de Vaughn é a de que o povo Nasca usava o pigmento vermelho ocre da hematita para pintar cerâmicas, tecidos, paredes e o próprio corpo. A civilização Nasca é conhecida por centenas de desenhos no Deserto de Nasca - conhecidos como Nasca-Lines - que podem ser vistos apenas do alto, e por um sistema de aqueduto que ainda é usado.
Vaughn e sua equipe começaram a escavar a Mina Primavera em 2004 e 2005. Em 2006 e 2007 eles aprofundaram as pesquisas de campo e recolheram alguns objetos. As descobertas da escavação foram publicadas no Journal of the Minerals, Metals & Materials Society.
Exploração
A mina é uma caverna construída por humanos há cerca de 2 mil anos. Por volta de 3.710 toneladas de hematita devem ter sido extraídas durante mais de 1.400 anos de exploração. A mina, que ainda guarda cerca de 700 m³ de hematita, está em um rochedo íngreme, próxima a uma outra, moderna, em atividade.
Dentro da Primavera, os arqueólogos descobriram alguns objetos como espigas de milho, ferramentas de pedra e peças de tecido e cerâmica. A idade dos ítens foi determinada por radiocarbono, um processo baseado na avaliação do decréscimo natural de alguns elementos químicos.
- A arqueologia já conseguiu uma coleção muito boa da cerâmica produzida nessa região. Por isso, podemos simplesmente olhar para muitos desses exemplares e calcular uma data relativa a um determinado século, baseado nas mudanças de estilo - disse Vaughn. - Mesmo antes da datação, sabíamos que era uma mina muito antiga.
As peças encontradas são fragmentos muito pequenos, do tamanho de moedas, com desenhos distintos, similares aos da civilização Nasca em seu período mais remoto. Os objetos estão no museu do Instituto Nacional de Cultura do Peru, na cidade de Ica.
- Agora há evidência arqueológica de que antigas civilizações nos Andes faziam mineração. É importante dar este crédito a elas - disse Vaughn. - Mesmo que civilizações antigas dos Andes trabalhassem com alguns metais, como o cobre, elas nunca trabalharam com o ferro para fazer armas ou fabricar artefatos de luxo para a elite, como acontecia em outras civilizações da América.
Fonte: JB Online
sábado, fevereiro 16, 2008
A falta que Voltaire faz
Por: Carlos Chagas
BRASÍLIA - Mal completados vinte anos, chegou a Paris François Marie Arouet, que ainda não se assinava Voltaire. Logo escandalizava a capital francesa com acres comentários a respeito dos costumes e da política. Naqueles idos, a França era governada por um regente, tendo em vista a morte de Luís XIV e o fato de que Luís XV, seu bisneto, era ainda uma criança.
Cioso das dificuldades que envolviam o tesouro real, o regente determinou que fosse posta em leilão metade das cavalariças a seu serviço, quase mil cavalos. O irreverente jovem escreveu que melhor faria o governante se tivesse dispensado não a metade, mas a totalidade dos jumentos que povoavam a corte.
Pouco depois, passeando no Bois de Boulogne, o regente defrontou-se com o detrator e foi sutil: "Monsieur Arouet, vou proporcionar-lhe uma visão de Paris que o senhor jamais imaginou pudesse existir." E despachou Voltaire para uma cela na Bastilha, onde ele ficou por nove meses.
Depois, arrependido, o regente mandou soltá-lo e, como compensação, deu-lhe uma pensão vitalícia. Por carta, o jovem agradeceu porque sua alimentação estaria garantida até o fim da vida, mas disse ao regente que não mais se preocupasse com sua hospedagem, que ele mesmo proveria. Perdeu a pensão e teve de exilar-se na Inglaterra, para não voltar à Bastilha.
Conta-se essa história não apenas em homenagem ao extraordinário Voltaire, que viveu até quase os noventa anos polemizando e batendo de frente com o poder e os poderosos, mas porque, na política brasileira, através da História, sempre encontramos seus discípulos. Falamos daqueles que não se curvam nem perdem oportunidade para opor-se aos detentores do poder, mesmo à custa da própria tranqüilidade e bem-estar.
Seria perigoso começar a citá-los, sob o risco de graves esquecimentos, mas do padre Antônio Vieira a Evaristo da Veiga, nos primórdios da nação, até o Barão de Itararé, Carlos Mariguela, Luís Carlos Prestes, Gregório Bezerra, Agildo Barata, João Amazonas e mesmo Carlos Lacerda e Leonel Brizola, nos tempos modernos, algum erudito poderia dedicar-se à sua exegese. Seria excepcional contribuição apontar quantos se insurgiram contra a prepotência, cada um à sua maneira, tanto faz se pelo humor, pela agressividade, a veemência e até a violência.
Todo esse preâmbulo se faz para uma conclusão: no Brasil de hoje desapareceram quase por completo os Voltaires caboclos. Usando uma lupa, pode-se citar os irmãos Millor e Helio Fernandes. Porque instalou-se no País uma pasmaceira, de alguns anos para cá, a ponto de transformar até mesmo os líderes do PT em dóceis beneficiários de pensões concedidas pelo regente.
Não se encontra quem se insurja, ainda que através do humor, contra a verdade absoluta da globalização e do neoliberalismo que assolam o País e o planeta, transformando o cidadão comum em mero apêndice dos ditames das elites. Substituíram a liberdade pela competição. O trabalho pela prevalência do capital. O livre arbítrio pela acomodação. A independência pela submissão.
Convenhamos, tanto faz se o regente tenha vindo da realeza ou dos porões. Desde que ele se acomode e dite as regras dessa nova escravidão, todos o reverenciam. Uns por interesse, outros por falta de coragem. Voltaire faz falta, como inspiração.
Dois livros de peso
Encontram-se no prelo dois livros de excepcional valor para a memória nacional. Um, de autoria do ex-ministro da Justiça e batalhador incansável pelos direitos humanos, José Gregori. Em linguagem clara, são revelados os meandros da luta contra a ditadura e, depois, da reconstrução democrática. Dentro de poucos dias dedicaremos uma ou várias colunas a respeito do depoimento de Gregori.
O segundo livro prestes a ser editado é do ministro Flávio Flores da Cunha Bierrembach, do Superior Tribunal Militar, por coincidência companheiro de José Gregori em muitos episódios da história recente. Sob o título "Dois séculos de Justiça", Bierrembach desce aos meandros do mais antigo tribunal do Brasil, o Militar, através do relato da participação dos ministros que, como ele, vieram das Arcadas, a Faculdade de Direito de São Paulo.
O STM estava mesmo merecendo uma obra desse peso, já que mesmo nos momentos mais agudos de intolerância e truculência política sempre se constituiu numa instância de ponderação e justiça. Da mesma forma, aguardamos para comentá-la em detalhes.
Um reparo
Um reparo, apenas, à competente senadora Marisa Serra, do PMDB de Minas Gerais. Todo mundo escorrega, e, esta semana, foi a vez dela. Como integrante de um partido que apóia o governo, ela levou longe demais sua fidelidade, ao dizer que "a sociedade está passando do limite porque todo mundo me pergunta: cadê o meu cartão corporativo".
Não foi a sociedade que passou da conta, senadora. Foi o governo, ao locupletar-se desses inadmissíveis benefícios pessoais...
Fonte: Tribuna da Imprensa
BRASÍLIA - Mal completados vinte anos, chegou a Paris François Marie Arouet, que ainda não se assinava Voltaire. Logo escandalizava a capital francesa com acres comentários a respeito dos costumes e da política. Naqueles idos, a França era governada por um regente, tendo em vista a morte de Luís XIV e o fato de que Luís XV, seu bisneto, era ainda uma criança.
Cioso das dificuldades que envolviam o tesouro real, o regente determinou que fosse posta em leilão metade das cavalariças a seu serviço, quase mil cavalos. O irreverente jovem escreveu que melhor faria o governante se tivesse dispensado não a metade, mas a totalidade dos jumentos que povoavam a corte.
Pouco depois, passeando no Bois de Boulogne, o regente defrontou-se com o detrator e foi sutil: "Monsieur Arouet, vou proporcionar-lhe uma visão de Paris que o senhor jamais imaginou pudesse existir." E despachou Voltaire para uma cela na Bastilha, onde ele ficou por nove meses.
Depois, arrependido, o regente mandou soltá-lo e, como compensação, deu-lhe uma pensão vitalícia. Por carta, o jovem agradeceu porque sua alimentação estaria garantida até o fim da vida, mas disse ao regente que não mais se preocupasse com sua hospedagem, que ele mesmo proveria. Perdeu a pensão e teve de exilar-se na Inglaterra, para não voltar à Bastilha.
Conta-se essa história não apenas em homenagem ao extraordinário Voltaire, que viveu até quase os noventa anos polemizando e batendo de frente com o poder e os poderosos, mas porque, na política brasileira, através da História, sempre encontramos seus discípulos. Falamos daqueles que não se curvam nem perdem oportunidade para opor-se aos detentores do poder, mesmo à custa da própria tranqüilidade e bem-estar.
Seria perigoso começar a citá-los, sob o risco de graves esquecimentos, mas do padre Antônio Vieira a Evaristo da Veiga, nos primórdios da nação, até o Barão de Itararé, Carlos Mariguela, Luís Carlos Prestes, Gregório Bezerra, Agildo Barata, João Amazonas e mesmo Carlos Lacerda e Leonel Brizola, nos tempos modernos, algum erudito poderia dedicar-se à sua exegese. Seria excepcional contribuição apontar quantos se insurgiram contra a prepotência, cada um à sua maneira, tanto faz se pelo humor, pela agressividade, a veemência e até a violência.
Todo esse preâmbulo se faz para uma conclusão: no Brasil de hoje desapareceram quase por completo os Voltaires caboclos. Usando uma lupa, pode-se citar os irmãos Millor e Helio Fernandes. Porque instalou-se no País uma pasmaceira, de alguns anos para cá, a ponto de transformar até mesmo os líderes do PT em dóceis beneficiários de pensões concedidas pelo regente.
Não se encontra quem se insurja, ainda que através do humor, contra a verdade absoluta da globalização e do neoliberalismo que assolam o País e o planeta, transformando o cidadão comum em mero apêndice dos ditames das elites. Substituíram a liberdade pela competição. O trabalho pela prevalência do capital. O livre arbítrio pela acomodação. A independência pela submissão.
Convenhamos, tanto faz se o regente tenha vindo da realeza ou dos porões. Desde que ele se acomode e dite as regras dessa nova escravidão, todos o reverenciam. Uns por interesse, outros por falta de coragem. Voltaire faz falta, como inspiração.
Dois livros de peso
Encontram-se no prelo dois livros de excepcional valor para a memória nacional. Um, de autoria do ex-ministro da Justiça e batalhador incansável pelos direitos humanos, José Gregori. Em linguagem clara, são revelados os meandros da luta contra a ditadura e, depois, da reconstrução democrática. Dentro de poucos dias dedicaremos uma ou várias colunas a respeito do depoimento de Gregori.
O segundo livro prestes a ser editado é do ministro Flávio Flores da Cunha Bierrembach, do Superior Tribunal Militar, por coincidência companheiro de José Gregori em muitos episódios da história recente. Sob o título "Dois séculos de Justiça", Bierrembach desce aos meandros do mais antigo tribunal do Brasil, o Militar, através do relato da participação dos ministros que, como ele, vieram das Arcadas, a Faculdade de Direito de São Paulo.
O STM estava mesmo merecendo uma obra desse peso, já que mesmo nos momentos mais agudos de intolerância e truculência política sempre se constituiu numa instância de ponderação e justiça. Da mesma forma, aguardamos para comentá-la em detalhes.
Um reparo
Um reparo, apenas, à competente senadora Marisa Serra, do PMDB de Minas Gerais. Todo mundo escorrega, e, esta semana, foi a vez dela. Como integrante de um partido que apóia o governo, ela levou longe demais sua fidelidade, ao dizer que "a sociedade está passando do limite porque todo mundo me pergunta: cadê o meu cartão corporativo".
Não foi a sociedade que passou da conta, senadora. Foi o governo, ao locupletar-se desses inadmissíveis benefícios pessoais...
Fonte: Tribuna da Imprensa
Brasileiros são 'os que mais acessam sites pornográficos'
Os usuários de internet no Brasil são os que mais acessam sites de pornografia, segundo uma pesquisa encomendada pela empresa de tecnologia Symantec, que fez uma radiografia dos hábitos de mais de sete mil internautas em oito países.
Segundo o levantamento, 55% dos internautas brasileiros visitam páginas com conteúdo pornográfico quando estão online. Os chineses aparecem em segundo na listagem, com 51%.
Os britânicos e alemães, com 35%, são supostamente os que menos procuram sexo pela rede.
O estudo investigou os costumes de 4.687 adultos e 2.717 crianças nos Estados Unidos, Grã-Bretanha, Austrália, Alemanha, França, Brasil, China e Japão.
Amizades online
A pesquisa ainda mostrou que os brasileiros e chineses são os que mais baixam música pela internet: 89% das crianças e 88% dos adultos no Brasil disseram que entram freqüentemente nos sites que oferecem arquivos de música.
Na China, esse número cresce para 97% entre os adultos e 98% entre as crianças.
E também foi no Brasil que os pesquisadores encontraram o maior número de internautas que buscam na rede sua fonte de informação nos sites de notícias e blogs: 93%.
Os chineses vêm logo atrás, com 92%, seguidos pelos japoneses (83%).
O relatório ainda traz informações sobre como os brasileiros consideram relacionamentos pela rede.
Mais de três quartos dos entrevistados adultos (77%) disseram ter feito amizades pela internet. Deste total, 60% disseram que gostam tanto ou mais “dos amigos online”, o maior índice entre os países pesquisados.
As crianças brasileiras seguem a tendência, com 74% dos entrevistados relatando que cultivam amizades pela rede. O índice é menor apenas do que o da China (88%).
"O estudo nos permite entender melhor os hábitos tecnológicos do usuários e como a era da internet está moldando a paisagem cultural global", disse Martian Merritt, gerente de segurança da Symantec.
Ainda segundo o estudo, os brasileiros são os mais desconfiados quando se trata de enviar informações pessoais pela internet, como o número do cartão de crédito.
Apenas 13% dos internautas disseram fornecer dados do cartão de crédito. Os que mais dividem dados pessoais com pessoas desconhecidas são os americanos, com 34%.
Fonte: BBC Brasil
Segundo o levantamento, 55% dos internautas brasileiros visitam páginas com conteúdo pornográfico quando estão online. Os chineses aparecem em segundo na listagem, com 51%.
Os britânicos e alemães, com 35%, são supostamente os que menos procuram sexo pela rede.
O estudo investigou os costumes de 4.687 adultos e 2.717 crianças nos Estados Unidos, Grã-Bretanha, Austrália, Alemanha, França, Brasil, China e Japão.
Amizades online
A pesquisa ainda mostrou que os brasileiros e chineses são os que mais baixam música pela internet: 89% das crianças e 88% dos adultos no Brasil disseram que entram freqüentemente nos sites que oferecem arquivos de música.
Na China, esse número cresce para 97% entre os adultos e 98% entre as crianças.
E também foi no Brasil que os pesquisadores encontraram o maior número de internautas que buscam na rede sua fonte de informação nos sites de notícias e blogs: 93%.
Os chineses vêm logo atrás, com 92%, seguidos pelos japoneses (83%).
O relatório ainda traz informações sobre como os brasileiros consideram relacionamentos pela rede.
Mais de três quartos dos entrevistados adultos (77%) disseram ter feito amizades pela internet. Deste total, 60% disseram que gostam tanto ou mais “dos amigos online”, o maior índice entre os países pesquisados.
As crianças brasileiras seguem a tendência, com 74% dos entrevistados relatando que cultivam amizades pela rede. O índice é menor apenas do que o da China (88%).
"O estudo nos permite entender melhor os hábitos tecnológicos do usuários e como a era da internet está moldando a paisagem cultural global", disse Martian Merritt, gerente de segurança da Symantec.
Ainda segundo o estudo, os brasileiros são os mais desconfiados quando se trata de enviar informações pessoais pela internet, como o número do cartão de crédito.
Apenas 13% dos internautas disseram fornecer dados do cartão de crédito. Os que mais dividem dados pessoais com pessoas desconhecidas são os americanos, com 34%.
Fonte: BBC Brasil
Mulher que vendeu sexo em site vence batalha na Justiça
Marcelo CrescentiDe Frankfurt para a BBC Brasil
Um tribunal na Alemanha decidiu que uma mulher que ficou grávida depois de participar "leilões de sexo" na internet tem o direito de saber o nome do pai da criança.
A mulher teve sexo com seis homens diferentes que participaram de leilões na internet, feitos através de um site alemão em abril e maio do ano passado.
Depois de ficar grávida ela exigiu da empresa que organizou o leilão que lhe desse os nomes dos homens, já que um deles é o pai da criança. O pedido foi negado, e ela foi à Justiça.
Os donos do site argumentaram que tinham garantido por contrato anonimidade absoluta aos participantes dos leilões, que só são conhecidos por seusapelidos na internet.
Mas a corte civil de Stuttgart, no sul da Alemanha, decidiu que os nomes dos homens têm que ser revelados apesar dessa cláusula contratual.
Segundo os juízes, o direito do nenê de saber quem é seu pai está acima do direito ao anonimato dos participantes dos leilões.
Agora a empresa vai ter que revelar o nome dos seis homens, além de seus endereços completos.
Fonte: BBC Brasil
Um tribunal na Alemanha decidiu que uma mulher que ficou grávida depois de participar "leilões de sexo" na internet tem o direito de saber o nome do pai da criança.
A mulher teve sexo com seis homens diferentes que participaram de leilões na internet, feitos através de um site alemão em abril e maio do ano passado.
Depois de ficar grávida ela exigiu da empresa que organizou o leilão que lhe desse os nomes dos homens, já que um deles é o pai da criança. O pedido foi negado, e ela foi à Justiça.
Os donos do site argumentaram que tinham garantido por contrato anonimidade absoluta aos participantes dos leilões, que só são conhecidos por seusapelidos na internet.
Mas a corte civil de Stuttgart, no sul da Alemanha, decidiu que os nomes dos homens têm que ser revelados apesar dessa cláusula contratual.
Segundo os juízes, o direito do nenê de saber quem é seu pai está acima do direito ao anonimato dos participantes dos leilões.
Agora a empresa vai ter que revelar o nome dos seis homens, além de seus endereços completos.
Fonte: BBC Brasil
CPI dos Cartões terá maioria governista
BRASÍLIA - Não à toa os partidos de oposição se preparam para colher assinaturas para tentar criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) exclusiva do Senado para investigar o mau uso dos cartões corporativos. Além de ocupar obrigatoriamente a presidência ou a relatoria da CPI do Senado, a oposição ficaria com metade dos cargos. Já no caso da CPI mista da Câmara e do Senado, a correlação de forças é desfavorável para os oposicionistas: do total de 24 integrantes titulares, 14 serão governistas e 10 da oposição, que além disso não terá nenhum posto de comando nas investigações.
"Se entendermos que o caminho é a CPI restrita ao Senado, a coleta de assinaturas não é problema. Fazemos isso em poucas horas. Esse estoque de assinaturas está garantido", afirmou ontem o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN). A oposição não vai indicar os integrantes para a CPI mista caso o governo insista em escolher os nomes para a presidência e a relatoria.
"Não vamos nos submeter a uma farsa de uma CPI em que o governo vai investigar a si próprio", disse Agripino. Em uma comissão de inquérito restrita ao Senado, a oposição ficaria com 6 dos 12 cargos. Além dos quatro para o DEM e o PSDB, a expectativa é de que uma das vagas fique nas mãos do PDT, que no Senado é tradicionalmente de oposição ao Palácio do Planalto.Outra vaga, que é de rodízio, deverá caber ao PSOL, também adversário do governo. Numa CPI mista, a correlação de forças no Senado não muda, mas na Câmara a oposição tem apenas quatro das oito vagas. Além do DEM, do PSDB e do PPS, uma das posições será preenchida por parlamentar do PV, que esta semana rompeu com o governo.
O PV ocupará a vaga de rodízio prevista no regimento, que serve para acomodar parlamentares de partidos pequenos, que não teriam direito à representação na CPI. Apesar da pressão da oposição, o governo não está disposto a ceder um dos cargos da CPI mista.
"Chantagem"
O líder do PT na Câmara, Maurício Rands (PE), reiterou que o comando da comissão é de parlamentares da base aliada. "Não dá para a oposição ficar com esse tipo de chantagem, de querer quebrar casuisticamente uma regra", observou . E argumentou que o regimento prevê que a presidência e a relatoria da CPI mista sejam ocupadas por parlamentares dos maiores partidos do Congresso - que hoje são o PMDB e o PT.
Rands observou que, na época do governo FHC, o PT não ficou com nenhum cargo de comando em comissão de inquérito. O requerimento para a criação de uma CPI mista foi apresentado quinta-feira à noite à Mesa Diretora do Senado.
Os oposicionistas conseguiram recolher em apenas três horas a assinatura de 28 senadores, depois de o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), ter rejeitado requerimento subscrito por 35 parlamentares da Casa sob a alegação de que havia erros técnicos de redação. A CPI só será instalada depois que o pedido com assinaturas de deputados e senadores for lido em sessão plenária do Congresso. Isso só deverá ocorrer na quarta-feira.
Fonte: Tribuna da Imprensa
"Se entendermos que o caminho é a CPI restrita ao Senado, a coleta de assinaturas não é problema. Fazemos isso em poucas horas. Esse estoque de assinaturas está garantido", afirmou ontem o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN). A oposição não vai indicar os integrantes para a CPI mista caso o governo insista em escolher os nomes para a presidência e a relatoria.
"Não vamos nos submeter a uma farsa de uma CPI em que o governo vai investigar a si próprio", disse Agripino. Em uma comissão de inquérito restrita ao Senado, a oposição ficaria com 6 dos 12 cargos. Além dos quatro para o DEM e o PSDB, a expectativa é de que uma das vagas fique nas mãos do PDT, que no Senado é tradicionalmente de oposição ao Palácio do Planalto.Outra vaga, que é de rodízio, deverá caber ao PSOL, também adversário do governo. Numa CPI mista, a correlação de forças no Senado não muda, mas na Câmara a oposição tem apenas quatro das oito vagas. Além do DEM, do PSDB e do PPS, uma das posições será preenchida por parlamentar do PV, que esta semana rompeu com o governo.
O PV ocupará a vaga de rodízio prevista no regimento, que serve para acomodar parlamentares de partidos pequenos, que não teriam direito à representação na CPI. Apesar da pressão da oposição, o governo não está disposto a ceder um dos cargos da CPI mista.
"Chantagem"
O líder do PT na Câmara, Maurício Rands (PE), reiterou que o comando da comissão é de parlamentares da base aliada. "Não dá para a oposição ficar com esse tipo de chantagem, de querer quebrar casuisticamente uma regra", observou . E argumentou que o regimento prevê que a presidência e a relatoria da CPI mista sejam ocupadas por parlamentares dos maiores partidos do Congresso - que hoje são o PMDB e o PT.
Rands observou que, na época do governo FHC, o PT não ficou com nenhum cargo de comando em comissão de inquérito. O requerimento para a criação de uma CPI mista foi apresentado quinta-feira à noite à Mesa Diretora do Senado.
Os oposicionistas conseguiram recolher em apenas três horas a assinatura de 28 senadores, depois de o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), ter rejeitado requerimento subscrito por 35 parlamentares da Casa sob a alegação de que havia erros técnicos de redação. A CPI só será instalada depois que o pedido com assinaturas de deputados e senadores for lido em sessão plenária do Congresso. Isso só deverá ocorrer na quarta-feira.
Fonte: Tribuna da Imprensa
CNJ vai investigar cartões do Judiciário
BRASÍLIA - O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) vai investigar se há irregularidades no uso de cartões corporativos no Poder Judiciário. A presidente do CNJ, ministra Ellen Gracie, que também preside o Supremo Tribunal Federal (STF), despachou ontem comunicado para que todos os tribunais informem sobre o uso de cartões corporativos. No Poder Judiciário Federal, os saques em dinheiro vivo com cartões corporativos superaram os valores faturados em 2007.
Reproduzindo a conduta de funcionários do Executivo, cerca de 700 servidores da Justiça detentores de cartões sacaram R$ 1,288 milhão em dinheiro vivo para cobrir gastos imediatos, equivalente a 60% do total movimentado. Os saques superaram as compras com cartão em praticamente todos os segmentos do poder.
Na Justiça Federal, que inclui varas federais de diversos estados na primeira instância e os Tribunais Regionais Federais (TRFs), os saques corresponderam a 52% do total gasto. Na Justiça Eleitoral, alcançou 65% e, na Justiça do Trabalho, ficou em 63%.
O Ministério Público Federal (MPF) seguiu o mesmo comportamento: de cada R$ 10 gastos, R$ 6,40 foram retirados em espécie dos cofres públicos e posteriormente aplicados em compras. A ordem da ministra seguiu para os tribunais superiores, para os Tribunais de Justiça (TJs) e também para o Conselho Superior da Justiça do Trabalho e para o Conselho da Justiça Federal.
Estes conselhos deverão repassar informações sobre os Tribunais Regionais do Trabalho e dos Tribunais Regionais Federais. A intenção da ministra Ellen Gracie é verificar quem possui cartão corporativo, quais são os gastos e, ainda, que medidas de controle os tribunais têm para o uso desses cartões. E disciplinar o uso deles.
Segundo a assessoria do CNJ, a presidente do conselho não estipulou prazo para que as informações sejam repassadas ao órgão. Se houver indício de mau uso, o CNJ poderá abrir investigação para apurar o caso. "Este é o primeiro passo para o CNJ decidir sobre o assunto. O conselho precisa saber exatamente o que há sobre isso. Com base nestas informações, os conselheiros poderão decidir de que maneira regulamentar o assunto ou, se for o caso, determinar a suspensão do uso dos cartões corporativos no Judiciário", disse o secretário-geral do CNJ, juiz Sérgio Tejada.
"A determinação da ministra é que o CNJ reúna todas as informações necessárias para embasar decisões sobre o assunto". Nos últimos meses, vários dirigentes do Judiciário adotaram soluções drásticas para lidar com o risco de má utilização dos cartões: renunciaram às vantagens operacionais que esse instrumento representa e decidiram proibir o uso dos cartões.
Foi o que fez, por exemplo, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Marco Aurélio Melo. O Conselho da Justiça Federal (CJF) recorreu a remédio idêntico. Temendo o surgimento de casos de desvios e exageros no uso dos cartões, suspendeu o seu uso, em novembro do ano passado, nas repartições sob sua alçada.
A decisão alcançou a Justiça Federal de primeira instância em todo o País e os tribunais regionais. O Tribunal Superior do Trabalho (TST) interrompeu sua utilização neste ano. O presidente do tribunal, ministro Rider Nogueira de Brito, decidiu examinar os benefícios e riscos do uso instrumento. O movimento de recuo acabou emagrecendo os gastos com cartões no Judiciário Federal. As despesas totais caíram dos R$ 3,6 milhões, registrados em 2006, para R$ 2,1 milhões.
Fonte: Tribuna da Imprensa
Reproduzindo a conduta de funcionários do Executivo, cerca de 700 servidores da Justiça detentores de cartões sacaram R$ 1,288 milhão em dinheiro vivo para cobrir gastos imediatos, equivalente a 60% do total movimentado. Os saques superaram as compras com cartão em praticamente todos os segmentos do poder.
Na Justiça Federal, que inclui varas federais de diversos estados na primeira instância e os Tribunais Regionais Federais (TRFs), os saques corresponderam a 52% do total gasto. Na Justiça Eleitoral, alcançou 65% e, na Justiça do Trabalho, ficou em 63%.
O Ministério Público Federal (MPF) seguiu o mesmo comportamento: de cada R$ 10 gastos, R$ 6,40 foram retirados em espécie dos cofres públicos e posteriormente aplicados em compras. A ordem da ministra seguiu para os tribunais superiores, para os Tribunais de Justiça (TJs) e também para o Conselho Superior da Justiça do Trabalho e para o Conselho da Justiça Federal.
Estes conselhos deverão repassar informações sobre os Tribunais Regionais do Trabalho e dos Tribunais Regionais Federais. A intenção da ministra Ellen Gracie é verificar quem possui cartão corporativo, quais são os gastos e, ainda, que medidas de controle os tribunais têm para o uso desses cartões. E disciplinar o uso deles.
Segundo a assessoria do CNJ, a presidente do conselho não estipulou prazo para que as informações sejam repassadas ao órgão. Se houver indício de mau uso, o CNJ poderá abrir investigação para apurar o caso. "Este é o primeiro passo para o CNJ decidir sobre o assunto. O conselho precisa saber exatamente o que há sobre isso. Com base nestas informações, os conselheiros poderão decidir de que maneira regulamentar o assunto ou, se for o caso, determinar a suspensão do uso dos cartões corporativos no Judiciário", disse o secretário-geral do CNJ, juiz Sérgio Tejada.
"A determinação da ministra é que o CNJ reúna todas as informações necessárias para embasar decisões sobre o assunto". Nos últimos meses, vários dirigentes do Judiciário adotaram soluções drásticas para lidar com o risco de má utilização dos cartões: renunciaram às vantagens operacionais que esse instrumento representa e decidiram proibir o uso dos cartões.
Foi o que fez, por exemplo, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Marco Aurélio Melo. O Conselho da Justiça Federal (CJF) recorreu a remédio idêntico. Temendo o surgimento de casos de desvios e exageros no uso dos cartões, suspendeu o seu uso, em novembro do ano passado, nas repartições sob sua alçada.
A decisão alcançou a Justiça Federal de primeira instância em todo o País e os tribunais regionais. O Tribunal Superior do Trabalho (TST) interrompeu sua utilização neste ano. O presidente do tribunal, ministro Rider Nogueira de Brito, decidiu examinar os benefícios e riscos do uso instrumento. O movimento de recuo acabou emagrecendo os gastos com cartões no Judiciário Federal. As despesas totais caíram dos R$ 3,6 milhões, registrados em 2006, para R$ 2,1 milhões.
Fonte: Tribuna da Imprensa
FHC recomenda fim da "roubalheira"
SÃO PAULO - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso recomendou ontem a centenas de vereadores do PSDB, reunidos em São Paulo, que defendam cinco temas na campanha municipal deste ano: reforma política (com adoção do voto distrital), educação, saúde, segurança e "acabar com a roubalheira". FHC propôs que o seu partido encabece uma campanha nacional pelo que chamou de "uma nova democracia" e pelo "voto decente", que seria a base para outra campanha em favor da adoção do voto distrital no Brasil.
Como sempre acontece nos grandes eventos do PSDB, Fernando Henrique foi a grande estrela, ainda mais potencializada pelas ausências inesperadas do governador de São Paulo, José Serra, e do ex-governador Geraldo Alckmin. Durante os discursos, os vereadores quase não prestavam atenção, clicando sem parar suas câmeras fotográficas para retratar o ex-presidente.
O ex-presidente pregou insistentemente a adoção do voto distrital como ponto fundamental da reforma política e opinou que a mudança do sistema de votação será mais fácil se começar pelo município. Segundo ele, se o voto distrital for introduzido primeiro no município, as suas vantagens ficarão mais perceptíveis para os eleitores.
Ele explicou que, com apenas um candidato de cada partido em cada distrito, os nomes de uma mesma sigla não se enfrentam numa eleição, como acontece no sistema proporcional. "Isso aumentará a unidade dentro dos partidos e recuperará a credibilidade deles", opinou.
O ex-presidente criticou o atual sistema político, lembrando que muitos "foram expulsos do Congresso e hoje ficam se pavoneando e escrevendo artigos, como se nada tivesse acontecido". Para Fernando Henrique, a adoção do voto distrital é o preâmbulo para a instituição do sistema parlamentarista no Brasil.
Ele reafirmou que o PSDB é um partido programaticamente parlamentarista e vai continuar assim: "Nós perdemos o plebiscito pelo parlamentarismo, mas não mudamos de idéia. Conheço outros que mudaram de idéia depois que ganharam a eleição", espicaçou.
Mudança
O ex-presidente disse que não promoveu a reforma política tão logo assumiu a Presidência, em 1995, porque achava, à época, que isso seria uma tarefa do Congresso. Só depois se deu conta de que parlamentares eleitos por um sistema não votariam a sua troca por um outro modelo, que tornaria a sua eleição incerta.
"Mudar não é fácil", disse, parodiando Maquiavel, um de seus pensadores favoritos: "Quem sabe o que é o novo sistema, não quer; quem será beneficiado por ele, não sabe". Fernando Henrique considerou que o voto distrital aproxima o eleitor do candidato: "É a verdadeira referência para estabelecer uma força política e moral que permita ao eleitor cobrar de seu candidato".
Segundo ele, no sistema atual, o eleitor esquece o candidato em quem votou e o parlamentar esquece as razões pelas quais foi votado. O ex-presidente recomendou que os candidatos a vereador estudem os temas que vão defender na campanha: "Temos de estar preparados para o debate político, temos de ter dados, saber o que vamos defender", ensinou. E aconselhou com uma frase de efeito: "Política é pé no chão e o olhar no horizonte". Ao pregar atenção ao tema da segurança, FHC disse que hoje todos têm medo: "Isso não é vida", arrematou.
Fonte: Tribuna da Imprensa
Como sempre acontece nos grandes eventos do PSDB, Fernando Henrique foi a grande estrela, ainda mais potencializada pelas ausências inesperadas do governador de São Paulo, José Serra, e do ex-governador Geraldo Alckmin. Durante os discursos, os vereadores quase não prestavam atenção, clicando sem parar suas câmeras fotográficas para retratar o ex-presidente.
O ex-presidente pregou insistentemente a adoção do voto distrital como ponto fundamental da reforma política e opinou que a mudança do sistema de votação será mais fácil se começar pelo município. Segundo ele, se o voto distrital for introduzido primeiro no município, as suas vantagens ficarão mais perceptíveis para os eleitores.
Ele explicou que, com apenas um candidato de cada partido em cada distrito, os nomes de uma mesma sigla não se enfrentam numa eleição, como acontece no sistema proporcional. "Isso aumentará a unidade dentro dos partidos e recuperará a credibilidade deles", opinou.
O ex-presidente criticou o atual sistema político, lembrando que muitos "foram expulsos do Congresso e hoje ficam se pavoneando e escrevendo artigos, como se nada tivesse acontecido". Para Fernando Henrique, a adoção do voto distrital é o preâmbulo para a instituição do sistema parlamentarista no Brasil.
Ele reafirmou que o PSDB é um partido programaticamente parlamentarista e vai continuar assim: "Nós perdemos o plebiscito pelo parlamentarismo, mas não mudamos de idéia. Conheço outros que mudaram de idéia depois que ganharam a eleição", espicaçou.
Mudança
O ex-presidente disse que não promoveu a reforma política tão logo assumiu a Presidência, em 1995, porque achava, à época, que isso seria uma tarefa do Congresso. Só depois se deu conta de que parlamentares eleitos por um sistema não votariam a sua troca por um outro modelo, que tornaria a sua eleição incerta.
"Mudar não é fácil", disse, parodiando Maquiavel, um de seus pensadores favoritos: "Quem sabe o que é o novo sistema, não quer; quem será beneficiado por ele, não sabe". Fernando Henrique considerou que o voto distrital aproxima o eleitor do candidato: "É a verdadeira referência para estabelecer uma força política e moral que permita ao eleitor cobrar de seu candidato".
Segundo ele, no sistema atual, o eleitor esquece o candidato em quem votou e o parlamentar esquece as razões pelas quais foi votado. O ex-presidente recomendou que os candidatos a vereador estudem os temas que vão defender na campanha: "Temos de estar preparados para o debate político, temos de ter dados, saber o que vamos defender", ensinou. E aconselhou com uma frase de efeito: "Política é pé no chão e o olhar no horizonte". Ao pregar atenção ao tema da segurança, FHC disse que hoje todos têm medo: "Isso não é vida", arrematou.
Fonte: Tribuna da Imprensa
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