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Roberto Nascimento
É sintomático o surrealismo brasileiro, em situações como a que ocorre agora, quando surge na imprensa uma briga dos irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro contra o senador Alexandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado e que conseguiu 37 assinaturas para criar a CPI do Banco Master.
Por que brigam? Ora, apenas porque os filhos Zero Um e Zero Três não querem a CPI do Banco Master, que atingirá políticos de A a Z, principalmente membros da direita e do Centrão, ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
PÉ NO JATO – Ciro Nogueira, senador pelo Piauí e dono do Partido Progressista, foi ministro da Casa Civil de Bolsonaro, é um exemplo. Junto com o ex-deputado Antonio Rueda, presidente do União Braisl, andou no jatinho de Vorcaro para lá e para cá, além de ter proposto uma emenda constitucional aumentando a garantia do investidor de CDBs, passando de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, para favorecer Vorcaro.
No episódio da emenda, o escândalo seria tão grande que o Congresso acabou recusando essa farra do boi organizada por Ciro Nogueira, que atuou na medida exata das necessidades do trambiqueiro Vorcaro para manter o Master de pé e vender a massa pré-falida ao governo de Brasília, com aval de outro político corrupto, Ibaneis Rocha, governador do DF.
NA GAVETA – Essa nova CPI não vai sair, porque só quem pode instalá-la é o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, também investigado no caso Master pelo rombo de 400 milhões, perdidos pela estatal Amapá Previdência (Amprev). A PF cumpriu mandados de busca e apreensão em Macapá, incluindo o diretor-presidente da Amprev, Jocildo Silva Lemos, que tem ligações políticas com o Alcolumbre e por ele foi indicado.
Destaque-se também a atuação melancólica do governador Ibaneis Rocha do DF. Armou com Vorcaro a compra do Master por cerca de 12 bilhões, como se o dinheiro público fosse dele. Jantou e almoçou na mansão do Vorcaro para tratar da transação e ainda teve a coragem de dizer que nessas conversas entrou mudo e saiu calado.
Ibaneis Rocha tinha que estar preso na Papuda, é tão corrupto quanto Vorcaro, porém, estranhamente, a Polícia Federal e o Supremo parecem não se importar com ele.
SUPERNOVELA – O povão está adorando essa supernovela da vida privada, que a cada dia traz capítulos para lá de picantes. Os incidentes de corrupção são mais do que sabidos e fazem parte do dia-a-dia das autoridades dos Três Poderes de Montesquieu, que no Brasil não deram muito certo.
Agora, a galera aguarda a divulgação das concorridas festas organizadas por Vorcaro em Brasília, São Paulo, Trancoso, Nova York e Miami, regadas a bebidas e tudo mais. Muitas autoridades estão temerosas de seus nomes aparecerem nos diálogos dos telefones de Vorcaro.
Por fim, já se sabe que o chefe de cozinha e uma empregada de Vorcaro ameaçaram o banqueiro de divulgar seus segredos de alcova em troca de dinheiro para se calarem. Nas gravações Vorcaro manda o Sicário Mourão, matador profissional, para moer os dois. Ninguém sabe aonde se encontram as prováveis vítimas.