Moraes nomeia para cargo de confiança no STF delegado que indiciou Bolsonaro por trama golpista
Fábio Shor também comandou inquéritos das fake news e das milícias digitais
Por Ana Pompeu/Folhapress
10/03/2026 às 18:30
Foto: Rosinei Coutinho/STF
O ministro Alexandre de Moraes, no STF (Supremo Tribunal Federal)
O delegado da Polícia Federal Fábio Shor, responsável pelo inquérito do caso da trama golpista de 2022 e pelo indiciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foi nomeado assessor no gabinete do ministro Alexandre de Moraes, no STF (Supremo Tribunal Federal).
Ele também comandou o inquérito das fake news, instaurado em 2019 pelo então presidente Dias Toffoli e que segue aberto desde então, e o das milícias digitais.
A nomeação foi assinada pelo presidente da corte, Edson Fachin, e publicada no Diário Oficial da União nesta terça-feira (10).
Shor está formalmente lotado, a partir desta data, em "cargo em comissão de assessor de ministro, nível CJ-3", a posição de maior nível hierárquico após a do chefe de gabinete. Trata-se de função de assessoria direta ao magistrado. Há cargos comissionados que só podem ser preenchidos por servidores concursados, em qualquer órgão. Já os CJs não demandam esse vínculo efetivo.
A nomeação ocorre em meio a revelações da investigação da PF sobre o Banco Master envolvendo Moraes. A apuração mostra que o ministro trocou mensagens com Daniel Vorcaro no dia da prisão do ex-banqueiro.
O delegado chegou a ser ouvido pela Primeira Turma do STF em 21 de julho passado durante o processo que condenou e prendeu Bolsonaro, militares, autoridades e outros por tentativa de golpe de Estado. Ele foi indicado como testemunha pelas defesas de Filipe Martins e Marcelo Câmara, ex-assessores da Presidência.
Shor já foi alvo de diversos ataques de bolsonaristas, incluindo parlamentares.
Em agosto de 2024, o hoje deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) fez ataques a Moraes e ao delegado, assim como os então colegas de Câmara Marcel Van Hattem (Novo-RS) e Gilberto Silva (PL-PB).
"Quando teve aqui a Vaza Jato, ficou dito que era um conluio de Sergio Moro com procuradores para condenar Lula. Agora Alexandre de Moraes não precisa sequer fazer conluio porque ele é o dono de um destacamento da Polícia Federal", disse Eduardo
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