segunda-feira, maio 19, 2025

Barroso amplia privilégios de juízes e limita cada vez mais a transparência

Publicado em 18 de maio de 2025 por Tribuna da Internet

Tribuna da Internet | Com dinheiro do povo, Tribunais pagam R$ 4,5 bilhões  acima do teto aos juízes

Charge do Kemp (humortadela.com.br)

José Marques
Folha

O ministro Luís Roberto Barroso chega aos seus últimos meses na presidência do STF (Supremo Tribunal Federal) e do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) com um Judiciário mais privilegiado do que no momento em que assumiu os cargos, em setembro de 2023, e com a transparência pública limitada. Em meio a medidas dos órgãos nesse sentido, Barroso vem desde o início fazendo, em entrevistas e palestras, uma série de manifestações contrárias às críticas aos gastos da Justiça.

Em duas ocasiões em fevereiro deste ano disse que as críticas são injustas ou motivadas por falta de entendimento e que há “furiosa obsessão negativa” com o Poder Judiciário.

Barroso sairá da presidência do Supremo no segundo semestre deste ano e pode ficar no tribunal até 2033, ano em que se aposentaria compulsoriamente, mas já sinalizou a possibilidade de deixar a corte antes. Em seu lugar no comando da corte assumirá o ministro Edson Fachin.

QUESTIONAMENTOS – Desde a primeira sessão comandada por Barroso à frente do CNJ, em outubro de 2023, houve questionamentos a respeito de benefícios concedidos a magistrados. Na ocasião, integrantes do conselho aprovaram uma resolução que abriu caminho para a criação de diversos penduricalhos em todo o país.

A norma assegurou a equiparação de direitos e deveres de juízes e de integrantes do Ministério Público. Segundo a medida, somente em situações controvertidas o Judiciário define o que é válido e o que não é.

Menos de um mês depois, diversos tribunais aprovaram benefícios a partir dessa resolução. O mais importante deles é a licença compensatória. Ela prevê a juízes que acumulem funções administrativas ou outras atividades “processuais extraordinárias” direito a uma “licença compensatória” de um dia a cada três de trabalho, limitando-se a dez dias por mês.

SEM IMPOSTO… – Os juízes que não desejarem tirar essas folgas recebem por elas. O tribunal, normalmente, paga esses valores por meio de indenização, sem incidência do Imposto de Renda.

Em nota, o STF afirma que a equiparação já estava prevista na Constituição e que já existia outra norma anterior à gestão de Barroso no CNJ sobre o tema, apenas reiterada.

“Importante ressaltar que tais benefícios do Ministério Público nunca foram questionados por partes legitimadas no STF, para que se apurasse a constitucionalidade”, diz o comunicado —as partes que poderiam fazer esse questionamento são, por exemplo, os partidos políticos, a PGR (Procuradoria-Geral da República) e a OAB.

LIBEROU GERAL – “A licença compensatória, por exemplo, além do MP [Ministério Público], está sendo paga por órgãos como STJ [Superior Tribunal de Justiça], TST [Tribunal Superior do Trabalho], TCU [Tribunal de Contas da União], STM [Superior Tribunal Militar] e Defensoria”, afirma a nota.

“Os ministros do STF, porém, não recebem esse benefício. Além disso, o CNJ acompanha casos específicos de eventual abuso na concessão de benefícios. O presidente do STF e do CNJ absolutamente não concorda com abusos.”

Uma decisão de março deste ano do corregedor do CNJ, Mauro Campbell Marques, é vista por especialistas como uma legitimação do pagamento de penduricalhos de forma indenizatória.

LIMITE É TETO – Ele determinou que os adicionais pagos a magistrados precisam ter um limite máximo, estabelecido por ele em R$ 46,3 mil, o teto do funcionalismo público.

Houve medidas de aumento de gasto também no Supremo. A partir de fevereiro de 2024, cada juiz auxiliar convocado pela corte suprema passou a ter direito a até seis diárias por mês, ou R$ 10 mil mensais, um acréscimo de R$ 4.000 em relação ao valor vigente anteriormente.

Neste ano, as verbas foram revisadas e passaram a ser consideradas indenização em uma resolução da corte. E a falta de transparência foi outra controvérsia nos últimos anos. Foi durante a gestão de Barroso que ministros ficaram sob pressão devido à falta de informações sobre viagens para eventos no exterior, sobre as quais não divulgaram gastos como os de custeio e período fora do Brasil.

SEGURANÇA PESSOAL – No ano passado, o ministro Dias Toffoli gastou R$ 99,6 mil de recursos públicos em diárias internacionais para um segurança que o acompanhou em viagens a Londres e Madri.

A quantia foi paga em abril a um servidor responsável pela segurança dele. Mas o STF omitiu informações sobre as viagens feitas pelo ministro e se negou a confirmar se ele passou 25 dias no exterior, conforme indicam os pagamentos ao servidor que o acompanhou.

Outro tema em que a transparência é reduzida é o do empréstimo ao Supremo aeronaves da FAB (Força Aérea Brasileira) para viagens dos ministros da corte. Sob o argumento de segurança, os nomes dos passageiros desses voos não são divulgados, e parte da lista é mantida sob sigilo por cinco anos.

JATINHOS NO AR – Antes, apenas o presidente do Supremo tinha um avião oficial à sua disposição. Os demais ministros do tribunal costumavam pegar carona em voos solicitados por outras autoridades, como ministros de Estado.

Como a Folha mostrou, o STF descumpriu prazos da Lei de Acesso à Informação e omitiu dados sobre viagens de ministros em aeronaves da FAB após dois pedidos feitos pela reportagem.

Em nota, o tribunal diz que “em relação a autorização de gastos com segurança, importante lembrar que todas as autoridades são protegidas em seus momentos de trabalho ou pessoais. O risco não se reduz no momento pessoal. Pelo contrário, familiares também passam a correr mais risco”.

ATÉ NO CINEMA – “Se um ministro for atacado, seja a caminho do trabalho, seja numa sessão de cinema, a consequência institucional é a mesma”, afirma o comunicado.

“De uns tempos para cá, infelizmente, a segurança dos ministros precisou ser reforçada, e a identidade dos agentes de segurança precisou ser preservada, em razão da onda de ódio que se instalou no país e que atinge o STF mais do que outras instituições.”

“Sobre voos da FAB, as requisições seguem o decreto 10.267/2020 e levam em conta análises técnicas de segurança”, diz o Supremo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – De repente, num país pobre surgiu um Judiciário rico, cheio de mordomias e direitos exclusivos, e os magistrados nem ligam para o que a população pensa deles. São os verdadeiros exploradores do povo, agem dentro da lei com uma audácia que faz inveja aos criminosos que não ganharam uma toga. E ainda há quem elogie essa Justiça. Minha ironia não chega a tanto. (C.N.)

Nota da redação deste BlogTítulo: Fui Penalizado por Reproduzir uma Frase: A Perigosa Liberdade de Pensar dos Outros

Vivemos tempos estranhos. Tempos em que você pode ser condenado não por aquilo que faz, mas pelo que alguém pensa que você quis dizer. Fui recentemente penalizado por reproduzir uma frase — isso mesmo, apenas uma frase — que, por um capricho de interpretação de um servidor do fórum de Jeremoabo, foi considerada ofensiva ou perigosa. Não por seu conteúdo real, mas pelo que ele pensou que significava.

É como se estivéssemos voltando aos tempos da Inquisição, onde bastava alguém apontar o dedo e gritar “herege” para que a fogueira fosse acesa. Hoje, a fogueira é jurídica, alimentada por processos e penas desproporcionais, com combustível fornecido por egos inflados e instituições que deveriam defender a liberdade de expressão, e não persegui-la.

O mais grave é que, ao refletir sobre essa situação, percebo o risco que corro apenas por levantar a voz. Criticar a Justiça virou um tabu. Dizer que juízes também devem ser fiscalizados e responsabilizados por seus atos é, em certos meios, quase crime de lesa-pátria. Reproduzir ou comentar qualquer conteúdo que envolva magistrados — mesmo que público, mesmo que noticiado pela grande mídia — parece ser suficiente para merecer punição. Ou, quem sabe, prisão perpétua. Afinal, neste Brasil de contradições, não se pode falar de certas figuras sem correr o risco de ser calado.

Mas o que realmente se esconde por trás disso tudo? Medo? Vaidade? Um sistema que se protege a qualquer custo? Enquanto a Constituição garante liberdade de expressão como pilar democrático, na prática vemos ela sendo esmagada por interpretações subjetivas e por um corporativismo que transforma a toga em escudo.

Reproduzir uma frase não deveria ser motivo para condenação. Ser penalizado por aquilo que o outro “pensou” sobre sua fala é o fim da linha para qualquer democracia madura. E o pior: silenciar as vozes dissonantes com ameaças ou penalidades serve apenas para reforçar o que há de mais autoritário num Estado.

Faço aqui meu protesto. Não pelo que disse, mas pelo que me fizeram. E deixo uma pergunta no ar: que liberdade é essa que nos permite falar, mas nos pune quando falamos o que incomoda?

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